Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de março de 2012

GASTRONOMIA EM PUNTA ARENAS, CHILE - LA LUNA




Endereço: Avenida O'Higgins, 1.017, Punta Arenas, Chile.


Especialidade: culinária da Patagônia.


Ambiente: Fica em um prédio antigo bem próximo do Sotito's e de outros restaurantes menos cotados da cidade. O interior é todo em madeira, decorado com latas de cerveja, cartões postais e outras lembranças de cidades ao redor do mundo. Logo na entrada está o bar. As mesas ficam em um corredor rebaixado à esquerda do bar, assim como no mezanino. Nas paredes do corredor, onde ficamos, há mapas dos continentes nos quais estão espetados alfinetes em todas as cidades dos turistas que já estiveram no La Luna. Brasília já estava marcada, assim como Belo Horizonte, cidades onde moro e onde nasci, respectivamente. Para jantar, é prudente fazer reserva, pois o restaurantes consta de todos os guias da cidade e não é caro. Fizemos reserva para o almoço, mas o local não estava cheio quando lá estivemos.





Serviço: informal e lento. Tem que ter paciência. Fiquei imaginando como seria o atendimento quando o restaurante estivesse lotado.

Quando fui: almoço do dia 18 de fevereiro de 2012, sábado. Éramos três pessoas.


O que bebi: pedi para experimentar o drinque que mais tem saída na casa, o pisco souer de calafate, frutinha que lembra o mirtilo e onipresente na Patagônia. Gostei, mas prefiro o pisco souer original, com limão. Ainda bebi Pepsi Light durante o almoço.



pisco souer de calafate 


O que comi: aceitamos o couvert, uma cesta de pães, vinagrete e maionese temperada. Estava com fome, pois já passavam das 14 horas, motivo pelo qual devorei os pães. Não quis entrada. Escolhi como prato de fundo um filé de congrio, chamado congrio margarita. O peixe é grelhado coberto com um molho branco com mariscos, acompanhado de batatas duquesa. Neste caso, as batatas eram industrializadas. Gosto de congrio e não me decepcionei com o prato. Saboroso, mas sem nenhum toque especial. Comida normal do dia a dia. Embora semi-prontas, as batatas estavam sequinhas e com sabor. De sobremesa, compartilhei com os amigos um doce folhado recheado com doce de leite



congrio margarita 


doce folhado recheado com doce de leite 


Quanto paguei: $ 13.500 (U$ 27,86), valor individual.

Minha avaliação: ++. Digno apenas.

Gastronomia Punta Arenas (Chile)

quarta-feira, 14 de março de 2012

GASTRONOMIA EM PUNTA ARENAS, CHILE - SOTITO'S




Endereço: Avenida O'Higgins, 1.138, Punta Arenas, Chile.


Especialidade: culinária clássica da Patagônia.


Ambiente: fica em um sobrado de frente para uma praça que, por sua vez, fica em frente ao mar. O restaurante funciona no primeiro piso em um salão grande, com decoração antiga, predominando o tom verde e alguns quadros nas paredes.



Serviço: novamente um restaurante onde o serviço é apressado e ficou mais estressante na medida em que o salão encheu. A maioria dos garçons parecem ser antigos empregados, o que garante experiência e conhecimento dos pratos. Necessário fazer reserva, pois o restaurante é considerado o melhor da cidade e vive cheio de turistas, principalmente no jantar.

Quando fui: jantar do dia 17 de fevereiro de 2012, sexta-feira. Éramos três.


O que bebi: uma garrafa de vinho tinto Cousino Macul Antiguas Reservas elaborado no Valle del Maipo, Chile, com a casta merlot, safra 2009, contendo 13,5% de álcool. Não é ruim, mas também não tem nada de excepcional e harmonizou bem com meu prato principal, carne de cordeiro. Para acompanhar o vinho, água com gás da marca Cachantun



O que comi: aceitamos o couvert da casa com pães na chapa, servidos quentes, com vinagrete e manteiga. Para entrada, pedimos uma tortilla espanhola (batatas, ovo, presunto, cebola e linguiça) para compartir. Estava saborosa, com uma massa bem leve. Ainda quis experimentar uma centolla inteira cozida apenas na água. O prato é la pièce de resistance do Sotito's, onde recebe o nome de centolla mayo. Praticamente todas as mesas tinham este enorme caranguejo como entrada. A carne é levemente adocicada, com sabor mais delicado se comparado ao caranguejo que estamos acostumados a comer no Brasil. Para não roubar o seu sabor, a centolla vem sem molho, acompanhada de rodelas de tomate e alface americana picada. Estava muito bom. Em seguida, chegou o prato principal, cordeiro al ruedo com papas duquesa. É outro prato tradicional da Patagônia. Muito bem servido, não aguentei comer tudo. Nada mais do que uma carne de cordeiro assada na forma tradicional do lugar, parecido um fogo de chão. Não gostei do prato, muito menos das batatas que serviam de acompanhamento, pois estavam frias e sem sabor. Não queria sobremesa, mas quando o garçom disse que tinha sorvete de lúcuma, não resisti, pedindo um. Estava bem cremoso, uma delícia. Declinei do café.


centolla mayo 


tortilla espanhola 


cordeiro al ruedo com papas duquesa

Quanto paguei: $ 30.500 (U$ 63,92), valor individual.

Minha avaliação: ++1/2. Valeu pela centolla.

Gastronomia Punta Arenas (Chile)

terça-feira, 13 de março de 2012

GASTRONOMIA EM SANTIAGO, CHILE - ASTRID & GASTÓN




Endereço: Antonio Bellet, 201, Providencia, Santiago, Chile.


Especialidade: culinária peruana. Filial do restaurante de Lima, Peru, cujo proprietário é o chef Gastón Acurio.


Ambiente: fica em um rua tranquila, em um casa antiga de dois pavimentos. Do lado de fora arcos na cor salmão enfeitam a varanda do restaurante. No interior predomina o vermelho terra, dando um calor especial aos diversos ambientes do local. Fiquei no salão principal, onde o pé direito é alto e dá para ver a cozinha, separada por uma parede de vidro. Há mesas debaixo da arcada interna, também com arcos, e no piso superior, onde também fica a adega. O chão é em grandes ladrilhos nas cores preto e branco.








Serviço: eficiente. A hostess foi cortês, acompanhando-me até a mesa com amplo sorriso. Ao saber que era brasileiro, levou um cardápio em português. Os garçons são mais antigos, já experientes. Embora com o toque santiaguino da rapidez em tomar os pedidos, foram cordiais e muito atenciosos, preocupados em saber se eu estava satisfeito com meu pedido.

Quando fui: almoço do dia 16 de fevereiro de 2012, quinta-feira. Estava só.


O que bebi: abri uma exceção, apreciando uma taça do vinho branco Viña Casablanca Nimbus Single Vineyard, chileno, obviamente, da casta sauvignon blanc, safra 2011. Para acompanhar, água mineral com gás Porvenir.

O que comi: aceitei o couvert, pães variados com manteiga e molho com pimentão, creme de leite e rocoto. Como prato principal, fui de nobres causas do Peru. Prato típico e delicioso que sempre está na carta das unidades do Astrid & Gastón espalhados pelo mundo. Feitas de massa de batata chiloé e feijão palhar, tinha em seu topo carne de caranguejo real de Punta Arenas, abacate e tomate cherry. E por cima de tudo, camarões crocantes fritos. Compondo o prato ainda havia cebola roxa, pimenta ají e creme de huacatay. Simplesmente delicioso! De prato de fundo, pedi corvina assada e glaceada em caldo de ameijoas, lulas e polvo. O peixe veio acompanhado de tacu-tacu (uma massa de feijão preto frita) e salada de cebola.



nobres causas do Peru 


corvina assada e glaceada em caldo de ameijoas, lulas e polvo, tacu-tacu e salada de cebola 


Quanto paguei: $ 38.500 (U$ 79,46).

Minha avaliação: ++++. Como sempre, um excelente Astrid & Gastón.



Gastronomia Santiago (Chile)

segunda-feira, 12 de março de 2012

GASTRONOMIA EM SANTIAGO, CHILE - LA MAR




Endereço: Avenida Nueva Costanera, 3.922, Vitacura, Santiago, Chile.


Especialidade: culinária peruana, com ênfase em ceviches. Mais um restaurante do renomeado chef peruano Gastón Acurio.


Ambiente: instalado em uma casa no elegante bairro de Vitacura, possui uma parte aberta e um grande salão interno, com decoração em tons de azul e verde. Também há um bar onde drinques são apreciados por aqueles que aguardam mesa. Na parede do bar há uma grande lousa com as sugestões do dia. Uma outra lousa, no salão, informava que em virtude da pesca predatória do atum, o restaurante deixava de incluir o peixe em seus pratos até que haja uma pesca sustentável deste pescado.



Serviço: apressadíssimo. Parecia que queriam se ver livres de mim rapidamente. Como já estava virando rotina em Santiago, nem bem sentei ejá perguntavam o que iria beber e comer. Tive que pedir calma ao garçom por mais de uma vez. Cheguei a indagar se ali era um restaurante ou um fast food. Os pratos chegaram muito rápidos à mesa.

Quando fui: janta do dia 15 de fevereiro de 2012, quarta-feira. Estava só.


O que bebi: comecei com uma água com gás Porvenir para matar a sede, experimentando, em seguida, uma dose de pisco souer, que estava muito bom. Ao final do jantar, ainda bebi uma lata de Coca Cola Light.


couvert e pisco souer

O que comi: enquanto lia o cardápio, petisquei o couvert da casa: uma cumbuca de milho peruano frito e uma porção de chips de várias batatas. Acompanha os petiscos três molhos picantes, com nível de ardência evolutivo. Os chips de batatas são sensacionais. Devorei toda a cumbuca e tive vontade de pedir mais, mas me controlei, pois logo chegou a entrada, ceviche nikeisalmão em leche de tigre ao molho nikei. Originalmente o prato é feito com atum, mas substituíram-no por salmão devido ao "sumiço" do peixe usado na receita original dos mares. Fui avisado antes de que o ceviche seria servido com salmão. Comer qualquer ceviche da carta do La Mar é certeza de não errar. Estava fantástico e a mistura do limão do leche de tigre com o doce do molho de inspiração japonesa deixou o salmão mais gostoso. Ainda teve o detalhe do abacate por cima de tudo, dando a untuosidade necessária à iguaria. Como prato principal, escolhi um arroz chaufa, um prato muito popular no Peru, uma influência da culinária chinesa. No restaurante, o prato recebeu o nome de chaufa la mar cuja definição no cardápio diz que é arroz de chifa peruano com frutos do mar. Ele vem em um bowl branco, cuja borda não é em um linha vertical, mas levemente inclinada. Simplesmente de comer de joelhos de tão bom. Recusei a sobremesa. Voltei para o hotel com a experiência gastronômica ainda latente em minha mente.


ceviche nikei 


arroz chaufa 

Quanto paguei: $ 30.200 (U$ 62,77).

Minha avaliação: ++++. Minha nota só não foi maior por causa do serviço.

Gastronomia Santiago (Chile)

domingo, 11 de março de 2012

GASTRONOMIA EM SANTIAGO, CHILE - SUR PATAGÓNICO



Endereço: Jose Victorino Lastarria, 92-96, Cerro Santa Lucia, Santiago, Chile.


Especialidade: culinária da Patagônia.


Ambiente: fica em uma casa de esquina, com mesas e cadeiras de madeira na calçada protegidas por ombrelones brancos. Ainda do lado de fora há uma lousa indicando alguns dos pratos do cardápio. Ao entrar, tem-se a impressão que estamos em um armazém do interior, com direito a balança e muitas garrafas de vinho nas prateleiras de madeira que decoram o ambiente. Ao fundo do primeiro salão fica o bar. Mesas e cadeiras são de madeira, com design rústico. Ainda há mais duas salas menores à direita de quem entra. Bem arejado, devido às grandes janelas que permitem ver o movimento da rua. Como fica em uma área universitária, a frequência é de um público mais jovem. 




Serviço: foi meu melhor atendimento em Santiago. Garçons prestativos, bem informados sobre o cardápio e atenciosos. Não me apressaram para fazer meus pedidos e não houve demora para a chegada dos pratos.

Quando fui: almoço do dia 15 de fevereiro de 2012, quarta-feira. Estava só.


O que bebi: para amenizar o calor que fazia, bebi apenas água mineral com gás da marca Puychique, com bastante gelo no copo.

O que comi: aceitei o couvert da casa enquanto esperava a entrada, consistindo de uma cesta de pães variados com pasta de tomate seco. Comi o pão apenas, que estava fresquinho, pois não sou chegado em tomate seco. De entrada, escolhi polvo grelhado na chapa com azeite provençal, um toque de alho e merkén, acompanhado por batatas sauté com casca. Os frutos do mar chilenos são famosos e o polvo fez jus à fama, pois estava muito macio, mas consistente. O toque de merkén, um condimento picante típico do Chile, deu um sabor levemente ardido à carne do polvo. Entrada nota dez. Em seguida, chegou o prato principal, albacora patagônica grelhada na chapa com salada verde. Simples, mas com sabor marcante. A albacora é um peixe das águas geladas da Patagônia, de carne branca e muito macia. Aprovado. Não quis sobremesa nem café.



polvo grelhado na chapa com azeite provençal, um toque de alho e merkén, acompanhado por batatas sauté com casca 


albacora patagônica grelhada na chapa com salada verde 

Quanto paguei: $ 20.000 (U$ 41,57).

Minha avaliação: +++1/2. Comida bem feita, sem afetação e muito saborosa.




Gastronomia Santiago (Chile)

sábado, 10 de março de 2012

GASTRONOMIA EM SANTIAGO, CHILE - AMBROSIA




Endereço: Merced, 838 A (detrás del Museo Casa Colorada), Centro, Santiago, Chile .


Especialidade: cozinha contemporânea.


Ambiente: fica escondido atrás da Casa Colorada, muito próximo da agitada Plaza de Armas. É um oásis de tranquilidade no Centro de Santiago. Há um pátio externo com mesas protegidas por grandes ombrelones e umidificadores ligados no verão para amenizar a baixa umidade característica da estação mais quente do ano. O interior é pequeno, lembrando um bistrô, com um bar à direita, que mais serve como um balcão de apoio aos garçons. Mesas de madeira clara, com cadeiras confortáveis estofadas em cor gelo contrastam com o bordeaux das paredes. Portas e paredes de vidro ajudam a dar uma luminosidade natural ao ambiente interno.



Serviço: Logo que cheguei, perguntaram-me se tinha reserva. Como não tinha, fizeram cara de poucos amigos. Disse que era turista e que tinham me recomendado almoçar ali. Um atencioso gerente apareceu, dizendo que a casa estaca lotada, mas havia uma mesa disponível onde ninguém queria se sentar. Ao ver a mesa, vi o motivo das recusas. Era pequena, comportando sem muito conforto apenas uma pessoa. Nem bem me acomodei na pequena mesa encostada na parede, o garçom já queria saber o meu pedido de bebida e comida. Foi-me oferecido dois menus. Ao questionar o atendente sobre o menu especial do dia, ele me disse que somente seria servido à noite. Era um menu especial para o dia dos namorados, comemorado no Chile no mesmo dia em que se comemora nos Estados Unidos, em 14 de fevereiro. Entendi, então, o porque fui questionado se tinha reserva para almoçar e porque a mesa tão pequena estava disponível. O serviço é apressado demais, mas, ao mesmo tempo, displicente. Escolhi o menu normal da casa para o almoço das terças-feiras. O garçom anotou e sumiu. Passados dez minutos, ele retornou dizendo que a carne de porco do prato principal tinha acabado, perguntando-me se podia trocar por um filé bovino. Concordei. Enquanto esperava os pratos do menu, quando houve uma demora incômoda, observei que outras mesas reclamavam da demora dos seus pedidos (afinal era um dia útil, com muitos homens vestidos de terno e gravata, e as pessoas teriam que retornar ao trabalho).

Quando fui: almoço do dia 14 de fevereiro de 2012, terça-feira. Estava só.


O que bebi: água mineral com gás Porvenir.

O que comi: o menu do dia, com entrada, prato principal e sobremesa. Comecei com uma salada verde com presunto cru com molho de blue cheese, que estava agradável e apropriada para o calor que fazia. Em seguida, um fileto com purê de berinjela, cogumelos paris, abobrinha e folhas verdes. O prato tem uma apresentação bonita e o sabor estava fantástico. Simples, mas com um toque especial da chef Carolina Bazán. A decepção ficou por conta da sobremesa, um cheesecake acompanhado por framboesas e mirtilos frescos. Não estava ruim, mas passava longe de ser um cheesecake. Parecia um bolo de queijo, destes que comemos em café da tarde no interior de Minas Gerais. Finalizei com um café expresso.


salada verde com presunto cru com molho de blue cheese 


fileto com purê de berinjela, cogumelos paris, abobrinha e folhas verdes 


 cheesecake acompanhado por framboesas e mirtilos frescos 


Quanto paguei: $ 17.050 (U$ 35,14).

Minha avaliação: +++. Poderia ser maior, mas a agitação por conta do dia dos namorados prejudicou um pouco. Vale pela comida, mesmo eu não tendo gostado da sobremesa.

Gastronomia Santiago (Chile)

sábado, 3 de março de 2012

CRUZEIRO PELA PATAGÔNIA - DIA 3

Acordei bem cedo, antes mesmo do anúncio no sistema de som para que todos estivessem reunidos no Salão Sky, onde um café para madrugadores era servido antes do desembarque no Cabo Hornos, o pedaço de terra mais ao sul do planeta antes da Antártica. Às 7 horas já estava paramentado para enfrentar vento, frio e chuva. A primeira informação dada foi que um bote Zodiac já havia deixado o Stella Australis para checar as condições para desembarque em terra firme. Enquanto aguardávamos, deram instruções de como proceder para o desembarque no Cabo Hornos. Sinal verde, a turma de brasileiros desta vez era a primeira de todos. Fui no segundo bote. Um mar mais mexido do que os demais dias não deixava dúvida de que estávamos perto do encontro entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Na água, muita alga, motivo pelo qual o condutor do Zodiac teve que desligar os motores e dois homens-rã, na verdade os dois garçons do bar do Salão Darwin, estavam na água, protegidos com roupas de neoprene e máscaras que lembravam ninjas, para empurrar o bote até a pequena praia. Um a um saía e já dava de cara com uma escada com 160 degraus. Ventava muito frio e uma chuva fina insistia em cair. Vencida a escadaria, já avistei o monumento "Cabo de Hornos", de José Balcells Eyquem, uma escultura gigante com a figura vazada de um albatroz, a ave solitária, muito comum na região. Caminhamos até este monumento para registrar a nossa presença em fotos, parando no meio do caminho para receber as boas vindas do oficial chileno que mora na ilha. Anualmente um oficial se muda para lá com sua família. Atualmente moram na ilha o oficial, sua mulher e dois filhos. A sua casa fica no mesmo prédio onde funciona um farol e uma lojinha de souvenir, comandada pela esposa do oficial. Em frente à casa, uma capela de madeira compõe o cenário, além de uma bandeira do Chile tremulando eternamente devido aos fortes ventos que sopram no extremo sul da Patagônia. Vistos os atrativos da ilha, voltamos para o bote e, consequentemente ao navio. Neste desembarque quase ninguém tirou os coletes salva-vidas, pois tudo era muito rápido, já que o tempo poderia mudar a qualquer momento e uma retirada mais célere da ilha poderia ser necessária. Ao chegar ao navio, o café da manhã estava servido no Comedor Patagônia, para onde nos dirigimos após desfazermos das pesadas roupas. Após o café uma pequena exposição sobre a Baía Wulaia, onde ancoraríamos após o almoço e faríamos nosso último desembarque antes do término do cruzeiro. No mesmo local desta informação, o Salão Sky, foi exibido o documentário Expedição Antártica do Shackleton. Como tinha tido uma noite muito ruim, preferi retornar à cabine para tentar dormir, o que de fato consegui, acordando perto da hora de almoçar, quando retornei à mesa 19 do Comedor Patagônia. O último buffet a bordo foi dedicado à culinária chilena, quando iguarias como centolla, pastel de choclo (milho), cebiche, porotos verdes (feijão), entre outras, puderam ser degustadas. Na sobremesa, doces chilenos, incluindo huesillo de mote, um suco de pêssego desidratado com milho cozido em caldo doce, servido gelado e com uma colher para comer o milho. Gostei. Nenhuma programação até o desembarque, previsto para 16 horas. No trajeto, vi leões marinhos brincando no mar, bem próximos ao navio. O último desembarque foi na Ilha Navarino, cuja concessão de uso pertence à companhia Cruceros Australis. Uma antiga estação de rádio foi restaurada e serve de sede para um museu que conta a história do local, especialmente dos yámanas, etnia que habitava a Terra do Fogo quando o homem branco ali chegou. No caminho entre o navio e a ilha, o maior trajeto da expedição, uma turma de golfinhos deu o ar da graça. Os condutores dos botes Zodiac davam voltas na baía antes de chegar no pequeno pier de desembarque para permitir aos turistas belas fotos dos golfinhos. Ainda no navio, tivemos que decidir que tipo de caminhada faríamos na Ilha Navarino. Também havia a opção de andar de caiaque, único passeio pago e limitado a oito pessoas. Apenas quatro quiseram este passeio. Os demais se dividiram entre as duas opções de caminhada. A esmagadora maioria, onde eu estava, preferiu a caminhada morro acima. A outra seria pela costa. Arrependi. É uma subida pesada (muita gente desistiu no meio do caminho), sem muitos atrativos. Há uma bela vista no alto do morro que rendem algumas belas fotos e uma enorme castoreira cujos habitantes não quiseram aparecer para nós. Ficamos parados, em silêncio, esperando o castor colocar o focinho para fora, mas não adiantou. Uma jovem brasileira reclamou em voz alta que queria voltar, motivo de reclamação dos turistas franceses que exigiam o máximo de silêncio para ver o castor. A turma de brasileiros desceu logo, eu inclusive. De volta à praia, dei uma rápida olhada no museu e aproveitei para beber um chocolate quente,  como nos demais desembarques. Voltei ao navio e fui enfrentar a fila para pagar os extras do navio na loja do 2º andar, antes do jantar de despedida.

turismo

quinta-feira, 1 de março de 2012

CRUZEIRO PELA PATAGÔNIA - NOITE 2

Ainda com o céu claro, depois de um descanso, subi para o Salão Sky onde ouvi uma interessante palestra sobre as aves da Patagônia, aprendendo um pouco sobre formato de bicos, de asas, de pés e suas cores. O público que acompanhou a exposição de um dos membros da equipe de bordo não era grande, mas os que compareceram se mostraram interessados, fazendo várias perguntas sobre aves que já tínhamos visto e outras que ainda veríamos pela frente. O anúncio que o jantar estava servido no Comedor Patagônia se deu ainda com a palestra em curso. Terminada a exposição, fomos jantar. Cristian já nos esperava, servindo-nos, de imediato, refrigerantes. Eu quis vinho tinto. Para começar, foi servido carpaccio de contra-filé temperado com sal grosso e um mix de folhas verdes, seguindo-se um ajiaco a la chilena, uma sopa típica do Chile. Como prato principal, optei, como na primeira noite, pelo peixe, um filé de merluza austral selada com merquén, purê de batata Chiloé e flan de brócolis, prato do qual gostei muito. Finalizei com a sobremesa, uma torta de maçãs com mel, nozes e passas servida com uma mousse de mamão papaya. Após o jantar, subimos para o bar no Salão Darwin onde ficamos conversando com alguns passageiros brasileiros, enquanto o navio iniciava sua navegação pelo Canal Gabriel. Às 22 horas um documentário sobre um tradicional rally a pé pela Patagônia foi exibido no Salão Sky. Antes do filme, informaram que a mesma prova estava acontecendo naquele período e que veríamos alguns competidores na manhã do dia seguinte. No mesmo horário, no Salão Darwin, um divertido desfile de modas mostrando as roupas à venda na loja do Stella Australis colocava alguns passageiros como modelos. Depois do desfile, fomos convidados a participar de um bingo no mesmo salão. Declinei do convite, mas fiquei no bar vendo as pessoas jogar até que o sono falou mais alto e fui me deitar. Nova noite de sono tranquilo, sem sentir o movimento do barco pelas águas da Patagônia.

turismo

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CRUZEIRO PELA PATAGÔNIA - NOITE 1

Assim que entrei no navio, uma pequena fila se formava em frente ao balcão da loja localizada no segundo piso, onde checavam os nomes dos passageiros e respectivas cabines, recolhendo o passaporte que só seria devolvido no final do cruzeiro. Um membro da equipe acompanhava os passageiros até o seu quarto. Serviço individualizado por cabine. A minha era no terceiro andar, tinha o número 326, situada perto das escadas de acesso aos demais andares e ao restaurante. A cabine tem um tamanho bom, com ampla janela permitindo uma ótima visão. Todas as cabines tem janelas, nenhuma é interna, afinal trata-se de um cruzeiro de expedição e, mesmo navegando, há muita coisa para se ver. Quem quiser, pode ficar na cabine e desfrutar de belas paisagens, além de poder avistar leões marinhos, golfinhos, muitas aves e até mesmo, com sorte, alguma baleia. Minha mala chegou rapidamente à cabine. Fiz um breve reconhecimento do quarto, provando o colete salva-vidas, seguindo as orientações do tripulante que me acompanhou até o quarto. O colete era do tamanho correto. Depois, parti para um recorrido, como dizem os de língua espanhola, em todo o navio, passando, antes, na cabine de meus amigos, localizado no quarto piso, de mesmo tamanho (apenas a janela era um pouco maior). Às 19 horas, ainda com o navio atracado no porto de Punta Arenas, foi servido um coquetel de boas vindas no Salão Darwin (5º piso) para os passageiros que seguiriam a expedição na língua inglesa e no Salão Sky (4º piso) para os passageiros que seguiriam a programação nas línguas portuguesa, espanhola e francesa. Passei primeiro no 5º piso para conhecer o bar, seguindo para a 4ª coberta, como eles chamam os andares, onde os oficiais e a equipe do navio Stella Australis foram apresentados, sempre nas três línguas. Durante esta apresentação foram servidas taças de espumante da vinícola chilena Undurraga, água, cerveja, refrigerante, canapés, bruschettas, salsichas, entre outros petiscos. Seguiu-se, nos mesmos locais do coquetel, um vídeo contendo instruções de segurança e informações sobre nossa rotina a bordo nos quatro dias da expedição. Terminada esta etapa, às 20 horas em ponto o navio deixou o porto em direção ao Estreito de Magalhães. Já navegando, o jantar de boas-vindas foi anunciado no sistema de som. O restaurante ficava na 1ª coberta, no Comedor Patagônia. Todos, diferente dos cruzeiros de turismo, fazem as refeições no mesmo horário, pois o navio leva, no máximo, algo em torno de 220 passageiros. Nossa mesa era a de número 19, situada mais ao fundo, no centro do salão, perto das mesas dos turistas brasileiros. A mesa 19 era somente para nós três, nenhum estranho nos fez companhia durante o cruzeiro. Nosso garçom se chamava Cristian e sempre procurava nos atender muito bem. Antes do jantar ser servido, o chefe de equipe informou que havia 18 nacionalidades diferentes entre os passageiros. Pediu que, ao chamar cada país, os respectivos passageiros se manifestassem. Obedeceu a ordem alfabética, em língua espanhola, deixando, como nos grandes torneios esportivos, o Chile por último. O nome do país era anunciado e uma turma levantava os braços ruidosamente, sendo recebidos com palmas pelos demais passageiros. Os países representados eram: Brasil, Chile, Argentina, Canadá, Estados Unidos, Guatemala, Austrália, Espanha, Inglaterra, França, Itália, Suíça, Holanda, Alemanha, Áustria, Polônia, Bélgica e Lichenstein. Não precisa dizer que os mais alegres e ruidosos fomos nós, os brasileiros. Parecia que todos já esperavam por nossa alegria, pois o chefe de equipe anunciou o Brasil com outra entonação, mais vibrante, enquanto os estrangeiros abriram um grande sorriso para nós. O jantar sempre consistia de entrada (duas opções), prato principal (duas opções) e sobremesa. Nesta primeira noite, escolhi tartare de salmão com tapenade de azeitonas pretas como entrada e filé de albacora (um peixe branco) ao vinho tinto, bacon crisp, batatas cozidas e abobrinha ao tomilho como prato de fundo. Ambos os pratos estavam bem feitos, com ótima apresentação e saborosos. Finalizei com um zabaione de chirimoya alegre, uma fruta parecida com a pinha. Para cada refeição sempre havia um vinho tinto e outro branco, ambos de vinícolas chilenas, além de água, refrigerante, suco, cerveja. Não anotei a ordem em que os vinhos foram servidos, mas eram os seguintes rótulos durante os quatro dias de expedição: Viña Terra Andina Sauvignon Blanc; Viña Terra Andina Grande Vidure, Viña Miguel Torres Santa Digna Chardonnay, Viña Santa Rita Medalla Real Cabernet Sauvignon, Viña Santa Rita Medalla Real Sauvignon Blanc, Viña Santa Rita Medalla Real Merlot, Viña Santa Julia Chardonnay, Viña Santa Julia Malbec, Viña Miguel Torres Santa Digna Gewurztraminer, e Viña Miguel Torres Santa Digna Shiraz. Bebi sempre as opções de vinho tinto e apenas durante os quatro jantares a bordo. Terminado o jantar, um merecido descanso, apreciando a vista da janela da cabine até anoitecer totalmente, o que ocorreu depois das 21:30 horas. Subimos para o Salão Sky para ouvir uma palestra sobre a rota de navegação. Cansado, fui deitar antes de dar meia-noite. Dormi tranquilamente sem sentir o balanço do barco, que era mínimo. Navegamos pelo Estreito de Magalhães, entrando no Canal Whiteside, em direção à Baía Ainsworth, nossa primeira parada na manhã de domingo.

turismo