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sábado, 11 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE AGAMENON - O REPÓRTER

O primeiro filme brasileiro que assisti nos cinemas em 2012, ainda no início de janeiro, foi uma comédia escrachada: As Aventuras de Agamenon - O Repórter. Trata-se da cinebiografia do colunista do jornal O Globo criado pelos humoristas Hubert e Marcelo Madureira, da trupe do Casseta & Planeta. Li várias colunas de Agamenon e sempre as achei hilárias, totalmente non sense, mas ao mesmo tempo, retratando bem o Brasil. Os dois humoristas são os responsáveis pelo roteiro e a direção coube a Victor Lopes. Para interpretar o repórter Agamenon foram escalados dois atores, o ótimo Marcelo Adnet, que interpreta o personagem quando jovem e Hubert que dá vida ao repórter em idade mais avançada. Marcelo Madureira tem uma curta presença, interpretando o médico Dr. Jacinto Leite Aquino Rêgo, em cena ótima no consultório quando Agamenon vai fazer o exame de toque. Ninguém melhor do que a sempre gostosona Luana Piovani para o papel de Isaura, a mulher de Agamenon. Ter residência num carro antigo, tipo Dodge Dart, estacionado em frente à redação do jornal O Globo, é inusitado, sendo a cara do Casseta & Planeta. Daisy Lúcidi, em rápida aparição, interpreta Isaura na velhice e só a sua expressão facial já é motivo de boas risadas. Por falar nisto, dei muitas gargalhadas durante o filme. Fazendo referências explícitas ao filme Forrest Gump, Agamenon passeia por fatos da história mundial e brasileira, entrevistando Gandhi, sendo repórter na 2ª Guerra Mundial, e até tendo uma entrevista exclusiva, em quarto de um motel, com Ronaldo Fenômeno e os três travestis com os quais se envolveu em um episódio no Rio de Janeiro. Pedro Bial interpreta ele mesmo, como um jornalista em busca de uma entrevista com o famoso colunista de O Globo. Várias personalidades aparecem ao longo do filme dando depoimentos sobre Agamenon, como Jô Soares, Paulo Coelho, Ruy Castro (escalado para escrever sua biografia), Nelson Motta, Caetano Veloso, entre outros. Tem até Fernando Henrique Cardoso, sempre cheio de empáfia, falando sobre o repórter. A falta de espontaneidade no discurso do ex-presidente é notória. Poderia ter ficado de fora no corte final e ser apenas uma cena deletada nos extras do dvd a ser lançado. No mais, é diversão garantida para quem gosta do humor debochado do Casseta & Planeta. Gostei.

cinema
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sábado, 20 de junho de 2009

PÁSSARO DA NOITE



Conforme já havia postado, comprei três entradas para a peça "Pássaro da Noite". Eu, meu pai e minha mãe chegamos à Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro com meia hora de antecedência. Difícil encontrar local para estacionar, já que no mesmo horário havia outro espetáculo na Sala Villa Lobos, no mesmo teatro.

Na entrada, ganhamos uma necessaire da Drogaria Rosário, uma das patrocinadoras da peça.

Texto de José Antônio de Souza e direção de Marcus Alvisi, a peça é um monólogo com Luana Piovani, que ficou quatro meses em cartaz no Rio de Janeiro. Como toda peça com ator conhecido que chega a Brasília, a sala estava bem cheia. Quinze minutos de atraso e começa o espetáculo. Não há nenhum cenário. O tablado é nu. Apenas Luana, com variações de luz e muita movimentação no espaço cênico. O figurino é todo em tom pastel, numa variação do bege ao marrom escuro e valoriza o corpo da atriz e se relaciona com o texto, cheio de melancolia e desespero. Com alguma pitada de sua vida pessoal, escancarada em jornais e revistas, Luana despeja na plateia setenta minutos de texto, mostrando um desespero por estar só e perdida em algum lugar, mas não se sabe onde. Apenas sabemos que é noite de sexta-feira e houve uma festa antes. Neste intervalo temporal, a personagem volta ao passado, lembra de sua infância, da adolescência, de amores e trepadas, não seguindo uma ordem cronológica para tais lembranças. Há certos momentos que o texto incomoda a plateia, em sua maioria pessoas maduras, pois Luana diz muita sacanagem e palavras xulas. Faz parte do contexto. Ela passa rapidamente de partes cômicas para dramáticas e tira algumas peças da sua roupa ao longo do espetáculo, deixando à mostra, apenas com um tecido transparente em cima, seus seios. Ao final, a plateia aplaude protocolarmente, sem muito entusiasmo. Quando ela volta em cena para os agradecimentos, rola uma certa empatia e os aplausos são mais enfáticos, mas nem todos ficam de pé para aplaudí-la. Realmente o texto não foi feito para agradar a todos. Luana mostra que está evoluindo e fez bem em apostar no teatro adulto depois do sucesso com a peça infantil baseada na obra O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupery.

Para mim, ela foi ousada e merece os parabéns por isto.

Gostei da peça, embora não tenha achado sensacional. Vale a pena ver. Além do mais, Luana está, como sempre, exuberante.

Quanto a meus pais, não gostaram da peça. Meu pai disse que está todo mundo louco. Como falei, o texto não foi feito para agradar a todos.



Ao sair, terminamos a noite comendo uma pizza na Valentina Pizzaria (SCLN 214, Bloco A, lojas 9/11, Asa Norte).

sábado, 6 de junho de 2009

A FORÇA DO CINEMA NACIONAL


Início de noite. Estava passeando por Copacabana quando me vi em frente ao Cine Roxy, na esquina de Rua Bolívar com Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Cinemão de rua, como nos meus tempos de garoto, e cheio de gente. Três salas, uma delas passando A Mulher Invisível, produção nacional com direção de Cláudio Torres. Muita propaganda espalhada pela cidade do Rio de Janeiro, especialmente em paradas de ônibus. Havia visto o trailer e tinha gostado. Resolvi conferir. Enfrento uma fila para comprar a entrada (R$19,00 a inteira) para a sessão das 19:20 horas. O cinema se modernizou e tem assento marcado. Quase tudo já está vendido. Escolho o melhor local disponível e entro logo. Muita gente entrando com pipoca e refrigerante. As propagandas são intermináveis, o mesmo valendo para os inúmeros trailers. O filme começa depois de uns vinte minutos de propagandas e prévias de filmes. Adorei o filme. Realmente parece que o cinema nacional encontrou uma veia para explorar neste 2009. Comédias leves, para fazer rir toda a família. Na esteira do sucesso de público de Se Eu Fosse Você 2 e Divã, este filme com Selton Mello e Luana Piovani vai também levar muita gente aos cinemas. Selton Mello está, como sempre, ótimo e Luana, além de fazer uma bela interpretação de um papel que lhe cai muito bem, a mulher gostosa que desperta a libido de qualquer criança (só não desperta se a criança já tiver uma inclinação gay, se for o caso, Vladimir Britcha pode resolver o problema). O elenco de apoio também segura bem o filme, especialmente Britcha e Maria Manoella (excelente, contida e fatal ao mesmo tempo. Já tinha visto esta atriz no palco, encenando a peça O Natimorto, de Mário Bortolotto e tinha achado excelente a sua interpretação de uma cantora sem voz). Fernanda Torres, numa atuação especial e familiar, já que seu irmão é o diretor, está divertidíssima como a irmã de Vitória, a personagem de Manoella. Paulo Betti está um pouco caricato, mas não tira o brilho do filme. Lúcio Mauro faz uma aparição relâmpago e Maria Luiza Mendonça, como sempre, dá um show, mesmo em poucos minutos na tela. Ainda há a participação de Dani Carlos, a cantora, que não faz feio, levando bem uma personagem doidona. Recentemente vi um outro filme com ela no qual arrebenta na interpretação de uma cantora bissexual. A plateia, que lotou completamente o cinema, ri muito e os comentários ouvidos ao sair da sala eram de que vários iriam indicar para amigos e parentes. É o famoso boca a boca entrando em cena. O destaque maior é a interpretação de Selton Mello, que a cada filme mostra que o cinema nacional já tem um ator bom de bilheteria. E ainda tem as montanhas de Minas...Vale a pena!