Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de novembro de 2011

SIMPLES MORTAIS

Em Brasília, três histórias distintas se desenvolvem na tela. Três histórias envolvendo personagens da classe média. Personagens com seus problemas, com suas frustrações. Três histórias que não se cruzam, ou melhor, os personagens, por viver na mesma cidade, acabam se cruzando, mas não interagem nas histórias alheias. Um núcleo é formado por um servidor público, Amadeu, e seu filho. Ambos procuram na música uma satisfação maior na vida. São procuras distintas, mas com o mesmo objetivo. Outro núcleo mostra um escritor, também professor de literatura, em crise conjugal, em crise criativa e que se vê apaixonado por uma de suas alunas. O terceiro núcleo tem uma apresentadora de jornal televisivo bem sucedida na profissão, mas frustrada por não conseguir ficar grávida de seu jovem marido, um ator teatral. Em apertada síntese, são estas histórias que vemos em cerca de 80 minutos de projeção do filme Simples Mortais, dirigido por Mauro Giuntini em sua estreia em longa metragem. O elenco tem Leonardo Medeiros vivendo Jonas, o professor de literatura, Tatiana Muniz, como Yara, a aluna que provoca, de maneira sensual, Jonas e uma série de atores e atrizes de Brasília, tais como Chico Sant'Anna (Amadeu, o servidor público), Narciza Leão (Diana, a apresentadora de TV), Sérgio Sartório (Gabriel, marido de Diana, o ator de Romeu e Julieta, encenada durante o desenrolar do filme), Alice Stefânia (a mulher de Jonas), Eduardo Moraes (Kdu, filho de Amadeu), entre outros.
O filme acabou de estrear nos cinemas, mas o vi pela primeira vez em 2007 durante uma sessão da Mostra Brasília, dentro da programação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no mesmo Cine Brasília em que estive na quarta-feira, dia 23/11/2011 para o seu lançamento nacional. Em 2008, o filme participou do Cine PE, onde o atores Chico Sant'Anna e Eduardo Morares ganharam como melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente. E o melhor do filme está na história dos personagens que estes atores vivem. Há duas cenas que se destacam, mostrando a interpretação forte do excelente ator Sant'Anna, presença forte nos palcos de Brasília. Em uma destas cenas, pai e filho fumam maconha e travam uma conversa ótima, terminando na cozinha, onde dominados pela famosa larica, preparam um jantar. A outra é no aniversário de 50 anos de Amadeu, quando seu filho o presenteia com uma puta. Hilária e densa, ao mesmo tempo.
As outras duas histórias são mais fracas, não convencem em termos de vericidade. As cenas dos ensaios teatrais são desnecessárias. Talvez apenas uma delas fosse suficiente. No entanto, há momentos interessantes nelas, como quando Diana (Narciza Leão), em surto, começar a rir de uma notícia que está dando ao vivo. 
O filme tem seus méritos, mas fiquei com uma sensação ao final da projeção que o roteiro quis ter um ar de filmes como Crash - No Limite (Crash, 2004), vencedor do Oscar de melhor filme, dirigido por Paul Haggis, ou Babel (Babel, 2006), de Alejandro González Iñarritu. Ambos são filmes com histórias que não se conectam, mas tem um elo em comum. Em Simples Mortais, tais elos são fracos. Não funcionou. Faltou algo.
Além da atuação de Chico Sant'Anna, gostei também de ver que Brasília foi retratada como mais uma cidade, sem mostrar seus monumentos, sem centrar as histórias em intrigas políticas, embora os políticos estejam presentes, já que uma das personagens é uma jornalista. Giuntini conseguiu humanizar Brasília. Afinal, ele retrata simples mortais.
Como bom colecionador, assim que estiver disponível para venda direta ao consumidor, vou comprar o dvd, embora considere o filme mediano.

filme

domingo, 26 de dezembro de 2010

RATÃO

Sempre ouvi que alguns restaurantes de comida chinesa em Brasília são simples fachadas, usados como lavagem de dinheiro oriundo de negócios escusos. Realmente se pararmos para pensar, alguns restaurantes estão em pontos nobres das entrequadras, tem raros fregueses, mas nunca fecham as portas, fato comum na vida gastronômica da cidade. E esta lenda urbana foi parar nas telas de cinema, do cinema produzido na cidade. Fui assistir no Cine Brasília o curta metragem Ratão, dirigido por Santiago Dellape, que participou da edição de 2010 do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na Mostra Brasília. Estrelado por Mateus Palmieri, André Deca, Evandro Perissè, Larissa Salgado, Andrade Jr., Felipe Eloi, Isabela Vitelli, Mestre Dada, Lina Borba e Leonardo Goya, é uma deliciosa ficção, toda rodada na cidade. Goma é um garoto que ajuda o tio em uma banca de games piratas na Feira dos Importados. Saindo da tal banquinha, esbarra em um chinês, que deixa cair um cd. A partir deste encontro casual, Goma e seus amigos de colégio vão viver uma aventura digna de filme policial americano. Em paralelo, o tio se prepara para uma vida espiritual elevada e uma dupla de policiais investigam a máfia para a qual o chinês trabalha. O Ratão do título é o chinês, que tem um final engraçadíssima. Claro que os garotos vão parar em um restaurante chinês, que não passa de fachada para os negócios ilegais da máfia. O filme é divertido, com bom ritmo, tem humor e os atores mirins estão muito bem dirigidos. Havia menos de dez pessoas na sala do Cine Brasília para ver uma sessão dupla, da qual o primeiro filme era este Ratão. Ao final da projeção, quatro pessoas foram embora, restando apenas cinco, entre eles, eu. Uma pena, pois o curta é muito bom, valendo o ingresso, por sinal, bem barato (R$6,00 a inteira).

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

UM DIA NO CINE BRASÍLIA

Depois de um ótimo café da manhã neste domingo, decido passar a tarde/noite no Cine Brasília (EQS 106/107, Asa Sul), acompanhando a programação do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Com a experiência de anos anteriores, fui cedo comprar entrada para a sessão da mostra competitiva das 20:30 horas. A bilheteria abria às 15 horas. Saio de casa antes das 14:30, pensando que encontraria uma fila enorme. Ledo engano. Apenas quatro pessoas na minha frente. O primeiro da fila era um senhor que acompanha há vinte anos o festival. Ele me disse que a edição de 2009 está igual à de 2008 (não acompanhei a edição do ano passado), com uma participação de público mais modesta. Os ingressos (R$6,00 a inteira) não estavam mais sendo disputados. Comprei a minha entrada e fui almoçar. Como a intenção era ficar até o final da noite e tendo encontrado uma excelente vaga para estacionar o carro, resolvi ir a pé até o Beirute (SCLS 109, Bloco A, lojas 2 a 4, Asa Sul). Foi uma caminhada de vinte minutos com um sol escaldante. Restaurante cheio, como sempre. Consigo uma mesa bem localizada. Peço um filé a cavalo. Básico. Comida bem feita, preço justo. Volto a pé para o Cine Brasília, já por volta das 16 horas, para conferir a Mostra Brasília 35 mm, com entrada gratuita. Havia duas filas grandes para entrar. Escolho uma e espero. Abrem as portas somente às16:50 horas, quando a sessão tinha início marcado para 16:30 horas. A sala logo ficou cheia, com gente sentada nas escadas e laterais. Nada de brigadistas para retirar estas pessoas. Qualquer situação de emergência podia ter consequências ampliadas, pois não havia acessos livres para as saídas. Para piorar, colocaram nas laterais caixas de som e armações para luzes. A hora passa e nada de começar a sessão. Mais uma prova da desorganização que permeia esta edição do festival. Comentam em cadeiras próximas a que eu estava que no sábado foi o mesmo atraso com o agravante de o ar condicionado ter sido desligado e o som ter falhado na exibição da cópia restaurada do filme A Hora da Estrela, de Suzana Amaral. Às 17:30 horas a apresentadora oficial do festival sobe ao palco e anuncia os três curtas da tarde. Quanto ao longa, O Galinha Preta, de Cibele Amaral, ela comunica que não ficou pronto a tempo. Sobem ao palco diretores e respectivas equipes técnicas dos curtas e fazem seus agradecimentos. O produtor do primeiro curta, Rojer Madruga, critica a gestão de Silvestre Gorgulho à frente da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Aplausos da plateia. Ao final dos agradecimentos, a produtora e a diretora do longa que seria exibido sobem ao placo para pedir desculpas. Cibele Amaral, visivelmente transtornada, diz que fez de tudo para o filme ficar pronto e estrear naquele domingo. Se desculpa mais uma vez, em especial à comunidade de Brazlândia que foi prestigiar o filme. Parte da plateia se levanta e sai da sala. Creio que eram parte das pessoas que se deslocaram para ver O Galinha Preta. As projeções dos três curtas começaram, na seguinte ordem:
01) Senhoras, de Adriana Vasconcelos, com 11 minutos de duração. História singela de duas senhoras, mãe e filha, dentro de um apartamento em Brasília em pleno feriado de Carnaval. Achei fraco. Aplausos protocolares da plateia.
02) A Descoberta do Mel, de Joana Limongi, com 16 minutos de duração. Baseado em um quadro de Piero di Cosimo, é um delírio. Faunos descobrem o mel e se fartam em uma orgia no cerrado. Lembrei-me dos filmes experimentais da década de setenta. Detestei. Plateia dividida, com aplausos ensandecidos e com algumas vaias.
03) Reconhecimento, de Ítalo Cajueiro, com 12 minutos de duração. Início com atores que se transformam em animação. História de um sequestro relâmpago baseado em fatos reais. Inusitado. Gostei. Aplausos e vivas da plateia.
Sem o longa, fiquei na Praça de Alimentação montada atrás do cinema. Uma verdadeira estufa. Li jornais e revistas que tinha dentro da mochila, até a hora do início da sessão noturna. 20 horas. Fila grande. Muita gente vai chegando e ficando na frente. Não se identificava mais a fila. Um bolo de gente se armou na frente da porta. Com novo atraso, abrem as portas às 20:45 horas. Não conferem os ingressos de quem pagou meia ou inteira. Sala novamente muito cheia, com pessoas sentadas nas escadas e vias de acesso. Novamente, nenhum brigadista, embora presentes, age. Os apresentadores anunciam os filmes competidores da noite e as respectivas equipes sobem ao palco para agradecer. O longa, É Proibido Fumar, de Anna Muylaert, trouxe para o palco o par de atores principais, Glória Pires e Paulo Miklos. A projeção tem início na seguinte ordem:
01) Carreto, de Marília Hughes e Cláudio Marques, produção da Bahia com 12 minutos de duração. História de amizade entre um garoto e uma menina com deficiência nas pernas, se passa no Recôncavo Baiano. Emocionante, ganhou a plateia com muitos aplausos. Gostei.
02) A Noite Por Testemunha, de Bruno Torres. Produção de Brasília com 24 minutos de duração. Atores e equipe técnica da cidade, quase todos presentes no cinema. Baseado na fatídica noite de 20 de abril de 1997 quando jovens de classe média atearam fogo no índio Galdino em uma parada de ônibus de Brasília. Filme forte, com boas atuações e muitos cortes, com idas e vindas no tempo. Final marcante e reflexivo. Plateia em delírio. Gostei muito.
03) É Proibido Fumar, de Anna Muylaert, produção de São Paulo com 86 minutos de duração. É uma história de amor entre duas pessoas da classe média baixa paulistana, Baby (Glória Pires), uma professora de violão que mora em um apartamento herdado da mãe, e seu novo vizinho Max (Paulo Miklos), um cantor de churrascaria. Para quem viu Durval Discos, o primeiro e único, até então, longa da diretora, pode soar mais do mesmo, embora com uma roupagem diferente. A solidão, a música, o vinil e a estética retrô estão presentes, como no primeiro filme. A primeira metade é melhor, uma comédia leve. Já a segunda metade, com nuances de policial, perde um pouco o viço. Nada, porém, que prejudique o filme como um todo. Glória Pires e Paulo Miklos dão um show de interpretação. Interessante as aparições relâmpago de Paulo César Pereio (o dono da churrascaria), Antônio Edson (Seu Chico, o porteiro), veterano ator do Grupo Galpão de Belo Horizonte, Antônio Abujamra, André Abujamra e José Abujamra (vô, pai e filho no elevador); Etty Fraser (uma avó que mora no prédio de Baby e Max), Lourenço Mutarelli (o corretor), Pitty (uma das pretensas locatárias), Alessandra Colassanti (Stellinha), Marisa Orth (Pop, irmã de Baby) e Dani Nefussi (Teca, irmã de Baby). Divertido, cativou a plateia com muitas risadas. Palmas calorosas ao final. Parece que já é o favorito do público. Gostei muito, mesmo com a perda de ritmo na segunda metade. Final surpreendente. Ao final, a organização do festival informa que o filme O Galinha Preta será exibido na tarde de segunda-feira. Muitos questionaram em risadas. Será?
O episódio do filme de Cibele Amaral é mais um neste infindável festival de desorganização desta edição do FBCB. Como programam um filme não acabado para uma mostra competitiva? Lastimável. O festival precisa se modernizar. Ele ainda é prestigiado pela imprensa nacional, há muitos prêmios, inclusive em dinheiro, disponíveis e um público cativo em Brasília. Porque não melhorá-lo? Fazer um rodízio de curadoria, por exemplo. Porque não fazer uma pesquisa junto ao público para sentir os motivos da perda de interesse nos últimos dois anos? Excesso de documentários? Fora as questões de infraestrutura, com necessidade de reforma do Cine Brasília mais do que urgente, fato já anunciado e propagado pela imprensa local.
Cansado, ainda dou uma passada na Praça de Alimentação e converso com amigos. Volto para casa depois de meia noite, já na madrugada de segunda-feira.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AINDA SOBRE A ABERTURA DO 42º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO

Li nos jornais de quarta e quinta-feira as matérias e notas sobre a abertura do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e sobre o filme de abertura. É incrível como que a imprensa, mesmo malhando a desorganização do evento, ainda omite certas informações. A principal delas é que a produção do festival liberou a entrada de quem estivesse na porta do teatro, indenpendentemente de estar com o convite, motivando o excesso de pessoas dentro da sala de exibição (falaram em 1,8 mil para uma capacidade total de 1,3 mil). Mas claro que a imprensa não viu isto, pois eram credenciados e entraram antes...
Fernando Adolfo, organizador vitalício do festival, comenta em uma das reportagens, que o festival sempre teve uma áurea política e que precisava daquela filme na abertura. Que ele fez o convite para o Barretão em agosto e em 15 dias recebeu a resposta positiva. Ficou óbvio que ele queria um filme-evento, talvez para fazer um contraponto à edição de 2008, muito criticada e com falta de público.
Às vésperas de completar 50 anos e uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, Brasília precisa aprender a organizar eventos deste porte. Não se pode colocar mais gente no teatro do que sua capacidade. A questão da segurança é importante. Gente sentada no chão (seja na Sala Villa Lobos, seja no Cine Brasília, sede do festival) não se pode mais admitir. O festival deve repensar sua forma de organização. A cidade precisa evoluir, se emparelhar com os grandes centros do mundo onde isto não acontece.
Também li as críticas sobre o filme. A Folha de São Paulo classificou Lula, O Filho do Brasil como ruim e o Correio Braziliense deu duas estrelas. Volto a comentar sobre os atuais críticos. Eles falam para quem? Não quero aqui dizer que a classificação deles está errada ou que todos devem achar o filme maravilhoso. No entanto, se verificarmos a crítica, veremos que ficaram preocupados em saber se a música Você (Tim Maia), que embala o encontro de Lula com sua primeira mulher, tinha sido lançada realmente na época que aconteceu o baile ou se a cena de novela com Tarcísio Meira e Glória Menezes é realmente do mesmo ano em que se passa o filme. Questões bobas e desnecessárias. Não pode haver licença poética? Sofia Coppola não colocou trilha sonora atual para o filme de época sobre Maria Antonieta? No mesmo filme ela colocou, entre a coleção de sapatos da rainha francesa, um par de tênis All Star. Também a crítica da Folha ressalta que foi omitido o fato de Lula ter tido uma filha com a enfermeira Miriam Cordeiro. Quem leu sobre o filme antes, desde o momento em que Barretão anunciou suas filmagens, já sabia que este fato não seria mostrado. O filme é uma ficção. Não é um documentário. A opção do que colocar ou não cabe aos produtores e diretor do filme.
O diretor quis mostrar uma parte da história de um brasileiro que superou situações ruins (pobreza, separação dos pais, ausência do pai, acidente de trabalho, desemprego, prisão por motivos políticos) e venceu, com luta e perseverança. Como já disse em outro post, é um melodrama, é cinemão. Não é filme para festival. É filme para arrebentar nas bilheterias.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

LULA, O FILHO DO BRASIL

Como já relatei em post de 18/11/2009, assisti ao filme Lula, O Filho do Brasil na abertura do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Dirigido por Fábio Barreto, conta no elenco com Glória Pires (Dona Lindu, mãe de Lula); Rui Ricardo Dias (Lula adulto), Cléo Pires (Lourdes, a primeira esposa de Lula), Juliana Baroni (Marisa Letícia), Antônio Pitanga (o mestre quando Lula era estagiário), Lucélia Santos (a professora primária de Lula), entre outros. Com 128 minutos de duração, é um belo filme. O diretor conseguiu fazer um filme emotivo sem ser piegas. A história de Lula é a história de milhares de brasileiros que vencem situações adversas, conseguindo se projetar na vida. A interpretação de Glória Pires é ótima. Ela está contida, mas enche a tela. Usa e abusa de ditos populares. Rui Ricardo faz um Lula bem próximo do real. Pensei, em certos instantes, que o Lula estava incorporado no ator. A cena reconstituindo a famosa assembleia dos metalúrgicos em um estádio de futebol no ABC paulista, com a reprodução do discurso de Lula de forma boca a boca, é perfeita. Barreto utiliza bem as cenas jornalísticas de arquivo, entremeando-as nas filmagens. A fita possui informações da vida de Lula que muitos desconhecem. Um filme que fará sucesso nos cinemas, não só pela curiosidade que todos tem em relação à história de nosso Presidente, mas também pela sua qualidade técnica. Será o blockbuster nacional de 2010, com certeza. Cinemão. Melodrama. Gostei do que vi.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

42º FESTIVAL DE BRASILIA DO CINEMA BRASILEIRO


Todos os anos eu consigo entrada para a abertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A partir do momento em que foi confirmada a pré-estreia mundial do filme Lula, O Filho do Brasil na abertura do festival deste ano, a corrida pelos convites foi intensa. Todos os ocupantes de cargos na Esplanada dos Ministérios queriam garantir presença na abertura do dia 17 de novembro, na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Foi difícil. Tentei os contatos de anos anteriores e ninguém ainda havia garantido sequer o seu próprio ingresso. Depois de muito tentar, desisti. Como por encanto, um amigo me liga na manhã da terça-feira e diz que tinha uma vaga em seu convite (válido para duas pessoas). Agradeci e confirmei na hora. Combinamos de chegar uma hora antes do previsto para o início, pois não havia lugar marcado. Cheguei na porta do teatro às 19 horas e já havia um número considerável de pessoas, muitas delas sem o convite. Abordavam os que chegavam para ver se poderiam entrar com o mesmo convite, caso o convidado estivesse sozinho. Vi muitos conhecidos que raramente frequentam salas de cinema e que chegam a falar mal do cinema nacional. O calor era grande. A multidão só crescia em tamanho e nada de abrirem as portas para os convidados. Repórter do CQC em ação. Quando já eram 20:30 horas, portanto meia hora após o horário marcado para ter início a cerimônia de abertura, liberaram o acesso, sem pedir os convites. Foi um corre corre no saguão do teatro, parecia um estouro de manada. Idosos, deficientes, crianças, ninguém era poupado do empurra empurra. Novo bloqueio na porta de entrada para a rampa de acesso à sala onde seria exibido o filme. Quase fui esmagado de tanto que as pessoas empurravam. A desorganização da produção do festival já era gritante. Os funcionários do teatro estavam nervosos e não sabiam o que fazer. Um grupo de senhoras portava uma faixa pedindo que Lula libertasse Cesare Battisti e empurravam para entrar. Não tinham convites, assim como grande parte dos que estavam na porta de entrada. Houve um novo empurrão e os funcionários do teatro não consiguiram segurar. Houve correria e gente escorregando na rampa. Entrei rapidamente no teatro que já estava bem cheio. Havia um local destinado aos patrocinadores do festival, mas ninguém orientava nada. As pessoas começaram a se sentar neste reservado. Foi o que também fiz. Acomodado, comecei a ver quem estava presente. A esposa de Lula, Dona Marisa Letícia, Luiz Carlos Barreto e Bruna Barreto, produtores do filme, Fábio Barreto, o diretor do filme, o Vice-Governador do Distrito Federal Paulo Octávio, o Secretário de Cultura do DF, o responsável pelo festival Fernando Adolfo, o repórter do CQC, muito jornalista tirando fotos. De repente, o teatro estava tomado. Gente sentado em todos os espaços disponíveis, incluindo as escadas de acesso e as rampas laterais. Os atores do filme tiveram dificuldade de chegar até o palco, pois não havia lugar para passar. Glória Pires e seu marido Orlando Morais, Cléo Pires, Lucélia Santos, Antônio Pitanga, Milhem Cortaz tiveram que pedir licença e abrir espaço na multidão. Já com quase uma hora de atraso, os apresentadores oficiais do festival tomam os lugares no palco e anunciam a abertura do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Durante a apresentação, o grupo de senhoras invade o palco com a faixa e gritavam pela libertação do italiano. Um vexame. Um mico para a organização do evento que não providenciou a retirada delas do palco. Os apresentadores, sem saber o que fazer, continuaram a apresentação do festival. Alguém com a camisa da produção entrou e retirou as senhoras que continuaram gritando dentro do teatro. Um misto de aplausos e vaias para elas. É anunciada a Orquestra Sinfônica local. As cortinas se abrem. A orquestra inicia a execução de Asa Branca. As senhoras continuam gritando, num desrespeito aos músicos e aos presentes. Vaias. Elas, enfim, são retiradas do teatro. A orquestra executa a segunda música e termina sua apresentação. Os apresentadores anunciam o filme e chamam ao palco os produtores e o diretor. Barretão pega o microfone e faz uma denúncia. Diz que o teatro está lotado além de sua capacidade, que já havia reclamado isto com Paulo Octávio, o Vice-Governador, e com o Secretário de Cultura, ambos presentes, e que nada fora feito até aquele momento. Ele estava preocupado com o fato de muitas pessoas estarem sentadas no chão e não havia nenhum brigadista de incêndio ou mesmo membros do corpo de bombeiros presentes no teatro, que qualquer estouro de lâmpada por um simples aquecimento poderia trazer consequências imprevisíveis. Neste momento recebe algumas palmas. Pede, ao final de sua fala, que os que estavam no chão e nas laterais saíssem do teatro, garantindo uma exibição extra tão logo terminasse a primeira sessão. Vaias e gritos pedindo para ele calar a boca e sair do palco. Ele diz que já que ninguém quer sair, passariam o filme, mas a produção do filme se eximia de qualquer responsabilidade. Aproveitou para dizer que a responsabilidade pelo evento não era da Presidência da República, como poderiam pensar alguns dos presentes. Disse com todas as letras que tal responsabilidade era do Governo do Distrito Federal, através de sua Secretaria de Cultura e da organização do festival. Bruna Barreto pega o microfone e faz novamente o apelo para que as pessoas entendam a questão da segurança. Novas vaias. É a vez de Bruno Barreto que reclama do fato de a organziação do festival não ter reservado espaço para os atores, atrizes e equipe técnica do filme se sentarem durante a exibição. Que o filme tinha 128 minutos e eles teriam que assistir ao filme em pé. Pede para que alguns dos sentados cederem seus assentos. Novas vaias. Gritos foram direcionados ao Vice-Governador e ao Secretário de Cultura para que eles se levantassem e cedessem seus lugares. Bruno Barreto chama os atores ao palco e é breve nos agradecimentos, lembrando que gosta do Festival de Brasília e que foi nele onde recebeu seu primerio prêmio. Os atores se retiram. A organziação do festival arruma lugares para eles se sentarem (havia muita gente da produção do festival sentadinho para curtir o filme). Um deficiente visual começa a gritar sobre a falta de acessibilidade. As luzes se apagam e reclamam de uma pessoa em pé na lateral do teatro focada por uma luz fraca. Era a tradutora de libras para os deficientes auditivos que estavam presentes. Um mico da plateia, mal informada. O filme começa com os logotipos dos seus patrocinadores. Para cada logo, uma vaia. Depois reclamam que o cinema brasileiro não tem apoio. Parece que as pessoas foram à abertura com o intuito de vaiar. O filme, enfim, começa. Silêncio total. Ao final da exibição, palmas sem o entusiasmo que estou acostumado a ver em filmes que integraram os festivais anteriores. Também não foram palmas protocolares, como afirmou o Correio Braziliense em sua edição de quarta-feira. Os apresentadores convidam para o coquetel de abertura. Saio pela saída de emergência. Era muita confusão já vivida. Não queria enfrentar o avança de esfomeados no tal coquetel.