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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

DULCIS VITIS - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA) (2)



Endereço: Via Ratazzi, 7-7/A, Alba, Itália - www.dulcisvitis.it

Contato: +39 0173364633 - Reservas: prenotazioni@dulcisvitis.it

Especialidade: culinária do norte da Itália, especialmente da região do Langhe e de Roero, sob o comando do chef Bruno Cingolani.

Quando fui: noite de 27 de outubro de 2013, domingo. Éramos 05 pessoas, com reserva feita uma hora antes com o próprio chef quando passamos no restaurante para ver se tinha mesa disponível para o nosso jantar de despedida de Alba. O restaurante tem iluminação mais baixa, o que valoriza o amarelo envelhecido que domina as paredes. Seu teto tem tijolos aparentes, em formato abobadado, enquanto a decoração tem mobiliário antigo e muitas garrafas de vinho dos produtores da região, especialmente de Barolo. O chef nos acomodou em uma mesa redonda, belamente decorada, bem próxima da entrada da cozinha, o que nos permitia ver o intenso movimento interno de elaboração dos pratos. O local estava com todas as mesas dos dois salões internos ocupadas.

Serviço: mesmo com o restaurante cheio, o serviço foi muito bom com as garçonetes atentas o tempo inteiro, sempre estando à disposição para nossos chamados. Os pratos chegaram ao mesmo tempo na mesa. Como é um lugar para apreciar a enogastronomia local, o tempo de chegada dos pratos à mesa obedece a este requisito. O chef, como na primeira noite em que lá estivemos, foi muito simpático e conversou conosco o tempo todo, mas sem ser invasivo. Atendeu prontamente ao nosso pedido para indicar um vinho, o segundo da noite. Para nossa surpresa, ele nos trouxe um vinho sem sabermos o produtor, o rótulo e o preço. O vinho era muito bom. Ao final, o vinho custava mais barato do que o que havíamos escolhido para o início de nosso jantar. O restaurante faz questão de informar, nas primeiras páginas do cardápio, todos os produtores que fornecem os insumos para ele. Tais produtores são todos da região, o que garante o movimento da economia rural local. Este é um dos pilares do movimento Slow Food, criado na Itália, exatamente na região em que estávamos.

O que bebemos: dois vinhos tintos. Iniciamos com um Mon Prá 2000, um corte nebbiolo-barbaresco-cabernet sauvigon, produzido no Langhe por Conterno Fantino, com 14% de álcool (€ 60). Vinho com bom corpo e ótima harmonização com o meu primeiro prato. Em seguida, foi a vez do vinho indicado pelo chef Bruno Cingolani, o Vigna Pozzo Barbera d'Alba 2005, do produtor Renato Corino, com 14% de gradação alcoólica (€ 52). O vinho é muito bom, mostrando-se bem elegante na boca. Sua harmonização com a massa com bochecha de porco desfiada foi perfeita. Para acompanhar os vinhos, água mineral com e sem gás Lurisia (€ 5 a garrafa de um litro). Ao final, um bem tirado café espresso Illy (€ 4). Depois de encerrada a conta, o chef sentou conosco, oferecendo-nos uma taça do ótimo vinho de sobremesa Pian dei Sogni Brachetto 2006, do produtor Forteto della Luja.

O que comi: logo que nos sentamos, veio à mesa o coperto, com pães, foccacias e gressinos feitos na casa, acompanhados por azeites e uma excelente manteiga. Antes dos pratos chegarem, o chef nos brindou com um singelo e saboroso amuse bouche: carne crua recheada com queijo de cabra. Embora a tentação de repetir o ovo frito com trufas brancas fosse forte, não segui os demais da mesa, resolvendo experimentar outros pratos do cardápio. Como antipasto, minha opção foi a battuta di carne cruda di fassone, cuore di sedano verde, scaglie di parmigiano reggiano (€ 17). Trata-se de uma espécie de tartare de carne da raça fassone. As fatias da carne são cortadas em pequenos pedaços e apresentadas em forma de um bolo, como um popettone cru. O sabor da carne é bem delicado, que ficou muito bom com o aipo e as pequenas lascas de queijo parmigiano reggiano por dentro do bolo de carne. Já como primo piatto, fui de spaghetti di semola di grano duro MATT, aglio fresco, guanciale e pecorino (€ 14). Uma massa feita de forma artesanal, com coloração amarela, alho fresco, queijo pecorino e bochecha de porco desfiada. De comer ajoelhado. Sensacional. Não queria a sobremesa, como os demais da mesa, mas Emi pediu para o chef trazer um zabaione para cada um de nós. Não sou fã deste doce e estava bem satisfeito. Para não ser indelicado com Bruno, experimentei por educação.






Valor que me coube no total da conta: € 115.

Minha avaliação: * * * * 1/2. Experiência enogastronômica sensacional, que mereceu esta segunda visita em nossa curta estadia em Alba. O chef Bruno Cingolani é uma simpatia, sabendo atender bem e conquista os clientes com ótimo papo, contando sobre a culinária da região.
Encerramos com chave de ouro nossa estadia em Alba. Depois deste jantar, caminhamos com Vera e Cláudia pelas ruas vazias da cidade até deixá-las na porta do hotel onde estavam hospedadas, retornando, em seguida, para nosso hotel. Despedi-me de Emi e Rogério, que seguiriam no dia seguinte, bem cedo, para a França. Entrei no quarto, arrumei minhas malas, deitei e dormi, programando o relógio para despertar às 7 horas, pois as meninas me pegariam às 08:30 horas para seguirmos viagem, de carro, para Milão.

Gastronomia Alba (Itália)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

PIAZZA DUOMO - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)

Tínhamos reserva confirmada no Piazza Duomo para 20 horas, mesa para cinco pessoas. Eu, Rogério e Emi chegamos na Piazza Risorgimento cinco minutos antes. A praça estava lotada, com muitas barracas de comidas e bebidas debaixo das arcadas da sede da prefeitura de Alba. No centro, colocaram mesas altas, com tampo redondo, que serviam de apoio para quem bebia e conversava. Não havia cadeiras. No centro das mesas, velas iluminavam o ambiente. Um palco montado em um canto da praça indicava que ali haveria um show. Não conseguimos identificar o restaurante. Resolvemos perguntar em um  bar bem próximo da Catedral San Lorenzo e nos indicaram o outro lado da catedral, em sua lateral esquerda, para onde fomos e nada achamos. Nova consulta em outro bar e nos foi apontada a primeira rua à esquerda, mas era mais uma informação errada. Demos uma grande volta pelas ruas ali perto, chegando novamente na Piazza Risorgimento. Um jovem que trabalhava em uma das barracas de comida da praça nos mostrou por onde entrava no restaurante que procurávamos. Embora o endereço seja na praça, o que temos no térreo é um restaurante chamado Piola, do mesmo proprietário do Piazza Duomo, que fica no segundo piso. Há uma entrada privativa para ele na via lateral, na Vicolo dell'Arco, 1, na esquina com a Piazza Risorgimento, por onde entramos. Fomos recebidos na porta por uma jovem atendente que nos conduziu até o segundo piso, onde já estavam sentadas Vera e Cláudia. O Piazza Duomo integra a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, editada anualmente pela revista britânica The Restaurant, figurando no 41º lugar na edição 2013, além de ter três estrelas Michelin.

Endereço: 4, Piazza Risorgimento, Alba, Itália. (www.piazzaduomoalba.it).

Contato: +39 0173 356 167 - info@piazzaduomoalba.it

Especialidade: cozinha piemontesa, com toques contemporâneos, sob o comando do chef Enrico Crippa.

Quando fui: jantar de 26 de outubro de 2013, sábado. Éramos 05 pessoas, com reserva feita com mais de um mês de antecedência pela guia Silvia Aprato da empresa de turismo Tasting Tours. O restaurante ocupa o segundo piso de uma edificação antiga localizada na principal praça de Alba. Em seu interior, nada lembra os prédios antigos que estão do lado de fora. Amplas janelas se abrem para a praça. As paredes são brancas com alguns desenhos como adorno. Iluminação ótima, bem clara. Nas mesas não há nenhum tipo de decoração, apenas uma toalha branca, pois a quantidade de amuse bouche que chega é assustadora, não havendo possibilidade de concorrência com nenhum objeto decorativo. Ficamos por mais de três horas no restaurante.

Serviço: ótimo atendimento na entrada, bem como eficiente serviço de mesa, incluindo o vinho e a trufa branca. Foram diligentes ao perguntar a cada um de nós se havia alguma intolerância ou restrição alimentar. No meu caso, respondi que não comia espinafre. O restaurante é adepto do movimento Slow Food, com a indicação no menu da procedência de seus produtos e matérias-primas utilizadas na elaboração de seus pratos, todos eles da região do Piemonte. O que não gostei foi da falta de isolamento acústico das janelas. Como acontecia um show de rock na praça, o barulho incomodava, mesmo com as janelas fechadas. Para piorar, como estávamos em época pré-inverno, não havia como esfriar o ambiente com o ar condicionado. Assim, tínhamos que optar entre o barulho e o calor. Emi, sempre em um eterno calor, pedia para abrir a janela a todo instante, mas logo tinham que fechá-la, pois a música alta incomodava.

O que bebemos: pedimos auxílio ao sommelier para fazer uma harmonização com o menu degustação com trufas brancas. Fomos prontamente atendidos, custando-nos € 80 por pessoa (quatro vinhos para seis pratos). A harmonização está descrita na sessão abaixo. Começamos com uma taça (€ 10) do espumante rosé Ettore Germano, brindando nossa amizade e a felicidade de estarmos juntos na viagem. Acompanhou os vinhos água mineral com e sem gás Lauretana. Ao final um forte café espresso Illy.

O que comi: os cinco da mesa não tiveram dúvidas em escolher o menu degustação com trufas brancas, chamado Menu Tartufo (€ 150, sem as trufas, que custava € 7 o grama), já que estávamos na melhor época para apreciar esta iguaria gastronômica. Todos os seis pratos do menu, incluindo a sobremesa, recebem lascas de trufas brancas raladas por sobre o prato na hora, à vista do cliente. Assim que escolhemos o menu degustação, o garçom nos trouxe à mesa uma seleção de trufas brancas e uma balança de precisão. Ele mesmo sugeriu uma delas, o que aceitamos. Pesou em nossa frente, anotando o peso de 61,4 gramas. Paga-se apenas o que se consome, motivo pelo qual o que resta da trufa ao final é pesado novamente e a diferença é o que se deve pagar. No caso, consumimos 49,2 gramas (€ 344,40). Antes do menu, encheram o centro da mesa com inusitados e diferentes mimos do chef. Sempre em porções com cinco unidades cada um, vieram uma espécie de pururuca de arroz, palitos de espaguete assados, flan caramel com missô (o melhor de todos, com a mistura de sabores doce e salgado), azeitonas falsas (a verde era um tartare de vitelo, muito bom, e a preta era um lagostim, que tinha um forte gosto de mar), queijo do Piemonte, minisalgadinhos, gressinos, foie gras com crispy de milho e espuma de campari (outro mimo muito interessante na boca, pois a gordura do foie gras casou bem com o amargo do Campari), entre outras variedades.



flan caramel com missô


pururuca de arroz


seleção de amuse bouche


azeitonas falsas (fake olives)


foie gras com crispy de milho e espuma de campari


a trufa branca escolhida antes de ser ralada em nossos pratos

Em seguida, começou a sequência do menu, todos os seis pratos com bela apresentação:

1. Capesante, radici, nocciola - harmonizado com o vinho branco da região da Alsácia, França, Grand Cru Bruderthal Gewurstraminer 2008. Trata-se de vieiras grelhadas, com avelãs frescas e folhas de baby rúcula. Harmonização meia boca. As vieiras estavam deliciosas sem as trufas. Com elas, acho que o sabor se perdeu.


2. Di razza fassona - harmonizado com o vinho tinto de Abruzzi, Itália, Marina Cveltic Cabernet Sauvignon 1997. Um dos pratos mais típicos do Piemonte, trata-se de uma espécie de tartare de carne bovina da raça fassona. Harmonização excelente. Vinho muito bom. Sabor da carne bem marcante, com e sem as trufas. Aprovado.



 3. Crema di patate, Lasang Souchongharmonizado com o vinho tinto de AbruzziItáliaMarina Cveltic Cabernet Sauvignon 1997. O melhor prato da degustação, sem dúvidas, opinião compartilhada pelos cinco do grupo. É um creme consistente de batatas com um molho do chá chinês Lasang Souchong. Dentro do creme havia um ovo de codorna cuja cor era acinzentada, meio transparente, tipo fumê. Ao morder, uma gema mole e deliciosa, harmonizando perfeitamente com o creme. O molho de chá deu um toque inusitado, alterando o sabor da batata. Ficou bom tanto sem, quanto com a trufa branca. Aprovadíssimo. A harmonização deixou a desejar.



4. Plin di fonduta - harmonizado com o vinho tinto italiano Bernardot Barbaresco 1993, do produtor Bricco Asili, da região de Langhe, no Piemonte. Trata-se de outro prato típico piemontês. É um ravioli de massa fresca feita com ovo e recheado com fondue de queijo da região. Ficou excelente com as trufas, que potencializaram o sabor e o aroma do prato. A harmonização foi fraca, pois o vinho era muito forte para a massa.


 5. Cotornice e foie grasharmonizado com o vinho tinto italiano Bernardot Barbaresco 1993, do produtor Bricco Asili, da região de Langhe, no Piemonte. Originalmente, este prato tem como acompanhamento espinafre refogado, mas no meu caso, como tinha falado sobre esta minha restrição alimentar, eles trouxeram o prato acompanhado por pequenas folhas de couve de bruxelas. Trata-se de uma codorna assada, com pele, e molho de foie gras. A carne da codorna estava dura e sem graça. O molho nada acrescentou, bem como as lascas de trufas brancas, que só lhe deram perfume. Não gostei, muito menos da harmonização.



 6. Monte bianco - bem harmonizado com o vinho de sobremesa Château Rieussec Sauternes 1er Grand Cru Classé 2000, produzido pela vinícola Lafite Rothschild na França. A trufa branca foi um excesso, não harmonizando nenhum um pouco. É um marrom glacê legítimo, feito com castanhas portuguesas, com chantilly em seu topo, o que remonta ao famoso Monte Bianco, monte que fica na fronteira da Itália com a França, onde recebe o nome de Mont Blanc, que também dá nome à versão francesa desta sobremesa. Não aprecio chantilly. Acabei deixando boa parte da sobremesa no prato, embora tenha gostado do marrom glacê.



Para acompanhar o café espresso, uma série de novas amuse bouche, desta feita todas doces. O que mais me chamou a atenção foi a garrafinha com um creme doce à base de leite que tomamos de uma golada só. O pirulito de chocolate também era diferente na boca, onde explodia um sabor azedinho por causa do limão de seu recheio.


seleção de amuse bouche doces

Valor individual da conta: € 345. Foi a conta mais cara que já paguei, individualmente, em um restaurante na minha vida até então.

Minha avaliação: * * *. Mesmo com vários prêmios e integrante de listas dos melhores restaurantes, não tive uma experiência que me surpreendesse positivamente no Piazza Duomo. A harmonização ruim, o prato com codorna, as trufas na sobremesa, o barulho da música externa e o calor do ambiente interno pesaram nesta avaliação.

Gastronomia Alba (Itália)

CAFFÈ UMBERTO - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)

O almoço do sábado, dia 26/10/2013, tinha que ser mais cedo, já que nossa saída para a caçada às trufas brancas estava marcada para 14:00 horas. Escolhemos o Caffè Umberto porque ao passar, na noite anterior, em frente a ele, gostamos da proposta de restaurante + enoteca..

Endereço: Piazza Savona, 4, Alba, Itália(www.caffeumberto.it).

Contato: +39 173 33994.

Especialidade: cozinha tradicional do Piemonte, sob o comando do chef Luca Boffa.

Quando fui: almoço de 26 de outubro de 2013, sábado. Éramos 05 pessoas, sem reserva, o que é uma dificuldade para a hora do almoço de um sábado de outono, quando a cidade é tomada por turistas. Como chegamos cedo, ainda encontramos mesa disponível na calçada em frente à praça, embaixo da arcada onde fica a entrada do restaurante. Chegamos ao meio dia, encontrando as portas ainda fechadas, pois ele começa a funcionar a partir de 12:30 horas. Ficamos perto da mesa apontada pelo garçom até que sentamos, quando vimos um monte de gente ir chegando e se acomodando nas mesas externas. Eram 12:15 horas quando o serviço de atendimento às mesas teve início. Ficamos por mais de uma hora no local. Com o céu parcialmente limpo, o sol incomodou um pouco. 

Serviço: não gostei do atendimento. Distante, frio e sem vontade. É verdade que o restaurante estava bem cheio, com muita gente em pé no balcão e do lado de fora esperando mesa, o que motivava os garçons a despacharem o mais breve possível os clientes das mesas. Nem parecia que estávamos na região onde o movimento Slow Food foi criado. Os pratos chegaram rapidamente à mesa.

O que bebemos: uma garrafa do vinho tinto Barbera d'Alba Azienda Agricola Falletto 2011 (€ 45), do produtor Bruno Giacosa, com 14,5% de álcool. Sensacional o vinho. Procuramos depois para comprar e não encontramos em nenhuma adega da cidade, mas sempre ouvimos dos vendedores elogios a este vinho. Para acompanhar, água mineral com gás Surgiva (€ 2 a garrafa de um litro). Eu ainda pedi uma Coca Cola, que custou a chegar. Ao final, não cobraram pelo refrigerante. Estavam com tanta vontade de liberar a mesa que nem ligaram quando comentei que ele não estava incluído na conta.

 O que comi: compartilhamos uma entrada, o antipasto prosciutto crudo di Parma S.Ilario e insalata russa (€ 12), além do tradicional coperto (€ 2), um cesto de pães, foccacias e gressinos. O presunto é muito bom, mas a tal salada russa, uma maionese de cenoura, é totalmente dispensável. Como primo piatto, pedi um gnocchi di patate di montagna al raschera d'alpeggio (€ 12). Detestei o prato. Dei duas ou três garfadas. Era pura farinha o gosto do nhoque. Nem o queijo raschera conseguiu disfarçar este sabor. Deixei o prato praticamente intocável, coisa raríssima de acontecer. Com tal experiência, recusei compartilhar a sobremesa com os demais da mesa, que pediram um tortino di ricotta al mile d'acacia (€ 6), prato muito comum no Piemonte. Quis saber o que era raschera d'alpeggio e descobri que este queijo recebe o alpeggio quando é produzido a partir de 900 metros acima do nível do mar.


gnocchi di patate di montagna al raschera d'alpeggio

Valor que me coube no total da conta: € 30.

Minha avaliação: * *. Fui o único que não gostou da comida. Cláudia e Rogério pediram o mesmo nhoque que eu e não sentiram o gosto de farinha.

Gastronomia Alba (Itália)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

DULCIS VITIS - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)


Cláudia tinha pesquisado restaurantes em Alba e achou o Dulcis Vitis interessante, enviando um e-mail solicitando reserva para o jantar de 24 de outubro de 2013, quinta-feira, em nossa primeira noite de férias no norte da Itália. Eu, Rogério e Emi fomos a pé do Hotel I Castelli até o restaurante, onde chegamos no horário da reserva. Cláudia e Vera já estavam sentadas na única mesa ocupada do restaurante, no salão à esquerda de quem entra. A mesa ficava próxima às janelas que davam para a rua, mas tinham cortinas que garantiam a privacidade de quem nela estava. Cláudia não passava bem, já tendo chamado um táxi para voltar para o hotel. Assim que chegamos, ela foi embora.

Endereço: Via Ratazzi, 7-7/A, Alba, Itália - www.dulcisvitis.it

Contato: +39 0173364633 - Reservas: prenotazioni@dulcisvitis.it

Especialidade: culinária do norte da Itália, especialmente da região do Langhe e de Roero, sob o comando do chef Bruno Cingolani.

Quando fui: noite de 24 de outubro de 2013, quinta-feira. Éramos 04 pessoas, com reserva feita por e-mail com mais de um mês de antecedência. O restaurante tem iluminação mais baixa, o que valoriza o amarelo envelhecido que domina as paredes. Seu teto tem tijolos aparentes, em formato abobadado, enquanto a decoração tem mobiliário antigo e muitas garrafas de vinho dos produtores da região, especialmente de Barolo.

Serviço: como só havia nossa mesa ocupada na primeira hora em que estivemos no restaurante, as duas garçonetes ficaram atentas o tempo inteiro, sempre estando à disposição para nossos chamados. Por volta de 21 horas, uma outra mesa foi ocupada, com quatro pessoas, no mesmo salão em que estávamos. O serviço continuou muito eficiente. Os pratos chegaram ao mesmo tempo na mesa, na sequência correta do menu degustação. Como é um lugar para apreciar a enogastronomia local, o tempo de chegada dos pratos à mesa obedece a este requisito. O chef é muito simpático e conversou conosco o tempo todo, mas sem ser invasivo. Atendeu prontamente ao nosso pedido para indicar um vinho, o segundo da noite. Para nossa surpresa, ele nos trouxe um vinho sem sabermos o produtor, o rótulo e o preço. O vinho era muito bom. Ao final, o vinho custava mais barato do que o que havíamos escolhido para o início de nosso jantar. O restaurante faz questão de informar, nas primeiras páginas do cardápio, todos os produtores que fornecem os insumos para ele. Tais produtores são todos da região, o que garante o movimento da economia rural local. Este é um dos pilares do movimento Slow Food, criado na Itália, exatamente na região em que estávamos.

O que bebemos: dois vinhos tintos. Iniciamos com um Barbaresco 2006 Vigneto Brich Ronchi do produtor Albino Rocca, com 14,5% de álcool (€ 82). Vinho com bom corpo e ótima harmonização com os pratos do menu degustação. Em seguida, foi a vez do vinho indicado pelo chef Bruno Cingolani, um Barolo Renato Corino 2007, de Arborina, com 14,5% de gradação alcoólica (€ 65), cujo produtor, Corino, ocupava a outra mesa do salão. O vinho é muito bom, harmonizou melhor com o aromático prato de ovos fritos com trufas brancas, mostrando-se elegante e encorpado. Para acompanhar os vinhos, água mineral com e sem gás Lurisia (€ 5 a garrafa de um litro). Ao final, um bem tirado café espresso Illy (€ 4), servido em uma xícara da mesma marca em edição especial chamada Pedro Almodóvar. Depois de encerrada a conta, o chef sentou conosco, oferecendo-nos dois aperitivos. Uma taça do vinho de sobremesa Barbaresco El Chinà Cascina Luisin e uma dose da grappa Bocchino Cantina Privata.

O que comi: Todos na mesa não tiveram dúvidas em pedir o menu degustação. Como havia duas opções, optamos pelo menor, o que tinha dois pratos com as famosas trufas brancas de Alba. O menu recebe o singelo nome de piccolo menù degustazione al tartufo bianco d'Alba (€ 125), consistindo de dois pratos quentes e de uma sobremesa. Enquanto esperávamos os pratos, uma providencial cesta de pães artesanais, sem conservantes, foccacias e gressinos (grissini) foi colocada em nossa mesa (coperto: € 4). Tínhamos comentado entre nós o que lemos nas últimas folhas do menu, onde havia uma sugestão de degustação de azeites. Ao ser perguntado sobre esta degustação, o chef pediu à garçonete que trouxesse cinco tipos diferentes de azeites produzidos na região. Assim, degustamos os pães e foccacias embebidos nos extra virgens Costa Digiano, Lu Cavalire, Benza Primuruggiu, Franci Villa Magna e Tenuta Maffone. Cada um com sabor diferente, alguns mais amargos, outros mais puxados para um toque suave e doce. Gostei mais do Costa Digiano, com sabor amargo e bem acentuado, harmonizando perfeitamente com a foccacia, devido ao sal proeminente nesta iguaria italiana. Para completar, ainda havia uma manteiga fantástica acompanhando a cesta de pães. Antes de iniciar a sequência do menu, o chef nos brindou com uma amuse bouche leve, feita com uma fina fatia de salmão cru recheada com uma pasta de bacalhau e maionese, também servida à parte no mesmo prato. Sabor intenso, que preparou nossas papilas gustativas para o que viria a seguir.

Prato 1: ravioli di ricotta seirass, burro di montagna, parmigiano d'alpeggio e tartufo bianco d'Alba. Nosso primeiro prato com trufas brancas da viagem. A garçonete colocou os pratos com o ravióli recheado com ricota seirass cujo perfume de manteiga e queijo parmigiano era intenso. Em seguida, Bruno veio com uma vasilha onde estavam as trufas brancas frescas, guardadas com todo o cuidado. Escolheu uma delas, pegou o ralador apropriado e começou a ralar finas fatias em cada um de nossos pratos. Um aroma de alho invadiu o ambiente e alterou, para melhor, o perfume que subia do prato. Experimentei a massa recheada com e sem a trufa, preferindo a segunda opção. A ricota seirass é típica do Piemonte, sendo feita com leite de vaca e de ovelha. É muito leve, cujo sabor foi fortalecido pela presença da trufa branca. Amei.

Prato 2: crostone di pane ai sapori antichi, bagna caoda, uovo all'occhio di bue e tartufo biano d'Alba. Este segundo prato deixou o primeiro no chinelo. Perfume e sabor intensos, com harmonia entre ingredientes fortes, difíceis de combinar um com o outro, como a bagna caoda, um tempero feito à base de alho, azeite, creme de leite fresco, manteiga e anchovas, e a trufa branca, também ralada na hora pelo chef em nossos pratos. Eram dois ovos fritos, com as claras unidas como se fossem uma só e as duas gemas no centro, inundados de bagna caoda, tudo isto em um leito de uma fatia de pão tostado à moda antiga do Piemonte. Prato aparentemente simples, mas com sabor inigualável. Para sempre ficará em minha memória afetiva esta experiência gastronômica.

Prato 3: a sobremesa, um bunet di amaretti e cioccolato Gobino. Trata-se de uma receita típica do Piemonte. É uma espécie de pudim de farinha de amêndoas e chocolate. No caso, o chef utiliza a marca Gobino, tradicional chocolataria de Turim. A sobremesa foi servida com um physalis parcialmente encoberto por chocolate como decoração do pudim. Tinha um sabor forte, com leve toque de rum. Não me surpreendeu como os pratos salgados do menu.




Valor que me coube no total da conta: € 190.

Minha avaliação: * * * * 1/2. Experiência enogastronômica de primeira, que mereceu uma segunda visita em nossa curta estadia em Alba. O chef Bruno Cingolani é uma simpatia, sabendo atender bem e conquista os clientes com ótimo papo, contando sobre a culinária da região.

Gastronomia Alba (Itália)