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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

GAL COSTA - SHOW RECANTO


Enfim, o aclamado show Recanto, de Gal Costa, chegou em Brasília. Apresentação única, às 21 horas, no Salão Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, domingo, dia 1º de setembro de 2013. Comprei ingresso para a terceira fileira, poltrona centralizada em relação ao palco, o que me permitiu ter ótima visão da cantora. Pela entrada, paguei R$ 250,00, preço bem salgado, diga-se de passagem. O local estava bem cheio, com lotação praticamente esgotada. Com atraso de dez minutos, Gal Costa e os três músicos que a acompanham, Domenico Lancelotti, Pedro Baby e Bruno Di Lullo, entraram no palco. Nenhum cenário, nenhuma iluminação grandiosa. O que importa no show é a voz, linda como sempre, de Gal e os arranjos moderníssimos para as duas dezenas de canções que ela interpretou magistralmente durante os cerca de 100 minutos de espetáculo, já contado o tempo das quatro músicas do bis. A direção do show é de Caetano Veloso, que embora ausente no dia, tem presença quase que total na autoria das canções do repertório do show. Das 23 músicas, 17 tem Caetano como autor, seja individualmente ou em parceria com alguém. Do mais novo trabalho, o experimental e ótimo Recanto, mesmo nome do show, apenas três músicas ficaram de fora do set list. O que me chamou a atenção é que houve uma mescla de canções do trabalho atual, datado de 2011, com músicas gravadas pela cantora entre 1969 e 1985. Assim que entra no palco, Gal se senta em uma banquinho e canta Da Maior Importância, pinçada do disco Índia, de 1973, em arranjo que conversa claramente com as duas seguintes, Tudo Dói e Recanto Escuro, as duas de seu trabalho de estúdio mais recente. E assim foi durante todo o show. Canções do passado, com arranjos modernos, com músicas de Recanto. Folhetim, de Chico Buarque, a primeira canção do show que não tem Caetano Veloso como autor, mereceu aplausos calorosos da plateia, que, vez ou outra, gritava um "linda!" ou um "maravilhosa!". Barato Total, Dom de Iludir, Baby, Vapor Barato foram outras canções que também fizeram o público explodir em palmas. A interpretação para Neguinho, do disco Recanto, foi a que mais gostei das novas canções. Ao vivo ficou mais vibrante, assim como Miami Maculelê, a última música antes do bis. Antes dela, o destaque ficou para a homenagem que Gal fez para Tim Maia, seu parceiro no dueto de Um Dia de Domingo, mega sucesso radiofônico gravado no disco Bem Bom, de 1985. No show, Gal faz uma espécie de paródia, cantando toda a sequência gravada por Tim em tom grave, mostrando a versatilidade que tem com sua voz. Aplaudidíssima, obviamente. Assim que saiu de cena, o público invadiu o espaço entre o palco e a primeira fileira, pedindo a volta da cantora para o bis, o que ela atendeu de imediato. Claro que ninguém voltou para os lugares, fazendo com que muita gente ficasse de pé para vê-la interpretar mais quatro canções: Mansidão; Força Estranha; Meu Bem, Meu Mal, cujo refrão foi entoado a plenos pulmões pelos que estavam mais à frente, encerrando com Modinha para Gabriela. Durante todo o show uma explosão de flashs se via no teatro. Gal moderna, antenada com os novos tempos e com o que acontece nos grandes shows pelo mundo afora: não houve anúncio de proibição de fotos ou filmagens do espetáculo. Afinal, quem respeita isto hoje com tantos celulares e máquinas digitais com recursos para trabalhar em ambientes bem escuros, sem barulho e sem luzes que incomodam o cantor ou o próprio público? Como todo show que vi de Gal Costa, saí muito satisfeito com o que vi e ouvi. Com tão bela voz e com músicos tão afinados, realmente a falta de cenário não fez nenhuma falta.

música
show

sábado, 15 de outubro de 2011

TIM MAIA - VALE TUDO, O MUSICAL


Final de domingo nublado no Rio de Janeiro. Ideal para ir ao cinema ou ao teatro. Estava em um restaurante no Leblon com Vera, Emi e Rogério, em um almoço longo. Despedimo-nos de Vera, que retornava naquela noite para Brasília, e fomos caminhando até o Shopping Leblon, onde fica o Teatro Oi Casa Grande. A escolha foi ver Tim Maia - Vale Tudo, O Musical, muito badalado pela crítica. A sessão começava às 19 horas e não tínhamos ingresso. Tentamos a sorte. Chegamos quando faltavam vinte minutos para ter início o espetáculo. Não vimos nenhum cambista. Havia duas filas. A maior para a troca de ingressos para quem comprou pela internet e uma menor para os que tentavam comprar entrada de última hora. Era o nosso caso. Ficamos na fila, enquanto uma funcionária do teatro passava avisando que só havia cadeiras extras, ao fundo da plateia, ao preço de R$ 100,00. Perguntei a ela se na posição que estávamos conseguiríamos comprar e se daria tempo para ver o musical. A resposta foi positiva para ambas as perguntas. Emi não queria ver nada e ficou reclamando até desistir, indo embora. Ficamos eu e Rogério. Ficamos bem acomodados, embora em cadeiras não confortáveis, já que eram extras, mas com o mesmo preço das poltronas do teatro. Uma mulher alta estava sentada na última fileira de poltronas à minha frente, mas como as extras ficam encostadas na parede, pude levantar quando ela se mexia (e como ela se mexia!). Houve um atraso de quinze minutos para começar o espetáculo, tempo suficiente para que todos se acomodassem, inclusive os que compravam entradas na fila da última hora. Sempre gostei muito de Tim Maia. Comprava os seus discos em vinil quando era mais jovem e tive uma rara oportunidade de assistir a um show deste ótimo cantor no estacionamento do Minas Shopping em Belo Horizonte, recheado de hits. Quando a era do cd chegou, substitui os LPs que tinha de Tim pelos disquinhos prateados, além de comprar mais alguns que ainda não possuía em minha coleção. As músicas de Tim Maia sempre compuseram trilhas para meu estado de espírito, seja eloquente, bem dançante, quanto mais intimista, com melodias suaves e românticas. Quando ele morreu em 1998 foi um choque para mim, mesmo sabendo que ele abusava de drogas e de bebidas alcoólicas, além da comida em excesso. No caso de Tim, segui a máxima do show business, ou seja, ouça o disco, veja o show, leia o livro. Assim que saiu a biografia do cantor, escrita por Nelson Motta, o livro entrou na minha lista de leitura obrigatória, mas foi na mesma época em que a minha vista começou a ficar cansada e, sem óculos, ficava difícil ler. A solução imediata foi comprar um áudio livro, narrado de forma gostosa por Nelson Motta. Ouvia o livro em minhas viagens aéreas e foi uma "viagem" conhecer a vida deste doidão. Para continuar o mandamento do show business, faltava o musical. Foi o próprio Nelson Motta que adaptou seu texto para o formato de musical, cuja direção coube a João Fonseca. O musical conta os principais fatos da vida de Tim Maia, desde a infância na Zona Norte carioca, quando tinha como amigos Erasmo Carlos, Jorge Benjor, Carlos Imperial e Roberto Carlos, passando pelos tempos em que viveu nos Estados Unidos, onde foi preso e ficou fã da música negra americana, até a volta ao Brasil, o sucesso, a difícil vida amorosa, a formação da Banda Vitória Régia, de sua própria gravadora, o consumo de drogas e álcool, a conversão aos "ensinamentos" contidos no livro Universo em Desencanto, a decepção com esta filosofia, a volta ao sucesso, as faltas recorrentes aos shows e gravações, até sua morte em uma gravação para o Multishow em Niterói. Quem sustenta esta rica história é um elenco de poucos atores-cantores, com destaque para Tiago Abravanel, jovem que encarnou como ninguém o velho e bom Tim Maia. Em certos momentos, a caracterização, a postura cênica e a sua voz davam a impressão de que Tim "baixara" no palco. Os demais atores-cantores são: Isabella Bicalho, Lilian Valeska, André Vieri, Bernardo La Roque, Reiner Tenente, Evelyn Castro, Pablo Ascoli, Aline Wirley e Letícia Pedroza. Todos eles interpretam mais de um personagem, com ótimas atuações, excelente vocal e uma sintonia total com os músicos que integram a banda que dá sustentação rítmica ao musical. As músicas são todas conhecidas e acompanhadas baixinho pela plateia. O legal de tudo é poder identificar o momento pelo qual o cantor passava quando fez suas canções, a maioria delas virando hits imediatos que até hoje são gravados pelo Brasil, como Chocolate, Vale Tudo, Não Quero Dinheiro, Coroné Antônio Bento, A Bela e A Fera, Você, Me Dê Motivo, Azul da Cor do Mar, entre tantas outras. São 150 minutos de espetáculo, com direito a intervalo de quinze minutos, que passam sem se notar de tão envolvente é a encenação. Ao final, um set de grandes sucessos é cantado pelo elenco, já com as luzes acesas, com forte participação da plateia. Gostei muito. Agora falta o filme...


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