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terça-feira, 26 de novembro de 2013

CONFRARIA VINUS VIVUS - 81ª REUNIÃO

Por problemas de agenda dos seus integrantes, a Confraria Vinus Vivus não conseguiu se reunir no mês de outubro, realizando sua 81ª reunião no dia 04 de novembro de 2013. Mais uma vez o encontro foi na residência de Vera. Aproveitando a viagem que fizemos à Itália, Vera comprou uma trufa branca para nosso jantar pós degustação dos vinhos tintos italianos do Piemonte, justamente a região onde se encontra esta iguaria gastronômica. A trufa foi adquirida com o dinheiro disponível da confraria, custando € 108. Para surpresa de todos, inclusive da dona da casa, a noite não teve uma sessão exclusiva de degustação. Marcos resolveu fazer uma prova em jantar harmonizado. Ele levou apenas um espumante e três vinhos, o que frustrou todos os integrantes da Vinus Vivus. Vamos aos vinhos da noite, que foi recheada de casos contados por Vera, Cláudia e Leo S sobre a viagem de férias ao Piemonte, bem como sobre o estresse de como passar com a trufa branca pela alfândega brasileira. O confrade André não pode se fazer presente, o que possibilitou a Felipe participar, mais uma vez no ano, de uma reunião da confraria. Os itens cor, aroma e boca, sempre discutidos em nossas reuniões, não foram destacados desta vez.

Vinho 1 (espumante) – Cuvée Bella Vista Franciacorta


Safra: sem safra.
Álcool: 12,5%.
Casta: pinot nero e chardonnay.
Produtor: Franciacorta.
Região: Brescia, Lombardia, Itália.
Importador: World Wine (Art du Vin).
Valor: R$ 230,00.
Harmonização no jantar: cappuccino de funghi, manteiga trufada e perlage di tartufo nero. Esta entrada estava divina.
Observação: não entrou na votação do melhor da noite.


Vinho 2 – Travaglini Gattinara Riserva


Safra: 2006.
Álcool: 13,5%.
Casta: 100% nebbiolo.
Produtor: Travaglini Giancarlo.
Região: Gattinara, Piemonte, Itália (DOCG).
Importador: World Wine (Art du Vin).
Valor: R$ 260,00.
Estágio: 30 meses em barricas de carvalho esloveno, sendo 20% em grandes pipas (2 mil litros) e mais 12 meses em garrafas.
Harmonização no jantar: massa com manteiga e lascas de trufa branca ralada na hora pernil de porco assado, acompanhado por batatas coradas e farofa de couscous. Este vinho foi o preferido para acompanhar a massa trufada.


Vinho 3 – Bruno Roca Barbaresco Rabajà

Safra: 2008.
Álcool: 14,5%.
Casta: 100% nebbiolo.
Produtor: Azienda Agricola Rabajà di Rocca Bruno.
Região: Barbaresco, Piemonte, Itália (DOCG).
Importador: World Wine (Art du Vin).
Valor: R$ 526,00.
Estágio: 30 meses em barricas de carvalho e mais 12 meses em garrafas.
Harmonização no jantar: massa com manteiga e lascas de trufa branca ralada na hora pernil de porco assado, acompanhado por batatas coradas e farofa de couscousHouve uma divisão entre os confrades na melhor harmonização com a carne de porco. Leo S, Vera, Fernanda, Cláudia e Felipe preferiram este vinho.


Vinho 4 – Pio Cesare Barolo


Safra: 2006.
Álcool: 14,5%.
Casta: 100% nebbiolo.
Produtor: Pio Cesare.
Região: Barolo, Piemonte, Itália (DOCG).
Importador: Decanter.
Valor: R$ 630,00.
Estágio: 36 meses em barricas, sendo 70% em carvalho allier e 30% em grandes tonéis, e mais 12 meses em garrafas.
Harmonização no jantar: massa com manteiga e lascas de trufa branca ralada na hora pernil de porco assado, acompanhado por batatas coradas e farofa de couscous. Houve uma divisão entre os confrades na melhor harmonização com a carne de porco. Marcos, Leo L, Abílio, Bruno e Keller preferiram este vinho.
Observação: vinho elaborado com uvas do vinhedo de Ornato. Feito somente em anos de safras excepcionais. Foi o preferido da noite, eleito por unanimidade.


Vinho 5 – Cinqueterre Sciacchetrà


Safra: 2011.
Álcool: 13,5%.
Casta: bosco, albarola e vermentino.
Produtor: Società Agricola Cooperativa Rio Maggiore.
Região: Cinque Terre, Itália (DOC).
Importador: presente de Vera para a confraria.
Valorpresente de Vera para a confraria.
Harmonização no jantar: manjar branco.



cappuccino de funghi, manteiga trufada e perlage di tartufo nero


massa com manteiga e lascas de trufa branca ralada na hora


 pernil de porco assado, acompanhado por batatas coradas e farofa de couscous


manjar branco

Ficou decidido que a primeira reunião de 2014 será com estes mesmos vinhos, oportunidade em que será feita a sessão de degustação antes do jantar, quando poderemos identificar cores, aromas e sabores destes ótimos exemplares do Piemonte.



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

BAROLO - UM PASSEIO PELA CIDADE


Barolo é tão pequena quanto Barbaresco, tendo também menos do que 700 habitantes. Assim, percorrer suas ruas antigas e bem conservadas é rápido. Ficamos em torno de uma hora nesta cidade do Piemonte, famosa mundialmente pelo vinho produzido com a casta nebbiolo, cujo nome, assim como em Barbaresco, a cidade lhe empresta. A cidade é tão organizada que há um estacionamento público localizado na Piazza Colbert, onde param os ônibus e carros que chegam trazendo turistas. Durante a primavera e o outono, acontece todos os domingos uma feira na qual produtos da região podem ser degustados e comercializados. Como não era domingo, não conhecemos esta feira. A van nos deixou no início da Via Roma, de onde já se vê o imponente castelo que toma conta da paisagem urbana da cidade. E foi para este castelo que rumamos. Na subida, passamos em frente à famosa Vinoteca Marchesi di Barolo e do curioso Museo dei Cavatappi, um museu dedicado aos saca-rolhas. Pelo adiantado da hora, estava fechado. O Castello dei Marchesi Falletti faz parte da rota de castelos do Piemonte. A construção sofreu várias intervenções ao longo dos séculos, mas ainda conserva uma estrutura de seu início, no Séc.X. Hoje, ele abriga o Museo del Vino e a sede da Enoteca Regionale de Barolo. Fizemos várias pausas para fotos. Antes de chegar na Piazza Falletti, uma praça que se abre em frente à entrada principal do castelo e onde também está localizada a Chiesa San Donato (Igreja de São Donato), na beira do muro, tem-se uma linda vista das colinas tomadas por vinhedos nos arredores da cidade. Do lado oposto deste muro, existe um belvedere que nos permite ver as ruas e prédios antigos de Barolo. Após mais fotos, retornamos para a Piazza Castello, onde nos perdemos por pequenas vias, apreciando o casario bem conservado, repleto de restaurantes e lojinhas de souvenir. Descemos pela Via Acqua Gelata, dominada por cafés. As placas com o nome desta rua são de mármore pintado que também indicam o antigo nome da via, que outrora se chamava Via del Teatro. Chegamos na Piazza Colbert, onde a van nos aguardava. Era hora de voltar para Alba, distante apenas 13 quilômetros de Barolo. No caminho, cada um acabou de acertar o que devíamos para Silvia, a guia da Tasting Tours. Como já tínhamos pago, individualmente, € 84 via PayPal no mês de agosto, cada um pagou, em dinheiro, mais € 196, valor que compreendia não só o tour desta sexta-feira, como também as visitas e degustações nas duas vinícolas, além da caça às trufas brancas programada para a tarde do sábado. Silvia fez uma reserva para nós jantarmos naquela noite em outra cidade da região, no restaurante Le Torri, localizado em Castiglione Falleto. Jantar marcado para 21 horas. A van nos deixou no Hotel I Castelli, onde eu, Rogério e Emi estávamos hospedados em Alba, seguindo com Vera e Cláudia para o Hotel Calissano. Despedimo-nos de Silvia, pois ela não seria nossa guia na caçada de sábado, combinando com Vera e Cláudia de nos ver novamente às 20 horas, quando elas passariam em nosso hotel, já que estavam com um carro alugado desde quando chegaram na Itália. Hora de um longo banho relaxante.

Museo dei Cavatappi

terça-feira, 5 de novembro de 2013

UM BREVE PASSEIO PELAS RUAS ANTIGAS DE BARBARESCO

Barbaresco é uma cidade bem pequena, praticamente um vilarejo. Tem menos de setecentos habitantes. É famosa pela produção de vinho com a casta nebbiolo, cujo seu nome lhe empresta. Como almoçamos no centro histórico da cidade, aos pés da Torre Barbaresco, torre medieval datada do final do Séc. XI, assim que saímos da Trattoria Antica Torre, resolvemos fazer uma breve caminhada pelas ruas perto do restaurante. Era hora da "siesta", portanto, nada estava aberto para visitação interna. Aproveitamos para apreciar os belos e conservados prédios antigos, muitos deles enormes mansões. Ao lado da torre, está a Chiesa San Giovanni Battista (Igreja de São João Batista), que estava fechada naquela hora. Descemos a Via Torino em direção à Piazza del Municipio, parando aqui e ali para algumas fotos, incluindo uma do imponente Castello Galleani, também chamado de Palazzo Dei Galleani di Barbaresco e Canelli, hoje pertencente a uma das mais famosas e conceituadas vinícolas do Piemonte, a Gaja. Como não conseguimos autorização para uma visita nas suas dependências, nos limitamos a tirar fotos de sua entrada. Ao descer a rua, notamos que fotografias em grande formato retratando folhas secas ornavam muros e paredes das edificações ao longo da via. Era uma exposição fotográfica patrocinada pela Enoteca Regional del Barbaresco. O fotógrafo é Giulio Morra e sua mostra se chama "Foglie - Impressioni d'Autunno" (Folhas - Impressões do Outono, em tradução livre). As fotos mostram as tonalidades de várias folhas de árvores da região, além de folhas de parreiras, o que mais domina a paisagem local. Na mesma via, havia uma barraca onde um senhor vendia salaminhos produzidos na região. Chegamos no cruzamento onde fica a outra igreja do vilarejo, a Chiesa di San Donato (Igreja de São Donato), hoje sede da Enoteca Regional del Barbaresco. Em frente a esta igreja há um simpático restaurante com mesas na calçada, cuja parede principal é ornada com um gigantesco relógio de sol, cujo ponteiro marcava 14 horas. Tínhamos que seguir viagem, pois dali até Barolo, nossa próxima parada, gastaríamos cerca de quarenta e cinco minutos.

Foglie - Impressioni d'Autunno


Castello Galleani




Chiesa di San Donato - Enoteca Regional del Barbaresco

TRATTORIA ANTICA TORRE - GASTRONOMIA EM BARBARESCO (ITÁLIA)

Após uma longa degustação na vinícola La Spinetta, em Castagnole Lanze, era chegada a hora de almoçar. Sílvia, nossa guia, havia reservado para 12:30 horas uma mesa na Trattoria Antica Torre, localizada aos pés da Torre Barbaresco, na parte antiga da cidade de Barbaresco.

Endereço: Via Torino, 71, Barbaresco, Cuneo, Itália.

Contato: +39 173 635170 - anticatorrebarbaresco@gmail.com

Especialidade: culinária italiana, especialmente da região do Piemonte. É do tipo cantina familiar.

Quando fui: almoço de 25 de outubro de 2013, sexta-feira. Éramos 06 pessoas, com reserva feita para 12:30 horas pela guia da Tasting Tours. O restaurante ocupa uma casa de dois andares, toda pintada de amarelo. Não é grande, mas é bem concorrido, frequentado não só pelos turistas que visitam as vinícolas da região, mas também pelos que trabalham por ali. Tem uma localização privilegiada. Ficamos na primeira mesa do salão à direita de quem entra. Chegamos um pouco depois de 12:30 horas, permanecendo no local por mais de uma hora e meia. Sua decoração é simples, com paredes internas nas cores azul e amarelo. Mesas forradas com toalhas brancas.


Serviço: parece que os garçons funcionam no automático, de tanto repetir os mesmos movimentos diariamente. São atenciosos, mas não interagem com os clientes. O cardápio é bem enxuto. Os pratos são bem servidos e não demoram para chegar à mesa.

O que bebi: água mineral com gás Lurisia Bolle (€ 2 a garrafa de um litro) e uma xícara de café espresso ao final (€ 1,75).

O que comi: enquanto esperávamos nossos pedidos, colocaram na mesa um cesto com gressinos (grissini), o tal coperto existente em todos os restaurantes italianos (€ 2), que devoramos rapidamente. Cláudia e Vera falaram tanto de uma entrada que tinham comido no almoço do dia anterior que, ao ver no cardápio, resolvi experimentar. Assim, meu primeiro prato foi um tondino de vitello con salsa tonnata (€ 10). São fatias finas de carne de vitelo assada com um molho de maionese e atum. Pode parecer estranha tal combinação, mas funciona muito bem. A carne quase não leva tempero, deixando esta função para a maionese de atum. Aprovei. Em seguida, veio o que eles chamam de primo piatto, um tajarin tagliati a mano con sugo di carne (€ 12) . Este prato é muito bem servido. É um talharim bem estreito, feito na casa de forma artesanal, servido com um molho de carne. O molho é apenas para dar um pouco de cor e sabor, pois há apenas vestígios de carne de boi. Estava bem saboroso.


tondino de vitello con salsa tonnata


 tajarin tagliati a mano con sugo di carne

Valor que me coube no total da conta: € 30, esclarecendo que neste valor estava incluída a parte da guia, que não a deixamos pagar, embora ela insistisse muito.

Minha avaliação: * * *. Restaurante com comida honesta, bem feita. Não é à toa que estava com todas as mesas ocupadas e, segundo Silvia, é assim todos os dias.

Gastronomia Barbaresco (Itália)

TINHA UMA VESPA NO MEIO DO CAMINHO...

Terminada a degustação na vinícola La Spinetta, fomos para a van, pois já passava do meio-dia. Ainda teríamos que almoçar antes de seguirmos para Barolo, onde faríamos a segunda visita do tour. Silvia havia reservado uma mesa para almoçarmos ao pé da Torre Barbaresco, no restaurante Trattoria Antica Torre. Seguimos para lá. No caminho, mais belas paisagens. Pedimos para parar o carro, pois queríamos tirar mais fotos em uma plantação de uvas com diferentes colorações nas folhas das parreiras, além de ser em terreno na colina, o que permitia uma ótima composição fotográfica. Quando posei para a foto, senti uma forte dor no dedo anular da mão esquerda, bem em cima do anel que eu usava. Não entendia a dor, mas doía muito, com pontadas que subiam pelo braço. Não vi nenhum inseto se aproximando. Foi uma coisa instantânea. Tinha sido picado por uma vespa. Já dentro do carro, Cláudia me emprestou seu pote de álcool gel. Passei um pouco para aliviar a dor, mas nada fazia com que ela passasse. Ao chegar na pequena Barbaresco, a van nos deixou na porta do restaurante, onde Silvia pediu gelo para eu colocar na região inchada. Em poucos minutos o garçom trazia o gelo embrulhado em um guardanapo de papel mais grosso. Coloquei imediatamente na região afetada. Lembrei de uma situação vivida por minha mãe há muitos anos em Araxá, quando ela fora picada por um inseto. Ensinaram-na a colocar fumo e álcool. Pedi um cigarro de Emi, retirei o fumo, misturei com o álcool gel de Cláudia e apliquei no local, amarrando, bem meia boca, um guardanapo de papel no dedo. A gerente do restaurante viu aquilo, perguntou o que se passava e ao saber por Sílvia que eu havia sido picado por uma vespa, ela trouxe uma pomada para picada de insetos, gaze, tesoura e curativo. Uma simpatia. Não sei o que funcionou, mas meu dedo desinchou, permanecendo a dor, que só passaria na noite do dia seguinte. Terminado o almoço, cujas impressões fazem parte de uma postagem específica, fomos dar uma pequena caminhada pelo centro histórico da cidade, passando em frente da sede da vinícola Gaja, aquela que queríamos visitar, mas não permitiram, mesmo com um e-mail do importador brasileiro nos recomendando. A van nos aguardava no cruzamento da entrada da parte antiga da cidade. Houve uma troca de motorista. Seguimos, então, para Barolo. Próxima parada: vinícola Sandrone.

Torre Barbaresco

LA SPINETTA

A sexta-feira, 25/10/2013, amanheceu nublada, fria, mas sem chuva. Abri as cortinas da janela do quarto do hotel I Castelli em Alba. Meu quarto era virado para a frente do hotel, o que me permitia ver o movimento da cidade e do estacionamento em frente, além da chaminé sempre ativa da fábrica da Ferrero Roche. Desci para tomar café da manhã com Emi e Rogério, que estava incluído em nossa diária. Era um serviço de buffet, com razoáveis opções de pães, bolos, frios, embutidos e biscoitos. O que mais queria era tomar um bom suco de laranja vermelha, algo comum nos hotéis italianos. Para minha sorte, tinha, embora não fosse feito na hora. De qualquer forma, matei minha vontade. Na cidade sede da Ferrero Rocher, cuja fábrica tem visita guiada, mas não estava em nossos planos, não poderia faltar a Nutella. Pequenos sachês com porção individual estavam à disposição dos hóspedes. Como tínhamos combinado com Silvia Aprato, nossa guia da Tasting Tours, que sairíamos às 10 horas do hotel, apressei-me no café da manhã para subir ao quarto, tomar um banho, arrumar, colocando uma roupa mais quente, com bota, casaco e calça impermeáveis, guarda-chuva e um bom cachecol, e desci para o hall do hotel, onde já estavam Cláudia, Vera, Sílvia e a motorista que nos conduziria na parte da manhã. Emi e Rogério se atrasaram para descer, o que nos fez sair às 10:20 horas. Eu, Vera e Cláudia combinamos com a guia que o horário de saída do dia seguinte seria às 14 horas e não às 14:30 h, como previsto inicialmente, o que nos garantiria uma margem de tempo para eventuais atrasos. Seguimos direto para a região de Barbaresco, onde fica a vinícola La Spinetta. No caminho, traços azuis no céu indicavam que seria um dia sem chuva. Pedimos para parar o carro, pois queríamos tirar fotos de um belo parreiral que tinha no caminho. Depois, soubemos que aquelas parreiras já eram na propriedade da La Spinetta. No trajeto para a vinícola, Silvia despejava informações sobre o Piemonte, seus vinhos e sobre a vinícola para onde estávamos indo. A La Spinetta fica em Castagnole Lanze (Via Anunziatta, 17 - www.la-spinetta.com), um vilarejo pertencente a Barbaresco. Foi fundada pelo casal Giuseppe e Lidia Rivetti em 1977, produzindo inicialmente um moscato. Somente em 1995 produziu seu primeiro barbaresco. Hoje, ela produz vinhos com diversas castas, especialmente com a nebbiolo, a que dá vida ao barbaresco e ao barolo, também produzido pela La Spinetta. Ainda possui vinhedos na Toscana. Hoje, os irmãos Bruno, Carlo e Giorgio Rivetti dirigem a vinícola. Em cerca de meia hora chegamos na sua entrada, onde fomos recebidos por Manuela Rivetti, que nos conduziria na visita guiada pelas dependências do local. No entanto, devido ao nosso atraso, um grupo de americanos de Wisconsin, agendado para meia hora depois, já estava chegando. Como o grupo só entendia inglês e nós não tínhamos problemas em entender o italiano, houve uma troca de guias. Manuela ficou com os americanos e Stephano Mazetta, um dos enólogos da La Spinetta, virou nosso guia. Ele foi muito amável conosco, falando bem devagar. Dava para entender praticamente tudo. Quando tínhamos dúvidas, perguntávamos em inglês para Silvia que logo as sanava. Durante a degustação, Stephano descobriu que alguns falavam francês e sendo filho de francesa, começou a fala nesta língua também. Depois de nos mostrar as dependências da vinícola, falando sobre o processo de fabricação dos vinhos, algo que me soou mais do mesmo, pois já tinha visitado vinícolas na Argentina, fomos conduzidos para a sala de degustação. Um ambiente amplo, com duas mesas preparadas para receber os dois grupos. Queijo, pães, grissini e um azeite produzido pela vinícola foram colocados na nossa mesa. Os pães e grissini estavam em uma caixa de madeira com uma estampa de rinoceronte. Usam esta caixa para acondicionar certos vinhos. Todos os tipos de vinhos produzidos ali tinham, pelo menos, uma garrafa exposta nos aparadores encostados na parede da sala, onde também ficavam esculturas de rinocerontes, símbolo da casa. Stephano separou todas as garrafas da nossa degustação. Ao ver que não tinha um espumante, Emi pediu para começarmos com o que eles produziam, sendo prontamente atendido. Assim, degustamos os seguintes vinhos:
1. Contratto Millesimato Extra Brut 2009 - espumante com perlage fina e centralizada na flute. Leve, refrescante.
2. Langhe Sauvignon Blanc 2009 - branco com forte aroma de maracujá, mas como eles não tem a facilidade desta fruta, o aroma que os italianos identificam neste vinho é o de folha de tomate.
3. Cà Di Pian Barbera D'Asti 2009 - tinto sem graça.
4. Bionzo Barbera D'Asti Superiore 2009 - tinto encorpado, com taninos elegantes.
5. Barbaresco Vigneto Starderi 2007 - ótimo aroma, preenche toda a boca. Foi o que mais gostei.
6. Desmentià 2010 - vinho produzido por Stephano, não fazendo parte do portfólio da La Spinetta. Potente, pede comida, como a maioria dos vinhos italianos.
7. Barolo Vigneto Campè 2004 - um grande tinto, encorpado.
8. Barolo Vigneto Campè 2000 - uma garrafa com contra rótulo em japonês.


Stephano e Sílvia atrás das garrafas dos vinhos por nós degustados

Assim que terminamos, estávamos falando alto e interagindo com os americanos do lado, que tinham pedido para falarmos mais baixo logo que se sentaram, mas na medida em que bebiam, aumentavam o tom da fala. Era hora de sabermos os preços de cada vinho degustado. Como não me interessava em comprar nada, por causa do peso que teria que carregar na minha mala, fiquei tirando fotos das demais garrafas que estavam decorando o ambiente. Vera e Emi foram às compras. Como Vera tinha elogiado a caixa de madeira, acabou ganhando uma. Emi levou, entre suas aquisições, uma garrafa magnum. Rogério reclamou, pois era o início de viagem. No caso deles, ainda faltavam 28 dias pela frente. Chegaram a cogitar de eu carregar o peso para o Brasil...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

TASTING TOURS - FOOD & WINE TOURS


Antes de sair do Brasil, já tínhamos combinado de visitar duas vinícolas importantes do Piemonte. Uma em Barbaresco e outra em Barolo. Nosso desejo inicial era conhecer a Gaja na primeira cidade e alguma indicada para a região da outra cidade. Para tanto, Emi ficou responsável pelas consultas na internet. Ele encontrou a Tasting Tour (www.tastingtours.it), que fica em Villanova d'Asti, portanto na região para onde estávamos indo de férias. O melhor é que a agência também vendia a participação em uma caça às trufas brancas. Silvia Aprato foi o contato eletrônico. Ela nos indicou a vinícola Sandrone para a degustação de vinhos Barolo, informando, ainda, que a vinícola Gaja só permitia visitação caso houvesse uma indicação do importador de seus vinhos no Brasil. No caso, a Mistral. Até tentamos, conseguimos que alguém da importadora enviasse um e-mail para a vinícola, mas não obtivemos sucesso. Emi fez pesquisas e achou que visitar La Spinetta seria interessante. Questionada, Silvia teceu muitos elogios a esta vinícola. Assim, fechamos o pacote com a Tasting Tour para duas visitas às vinícolas no mesmo dia, sendo uma pela manhã, em Barbaresco e a outra na parte da tarde, em Barolo, além da nossa participação em uma caça às trufas brancas na parte da tarde do segundo dia de tour, em Asti. O pacote incluía a visitação, a caçada, com degustação em todas elas, além do transfer de Alba para as respectivas cidades. Por tudo isto, pagamos, cada um, o montante de € 280, sendo necessário um sinal de € 84 quando da confirmação da contratação dos serviços, pagamento feito pelo PayPal e o restante podendo ser feito até dez dias antes do primeiro serviço, também pelo PayPal, ou pagando em dinheiro neste primeiro dia. Preferimos pagar o restante em dinheiro, ao final do primeiro dia do tour. Em todos os e-mails trocados com Silvia, ela sempre foi muito simpática, cordial, se dispondo a fazer reservas para almoço e/ou jantar na região. Foi ela quem fez nossa reserva para o restaurante Piazza Duomo, em Alba, um três estrelas Michelin e nº 41 do mundo segundo a lista 2013 da revista britânica The Restaurant. Foi Silvia nossa guia nas visitas às duas vinícolas, estando antes do horário marcado na porta do nosso hotel em Alba. Foi ótima guia, com informações sobre a região, sobre as vinícolas que visitamos, sobre a culinária do Piemonte, além de nos indicar alguns restaurantes para jantarmos no final de semana. Ela, inclusive, chegou a telefonar para um deles, muito frequentado, mas estava com lotação esgotada para as duas noites que ainda tínhamos livre naquela localidade. Fomos conduzidos por três motoristas diferentes, mas todos muito atentos, não correndo e parando quando pedíamos para tirar fotos das belas paisagens da região. No segundo dia, na caçada às trufas brancas, Silvia tinha um compromisso de família, sendo substituída por Sandro, que também foi um ótimo guia. Enfim, aprovamos o serviço prestado pela Tasting Tours

DULCIS VITIS - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)


Cláudia tinha pesquisado restaurantes em Alba e achou o Dulcis Vitis interessante, enviando um e-mail solicitando reserva para o jantar de 24 de outubro de 2013, quinta-feira, em nossa primeira noite de férias no norte da Itália. Eu, Rogério e Emi fomos a pé do Hotel I Castelli até o restaurante, onde chegamos no horário da reserva. Cláudia e Vera já estavam sentadas na única mesa ocupada do restaurante, no salão à esquerda de quem entra. A mesa ficava próxima às janelas que davam para a rua, mas tinham cortinas que garantiam a privacidade de quem nela estava. Cláudia não passava bem, já tendo chamado um táxi para voltar para o hotel. Assim que chegamos, ela foi embora.

Endereço: Via Ratazzi, 7-7/A, Alba, Itália - www.dulcisvitis.it

Contato: +39 0173364633 - Reservas: prenotazioni@dulcisvitis.it

Especialidade: culinária do norte da Itália, especialmente da região do Langhe e de Roero, sob o comando do chef Bruno Cingolani.

Quando fui: noite de 24 de outubro de 2013, quinta-feira. Éramos 04 pessoas, com reserva feita por e-mail com mais de um mês de antecedência. O restaurante tem iluminação mais baixa, o que valoriza o amarelo envelhecido que domina as paredes. Seu teto tem tijolos aparentes, em formato abobadado, enquanto a decoração tem mobiliário antigo e muitas garrafas de vinho dos produtores da região, especialmente de Barolo.

Serviço: como só havia nossa mesa ocupada na primeira hora em que estivemos no restaurante, as duas garçonetes ficaram atentas o tempo inteiro, sempre estando à disposição para nossos chamados. Por volta de 21 horas, uma outra mesa foi ocupada, com quatro pessoas, no mesmo salão em que estávamos. O serviço continuou muito eficiente. Os pratos chegaram ao mesmo tempo na mesa, na sequência correta do menu degustação. Como é um lugar para apreciar a enogastronomia local, o tempo de chegada dos pratos à mesa obedece a este requisito. O chef é muito simpático e conversou conosco o tempo todo, mas sem ser invasivo. Atendeu prontamente ao nosso pedido para indicar um vinho, o segundo da noite. Para nossa surpresa, ele nos trouxe um vinho sem sabermos o produtor, o rótulo e o preço. O vinho era muito bom. Ao final, o vinho custava mais barato do que o que havíamos escolhido para o início de nosso jantar. O restaurante faz questão de informar, nas primeiras páginas do cardápio, todos os produtores que fornecem os insumos para ele. Tais produtores são todos da região, o que garante o movimento da economia rural local. Este é um dos pilares do movimento Slow Food, criado na Itália, exatamente na região em que estávamos.

O que bebemos: dois vinhos tintos. Iniciamos com um Barbaresco 2006 Vigneto Brich Ronchi do produtor Albino Rocca, com 14,5% de álcool (€ 82). Vinho com bom corpo e ótima harmonização com os pratos do menu degustação. Em seguida, foi a vez do vinho indicado pelo chef Bruno Cingolani, um Barolo Renato Corino 2007, de Arborina, com 14,5% de gradação alcoólica (€ 65), cujo produtor, Corino, ocupava a outra mesa do salão. O vinho é muito bom, harmonizou melhor com o aromático prato de ovos fritos com trufas brancas, mostrando-se elegante e encorpado. Para acompanhar os vinhos, água mineral com e sem gás Lurisia (€ 5 a garrafa de um litro). Ao final, um bem tirado café espresso Illy (€ 4), servido em uma xícara da mesma marca em edição especial chamada Pedro Almodóvar. Depois de encerrada a conta, o chef sentou conosco, oferecendo-nos dois aperitivos. Uma taça do vinho de sobremesa Barbaresco El Chinà Cascina Luisin e uma dose da grappa Bocchino Cantina Privata.

O que comi: Todos na mesa não tiveram dúvidas em pedir o menu degustação. Como havia duas opções, optamos pelo menor, o que tinha dois pratos com as famosas trufas brancas de Alba. O menu recebe o singelo nome de piccolo menù degustazione al tartufo bianco d'Alba (€ 125), consistindo de dois pratos quentes e de uma sobremesa. Enquanto esperávamos os pratos, uma providencial cesta de pães artesanais, sem conservantes, foccacias e gressinos (grissini) foi colocada em nossa mesa (coperto: € 4). Tínhamos comentado entre nós o que lemos nas últimas folhas do menu, onde havia uma sugestão de degustação de azeites. Ao ser perguntado sobre esta degustação, o chef pediu à garçonete que trouxesse cinco tipos diferentes de azeites produzidos na região. Assim, degustamos os pães e foccacias embebidos nos extra virgens Costa Digiano, Lu Cavalire, Benza Primuruggiu, Franci Villa Magna e Tenuta Maffone. Cada um com sabor diferente, alguns mais amargos, outros mais puxados para um toque suave e doce. Gostei mais do Costa Digiano, com sabor amargo e bem acentuado, harmonizando perfeitamente com a foccacia, devido ao sal proeminente nesta iguaria italiana. Para completar, ainda havia uma manteiga fantástica acompanhando a cesta de pães. Antes de iniciar a sequência do menu, o chef nos brindou com uma amuse bouche leve, feita com uma fina fatia de salmão cru recheada com uma pasta de bacalhau e maionese, também servida à parte no mesmo prato. Sabor intenso, que preparou nossas papilas gustativas para o que viria a seguir.

Prato 1: ravioli di ricotta seirass, burro di montagna, parmigiano d'alpeggio e tartufo bianco d'Alba. Nosso primeiro prato com trufas brancas da viagem. A garçonete colocou os pratos com o ravióli recheado com ricota seirass cujo perfume de manteiga e queijo parmigiano era intenso. Em seguida, Bruno veio com uma vasilha onde estavam as trufas brancas frescas, guardadas com todo o cuidado. Escolheu uma delas, pegou o ralador apropriado e começou a ralar finas fatias em cada um de nossos pratos. Um aroma de alho invadiu o ambiente e alterou, para melhor, o perfume que subia do prato. Experimentei a massa recheada com e sem a trufa, preferindo a segunda opção. A ricota seirass é típica do Piemonte, sendo feita com leite de vaca e de ovelha. É muito leve, cujo sabor foi fortalecido pela presença da trufa branca. Amei.

Prato 2: crostone di pane ai sapori antichi, bagna caoda, uovo all'occhio di bue e tartufo biano d'Alba. Este segundo prato deixou o primeiro no chinelo. Perfume e sabor intensos, com harmonia entre ingredientes fortes, difíceis de combinar um com o outro, como a bagna caoda, um tempero feito à base de alho, azeite, creme de leite fresco, manteiga e anchovas, e a trufa branca, também ralada na hora pelo chef em nossos pratos. Eram dois ovos fritos, com as claras unidas como se fossem uma só e as duas gemas no centro, inundados de bagna caoda, tudo isto em um leito de uma fatia de pão tostado à moda antiga do Piemonte. Prato aparentemente simples, mas com sabor inigualável. Para sempre ficará em minha memória afetiva esta experiência gastronômica.

Prato 3: a sobremesa, um bunet di amaretti e cioccolato Gobino. Trata-se de uma receita típica do Piemonte. É uma espécie de pudim de farinha de amêndoas e chocolate. No caso, o chef utiliza a marca Gobino, tradicional chocolataria de Turim. A sobremesa foi servida com um physalis parcialmente encoberto por chocolate como decoração do pudim. Tinha um sabor forte, com leve toque de rum. Não me surpreendeu como os pratos salgados do menu.




Valor que me coube no total da conta: € 190.

Minha avaliação: * * * * 1/2. Experiência enogastronômica de primeira, que mereceu uma segunda visita em nossa curta estadia em Alba. O chef Bruno Cingolani é uma simpatia, sabendo atender bem e conquista os clientes com ótimo papo, contando sobre a culinária da região.

Gastronomia Alba (Itália)