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sábado, 12 de fevereiro de 2022

A MENINA QUE MATOU OS PAIS / O MENINO QUE MATOU MEUS PAIS

A Menina que Matou Os Pais, 2021, 80 minutos.

O Menino que Matou Meus Pais, 2021, 87 minutos.

Ambos os filmes são dirigidos por Maurício Eça, tendo como roteiristas Ilana Casoy e Raphael Montes. No elenco, Carla Diaz (Suzane von Richthofen), Leonardo Bittencourt (Daniel Cravinhos), Allan Souza Lima (Cristian Cravinhos), Vera Zimmermann (Marísia von Richthofen), Leonardo Medeiros (Manfred von Richthofen), Augusto Madeira (Astrogildo Cravinhos), Debora Duboc (Nadja Cravinhos)  e Kauan Ceglio (Andreas von Richthofen).

Os filmes contam a mesma história, baseada em fatos reais, especialmente os que constam nos depoimentos de Suzane von Richthofen e de Daniel Cravinhos nos processos judiciais em que foram réus acusados de matarem os pais de Suzane.

Eu vi primeiro A Menina que Matos Os Pais, que traz o relato de Daniel Cravinhos sobe como foi usado por Suzane durante o relacionamento dos dois.

O Menino que Matou Meus Pais traz a versão de Suzane von Richthofen sobre como foi manipulada por Daniel até chegar ao assassinato dos seus pais.

Acusaram os filmes de maniqueístas, mas os depoimentos judiciais dos dois acusados foram desta forma, justamente uma maneira de convencer o Tribunal do Júri que a autoria intelectual do crime era do outro e que tinha sido por ele/ela manipulado para participar do assassinato.

No meu entender, para melhor compreensão de toda a história, o melhor é ver O Menino que Matou Meus Pais antes de A Menina que Matou Os Pais, o contrário do que fiz, pois fica mais fácil de juntar partes do roteiro que parecem soltas em A Menina. Talvez, por isso, tenha gostado mais de O Menino que Matou Meus Pais, pois é mais redondo e não tão dependente de explicações como o outro. Na verdade, não havia necessidade de se fazer dois filmes. Agregando uns vinte minutos a mais em um deles, chegando a uma duração de duas horas, padrão normal de um longa metragem, dava para mostrar as duas versões da mesma história.

Gostei da interpretação dos dois atores principais, embora não tenha sido algo espetacular.

O ponto negativo, para mim, é ter colocado o uso da maconha na conta do articulador do crime. Em um filme, é Suzane quem usa, fazendo com que Daniel também utilize, em outro, é o inverso. Eu não uso maconha, pois passo mal, mas imputar, mesmo que de maneira indireta, o uso da maconha como moldador do caráter dos assassinos é forçar demais a barra. Pode até ser que os roteiristas quiseram ser fiéis aos depoimentos, que podem ter usado isso orientados por seus advogados, já que a sociedade ainda é conservadora em relação ao tema, mas como é uma obra de ficção baseada em fatos reais, poderiam ter alterado esse vício por outro, mais pesado e que realmente altera significativamente o psicológico das pessoas.

Embora também condenado, Cristian Cravinhos não tem seu depoimento retratado no filme.

Vi A Menina que Matou Os Pais, em 09/02/2022, no Prime Vídeo.

Vi O Menino que Matou Meus Pais, em 11/02/2022, no Prime Vídeo.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

UMA DOSE VIOLENTA DE QUALQUER COISA

Mais um filme nacional conferido por mim nestas últimas semanas. Cada vez fico mais fã de filmes produzidos em solo brasileiro. Fui à pré-estréia de Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa no Cine Brasília, a casa do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A direção é do brasiliense Gustavo Galvão. O filme é descrito em seu cartaz como sendo um road cerrado movie, uma vez que traz a história de dois caras pelas estradas de Distrito Federal, de Goiás e de Minas Gerais. Pedro, interpretado por Vinícius Ferreira, desiludido com a vida na capital brasileira, abandona emprego e casa, fugindo de tudo e de todos. No caminho encontra Lucas, em atuação sensacional de Marat Descartes, um outsider que também segue sem rumo pelas estradas brasileiras. Juntos vão viver momentos engraçados, outros nem tanto, cruzando com pessoas tão perdidas quanto eles. Leonardo Medeiros interpreta um traficante paraguaio chamado Jesus que também cruza o caminho de Pedro e Lucas. Um Jesus paraguaio só podia ser traficante de drogas!
A violência a que o título se refere é muito mais psicológica do que física, o que nos motiva a refletir sobre como vivemos na atualidade. Vida corrida, cheia de metas a serem cumpridas, cheia de cobranças, sem muito tempo para devaneios e prazeres. Vida que nos enlouquece. Vida que precisa de ser parada. Vida que precisa de uma fuga.
O roteiro é um pouco confuso, pois há momentos em que ficamos na dúvida se as cenas são fruto de sonhos e pensamentos de Pedro ou se aquilo é real.
A parte mais confusa do roteiro já é no final, quando a história se passa nas ruas da cidade histórica mineira Ouro Preto. Mais personagens fugitivos de si mesmos aparecem neste momento, especialmente Virgínia, interpretada por Catarina Accioly. A interação entre Virgínia e Pedro fica no campo da dúvida. Está ou não está acontecendo? 
O filme é um bom road movie, bem no estilo americano, mas com pitadas enormes de brasilidade. É acima da média. Ótimo para reflexões. E não deixa de ser uma porrada em quem o assiste.
Depois do filme, fui com Hélida G. e Fabíola para a festa de lançamento da película. Festa boa na qual todas as tribos da cidade conviviam dançando ao som de ótima música. Bebemos espumante a noite inteira.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

SIMPLES MORTAIS

Em Brasília, três histórias distintas se desenvolvem na tela. Três histórias envolvendo personagens da classe média. Personagens com seus problemas, com suas frustrações. Três histórias que não se cruzam, ou melhor, os personagens, por viver na mesma cidade, acabam se cruzando, mas não interagem nas histórias alheias. Um núcleo é formado por um servidor público, Amadeu, e seu filho. Ambos procuram na música uma satisfação maior na vida. São procuras distintas, mas com o mesmo objetivo. Outro núcleo mostra um escritor, também professor de literatura, em crise conjugal, em crise criativa e que se vê apaixonado por uma de suas alunas. O terceiro núcleo tem uma apresentadora de jornal televisivo bem sucedida na profissão, mas frustrada por não conseguir ficar grávida de seu jovem marido, um ator teatral. Em apertada síntese, são estas histórias que vemos em cerca de 80 minutos de projeção do filme Simples Mortais, dirigido por Mauro Giuntini em sua estreia em longa metragem. O elenco tem Leonardo Medeiros vivendo Jonas, o professor de literatura, Tatiana Muniz, como Yara, a aluna que provoca, de maneira sensual, Jonas e uma série de atores e atrizes de Brasília, tais como Chico Sant'Anna (Amadeu, o servidor público), Narciza Leão (Diana, a apresentadora de TV), Sérgio Sartório (Gabriel, marido de Diana, o ator de Romeu e Julieta, encenada durante o desenrolar do filme), Alice Stefânia (a mulher de Jonas), Eduardo Moraes (Kdu, filho de Amadeu), entre outros.
O filme acabou de estrear nos cinemas, mas o vi pela primeira vez em 2007 durante uma sessão da Mostra Brasília, dentro da programação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no mesmo Cine Brasília em que estive na quarta-feira, dia 23/11/2011 para o seu lançamento nacional. Em 2008, o filme participou do Cine PE, onde o atores Chico Sant'Anna e Eduardo Morares ganharam como melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente. E o melhor do filme está na história dos personagens que estes atores vivem. Há duas cenas que se destacam, mostrando a interpretação forte do excelente ator Sant'Anna, presença forte nos palcos de Brasília. Em uma destas cenas, pai e filho fumam maconha e travam uma conversa ótima, terminando na cozinha, onde dominados pela famosa larica, preparam um jantar. A outra é no aniversário de 50 anos de Amadeu, quando seu filho o presenteia com uma puta. Hilária e densa, ao mesmo tempo.
As outras duas histórias são mais fracas, não convencem em termos de vericidade. As cenas dos ensaios teatrais são desnecessárias. Talvez apenas uma delas fosse suficiente. No entanto, há momentos interessantes nelas, como quando Diana (Narciza Leão), em surto, começar a rir de uma notícia que está dando ao vivo. 
O filme tem seus méritos, mas fiquei com uma sensação ao final da projeção que o roteiro quis ter um ar de filmes como Crash - No Limite (Crash, 2004), vencedor do Oscar de melhor filme, dirigido por Paul Haggis, ou Babel (Babel, 2006), de Alejandro González Iñarritu. Ambos são filmes com histórias que não se conectam, mas tem um elo em comum. Em Simples Mortais, tais elos são fracos. Não funcionou. Faltou algo.
Além da atuação de Chico Sant'Anna, gostei também de ver que Brasília foi retratada como mais uma cidade, sem mostrar seus monumentos, sem centrar as histórias em intrigas políticas, embora os políticos estejam presentes, já que uma das personagens é uma jornalista. Giuntini conseguiu humanizar Brasília. Afinal, ele retrata simples mortais.
Como bom colecionador, assim que estiver disponível para venda direta ao consumidor, vou comprar o dvd, embora considere o filme mediano.

filme