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domingo, 17 de abril de 2022

BREVE FESTIVAL - 09 DE ABRIL DE 2022


Quem me conhece sabe que consumo muita cultura. Estava há muito com uma vontade tremenda de aglomerar. Com quatro doses de vacina contra a covid, não tive dúvidas em comprar ingresso para o Breve Festival para o dia 09 de abril de 2022, um sábado, com doze horas de shows. O line-up era cabuloso: Grande Encontro (Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença), Gloria Groove, Ludmilla, Céu, Tropikillaz, Àttooxxá, Gal Costa, Silva, Ney Matogrosso, Duda Beat, Lamparina e A Primavera, Djonga, Pitty, Tuyo, Racionais MC's, entre outros nomes. Quatro palcos ocupando toda a Esplanada do Mineirão e uma parte do interior do estádio. Comprei as entradas no aplicativo da Sympla, pagando por dois ingressos R$ 396,00, pista, meia entrada social, mediante a doação de um quilo de alimentos por ingresso entregues na entrada do evento.
Sabendo das dificuldades para achar condução na hora de ir embora do Mineirão, fomos de carro. Assim que saiu os horários dos shows, vimos que Lamparina e A Primavera, uma de nossas bandas favoritas, se apresentaria às 13:50 horas. Decidimos sair de casa por volta de meio dia. O trajeto foi muito tranquilo, sem trânsito. Nas avenidas no entorno do Mineirão o movimento ainda era pequeno. Já experientes, deixamos o carro no estacionamento coberto do estádio. O preço é fixo e único, R$ 30,00 por todo o período do evento, com a ressalva que fecha às 02:00 horas da madrugada. Conhecidos nossos nos contaram que os flanelinhas estavam pedindo R$ 50,00 para "vigiar" o carro para quem estacionou na rua, em local público e gratuito. Não havia acesso à esplanada pelo estacionamento, motivo pelo qual tivemos que caminhar um pouquinho, pois a entrada para quem tinha comprado ingresso para pista era na parte sul do estádio. Eu estava com uma mochila onde coloquei uma toalha (o tempo indicava chuva), uma camisa de manga curta (fui com camisa de manga longa com proteção contra os raios solares), protetor solar, capa de chuva, plástico para colocar coisas molhadas, dois pacotes de biscoito Goiabinha, lenços umedecidos para necessidade urgentes, carregador extra de celular e duas cangas, caso necessitasse sentar no chão.
Chegando ao acesso, havia muita gente, mas ninguém formava fila, pois estavam esperando outras pessoas. Gastón aproveitou para comprar Halls e cigarro de palha na mão de um ambulante. No portal, uma mulher indicava para onde ir para quem tinha ingresso de pista ou de open bar. Entramos por um organizador de filas feito com grades de ferro enorme. No vai e vem já nos divertíamos com os jovens, que eram bem livres no vestir, na maquiagem e nos enfeites de cabelo. Galera LGBTQIA+ em peso. No meio do organizador, outra mulher pedia para todos colocarem nas mãos o ingresso, um documento de identidade com foto e o comprovante de vacinação completo contra a covid. Mais à frente, era o posto onde recolhiam o alimento para quem comprou entrada social. Levamos dois quilos de arroz Tio João. Continuamos a andar no vai e vem até a entrada real do evento, onde fomos revistados, pediram para eu abrir minha mochila, deram uma olhada por cima, perguntaram se havia algum instrumento perfurocortante, me liberando para a leitura do ingresso. A atendente leu os dois ingressos que estavam no meu celular e passamos. Falha 1: ninguém pediu o comprovante de vacinação.
Subimos os degraus da entrada sul do Mineirão, quando vimos um verdadeiro exército de caixas móveis, todos vestidos de preto com um círculo por cima da cabeça, preso na mochila que carregavam. Paramos para comprar fichas, quando descobrimos que o evento era cashless, ou seja, dinheiro em espécie não seria aceito. Não havia fichas, mas sim um cartão magnético que carregávamos e recarregávamos na medida em que precisasse. Pendurado na pochete do caixa móvel havia um cardápio. Falha 2: não havia preços de água e refrigerante no cardápio e o caixa não sabia informar. Decidimos carregar um único cartão para nós dois. Fizemos uma carga inicial de R$ 60,00, mas sabíamos que não seria suficiente, pois uma única lata de cerveja de 350 ml Amstel custava R$ 14,00! Para carregar o cartão magnético, era necessário fornecer o número do CPF. O caixa, ao ouvir Gastón falar, que estava com o cartão de crédito para pagar a carga, virou para mim, pedindo meu CPF. Eu disse que Gastón também tinha CPF. Ele riu, se desculpou dizendo que pelo sotaque achou que ele não teria e inseriu o número de Gastón na máquina, carregou o cartão magnético e informou que podíamos consultar o nosso saldo em qualquer caixa dos bares. Peguei o comprovante da carga e fomos conhecer o espaço. Logo à esquerda, após as escadas, estava o primeiro palco, o de nome Amstel, onde seria o show da Lamparina. Eram 12:55 horas. Faltava quase uma hora para o show. Fomos caminhar pela esplanada. Algumas intervenções artísticas no caminho eram bem instagramáveis, o que de fato constatamos ao longo do tempo em que lá ficamos. O outro palco, chamado Breve, ficava no lado oposto do Amstel, na Esplanada Norte, de onde também se via a área open bar coberta (também havia uma área open bar no primeiro palco). Em frente ao palco Breve, era o acesso ao palco Breve Club, de música eletrônica, que ficava em uma parte do gramado do Mineirão. Algumas cadeiras da geral eram acessíveis, bom lugar para um descanso, inclusive protegido da chuva. Também tínhamos acesso aos banheiros desta parte do Mineirão. Antes de descer para o palco eletrônico, paramos em um bar montado na área interna do estádio para comprar uma cerveja e uma garrafa de água, além de um copo reutilizável que segundo publicação do perfil do festival do Instagram o valor seria devolvido caso quem comprou quisesse fazê-lo. Ao saber o valor da garrafa de água, levei um susto: R$ 8,00. O copo também custava R$ 8,00. Perguntei onde poderia devolvê-lo ao final do evento. Uma atendente disse que não sabia, mas que deveria ser na parte superior da esplanada, enquanto a outra disse que não existia devolução. Recebi o comprovante da compra e verifiquei que faltavam R$ 7,00. Ao pegar o primeiro comprovante, uma surpresa, pois cobraram no momento da carga inicial, R$ 7,00 como ativação do cartão. Falha 3: não avisaram no momento da carga inicial sobre o valor da ativação. Como não era possível fazer compras no espaço do evento sem o tal cartão magnético, fica evidente que foi uma compra casada, proibido na legislação brasileira. Falha 4: a desinformação que imperou entre as pessoas que trabalhavam no evento.
Fomos para o palco de música eletrônica. Tinha pouca gente dançando. Tiramos algumas fotos, sacudi um pouco o esqueleto, mas música eletrônica me cansa muito rápido, pois a batida é a mesma, um looping sem fim. Era hora de ir para o palco Amstel conferir o show da Lamparina e A Primavera. No caminho, muita gente fazendo poses e mais poses para fotos nas intervenções artísticas. Já tinha um bom público em frente ao palco, mas ainda era tranquilo dançar e transitar entre as pessoas.
O show começou no horário, às 13:50 horas a banda soltou os primeiros acordes. Foi uma delícia de apresentação. Interação banda-público desde a primeira música. O som tinha alguns problemas, nem sempre se entendia o que a vocalista cantava, além de um zumbido incômodo saía de vez em quando das caixas acústicas. Mas como a maioria sabia todas as músicas de cor, foi uma festa. E teve o momento fora bozo, que foi intenso. Dancei e cantei muito, mesmo debaixo de uma chuva fina e insistente. Vesti minha capa de chuva e continuei aproveitando a apresentação. Terminado o show, já fomos direto para o palco Breve, onde tinha início o vibrante show do Djonga. Ele e seus dançarinos entraram com a camisa da seleção brasileira, em um claro recado aos conservadores que se apropriaram da camisa de que aquele símbolo era de todos nós. Mais um enorme fora bozo ecoou no ar. O povo cantava junto todas as canções de Djonga. Não vimos todo o show porque queríamos ver Céu e Tropikillaz no palco Amstel e o início dele chocava com a meia fora final do show de Djonga. Isto ocorreu em vários shows, ainda mais que havia quatro palcos e muitas atrações.
Céu também começou o show super no horário. Ela entrou no palco apenas com os dois DJs do Tropikillaz e cantou muito reggae e sucessos de sua carreira, como Menino Bonito, cantada em uníssono pela plateia, que também soltou um fora bozo. O show de Céu foi curto, mas bem dançante, Durou quarenta minutos. Os vinte minutos finais ficou por conta do duo de DJs que emendou sucessos do pop com arranjos próprios, incluindo sucesso de Lil Nas X, que levou a plateia ao delírio. O local começava a ficar muito cheio. Distanciamos um pouco do palco. Conseguimos sentar em um dos raros bancos de concreto que existem na esplanada, em uma posição que dava para ver o show. Em frente, havia um bar, onde comprei um refrigerante. Só tinha refri da marca Fys, por R$ 10,00 a lata. Pedi um no sabor limão siciliano. Horrível, muito doce. Neste momento, já mais de 16:30 horas, aproveitei que estava sentado e troquei a camisa de manga longa por uma camisa de malha de manga curta, tirei um pacote de Goabinha para comer e Gastón foi ao banheiro. Fiquei esperando sentadinho. O público só aumentava. Comer o biscoito me abriu o apetite. Queria comer alguma coisa salgada, mas só via carrinhos de pipoca. Acabei comprando um saco por exorbitantes R$ 25,00. Perguntei a um segurança onde ficava a praça de alimentação e ele não soube me responder. No bar, apontaram para a direção do palco Breve. Não havia placa de sinalização para indicar onde ir. Talvez os organizadores pensaram que não precisava, pois o mapa estava no Instagram do festival. Acontece que é público e notório para quem frequenta o Mineirão que os celulares ficam quase mortos quando há muita gente no local. Acessar internet era uma saga. E mapas desenhados sem escala não são precisos em indicações, ainda mais em local com rampas e escadas. Falha 5: não haver sinalização adequada na esplanada.
Gastón demorava tanto que resolvi mandar mensagem, mas nada de WhatsApp funcionar. Liguei e ele atendeu de pronto. Disse que a fila para os banheiros químicos era surreal e que ainda faltavam cinco pessoas para chegar a vez dele. Continuei esperando. O público crescia mais e mais, já dificultando transitar onde eu estava. Gastón chegou quando Duda Beat já tinha iniciado seu show. Ele me contou que para chegar onde eu estava, teve que atravessar uma multidão. Perdemos o show do Silva no palco Breve. Resolvemos ver Duda Beat. Coloquei a máscara para atravessar o público. Conseguimos achar um local muito distante do palco Amstel, vendo o show pelos telões. Duda toda de vermelho e mais um sonoro fora bozo, que foi a tônica em todos os shows. Começou a ficar apertado demais, com as pessoas muito encostadas umas nas outras. Muita gente reclamando da fila que enfrentaram para entrar no festival e da quantidade absurda de gente no local. Falha 6: lotação excessiva.
Resolvemos sair do show de Duda Beat para comer alguma coisa antes do início do show de Ludmilla, no palco Breve. Carregamos o cartão magnético com mais R$ 50,00, quando perguntei para o caixa móvel onde ficava a praça de alimentação. Ele me disse que era embaixo, mas não sabia como fazia para chegar até lá. Como sabia de uma rampa em frente ao portão B do Mineirão, fomos para aquela direção, perguntando para um segurança que também não soube informar onde a praça ficava. Resolvemos descer a rampa, que só tinha uma enorme placa indicando uma saída. Mas vimos duas pessoas subindo a rampa com cachorro quente nas mãos. Estávamos na direção certa. Quando a rampa terminou, à direita era o estacionamento, onde foi instalada uma boa praça de alimentação, com várias opções de comida, inclusive para os veganos, mesas coletivas para se sentar e mesas menores altas, usadas como apoio. Também no mesmo estacionamento, banheiros químicos sem nenhuma fila. Os preços da comida eram exorbitantes. Um cachorro quente custava R$ 15,00 e só vinha com pão, salsicha quase sem molho, um creme horrível de queijo cheddar (com gosto de plástico) e batata palha. Compramos assim mesmo. Gastón ainda comeu um mexidão, que estava razoável, cujo valor era R$ 25,00. Foi um momento também de ficar sentado, sem tumulto de gente e ir ao banheiro. Na parte inferior também ficava o palco Radar, onde tocaria Majur, que substituiu de última hora Tuyo, pois um dos seus integrantes tinha testado positivo para covid, mas seu show chocava com o de Ludmilla. Voltamos para a parte superior em direção ao palco Breve. Estava lotadíssimo. Nesta hora, decidimos que não transitaríamos mais entre os palcos, focando nos shows que ainda aconteceriam no Breve. Ficamos atrás da torre de iluminação, onde ainda era possível dançar, mas não tinha uma boa visão do palco. Vimos o show pelos telões. Ludmilla entregou uma performance maravilhosa, colocando todo mundo para dançar e cantar sem parar. Sucessão de hits. Perfeita no palco. Assim que terminou, e estando perto do acesso ao palco Breve Club, entramos nas dependências do Mineirão para usar o banheiro e descansar nas cadeiras da geral, em parte aberta ao público. Ali descansamos até a hora de iniciar o show de Gal Costa, também no palco Breve. Ficamos, desta vez, na lateral direita, encostados na grade que separava a área vip, com boa visão do palco. Foi um show lindo e dançante. Paula e Bebeto foi cantada por todos. Um hino ao amor sem amarras, sem gêneros, plural. Já no final, com a plateia gritando fora bozo, Gal cantou a contagiante e super atual Brasil, de Cazuza. Delírio coletivo. Show muito bom. As pernas já não aguentavam mais ficar de pé, a coluna doía.
Mais uma vez voltamos para as cadeiras da geral do Mineirão. Dois brigadistas passavam. Aproveitamos para perguntar onde ficava a saída mais próxima e, para nossa surpresa, eles não sabiam, pedindo para perguntar aos seguranças que controlavam a entrada da área do open bar, que também não souberam informar. Falha 7: brigadistas que não sabem o básico, ou seja, as saídas do local, não são brigadistas. Passamos pelo bar dento do Mineirão, compramos mais uma água e fomos descansar nas cadeiras. Às 21:00 horas, voltamos para a esplanada para ver Gloria Groove. Era um show super esperado por mim. Voltamos a ficar no mesmo local em que estávamos no show anterior, mas já estava muito apertado. Gastón foi complementar o cartão magnético para comprar um gin tônica, não deixando nenhum saldo no cartão. Ele detestou o drinque, visivelmente feito por quem nunca tinha feito um drinque na vida, além do absurdo do valor: R$ 36,00. Ele teve que completar o cartão mais uma vez com R$ 10,00 para comprar um Fys de limão siciliano para amenizar o drinque. Saldo zero no cartão. O microfone de Gloria Groove estava com problema, o povo gritava para aumentar o volume do microfone, ela não entendia nada e seguia cantando. Não dava para ouvir nada o que cantava. Falha 8: problemas no som não resolvidos durante os shows nos palcos Amstel e Breve. Decidimos ir embora. Havia uma placa indicando saída na esquerda do palco, mas não havia saída ali. Falha 9: placa indicando saída onde ela não existia. Não sei como o Corpo de Bombeiros concedeu alvará para o evento. Foi um custo atravessar o público. Conseguimos, enfim, sair da multidão. No Amstel, uma galera esperava o último show da noite naquele palco, Racionais MC's. Passamos direto. Perguntei a várias pessoas que trabalhavam no evento onde poderia devolver o cartão e o copo. Ninguém soube informar. Não havia nenhuma indicação onde fazer essa troca. Resolvemos ir embora. Caminhamos até o estacionamento pelo lado de fora do Mineirão. Quando sentei no carro, foi um alívio para as costas. Eram 22:00 horas em ponto quando deixamos o estádio. No caminho de volta, com muita fome, paramos para comprar pizza e levemos para casa. Chegando no lar doce lar, comi, tomei um Dorflex, um banho relaxante e capotei na cama.
No dia seguinte, fui ler os comentários no perfil do festival no Instagram. A esmagadora maioria elogiava os artistas, mas reclamava muito da falta de organização da Bebox, empresa responsável pelo festival. Filas imensas para tudo, lotação excessiva, venda casada do cartão magnético, falta de informações de como receber o saldo do cartão, cobrança de R$ 7,00 para ativar o cartão, cobrança de R$ 7,00 para devolver o saldo existente no cartão, sinalização quase inexistente, placa indicando saída onde ela não existia, preços abusivos, problemas no som dos palcos Amstel e Breve, falta de praça de alimentação (o pessoal não conseguiu achar onde era). Quando vi que o perfil colocou que foram três anos de organização e que se desculpava pelos infortúnios, meu sangue ferveu e escrevi um textão. Para minha surpresa, quando acessei o perfil três dias depois para ver se responderam algo, tinham apagado o que escrevi, assim como a postagem de várias outras pessoas. Mas o povo é insistente e escreveu tudo de novo. Muitos reclamando da compra casada e a organizadora do festival se isentando, colocando a responsabilidade na empresa de cashless, como se ela não a tivesse contratado e tivesse oferecido outras opções para quem não queria o cartão. Em tempos de Pix, colocar um cartão com cobrança para ativação é um absurdo e uma extorsão. Conheço pessoas que já ingressaram no Procom pedindo o ressarcimento da taxa de ativação do cartão e do copo. Como o público foi de aproximadamente 50.000 pessoas, imaginem o quanto a empresa lucrou com os tais R$ 7,00 de cada cartão, fora a porcentagem que ela deve ter cobrado na venda de bebidas e alimentação.
Agora, antes de comprar entrada para os eventos de porte, verificarei quem é a produtora/organizadora. Se for a Bebox, não me pega tão cedo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

GAL COSTA - SHOW RECANTO


Enfim, o aclamado show Recanto, de Gal Costa, chegou em Brasília. Apresentação única, às 21 horas, no Salão Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, domingo, dia 1º de setembro de 2013. Comprei ingresso para a terceira fileira, poltrona centralizada em relação ao palco, o que me permitiu ter ótima visão da cantora. Pela entrada, paguei R$ 250,00, preço bem salgado, diga-se de passagem. O local estava bem cheio, com lotação praticamente esgotada. Com atraso de dez minutos, Gal Costa e os três músicos que a acompanham, Domenico Lancelotti, Pedro Baby e Bruno Di Lullo, entraram no palco. Nenhum cenário, nenhuma iluminação grandiosa. O que importa no show é a voz, linda como sempre, de Gal e os arranjos moderníssimos para as duas dezenas de canções que ela interpretou magistralmente durante os cerca de 100 minutos de espetáculo, já contado o tempo das quatro músicas do bis. A direção do show é de Caetano Veloso, que embora ausente no dia, tem presença quase que total na autoria das canções do repertório do show. Das 23 músicas, 17 tem Caetano como autor, seja individualmente ou em parceria com alguém. Do mais novo trabalho, o experimental e ótimo Recanto, mesmo nome do show, apenas três músicas ficaram de fora do set list. O que me chamou a atenção é que houve uma mescla de canções do trabalho atual, datado de 2011, com músicas gravadas pela cantora entre 1969 e 1985. Assim que entra no palco, Gal se senta em uma banquinho e canta Da Maior Importância, pinçada do disco Índia, de 1973, em arranjo que conversa claramente com as duas seguintes, Tudo Dói e Recanto Escuro, as duas de seu trabalho de estúdio mais recente. E assim foi durante todo o show. Canções do passado, com arranjos modernos, com músicas de Recanto. Folhetim, de Chico Buarque, a primeira canção do show que não tem Caetano Veloso como autor, mereceu aplausos calorosos da plateia, que, vez ou outra, gritava um "linda!" ou um "maravilhosa!". Barato Total, Dom de Iludir, Baby, Vapor Barato foram outras canções que também fizeram o público explodir em palmas. A interpretação para Neguinho, do disco Recanto, foi a que mais gostei das novas canções. Ao vivo ficou mais vibrante, assim como Miami Maculelê, a última música antes do bis. Antes dela, o destaque ficou para a homenagem que Gal fez para Tim Maia, seu parceiro no dueto de Um Dia de Domingo, mega sucesso radiofônico gravado no disco Bem Bom, de 1985. No show, Gal faz uma espécie de paródia, cantando toda a sequência gravada por Tim em tom grave, mostrando a versatilidade que tem com sua voz. Aplaudidíssima, obviamente. Assim que saiu de cena, o público invadiu o espaço entre o palco e a primeira fileira, pedindo a volta da cantora para o bis, o que ela atendeu de imediato. Claro que ninguém voltou para os lugares, fazendo com que muita gente ficasse de pé para vê-la interpretar mais quatro canções: Mansidão; Força Estranha; Meu Bem, Meu Mal, cujo refrão foi entoado a plenos pulmões pelos que estavam mais à frente, encerrando com Modinha para Gabriela. Durante todo o show uma explosão de flashs se via no teatro. Gal moderna, antenada com os novos tempos e com o que acontece nos grandes shows pelo mundo afora: não houve anúncio de proibição de fotos ou filmagens do espetáculo. Afinal, quem respeita isto hoje com tantos celulares e máquinas digitais com recursos para trabalhar em ambientes bem escuros, sem barulho e sem luzes que incomodam o cantor ou o próprio público? Como todo show que vi de Gal Costa, saí muito satisfeito com o que vi e ouvi. Com tão bela voz e com músicos tão afinados, realmente a falta de cenário não fez nenhuma falta.

música
show

sexta-feira, 9 de março de 2012

GAL COSTA - GRANDES SUCESSOS


Eu estava em Natal, Rio Grande do Norte, desde a última terça-feira, dia 06 de março, coordenando uma reunião de trabalho. Sexta-feria, após terminado o evento, chovia por volta de 17:30 horas. Resolvi pegar um táxi, dar uma passada no hotel, deixar minha mochila, indo conhecer o shopping Midway Mall. Minha ideia era dar uma volta, fazer um lanche, e assistir algum dos filmes em cartaz no Cinemark local. Do Serhs Grand Hotel, onde eu estava hospedado, até o centro de compras, o táxi levou meia hora devido ao tráfego intenso do horário. O Midway Mall é amplo, com corredores largos. Fui direto ao piso onde está o cinema. Ao chegar lá, vi que o Teatro Riachuelo ficava no mesmo piso, em frente a uma ala com alguns restaurantes (não é a praça de alimentação, que fica no piso inferior ao que eu estava). A entrada do teatro é imponente, com linhas modernas e pé direito bem alto. Por pura curiosidade, parei em frente à tela de LCD que mostrava a programação do mês de março. Ao ver que Gal Costa era atração daquela noite me empolguei, pois não a via nos palcos há mais de dez anos. É uma das minhas cantoras brasileiras favoritas, ao lado de Simone, Bethânia, Zizi Possi e Marisa Monte. A bilheteria estava vazia. Pensei logo que não haveria ingresso para o show, mas fui me certificar. Fiquei surpreso quando o atendente respondeu-me que ainda tinham lugares disponíveis, tanto nas frisas quanto no balcão nobre, ambos com o mesmo preço, R$ 200,00 a inteira. Pedi um ingresso, perguntando a ele qual o melhor lugar entre a frisa e o balcão, pois não conhecia o teatro e também não queria ter visão parcial do palco. Ele me aconselhou a cadeira O da frisa 1. Faltavam mais de duas horas para o início do show, mas não quis voltar ao hotel. Conheci todos os pisos do shopping, entrei na Livraria Siciliano (achei que ela já havia sido totalmente incorporado pela Saraiva), dei uma folheada em alguns livros, e quando a fome deu sinal de sua existência, resolvi jantar no Piazzale, um restaurante italiano em frente à entrada do teatro. Passei mais de uma hora no restaurante. Como era aberto, dava para ver o movimento das pessoas chegando para o show. O pessoal chegava muito bem arrumado, as mulheres com vestidos longos, joias, cabelos bem penteados, bem diferente do púbico de shows em Brasília, onde os frequentadores são mais informais no vestir. Muito bem organizada a entrada, com local exclusivo para quem tem ingressos cortesia, como  os patrocinadores, além de fila exclusiva para idosos, gestantes e pessoas com deficiência. Por falar nisto, o teatro é todo adaptado para uma acessibilidade universal. Entrei logo que abriu, mas ainda não estava liberada a entrada para dentro do teatro. Fiquei no belo hall de entrada, sentado em uma das mesinhas dispostas no ambiente. Via o público entrar. Fotógrafos profissionais paravam alguns casais que faziam poses para as fotos, anotando, em seguida, nome e contato para uma eventual compra da fotografia. Assim que liberaram o ingresso às poltronas, me dirigi ao primeiro piso do lado esquerdo, onde se localizam as frisas ímpares. O teatro é belíssimo, trazendo as cores da loja de departamentos Riachuelo, verde e azul, em suas cadeiras e poltronas. Há muitos empregados que orientam o público onde se encontra o seu lugar, fazendo com que rapidamente todos se acomodem. O primeiro sinal soou às 21 horas. Após dez minutos, novo sinal e muita propaganda nos paineis laterias do palco. Ainda não tinha noção de como seria minha visão do show, pois as luzes no palco estavam apagadas e aquelas acesas em direção à plateia me impediam de vê-lo. Fiquei, mais uma vez, observando o pessoal que chegava, a maioria já na casa dos 60 anos. O terceiro sinal veio às 21:15 horas. O teatro estava bem cheio, mas não lotado, com poltronas vazias no balcão nobre. Com as luzes apagadas, pude ver o palco. Não havia cenário. Apenas uma mesinha de apoio, onde um copo de água de coco reinava absoluto, um banquinho e um pedestal com microfone. Caixas de retorno de som e algumas luzes completavam a cena. Tive a certeza que não teria problemas com a visão do show, mas se fosse uma peça de teatro, com cenários ocupando todo o espaço, as frisas não são os melhores locais. O músico entrou seguido de Gal Costa, em um vestido vermelho e cinza com mangas esvoaçantes. Até então, eu pensava que veria um show baseado no mais recente lançamento de Gal, Recanto, onde todas as músicas são de autoria de Caetano Veloso, mas ela começou cantado Eu Vim da Bahia (Gilberto Gil), passando logo para Azul (Djavan), para delírio de seus muitos fãs que ali marcavam presença. Antes de iniciar a terceira música do set list, ela deu boa noite à plateia, apresentando o violonista Luiz Meira e dizendo que seria um show de voz e violão, quando cantaria uma série de músicas que todos, com certeza, conheciam e saberiam cantar com ela. Foi um desfile de sucessos de sua grande carreira. Mais para o meio do show, ela disse que estava ensaiando o espetáculo baseado em seu cd mais novo e que voltaria à Natal para apresentá-lo àquele público tão carinhoso. Teceu loas à Bossa Nova e a João Gilberto, dizendo que ele era um dos grandes inspiradores na sua carreira. Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi, Moraes Moreira e Caetano Veloso são alguns dos compositores que ela gravou. Muitas destas gravações viraram sucessos na voz de Gal e algumas delas ela apresentou no show como Chega de Saudade e Garota de Ipanema, ambas de Tom Jobim & Vinícius de Moraes, Festa no Interior (Moraes Moreira & Abel Silva), Folhetim (Chico Buarque) e Vatapá (Dorival Caymmi). Assim que terminou de cantar Meu Bem Meu Mal, de Caetano Veloso, ela afirmou que é a cantora que mais gravou Caetano, estatisticamente comprovado. Esta música foi acompanhada o tempo inteiro pela plateia, sendo que Gal deixou o público cantá-la uma grande parte sem sua participação. Se por um lado, um show de grandes sucessos é uma certeza de bom espetáculo, tem sempre este inconveniente de o cantor deixar o público cantar. Mas mesmo não tendo pago para ver um grande coro potiguar cantar alguns sucessos de Gal Costa, o show foi ótimo. A cantora estava bem humorada, conversando muito com o público, fazendo chamegos no músico, tomando água de coco (ela chegou a reclamar, de leve, da produção, pois achou que a água não era natural). Fez questão de falar que sua voz continua a mesma, com todos os agudos de sempre, dando um recado para aqueles que a criticaram dizendo que ela não alcança mais as mesmas notas musicais que alcançava quando era mais jovem. Fez firulas com a voz, como Elza Soares costuma fazer, só que utilizando tons agudos. Outros sucessos interpretados por Gal Costa neste espetáculo foram: Camisa Amarela (Ary Barroso), Sorte (Celso Fonseca & Ronaldo Bastos) e Baby (Caetano Veloso). Um momento lindo do espetáculo foi sua interpretação para Vapor Barato (Jards Macalé & Waly Salomão). Ela provocou o público assim que terminou de interpretar Garota de Ipanema, dizendo que adorava o modo como os potiguares falam Ipanema. Obviamente que ela pediu para que todos repetissem a palavra, sendo atendida em uníssono. Foi o bastante para ela elogiar o sotaque dos presentes e dizer que adora a diversidade de sotaques do Brasil. Neste momento alguém gritou "Você É Linda!". Ela abriu um sorriso, respondeu que aquele elogio ficava mais bonito com o sotaque potiguar, pegou o copo com água de coco e, antes de beber mais um gole, cantou os primeiros versos de Você É Linda, de Caetano Veloso, confessando que achava aquela canção tão bonita, mas nunca a havia gravado. Com uma hora de show, ela se despediu cantando Festa no Interior e Canta Brasil (David Nasser). Aplaudidíssima, deixou o palco para voltar rapidamente devido ao insistente pedido do público. Mais dois sucessos foram cantados: Chuva de Prata (Ed Wilson & Ronaldo Bastos), encerrando com Força Estranha (Caetano Veloso). Fim de um belíssimo show. Foi ótimo rever Gal Costa em cena, em forma e feliz. Voltei para o hotel radiante de ter tido a sorte de conferir este show.

música

domingo, 4 de abril de 2010

FA-TAL GAL A TODO VAPOR - GAL COSTA - DISCOTECA ESSENCIAL (01)


Fa - Tal - Gal a Todo Vapor, Gal Costa no auge da juventude. Voz afinadíssima. Repertório cheio de futuros clássicos da música brasileira, alguns em interpretação definitiva.
Disco de vinil lançado em 1971. Tenho o cd, lançamento de 1993 com uma capa horrorosa, que espero seja corrigida no lançamento da caixa que a Universal promete contendo toda a obra da cantora quando era contratada da Polygram/Philips, incluindo três shows que nunca foram lançados.
São 19 faixas. Acho difícil destacar alguma, pois gosto de todas. Como mencionei os futuros clássicos, os relaciono aqui: Como 2 e 2 (Caetano Veloso); Sua Estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos); Pérola Negra (Luiz Melodia); e Luz do Sol (Carlos Pinto e Wali).

FA - TAL - GAL A TODO VAPOR - GAL COSTA - 1971

terça-feira, 8 de dezembro de 2009