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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

GAL COSTA - SHOW RECANTO


Enfim, o aclamado show Recanto, de Gal Costa, chegou em Brasília. Apresentação única, às 21 horas, no Salão Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, domingo, dia 1º de setembro de 2013. Comprei ingresso para a terceira fileira, poltrona centralizada em relação ao palco, o que me permitiu ter ótima visão da cantora. Pela entrada, paguei R$ 250,00, preço bem salgado, diga-se de passagem. O local estava bem cheio, com lotação praticamente esgotada. Com atraso de dez minutos, Gal Costa e os três músicos que a acompanham, Domenico Lancelotti, Pedro Baby e Bruno Di Lullo, entraram no palco. Nenhum cenário, nenhuma iluminação grandiosa. O que importa no show é a voz, linda como sempre, de Gal e os arranjos moderníssimos para as duas dezenas de canções que ela interpretou magistralmente durante os cerca de 100 minutos de espetáculo, já contado o tempo das quatro músicas do bis. A direção do show é de Caetano Veloso, que embora ausente no dia, tem presença quase que total na autoria das canções do repertório do show. Das 23 músicas, 17 tem Caetano como autor, seja individualmente ou em parceria com alguém. Do mais novo trabalho, o experimental e ótimo Recanto, mesmo nome do show, apenas três músicas ficaram de fora do set list. O que me chamou a atenção é que houve uma mescla de canções do trabalho atual, datado de 2011, com músicas gravadas pela cantora entre 1969 e 1985. Assim que entra no palco, Gal se senta em uma banquinho e canta Da Maior Importância, pinçada do disco Índia, de 1973, em arranjo que conversa claramente com as duas seguintes, Tudo Dói e Recanto Escuro, as duas de seu trabalho de estúdio mais recente. E assim foi durante todo o show. Canções do passado, com arranjos modernos, com músicas de Recanto. Folhetim, de Chico Buarque, a primeira canção do show que não tem Caetano Veloso como autor, mereceu aplausos calorosos da plateia, que, vez ou outra, gritava um "linda!" ou um "maravilhosa!". Barato Total, Dom de Iludir, Baby, Vapor Barato foram outras canções que também fizeram o público explodir em palmas. A interpretação para Neguinho, do disco Recanto, foi a que mais gostei das novas canções. Ao vivo ficou mais vibrante, assim como Miami Maculelê, a última música antes do bis. Antes dela, o destaque ficou para a homenagem que Gal fez para Tim Maia, seu parceiro no dueto de Um Dia de Domingo, mega sucesso radiofônico gravado no disco Bem Bom, de 1985. No show, Gal faz uma espécie de paródia, cantando toda a sequência gravada por Tim em tom grave, mostrando a versatilidade que tem com sua voz. Aplaudidíssima, obviamente. Assim que saiu de cena, o público invadiu o espaço entre o palco e a primeira fileira, pedindo a volta da cantora para o bis, o que ela atendeu de imediato. Claro que ninguém voltou para os lugares, fazendo com que muita gente ficasse de pé para vê-la interpretar mais quatro canções: Mansidão; Força Estranha; Meu Bem, Meu Mal, cujo refrão foi entoado a plenos pulmões pelos que estavam mais à frente, encerrando com Modinha para Gabriela. Durante todo o show uma explosão de flashs se via no teatro. Gal moderna, antenada com os novos tempos e com o que acontece nos grandes shows pelo mundo afora: não houve anúncio de proibição de fotos ou filmagens do espetáculo. Afinal, quem respeita isto hoje com tantos celulares e máquinas digitais com recursos para trabalhar em ambientes bem escuros, sem barulho e sem luzes que incomodam o cantor ou o próprio público? Como todo show que vi de Gal Costa, saí muito satisfeito com o que vi e ouvi. Com tão bela voz e com músicos tão afinados, realmente a falta de cenário não fez nenhuma falta.

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sábado, 17 de novembro de 2012

MARISA MONTE - VERDADE UMA ILUSÃO

Enfim a turnê Verdade Uma Ilusão de Marisa Monte chegou a Brasília. Tinha ingresso no setor vip gold (R$ 280,00 - meia entrada) para a primeira noite de show no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Cheguei com uma hora de antecedência ao local, pois temia ter que estacionar longe com o tempo chuvoso. Desta forma, às 20:30 horas já estava no saguão do centro de convenções. As portas se abriram às 21 horas, portanto, meia hora antes do horário marcado para o início do show. Teatro lotado. A cantora atrasou vinte minutos para começar. Quando as luzes se apagaram, solicitaram que não fotografassem com flash pois o seu uso atrapalhava os músicos e os efeitos visuais do show. Foi a mesma coisa de ninguém ter falado nada, pois assim que se ouviu a voz de Marisa Monte, dezenas de luzes brancas explodiram no teatro vindas de celulares e máquinas digitais. Muita gente ficou filmando, o que acho uma bobagem e uma perda de tempo, pois a qualidade de vídeos feitos em celulares e máquinas digitais é sofrível. Muito melhor comprar o dvd do espetáculo. O show é muito bem produzido. São nove músicos que acompanham a cantora. Três deles pertencem ao grupo pernambucano Nação Zumbi. Dadi, o veterano músico que era da formação dos Novos Baianos e do grupo A Cor do Som, também faz parte do seleto time de instrumentistas que acompanham Marisa. Um quarteto de cordas dá o toque mais erudito aos arranjos, enquanto que a pegada pop fica por conta do trio pernambucano. Para cada música, há um cenário diferente. Em algumas canções, apenas luzes fazem parte da cenografia, enquanto na maioria delas, projeções que tomam conta de todo o palco, e até mesmo das paredes laterais do teatro, dão um colorido e uma leitura especialíssima às músicas e à interpretação da artista. Um jogo de espelhos que se movimentam nas laterais do palco me lembrou o cenário de Fernando Veloso para o final de Lecuona, um espetáculo do Grupo Corpo. Na primeira parte, Marisa pouco fala com o público, mas após cantar ECT, composição de Marisa Monte, Nando Reis e Carlinhos Brown, que ficou famosa na voz de Cássia Eller, a cantora se dirigiu ao público de forma mais demorada. Apesar de ser uma composição sua, Marisa nunca gravou ECT e nem mesmo tinha cantando a canção em shows. O arranjo deu uma pegada cigana, um toque espanhol à música. A frase dita pela cantora depois de interpretar ECT "alguém já disse que saudade não é quando a gente sente falta de alguém, mas quando sente a sua presença", em sincera e linda homenagem a Cássia Eller, arrebatou a plateia. Outra homenagem foi para a cantora italiana Mina Mazzini, quando Marisa interpretou Sono Come Tu Mi Vuoi, com direito a legenda na parte superior do palco. Antes de iniciar Ainda Bem, um dos sucessos de seu novo álbum, música interpretada em seguida à canção italiana, Marisa Monte explicou que chegou a convidar Mina para fazer um dueto nesta música quando estava gravando o seu mais recente álbum. A italiana gostou tanto que pediu para incluir a canção em seu disco que também estava sendo gravado. Mina gravou em português e Marisa também o fez, porém sozinha. Marisa sempre gostou de chamar artistas para participarem da concepção dos cenários de seus shows. Desta vez, ela chamou vários. Entre os artistas plásticos responsáveis pelos vídeos projetados durante o show estão Luiz Zerbini, Cao Guimarães, Arnaldo Antunes, Thiago Rocha Pitta, Rivane Neuenschwander, Alexandre Brandão e Janaína Tschape. O vídeo Dream Sequence I, de autoria de Tschape, ilustra a canção Depois e, para mim, foi o mais impactante. O curioso é que a letra da canção vai aparecendo no vídeo enquanto Marisa canta. A caligrafia que aparece na projeção é de Arnaldo Antunes. Entre sucessos de sua carreira e canções do novo trabalho, Marisa Monte cantou mais de vinte músicas, entre elas Depois, Universo Particular, Ainda Bem, Diariamente, ECT, O Que Você Quer Saber de Verdade, Beija Eu, Gentileza e Não Vá Embora, a última música interpretada antes do bis. A cantora voltou ao palco sozinha e cantou Amor I Love You, quando a plateia, já aglomerada perto do palco, puxava o U ao final da frase ao comando da artista. Nesta canção, um fã declamou o poema de Eça de Queiroz que originalmente é falado por Arnaldo Antunes na gravação em disco. Depois, Marisa se juntou à banda para interpretar mais duas canções: Velha Infância e Seja Feliz. Foi um belo show, mesmo com a voz da cantora falhando em algumas canções. Acho que já vi todos os shows da carreira da cantora e este é o que tem a pegada mais pop, com Marisa Monte mais próxima da plateia. Gostei muito.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

MILTON NASCIMENTO - TOUR 50 ANOS DE CARREIRA






Logo que vi anunciado o show de Milton Nascimento, Tour 50 Anos de Carreira, no qual ele revisitaria sua vasta obra, fiquei atento para as vendas de ingressos. Inicialmente, somente podia comprar pela internet, pelo site Ingresso.com, o que fiz de imediato, pagando R$ 60,00 pela meia entrada, já incluída a taxa de administração. O desconto de 50% obtive imprimindo o cupom Sempre Você por ser assinante do Correio Braziliense. O inconveniente da compra foi que não havia a opção de imprimir o ingresso em casa, somente podendo retirá-lo no dia do show, uma hora antes do seu início. Recebi um e-mail informando que a minha compra estava em análise e que a confirmação viria em outro e-mail, embora tão logo fechei a compra pela internet, recebi uma mensagem, via celular, da administradora de meu cartão de crédito confirmando a transação. Espero até hoje o tal e-mail de confirmação da Ingresso.com. Para conseguir o código que me permitiria a troca do ingresso na bilheteria tive que entrar na minha conta do site e imprimí-lo. Não é a primeira vez que isto acontece em compras pela Ingresso.com. Tal compra fiz no dia 18 de maio de 2012 para um show que aconteceria no dia 16 de junho, ou seja, trinta dias de antecedência. Lendo o caderno de final de semana do Correio Braziliense pela internet, descobri que o ingresso poderia ser trocado antes do dia do show na bilheteria do Teatro Oi, mas para mim era tarde demais, pois estava fora de Brasília e só chegaria no sábado, 16 de junho, dia do show. Assim, cheguei no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, local do espetáculo, às 19:50 horas, pois o show começaria às 21 horas. A fila para troca de ingressos era enorme e andava lentamente. Para piorar, todo mundo ficava na fila, ao invés de apenas uma pessoa de um grupo ou família, o que aumentava o "bolo de gente" nas imediações do balcão onde funcionava a bilheteria. Até que alguns seguranças tentavam colocar uma certa ordem, mas era um tal de gente procurar conhecidos já na espera para furar fila, que não tinha fim. Além disto, as pessoas com prioridade apareciam aos borbotões, atrasando o atendimento de quem já estava há algum tempo na fila. Todos que esperavam reclamavam da morosidade e da precariedade no atendimento. Quando cheguei no balcão, o relógio marcava 20:55 horas, e ainda havia uma multidão atrás de mim. Realmente estava bem precária a entrega dos ingressos, pois todos estavam impressos e separados por ordem alfabética, com o nome de quem comprou pela internet, mas ao invés de separar por lotes/por guichê, os ingressos ficavam espalhados e as atendentes iam de um lado para o outro buscando-os. Embora no guichê, tive que esperar, pois o lote da letra "L" estava sendo consultado por outra atendente em outro guichê. Antes de entrar no teatro, ganhei um lápis alaranjado da Gol, transportadora oficial do show. Enfim, às 21 horas entrei no Auditório Master. As luzes estavam apagadas perto do palco, o que dificultava enxergar o número das cadeiras. Tinha ingresso em local privilegiado, fileira D, assento 26, em posição central, na direção de onde estava o microfone que seria usado por Milton Nascimento. O auditório ainda estava vazio, sinal de que muita gente ainda esperava na fila para pegar sua entrada e, consequentemente, sinal de que o show começaria depois do horário marcado. Já instalado em meu lugar, um casal chega e diz que eu estava assentado em um dos lugares por eles comprados. Disse que não, que estava sentado no assento correto. Ele pediu para ver meu ingresso, o que atendi prontamente. Meu lugar era no setor vip central, enquanto eles tinham ingresso para o setor vip especial. Eu estava no lugar certo. Vi a mesma situação acontecer mais de uma vez antes do show começar. Acho uma extrema idiotice chamar todos os setores de vip. Seria muito mais fácil dividir o setor por áreas, como as melhores casas de espetáculos fazem em cidades como São Paulo, Belo Horizonte ou Rio de Janeiro, do que tentar passar a ideia de que todo mundo é vip. Coisas de Brasília! Com trinta e cinco minutos de atraso, e depois de alguns aplausos e assobios da plateia, os músicos da banda de Milton entraram no palco, e os primeiros acordes de Cais soaram no auditório. Milton Nascimento entrou pelo centro, de óculos escuros e um cachecol, sendo ovacionado intensamente. Ele só falaria com o público, mesmo assim usando poucas palavras, antes de cantar a terceira música. Sua interação com a plateia sempre foi pautada pela timidez e pela economia nas frases, e na noite de sábado não foi diferente. Sua banda, bem afiada, garantia bons momentos nos arranjos das canções que marcaram a carreira de Milton, como as menos conhecidas pelo grande público Vera Cruz e Lágrima do Sul, ou grandes sucessos, como Maria Maria e Travessia, ambas acompanhadas pelo público. Dois convidados especiais participaram do show. O primeiro a ser chamado ao palco foi Lô Borges, que dividiu os vocais com Milton na belíssima Clube da Esquina nº. 2, e em Para Lennon e McCartney, quando, ao entoar a frase "sou do mundo, sou Minas Gerais", Milton provocou um frisson nos mineiros presentes no auditório. também teve seu momento solo por duas vezes, quando cantou seus maiores sucessos, entre eles Um Girassol da Cor de Seu Cabelo. A outra convidada foi Simone Guimarães, que reverenciou o cantor mineiro pedindo a benção, já que ela o tem como padrinho. Com voz marcante, embora visivelmente nervosa, interpretou Morro Velho, em um lindo momento do show. Ponto alto do espetáculo foi quando Milton dedicou a música que executaria a seguir à mulher mais bonita do mundo, sua mãe adotiva. É instrumental e se chama Lília, música que ele afirmou que não deixa de tocar em nenhum de seus shows. Quando ele interpretou marcos de sua carreira, como a já citada Maria Maria, Travessia, Canção da América e Nos Bailes da Vida, ele contagiou de vez o auditório. Belo show em ano especial para Milton Nascimento que comemora 45 anos do lançamento do disco Clube da Esquina, 50 anos de carreira e 70 anos de vida. O peso da idade se faz presente em sua pouca desenvoltura no palco, mas a voz continua linda e ele continua cantando de forma arrebatadora. Mesmo com as dificuldades para pegar o ingresso narradas no início desta postagem, o show foi alto astral, cheio de energia. Foi uma noite inesquecível.

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

DURAN DURAN - CENTRO DE CONVENÇÕES ULYSSES GUIMARÃES






Uma das minhas bandas preferidas é o Duran Duran, desde os idos de 1980. Não tenho seguido as notícias nos jornais locais, motivo pelo qual não soube previamente que a banda inglesa iria dar um show em Brasília. Só fiquei sabendo do show quando fui comprar ingresso para o espetáculo dos suecos do Roxette, há mais ou menos um mês atrás. Claro que também comprei, de imediato, a entrada para o show do Duran Duran. Paguei R$ 250,00 para o setor premium, o mais próximo do palco. Show marcado para 22 horas do dia 28 de abril de 2012, sábado, no Ginásio Nilson Nelson. Na sexta-feira que antecedeu ao show, recebi uma ligação da empresa Tickets For Fun, promotora da turnê brasileria da banda, informando-me que houve uma troca do local da apresentação, passando a ser no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, não sendo necessária a troca do ingresso. Como conheço o novo local, perguntei como seria para assentar, já que o auditório tem cadeiras fixas. Disseram para não me preocupar, pois a organização do show já providenciara uma maneira de não prejudicar quem tinha comprado entrada para a pista premium. Assim, com meia hora de antecedência, cheguei ao centro de convenções, custando a achar um lugar para estacionar o carro. Não havia fila para entrar. Mostrei meu ingresso e indicaram-me onde ir. Uma simpática moça conferiu a entrada, colocando uma pulseira rosa em meu pulso, pois havia lugar separado para quem tinha comprado pista premium. Dentro do auditório, as cadeiras centrais, mais à frente, estavam separadas para quem tinha o mesmo tipo de entrada que o meu. Mostrei a pulseira para ter acesso a tais cadeiras. Havia muito lugar disponível. Inicialmente, fiquei na fileira L, em cadeira central, com ótima visão do palco. No entanto, vi um amigo duas fileiras à frente, chamando-o pelo nome para cumprimentá-lo. A cadeira ao lado da dele estava vazia, na mesma posição central que eu sentara. Mudei de lugar. Fiquei mais perto do palco e pude trocar ideias e fazer comentários sobre o show com meu amigo. O local não ficou lotado. Houve um atraso de cerca de vinte minutos para que Simon Le Bon e cia entrassem no palco. Como nos últimos shows que tenho ido, o cenário é enxuto, com os músicos da banda estrategicamente posicionados no palco com um grande telão branco ao fundo no qual são projetados filmes e/ou animações gráficas durante as músicas do set list. Assim que as luzes se apagaram, todos ficaram de pé com câmaras digitais e celulares ligados registrando cada movimento dos músicos do Duran Duran. Tenho observado que antes do início das apresentações de atrações internacionais no Brasil não há mais avisos de que não é permitido filmar ou fotografar sem prévia autorização. Em época de redes sociais, a necessidade de estar conectado e dizer para o mundo o que estamos fazendo é uma tônica e brigar contra isto é quase impossível. Assim, a proibição de filmar/fotografar torna-se inócua, sendo inútil brigar por manter tal proibição. Que isto sirva de exemplo para os shows nacionais. Voltando ao show, algumas pessoas pediram para quem estivesse em pé se sentasse, mas as solicitações foram em vão. Vimos o show todinho em pé. Logicamente que se fosse em um local sem cadeiras, seria mais confortável para dançar, mas, por outro lado, as cadeiras serviam de barreira para que não houvesse uma aglomeração, o empurra-empurra típico da parte mais à frente em shows de pop-rock. Com uma calça branca com frisos escuros nas laterais, lembrando um traje étnico, camisa preta e um blazer prateado e preto, Simon Le Bon começou o show com Before The Rain, música do mais recente trabalho da banda, lançado em 2011. Mesmo desconhecida para a maior parte do público presente, a música atiçou a galera que não mais deixou de dançar e participar de cada canção apresentada. O set list da noite mesclou os grandes hits da banda com músicas do novo cd, All You Need Is Now. A cada sucesso cantado, o público respondia com aplausos e gritos, cantando junto, batendo palmas, assobiando. Foi um sucesso atrás do outro: Planet Earth, Come Undone, Is There Something I Should Know, A View to A Kill, The Reflex, Save a Prayer, Notorious, Ordinary World, Hungry Like The Wolf, Wild Boys, Girls on Film, Rio, (Reach Up For The) Sunrise (a lista não está na ordem em que foi apresentada no show). Antes de iniciar The Reflex, Le Bon desceu do palco, foi até a primeira fileira de cadeiras e pediu a um rapaz para ajudá-lo a iniciar a próxima canção, sem identificá-la. Ficou no lá-rá-lá, esquentando o público. Voltou ao palco e soltou os primeiros versos de The Reflex. Foi uma euforia total. Além da primeira música, também fazem parte do novo cd e entraram no set list do show All You Need Is Now (ótima, por sinal), Safe (In The Heart of The Moment) e Girl Panic!, esta última com um excelente vídeo clip com top models, backstage de desfiles, paparazzi (entre eles, os integrantes da banda), bem ao estilo que consagrou a banda nos anos 80. Mais perto do final, quando minhas canções favoritas já haviam tocado (A View to a Kill, Come Undone e Save a Prayer), uma grata surpresa. Simon Le Bon chamou ao palco Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu e fão confessa do Duran Duran, para dividir os vocais em Ordinary World. Takai estava visivelmente emocionada, mas segurou bem o dueto. Foi uma bela apresentação. A música que encerrou o show, antes do bis, foi Wild Boys, com a galera cantando toda a letra em plenos pulmões. Depois do inevitável pedido de bis, eles retornaram para a apresentação de cada um dos integrantes do grupo, além dos participantes do show (o saxofonista e Anna Ross, a backing vocal, que segurou bem em todas as canções, além de ter um momento solo). Para finalizar a apresentação, Le Bon disse que não poderia se auto apresentar, descendo novamente do palco para pedir a uma jovem que o apresentasse. Finalizaram com as conhecidíssimas Girls on Film e Rio. Foram quase duas horas de um show nostálgico, dançante e alto astral. Gostei muito de vê-los no palco pela primeira vez, confirmando o que sempre li e ouvi dizer do Duran Duran: eles são melhores ao vivo do que em discos.



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sábado, 3 de dezembro de 2011

BEIJO BANDIDO - NEY MATOGROSSO

No último domingo fui ver, pela segunda vez, o show Beijo Bandido, de Ney Matogrosso. Vi este show em julho de 2010 em companhia de minha mãe no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, quando paguei R$ 150,00 pelo ingresso, valor de inteira. Em sua passagem com o mesmo show pela segunda vez em Brasília, comprei ingresso pelo mesmo valor, no entanto, referente à meia-entrada, ou seja, o show na capital federal custou o dobro do que na capital mineira. Se compararmos o nível dos locais de ambos os shows, o Palácio das Artes dá de mil no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em termos de conforto, acústica e decoração. Chovia muito na noite de domingo. As dificuldades de estacionar no local são grandes e com chuva, pioram bastante. O auditório do centro de convenções estava lotado, mas sem as horrendas cadeiras extras. Ney começou o show praticamente no horário, pois as cortinas se abriram às 20:07 horas, quando o início estava marcado para 20 horas. A falta de educação do público de Brasília é inacreditável, pois com mais de meia hora de show, ainda chegava gente para se sentar nas primeiras filas, não se importando de atrapalhar quem chegou no horário e estava sentado apreciando o belo espetáculo proporcionado por Ney Matogrosso. O roteiro foi o mesmo de BH (para ler post do show, clique aqui), começando com Tango para Tereza. No bis, Ney voltou três vezes, encantando a plateia que, ao final, já se aglomerava nas proximidades do palco, tentando um melhor ângulo para fotografar o cantor. Também tirei algumas fotos, mas de longe, o que prejudicou na qualidade, mas que dão uma geral do palco e das cores que Ney usou em sua iluminação. Seguem algumas fotos do show de domingo:








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sexta-feira, 17 de junho de 2011

JOHN PIZZARELLI QUARTET


No último domingo, dia 12 de janeiro, constatei que as músicas de George Gershwin, John Lennon, Paul McCartney, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, James Taylor, João Gilberto tem algo em comum. Todas elas ficaram ótimas com os arranjos feitos pelo grupo de John Pizzarelli, numa batida jazz. Isto ocorreu em show no Auditório Ruth Cardoso do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, às 20 horas, para o qual paguei R$ 88,00, já incluída a taxa de administração da Ingresso Rápido, para ficar bem localizado na Plateia Vip. John Pizzarelli estava acompanhado por piano, bateria e violoncelo, este último a cardo de seu irmão, músicos que formam o John Pizzarelli Quartet. O band leader não largou sua guitarra em nenhum momento do show. Todos usam terno e gravata, embora o show não seja formal como o traje poderia sugerir. Houve um atraso considerável para o início do espetáculo, pois houve venda de ingressos duplicados para o mesmo assento, fato que movimentou a produção para recolocar todos que tiveram este transtorno. O show é alegre, Pizzarelli é simpático, utilizou várias frases em português, e se dirigiu ao público, em inglês, por várias vezes. Ao cantar a primeira das canções brasileiras, Águas de Março (Tom Jobim), na versão inglesa, elogiou a música brasileira, dizendo-se ser um arodoroso fã. Ainda fizeram parte do set list do show outras canções brasileiras, entre elas Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), também cantada na versão inglesa, que foi acompanhada, em português, pela plateia, fazendo um bonito jogo de línguas para a música; e Só Danço Samba (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), cantada em um português quase sem sotaque. O show durou por volta de uma hora e meia, com direito a dois bis. Gostei do show, da vibração positiva em noite fria e especial em Brasília. O espaço não ficou cheio, muito antes pelo contrário, havia muita poltrona vazia. Não é a primeira vez que vejo isto em um show de jazz no mesmo local. Por falar em local, o Auditório Ruth Cardoso não é espaço apropriado para shows de jazz. É muito grande, com péssima acústica, muito frio e nada intimista, aspectos que não combinam com um show deste gênero musical. Teatros menores, como o Oi Brasília, a Caixa Cultural e o CCBB, para ficar apenas com três exemplos na cidade de Brasília, seriam muito mais adequados para receber tais shows.

domingo, 1 de maio de 2011

BICICLETAS, BOLOS E OUTRAS ALEGRIAS - VANESSA DA MATA

Minha amiga do Espírito Santo novamente me buscou em casa para irmos ao show Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias, espetáculo homônimo do novo disco de Vanessa da Mata. Esta amiga foi a responsável pela compra dos ingressos no site da Live Pass, quando ainda estava em Vitória. Ela pagou para que os ingressos (quatro ao todo) fossem entregues em sua residência, mas não os recebeu. Depois de várias ligações, informaram a ela que deveria comparecer uma hora e meia antes do horário marcado para o início do show para retirar os ingressos na bilheteria armada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, local onde Vanessa da Mata se apresentaria na noite de sábado, no Auditório Ruth Cardoso. A atendente da Live Pass não soube informar o horário que a tal bilheteria abriria, repetindo que ela deveria estar uma hora e meia antes do início do show, ou seja, às 19:30 horas. Minha amiga, já enfurecida, passou no local no meio da tarde, conseguindo retirar os ingressos, mas sem receber de volta o valor pago pela entrega de tais entradas em sua casa. Detalhe que ela vai resolver depois com a empresa. Chegamos às 20:30 horas, conseguindo facilmente uma vaga para estacionar bem em frente à entrada do centro de convenções. Pela inteira, contando a taxa de administração, cada ingresso custou R$ 276,00 para o setor VIP Gold, fileira N, com lugares bem centralizados, de frente para o palco (a imagem do ingresso colocado nesta postagem se refere à meia entrada, do filho de minha amiga). Excelente posição. Desta vez, todas as quatro portas de acesso ao teatro foram abertas, evitando a demora e as filas que se formaram para o show de Ana Carolina na noite anterior. Ninguém exigia comprovante de meia entrada, mesmo fato da noite anterior. Fica a pergunta: pra que pagar inteira? O público era bem mais calmo e muito mais eclético. Tinha gente vestida de tudo quanto é forma. Desde mulheres com longos até homens de bermudas e sandálias. Estranhei o número de cadeiras vazias que ainda existiam quando o relógio já indicava meia hora de atraso. Ainda esperamos mais trinta e cinco minutos para que o show começasse, já com a casa lotada (22:05 horas). As luzes se apagaram e um vídeo produzido pela Natura passou nos telões laterais, já que a turnê é patrocinada pela empresa de cosméticos em seu projeto chamado Natura Musical. Terminado o vídeo, a banda já estava na lateral direita do palco. Formada por Gustavo Ruiz (vocais e violão), Donatinho (teclados), Maurício Pacheco (guitarra), Stephane San Juan (bateria) e Kassin (baixo, arranjos e direção musical), hoje um dos produtores de discos mais requisitados pelos cantores e cantoras brasileiros. Todos vestiam figurino preto. Vanessa entrou devagar, sorrindo para a plateia, vestindo um belo vestido branco, com uma enorme flor, também branca, enfeitando sua vasta cabeleira. Ela se postou em uma pequena escada negra de três ou quatro degraus, ao lado esquerdo do palco para interpretar a primeira música, As Palavras, do repertório de seu mais recente trabalho, lançado no segundo semestre de 2010. O show é baseado neste novo cd, entremeado com sucessos de sua carreira, mesclando momentos mais calmos e outros mais agitados, momentos em que o público acompanhava suas canções e outros em que apenas ouvia, talvez por ainda não estar familiarizado com este novo repertório. Quando o show já estava na terceira música, isto já bem mais de 22 horas, um casal chegou e se dirigiu aos seus lugares, três filas à minha frente. Os lugares já estavam ocupados. Quem os ocupava não queria sair. O casal, ficou plantado em pé, atrapalhando a todos que estavam nas fileiras atrás. Só sairam dali depois de muita gente reclamar, incluindo eu (tirei uma foto que está ao final desta postagem). O tal casal (sem trocadilhos com a música de Vanessa da Mata, também executada durante o espetáculo) não se conformou em não se sentar em seus lugares, mesmo atrasadíssimos. Buscaram um segurança e alguém da produção. Ao final, venceram. Prova para mim, mais uma vez, que o público de Brasília é sem educação. Chegar atrasado é um desrespeito para quem chegou no horário e ocupou seus respectivos lugares, conforme indicado no ingresso, além de ser também uma falta de educação para com o artista que está no palco. Bem faz o CCBB e a Caixa Cultural que avisam em seus ingressos que depois de apagadas as luzes, não se garante mais os lugares de quem chega atrasado. Já passou da hora dos produtores de shows em Brasília repensarem os rotineiros atrasos para início dos espetáculos e esta questão de quem chega depois do início do show ou peça teatral. Voltando ao show, sua direção, assim como a cenografia e a iluminação, é de Bia Lessa. Conhecendo o seu trabalho, fiquei, inicialmente, surpreso com a simplicidade do cenário. Banda colocada em um lado e um pano de fundo branco, onde eram projetadas imagens singelas, muitas desenhadas, que tinham relação com cada canção que era interpretada por Vanessa da Mata. A surpresa terminou no meio do show, quando a cantora voltou para a escada preta do lado esquerdo, quando um potente ventilador ligado de baixo para cima fazia esvoaçar as peças do vestido branco, além dos cabelos da cantora. Um efeito visual muito bonito, lembrando a famosa cena de Marylin Monroe no cinema, quando seu vestido se levanta ao ela passar por cima de um respiradouro do metrô. Quando Vanessa foi cantar Meu Aniversário, ela errou a música. Pediu para a banda parar e disse que ficaria incomodada se não reconhecesse que errou. Reiniciou a canção do zero. Houve um breve momento em que ela deixou o palco, voltando com um sobretudo longo totalmente negro, cantando A Distância, de Roberto e Erasmo Carlos. Momento bonito do show. Descobrimos que era apenas um sobretudo, pois depois de interpretar o sucesso de Roberto Carlos, ela cantou mais uma música lenta, retirando, em seguida, no palco, o sobretudo, reaparecendo o vestido branco que usou durante todo o show. A gostosa música Fiu Fiu foi prejudicada pelo arranjo e pelo volume dos instrumentos musicais, pois em algumas partes da canção, mal se ouvia a voz da cantora. Ao interpretar Bolsa de Grife, ela desceu para junto da plateia, deixando ser tocada pelos fãs que se aglomeravam na primeira fila. Desta vez, sem nenhuma grade separando o público, atitude bem diferente de Ana Carolina no dia anterior. A música tem dois momentos distintos, um mais agitado, quando ela estava junto do público, e outro mais lento. Ficou fácil de identificar que ela não conseguiu voltar ao palco a tempo de cantar a parte lenta ao lado da banda, como previa o roteiro, pois a banda esticou a parte instrumental, enquanto ela corria para o palco novamente. Ofegante, tiveram que esperá-la recuperar o fôlego. Do novo cd, ainda executou O Tal Casal; Moro Longe; Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias, entre outras. O público foi ao delírio quando se ouviram os primeiros acordes de Boa Sorte, assim como de Não Me Deixe Só e de Ai Ai Ai, que fechou o show, antes, obviamente, do bis. Quando voltou, cantou apenas mais uma música, o sucesso de Bob Marley Stir It Up, dizendo que aquela música estava em teste, justificando previamente o motivo pelo qual lia a letra da canção. Ainda deu uma chamada em uma pessoa que gravava descaradamente o show bem próximo ao palco em um aparelho parecendo um notebook. Ela disse que se o cara vendesse aquele material, ela o reconheceria. Foi uma chamada bem humorada, especialmente quando ela falou um "alô Sony Music!", sua gravadora, no sentido de que seus direitos estavam sendo usurpados por alguém. O público quis mais, pedindo para ela cantar Eu Sou Neguinha?, de Caetano Veloso. Ela fez charme, disse que não estava ensaiado, perguntou se a banda topava, especialmente para Kassin, que respondeu que já que estavam ali, porque não tocar. Quando cantou, via-se que todos estavam plenamente ensaiados. Depois de uma hora e quarenta minutos, terminava outro belo show. Ao sair, encontrei um conhecido que também viu os dois shows os quais assisti neste final de semana. Ele me perguntou qual eu havia gostado mais. De pronto, respondi que o de Vanessa da Mata, justificando que gosto muito de Ana Carolina, mas o público histérico que a acompanha me irrita um pouco. Hoje, ao escrever esta postagem, revi minha posição. Embora o show de Vanessa da Mata tenha mais produção, o show de Ana Carolina teve mais emoção. Hoje, eu responderia a este conhecido que preferi o da cantora mineira. O público, que lotou o teatro, saía ao mesmo tempo, mas sem o empurra empurra da noite anterior. Minha amiga me levou direto para casa. Cansado, fui logo dormir.


Casal chega atrasado no show de Vanessa da Mata, atrapalhando quem estava nas fileiras de trás


Vanessa da Mata cantando Eu Sou Neguinha?, última música do show


ENSAIO DE CORES - ANA CAROLINA

Há mais ou menos um mês fiquei sabendo que Ana Carolina estaria em Brasília apresentando seu show no Auditório Master, agora batizado de Auditório Ruth Cardoso, do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Como fazia um bom tempo que não via um show desta cantora mineira, procurei me informar quando seria e onde os ingressos seriam vendidos. Apresentação única no dia 29 de abril de 2011, com ingressos vendidos nos pontos físicos da Ingresso Rápido ou no sítio eletrônico desta empresa. Preferi comprar na Loja Free Corner do Brasília Shopping, mais próxima de minha casa e de mais fácil acesso para quem trabalha na Esplanada dos Ministérios, como eu. Fui na hora do almoço. Escolhi os lugares mais à frente disponíveis no momento. Comprei três ingressos, pois uma amiga e colega de trabalho, que mora no Espírito Santo viria com seu filho para este show. Duas inteiras e uma meia entrada, já que desta vez apenas idosos e estudantes tinham direito à meia entrada. Valor salgado. Foram R$ 300,00 para um ingresso de valor cheio para me sentar no setor "Plateia VIP", na fila P, na lateral direita de quem fica de frente para o palco. No mesmo dia do show, a partir de 15 horas, uma exposição de telas pintadas pela própria cantora estava exposta no saguão de entrada do Auditório Ruth Cardoso. Minha amiga me buscou em casa para irmos juntos. Além do filho, uma sobrinha também veio conhecer Brasília e conferir o show de Ana Carolina. Para tanto, ela comprou o ingresso pela internet. Chegamos por volta de 20:40 horas. Já havia um grande movimento na porta, mas foi fácil estacionar no pequeno estacionamento em frente ao Centro de Convenções. Isto comprova o que sempre digo: o público da cidade adora chegar atrasado em shows e peças teatrais. Como de costume, recebemos quase uma dezena de filipetas na porta, que faziam propagandas de outros shows, de empreendimentos imobiliários, dos patrocinadores do show e de outras atividades culturais. Demos uma rápida passada pela exposição das telas. Na verdade fizemos o que chamo de leitura diagonal ou leitura dinâmica, ou seja, passamos meteoricamente pelos quadros. Deu apenas para perceber que todos eram abstratos, com uso de muita cor e seus nomes eram de sucessos musicais da cantora. Mais tarde, fiquei sabendo que ela assina AC quando está revestida da condição de artista plástica. Todas as telas estavam à venda, com parte da arrecadação revertida para uma entidade paulista que atende diabéticos, doença da qual sofre a cantora desde sua adolescência. Ficamos muito tempo no saguão que dá acesso ao teatro, pois as portas estavam fechadas. Para entrar no teatro, há, pelo menos, quatro portas ao fundo, mas placas indicavam que apenas duas delas, as mais ao canto, seriam abertas. E de fato o foram, gerando uma grande demora para que o público entrasse. Isto sem falar no considerável atraso para que o acesso ao teatro fosse liberado. Conclusão: o show começou às 21:50 horas. Observando o ingresso, notei uma filigrana da empresa. O horário do show não estava marcado de forma exata, mas sim com a singela expressão "a partir de 21 horas", ou seja, se considerarmos ao pé da letra esta informação, não houve atraso algum no início do espetáculo. Quando as luzes se apagaram por completo, indicando que era hora do show começar, houve a já famosa gritaria histérica das mulheres que amam mulheres, público fiel e cativo de Ana Carolina. A histeria foi mais intensa quando o locutor agradeceu a presença de todos, anunciando que estava confirmado para aquele mesmo local, no dia 21 de setembro, o show de Maria Gadú. Terminados os avisos e agradecimentos, três mulheres entram no palco. Era a pequena banda de Ana Carolina, todas vestidas de preto. Elas eram Gretel Paganini no violoncelo, Délia Fischer nos teclados e LanLan na percussão e bateria. LanLan já é uma referência no cenário nacional no quesito percussão, posição conquistada ao longo destes anos desde a época em que fazia parte da banda de Cássia Eller. E durante o show mostrou toda a sua habilidade em um ótimo duelo de pandeiros com Ana Carolina. A cantora entrou no palco com seu indefectível paletó preto, sua marca registrada, empunhando uma guitarra, sendo muito ovacionada pelo público, mas a gritaria da mulherada eram um caso à parte, o que aconteceu durante todo o show. Os mais variados elogios e convites foram feitos à cantora, que os recebia com bom humor e os respondia provocativamente, atiçando mais suas fãs. Além da banda enxuta, o cenário era composto apenas por um fundo branco no qual projeções muito coloridas foram feitas ao longo do espetáculo, que durou pouco mais do que uma hora. O início foi vigoroso com um arranjo instrumental pesado para Rai das Cores (Caetano Veloso). Quase nem conheci a música. Ensaio de Cores, nome do show, mostra a artista antenada com seu momento artista plástica, além de revelar a faceta intérprete, cantando músicas de outros compositores, como fez com Alguém Me Disse (Jair Amorim e Gealdo Gouveia), clássico bolero brasileiro, já gravado por Gal Costa em seu disco "Plural" e pela própria Ana Carolina em seu primeiro cd. Quando da execução desta música, Gretel Paganini arrasou com seu violoncelo, o que me fez lembrar a violinista pop Vanessa May. Nesta vertente intérprete, ainda houve Todas Elas Juntas Num Ser Só (Lenine e Carlos Rennó), quando a mulherada se assanhou a cada nome feminino cantado; Azul (Djavan), em momento solo, apenas com um baixo nas mãos, enquanto ao fundo uma profusão de traços abstratos azuis pincelavam a tela branca. Sua interpretação bem particular para este sucesso de Djavan foi, para mim, um dos pontos altos do show. Mas nada superou quando ela colocou sua potente voz na música Força Estranha (Caetano Veloso). Com sua interpretação, ficou parecendo que esta música foi feita para ela. Um primor. Houve músicas inéditas, como As Telas e Elas, de sua autoria, e o samba Pra Tomar Três, composto em parceria com Edu Kriger, um nome que vem crescendo no cenário musical brasileiro. Um momento bonito foi a execução de Violão (Sueli Costa e Paulo César Pinheiro), quando Ana Carolina e as três integrantes de sua banda se sentaram juntas, cada uma com um instrumento de cordas nas mãos, fazendo um belo número instrospectivo, para, em seguida, emendar com uma junção, no mínimo curiosa: a interpretação de Feriado (Chico César), O Amor É Rock (Tom Zé) e Entre Tapas e Beijos (Nilton Lamas e Antônio Bueno), esta última, grande sucesso da dupla Leandro & Leonardo. Apesar de ela anunciar antes de que não gostava deste sucesso sertanejo, mas cantaria porque virou um hit, sua interpretação foi simbolizada por muita alegria, inclusive no arranjo vocal das três instrumentistas, que nesta hora, viraram backing vocals, com direito a dança coreografada e uuus e lálálás. Claro que sucessos da cantora fizeram parte do repertório, quando a histeria chegou ao extremo, especialmente quando interpretou Eu Comi A Madonna (Totonho Villeroy, Ana Carolina, Alvin L. e Mano Melo) e Garganta (Totonho Villeroy), justamente as duas últimas músicas do show. Para conter a galera, vi pela primeira vez neste auditório, uma cerca que impedia que as pessoas chegassem próximas ao palco. A própria cantora parecia ter medo de chegar perto do público, pois acho que temia que a puxassem (creio que isto já aconteceu antes com ela). Mas ela não deixou de pegar os objetos jogados pelo público no palco, autografá-los e devolvê-los às donas. Os mais inusitados foram uma camisa da seleção brasileira de futebol e um pandeiro. Com o público de pé, pedindo bis, elas voltaram para a execução do mega sucesso É Isso Aí (Damien Rice, com versão para o português de Ana Carolina e Seu Jorge). Fim de um belo show. Na saída, passamos novamente em frente às telas. Como a saída era lenta, pude ver melhor alguns quadros. Nada me interessou muito. Gosto mais dela como cantora. A saída sempre é problemática no Centro de Convenções, pois são cerca de 3.000 pessoas tentando sair ao mesmo tempo. Para piorar, só uma banda da apertada porta de vidro estava aberta, o que afunilava o fluxo. Nesta hora, parece que todos tem que tirar o pai da forca, pois sempre há um empurra-empurra e, por incrível que pareça, quem mais gosta de empurrar são as mulheres (observem isto em grandes shows onde o público fica em pé ou em baladas e festas). Recebi uma mensagem para encontrar com os amigos no El Paso Latino. Assim, minha amiga me deu uma carona até o restaurante, que também está no 6º Brasil Sabor. Hora, portanto, de experimentar mais um prato deste festival gastronômico.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

NATALIE COLE

Em 2011 resolvi colocar em prática uma ideia que há muito vinha amadurecendo em minha cabeça. Na medida do possível (leia-se tempo e dinheiro), ir em tudo quanto é show musical, oportunidade para conhecer gêneros que tinha/tenho preconceitos e cantores/cantoras/bandas que jamais pensaria em ver ao vivo. Quando vi a propaganda que Natalie Cole estaria em Brasília, em show único na noite de 12 de abril, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, acessei a página do Correio Braziliense, imprimi o cupom de descontos do Sempre Você (necessário ser assinante) que me garantia pagar meia entrada e fui até o único ponto de vendas de ingressos, a loja VR do Brasília Shopping. Paguei R$ 250,00 para ficar na poltrona em área vip, mais próxima ao palco, fazendo um protesto, pois a produção do show parece ainda viver na era das trevas, aceitando como pagamento apenas dinheiro, enquanto todos os demais shows internacionais que estão acontecendo em Brasília a opção de pagar com cartão já é uma realidade. A dificuldade de estacionamento no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, um lugar enorme com pouquíssimas vagas, me fez chegar com uma hora de antecedência ao local, onde passei o tempo navegando na internet pelo celular. As portas se abriram quase na hora marcada para ter início o show, sinal de que teríamos, como já de rotina na cidade, um atraso. O auditório comporta quase três mil pessoas. Como o público não era grande o suficiente para enchê-lo, ficou parecendo estar vazio, embora havia um bom número de pessoas, a esmagadora maioria pra lá da casa dos cinquenta anos. Os sete músicos que a acompanham e mais duas backing vocals se posicionaram no palco ainda com as luzes do teatro acesas. Houve um anúncio sobre a proibição de tirar fotos e filmar, apagaram-se as luzes, soando os primeiros acordes para a entrada, às 21:20 horas, de Natalie Cole que usava um vestido longo de um dourado esmaecido muito brilhante, que deixava suas costas totalmente a descoberto, mostrando uma tatuagem na altura de um dos ombros e um corpo magro e esguio. Na pele, muita purpurina. Sua voz preencheu de forma contundente o ambiente. A mulher que sentava ao meu lado parecia uma histérica em shows de bandas adolescentes, assobiando após cada música, gritando, batendo palmas e não entendendo nada do que a cantora falava, pois sempre perguntava para a sua amiga do lado se ela estava entendendo alguma coisa. Entre uma música e outra, Natalie Cole conversava com a plateia, sempre em inglês, ou com seus músicos, mostrando-se bem descontraída e humorada. A primeira parte do show foi morna, sonolenta, cheguei quase a cochilar. A plateia se animou quando ela anunciou que faria um set de músicas brasileiras, mas com letras em inglês. Para minha decepção, a maioria era de Sérgio Mendes, de quem não sou fã. Mas quando a melodia de introdução de Dindi (Tom Jobim, Aloysio de Oliveira e Ray Gilbert) soou, houve um momento de júbilo coletivo. A interpretação e o arranjo para a canção foram muito bonitos. A partir daí o show mudou de tom (sem trocadilhos), melhorando consideravelmente, quando ela cantou alguns sucessos e standards mundiais como Fever (Eddie Cooley & John Davenport), gravada por uma constelação de astros da música como Madonna, Peggy Lee, Michael Bublé, Beyoncé, Ella Fitzgerald, Elvis Presley, The Doors, Diana Krall e tantos outros. Momento de emoção quando ela interpretou Smile (Charles Chaplin) e a obrigatória Unforgettable, repetindo o dueto que fez com seu pai Nat King Cole depois que ele morreu graças à tecnologia. Nesta hora, ela repetiu o dueto no palco com o vídeo de seu pai que passava nos dois telões localizados nas laterais do auditório. Por falar em telão, a transmissão ao vivo do show tinha uma péssima resolução. Ela arrancou risos da plateia quando, sentada, disse que tem uma pequena porção rockn' roll, fazendo o sinal com os dois dedos de algo muito pequeno. Era o momento de interpretar, em arranjo mais para o jazz, uma música da banda Fleetwood Mac. Com uma hora e meia de show, ela encerrou com uma canção alegre, vibrante, diria até dançante, mas ninguém ousou se levantar das cadeiras. Agradecendo com um aceno de mãos, ela se despediu, mas a banda permaneceu no palco, sinal de que um bis viria. Longamente aplaudida, ela demorou um tempo a retornar ao palco, quando cantou somente mais uma música, se despedindo definitivamente do público. A banda ainda permaneceu, mas um batido de bateria de escola de samba, em som mecânico, colocou a plateia, que ainda insistia em pedir mais um, para sair do auditório. Com o sambão correndo solto, as duas backings vocals resolveram se requebrar e até que deram conta do recado, arrancando aplausos e risos da plateia. Na saída, ouvi opiniões divididas sobre o show, com elogios e também reclamações. O certo é que, para mim, ele não foi homogêneo, com altos e baixos. Valeu a pena ir, pois pude apreciar sua bela voz e alegria ao vivo. Talvez o local escolhido pela produção não tenha sido o mais adequado. O show é para locais menores, como o Teatro Oi, onde o clima favorece um show mais intimista, mesmo com uma banda enorme acompanhando a cantora. Já no estacionamento, demorei mais de quarenta minutos para conseguir sair, pois quem estaciona em frente ao Centro de Convenções acaba levando desvantagem na hora de ir embora, pois há um fluxo intenso de carros na via de rolamento, fazendo com que os carros que estão na área do estacionamento tenham dificuldades de saírem do lugar. Cheguei em casa depois de meia noite.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PETER FRAMPTON

A quinta-feira foi puxada. Dei aula o dia inteiro para uma turma bem atenta, mas que perguntava pouco. Desta forma, cheguei ao fim do dia com rouquidão, além do cansaço. Logo que terminei a aula, recebi a ligação de uma amiga perguntando se eu tinha interesse em ir ao show do Peter Frampton. Respondi que não tinha comprado ingressos, quando ela me ofereceu dois. Ela havia ganhado e não poderia ir. Aceitei. Passei na casa dela para pegar as duas entradas. Já em casa, tive vontade de desistir quando vi a cama. Ric chegou e, sabendo das entradas, me convenceu a irmos. Chegamos meia hora antes do horário marcado para início do show. Ainda não haviam aberto as portas do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Ficamos na fila. Não houve tumultos, nem aglomerações para entrar. Com lugares marcados e um público na faixa etária de cinquenta anos, todos respeitavam a fila. Nossos lugares eram bem centralizados, na fila Q, imediatamente à frente da mesa de som. Assim, pude ouvir no rádio dos técnicos que o show começaria às 21:30 horas. De fato, quando o relógio apontava para nove e meia da noite, as luzes se apagaram. O público de Brasília continua o mais desrespeitoso com os artistas e com quem chega no horário. Com meia hora de show, ainda tinha gente chegando ao Auditório Máster do centro de convenções. O teatro não estava lotado, pelo contrário, havia muita cadeira vazia. Peter Frampton, já um senhor careca, com poucos cabelos brancos, nada lembrava o jovem louro de cabelos compridos que fez enorme sucesso na década de setenta. Seu show foi baseado nos dois últimos discos, embora o tenha recheado com os seus hits Show Me The Way e Baby, I Love Your Way. Com poucas músicas conhecidas, a plateia estava atenta, especialmente nos diversos números instrumentais, com intermináveis solos de guitarras, bateria e órgão. Obviamente que, na hora dos hits, o público foi ao delírio, cantando junto com Frampton. Ele fazia um esforço para ser agradável, lendo frases em português, mas logo desistiu, dizendo, em inglês, que o português era uma língua muito sexy e que ele fazia um grande esforço para tentar falar em nossa língua. Como a turnê estava começando por Brasília, ele provocou o público feminino pedindo algumas das presentes para se candidatarem a lhe ensinar o portugês nestes dias de estada no Brasil. Algumas tietes, lembrando dos anos de sucesso do cantor, se agitaram nas cadeiras. Achei válida a minha ida ao show, pois pude ver um artista que marcou época, que ainda tem a voz afinada, que não perdeu a sinergia com o palco e que é um grande instrumentista. Mostrou também que o talk box (um instrumento que altera a voz na hora de cantar) continua sendo muito utilizado em seus shows. Eu estava muito cansado e o excesso de músicas instrumentais me cansou, fiquei com muito sono. Quando a banda foi apresentada, o público, instado pelo guitarrista que toca há 31 anos com o cantor, se levantou. Muitos correram para ficar perto do palco. Celulares e câmaras digitais pipocaram no teatro. O show chegava ao fim. Não esperamos o tradicional bis. Cansados, mas com fome, ainda passamos na lanchonete The Plates para um lanche rápido. Em casa, só foi deitar. Logo adormeci.

sábado, 10 de abril de 2010

MULHERES DO BRASIL


Passou por Brasília a turnê Mulheres do Brasil, show que tem Vanessa da Mata convidando cantoras de diversas gerações da música brasileira. As convidadas da noite de sexta-feira foram a paulistana Mariana Aydar e a amapaense-mineira Fernanda Takai. Com atraso de quarenta minutos, o Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães recebeu um ótimo público para conferir o espetáculo. Minha poltrona era central, na décima primeira fila, pela qual paguei R$ 100,00 (meia entrada com o cupom Mais Você do Correio Braziliense). O show é basicamente o mesmo que Vanessa da Mata vem percorrendo o Brasil desde o lançamento de seu dvd gravado em Parati. Ela entrou acelerada, cantando as duas primeiras músicas apressadamente. Depois, passou para um ritmo mais adequado. Mesmo com o grande atraso para o início, ainda assim muita gente só chegou depois de algumas músicas já cantadas. Creio que a plateia de Brasília seja a mais indisciplinada neste aspecto no país. Vanessa disse que estava muito feliz. Era verdade, pois a forma alegre de cantar contagiava o local. Quando passava de uma hora de espetáculo, ela chamou a primeira convidada, Mariana Aydar, quando dividiram o vocal em duas músicas: Pau da Bandeira, do repertório da convidada, e Baú, de autoria de Vanessa. Não rolou a química esperada. Mariana Aydar estava presa no palco, mesmo dançando e se movimentando, totalmente diferente de quando a vi no show de lançamento de seu mais novo trabalho. Tão,logo ela saiu do palco, Fernanda Takai foi chamada. Elegante como sempre, Takai também estava como um peixe fora d'água no palco. Dividiram os vocais em músicas que não fazem parte do repertório de nenhuma delas: Cadeira de Rodas, sucesso brega de Fernando Mendes, e De Onde Vem O Baião, de Gilberto Gil, uma autêntica trava letra, como disse Da Mata, que usou uma cola para cantá-la. Ficou ruim. A química entre as duas também não rolou. Com as convidadas fora do palco, Vanessa cantou As Rosas Não Falam, de Cartola, lindamente, encerrando o show, mas retornando rapidamente para o bis com a sempre aguardada Ai Ai Ai, quando a plateia ficou de pé em frente ao palco tirando muitas fotos e pegando na mão da cantora. Pediram Minha Herança: Uma Flor. Ela disse que acabaria o show, mas voltaria para cantá-la e o fez, quando sentou em um banquinho somente com a guitarra e mandou ver. Obviamente que as viúvas da Legião Urbana gritaram (algo que está ficando irritante em Brasília, pois qualquer show alguém grita para cantar uma música da Legião, algo parecido com o Toca Rauuuuul!) e ela cantou Por Enquanto a capella. Foi ovacionada. Um show bonito se considerarmos apenas a performance de Vanessa da Mata. As demais Mulheres do Brasil são melhores em seus respectivos repertórios, com shows produzidos para elas. As convidadas ficaram devendo...

terça-feira, 23 de março de 2010

B.B. KING

Em 2004, quando B.B. King esteve em Brasília, não consegui ver seu show, pois estava viajando a trabalho. Fiquei com vontade de assistir a um show deste mito do blues, mas achei que nunca mais teria oportunidade de vê-lo. Ao saber que ele retornaria ao Brasil para uma turnê que incluia Brasília, fiquei de prontidão para comprar o ingresso. Tão logo se definiu local e os ingressos foram colocados à venda, corri para comprar minha entrada. Paguei caro, R$ 300,00 (meia entrada - promoção Sempre Você do Correio Braziliense), para sentar no setor mais a frente. Fiquei em um local ótimo, sem a tietagem das primeiras filas. O show ocorreu na noite de segunda-feira, 22/03/2010, na Sala Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, que recebeu um público enorme. As dificuldades de estacionamento no local são grandes, mas decidi não mais me estressar com isto. Cheguei faltando vinte minutos para o horário previsto para o início do show. Parei no estacionamento do Clube do Choro, próximo ao local e fui caminhando até lá. No mesmo lugar, ocorria um evento de slow food, portanto, havia muito carro. O show atrasou em meia hora. Às 21:30 horas, anunciam a chegada da banda que acompanha o mito. O começo foi arrasador, com os oito integrantes da banda atacando um set instrumental longo, onde todos puderam solar e mostrar sua performance para a plateia, que correspondia com aplausos. Depois de aproximadamente vinte minutos, B.B.King chega em uma cadeira de rodas, escoltado por dois ajudantes que o levam até a cadeira onde ele faria seu show. Muito simpático e falante, ele é recebido de pé. Faz uma longa introdução apresentando cada membro de sua banda. Ataca, então, os primeiros acordes em sua inseparável guitarra Lucille. Depois, novo discurso, para enfim, cantar a primeira música. A voz é inconfundível e encheu todo o enorme auditório. Como o microfone não estava em local apropriado e devido a falta de mobilidade do cantor, em alguns momentos a sua voz não era ouvida, pois ele cantada longe do microfone. Mais uma música e nova falação. Foi assim até o fim: muito discurso, especialmente sobre o quanto gostava do Brasil, das mulheres em geral, de suas andanças pelo mundo. Música que é bom, quase nada. Fez brincadeiras com as mulheres pedindo que ao contar até quatro, quando disse os números em português, elas beijassem quem estivesse ao seu lado. Depois cantou uma estrofe para os homens presentes. Quando o relógio já demonstrava uma hora e meia que os músicos estavam no palco, o show terminou muito semelhante ao que acontece com os shows de Roberto Carlos, sem oportunidades para um bis. O set instrumental ao final foi longo, enquanto B.B. King, ainda sentado, jogava dezenas de paletas de guitarra para o público e distribua um objeto que, ao longe, me parecia um chaveiro. A cena me lembrou aquelas praças cheias de pombos onde turistas jogam milho para eles se alimentarem. Patético. Ao sair, costumo observar as reações das pessoas. Algumas estavam em êxtase por terem visto o mito do blues de perto, enquanto outras estavam chateadas por ele ter cantado pouquíssimas músicas. Não cheguei a ficar chateado, pois queria conferir uma performance de B.B. King ao vivo e, mesmo tendo executado número pequeno de canções, foi legal ter ido ao show, mas confesso que nunca paguei tão caro para ouvir discurso. Como disse um senhor na saída do espetáculo, foi muita embromação.