Alba - Itália, um álbum no Flickr.
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014
sábado, 9 de novembro de 2013
DE CARRO ENTRE ALBA E MILÃO
Segunda-feira, 28 de outubro de 2013, dia de deixar Alba, no Piemonte, e seguir para Milão, na Lombardia. A distância entre estas duas cidades é de aproximadamente 120 Km, trecho que fizemos de carro. Sempre durmo mal quando tenho que viajar em horário muito cedo. E desta vez não foi diferente. Acordei várias vezes durante a noite, até que resolvi levantar por volta de 05:30 horas. Acabei de arrumar as malas, deixando para trás algumas roupas velhas, que já estava cansado de usar. Peso a menos na bagagem! Depois de um banho longo, quente e relaxante, desci para o café da manhã. Estava só, pois Emi e Rogério já deviam estar na estação ferroviária seguindo viagem para a França. Aproveitei para comer uma iguaria local que até então não tinha experimentado, a torta de avelãs. Estava boa. Em seguida, últimas peças na mala, descendo para fazer o check out no Hotel I Castelli. Minha conta ficou em € 489 por quatro noites, consumo de água do frigobar e taxas locais. Foi um dos acertos mais rápidos que já fiz em hotel. Não demorei nem cinco minutos no balcão, pois tudo já estava pronto, faltando apenas o meu pagamento. Creio que se tivesse optado em pagar com cartão de crédito, teria sido mais rápido ainda, mas resolvi pagar em dinheiro, operação que tinha troco. Fiquei sentado na recepção do hotel, lendo o livro As Brasas, aguardando Cláudia e Vera passarem por lá para me pegar. O horário combinado era 08:15 horas, mas elas enviaram uma mensagem por whatsapp dizendo que se atrasariam uns quinze minutos. Antes de 08:30 horas, Cláudia estacionou o 500 L em frente ao hotel. O carro já estava preparado para me receber, com malas e sacolas ocupando todo o porta-malas, bem como o espaço de duas pessoas no banco traseiro. Restava apenas um lugar solitário, atrás do motorista, onde me sentei, após arrumar minhas duas malas, uma grande e uma de mão, nos espaços livres. Com tudo no seu devido lugar, Vera escreveu o endereço de nosso hotel em Milão, o Maison Moschino (Viale Monte Grappa, 12b), no Google Maps. O aplicativo traçou o nosso trajeto, informando que o tempo médio do percusso seria de uma hora e quarenta e sete minutos. Seguimos viagem. A estrada é boa, embora com algumas falhas no asfalto em determinados trechos, e muito movimentada. Há um pedágio neste trecho. Durante a viagem, conversamos, rimos muito e nem vimos o tempo passar. No prazo indicado pelo aplicativo, chegamos no hotel, sem nenhum erro. Paramos o carro na porta, vindo logo um mensageiro para nos ajudar com a bagagem. Assim que paramos, fiquei gritando: libertem Mandela, libertem Mandela, uma piadinha sobre como estava me sentindo dentro do carro. Cláudia se acabou de tanto rir. Enquanto ele retirada tudo, fizemos o check in. No entanto, só poderíamos entrar nos quartos a partir das 14 horas. Emi e Rogério tinham ficado neste mesmo hotel antes de nos encontrar em Alba. Eles deram a dica para para não ficarmos no quarto andar, pois neste piso os quartos são muito pequenos e com janelas minúsculas, dando a sensação de uma prisão. Não falamos deste detalhe com a recepcionista. Deixamos as malas sob os cuidados do hotel e saímos para entregar o carro na Hertz, que ficava relativamente perto de onde estávamos. Mais uma vez utilizamos o Google Maps para chegar na locadora de veículos. Não existe uma loja física da Hertz no endereço indicado para a devolução, que deve ser feita em uma garagem subterrânea. Isto nos confundiu um pouco, mas conseguimos acertar a entrada do tal estacionamento. A entrega foi muito rápida. Não olharam nada no carro e como ninguém queria recibo, e com tudo debitado no cartão de crédito, deixamos a chave do carro e subimos a rampa. Começava ali nosso longo passeio pelas ruas de Milão, cidade onde já estivera por duas vezes. Vera também já a conhecia. Milão era novidade para Cláudia.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
DULCIS VITIS - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA) (2)
Contato: +39 0173364633 - Reservas: prenotazioni@dulcisvitis.it
Especialidade: culinária do norte da Itália, especialmente da região do Langhe e de Roero, sob o comando do chef Bruno Cingolani.
Quando fui: noite de 27 de outubro de 2013, domingo. Éramos 05 pessoas, com reserva feita uma hora antes com o próprio chef quando passamos no restaurante para ver se tinha mesa disponível para o nosso jantar de despedida de Alba. O restaurante tem iluminação mais baixa, o que valoriza o amarelo envelhecido que domina as paredes. Seu teto tem tijolos aparentes, em formato abobadado, enquanto a decoração tem mobiliário antigo e muitas garrafas de vinho dos produtores da região, especialmente de Barolo. O chef nos acomodou em uma mesa redonda, belamente decorada, bem próxima da entrada da cozinha, o que nos permitia ver o intenso movimento interno de elaboração dos pratos. O local estava com todas as mesas dos dois salões internos ocupadas.
Serviço: mesmo com o restaurante cheio, o serviço foi muito bom com as garçonetes atentas o tempo inteiro, sempre estando à disposição para nossos chamados. Os pratos chegaram ao mesmo tempo na mesa. Como é um lugar para apreciar a enogastronomia local, o tempo de chegada dos pratos à mesa obedece a este requisito. O chef, como na primeira noite em que lá estivemos, foi muito simpático e conversou conosco o tempo todo, mas sem ser invasivo. Atendeu prontamente ao nosso pedido para indicar um vinho, o segundo da noite. Para nossa surpresa, ele nos trouxe um vinho sem sabermos o produtor, o rótulo e o preço. O vinho era muito bom. Ao final, o vinho custava mais barato do que o que havíamos escolhido para o início de nosso jantar. O restaurante faz questão de informar, nas primeiras páginas do cardápio, todos os produtores que fornecem os insumos para ele. Tais produtores são todos da região, o que garante o movimento da economia rural local. Este é um dos pilares do movimento Slow Food, criado na Itália, exatamente na região em que estávamos.
O que bebemos: dois vinhos tintos. Iniciamos com um Mon Prá 2000, um corte nebbiolo-barbaresco-cabernet sauvigon, produzido no Langhe por Conterno Fantino, com 14% de álcool (€ 60). Vinho com bom corpo e ótima harmonização com o meu primeiro prato. Em seguida, foi a vez do vinho indicado pelo chef Bruno Cingolani, o Vigna Pozzo Barbera d'Alba 2005, do produtor Renato Corino, com 14% de gradação alcoólica (€ 52). O vinho é muito bom, mostrando-se bem elegante na boca. Sua harmonização com a massa com bochecha de porco desfiada foi perfeita. Para acompanhar os vinhos, água mineral com e sem gás Lurisia (€ 5 a garrafa de um litro). Ao final, um bem tirado café espresso Illy (€ 4). Depois de encerrada a conta, o chef sentou conosco, oferecendo-nos uma taça do ótimo vinho de sobremesa Pian dei Sogni Brachetto 2006, do produtor Forteto della Luja.
O que comi: logo que nos sentamos, veio à mesa o coperto, com pães, foccacias e gressinos feitos na casa, acompanhados por azeites e uma excelente manteiga. Antes dos pratos chegarem, o chef nos brindou com um singelo e saboroso amuse bouche: carne crua recheada com queijo de cabra. Embora a tentação de repetir o ovo frito com trufas brancas fosse forte, não segui os demais da mesa, resolvendo experimentar outros pratos do cardápio. Como antipasto, minha opção foi a battuta di carne cruda di fassone, cuore di sedano verde, scaglie di parmigiano reggiano (€ 17). Trata-se de uma espécie de tartare de carne da raça fassone. As fatias da carne são cortadas em pequenos pedaços e apresentadas em forma de um bolo, como um popettone cru. O sabor da carne é bem delicado, que ficou muito bom com o aipo e as pequenas lascas de queijo parmigiano reggiano por dentro do bolo de carne. Já como primo piatto, fui de spaghetti di semola di grano duro MATT, aglio fresco, guanciale e pecorino (€ 14). Uma massa feita de forma artesanal, com coloração amarela, alho fresco, queijo pecorino e bochecha de porco desfiada. De comer ajoelhado. Sensacional. Não queria a sobremesa, como os demais da mesa, mas Emi pediu para o chef trazer um zabaione para cada um de nós. Não sou fã deste doce e estava bem satisfeito. Para não ser indelicado com Bruno, experimentei por educação.
Minha avaliação: * * * * 1/2. Experiência enogastronômica sensacional, que mereceu esta segunda visita em nossa curta estadia em Alba. O chef Bruno Cingolani é uma simpatia, sabendo atender bem e conquista os clientes com ótimo papo, contando sobre a culinária da região.
Encerramos com chave de ouro nossa estadia em Alba. Depois deste jantar, caminhamos com Vera e Cláudia pelas ruas vazias da cidade até deixá-las na porta do hotel onde estavam hospedadas, retornando, em seguida, para nosso hotel. Despedi-me de Emi e Rogério, que seguiriam no dia seguinte, bem cedo, para a França. Entrei no quarto, arrumei minhas malas, deitei e dormi, programando o relógio para despertar às 7 horas, pois as meninas me pegariam às 08:30 horas para seguirmos viagem, de carro, para Milão.
Encerramos com chave de ouro nossa estadia em Alba. Depois deste jantar, caminhamos com Vera e Cláudia pelas ruas vazias da cidade até deixá-las na porta do hotel onde estavam hospedadas, retornando, em seguida, para nosso hotel. Despedi-me de Emi e Rogério, que seguiriam no dia seguinte, bem cedo, para a França. Entrei no quarto, arrumei minhas malas, deitei e dormi, programando o relógio para despertar às 7 horas, pois as meninas me pegariam às 08:30 horas para seguirmos viagem, de carro, para Milão.
Gastronomia Alba (Itália)
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Vigna Pozzo Barbera d'Alba
ENOTECA FRACCHIA E BERCCHIALLA
Tínhamos a indicação que a melhor loja de vinhos em Alba era a Enoteca Fracchia e Bercchialla (http://www.fracchiaeberchialla.com). Assim que saímos do Mercato Mondiale del Tartufo, verificamos o endereço da enoteca que fica na Via Vernazza, 9 no Google Maps. Não era longe de onde estávamos. Emi não quis ir conosco, preferindo retornar para o hotel. Eu, Vera, Cláudia e Rogério fizemos uma caminhada de, no máximo, dez minutos, pois a loja se localiza no centro histórico da cidade. Nosso receio era se ela estaria aberta, pois era domingo e passavam das 18 horas. Para nossa alegria, a casa estava funcionando. Duas simpáticas mulheres, mãe e filha, conduzem a loja, atendendo diligentemente todos os clientes. Ainda procurávamos o vinho tinto Marina Cvetic, feito com a casta cabernet sauvignon. Vera mostrou a lista de vinhos para uma das atendentes, a mais jovem, que falava inglês. A senhora mais velha era um amor de pessoa, muito conhecedora dos vinhos que tinha disponível em sua loja. Rogério encontrou a garrafa do Marina Cvetic, mas somente da casta trebbiano (€ 24,90). Ele me disse que tinha lido em uma publicação da Mistral que aquele vinho era excelente. Ao ver o preço, ele disse que estava ótimo, bem mais em conta se comprado no Brasil. Ao me ver com a garrafa nas mãos, dois homens que também eram clientes da loja, disseram, em inglês, que era um excelente vinho. Peguei logo duas garrafas. Além delas, também decidi levar um outro vinho italiano, só que da Toscana, o Isola e Olena 2009 Ceparello (€ 53). Quando cheguei no caixa, a senhora me alertou que este vinho não era do Piemonte. Assenti com a cabeça e ela me explicou que muitos turistas entravam na loja querendo apenas vinhos do Piemonte, o que a fazia se sentir na obrigação de fazer aquele tipo de alerta. Ao ver a garrafa do Marina Cvetic, ela estampou um lindo sorriso, afirmando que eu estava fazendo uma excelente compra. Ali mesmo presenteei Vera com uma garrafa, dizendo que eu só entregaria para ela no Brasil, livrando-a do peso na mala. Além de mim, Cláudia e Vera também fizeram compras na loja. As duas mulheres fizeram uma embalagem perfeita para viagem. Antes de sairmos, elas disseram que aceitam encomendas do Brasil, com compra pelo site e entrega pelo correio, máximo de seis garrafas, e com os impostos brasileiros cobrados na entrega. Pegamos o cartão. Realmente as indicações estavam corretas, loja muito boa com o diferencial no atendimento. Na rua, decidimos nosso jantar. Iríamos voltar ao Dulcis Vitis, onde jantamos na primeira noite em Alba. Esta decisão foi em consideração à Cláudia, que tinha feito a reserva para o primeiro jantar e não pode estar presente, além de termos tido uma experiência gastronômica sensacional com o ovo frito com trufa branca fresca ralada. Falamos tanto nesta iguaria, que Cláudia precisava ter a mesma experiência. Sem reserva, resolvemos dar uma passada no restaurante antes de voltarmos para nossos respectivos hotéis. Bruno, o chef amigo, nos atendeu e disse que sempre haveria uma mesa para nós. Combinamos estar lá às 21 horas para nosso jantar de despedida da cidade. Tínhamos uma hora para um bom banho e um breve descanso. No hotel, descobri que tinha comprado um vinho branco. Nem me atinei que trebbiano é uma casta para vinhos brancos. Quem me conhece sabe que não sou fã deste tipo de vinho. Mas quem sabe é um sinal, ou um marco temporal? Veremos.
FIERA INTERNAZIONALE DEL TARTUFO BIANCO D'ALBA - 83ª EDIÇÃO
O relógio marcava pouco mais de 16 horas quando chegamos no local onde ocorria o Mercato Mondiale del Tartufo, onde se comercializa a trufa branca de Alba. Ele integra o grande evento anual que toma conta da cidade entre os meses de outubro e novembro de cada ano. Além do comércio de trufas, há muitas outras atividades dentro da programação da feira internacional, cujo nome é Fiera Internazionale del Tartufo Bianco D'Alba, que chegou à sua 83ª edição em 2013. O mercado funciona sempre aos sábados e domingos, de 9 às 20 horas, com entrada paga (€ 2), localizado no Cortille della Madalena, complexo que abriga a igreja de igual nome e o Museo Cívico F. Eusébio. O ingresso para o mercado dava livre acesso ao museu. Em 2013, o período da feira foi entre 12 de outubro e 17 de novembro. Nossa visita se deu no dia 27 de outubro, domingo. O acesso ao pátio do complexo Madalena se dá pela principal rua do centro histórico de Alba, a Via Vittorio Emanuele. A falta de organização já é sentida antes mesmo de entrar. Não há filas nos guichês da bilheteria, mas sim aglomerados de pessoas. Senti-me na China. E onde não há fila organizada, vale a lei do mais forte. Para quem gosta de criticar o Brasil, esta viagem à Itália me mostrou que as pessoas precisam ter mais conhecimento de causa antes de detonar as coisas no nosso país, dizendo que a desorganização é característica do brasileiro. Para conseguir acesso a um dos guichês, fiquei prendendo com o corpo quem tentava furar fila, enquanto Vera, Cláudia, Emi e Rogério tentavam comprar a entrada. Um cartaz indicava que por mais € 8, tínhamos direito a uma degustação. Nada indicava que tal degustação era limitada qualitativa e quantitativamente. Se fosse no Brasil, o Código do Consumidor "gritaria". Resolvemos comprar o ingresso de € 10. Assim que passamos pelo controle de entrada, tivemos que ir a um balcão localizado à direita, onde entregavam uma taça de vidro com um porta-taça bem feio, feito de tactel. Este porta-taça podia ser pendurado no pescoço. A taça não tinha nenhum logo ou escrito que a identificasse como sendo da feira. Com as taças nas mãos, partimos para conhecer os expositores. O local é pequeno, com pé direito alto, mas como é uma grande tenda de lona, e por ser "winter time", o calor que fazia lá dentro era insuportável. Tiramos os casacos rapidamente. Estava muito cheio. As pessoas não pediam licença para passar. Simplesmente atropelavam quem estivesse na frente. Para complicar ainda mais, casais empurravam carrinhos de bebês com crianças enormes lá dentro. Nunca vi tanta preguiça de levar uma criança segurando-a pelas mãos.Isto ocorre em todos os cantos da Europa. Enquanto podem, os pais levam carrinhos de bebês. E pior ainda, eram os cães de todos os tamanhos e raças que seus donos insistem em levar para estes locais públicos fechados. Era um festival de menino gritando, chorando e cães latindo. Como a ideia era comprar uma trufa branca para a Confraria VinusVivus, saímos pesquisando preços, sentindo os aromas, vendo tamanhos e pesos. Depois de rodar por todas as barracas, algumas impossíveis de entrar, paramos no setor dos caçadores de trufas, que fica no meio, como a grande atração do mercado. Muito interessante ter visto as roupas a caráter que alguns usavam e que há uma transmissão de geração para geração da arte da caçada. Vi velhos e jovens nas barracas destas trufas frescas, recém caçadas. No entanto, preferimos comprar em barraca de empresa estabelecida no mercado de trufas, pois tinham embalagem adequada para o transporte até o Brasil, ou seja, vidro hermeticamente fechado e um macio guardanapo, quase uma gaze, para envolver a trufa. Na feira, há outros produtos da região sendo comercializados, como torrones, bolos, queijos, entre eles o robiola, biscoitos, balas, avelãs de todas as formas e processos, vinhos, embutidos, cosméticos feitos com leite de mula, trufas negras, chocolates, grappas, entre outros. No fundo da tenda ficava o balcão para a troca do tíquete que pagamos pelos vinhos. Lá, enquanto esperávamos uma eternidade para sermos atendidos, pois o empurra empurra era generalizado, li o que estava escrito em italiano no tal tíquete. A degustação se limitava a duas taças e somente dos vinhos dolcetto ou barbera. Barolos e barbarescos estavam fora desta degustação. Conseguimos pegar duas taças. Vera desistiu e saiu para ver como fazia para comprar algo para comer. O mesmo caixa que vendia os tíquetes de comida, também vendia para taças de vinho. Ali, um barolo ou um barbaresco saíam por € 4 a taça. Ou seja, pagamos o mesmo valor para beber vinhos mais simples. Por tais vinhos, havia taças vendidas a € 3. Mais um ponto negativo para a feira. Na hora de pegar a taça do barolo, uma lista nos foi entregue para escolhermos qual rótulo queríamos, mas logo o senhor foi avisando que o Gaja estava fora, pois só vendiam a garrafa. Escolhemos um Pio Cesare. Conseguimos uma mesa alta para apoiar as taças, bebemos nosso vinho, largamos as taças por lá e voltamos para as barracas. Era hora de comprar. Cada um foi para um canto, pois as "necessidades" eram diferentes. Eu comprei dois tabletes de torrone, um pacote de torrone aos pedaços, um saco de avelãs confitadas com açúcar, um vidro de pasta trufada e dois vidros de manteiga trufada. Ali mesmo começou meu estresse se eu conseguiria entrar no Brasil com estas manteigas, fato que me acompanhou até passar pela alfândega em Guarulhos, onde não fui parado. Com as compras feitas, saímos logo da feira. Para se alcançar a rua, o trajeto da saída impunha uma passagem obrigatória em uma espécie de ateliê coletivo de artistas plásticos e ceramistas da região. Oportunidade para conhecer as técnicas, ver estas pessoas trabalhando e comprar os seus produtos. Passamos sem parar. Lá fora, colocamos os casacos e cachecóis, pois o frio era de 12º C. Ainda tínhamos mais uma loja para ir. Queríamos comprar mais vinhos.
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013
PIAZZA DUOMO - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)
Tínhamos reserva confirmada no Piazza Duomo para 20 horas, mesa para cinco pessoas. Eu, Rogério e Emi chegamos na Piazza Risorgimento cinco minutos antes. A praça estava lotada, com muitas barracas de comidas e bebidas debaixo das arcadas da sede da prefeitura de Alba. No centro, colocaram mesas altas, com tampo redondo, que serviam de apoio para quem bebia e conversava. Não havia cadeiras. No centro das mesas, velas iluminavam o ambiente. Um palco montado em um canto da praça indicava que ali haveria um show. Não conseguimos identificar o restaurante. Resolvemos perguntar em um bar bem próximo da Catedral San Lorenzo e nos indicaram o outro lado da catedral, em sua lateral esquerda, para onde fomos e nada achamos. Nova consulta em outro bar e nos foi apontada a primeira rua à esquerda, mas era mais uma informação errada. Demos uma grande volta pelas ruas ali perto, chegando novamente na Piazza Risorgimento. Um jovem que trabalhava em uma das barracas de comida da praça nos mostrou por onde entrava no restaurante que procurávamos. Embora o endereço seja na praça, o que temos no térreo é um restaurante chamado Piola, do mesmo proprietário do Piazza Duomo, que fica no segundo piso. Há uma entrada privativa para ele na via lateral, na Vicolo dell'Arco, 1, na esquina com a Piazza Risorgimento, por onde entramos. Fomos recebidos na porta por uma jovem atendente que nos conduziu até o segundo piso, onde já estavam sentadas Vera e Cláudia. O Piazza Duomo integra a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, editada anualmente pela revista britânica The Restaurant, figurando no 41º lugar na edição 2013, além de ter três estrelas Michelin.
Endereço: 4, Piazza Risorgimento, Alba, Itália. (www.piazzaduomoalba.it).
Contato: +39 0173 356 167 - info@piazzaduomoalba.it
Especialidade: cozinha piemontesa, com toques contemporâneos, sob o comando do chef Enrico Crippa.
Contato: +39 0173 356 167 - info@piazzaduomoalba.it
Especialidade: cozinha piemontesa, com toques contemporâneos, sob o comando do chef Enrico Crippa.
Quando fui: jantar de 26 de
outubro de 2013, sábado. Éramos 05 pessoas, com reserva feita com mais de um mês de antecedência pela guia Silvia Aprato da empresa de turismo Tasting Tours. O restaurante ocupa o segundo piso de uma edificação antiga localizada na principal praça de Alba. Em seu interior, nada lembra os prédios antigos que estão do lado de fora. Amplas janelas se abrem para a praça. As paredes são brancas com alguns desenhos como adorno. Iluminação ótima, bem clara. Nas mesas não há nenhum tipo de decoração, apenas uma toalha branca, pois a quantidade de amuse bouche que chega é assustadora, não havendo possibilidade de concorrência com nenhum objeto decorativo. Ficamos por mais de três horas no restaurante.
Serviço: ótimo atendimento na entrada, bem como eficiente serviço de mesa, incluindo o vinho e a trufa branca. Foram diligentes ao perguntar a cada um de nós se havia alguma intolerância ou restrição alimentar. No meu caso, respondi que não comia espinafre. O restaurante é adepto do movimento Slow Food, com a indicação no menu da procedência de seus produtos e matérias-primas utilizadas na elaboração de seus pratos, todos eles da região do Piemonte. O que não gostei foi da falta de isolamento acústico das janelas. Como acontecia um show de rock na praça, o barulho incomodava, mesmo com as janelas fechadas. Para piorar, como estávamos em época pré-inverno, não havia como esfriar o ambiente com o ar condicionado. Assim, tínhamos que optar entre o barulho e o calor. Emi, sempre em um eterno calor, pedia para abrir a janela a todo instante, mas logo tinham que fechá-la, pois a música alta incomodava.
O que bebemos: pedimos auxílio ao sommelier para fazer uma harmonização com o menu degustação com trufas brancas. Fomos prontamente atendidos, custando-nos € 80 por pessoa (quatro vinhos para seis pratos). A harmonização está descrita na sessão abaixo. Começamos com uma taça (€ 10) do espumante rosé Ettore Germano, brindando nossa amizade e a felicidade de estarmos juntos na viagem. Acompanhou os vinhos água mineral com e sem gás Lauretana. Ao final um forte café espresso Illy.
O que comi: os cinco da mesa não tiveram dúvidas em escolher o menu degustação com trufas brancas, chamado Menu Tartufo (€ 150, sem as trufas, que custava € 7 o grama), já que estávamos na melhor época para apreciar esta iguaria gastronômica. Todos os seis pratos do menu, incluindo a sobremesa, recebem lascas de trufas brancas raladas por sobre o prato na hora, à vista do cliente. Assim que escolhemos o menu degustação, o garçom nos trouxe à mesa uma seleção de trufas brancas e uma balança de precisão. Ele mesmo sugeriu uma delas, o que aceitamos. Pesou em nossa frente, anotando o peso de 61,4 gramas. Paga-se apenas o que se consome, motivo pelo qual o que resta da trufa ao final é pesado novamente e a diferença é o que se deve pagar. No caso, consumimos 49,2 gramas (€ 344,40). Antes do menu, encheram o centro da mesa com inusitados e diferentes mimos do chef. Sempre em porções com cinco unidades cada um, vieram uma espécie de pururuca de arroz, palitos de espaguete assados, flan caramel com missô (o melhor de todos, com a mistura de sabores doce e salgado), azeitonas falsas (a verde era um tartare de vitelo, muito bom, e a preta era um lagostim, que tinha um forte gosto de mar), queijo do Piemonte, minisalgadinhos, gressinos, foie gras com crispy de milho e espuma de campari (outro mimo muito interessante na boca, pois a gordura do foie gras casou bem com o amargo do Campari), entre outras variedades.
Em seguida, começou a sequência do menu, todos os seis pratos com bela apresentação:
1. Capesante, radici, nocciola - harmonizado com o vinho branco da região da Alsácia, França, Grand Cru Bruderthal Gewurstraminer 2008. Trata-se de vieiras grelhadas, com avelãs frescas e folhas de baby rúcula. Harmonização meia boca. As vieiras estavam deliciosas sem as trufas. Com elas, acho que o sabor se perdeu.
2. Di razza fassona - harmonizado com o vinho tinto de Abruzzi, Itália, Marina Cveltic Cabernet Sauvignon 1997. Um dos pratos mais típicos do Piemonte, trata-se de uma espécie de tartare de carne bovina da raça fassona. Harmonização excelente. Vinho muito bom. Sabor da carne bem marcante, com e sem as trufas. Aprovado.
3. Crema di patate, Lasang Souchong - harmonizado com o vinho tinto de Abruzzi, Itália, Marina Cveltic Cabernet Sauvignon 1997. O melhor prato da degustação, sem dúvidas, opinião compartilhada pelos cinco do grupo. É um creme consistente de batatas com um molho do chá chinês Lasang Souchong. Dentro do creme havia um ovo de codorna cuja cor era acinzentada, meio transparente, tipo fumê. Ao morder, uma gema mole e deliciosa, harmonizando perfeitamente com o creme. O molho de chá deu um toque inusitado, alterando o sabor da batata. Ficou bom tanto sem, quanto com a trufa branca. Aprovadíssimo. A harmonização deixou a desejar.
5. Cotornice e foie gras - harmonizado com o vinho tinto italiano Bernardot Barbaresco 1993, do produtor Bricco Asili, da região de Langhe, no Piemonte. Originalmente, este prato tem como acompanhamento espinafre refogado, mas no meu caso, como tinha falado sobre esta minha restrição alimentar, eles trouxeram o prato acompanhado por pequenas folhas de couve de bruxelas. Trata-se de uma codorna assada, com pele, e molho de foie gras. A carne da codorna estava dura e sem graça. O molho nada acrescentou, bem como as lascas de trufas brancas, que só lhe deram perfume. Não gostei, muito menos da harmonização.
6. Monte bianco - bem harmonizado com o vinho de sobremesa Château Rieussec Sauternes 1er Grand Cru Classé 2000, produzido pela vinícola Lafite Rothschild na França. A trufa branca foi um excesso, não harmonizando nenhum um pouco. É um marrom glacê legítimo, feito com castanhas portuguesas, com chantilly em seu topo, o que remonta ao famoso Monte Bianco, monte que fica na fronteira da Itália com a França, onde recebe o nome de Mont Blanc, que também dá nome à versão francesa desta sobremesa. Não aprecio chantilly. Acabei deixando boa parte da sobremesa no prato, embora tenha gostado do marrom glacê.
Para acompanhar o café espresso, uma série de novas amuse bouche, desta feita todas doces. O que mais me chamou a atenção foi a garrafinha com um creme doce à base de leite que tomamos de uma golada só. O pirulito de chocolate também era diferente na boca, onde explodia um sabor azedinho por causa do limão de seu recheio.
Valor individual da conta: € 345. Foi a conta mais cara que já paguei, individualmente, em um restaurante na minha vida até então.
flan caramel com missô
pururuca de arroz
seleção de amuse bouche
azeitonas falsas (fake olives)
foie gras com crispy de milho e espuma de campari
a trufa branca escolhida antes de ser ralada em nossos pratos
Em seguida, começou a sequência do menu, todos os seis pratos com bela apresentação:
1. Capesante, radici, nocciola - harmonizado com o vinho branco da região da Alsácia, França, Grand Cru Bruderthal Gewurstraminer 2008. Trata-se de vieiras grelhadas, com avelãs frescas e folhas de baby rúcula. Harmonização meia boca. As vieiras estavam deliciosas sem as trufas. Com elas, acho que o sabor se perdeu.
2. Di razza fassona - harmonizado com o vinho tinto de Abruzzi, Itália, Marina Cveltic Cabernet Sauvignon 1997. Um dos pratos mais típicos do Piemonte, trata-se de uma espécie de tartare de carne bovina da raça fassona. Harmonização excelente. Vinho muito bom. Sabor da carne bem marcante, com e sem as trufas. Aprovado.
4. Plin di fonduta - harmonizado com o vinho tinto italiano Bernardot Barbaresco 1993, do produtor Bricco Asili, da região de Langhe, no Piemonte. Trata-se de outro prato típico piemontês. É um ravioli de massa fresca feita com ovo e recheado com fondue de queijo da região. Ficou excelente com as trufas, que potencializaram o sabor e o aroma do prato. A harmonização foi fraca, pois o vinho era muito forte para a massa.
Para acompanhar o café espresso, uma série de novas amuse bouche, desta feita todas doces. O que mais me chamou a atenção foi a garrafinha com um creme doce à base de leite que tomamos de uma golada só. O pirulito de chocolate também era diferente na boca, onde explodia um sabor azedinho por causa do limão de seu recheio.
seleção de amuse bouche doces
Valor individual da conta: € 345. Foi a conta mais cara que já paguei, individualmente, em um restaurante na minha vida até então.
Minha avaliação: * * *. Mesmo com vários prêmios e integrante de listas dos melhores restaurantes, não tive uma experiência que me surpreendesse positivamente no Piazza Duomo. A harmonização ruim, o prato com codorna, as trufas na sobremesa, o barulho da música externa e o calor do ambiente interno pesaram nesta avaliação.
I PIACERI DEL GUSTO
Assim que chegamos da caça às trufas, resolvemos dar mais uma volta pelas ruas do centro de Alba para ver o movimento. Não havia mais as barracas da feira, mas uma multidão ia e vinha na Via Vittorio Emanuele. Fizemos o mesmo, andando bem devagar, olhando as vitrines, observando as pessoas. Um aglomerado de gente nos chamou a atenção em frente ao número 23/A da rua. Um forte aroma de alho não deixava dúvidas que havia trufas no pedaço. Era uma barraca da delicatessen I Piaceri del Gusto montada na estreita calçada do lado de fora da loja. Trufas negras e brancas, com seus respectivos preços, atraíam curiosos e compradores. Como estávamos procurando o vinho que tínhamos bebido no almoço para comprar, entramos. A loja é uma mistura de delicatessen, livraria com foco na culinária, e adega. Indicaram o subsolo como o local para procurar o vinho. Desci logo atrás de Rogério e Vera. A loja tem uma bem montada adega com vinhos de pequenos produtores da região, especialmente de barolos e barbarescos. Um verdadeiro achado para os apreciadores destes vinhos. O vendedor que nos atendeu era muito simpático e ao saber que éramos brasileiros, perguntou de qual cidade. Vera respondeu que éramos de Brasília e de Belo Horizonte. Ele disse que seu pai tinha morado em BH, quando da construção e inauguração da fábrica da Fiat, em meados dos anos setenta. Logo disse que eu era nascido na capital mineira, mas que morava em Brasília, apontando para Rogério como morador de BH. Procurei Emi para também identificá-lo como morador da cidade mineira. Olhei para trás e vi um homem de costas com a careca parecida com a de Emi. Dei um super tapa na ombro dele, afirmando bem paulatinamente "B E L O H O R I Z O N T E!". Nem vi o homem virar, continuando a conversar com o vendedor. Nesta altura, Vera já sabia que o vinho que procurava estava em falta, pedindo uma sugestão ao nosso atendente. Cláudia não parava de rir atrás de mim. Eu sem saber o que se passava. O vendedor indicou um vinho para Vera, dizendo que era muito bom. Só havia duas garrafas. Como ainda não tinha comprado nenhuma unidade de vinho até então, resolvi levar esta sugestão, o Carobric Barolo 1998 (€ 82), do produtor Paolo Scavino. Cláudia continuava a rir, mas conseguiu chegar até mim para dizer que eu tinha confundido e dado um tapa em um chinês, pensando que era Emi. Ela viu tudo, mas ria tanto que não conseguia se desculpar com o homem por mim. Olhei para trás e vi o tal chinês que olhava para mim com cara de incrédulo. Ao invés de pedir desculpas, comecei a rir junto com Cláudia. Vera, Rogério e o vendedor nada entendiam. Subimos a escada rindo muito, deixando o chinês atônito no subsolo. Emi estava na parte de cima. Ele nunca descera ao subsolo. Ainda rindo, paguei o vinho, esperamos Vera fazer o mesmo, voltando para a rua, onde dei de cara com a sorveteria Scchero. Os sorvetes italianos são sensacionais, motivo pelo qual entrei para comprar uma bola (€ 1). Escolhi um sabor da terra, ou seja, avelã, do qual gostei muito. Seguimos a via com os copinhos de sorvete nas mãos. Já mais no final da rua, entramos na loja Sisley. Vera e Cláudia resolveram voltar para o hotel, enquanto eu fiquei com Rogério e Emi na loja. Enquanto esperava Emi experimentar roupas e calçados, vi despretensiosamente algumas peças, encontrando um cardigã cinza que achei com o preço muito bom (€ 39,90). Comprei e deixei os meninos para trás, voltando ao hotel, pois tínhamos reserva para 20 horas no aclamado e premiado Piazza Duomo, restaurante integrante da seleta lista dos 50 melhores do mundo, edição 2013, onde ocupa a posição número 41. Demorei menos do que dez minutos para chegar ao hotel. Tinha uns quarenta minutos para estar pronto novamente para sair.
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