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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

LA FEMME QUI TUA LES POISSONS (A MULHER QUE MATOU OS PEIXES)

E segue o Cena Contemporânea. Quarta-feira, dia 28 de agosto, fui com Carol, Arnóbio, Kitty, Cris, Hélida G., Karina, Diana e Fabiola conferir o espetáculo programado para 21 horas na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Compramos os ingressos com antecedência, pagando R$ 10,00 cada um. Teatro completamente lotado para assistir Emmanuelle Lafon e Vladimir Kudryavtsev no espetáculo La Femme Qui Tua Les Poissons (A Mulher Que Matou Os Peixes), texto da sempre ótima Clarice Lispector. Direção e adaptação de Bruno Bayen. São 80 minutos de duração. Texto falado 95% em francês, com legendas em português. O controlador das legendas pregava uma peça, de vez em quando, na plateia, acelerando ou retardando a sincronia da fala, muitas vezes em ritmo alucinado, da atriz com as frases em português. Entendi quase tudo do que ela falava, o que me permitiu somente recorrer às legendas vez ou outra. Texto magnífico, que mescla trechos da obra de Lispector, mostrando o quão frágil é o ser humano. Um simples esquecimento leva à morte os peixes vermelhos de seu filho, desencadeando na mulher uma profunda reflexão sobre as suas atitudes cotidianas e sua relação com o mudo ao seu redor. A performance de Emmanuelle Lafon é sensacional. Ela ocupa todos os espaços do palco, como uma gigante na arte de interpretar. A atriz mostrou insatisfação apenas com a fisionomia, ou mesmo aumentado a voz, sem deixar o texto de lado, quando um telefone celular ecoou no teatro. Algumas palavras em português, como saudade (de difícil tradução) e coitadinho, foram mantidas no texto em francês interpretado por Lafon. O ator pouca participação tem na peça, sendo quase que mais um item do cenário primoroso de Renata S. Bueno, que também assina o figurino. Uma parte do texto dita em forma de declamação não possui legendas, pois o momento é muito lírico e é preciso não desviar a atenção da atriz. Assim, a solução foi colocar alguém declamando o mesmo texto em português, imediatamente após cada frase dita por Lafon. Para quem entende francês, logo se percebeu que a tradução não correspondia ao que a atriz dizia. Para piorar, ao final, ficou nítido que quem lia trocou a ordem dos papeis, pois a fala da atriz inicial foi traduzida enquanto ela declamava a parte final do seu texto. Um erro horroroso, que fez o público que entende francês rir em uma situação delicada e singela. Mas isto não prejudicou o todo. Ainda bem. Palmas entusiasmadas ao final, com um emocionado diretor em cena agradecendo ao Brasil por ter proporcionado a ele e ao mundo a excelente escritora Clarice Lispector. Gostei muito.

artes cênicas

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A PRIMEIRA VISTA

Sábado, dia 24 de agosto, sessão das 21 horas na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Ingresso comprado antecipadamente por R$ 10,00. Teatro lotado. Na minha companhia, as amigas e companheiras de trabalho Karina, Fabiola, Maíra e Hélida G. No palco, as atrizes Drica Moraes e Mariana Lima encenam A Primeira Vista. Direção de Enrique Diaz para o texto do canadense Daniel Macivor. Para quem viu em 2010 a peça In On It, do mesmo autor, podemos dizer que A Primeira Vista é uma versão feminina para aquele texto. Logicamente não se trata de uma encenação da mesma história. Os textos mantém um diálogo, uma conexão, pois tratam das idas e vindas de um casal gay. No caso de A Primeira Vista, duas mulheres se encontram em um acampamento (uma atividade tipicamente canadense) e a partir deste encontro, há um ir e vir no tempo, quando a relação das personagens, que não tem nomes definidos, é contada. O cenário é difuso, sem que o público possa identificar direito onde elas estão. Em um local incerto e em tempo também desconhecido, elas contam a história de suas vidas, especialmente quando seus momentos se entrelaçavam. A química das duas atrizes está perfeita no palco. Mesmo sabendo previamente que Drica Moraes fora indicada para o Prêmio Shell 2013 como melhor atriz justamente por sua performance nesta peça, não consigo dizer quem é a melhor em cena. O texto traz algumas características comuns às outras duas peças que assisti do mesmo autor; a já citada In On It e Cine_Monstro, vista recentemente no mesmo festival Cena Contemporânea de que faz parte A Primeira Vista. Assim, a ironia, o humor negro, encontros e desencontros, espontaneidade e morte estão presentes. As situações vividas pelas personagens rendem boas risadas ao longo dos cerca de 80 minutos de duração do espetáculo. Ao final, conseguimos entender perfeitamente o cenário difuso por onde passa toda a história. Muito bom.

artes cênicas

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A FORÇA DA TERRA

Quando apareceu estampada a palavra FIM projetada no telão localizado no fundo do palco, tive a sensação de que um grande suspiro de alívio tomou conta da plateia na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Aplausos meramente protocolares ecoaram no local e, fato raro de se ver em Brasília, ninguém ficou de pé ou deu gritos entusiastas. Isto aconteceu na sessão do dia 22 de agosto de 2013, ao  final do espetáculo A Força da Terra, texto e concepção do Grupo Sonhus Teatro Ritual, de Goiás, em parceria com Hugo Rodas. A peça integrou a programação do festival Cena Contemporânea, edição 2013. Sou um fã de Rodas, mas, pela primeira vez, não gostei do seu trabalho. Quatro atores no palco interagem com imagens projetadas no telão. No início, são imagens dos próprios atores, com intervenções verbais que não acrescentam nada, como uma das atrizes observar que estava bem mais magra no filme. Depois, uma malha furada é suspensa, tornando a projeção "suja", cheia de "ruídos" visuais, dificultando ver com exatidão partes do filme Vidas Secas, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, de onde o espetáculo livremente se baseia. Enquanto o filme passava, algumas cenas do filme eram repetidas pelos quatro atores no palco. Os efeitos visuais são interessantes e criativos, mas não ajudam na compreensão da mensagem que se quer passar. Confesso que ver a terra sendo varrida por uma escova na frente do ator que caminhava sem rumo prendeu mais minha atenção do que a história em si. A performance do ator que faz a cachorra Baleia, estrela do filme de Santos, é ótima, mas, ao mesmo tempo, deprimente. Ficou um misto de gostar/não gostar que não consigo explicar. Para piorar, na terceira parte do espetáculo, já sem a malha furada em frente da tela, imagens dos recentes protestos que tomaram as ruas do Brasil em junho são mostradas, enquanto os quatro atores vestem roupas de gala, representando uma elite que está alheia aos acontecimentos, simulando brindes com taças de champanhe, como um escárnio ao restante da massa que protestava. Posso não ter entendido, mas não consegui identificar uma ligação com Vidas Secas. Foram intermináveis 60 minutos de duração. Definitivamente é minha candidata a pior peça desta edição do festival. E só não será a pior do ano porque Jukebox - Uma Ficção Científica Musical consegue ser bem pior.

artes cênicas

domingo, 29 de julho de 2012

LA BEAUTÉ DU DIABLE - CENA CONTEMPORÂNEA

Na noite de sexta-feira fui conferir mais um espetáculo do festival Cena Contemporânea. Sessão de 21 horas com o teatro bem cheio. Mais uma vez o cheiro de mofo e poeira da Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro se fez muito presente, potencializando as tosses na plateia, comuns nesta época do ano, com a secura de Brasília. La Beauté du Diable é solo de dança, concebido, coreografado e interpretado pelo artista Koffi Kôkô, africano do Benim. Em cinquenta minutos de espetáculo, ele dança em um palco seco, apenas com um objeto vestido com uma roupa colorida colocado no canto esquerdo e uma bacia com tinta branca. A música é executada ao vivo por um trio de percussionistas. Cânticos africanos são entoados em alguns momentos do espetáculo. O bailarino começa com passos suaves, sem música, em movimentos marcados e precisos, mas muito leves. Kôkô parecia flutuar. Os passos vão se modificando, se acelerando, depois que há um "diálogo" entre o bailarino com o tal objeto colorido, que me pareceu representar uma divindade/entidade. O palco, então, faz as vezes de uma espécie de terreiro, onde o dançarino vai entrando em um transe, pintando seu rosto, seus braços e seu tronco com a tinta branca que estava na bacia. Sua expressão facial demonstra que ele está incorporado e serve de elo entre duas entidades, uma espécie de mensageiro entre deus e o diabo, como está na sinopse escrita no catálogo do festival. Depois que se pinta, ele veste um  paletó branco, completando o figurino, pois já estava com uma calça também na cor branca. Uma dança frenética ocorre em todos os espaços do palco, marcada pelo ritmo crescente da percussão. Então, o dançarino se posta no lado oposto do objeto colorido e transmite a mensagem que lhe foi confiada. Sua tarefa estava cumprida. Era chegada a hora de voltar e festejar. Para tal festejo, um recurso cênico simples, mas de grande impacto visual, pois ele tirava dos bolsos de seu paletó bocados de pó branco e o jogava por cima de seu corpo. Com a iluminação, o efeito ficou bonito e permitiu algumas leituras, como a já citada comemoração ou a purificação do mensageiro. Kôkô utiliza elementos da dança clássica, da dança moderna, de gestos próprios do flamenco (braços erguidos com os dedos apontando para algum lugar, na pose clássica de um toureiro antes de abater o touro) e de passos dos rituais religiosos africanos. Ao final, ele foi muito aplaudido pelo público presente. Gostei de ter visto um espetáculo de um país que jamais imaginaria ver.

dança

quarta-feira, 25 de julho de 2012

TRABALHOS DE AMORES QUASE PERDIDOS - CENA CONTEMPORÂNEA

Na noite de terça-feira, dia 24/07/2012, compareci à decadente Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro para ver mais uma peça do festival Cena Contemporânea 2012. Trabalhos de Amores Quase Perdidos é o curioso título para texto e direção de Pedro Brício. Em cena, os atores Branca Messina, João Velho, Lúcia Bronstein e Pedro Henrique Monteiro. A peça tem dois atos. O primeiro é encenado na parte frontal do palco, com uma cortina azul fechada tampando o cenário do segundo ato, localizado na parte mais ao fundo. O texto brinca com o público, pois fica entre a ficção (com um quê de realidade) e o ensaio de uma peça que aborda o que se passa nesta ficção. Assim, um dos atores sempre esclarece ao público o que acontecerá no palco depois que o texto for encenado, dizendo frases  interessantes como "fulano está em pé no fundo do palco", ou "ciclano pega uma garrafa de champagne", enquanto os atores ficam sentados de frente para o público. Eles alternam, principalmente no primeiro ato, o mais longo, o ensaio e a encenação. Gosto das inovações de Pedro Brício e, mais uma vez, acho que ele acertou, pois a narrativa ficou dinâmica e prendeu a atenção do público. Em alguns momentos, parecia até um ensaio aberto. O texto também é muito bom, com discussões sobre o fim da juventude, já que todos os personagens estão entrando na casa dos trinta anos, quando sentem o peso das responsabilidades que chegam com o avançar da idade. Neste bojo estão os amores e desamores, as idas e vindas de paixões, a explosão carnal, o desejo sexual, os sonhos de jovens que querem um futuro promissor. Outro ponto interessante é a constante troca de papeis dos atores, com homens fazendo personagens femininas e mulheres fazendo as masculinas. Há, ainda, várias falas em espanhol, pois duas personagens são espanholas. Um ótimo diálogo é travado entre um brasileiro, falando o espanhol que todos os brasileiros que não estudaram a língua acreditam saber falar, e a espanhola, com pronúncia perfeita da atriz que a interpreta. Fica evidente que nosso portunhol está longe de ser parecido com o espanhol. Ao final de uma hora e vinte minutos a peça terminou, sendo bastante aplaudida pela plateia, mostrando que texto e atuação agradaram aos presentes. Foi a quarta peça da programação do Cena Contemporânea que assisti nesta edição e até agora gostei de todas. Mais um peça que nos leva a reflexão pós espetáculo.

teatro

quinta-feira, 19 de julho de 2012

FOI CARMEN - CENA CONTEMPORÂNEA

Segunda noite do Cena Contemporânea 2012. Ingresso para a peça Foi Carmen, uma concepção de Antunes Filho, dirigida por ele e encenada pelos atores Mariah Teixeira, Lee Thalor, Emile Sugai e Patrícia Carvalho, integrantes do Grupo de Teatro Macunaíma & Centro de Pesquisa Teatral (CPT) do SESC de São Paulo. Muita gente no foyer da Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro para conferir o espetáculo. A sala está cada vez mais decadente, com cheiro de mofo, carpetes imundos e rasgados. Fora o desconforto natural das poltronas (há muito já deveriam ter trocado todo o conjunto de poltronas das salas que integram o complexo do Teatro Nacional), há muitas delas rasgadas ou com braços quebrados. Mas ainda assim o público comparece quando a programação é de qualidade. Com quinze minutos de atraso, anunciaram que as pessoas que estavam mais atrás poderiam ocupar os lugares vagos nas primeiras fileiras. O teatro não ficou lotado, mas recebeu um bom público. Depois da acomodação da plateia, as luzes se apagaram, a gravação do festival foi executada e, enfim, a peça teve início, com o palco sem cenário. Mariah Teixeira entra em cena vestida de colegial carregando duas cadeiras de madeira contando os passos. Coloca as cadeiras no lado oposto, olha, as pega de volta e regressa de costas, diminuindo a contagem inicial até o centro, onde as coloca, saindo para buscar a terceira cadeira. Ao longo da peça, ela vai aparecer várias vezes fazendo uma contagem quase que infinita. A forma como anda me lembrou aqueles patinhos que são alvo em barraquinhas localizadas em parques de diversão. Juro que deu vontade de pegar uma espingarda e atirar nela quando estava perto do número 100. Os outros três atores, vestidos de negro e com movimentos que lembram o teatro tradicional japonês, o butô, entram em cena para se sentarem nas três cadeiras, como espectadores de um show de Carmen Miranda. Carmen é a inspiração para o espetáculo, mas não é a história dela, mas sim o que ficou da cantora luso-brasileira no imaginário popular. Lee Thalor, depois de sair como um dos três personagens vestidos de negro, volta como um malandro carioca, todo de branco, mas falando uma língua diferente, não identificável (li depois que é uma língua criada pelo Macunaíma), como se tivesse discorrendo sobre a pequena notável, deixando escapar em  português palavras que a identificam, como banana, balangandãs, morro e samba. Em seguida, é a vez de Emile Sugai surgir vestida à caráter, lembrando a cantora, mas com uma meia preta escondendo seu rosto. Ficava nítido que o importante era mostrar ao público apenas os elementos que ficaram no imaginário popular. Com uma pulsante trilha sonora, a atriz vai dando a volta no palco com uma cesta nas mãos, tirando de dentro dela peças fortemente ligadas à Carmen, numa espécie de desconstrução do mito. Desta forma, ficam pelo chão do palco colares, panos com paetês coloridos, pandeiro, bananas de plástico com purpurina, uma flor vermelha, uma boneca e as famosas sandálias plataforma. Com nenhum diálogo entre os personagens, a peça não agradava a todos, com gente saindo antes do final. Em outra performance, a atriz Patrícia Carvalho, quase deitada no tablado, entra em uma espécie de transe, incorporando a cantora, saindo sambando pelo salão. Com esta performance, encerrava-se a identificação dos elementos que remetem à Carmen, pois nada melhor do que um carnaval, com direito a confete no ar, para fazer o público lembrar da cantora. Com cerca de 60 minutos, a peça termina com os quatro atores em cena, como se estivessem em um baile de carnaval, dançando ao som de um sucesso da homenageada. As luzes se apagaram, aplausos protocolares por parte de alguns, que permaneceram sentados, e apupos e gritos entusiasmados por parte de outros. A reação do público mostrou que Antunes Filho continua dividindo opiniões. Bela reflexão sobre mitos, sobre o imaginário do povo. Belo espetáculo.

teatro

domingo, 4 de setembro de 2011

CENA CONTEMPORÂNEA 2011 - DIA 12 - DARKNESS POOMBA E AWAKE



Sábado. 21 horas. Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro lotadíssima para ver as coreografias do grupo Modern Table, originário da Coreia do Sul e criado pelo músico e coreógrafo Kim Jae-Duk, atração do penúltimo dia do Cena Contemporânea 2011. Desta vez, eu estava na plateia como convidado, pois ganhei duas entradas da coordenação do festival. Sentei na parte onde estavam os atores poloneses de Carson City, além de vários sul-coreanos e produtores de teatro da América Latina. Foram duas as coreografias mostradas: Darkness Poomba e Awake. A primeira a ser apresentada foi "Awake", que tem apenas dois bailarinos em cena, ambos também cantores. Eles iniciam cantando sentados em cadeiras colocadas lado a lado, com suas mãos no braço do outro, como se fossem um único ser. Após a música, cantada em coreano, começa a coreografia, com uma música instrumental, som mecânico, ao fundo. Terminada a canção, a dança continua sem som. Os bailarinos param e Kim Jae-Duk explica, em inglês e em coreano, que aquele número queria retratar a "luta" entre seu corpo e sua alma, que em certos momentos queriam seguir caminhos distintos. Com muitos passos no chão, a coreografia se desenvolve em um clima sombrio, porém poético. Dura pouca mais que meia hora. Um breve intervalo e o grupo volta completo, com sete bailarinos, um cantor e três músicos. A segunda coreografia, "Darkness Poomba", é mais vibrante, parecendo um show de rock. A maior parte do tempo, a música é executada ao vivo. Kim Jae-Duk, como na primeira parte, também canta e toca uma espécie de gaita, mas desta vez no meio da plateia, que responde com palmas ritmadas. Há uma nítida mistura entre a música tradicional sul-coreana (que não conheço, mas fica evidente) e uma música mais pop, mais internacional, ligada ao rock. O número é mais rápido. A plateia mostrou que gostou muito, pois o grupo foi bem ovacionado e aplaudido de pé. Gostei de ter visto algo diferente, com bailarinos cantores e performáticos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CENA CONTEMPORÂNEA 2011 - DIA 2 - AMARILLO

Ainda na noite de terça-feira, extasiado com a excelente peça Rá! no CCBB, saí do centro cultural direto para o Teatro Nacional Cláudio Santoro, passando antes em casa para pegar Ric. O ingresso custou R$ 16,00 a inteira. Um bom público estava no saguão de acesso à Sala Martins Penna, local da peça do grupo Teatro Línea de Sombra, detentor de alguns prêmios no México, o seu país de origem. Um amigo nos esperava para entrar. Nossos lugares eram distantes do de nosso amigo. Eu e Ric estávamos na última fileira, à esquerda do palco. Quando a gravação que anuncia os patrocinadores desta edição do festival ecou nas caixas de som, resolvemos nos sentar em um dos muitos lugares vazios que havia em local mais próximo ao palco. Lembro-me de que, quando fui comprar os ingressos, tais lugares estavam reservados para os patrocinadores. Para variar, os convidados não compareceram. Melhor para quem comprou em lugar mais distante, que gosta de teatro e teve a oportunidade de trocar de lugar. Os atores mexicanos já estavam em cena e com as luzes ainda acesas a peça Amarillo teve seu início. Sem ler a sinopse da peça, associei o nome à cor amarelo, mas trata-se de cidade norte americana localizada no estado do Texas, próximo à fronteira entre Estados Unidos e México. A peça acompanha a tentativa de um imigrante mexicano em cruzar a fronteira ilegalmente, enfrentando as agruras de um árido deserto para alcançar o "sonho americano". Os personagens que transitam na história não tem nome. Raúl Mendoza faz o imigrante, enquanto as atrizes Alicia Laguna, María Luna, Vianey Salinas, Antígona Gonzalez e o ator Jesus Cuevas participam dos sonhos e delírios do imigrante. Jesus Cuevas também é o responsável por entoar uma canção, ou melhor, uma espécie de mantra, na primeira parte da peça, que incomoda. Lembrei do filme de Herzog, Onde Sonham As Formigas Verdes, quando um cântico aborígene tomava conta da trilha sonora, chegando a irritar a quem o assistia. Foi a mesma sensação que senti ao ouvir Cuevas com seu vocalize. No entanto, entendo que tal atmosfera era necessária para sentirmos a aflição que o imigrante vivia ao cruzar, sozinho, o deserto. O texto de Gabriel Contreras é engolido pelo excesso de informações visuais presentes durante os 70 minutos da peça. Para caracterizar os delírios, a desidratação, a fome, a solidão, a saudade dos familiares do imigrante, o grupo utilizou-se de muitos recursos cênicos, como vídeo, instalações, areia caindo de sacos pendurados no teto, a interação entre o que se passava no palco com as imagens projetadas no muro colocado ao fundo, mostrando duas possibilidades de visão da mesma cena. Estes efeitos foram muito bem utilizados. Gostei muito quando Raúl fica no chão do palco, se contorcendo e se arrastando, como se estivesse tendo espasmos. Esta cena era filmada e projetada na parede no mesmo momento. Quem se fixava na projeção, os mesmos movimentos que o ator fazia no chão pareciam uma escalada difícil para alcançar o cume do muro. Muito interessante. O texto era falado em espanhol, enquanto uma legenda passava no alto do muro. A legenda não conseguiu acompanhar todas as falas, que algumas vezes ficavam abafadas pela trilha sonora ou pelo mantra entoado por Cuevas. Algumas pessoas do público não aguentaram esperar o final do espetáculo, saindo antes. Uma cena me chamou a atenção: enquanto Raúl interpretava uma conversa ao celular com sua mulher, para cada frase que ele dizia, uma mulher da plateia respondia. Inicialmente pensei que era parte da peça, mas ao finalizar a conversa ao celular, o ator dirige uma breve frase a quem lhe retrucava, dizendo que lha daria um papel na peça. Não sei se ficou irritado (o que me pareceu) ou quis tirar uma onda. Como atrativo visual, a peça é interessantíssima, mas o texto é muito específico, para uma realidade forte no México que não vivemos de forma tão intensa no Brasil (temos exemplos de brasileiros que tentaram entrar nos Estados Unidos cruzando a fronteira  via México, mas em número infinitamente inferior ao que ainda acontece com os mexicanos). O texto não me bateu. E como disse um pouco acima, as informações visuais são muito intensas e excessivas, o que sufocou o texto. E lembro que ainda estava na memória a performance de Ricardo Guilherme em Rá!, onde a força do texto e da interpretação dispensaram qualquer recurso cênico. Digo que gostei de ver Amarillo, mas não morri de amores.




domingo, 5 de setembro de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 12


Acostumei a acordar cedo por causa das duas últimas semanas levantando antes das sete horas da manhã. Assim, neste sábado, acordei antes de seis horas. Aproveitei para atualizar a leitura de jornais da semana que terminava. Resolvi almoçar no Café Cassis e fazer compras no ParkShopping. Aproveitei para comprar entradas para o show do Stomp, grupo americano especializado em percussão com objetos do nosso dia a dia. Logicamente que comprei alguns cds e dvds na Fnac. Não contente com as compras, fui ao CasaPark para passar uma hora na Livraria Cultura, onde comprei livros, mais cds e mais dvds. No início da noite, mais uma peça do festival Cena Contemporânea. Fui para o CCBB assistir Dulce, um trabalho conjunto de atores brasileiros e portugueses. Ingresso a R$ 7,50 (meia entrada - correntista Banco do Brasil). A peça foi encenada no Teatro II, que não ficou lotado. Marcada para 19:30 horas, teve um pequeno atraso para começar. O cenário era uma sala de jantar na casa de um casal português. Depois de comerem, os dois casais, o português e o brasileiro, ficam conversando até chegarem a uma espécie de jogo da verdade, onde as aparências de felicidade de cada casal são jogadas ao chão. Os casais, especialmente o brasileiro, demonstram que a vida a dois vai mal, discutindo a relação naquela mesa de jantar, o que provoca constrangimento no casal português. Como jogo cênico, há repetições de diálogos com as mesmas marcações, como risadas e gestos, como se a vida pudesse voltar de tempos em tempos, mas o que se vê é a impossibilidade de isto acontecer, pois os diálogos são sempre os mesmos. A vida segue. Algumas citações são divertidas, especialmente a brincadeira que os portugueses fazem ao contar piadas sobre portugueses no melhor estilo brasileiro. Os cariocas também não são poupados nas falas dos atores brasileiros. Há um trecho onde os quatro já estão bêbados e começam a gritar uma série de frases iniciadas pela palavra de ordem "abaixo". Hilário quando gritam "Abaixo o preço das passagens da TAP"! Nada mais real. O nome da peça é Dulce, uma referência a uma tia-avó de Isac, o brasileiro. Quando ela tinha 19 anos, se preparando para casar, recebe a notícia de que seu noivo havia morrido em um acidente de carro. Ela ficou surtada, esperando por ele todos os dias de sua vida, até morrer aos 82 anos. Fica a pergunta: será que ela seria feliz no casamento? Se depender da vivência de ambos os casais, a resposta certamente seria não. Gostei muito da peça, que foi muito aplaudida ao final. Do CCBB fui correndo para a Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro para mais um espetáculo do festival. Foi o único balé para o qual comprei ingresso (R$ 16,00). Trata-se de Solitário Cowboy (Lonesome Cowboy) da companhia suíça Cie Philippe Saire. Com pouco mais que uma hora, cinco bailarinos dançam em um tablado cheio de uma espécie de piche em pedaços. Quem senta na fila A acaba recebendo pedaços deste piche, pois quando os dançarinos escorregam no tablado, alguns pedaços acabam por sair para fora, sujando o chão aos pés do público ali sentado. Os movimentos são visivelmente inspirados em modalidades esportivas, dando um ar pesado ao balé. Situações do dia a dia do universo masculino estão presentes, como a competição, a força, a vida em grupo, as brigas, a reconciliação, entre outros. Os primeiros movimentos são lentos, quando não percebemos que o piso do tablado será desfeito. Depois, os movimentos começam a ficar mais rápidos e violentos, enaltecendo a virilidade masculina, quando o piso começa a ser desfeito. Fiquei curioso como eles conseguem arrumar o piso depois, mas esta curiosidade é satisfeita no próprio balé, quando alguns bailarinos entram em cena com rodos enormes e uma espécie de tela para arrumar o piso, que volta a ser "compacto" como no início. O melhor do balé é a formação de figuras abstratas, de grafismos, quando os cinco dançarinos fazem seus movimentos bruscos com os pés. Há cenas engraçadas, como quando os cinco tiram suas roupas, incluindo a cueca preta, para ficar apenas de kilt xadrez, aquela saia escocesa masculina. Ao final, diria se tratar muito mais de uma performance do que um balé. Para balé, leveza é essencial, mesmo que apresente movimentos bruscos e rudes. No Brasil, exemplos não faltam desta leveza aliada à fortaleza, tais como Grupo Corpo, Quasar e Cia Deborah Coker. Achei a experiência interessante, mas dou nota apenas seis para o balé.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 8

E a saga continua: a oitava noite seguida que eu assisto alguma peça do festival Cena Contemporânea. Nesta terça-feira paguei R$ 16,00 para assistir à peça O Jardim do Mundo (El Jardín del Mundo) do grupo espanhol Creaciones Artísticas Las Cuatro Esquinas. A sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro recebeu menos da metade de sua capacidade de público. Como já é rotineiro, houve um atraso de quinze minutos para começar a história sobre tortura encenada pelos atores Esteban G. Ballesteros, Francisco Blanco e Maite Vallecillo, com direção e dramartugia de Memé Tabares. Embora o texto gire em torno de torturas, dos sentimentos do torturado, do torturador e das pessoas que gravitam ao redor destes dois, há um momento de humor onde, em uma espécie de programa de auditório cujo apresentador está fantasiado a la Zé do Caixão, explicam com três exemplos os desaparecimentos de pessoas aparentemente inofensivas à sociedade. É um texto-denúncia, com encenações fortes, mas fracas se compararmos o que o teatro brasileiro já mostrou sobre as torturas na época da ditadura militar no país. Ao sair do espetáculo, observei os comentários do público. Muitos não gostaram, acharam massante e longo, com cenas repetitivas demais. Filio-me a este grupo, pois a maior parte dos 80 minutos encenados (no programa do festival a informação é de duração de sessenta minutos) não me entusiasmou. Aliás, está faltando entusiasmo nas peças integrantes do Cena. Tive a oportunidade de conversar com cinco pessoas antes do início da peça e com mais duas depois, todas assíduas nos teatros da cidade. Pode ser uma amostra pequena, mas todos estão falando sobre a quantidade de espetáculos ruins. Claro que Abracadabra encabeça a lista dos piores do festival. O interessante é a pergunta que tem sido feita em relação a esta peça: quantos minutos você aguentou dentro do teatro? Espero que as coisas melhorem até o próximo domingo, quando esta edição se encerra. Till continua sendo a minha preferida deste ano.

domingo, 29 de agosto de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 5

Sábado para descansar. Depois de levar Ric ao aeroporto, voltei para casa para relaxar a tensão acumulada da semana. Pedi comida pelo telefone: China in Box. Só fui sair no início da noite para conferir mais duas peças do festival de teatro Cena Contemporânea. A primeira, às 19 horas, no Teatro Sesc Garagem, encenada pelos goianos do Grupo de Teatro Artes & Fatos, chamada A Balada do Palhaço. Ingresso a R$ 16,00 a inteira. O teatro não ficou cheio para ver a performance dos atores Edson de Oliveira e Bruno Peixoto nos papeis dos palhaços Bobo Plin e Menelão, respectivamente. Não gosto de palhaços, nunca gostei, mas fiquei curioso ao saber que o texto era de Plínio Marcos, famoso pelas peças Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite Suja, nas quais as personagens são outsiders. A direção do espetáculo cabe a Danilo Alencar. Em cena, os palhaços vivem um dilema antes do início de uma apresentação: Bobo Plin, o palhaço do circo, não quer mais se apresentar. Ele quer descobrir sua alma. Menelão, o dono do circo decadente tenta demovê-lo desta ideia e fazer seu número, mesmo que seja para um público pequeno. Os recursos cênicos são interessantes, especialmente a iluminação e as performances circenses, como números com malabares e de equilíbrio em tambores. Esquetes típicas com palhaços estão, obviamente, presentes, como os tombos e brincadeiras com o público (mas não é peça interativa). Para quem conhece os textos de Plínio Marcos, vê-se claramente as perturbações presentes em suas personagens marginalizadas, tais como prostitutas, travestis e aproveitadores, todos encenados pelos dois palhaços. Soltei boas gargalhadas. Há também momentos de reflexão, nos quais a dor da solidão, o desespero e as críticas à sociedade moderna estão presentes. Foi muito aplaudido no final. Achei médio, embora tenha gostado se comparado com os demais espetáculos que vi até então. Atrasado, saí correndo para a Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro para conferir a segunda peça da noite, cujo ingresso também custou R$ 16,00. Ao chegar ao local, tive dificuldades para estacionar, já que acontecia a Virada Cultural (um arremedo da Virada Paulista) do DF, em sua primeira edição. Os dois palcos foram montados em parte do estacionamento do teatro, que tinha dois espetáculos naquela noite. Resultado: carros por tudo quanto é lado, incluindo locais não permitidos. Tive que parar o carro perto da rodoviária e descer correndo para não perder o início de Dizer Chuva e Que Chova (Decir Llucia y Que Llueva), segundo espetáculo da companhia espanhola Kabia - Espacio de Investigación Dramática de Gaitzerdi Teatro na programação do festival. Dirigido por Borja Ruiz, o mesmo diretor de Paisagem com Argonautas, desta feita com mais atores em cena, incluindo Juana Lor, a atriz que sola em Paisagem. Puro experimentalismo. Não denominaria o que vi de peça teatral, mas sim um show de efeitos cênicos, visualmente muito bonito. O pouco texto é desconexo, não se relacionando, na maioria das vezes, com o que se desenrola em cena. As referências ao cinema e ao teatro são visíveis: a sombra que se rebela contra o seu "dono" nos remete a desenhos animados, além do filme Dick Tracy; o figurino, os guarda-chuvas e o balé na chuva nos remete ao clássico do cinema Cantando na Chuva; vômitos em vermelho e xixi saindo pelos fundos da calça nos remetem a comédias estilo pastelão; as três cantoras que ficam no palco emolduradas por janelas nos remete aos filmes japoneses, com a quase ausência de movimentos; e a areia saindo da mala enquanto uma atriz caminha pelo palco me remeteu ao dinamarquês Odin Teatret, em peça encenada no CCBB, em edição de 2005 deste mesmo festival, chamada Salt, onde a protagonista tem uma mala cheia de sal. Naquela peça, há uma chuva de sal no palco, mesmo efeito utilizado pelo Kabia quando promove uma "tempestade" de areia fina no palco da Martins Penna. Enquanto teatro, não gostei. Enquanto espetáculo, achei um delírio visual. As cantoras me incomodaram um pouco. Se fosse o diretor, daria o mesmo destino a elas ao dado ao pobre pombo (de madeira) no meio da apresentação: um tiro certeiro e fatal. Enquanto performance, é muito bem ensaiado e sincronizado. Depois de oito peças assistidas, continuo com Till, do Grupo Galpão, que abriu o festival, como a minha favorita.


domingo, 22 de agosto de 2010

NÓS NO BAMBU


Aproveitei a visita dos meus dois sobrinhos e os levei para assistir à Cia Nós no Bambu no sábado à noite. O espetáculo é dirigido por William Lopes e tem o nome Ultrapassa!, com ingressos a R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro bem cheia. No palco, uma grande estrutura de bambus onde os nove integrantes (Ana Flávia Almeida, Beatrice Martins, Caetano Maia, Camila Costa, Nara Faria, Pedro Mesquita, Poema Mühlenberg, Roberta Martins e Vitor Oliveira) da trupe encenam situações de competições esportivas, tais como atletismo, ciclismo, canoagem e natação. São cinquenta minutos de show. E que show. Performances magníficas nos bambus, mostrando habilidade, concentração, destreza, força, delicadeza e muito bom humor. Alto astral! A esquete da natação é fantástica, com números difíceis de executar, mas eram tão bem feitos que para nós da plateia pareciam facílimos. Simular os movimentos da natação, do ciclismo, da canoagem e do atletismo em pleno ar, apenas amparados por bambus, é incrível. Gostei muito. Meus sobrinhos adoraram também. Muito bom ver um grupo de Brasília em um espetáculo tão bem montado. Saí muito feliz do teatro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

DECEPÇÃO

Hoje o dia foi longo. Acordei cedo e fui trabalhar. Primeiro dia de reunião com representantes de todas as unidades regionais do órgão em que trabalho. A reunião começou às 9 horas e terminou às 18:15 horas, com intervalo para almoço de 12:15 às 14:00 horas. Após o término desta longa reunião, entrei em outra reunião que só terminou às 20:20 horas. Foi cansativo.

Para o almoço, novamente tive a companhia de Rogério e escolhemos o Nippon (SCLS 403, Bloco A, loja 28, Asa Sul), de culinária japonesa, como o próprio nome indica. Há muito não ia lá e fiquei surpreso com a melhora no sistema de buffet. Já era bom, agora está melhor, com várias opções de pratos quentes sendo servidas à mesa pelos garçons. Como sempre, o restaurante estava cheio e, ao final, pedimos a Nota Legal.



À noite, após a última reunião, fui direto para o Teatro Nacional Cláudio Santoro (Setor Cultural Norte), mais precisamente na Sala Martins Penna, para ver um espetáculo integrante do festival Cena Contemporânea 2009. A peça é Mercadorias e Futuro, texto, encenação e direção de José Paes de Lira, o Lirinha do grupo musical Cordel do Fogo Encantado. Co-dirige a peça a atriz Leandra Leal. Foi assisitndo este espetáculo, na companhia de duas amigas que encontrei na fila de entrada, que veio a decepção. Lirinha como ator é melhor cantor, sem dúvidas. A peça mistura Regurgitofagia, de Michel Melamed, com elementos do filme Deus e O Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, configurando um texto chato e sem graça. A plateia ria em alguns momentos, mas risos isolados. Para piorar, o microfone do ator pifou no início da peça e não houve como consertar. Para quem se propõe a seguir um festival, seja de música, cinema ou teatro, está sujeito a este tipo de decepção, pois procura-se assistir o máximo e tem-se tanto surpresas positivas quanto negativas. No caso, a surpresa foi muito negativa. Minhas amigas também não gostaram. Vi gente saindo bem antes do final da peça. Torço para esta ser uma exceção, pois ainda assistirei mais algumas até o próximo domingo.

sábado, 20 de junho de 2009

PÁSSARO DA NOITE



Conforme já havia postado, comprei três entradas para a peça "Pássaro da Noite". Eu, meu pai e minha mãe chegamos à Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro com meia hora de antecedência. Difícil encontrar local para estacionar, já que no mesmo horário havia outro espetáculo na Sala Villa Lobos, no mesmo teatro.

Na entrada, ganhamos uma necessaire da Drogaria Rosário, uma das patrocinadoras da peça.

Texto de José Antônio de Souza e direção de Marcus Alvisi, a peça é um monólogo com Luana Piovani, que ficou quatro meses em cartaz no Rio de Janeiro. Como toda peça com ator conhecido que chega a Brasília, a sala estava bem cheia. Quinze minutos de atraso e começa o espetáculo. Não há nenhum cenário. O tablado é nu. Apenas Luana, com variações de luz e muita movimentação no espaço cênico. O figurino é todo em tom pastel, numa variação do bege ao marrom escuro e valoriza o corpo da atriz e se relaciona com o texto, cheio de melancolia e desespero. Com alguma pitada de sua vida pessoal, escancarada em jornais e revistas, Luana despeja na plateia setenta minutos de texto, mostrando um desespero por estar só e perdida em algum lugar, mas não se sabe onde. Apenas sabemos que é noite de sexta-feira e houve uma festa antes. Neste intervalo temporal, a personagem volta ao passado, lembra de sua infância, da adolescência, de amores e trepadas, não seguindo uma ordem cronológica para tais lembranças. Há certos momentos que o texto incomoda a plateia, em sua maioria pessoas maduras, pois Luana diz muita sacanagem e palavras xulas. Faz parte do contexto. Ela passa rapidamente de partes cômicas para dramáticas e tira algumas peças da sua roupa ao longo do espetáculo, deixando à mostra, apenas com um tecido transparente em cima, seus seios. Ao final, a plateia aplaude protocolarmente, sem muito entusiasmo. Quando ela volta em cena para os agradecimentos, rola uma certa empatia e os aplausos são mais enfáticos, mas nem todos ficam de pé para aplaudí-la. Realmente o texto não foi feito para agradar a todos. Luana mostra que está evoluindo e fez bem em apostar no teatro adulto depois do sucesso com a peça infantil baseada na obra O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupery.

Para mim, ela foi ousada e merece os parabéns por isto.

Gostei da peça, embora não tenha achado sensacional. Vale a pena ver. Além do mais, Luana está, como sempre, exuberante.

Quanto a meus pais, não gostaram da peça. Meu pai disse que está todo mundo louco. Como falei, o texto não foi feito para agradar a todos.



Ao sair, terminamos a noite comendo uma pizza na Valentina Pizzaria (SCLN 214, Bloco A, lojas 9/11, Asa Norte).