Cidade Proibida
Grande Teatro Nacional
Terminado o almoço, pedimos que o pessoal do restaurante nos chamasse dois táxis em direção ao Parque Olímpico. Pedimos, ainda, que eles escrevessem em chinês Ninho de Pássaro, o nome pelo qual o Estádio Nacional é conhecido. Ficamos no bar a esperar o táxi, onde cada um ganhou uma garrafinha de água para levar e um copo de água aromatizada com limão para refrescar. Esperamos por mais de vinte minutos e nada. Resolvemos tentar pegar os táxis nas ruas mais largas e movimentadas fora do hutong. Agradecemos a gentileza e seguimos a pé. Claro que não conseguimos táxi. Seguimos caminhando até uma outra avenida, onde passava os ônibus. O pessoal do hotel tinha indicado pegar o ônibus 82, que parava em frente ao Ninho de Pássaro. Ficamos na parada de ônibus fazendo sinal para todos os táxis que passavam. Nenhum parou. O ônibus chegou. Estava cheio. Pagamos RMB 1 (R$ 0,30) e ficamos em pé. S resolveu mostrar o cartão escrito em chinês para um passageiro e ele apontou para o outro lado da avenida. Estávamos na direção contrária. Descemos na próxima parada, atravessamos a rua e esperamos novo ônibus. Ali, mostramos o cartão para uma senhora. Sorte a nossa que ela falava inglês e disse para seguí-la, pois desceria uma parada antes do nosso destino. O ônibus veio lotado. Ela fez sinal para subirmos. S, C, D e V subiram imediatamente, mas eu fiquei na porta, sem espaço para entrar. A senhorinha empurrou minhas amigas delicadamente, falando alguma coisa para o motorista, apontando para mim. Ela dizia que ainda faltava eu para entrar. Depois de alguns empurrões, entrei. Foi uma longa viagem. O ônibus seguia parando em todos os pontos e mais gente entrava, apertando ainda mais quem já estava lá dentro. Eles pareciam não se importar. As pessoas viajam quase uma em cima da outra e se sentam nos locais mais inusitados possíveis. É comum ver duas pessoas sentadas em banco que só cabe um. V estava agoniada. Disse para ela relaxar, afinal, como diz Ferreirinha, luxo é viver a experiência. E, definitivamente, aquela era uma experiência, no mínimo, inusitada para nós. O horário também não ajudava, pois passavam de 16 horas e muitos já voltavam do trabalho. O trânsito não andava. Íamos vendo Pequim passar pela janela do ônibus. Depois de mais de uma hora dentro do ônibus, chegou a vez da senhorinha descer, em frente ao Cubo de Água (Water Cube), onde aconteceram as competições de natação das Olimpíadas de Pequim em 2008. Agradecemos a gentileza de ela nos indicar onde deveríamos parar. Era na parada seguinte. Já não havia quase ninguém no ônibus. O Parque Olímpico é grande e movimentado. A arquitetura do Ninho de Pássaro impressiona e fica mais bonita quando bate a luz do sol. Como chegamos quase no por do sol, o brilho dourado era lindo. Não houve como entrar, pois a visita encerra às 17:30 horas. Chegamos com dez minutos de atraso. Seguimos em frente, rumo ao Cubo de Água, todo azul. Pagamos RMB 30 (R$ 10,00) para conhecê-lo por dentro. Passamos por uma revista e entramos. Há um parque aquático lá dentro, além de muitos restaurantes e bares. Fizemos um recorrido, como dizem os espanhóis, tiramos foto da piscina olímpica, descansamos um pouco, e resolvemos ir embora, já que tínhamos reserva, desde o Brasil, no M Capital, um restaurante australiano. Na saída, já sabíamos que teríamos dificuldade em pegar um táxi. Para nossa surpresa, dois estavam parados. S, C e D foram para o primeiro. Eu e V mostramos o endereço do hotel para o segundo. Ele chamou um colega, conversaram alguma coisa e se voltou para nós dizendo "one hundred". Nem pestanejamos, entrando correndo no carro. Aceitamos, de pronto, o preço fora do taxímetro. As demais ainda negociavam quando nosso táxi arrancou. Ainda vimos o Cubo de Água com as luzes acesas, o que dá outra dimensão a ele. Soubemos depois que as demais amigas nada conseguiram, pois queriam que elas fossem em um carro pirata. Elas tiveram que atravessar a rua de ônibus, conseguindo um táxi, depois de muito custo e mostrando a nota de RMB 100 (R$ 32,00), mesmo valor cobrado pela nossa corrida. No hotel só deu tempo par tomar um banho e nos reunir novamente no seu hall. S tinha capotado e não iria. Nós quatro nem tentamos um táxi. Tínhamos consultado antes o mapa. Pegamos o ônibus 2, desta vez não muito cheio, com espaço de sobra para ir em pé, descendo na parada após a Grande Salão do Povo. Caminhamos a pé até o restaurante, que fica em uma rua de pedestres, a Quianem Street, que tem dezenas de prédios históricos recuperados, hoje abrigando lojas e restaurantes badalados. Foi um final de noite bem agradável. Voltamos a pé para o hotel.
Estádio Nacional (Ninho de Pássaro)
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