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sexta-feira, 22 de abril de 2022

SHOW: PORTAS - MARISA MONTE


Sempre que tive oportunidade, fui a um show de Marisa Monte. Assim que foi anunciada a sua nova turnê, chamada Portas, fiquei atento para os locais e datas das apresentações. Quando abriram as vendas, pelo site Eventim, não gostei do local escolhido para Belo Horizonte, pois seria no Mineirão, no dia 16/04/2022, sábado, às 21:00 horas. Prefiro um local mais confortável. Olhei São Paulo e Brasília, mas ambas eram também em locais tão desconfortáveis quanto: Espaço das Américas e Estádio Mané Garrincha, respectivamente. Fui ver as opções do Mineirão. O mapa do local, que eles chamam de Anfiteatro do Mineirão, indicava quatro tipos de ingressos: cadeira numerada, pista, espaço lounge e cadeira superior. Para mim, sempre que colocam "pista" significa que a pessoa verá o show em pé. Cadeira superior era muito longe do palco. Cadeira numerada era muito caro. Resolvi pensar, só voltando ao site no dia 29/12/2021, quando constatei que grande parte das cadeiras numeradas da parte frontal ao palco já estava vendida. Ainda havia lugares nas duas últimas fileiras. De impulso, comprei duas entradas (R$ 600,00 cada uma, valor de inteira) na fila L, assentos 37 e 39. A taxa de administração era R$ 90,00 por ingresso. O total ficou em R$ 1.380,00, que dividi em quatro vezes, o máximo permitido. Era meu presente de Natal atrasado.

Com os ingressos garantidos, conferi as músicas que Marisa Monte cantaria no show, fazendo uma playlist no Spotify para ouvir até o dia do show. Gosto de saber as canções, se não de cor, pelo menos alguma parte delas. Gastón já gosta de surpresa na hora dos shows. O setlist era longo: 32 músicas, incluindo canções de seu novo álbum, Portas, e vários sucessos da carreira.

Fomos de carro para o Mineirão, pois sabemos que é fácil e prático deixar no estacionamento coberto do estádio, cujo preço é único, R$ 30,00, por todo o período estacionado. Nossos amigos Murilo e Ruan compraram os ingressos na semana anterior ao show para o setor "pista". Eles foram mais cedo e nos enviaram mensagem, dizendo que "pista" na verdade era o setor da geral do Mineirão, ou seja, veriam o show sentadinhos. Como chegaram cedo, puderam eleger um bom local para se acomodarem. Chegamos nas imediações do Mineirão às 20:10 horas e enfrentamos uma fila de carros para entrar no estacionamento. Sempre há aqueles engraçadinhos que tentam furar a fila. Um deles parou ao nosso lado pedindo para entrar. Gastón fez um gesto negativo. O cara arrancou cantando pneu, foi mais à frente, quase bateu o carro e conseguiu furar a fila. Ficamos observando que os motoristas que faziam isso dirigiam carros de luxo. A elite é um horror. Voltemos ao show. Estacionamos meia hora depois de entrar na fila, mas sem estresse. Na entrada, pagamos os R$ 30,00, o que facilita na hora de ir embora. O acesso se dava por dentro do próprio estacionamento. Estava bem organizado, sem filas. Pediam para colocar a máscara (nós já estávamos com elas) e mostrar o ingresso. Nada de mostrar o comprovante de vacinação contra a covid 19. Subimos as escadas, saindo na esplanada do Mineirão. Uma pessoa indicava onde era a entrada para as cadeiras numeradas: Porta B. Nessa porta, leram o código de nossos ingressos e nos colocaram uma pulseira, alertando que não podíamos retirá-la. Depois da entrada, mais uma pessoa indicando para onde ir. Descemos um lance de escada, chegando ao corredor de acesso ao setor para o qual compramos ingressos. Havia um bar, alguns caixas móveis, uma pequena fila para comprar bebidas. Aproveitei para ir ao banheiro. O acesso se dava por um setor das cadeiras da geral, para onde não houve venda de ingressos. Eu não sabia o que seria o tal anfiteatro do Mineirão. Na verdade, o palco é montado no gramado, na altura do gol que fica para o lado sul da cidade, virado para a geral/arquibancada. As cadeiras, todas no mesmo nível, foram montadas ainda no gramado, na parte detrás do gol, mas por cima de um tablado para não estragar a grama. A tal "pista" era, como meus amigos disseram, o setor das cadeiras da geral, enquanto a cadeira superior ficava na arquibancada. Já tinha um público enorme e chegava mais e mais gente.

O palco poderia ser um pouco mais alto, pois como estava, as pessoas de estatura mais baixa teriam problemas de visão quando sentados nas cadeiras. Outro problema era para quem pagou caro para ficar em cadeiras numeradas que não tinham uma visão integral do palco. A lua iluminava o Mineirão de uma forma espetacular. Gastón levantou para comprar cerveja. Voltou com um copo descartável com a bebida e uma ficha para quando eu quisesse tomar um refrigerante. Preços bem salgados. Um refrigerante custava R$ 10,00 e a cerveja, R$ 15,00. Deu 21:00 horas. Nada do show começar. O público aproveitava o atraso e comprava bebidas. Era engraçado ver gente levando para seu lugar balde com gelo, taças de acrílico e garrafa de vinho. Quase 21:30 horas, um aviso no telão indicava que o show começaria em 2 minutos. Tempo para todos se acomodarem. As luzes se apagaram. Às 21:30 horas os músicos entraram no palco. Todos vestidos de preto. Maria Monte apareceu em um vestido com capa brilhante e uma linda tiara, também brilhante, no fundo do palco, em uma plataforma, cantando Pelo Tempo Que Durar. Muitos apupos, aplausos, gritos. Ali começava um show bem concebido, milimetricamente organizado. Marisa Monte sempre gostou de seguir um roteiro certinho, sem improvisações, com muita qualidade. O que não estava bem no início do show era o volume do seu microfone. Dependendo de como virava a cabeça, sua voz ficava mais baixa. Isso foi resolvido ao longo do espetáculo. Não sei se foi coincidência ou não, mas melhorou depois que ela aproximou a boca do microfone e cantou bem forte, quase gritando.


Para cada música havia uma projeção no palco, algumas delas com ótima ilusão de ótica. Teve uma projeção que simulava o palco como se estivesse dentro de uma caixa de papelão. Lúdico.

Marisa Monte desfilou sucessos recentes e antigos, incluindo os da fase Tribalistas. Cantou Portas, Maria de Verdade, Vilarejo, Infinito Particular, Praia Vermelha, Beija Eu, Ainda Lembro, Depois, Na Estrada, Seo Zé, Velha Infância, Lenda das Sereias, O Que Me Importa, Vento Sardo, entre outras. Também trocou de figurino umas cinco vezes.

Apresentou os integrantes da banda em momentos distintos. Só feras. Entre eles, Dadi, Pretinho da Serrinha, Davi Moraes, Chico Brown e Pupilo.

Como eu já esperava, já tinha mais da metade do show quando gritos de fora bozo ecoaram no estádio. Ela, usando de uma fina diplomacia, sabendo o público que tem, disse que ele nem deveria ter entrado, emendando que ela era Portela e que Pretinho da Serrinha era Império Serrano, mas eles não polarizavam. Podia parecer posição tucana, aquela sempre encima do muro, mas passou o recado de qual lado da polarização ela estava, pois deu um viva à democracia, um viva ao meio ambiente e um viva à natureza. Só não entendeu quem não quis entender.

Também agradeceu a presença de todos, enfatizando a alegria de estar no palco novamente depois de dois anos críticos por causa da pandemia. Enfatizou a importância da ciência e da vacina.

Logo na segunda música, várias pessoas baixinhas tinham deixado seus lugares sentados para se posicionar atrás da última fila de cadeiras, ficando em pé durante todo o show.

Com sede, por volta da metade do show, levantei para buscar meu refrigerante. Havia um bar montado no lado esquerdo do palco. Não perdi nenhum momento do espetáculo. Voltei para meu lugar com um copo descartável com guaraná.

Marisa Monte terminou o show com a música Magamalabares, do disco Barulhinho Bom. O público já estava todo de pé dançando. Voltou para o bis, como era esperado, cantando mais quatro músicas. A ótima versão para Comida, sucesso dos Titãs gravado por ela em seu primeiro álbum, Pra Melhorar, do novo álbum Portas, Já Sei Namorar, primeiro hit dos Tribalistas, terminando como tem feito em seus shows cantando, à capela, Bem Que Se Quis, deixando o público terminar a canção enquanto se despede do palco.

Ao todo foram 32 músicas, na ordem exata do setlist que eu havia consultado quando comprei os ingressos. Prova que a cantora realmente gosta de organização em seus shows, seguindo corretamente o roteiro do espetáculo.

Gostei do show e aprendi que em shows no Anfiteatro do Mineirão, o melhor é comprar "pista", chegar cedo e se acomodar em uma das cadeiras da geral. Não quero de novo pagar caro para sentar em cadeiras do tipo daquelas usadas em seminários e congressos realizados em hotéis, com todas as fileiras no mesmo nível, dificultando a visão do palco. De qualquer forma, continuo preferindo teatros com poltronas confortáveis para este tipo de show apresentado por Marisa Monte.

Combinei com meus amigos de nos encontrarmos no estacionamento do Mineirão para dar carona a eles, mas entenderam mal, saindo do estádio. Recombinamos, pegando os dois em frente ao Centro Esportivo Universitário, em frente ao Mineirão. De lá, fomos para o Chopp da Fábrica da Avenida do Contorno, em Santa Efigênia, terminando a noite com um belo prato de mexidão com ovo frito.

domingo, 17 de abril de 2022

BREVE FESTIVAL - 09 DE ABRIL DE 2022


Quem me conhece sabe que consumo muita cultura. Estava há muito com uma vontade tremenda de aglomerar. Com quatro doses de vacina contra a covid, não tive dúvidas em comprar ingresso para o Breve Festival para o dia 09 de abril de 2022, um sábado, com doze horas de shows. O line-up era cabuloso: Grande Encontro (Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença), Gloria Groove, Ludmilla, Céu, Tropikillaz, Àttooxxá, Gal Costa, Silva, Ney Matogrosso, Duda Beat, Lamparina e A Primavera, Djonga, Pitty, Tuyo, Racionais MC's, entre outros nomes. Quatro palcos ocupando toda a Esplanada do Mineirão e uma parte do interior do estádio. Comprei as entradas no aplicativo da Sympla, pagando por dois ingressos R$ 396,00, pista, meia entrada social, mediante a doação de um quilo de alimentos por ingresso entregues na entrada do evento.
Sabendo das dificuldades para achar condução na hora de ir embora do Mineirão, fomos de carro. Assim que saiu os horários dos shows, vimos que Lamparina e A Primavera, uma de nossas bandas favoritas, se apresentaria às 13:50 horas. Decidimos sair de casa por volta de meio dia. O trajeto foi muito tranquilo, sem trânsito. Nas avenidas no entorno do Mineirão o movimento ainda era pequeno. Já experientes, deixamos o carro no estacionamento coberto do estádio. O preço é fixo e único, R$ 30,00 por todo o período do evento, com a ressalva que fecha às 02:00 horas da madrugada. Conhecidos nossos nos contaram que os flanelinhas estavam pedindo R$ 50,00 para "vigiar" o carro para quem estacionou na rua, em local público e gratuito. Não havia acesso à esplanada pelo estacionamento, motivo pelo qual tivemos que caminhar um pouquinho, pois a entrada para quem tinha comprado ingresso para pista era na parte sul do estádio. Eu estava com uma mochila onde coloquei uma toalha (o tempo indicava chuva), uma camisa de manga curta (fui com camisa de manga longa com proteção contra os raios solares), protetor solar, capa de chuva, plástico para colocar coisas molhadas, dois pacotes de biscoito Goiabinha, lenços umedecidos para necessidade urgentes, carregador extra de celular e duas cangas, caso necessitasse sentar no chão.
Chegando ao acesso, havia muita gente, mas ninguém formava fila, pois estavam esperando outras pessoas. Gastón aproveitou para comprar Halls e cigarro de palha na mão de um ambulante. No portal, uma mulher indicava para onde ir para quem tinha ingresso de pista ou de open bar. Entramos por um organizador de filas feito com grades de ferro enorme. No vai e vem já nos divertíamos com os jovens, que eram bem livres no vestir, na maquiagem e nos enfeites de cabelo. Galera LGBTQIA+ em peso. No meio do organizador, outra mulher pedia para todos colocarem nas mãos o ingresso, um documento de identidade com foto e o comprovante de vacinação completo contra a covid. Mais à frente, era o posto onde recolhiam o alimento para quem comprou entrada social. Levamos dois quilos de arroz Tio João. Continuamos a andar no vai e vem até a entrada real do evento, onde fomos revistados, pediram para eu abrir minha mochila, deram uma olhada por cima, perguntaram se havia algum instrumento perfurocortante, me liberando para a leitura do ingresso. A atendente leu os dois ingressos que estavam no meu celular e passamos. Falha 1: ninguém pediu o comprovante de vacinação.
Subimos os degraus da entrada sul do Mineirão, quando vimos um verdadeiro exército de caixas móveis, todos vestidos de preto com um círculo por cima da cabeça, preso na mochila que carregavam. Paramos para comprar fichas, quando descobrimos que o evento era cashless, ou seja, dinheiro em espécie não seria aceito. Não havia fichas, mas sim um cartão magnético que carregávamos e recarregávamos na medida em que precisasse. Pendurado na pochete do caixa móvel havia um cardápio. Falha 2: não havia preços de água e refrigerante no cardápio e o caixa não sabia informar. Decidimos carregar um único cartão para nós dois. Fizemos uma carga inicial de R$ 60,00, mas sabíamos que não seria suficiente, pois uma única lata de cerveja de 350 ml Amstel custava R$ 14,00! Para carregar o cartão magnético, era necessário fornecer o número do CPF. O caixa, ao ouvir Gastón falar, que estava com o cartão de crédito para pagar a carga, virou para mim, pedindo meu CPF. Eu disse que Gastón também tinha CPF. Ele riu, se desculpou dizendo que pelo sotaque achou que ele não teria e inseriu o número de Gastón na máquina, carregou o cartão magnético e informou que podíamos consultar o nosso saldo em qualquer caixa dos bares. Peguei o comprovante da carga e fomos conhecer o espaço. Logo à esquerda, após as escadas, estava o primeiro palco, o de nome Amstel, onde seria o show da Lamparina. Eram 12:55 horas. Faltava quase uma hora para o show. Fomos caminhar pela esplanada. Algumas intervenções artísticas no caminho eram bem instagramáveis, o que de fato constatamos ao longo do tempo em que lá ficamos. O outro palco, chamado Breve, ficava no lado oposto do Amstel, na Esplanada Norte, de onde também se via a área open bar coberta (também havia uma área open bar no primeiro palco). Em frente ao palco Breve, era o acesso ao palco Breve Club, de música eletrônica, que ficava em uma parte do gramado do Mineirão. Algumas cadeiras da geral eram acessíveis, bom lugar para um descanso, inclusive protegido da chuva. Também tínhamos acesso aos banheiros desta parte do Mineirão. Antes de descer para o palco eletrônico, paramos em um bar montado na área interna do estádio para comprar uma cerveja e uma garrafa de água, além de um copo reutilizável que segundo publicação do perfil do festival do Instagram o valor seria devolvido caso quem comprou quisesse fazê-lo. Ao saber o valor da garrafa de água, levei um susto: R$ 8,00. O copo também custava R$ 8,00. Perguntei onde poderia devolvê-lo ao final do evento. Uma atendente disse que não sabia, mas que deveria ser na parte superior da esplanada, enquanto a outra disse que não existia devolução. Recebi o comprovante da compra e verifiquei que faltavam R$ 7,00. Ao pegar o primeiro comprovante, uma surpresa, pois cobraram no momento da carga inicial, R$ 7,00 como ativação do cartão. Falha 3: não avisaram no momento da carga inicial sobre o valor da ativação. Como não era possível fazer compras no espaço do evento sem o tal cartão magnético, fica evidente que foi uma compra casada, proibido na legislação brasileira. Falha 4: a desinformação que imperou entre as pessoas que trabalhavam no evento.
Fomos para o palco de música eletrônica. Tinha pouca gente dançando. Tiramos algumas fotos, sacudi um pouco o esqueleto, mas música eletrônica me cansa muito rápido, pois a batida é a mesma, um looping sem fim. Era hora de ir para o palco Amstel conferir o show da Lamparina e A Primavera. No caminho, muita gente fazendo poses e mais poses para fotos nas intervenções artísticas. Já tinha um bom público em frente ao palco, mas ainda era tranquilo dançar e transitar entre as pessoas.
O show começou no horário, às 13:50 horas a banda soltou os primeiros acordes. Foi uma delícia de apresentação. Interação banda-público desde a primeira música. O som tinha alguns problemas, nem sempre se entendia o que a vocalista cantava, além de um zumbido incômodo saía de vez em quando das caixas acústicas. Mas como a maioria sabia todas as músicas de cor, foi uma festa. E teve o momento fora bozo, que foi intenso. Dancei e cantei muito, mesmo debaixo de uma chuva fina e insistente. Vesti minha capa de chuva e continuei aproveitando a apresentação. Terminado o show, já fomos direto para o palco Breve, onde tinha início o vibrante show do Djonga. Ele e seus dançarinos entraram com a camisa da seleção brasileira, em um claro recado aos conservadores que se apropriaram da camisa de que aquele símbolo era de todos nós. Mais um enorme fora bozo ecoou no ar. O povo cantava junto todas as canções de Djonga. Não vimos todo o show porque queríamos ver Céu e Tropikillaz no palco Amstel e o início dele chocava com a meia fora final do show de Djonga. Isto ocorreu em vários shows, ainda mais que havia quatro palcos e muitas atrações.
Céu também começou o show super no horário. Ela entrou no palco apenas com os dois DJs do Tropikillaz e cantou muito reggae e sucessos de sua carreira, como Menino Bonito, cantada em uníssono pela plateia, que também soltou um fora bozo. O show de Céu foi curto, mas bem dançante, Durou quarenta minutos. Os vinte minutos finais ficou por conta do duo de DJs que emendou sucessos do pop com arranjos próprios, incluindo sucesso de Lil Nas X, que levou a plateia ao delírio. O local começava a ficar muito cheio. Distanciamos um pouco do palco. Conseguimos sentar em um dos raros bancos de concreto que existem na esplanada, em uma posição que dava para ver o show. Em frente, havia um bar, onde comprei um refrigerante. Só tinha refri da marca Fys, por R$ 10,00 a lata. Pedi um no sabor limão siciliano. Horrível, muito doce. Neste momento, já mais de 16:30 horas, aproveitei que estava sentado e troquei a camisa de manga longa por uma camisa de malha de manga curta, tirei um pacote de Goabinha para comer e Gastón foi ao banheiro. Fiquei esperando sentadinho. O público só aumentava. Comer o biscoito me abriu o apetite. Queria comer alguma coisa salgada, mas só via carrinhos de pipoca. Acabei comprando um saco por exorbitantes R$ 25,00. Perguntei a um segurança onde ficava a praça de alimentação e ele não soube me responder. No bar, apontaram para a direção do palco Breve. Não havia placa de sinalização para indicar onde ir. Talvez os organizadores pensaram que não precisava, pois o mapa estava no Instagram do festival. Acontece que é público e notório para quem frequenta o Mineirão que os celulares ficam quase mortos quando há muita gente no local. Acessar internet era uma saga. E mapas desenhados sem escala não são precisos em indicações, ainda mais em local com rampas e escadas. Falha 5: não haver sinalização adequada na esplanada.
Gastón demorava tanto que resolvi mandar mensagem, mas nada de WhatsApp funcionar. Liguei e ele atendeu de pronto. Disse que a fila para os banheiros químicos era surreal e que ainda faltavam cinco pessoas para chegar a vez dele. Continuei esperando. O público crescia mais e mais, já dificultando transitar onde eu estava. Gastón chegou quando Duda Beat já tinha iniciado seu show. Ele me contou que para chegar onde eu estava, teve que atravessar uma multidão. Perdemos o show do Silva no palco Breve. Resolvemos ver Duda Beat. Coloquei a máscara para atravessar o público. Conseguimos achar um local muito distante do palco Amstel, vendo o show pelos telões. Duda toda de vermelho e mais um sonoro fora bozo, que foi a tônica em todos os shows. Começou a ficar apertado demais, com as pessoas muito encostadas umas nas outras. Muita gente reclamando da fila que enfrentaram para entrar no festival e da quantidade absurda de gente no local. Falha 6: lotação excessiva.
Resolvemos sair do show de Duda Beat para comer alguma coisa antes do início do show de Ludmilla, no palco Breve. Carregamos o cartão magnético com mais R$ 50,00, quando perguntei para o caixa móvel onde ficava a praça de alimentação. Ele me disse que era embaixo, mas não sabia como fazia para chegar até lá. Como sabia de uma rampa em frente ao portão B do Mineirão, fomos para aquela direção, perguntando para um segurança que também não soube informar onde a praça ficava. Resolvemos descer a rampa, que só tinha uma enorme placa indicando uma saída. Mas vimos duas pessoas subindo a rampa com cachorro quente nas mãos. Estávamos na direção certa. Quando a rampa terminou, à direita era o estacionamento, onde foi instalada uma boa praça de alimentação, com várias opções de comida, inclusive para os veganos, mesas coletivas para se sentar e mesas menores altas, usadas como apoio. Também no mesmo estacionamento, banheiros químicos sem nenhuma fila. Os preços da comida eram exorbitantes. Um cachorro quente custava R$ 15,00 e só vinha com pão, salsicha quase sem molho, um creme horrível de queijo cheddar (com gosto de plástico) e batata palha. Compramos assim mesmo. Gastón ainda comeu um mexidão, que estava razoável, cujo valor era R$ 25,00. Foi um momento também de ficar sentado, sem tumulto de gente e ir ao banheiro. Na parte inferior também ficava o palco Radar, onde tocaria Majur, que substituiu de última hora Tuyo, pois um dos seus integrantes tinha testado positivo para covid, mas seu show chocava com o de Ludmilla. Voltamos para a parte superior em direção ao palco Breve. Estava lotadíssimo. Nesta hora, decidimos que não transitaríamos mais entre os palcos, focando nos shows que ainda aconteceriam no Breve. Ficamos atrás da torre de iluminação, onde ainda era possível dançar, mas não tinha uma boa visão do palco. Vimos o show pelos telões. Ludmilla entregou uma performance maravilhosa, colocando todo mundo para dançar e cantar sem parar. Sucessão de hits. Perfeita no palco. Assim que terminou, e estando perto do acesso ao palco Breve Club, entramos nas dependências do Mineirão para usar o banheiro e descansar nas cadeiras da geral, em parte aberta ao público. Ali descansamos até a hora de iniciar o show de Gal Costa, também no palco Breve. Ficamos, desta vez, na lateral direita, encostados na grade que separava a área vip, com boa visão do palco. Foi um show lindo e dançante. Paula e Bebeto foi cantada por todos. Um hino ao amor sem amarras, sem gêneros, plural. Já no final, com a plateia gritando fora bozo, Gal cantou a contagiante e super atual Brasil, de Cazuza. Delírio coletivo. Show muito bom. As pernas já não aguentavam mais ficar de pé, a coluna doía.
Mais uma vez voltamos para as cadeiras da geral do Mineirão. Dois brigadistas passavam. Aproveitamos para perguntar onde ficava a saída mais próxima e, para nossa surpresa, eles não sabiam, pedindo para perguntar aos seguranças que controlavam a entrada da área do open bar, que também não souberam informar. Falha 7: brigadistas que não sabem o básico, ou seja, as saídas do local, não são brigadistas. Passamos pelo bar dento do Mineirão, compramos mais uma água e fomos descansar nas cadeiras. Às 21:00 horas, voltamos para a esplanada para ver Gloria Groove. Era um show super esperado por mim. Voltamos a ficar no mesmo local em que estávamos no show anterior, mas já estava muito apertado. Gastón foi complementar o cartão magnético para comprar um gin tônica, não deixando nenhum saldo no cartão. Ele detestou o drinque, visivelmente feito por quem nunca tinha feito um drinque na vida, além do absurdo do valor: R$ 36,00. Ele teve que completar o cartão mais uma vez com R$ 10,00 para comprar um Fys de limão siciliano para amenizar o drinque. Saldo zero no cartão. O microfone de Gloria Groove estava com problema, o povo gritava para aumentar o volume do microfone, ela não entendia nada e seguia cantando. Não dava para ouvir nada o que cantava. Falha 8: problemas no som não resolvidos durante os shows nos palcos Amstel e Breve. Decidimos ir embora. Havia uma placa indicando saída na esquerda do palco, mas não havia saída ali. Falha 9: placa indicando saída onde ela não existia. Não sei como o Corpo de Bombeiros concedeu alvará para o evento. Foi um custo atravessar o público. Conseguimos, enfim, sair da multidão. No Amstel, uma galera esperava o último show da noite naquele palco, Racionais MC's. Passamos direto. Perguntei a várias pessoas que trabalhavam no evento onde poderia devolver o cartão e o copo. Ninguém soube informar. Não havia nenhuma indicação onde fazer essa troca. Resolvemos ir embora. Caminhamos até o estacionamento pelo lado de fora do Mineirão. Quando sentei no carro, foi um alívio para as costas. Eram 22:00 horas em ponto quando deixamos o estádio. No caminho de volta, com muita fome, paramos para comprar pizza e levemos para casa. Chegando no lar doce lar, comi, tomei um Dorflex, um banho relaxante e capotei na cama.
No dia seguinte, fui ler os comentários no perfil do festival no Instagram. A esmagadora maioria elogiava os artistas, mas reclamava muito da falta de organização da Bebox, empresa responsável pelo festival. Filas imensas para tudo, lotação excessiva, venda casada do cartão magnético, falta de informações de como receber o saldo do cartão, cobrança de R$ 7,00 para ativar o cartão, cobrança de R$ 7,00 para devolver o saldo existente no cartão, sinalização quase inexistente, placa indicando saída onde ela não existia, preços abusivos, problemas no som dos palcos Amstel e Breve, falta de praça de alimentação (o pessoal não conseguiu achar onde era). Quando vi que o perfil colocou que foram três anos de organização e que se desculpava pelos infortúnios, meu sangue ferveu e escrevi um textão. Para minha surpresa, quando acessei o perfil três dias depois para ver se responderam algo, tinham apagado o que escrevi, assim como a postagem de várias outras pessoas. Mas o povo é insistente e escreveu tudo de novo. Muitos reclamando da compra casada e a organizadora do festival se isentando, colocando a responsabilidade na empresa de cashless, como se ela não a tivesse contratado e tivesse oferecido outras opções para quem não queria o cartão. Em tempos de Pix, colocar um cartão com cobrança para ativação é um absurdo e uma extorsão. Conheço pessoas que já ingressaram no Procom pedindo o ressarcimento da taxa de ativação do cartão e do copo. Como o público foi de aproximadamente 50.000 pessoas, imaginem o quanto a empresa lucrou com os tais R$ 7,00 de cada cartão, fora a porcentagem que ela deve ter cobrado na venda de bebidas e alimentação.
Agora, antes de comprar entrada para os eventos de porte, verificarei quem é a produtora/organizadora. Se for a Bebox, não me pega tão cedo.

sábado, 16 de abril de 2022

SHOW: MEU COCO - CAETANO VELOSO


Caetano Veloso
estreou Meu Coco, sua nova turnê, em Belo Horizonte, no Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes, na sexta-feira, dia 01º de abril de 2022. Era sessão extra, pois os ingressos para o que seria a data da estreia, no sábado, tinham se esgotado. Assim que vi a postagem do show extra no Instagram, que tem acertado muito o algoritmo para mim, acessei o site da Eventim e garanti meu ingresso. Era dia 29/12/2021. Havia poucos lugares disponíveis, somente na plateia II, nas últimas fileiras. Gosto de sentar na poltrona da beirada. Consegui comprar na penúltima fileira, MM, na beirada. Paguei pelo ingresso R$ 429,00, valor de inteira.
Ultimamente tenho preferido ir de táxi para os eventos, mas desta vez, resolvi ir de carro. Sai mais cedo para encontrar um local fácil para estacionar. Sempre gosto de parar perto da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, pois é certo achar vaga e não tem, até hoje, flanelinhas tentando te extorquir. Estacionei exatamente em frente à igreja. Coloquei minha máscara PFF2 e caminhei duas quadras e meia até o Palácio das Artes. Eram 20:15 horas. O hall já estava repleto de gente, todos usando corretamente as máscaras, cobrindo nariz e boca por completo. Seis filas para entrar, o que deu celeridade na leitura dos ingressos.
Muita gente conversando e bebendo no foyer. Passei direto, entrando no teatro. Já sabia onde ficava meu assento. Assim que me acomodei, soou o primeiro sinal. O teatro ainda estava bem vazio, mas sabia que os ingressos para essa sessão também estavam esgotados, tendo sido aberta mais uma sessão extra para o domingo.
Faltavam 15 minutos para às 21:00 horas quando soou o segundo sinal. Ainda tinha muito lugar vazio. Às 21:00 horas começou a publicidade dos patrocinadores no telão, além de anúncios sobre segurança, covid 19 e ficha técnica do show. As luzes foram se apagando lentamente. Uma turba de gente desesperada começou a entrar. Fiquei a me perguntar porque deixar para entrar na última hora e ainda ficar procurando o lugar à meia luz, atrapalhando quem já estava assentado. O terceiro sinal tocou, as luzes se apagaram e um canhão de luz focou Caetano Veloso no centro do palco usando um terno branco. Plateia delirante com muitos celulares posicionados para gravar. Momento para stories nas redes sociais. Outra pergunta que me fiz foi porque tem pessoas que compram ingressos para filmar quase todo o show à distância, com pouca iluminação. Será que depois de gravado assistem?
Caetano emendou três músicas de seu novo álbum, Meu Coco. Cantou Avarandado, Meu Coco e Anjos Tronchos. Nesta última dançou de forma desconjuntada, me lembrando de Arnaldo Antunes no palco. Recheou o show com músicas clássicas de seu vasto repertório, muitas delas cantadas em coro pela plateia, como Baby, Menino do Rio e Cajuína.
Em vários momentos do show, os irritantes berros de "eu te amo!", "lindo", "casa comigo". Cada dia fico mais impaciente com esses gritos em shows.
A cozinha instrumental tinha uma forte verve de percussão, com Pretinho da Serrinha arrasando como sempre.
Vários gritos de fora bozo! foram ouvidos na plateia. Em um deles, Caetano sentado com seu violão nas mãos, como que aguardando o coro, a maioria dos presentes gritou a plenos pulmões o desejo de ficar livre desse bozo. Caetano respondeu ao coro com um sereno e firme "sem sombra de dúvidas". A plateia foi à loucura.
Fez várias pausas para contar histórias de seus quase oitenta anos de vida. Disse que não era um show autobiográfico, mas que havia canções autobiográficas, contou histórias sobre as bandas com as quais tocou e gravou, como A Outra Banda da Terra, Banda Nova e Banda Cê, sobre sua parceria com Jaques Morelembaum, sobre o R retroflexo, cantando toda a canção A outra banda da terra com o tal R retroflexo (aquele R puxado falado no interior de Minas Gerais e de São Paulo).
Fez uma bela homenagem ao artista visual Hélio Eichbauer, já falecido, que fez a concepção do cenário do show Meu Coco. Diga-se, de passagem, que o cenário é simples e envolvente: uma figura geométrica pendurada no centro do placo cuja forma é alterada dependendo da iluminação sobre ela em cada música.
Finalizou com Lua de São Jorge, quando a galera não se conteve, ficou de pé e começou a dançar. Obviamente que ele voltou para o já aguardado bis, quando cantou mais três músicas: Mansidão, Odara e Noite de Cristal. Ninguém ficou sentado.
Como estava bem próximo da saída do teatro, fui um dos primeiros a deixar o Palácio das Artes. Feliz por ter visto esse histórico show de Caetano Veloso. Voltei para casa ouvindo Meu Coco no carro.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

FABIANA COZZA - SAMBA DE BAMBA

Desde março acontece na Caixa Cultural de Brasília, uma vez por mês, um show do projeto Samba de Bamba. A ideia é levar ao palco do Teatro da Caixa um sambista da nova geração para apresentar seu trabalho ao público da cidade. Por vários motivos não consegui ir em nenhum dos shows realizados de março a agosto. Para setembro, comprei ingresso para ver a paulistana Fabiana Cozza, intérprete de sambas que já tinha visto anteriormente em show no CCBB.
Terça-feira, 09 de setembro, 20 horas. Com ingressos esgotados, formou-se uma fila em frente à bilheteria. Era a turma que aguardava as desistências daqueles que receberam convites e que não foram trocar pelo ingresso. O teatro estava bem cheio, mas como ficaram algumas cadeiras vazias, conclui que todos da fila conseguiram entrar. O show começou com apenas dez minutos de atraso. A cantora entoou os primeiros versos ainda com as cortinas fechadas. No palco, cinco músicos acompanhavam Cozza em show baseado em seu mais recente trabalho, Canto Sagrado, todo ele dedicado à cantora Clara Nunes.
E foi justamente esta homenagem à sambista mineira que me fez ficar com um pé atrás em relação ao que ia ver na Caixa Cultural, pois depois que ouvi e vi Mariene de Castro prestar tributo à Clara Nunes em seu show Ser de Luz, fiquei tão tocado com sua interpretação que achava difícil alguém superá-la. Fabiana Cozza não superou, mas chegou bem perto disto. O show é completamente diferente, embora algumas canções sejam as mesmas. Cozza iniciou contida, cantando à capela, centrada no palco, em uma espécie de reverência à homenageada, mas ao longo do show, sua performance em cena, fato comum na sambista, foi ganhando corpo, dando novas roupagens às músicas eternizadas por Clara Nunes.
O show me fisgou a partir da canção O Mar Serenou (Candeia). Vieram outras ótimas performances e belas interpretações de Fabiana Cozza para Meu Sapato Já Furou, Lama, Feira de Mangaio, Candongueiro, Conto de Areia, entre outras. O público correspondia acompanhando o ritmo com palmas e sambando com a "cabeça". Ouviu-se um grito aqui e ali de "poderosa!", "luxuosíssima! ou "maravilhosa".
Ao final, ela agradeceu a presença do público, fez algumas brincadeiras com a seca de Brasília (durante o show ela pára várias vezes para beber água) e disse que estaria no hall do teatro para fotos, autógrafos (CD e DVD vendidos na saída do show) e bate papo com quem quisesse esperá-la.
Ainda sob o impacto do samba, eu, Karina e Allan resolvemos ir para o Outro Calaf, onde toda terça-feira o grupo Adora Roda faz uma apresentação ao vivo cantando sambas do vasto repertório nacional.
Terça-feira foi dia de sambar.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TOUR DALE - FINLÂNDIA


Sem compromissos para a última quarta-feira de janeiro, vi no jornal que estava em cartaz no Teatro da Caixa Cultural o show do duo Finlândia. Resolvi passar na bilheteria do teatro antes de seguir para o trabalho, conseguindo comprar um ingresso para a quarta fileira para a noite daquele mesmo dia. Comprei uma meia entrada, por R$ 5,00, com a indicação de que deveria doar um livro. Ao chegar no teatro, vi que esqueci do tal livrro, tendo que passar na bilheteria e complementar o valor para a inteira. Ingresso carimbado, entei no teatro. Palco simples, sem nenhum adereço, apenas os instrumentos musicais dos dois músicos. Um é argentino, Maurício Candussi, e o outro é brasileiro, Raphael Evangelista. Eles estavam lançando o quarto disco naquela turnê. O tour chama-se Tour Dale. O repertório é quase todo instrumental. Enquanto o argentino fica com os teclados, o acordeão e a base eletrônica, o brasileiro toca o violoncelo devidamente plugado. O show me surpreendeu. Ritmos da América Latina dominaram o repertório, com influências de ritmos de todas as partes do mundo, dando vontade de sair da poltrona para dançar. Ouvimos rumba, salsa, zouk, cumbia, murga, frevo, baião, forró, samba, além de algumas misturas inusitadas como o forró com o tango. O show é algo astral, cabendo ao brasileiro o contato com o público. No meio do espetáculo, uma surpresa para nós, quando foi chamado ao palco André González, vocalista da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju para uma participação especial, cantando uma bela canção. Foi um belo show. Gostei muito.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

STEVIE WONDER - CIRCUITO BANCO DO BRASIL

Confesso que não sou fã de Stevie Wonder e que tinha comprado o ingresso para o Circuito Banco do Brasil, realizado no dia 07 de dezembro de 2013 no estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, pela companhia das minhas amigas, bem como pelo show de Ivete Sangalo. Conheço poucas músicas deste ícone da canção americana, apenas seus maiores sucessos, como I Just Called to Say I Love You. Assim, tinha poucas expectativas quanto ao principal show da noite. Quando Ivete Sangalo deixou o palco principal, resolvi seguir minhas amigas, assentando no chão imundo do local para descansar pernas e costas. Ficamos sentados por uns quarenta minutos. O início do último show do palco principal estava previsto para começar às 23:40 horas, mas Stevie Wonder e banda só entraram em cena às 00:15 horas. Wonder entrou caminhando pelo lado esquerdo do palco, tocando um instrumento, com um largo sorriso estampado no rosto, indo bem devagar até o centro, onde pegou o microfone e saudou o público de Brasília, dizendo que estava muito satisfeito de tocar na cidade pela primeira vez. A primeira canção de seu show foi um cover de Marvin Gaye, How Sweet It Is (To Be Loved By You). Ele prolongou demais a música, com repetições quase infinitas do refrão, com muitos solos de instrumentos musicais de integrantes da banda, e com vocalises para o público repetir. Achei cansativo. Nesta altura, Wonder já brilhava no piano e na gaita. Mais um cover apareceu em seguida, desta vez de Michael Jackson, The Way You Make Me Feel. Novamente ele esticou muito a interpretação, repetindo inúmeras vezes o refrão. Parecia uma jam session, com tantos improvisos no palco. A interpretação seca, sem as firulas, para o sucesso de Jackson me agradou. Já ia dar meia hora de show e ainda nem tínhamos chegado na quarta música. Eu teria que estar no aeroporto às 4 horas da madrugada, pois tinha viagem para Lima, Peru. Fiquei preocupado com a hora, pois ainda não tinha arrumado mala. Veio a quinta música, mais uma do repertório do cantor. O relógio já marcava mais de uma hora da manhã. Era hora de ir embora. Despedi-me das amigas e, sem pressa, rumei para a saída. Fiquei surpreso por ver muita gente estar deixando o local naquela hora. Ouvia alguns comentários sobre não estar gostando do show de Wonder. A maioria que emitia esta opinião era jovem. Já do lado de fora, caminhando em direção ao local onde tinha estacionado o meu carro, ainda ouvi a interpretação de Wonder para Don't You Worry 'bout A Thing. Acho que presenciei a metade do show de Stevie Wonder. Continuei não sendo fã.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

IVETE SANGALO - CIRCUITO BANCO DO BRASIL

Terminado o show de Jason Mraz no palco principal, grande parte do público se deslocou para frente do segundo palco onde começava um show de música eletrônica. Fiquei com minhas amigas no mesmo lugar, sentando no chão para descansar as costas, enquanto aguardava o próximo show da noite no Circuito Banco do Brasil, o de Ivete Sangalo. Programado para ter início às 21:40 horas, ele começou às 22:00 horas. Nos primeiros acordes de País Tropical, de Jorge Benjor, o público já se assanhou. No telão, uma projeção mostrava um desenho com a sombra da cantora baiana ameaçando entrar em cena. A partir de então, foi só animação e alegria. Ivete Sangalo está cada vez mais diva, dominando o público do início ao fim de seus shows, além de falar menos quando está interpretando as canções do set list. A conversa com o público existiu, mas no intervalo entre uma música e outra. O show foi praticamente idêntico ao que ela fez no Rock in Rio em setembro passado, com o acréscimo de umas quatro músicas. Além deste acréscimo, houve a retirada da música Love of My Life, sucesso do Queen, que tinha uma relação direta com aquele festival, e a inclusão de Master Blaster, com a qual Ivete homenageou a estrela da noite, Stevie Wonder, dizendo que aquela canção faria parte de seu show comemorativo de 20 anos de carreira que aconteceria no sábado seguinte na Arena Fonte Nova, em Salvador, quando estaria sendo gravado seu mais novo DVD. No palco, durante esta música, teve a presença de um backing vocal de Wonder que a acompanhou na performance. Seus maiores sucessos, antigos e recentes, estiveram presentes, o que deixava a galera muito animada: Real Fantasia, Arerê, Dançando, Na Base do Beijo, Cadê Dalila?, Berimbau Metalizado, entre outras. Também não poderia faltar os grandes hits de sua época à frente da Banda Eva, como Alô Paixão, Eva, e Beleza Rara. Ainda houve a inclusão de sua nova música de trabalho, Tempo de Alegria, cujo refrão já era cantado a plenos pulmões pela maioria dos presentes. Chegando ao final do show, ela agradeceu aos produtores e patrocinadores do evento, ao público presente, alertando que não haveria bis já que havia uma combinação quanto à duração máxima de cada show. Emendou quatro músicas para não deixar ninguém parado: Acelera Aê, Festa, Sorte Grande e Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar), excelente cover para o sucesso dançante de Tim Maia. Terminava um excelente e contagiante show. Sem conferir o que viria depois, o mega esperado show de Stevie Wonder, fiquei com a sensação que Ivete Sangalo tinha feito o melhor espetáculo da noite. E não me enganei.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

BEYONCÉ - ROCK IN RIO

O relógio marcava 00:15 horas, início da madrugada do dia 14 de setembro, quando luzes e instrumentos musicais anunciaram a entrada de Beyoncé, última atração do primeiro dia da edição 2013 do Rock in Rio. Era o show mais esperado da noite, inclusive para mim. Em um super telão de led de última geração no fundo do palco eram projetadas imagens de alta definição. Em algumas vezes, durante o show, dava a impressão de que se tratava de imagens em 3D. Pura ilusão de ótica, obviamente. Beyoncé entrou com tudo, cantando de cara um de seus maiores sucessos, a dançante Run The World (Girls). O público acompanhou cantando, pulando, gritando. Mas a força da primeira canção foi quebrada, pois ela preferiu seguir com músicas mais lentas, como End of Time e If I Were a Boy. E este foi o mote até o final. Para piorar, Beyoncé trocou de figurino várias vezes durante o espetáculo, umas dez vezes. Todo o figurino é muito bonito e chama a atenção, mas o tempo gasto para tais trocas causou uma quebra de ritmo que, para mim, prejudicou o andamento do show. Claro que já vi muitos outros shows, nacionais e internacionais, com troca de figurino, como o último de Madonna, mas não me lembro de quebra de ritmo tão acentuada quanto neste show de Beyoncé. Enquanto ela trocava de roupa, a direção do espetáculo optou por colocar imagens em alta definição no telão, enquanto um set instrumental era executado, mas nunca de forma vibrante que pudesse segurar o público dançando até o reaparecimento da cantora. Em determinadas trocas de figurino, a música instrumental foi substituída por declamações de textos pré-gravados por Beyoncé. Muito chatas, por sinal. Os cabelos esvoaçantes, mesmo depois do acidente com um ventilador, também estiveram presentes, sinal de que a cantora não abandonará tão cedo seus indefectíveis ventiladores. Sucessos não faltaram no set list, como Baby Boy, Diva, Party, Irreplaceable, Crazy in Love, Love on Top, entre outros. Transcorrida quase uma hora, o show deu uma melhorada, na sequência de Love on Top, Crazy in Love e Single Ladies (Put a Ring on It). Parecia que, enfim, o show cresceria em animação, mas veio a lenta I Was Here e, em seguida, a homenagem a Whitney Houston, quando ela interpretou I Will Always Love You, sucesso na voz de Whitney, mas anteriormente gravada por Dolly Parton. A homenagem foi seguida de Halo, quando ela desceu para perto do público, onde as pessoas tentavam tocar na cantora. Teve gente que chegou a puxar os cabelos de Beyoncé. Tudo isto era mostrado nos telões. Como de costume, ela enxugou o rosto rapidamente com uma toalha branca e a deu para alguém da plateia. Quem pegou, estava na frente, no gargarejo, sinal de que era fã ardoroso da cantora. Assim, a toalha virou um verdadeiro troféu para mostrar para os amigos e parentes. Quando ela voltou ao palco, surpreendeu a todos ensaiando uns passos de funk enquanto a música Passinho do Volante, dos funkeiros MC Federado e Os Leleks, saía em alto e bom som dos alto falantes. Era o fim de um show com altos e baixos, com excesso de quebra de ritmos, mas utilização de tecnologia de ponta, mostrando que um painel de led de alta definição pode deixar qualquer cenário no chinelo. Saí um pouco decepcionado com este show. No balanço da noite, Ivete Sangalo foi a grande vitoriosa.

DAVID GUETTA - ROCK IN RIO

Um pouco antes das 22:30 horas teve início o show de David Guetta. Estávamos bem atrás, em posição frontal ao palco, mas com visão longínqua do que lá acontecia. Quando as primeiras batidas características da música eletrônica ecoaram na Cidade do Rock, uma turba de gente, a maioria na faixa etária até 20 anos, começou a correr para melhor se posicionar, para ter uma melhor visão do Palco Mundo. Luzes frenéticas iluminavam o palco. As meninas corriam gritando, numa histeria que era difícil de acreditar. Não sou fã deste DJ francês, motivo pelo qual não me animei muito em prestar atenção no show. Fiquei observando a reação da plateia. Tinha um grupo de jovens perto de mim que parecia estar em outra dimensão. O ácido que tomaram era forte, pois além dos sinais exteriores, todos estavam com copos de água nas mãos para aliviar a boca seca. O show de luzes em sincronia com as músicas foi um ponto alto do show. Dentre as projeções no telão no fundo do palco, o nome do DJ aparecia em várias cores. Necessidade de afirmação? Todos já sabiam que era David Guetta no palco, não precisava de ficar projetando o nome dele o tempo inteiro. Acabei por lembrar dos grupos de forró cujos vocalistas precisam falar o nome da banda durante a música, pois todas as vocalistas tem voz semelhante e o arranjo das músicas é muito similar. A forma de dançar das pessoas que acompanhavam o show de David Guetta era muito parecida: pés colados ao chão, movimentos cadenciados com o corpo e um balançar de cabeça para frente e para trás que não correspondia ao ritmo do corpo. Quando havia troca de músicas, uma gritaria se ouvia no espaço. Sempre ouvia alguém perto de mim dizer que aquela era a sua música! Mas nenhuma causou tanto frisson quanto Titanium. Já tinha ouvido esta música em festas e boates, mas não sabia seu nome. Tive que perguntar para Diana, uma fá ardorosa do DJ. Foram quase noventa minutos de um set que colocou o público para dançar. Eu balancei um pouco o meu esqueleto, incentivando Fabiola a também fazê-lo, pois ela estava caindo de sono e ainda faltava um show antes do término do primeiro dia de shows do Rock in Rio 2013. Mas continuo achando tudo muito igual, com batidas que cansam meus ouvidos após ouvir poucos minutos de suas músicas. Ainda não foi desta vez que mudei minha opinião quanto a este mundialmente aclamado DJ. Não gostei.

IVETE SANGALO - ROCK IN RIO


O show de Ivete Sangalo começou exatamente no horário marcado, ou seja às 20:30 horas. O público era enorme, tomando conta de todos os espaços em frente ao Palco Mundo, arena principal de shows da Cidade do Rock. Eu, Fabiola e Diana tínhamos acabado de conferir o ótimo show de Living Colour + Angélique Kidjo, motivo pelo qual nos posicionamos na lateral direita do palco principal, com visão parcial, mas podendo dançar com certa tranquilidade e ver tudo dos telões. Ivete começou incendiando a plateia, botando todo mundo para pular com a eletrizante País Tropical. Deu o tom do seu show, homenageando o Rio de Janeiro e o nosso país. Durante o show, entre uma música e outra, ela fez várias reverências ao Brasil, em tom bem ufanista, mas que agradou a todos. Depois do sucesso eterno de Jorge Ben Jor, foi uma sequência de sucessos dançantes da carreira da cantora baiana, começando com Real Fantasia, música que dá nome ao mais recente trabalho de Ivete. Vieram, não nesta ordem que listo, Arerê, Berimbau Metalizado, Na Base do Beijo, No Meio do Povão, Sorte Grande, Veja O Sol e A Lua, No Brilho Desse Olhar. Ou seja, só sucessos que todo mundo sabia cantar e dançar. Quando foi interpretar Dançando, sucesso de seu novo disco, Ivete Sangalo resolveu tirar sarro de Beyoncé, a principal estrela da noite. Andou no palco como ela, ensinou a coreografia de Dançando dizendo ser fácil, bastava fazer igual a Be, apelido com o qual chamava a cantora norte-americana: braço para cima, mão na cabeça, carão, braço para cima, mão na cintura, coxão. O público adorava. Ela parou no centro do palco, pedindo à produção que ligasse o ventilador, item frequente nos shows de Beyoncé. Fez caras e bocas como a diva americana, deixando seus cabelos escuros voarem no embalo do vento, pedindo, em seguida para desligar, pois ela poderia ficar gripada. Antes de cantar Dançando, disse que em seus shows costumava levar ar condicionado, mas em homenagem à Be, ficou com o ventilador. Claro que não poderia faltar em seu set list os sucessos de sua época como vocalista da Banda Eva, quando cantou Eva, Alô, Paixão e Beleza Rara. A galera correspondia, como se aquele fosse o principal show da noite. E parecia que era! Casais se beijavam: homem com mulher, mulher com mulher, homem com homem, sem ninguém se incomodar. O cheiro de maconha dominava o ar. Afinal, o nome do festival é Rock in Rio. E para mostrar sua vertente rock'n roll, Ivete prestou uma linda homenagem a um dos maiores vocalistas da história do rock: Freddy Mercury. Ela interpretou, com muita emoção, Love of My Life, sucesso do Queen. Com esta interpretação, ela não só homenageou o cantor, mas também fez uma releitura de um dos momentos mais marcantes da primeira edição do Rock in Rio, em 1985, quando Freddy Mercury embalou um coro de 100 mil vozes cantando a mesma canção. Refeitas as lágrimas, tanto da cantora quanto de muitos quarentões e cinquentões da plateia, Ivete voltou a colocar todo mundo dançando com um cover de Tim Maia, a ótima Não Quero Dinheiro. Estávamos chegando ao fim de um excelente show. Para finalizar, duas músicas de ritmo acelerado: Festa e Acelera Aê. Sem bis, a cantora saiu do palco ovacionada pelo público. Para mim, foi o melhor show da noite.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

LIVING COLOUR + ANGÉLIQUE KIDJO - ROCK IN RIO

Terminado o Tributo a Cazuza, resolvemos caminhar em direção ao Palco Sunset, onde estava começando o último show da noite programado para aquele palco. Era o encontro inusitado entre a banda de funk metal Living Colour com a africana Angélique Kidjo. Conheço bem pouco da banda, mas quanto à cantora do Benin, já vi um show dela em Brasília e tenho um cd. Quando chegamos perto do Palco Sunset, o Living Colour já estava em cena, sendo acompanhado pela plateia animada que dançava, pulava e cantava junto com o vocalista da banda. Os riffs de guitarra eram constantes e são bem parecidos com os de um show de heavy metal. Aproveitamos que tinha espaço para andar para tentar comprar algo para comer, enquanto o Living Colour estava sozinho no palco. Diana conseguiu comprar uma porção de pão de queijo, mas fui infeliz na minha escolha, pois enfrentei uma pequena fila no caixa do Bob's para descobrir, quando era minha vez de pagar, que aquele stand só vendia bebidas. Voltamos para a frente do Sunset. Depois de cantar Glamour Boys, uma das poucas canções do repertório da banda que conheço, alguns acordes introduziram Afrika, quando Angélique Kidjo apareceu no palco, com um vestido colorido e um turbante na cabeça. Era a deixa para introduzir o repertório da cantora africana. A partir daí, ela dominou o público, com sua poderosa voz, com sua ginga de corpo e com uma sinergia total com os músicos do Living Colour. O público correspondeu dançando muito. Depois de cantar Malaika, um de seus sucessos, ela dividiu os vocais com Corey Glover cantando um sucesso do Living Colour, a balada Love Rears Its Ugly Head. Em seguida, anunciaram que fariam um cover de Jimi Hendrix, quando cantaram Voodoo Child (Slight Return). Os amantes do guitarrista adoraram a performance e cantaram a plenos pulmões a canção. Tinha um cara do nosso lado que parecia hipnotizado, totalmente fixado no que acontecia no palco. Kidjo passeava de um lado para o outro do palco, já sem o turbante, mostrando sua cabeça raspada. Ela dançava, fazia graça com os músicos e empolgava a plateia, que não arredava pé do lugar, mesmo com as luzes do Palco Mundo tendo sido acesas, sinal de que estava perto do início do show de Ivete Sangalo. Após o cover de Hendrix, Angélique e Glover juntaram as vozes em outro sucesso do Living Colour, interpretando Solace of You. Era o fim de um curto, mas ótimo show. Sem bis, como de resto aconteceu na primeira noite do Rock in Rio 2013.

TRIBUTO A CAZUZA - ROCK IN RIO


Quando o Tributo a Cazuza começou, nós ainda estávamos do lado de fora da Cidade do Rock, mas deu para ouvir Paulo Miklos interpretando Vida Louca Vida. Já dentro, o que queríamos era conhecer o local para depois escolher onde assistiríamos os shows da primeira noite do Rock in Rio 2013. Como paramos bem em frente aos mastros onde tremulava a bandeira brasileira ao centro, em posição central, mas bem atrás, deu para ver as luzes e projeções nos telões com a presença de Miklos no palco, quando ele chamou Maria Gadú, a segunda atração da noite. Vimos pouco, mas o suficiente para não gostar. Ela não empolgou o público presente com suas leituras de Exagerado, Faz Parte do Meu Show e Bete Balanço. Muito chato. Fomos conhecer toda a extensão da Cidade do Rock enquanto o tributo rolava no Palco Mundo, mas na maior parte do espaço dava para ouvir o show. Assim, escutei Bebel Gilberto cantar Todo Amor Que Houver Nesta Vida e Preciso Dizer Que Te Amo. Gosto de Bebel, mas a sua interpretação foi morna. Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, cantou junto com Bebel a música Solidão Que Nada, quando o show começou a ficar interessante. Flausino ficou só no palco para interpretar as canções Nosso Amor A Gente Inventa e Ideologia, esta última com direito a discurso inflamado sobre a tradição brasileira de fazer canções de protesto. Neste momento, já estávamos mais perto do Palco Mundo novamente, dando para ver, bem de longe, a movimentação no palco. O sempre competente Ney Matogrosso entrou em seguida para emocionar o público, especialmente os da geração rock Brasil, interpretando Codinome Beijar-Flor. O show melhorou muito e ele ainda cantou O Tempo Não Para e Brasil. Frejat, parceiro de Cazuza no Barão Vermelho e idealizador desta homenagem, entrou em cena cantando Porque A Gente É Assim. No telão passava um vídeo com imagens de Cazuza e o Barão Vermelho na primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Estava chegando ao final, quando todos voltaram para o palco e cantaram juntos Pro Dia Nascer Feliz. O Tributo a Cazuza foi bem irregular, com momentos sem nenhuma empolgação e outros de pura emoção, mas no geral, ficou bem abaixo da altura de Cazuza, o grande poeta do rock brasileiro. Poderia ter sido bem melhor.

domingo, 15 de setembro de 2013

ROCK IN RIO 2013


Em março de 2013, eu comprei ingresso para a primeira noite da edição 2013 do Rock in Rio, ou seja, com seis meses de antecedência. No palco principal, o chamado Palco Mundo, a atração principal estava confirmada: Beyoncé. E ainda tinha Ivete Sangalo como a grande atração nacional. No prazo indicado quando da aprovação da compra, em junho, os ingressos chegaram em minha casa. Eram quatro: o meu e os de Fabiola, Diana e Michael. Fiz a reserva de hotel com antecedência, assim como emiti o bilhete aéreo, deixando apenas a questão do transporte até a Cidade do Rock para depois, esperando abrir a venda do Riocard para utilizar nos ônibus especiais que sairiam de vários pontos da cidade com destino ao local dos shows. Como não acompanhava o site do Rock in Rio, perdi o momento de comprar o passe para o ônibus especial. Quando vi, era tarde demais, pois os tais passes já estavam esgotados para os horários/locais de partida mais próximos do meu hotel. Lembrei da forma como fui para a Cidade do Rock na edição de 2011, assim como para os shows de Lady Gaga e Madonna, ambos em 2012. Entrei em contato com a empresa que fez o traslado e contratei o serviço privativo para quatro pessoas ao preço de R$ 400,00. O serviço contratado consistia em buscar na porta do hotel em horário previamente combinado, levando até a Cidade do Rock e, assim que quiséssemos, o mesmo carro nos levaria de volta ao hotel, o que poderia acontecer após terminado todos os shows programados para o dia. Com interesse em ver a última atração do Palco Sunset, o inusitado encontro de Angélique Kidjo com o grupo Living Colour, programado para acontecer às 19:30 horas, combinamos para que o carro, um Ford Fusion, estivesse na porta do Hotel Mirador Rio, em Copacabana, às 16 horas. Um dia antes, na quinta-feira, recebi um e-mail do dono da empresa que efetuaria o serviço, dizendo que a Prefeitura do Rio de Janeiro fecharia o acesso de carros particulares e táxis para a Cidade do Rock, fazendo barreiras cerca de 1,5 km do portão de entrada. Assim, teríamos que terminar o percurso a pé, bem como no nosso retorno, caminhando até o ponto onde o carro nos largaria. Pontualíssimo, o transporte estava nos esperando na sexta-feria, 13 de setembro de 2013. Thomaz, o próprio dono da empresa, nos conduziu. Com um atraso de dez minutos, causado por nós mesmos, saímos da porta do hotel. Ainda em Copacabana, o trânsito já estava muito travado e assim foi até perto da Barra, onde o trânsito, por incrível que pareça, fluía melhor. No local onde deveria haver o bloqueio, os carros estavam passando, mesmo com cones e agentes de trânsito. No nosso carro tinha um adesivo de morador, já que Thomaz reside em um dos condomínios próximos à Cidade do Rock. Mais à frente, outro bloqueio, mas nosso carro foi autorizado a passar. Ficamos muito contentes, pois Thomaz conseguiu chegar bem perto dos portões de entrada. Tivemos que caminhar uns 500 metros a partir do ponto onde o carro parou. Combinamos que ali seria o local para nos encontrarmos na volta. Demoramos 2 horas e quinze minutos para fazer o percurso de Copacabana até a Cidade do Rock de carro. No pedaço em que caminhamos, muita gente fazia o mesmo. O relógio marcava 18:30 horas, quando fogos anunciaram o início do Tributo à Cazuza. Ainda estávamos do lado de fora, quando ouvimos a primeira canção. Era preciso ficar atento, pois havia muita gente caminhando e ladrões se aproveitavam da euforia de estar ali ou da distração das pessoas para roubar celulares, bolsas, ingressos e mochilas. Havia policiamento, mas eles ficavam por detrás de barreiras de ferro, que, aliás, diminuíram o já estreito espaço até os portões. Vimos dois moleques passarem por nós correndo com duas mochilas nas mãos. Para evitar que fossem pegos, colocaram as mochilas dentro de um contêiner de lixo. Enquanto um saiu, o outro ficou a vigiar o lixo. Uma senhora encostou em Michael, perguntando se ele tinha achado uma máquina fotográfica, apontando para o bolso dele. Ela caminhava bem perto, insistindo nisto e olhava para outros moleques. Parece que era um golpe. Ela esperava que Michael tirasse seu celular do bolso e os moleques passariam correndo e o tirariam da sua mão. Diana, mãe atenta, percebeu e disse que ele não tinha achado nada. Apressamos o passo, passando por corredores estreitos, mas sem nenhum controle. Antes da conferência dos ingressos, placas indicavam que quem portava mochilas e bolsas deviam se dirigir para a direita onde elas seriam revistadas. Eu estava com mochila, já que carregava uma máquina fotográfica digital, uma camisa de malha de manga comprida, que precisei usar no início da madrugada, e uma canga, essencial para sentar no chão durante os intervalos entre os shows. A revista era para inglês ver. Pediram para abrir a bolsa, deram uma olhada pelo alto e apalparam de leve as bordas. Caso eu levasse alguma arma enrolada em uma roupa ou drogas, passaria tranquilo. Claro que não carregava nada disto. Em seguida, andamos mais um pouco até as catracas, onde o ingresso foi checado. A primeira coisa que fizemos ao entrar foi eternizar nosso momento em uma foto. Identificamos onde seria nosso ponto de encontro em eventual desencontro: ao lado do mastro da bandeira do Brasil. O show em homenagem a Cazuza rolava no Palco Mundo, mas decidimos fazer um reconhecimento de área, em especial onde poderíamos comer alguma coisa e onde eram os banheiros mais próximos. Passeamos pela Rock Street, passando antes por alguns stands de patrocinadores que traziam atrações para as pessoas que os visitavam. No stand da Sky, Michael enfrentou uma fila para fazer uma frase com a qual concorreria a uma tatuagem ainda naquela noite. Ele foi um dos ganhadores, recebendo um SMS durante o show do David Guetta para comparecer ao stand e fazer sua tatuagem, que durou todo o restante do show do DJ francês, o intervalo, e o show de Beyoncé. Vimos pequenos grupos se apresentando na Rock Street, em especial uma bandinha onde os integrantes estavam vestidos como escoceses tocando gaita de fole. Visitamos a tenda eletrônica na qual os shows programados começariam a partir de 22:30 horas. Voltamos para o espaço em frente ao Palco Mundo para ainda ver Ney Matogrosso finalizando o tributo à Cazuza. Aproveitando o intervalo, fomos conhecer o outro lado da Cidade do Rock, onde ficava o Palco Sunset e várias opções de alimentação que não eram sanduíches do Bob's. Para minha alegria, entrava no Sunset a última atração daquele palco na noite, Living Colour e Angélique Kidjo. Um pouco antes de terminar este show, voltamos para o Palco Mundo, pois estava perto de começar o show de Ivete Sangalo, durante o qual dançamos muito. Foi neste show que vimos as primeiras confusões, com brigas (ou simulação delas), momento em que várias pessoas eram furtadas, principalmente celulares. Fiquei mais atento ao meu bolso, pois era do tipo faca, sem botão ou qualquer outra forma de ficar fechado. Quando Ivete terminou, fomos para o mastro da bandeira brasileira para encontrar Michael. Ali ficamos até o final de todos os shows, com saídas estratégicas para ir ao banheiro e para comer. Por falar em comer, durante o show de David Guetta, aproveitei que acho ele bem chato e que a pista estava completamente lotada com gente histérica gritando, além de muito jovem totalmente travado de tanto ácido, para tentar comprar um sanduíche no Bob's. Caos total. Atendentes mal treinados, gente gritando por sua bebida/comida, gente se aproveitando da desorganização para se dar bem, pois vi mais de uma pessoa sem ficha ganhar no grito copos de cerveja e sanduíches. Depois de enfrentar uma fila semi-organizada para pagar pelo pedido e receber uma ficha, a dificuldade era conseguir retirar os itens comprados. Não havia fila, os atendentes estavam perdidos. Parecia que estava na China, onde a noção de fila não existe e as pessoas abrem caminham no empurra-empurra. Fabiola estava comigo e conseguiu chegar perto do balcão. Eu fiquei mais atrás. No aglomerado, enfiaram a mão no meu bolso onde estava meu celular por duas vezes, mas não conseguiram levar nada. Achei mais prudente ficar mais atrás, esperando Fabiola pegar a sua cerveja, o meu refri e meu sanduba. Mesmo com menos 15.000 pessoas em relação a 2011, em determinados momentos e locais era bem difícil se locomover. Afinal eram 85.000 pessoas que se moviam por todos os lados, especialmente durante os intervalos. Os fogos de artifício que sinalizam o final dos shows no Palco Mundo, quando a canção tema do Rock in Rio é executada, foram ao ar às 01:50 horas, logo após o término do show de Beyoncé. Esperei terminar o barulho para ligar para Thomaz, dizendo que estávamos de saída. Ele já estava nos aguardando no mesmo local em que nos deixara. A saída foi problemática, pois a maioria das pessoas deixavam a Cidade do Rock no mesmo momento, passando pelo estreito espaço de uma única vez. A caminhada foi lenta. Gastamos meia hora num percurso que faríamos em menos de dez minutos. Para piorar, vendedores ambulantes estavam parados no meio do caminho com aquelas caixas de isopor atrapalhando a passagem. Pelo menos neste momento, não vi ninguém ser roubado. Pelo que li depois nos sites de notícias, o furto imperou dentro do espaço do festival. Celulares de última geração e câmaras fotográficas digitais semiprofissionais foram os mais visados. Quando chegamos no local marcado, Thomaz nos aguardava ao lado do Ford Fusion. O trajeto até o hotel durou 40 minutos. Poderia ter sido mais rápido, mas nosso carro foi parado na Operação Lei Seca, quando Thomaz teve que descer, apresentar os documentos do carro e soprar o bafômetro. De todos os que foram parados, apenas nosso motorista não teve problemas. Chegamos no hotel pouco depois de 3 horas da madrugada. Minhas impressões sobre os shows da noite estarão em postagens específicas. Quanto ao Rock in Rio, mesmo com todos os percalços aqui relatados, vou continuar a frequentar, sempre tendo alguns cuidados adicionais. De preferência, das próximas vezes vou ficar na área VIP.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

SHOW SEI - NANDO REIS

Findo o show de Lulu Santos, esperamos por quase uma hora para a troca de instrumentos e o palco ficar pronto para o segundo show da noite, ou melhor, da madrugada, já que o relógio marcava mais de duas horas. Com o palco todo decorado com panos vermelhos e muito gelo seco, Nando Reis e Os Infernais entraram em cena. Muita gente já tinha ido embora, mas o público ainda era grande, ocupando todos os espaços da Prainha da ASBAC, onde estava montado o palco. O ex-Titãs priorizou seus maiores sucessos no set list do show, seja da época em que integrava o grupo paulistano, seja em sua fase solo. Com arranjos mais ousados do que em seus discos, e com duas afinadas backing vocals, o cantor estava inspirado, transparecendo muita alegria de estar no palco, contagiando a plateia, mesmo que suas canções sejam menos dançantes do que as de Lulu Santos, que fez o show de abertura da noite. Ele começou com Pré-Sal, música de seu mais recente trabalho, o álbum Sei. Em seguida, o primeiro sucesso, ainda da época dos Titãs, O Mundo É Bão Sebastião. E mesclando sucessos do passado com canções mais novas, pouco conhecidas do público, ele conduziu o show. Claro que as músicas conhecidas deixavam a galera mais animada. Foi assim com Onde Você Mora?, mais conhecida pela gravação do grupo Cidade Negra; As Coisas Tão Mais Lindas; All Star; com a qual prestou sua homenagem de sempre a Cássia Eller; Relicário; Não Vou Me Adaptar, outra da época dos Titãs, quando fez um longo discurso sobre a situação política vivenciada pelo país, acrescentando que tocar no Sete de Setembro em Brasília era sensacional, ressaltando que tecnicamente já era madrugada de 8 de setembro; O Segundo Sol, com acompanhamento da plateia; Por Onde Andei; e Do Seu Lado, sucesso do Jota Quest, com a qual fechou seu show. Dentre as novas canções, gostei muito quando ele interpretou Sei. Ao voltar para o bis, ele anunciou que seu mais novo trabalho estava à venda no local do show, pois ele agora era independente, aproveitando também para falar de seu patrocinador, chamando uma moça do Correio para sortear a música que os presentes escolheram para ele tocar no bis. A canção escolhida faz parte do novo disco, a lenta Lamento Realengo. Finalizou com o mega sucesso dos Titãs, Marvin, quando havia espaço de sobra para dançar e cantar. O senão do show ficou para o tanto que ele fala entre uma música e outra, até parece cantor de axé. Eram 4:15 horas quando deixamos a Prainha da ASBAC. Ótima noite.

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SHOW TOCA LULU - LULU SANTOS

Início de madrugada de domingo. O relógio marcava 00:30 horas. Após resolvido o incidente com meu carro na L4, eu, Fabiola e Karina conseguimos, enfim, entrar na ASBAC, onde já rolava o show Toca Lulu no palco montado às margens do Lago Paranoá, em local conhecido como Prainha da ASBAC. O ar estava tomado pela poeira, levantada pelo ir e vir da multidão que compareceu ao show. Nosso ingresso, R$ 110,00, dava direito a open bar e ficar em frente ao palco. Como chegamos com cerca de uma hora de show, estava difícil andar no meio de tanta gente para encontrar um local mais tranquilo, com espaço para dançar e boa visão do palco. Ficamos, a princípio, atrás da estrutura montada para abrigar os operadores de luz, som e câmaras de vídeo para transmissão ao vivo nos dois telões montados nas laterais do palco. Fabiola ligou para Renata, que estava mais à frente, na lateral esquerda, onde havia um ótimo espaço livre e a visão do que acontecia no palco era ótima. E ainda era perto de um dos bares, onde passamos para pegar bebida. No meu caso, apenas refrigerante, pois estava dirigindo. Mesmo perdendo um bom pedaço do show, nos divertimos e dançamos muito ao som dos sucessos de sempre de Lulu Santos, como Sábado À Noite, a música que ele cantava assim que chegamos ao local, Assim Caminha a Humanidade, De Repente Califórnia, SereiaComo Uma Onda, Tão Bem, Casa e Tempos Modernos. Também curtimos o cover para Como É Grande O Meu Amor Por Você, sucesso na voz de Roberto Carlos. O show terminou pouco depois de 1:00 hora da madrugada. Era tempo para procurar um banheiro, beber mais alguma coisa, conversar, tentar acessar as redes sociais (digo tentar porque o meu celular é TIMganei!), passando o tempo para conferir o próximo show da madrugada: Nando Reis.

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