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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

LA FEMME QUI TUA LES POISSONS (A MULHER QUE MATOU OS PEIXES)

E segue o Cena Contemporânea. Quarta-feira, dia 28 de agosto, fui com Carol, Arnóbio, Kitty, Cris, Hélida G., Karina, Diana e Fabiola conferir o espetáculo programado para 21 horas na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Compramos os ingressos com antecedência, pagando R$ 10,00 cada um. Teatro completamente lotado para assistir Emmanuelle Lafon e Vladimir Kudryavtsev no espetáculo La Femme Qui Tua Les Poissons (A Mulher Que Matou Os Peixes), texto da sempre ótima Clarice Lispector. Direção e adaptação de Bruno Bayen. São 80 minutos de duração. Texto falado 95% em francês, com legendas em português. O controlador das legendas pregava uma peça, de vez em quando, na plateia, acelerando ou retardando a sincronia da fala, muitas vezes em ritmo alucinado, da atriz com as frases em português. Entendi quase tudo do que ela falava, o que me permitiu somente recorrer às legendas vez ou outra. Texto magnífico, que mescla trechos da obra de Lispector, mostrando o quão frágil é o ser humano. Um simples esquecimento leva à morte os peixes vermelhos de seu filho, desencadeando na mulher uma profunda reflexão sobre as suas atitudes cotidianas e sua relação com o mudo ao seu redor. A performance de Emmanuelle Lafon é sensacional. Ela ocupa todos os espaços do palco, como uma gigante na arte de interpretar. A atriz mostrou insatisfação apenas com a fisionomia, ou mesmo aumentado a voz, sem deixar o texto de lado, quando um telefone celular ecoou no teatro. Algumas palavras em português, como saudade (de difícil tradução) e coitadinho, foram mantidas no texto em francês interpretado por Lafon. O ator pouca participação tem na peça, sendo quase que mais um item do cenário primoroso de Renata S. Bueno, que também assina o figurino. Uma parte do texto dita em forma de declamação não possui legendas, pois o momento é muito lírico e é preciso não desviar a atenção da atriz. Assim, a solução foi colocar alguém declamando o mesmo texto em português, imediatamente após cada frase dita por Lafon. Para quem entende francês, logo se percebeu que a tradução não correspondia ao que a atriz dizia. Para piorar, ao final, ficou nítido que quem lia trocou a ordem dos papeis, pois a fala da atriz inicial foi traduzida enquanto ela declamava a parte final do seu texto. Um erro horroroso, que fez o público que entende francês rir em uma situação delicada e singela. Mas isto não prejudicou o todo. Ainda bem. Palmas entusiasmadas ao final, com um emocionado diretor em cena agradecendo ao Brasil por ter proporcionado a ele e ao mundo a excelente escritora Clarice Lispector. Gostei muito.

artes cênicas

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A PRIMEIRA VISTA

Sábado, dia 24 de agosto, sessão das 21 horas na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Ingresso comprado antecipadamente por R$ 10,00. Teatro lotado. Na minha companhia, as amigas e companheiras de trabalho Karina, Fabiola, Maíra e Hélida G. No palco, as atrizes Drica Moraes e Mariana Lima encenam A Primeira Vista. Direção de Enrique Diaz para o texto do canadense Daniel Macivor. Para quem viu em 2010 a peça In On It, do mesmo autor, podemos dizer que A Primeira Vista é uma versão feminina para aquele texto. Logicamente não se trata de uma encenação da mesma história. Os textos mantém um diálogo, uma conexão, pois tratam das idas e vindas de um casal gay. No caso de A Primeira Vista, duas mulheres se encontram em um acampamento (uma atividade tipicamente canadense) e a partir deste encontro, há um ir e vir no tempo, quando a relação das personagens, que não tem nomes definidos, é contada. O cenário é difuso, sem que o público possa identificar direito onde elas estão. Em um local incerto e em tempo também desconhecido, elas contam a história de suas vidas, especialmente quando seus momentos se entrelaçavam. A química das duas atrizes está perfeita no palco. Mesmo sabendo previamente que Drica Moraes fora indicada para o Prêmio Shell 2013 como melhor atriz justamente por sua performance nesta peça, não consigo dizer quem é a melhor em cena. O texto traz algumas características comuns às outras duas peças que assisti do mesmo autor; a já citada In On It e Cine_Monstro, vista recentemente no mesmo festival Cena Contemporânea de que faz parte A Primeira Vista. Assim, a ironia, o humor negro, encontros e desencontros, espontaneidade e morte estão presentes. As situações vividas pelas personagens rendem boas risadas ao longo dos cerca de 80 minutos de duração do espetáculo. Ao final, conseguimos entender perfeitamente o cenário difuso por onde passa toda a história. Muito bom.

artes cênicas

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A FORÇA DA TERRA

Quando apareceu estampada a palavra FIM projetada no telão localizado no fundo do palco, tive a sensação de que um grande suspiro de alívio tomou conta da plateia na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Aplausos meramente protocolares ecoaram no local e, fato raro de se ver em Brasília, ninguém ficou de pé ou deu gritos entusiastas. Isto aconteceu na sessão do dia 22 de agosto de 2013, ao  final do espetáculo A Força da Terra, texto e concepção do Grupo Sonhus Teatro Ritual, de Goiás, em parceria com Hugo Rodas. A peça integrou a programação do festival Cena Contemporânea, edição 2013. Sou um fã de Rodas, mas, pela primeira vez, não gostei do seu trabalho. Quatro atores no palco interagem com imagens projetadas no telão. No início, são imagens dos próprios atores, com intervenções verbais que não acrescentam nada, como uma das atrizes observar que estava bem mais magra no filme. Depois, uma malha furada é suspensa, tornando a projeção "suja", cheia de "ruídos" visuais, dificultando ver com exatidão partes do filme Vidas Secas, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, de onde o espetáculo livremente se baseia. Enquanto o filme passava, algumas cenas do filme eram repetidas pelos quatro atores no palco. Os efeitos visuais são interessantes e criativos, mas não ajudam na compreensão da mensagem que se quer passar. Confesso que ver a terra sendo varrida por uma escova na frente do ator que caminhava sem rumo prendeu mais minha atenção do que a história em si. A performance do ator que faz a cachorra Baleia, estrela do filme de Santos, é ótima, mas, ao mesmo tempo, deprimente. Ficou um misto de gostar/não gostar que não consigo explicar. Para piorar, na terceira parte do espetáculo, já sem a malha furada em frente da tela, imagens dos recentes protestos que tomaram as ruas do Brasil em junho são mostradas, enquanto os quatro atores vestem roupas de gala, representando uma elite que está alheia aos acontecimentos, simulando brindes com taças de champanhe, como um escárnio ao restante da massa que protestava. Posso não ter entendido, mas não consegui identificar uma ligação com Vidas Secas. Foram intermináveis 60 minutos de duração. Definitivamente é minha candidata a pior peça desta edição do festival. E só não será a pior do ano porque Jukebox - Uma Ficção Científica Musical consegue ser bem pior.

artes cênicas

sábado, 11 de agosto de 2012

MARIA BETHÂNIA INTERPRETA CHICO BUARQUE


Não tinha conseguido comprar ingresso para o terceiro show da edição brasiliense do projeto Circuito Cultural Banco do Brasil, Maria Bethânia interpreta Chico Buarque. No entanto, na manhã de sexta-feira a sorte veio na forma de uma ligação telefônica. Um amigo, sabendo que estava sem ingresso, me ligou dizendo que sua colega de trabalho tinha dois ingressos, mas não iria mais ao show. Confirmei, sem exitar, meu interesse nas duas entradas, pelas quais paguei R$ 60,00 cada uma. Era entrada de estudante, mas resolvi arriscar. Não pediram nenhum comprovante na entrada do teatro. Eu e Ric tínhamos lugar garantido na fila V, lugar longe do palco, mas com visão tranquila do show. Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro lotada para ver a excelente intérprete Maria Bethânia, acompanhada por seis músicos. Os adereços do cenário eram os mesmos dos dois shows anteriores do projeto, mostrando que Monique Gardenberg é craque, pois os moldou ao tipo de música que cada um interpretou. Bethânia entrou, como sempre, descalça, andando na ponta dos pés, com figurino todo branco, em contraste com o preto utilizado pelos músicos de sua banda. Começou o espetáculo cantando Rosa dos Ventos e emendou uma música na outra sem conversar com o público até o final, seguindo seu sempre consistente roteiro. Problemas com o som foram uma constante. Quem sentou mais atrás tinha dificuldades em ouvir a voz da cantora em determinadas partes das canções. Roda Viva, Cálice, Teresinha (muito aplaudida), Valsinha, João e Maria, Noite dos Mascarados, Tatuagem, Vida, Cotidiano, A Rita, Gente Humilde (foi a música que mais tive dificuldade em ouvir por causa do som), entre outros sucessos de Chico Buarque, foram ouvidos na voz deliciosa de Bethânia, que também recitou dois textos, também do homenageado, durante o show. Gota d'Água foi a que mais gostei, assim como a música que encerrou o espetáculo, Não Existe Pecado ao Sul do Equador. Aplaudida de pé, com muitos assobios pedindo mais um, a cantora retornou para cantar Chico Buarque da Mangueira, com as luzes da tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, verde e rosa, iluminando o cenário e o palco. As cortinas se fecharam. Alguns começaram a sair, mas outros pediam outro bis. Ela voltou, homenageando a cantora que apresentou Chico Buarque ao Brasil, Nara Leão, cantando A Banda, com o público de pé fazendo coro. Bethânia fez um show normal, nos moldes que seus fãs esperam, não trazendo nenhuma novidade, nem uma performance arrebatadora. Foi aquilo que eu esperava. Terminado os três shows do circuito, Lulu Santos fez, de longe, o melhor espetáculo.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

LULU SANTOS INTERPRETA ROBERTO CARLOS & ERASMO CARLOS




Lulu Santos interpreta Roberto Carlos & Erasmo Carlos foi o segundo show na temporada de Brasília do Circuito Cultural Banco do Brasil, em cartaz na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Comprei o ingresso por R$ 69,00 pela internet, com lugar na fileira T. Teatro lotado, mas com algumas cadeiras vazias, embora a informação de ingressos esgotados estivesse visível na bilheteria. Como na noite anterior, duas moças entregavam, para quem descia a rampa de acesso à sala, uma caixinha azul contendo duas trufas de chocolate. Como de costume, houve um atraso de dez minutos para começar o espetáculo. Lulu entrou com os demais músicas, já tocando guitarra, tendo como cenário o mesmo usado por Sandy na noite anterior, mas a utilização dos adereços era diferente. Lulu priorizou o repertório da dupla Roberto & Erasmo da época da Jovem Guarda, não se atendo aos arranjos originais. Muito antes pelo contrário, ele ousou e muito nos arranjos, numa autêntica recriação da obra do Rei, com resultados muito positivos e bem recebidos pela plateia. Era quase impossível saber a música que ele iria executar ouvindo os acordes iniciais, sendo necessário ouvir as primeiras palavras da canção para reconhecer o sucesso de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. O show começou com Sentado à Beira do Caminho, numa versão despojada, com alterações no tom de voz. Resultado interessante e gostoso de ouvir. No meio do show, ele fez uma ótima piada, ao dizer que iria apresentar a banda. Os quatro músicos que o acompanhavam deixaram seus instrumentos de lado e foram para o centro do palco, mas Lulu não falou seus nomes. Como um anfitrião em uma festa, apresentou gestualmente um músico para o outro, que, por sua vez, deram apertos de mãos e abraços, como se nunca tivessem se encontrado. O público riu muito. A apresentação dos músicos só ocorreu ao final do show, já no bis. O Calhambeque foi a segunda canção do setlist da noite que ainda contou com outros sucessos como Minha Fama de Mau; As Curvas da Estrada de Santos; Vem Quente Que Eu Estou Fervendo; Eu Te Darei o Céu; Sou Uma Criança, Não Entendo Nada; É Preciso Saber Viver. Lulu deu uma pegada diferenciada em cada uma das músicas do show, ora com toques de tango (Se Você Pensa), ora como se fosse um reggae (Eu Te Darei O Céu). Ele ainda permitiu ao baixista Jorge Ailton um ótimo solo para Você Não Serve Pra Mim. Durante a música Festa de Arromba, um clip em preto e branco passava na tela redonda com cenas de jovens dançando twist. Ilegal, Imoral ou Engorda foi a penúltima música da noite. Assim que ele acabou de cantá-la, Lulu disse que quando fez o primeiro show do projeto em São Paulo, o empresário de Roberto Carlos estava presente e lhe disse que o Rei queria saber se uma música estava no setlist. Não estava, mas Lulu a incluiu para os shows seguintes. Ela passou a ser a última canção do show: Emoções, que foi cantada em coro pela plateia, mesmo com um arranjo bem diferente, com direito a solos de assobios feitos por Lulu Santos em seu início. Segundo li, Roberto Carlos viu o show no Rio de Janeiro e gostou. Claro que a plateia se levantou, aplaudindo calorosamente o cantor e pedindo bis. Lulu retornou ao palco dizendo que não tinha gostado de sua performance em Festa de Arromba, repetindo a canção, com as mesmas imagens que passaram na primeira vez. Ao terminar de cantar disse que a levada iê-iê-iê de Roberto e Erasmo sempre estiverem presentes em sua obra, brindando aos presentes com Tempos Modernos, de sua autoria, com público de pé, cantando e dançando. O que faltou de empolgação no show de Sandy na noite anterior, quando ela interpretou canções de Michael Jackson, teve de sobra com Lulu Santos, um verdadeiro showman. Depois de terminado o espetáculo, fiquei pensando quantas vezes já tinha visto Lulu em shows. Foram várias, mas esta foi a primeira vez que o vi em um teatro. O show merece registro em cd e dvd.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

SANDY INTERPRETA MICHAEL JACKSON




Nunca imaginei que um dia iria a um show de Sandy. Pois fui. Assim que anunciaram que o Circuito Cultural Banco do Brasil passaria por Brasília, fiquei interessado na proposta onde um cantor/cantora faz um show inteiro dedicado à obra de um artista consagrado nacional e/ou internacionalmente. Para esta etapa do circuito, que tem curadoria de Monique Gardenberg e Toni Platão, foram definidos três shows: Sandy interpreta Michael Jackson, Lulu Santos interpreta Roberto e Eramos Carlos, e Maria Bethânia interpreta Chico Buarque. Os ingressos para o show de Bethânia foram pulverizados no mesmo dia em que foram colocados em pré-venda para clientes Ourocard. Infelizmente não consegui comprar, garantindo, no entanto, entradas para os dois outros shows por R$ 69,00 cada um. Sandy interpreta Michael Jackson abriu o circuito em Brasília na noite de 08 de agosto na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Sentei bem atrás, na fileira T. Na bilheteria do teatro havia a informação de que os ingressos para o show de Sandy estavam esgotados, mas havia umas duas dezenas de poltronas vazias. Sinal que os famosos convites não foram utilizados, deixando quem queria comprar ingressos de fora do espetáculo. Para minha surpresa, o público era, majoritariamente acima de quarenta anos de idade. Logo fiz uma associação de que havia mais fãs de Michael Jackson do que de Sandy. Pode até ser verdade, mas assim que ela apareceu no palco, muitos gritos histéricos, especialmente de mulheres, ecoaram no teatro. De nada adiantou o aviso antes do show sobre a proibição de filmagens e fotografias. O que mais se via eram luzes das câmaras digitais e das telas de smarphones ligadas durante todo o show. Com uma banda com cinco músicos, ela apareceu no palco com figurino inspirado nas roupas do Rei do Pop, em pedestal à direita, cantando Bad. O arranjo deixou a música mais lenta e a voz da cantora não se encaixou na música. Quando ela cantava o refrão, parecia um cabrito chamando a mãe. Outros sucessos vieram em seguida, mas não senti empolgação na plateia. Ninguém cantava as músicas. Os fãs de Sandy insistiam em gritar gracinhas para a cantora, fato que irritava quem queria ouvir as canções de Michael Jackson. Os mesmos fãs tiravam muitas fotos, publicando-os imediatamente nas redes sociais, quando a operadora de telefonia funcionava (vi uma jovem na fileira da frente ficar xingando a TIM por não ter sinal de internet no teatro). Quando terminou Rock With You, a terceira canção da noite, ela conversou com o público e assim o fez até o final do espetáculo. Em uma destas intervenções, ela disse que na escolha do setlist do show escolhera canções de todas as fases de Michael Jackson, incluindo a época em que cantava com seus irmãos no Jackson Five. Não podia faltar no repertório Ben, Man in The Mirror, I'll Be There, Music and Me, Human Nature, Billy Jean e Thriller. Estas duas últimas também tiveram arranjos que as deixaram mais lentas, o que me desagradou. Uma histérica atrás de mim não parava de gritar pedindo para Sandy fazer o moonwalk. Claro que não foi atendida, pois a cantora usava um salto alto considerável. A última canção foi Gone To Soon. Assim que deixou o palco, não senti, novamente, empolgação da plateia, que custou a pedir bis. Ela demorou um pouco a voltar, encerrando a apresentação da noite com a dançante Don't Stop Till You Get Enough, quando todos ficaram em pé, mas poucos dançaram. Enfim, um show médio com viés de baixa (utilizando um jargão do economês). Ressalto que o cenário do show estava muito bonito, especialmente o jogo de luzes e a projeção em um telão redondo, cujo ponto alto foi durante a introdução da música Earth Song, quando parecia que a Terra rodava em pleno palco da Villa-Lobos.

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domingo, 29 de julho de 2012

LA BEAUTÉ DU DIABLE - CENA CONTEMPORÂNEA

Na noite de sexta-feira fui conferir mais um espetáculo do festival Cena Contemporânea. Sessão de 21 horas com o teatro bem cheio. Mais uma vez o cheiro de mofo e poeira da Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro se fez muito presente, potencializando as tosses na plateia, comuns nesta época do ano, com a secura de Brasília. La Beauté du Diable é solo de dança, concebido, coreografado e interpretado pelo artista Koffi Kôkô, africano do Benim. Em cinquenta minutos de espetáculo, ele dança em um palco seco, apenas com um objeto vestido com uma roupa colorida colocado no canto esquerdo e uma bacia com tinta branca. A música é executada ao vivo por um trio de percussionistas. Cânticos africanos são entoados em alguns momentos do espetáculo. O bailarino começa com passos suaves, sem música, em movimentos marcados e precisos, mas muito leves. Kôkô parecia flutuar. Os passos vão se modificando, se acelerando, depois que há um "diálogo" entre o bailarino com o tal objeto colorido, que me pareceu representar uma divindade/entidade. O palco, então, faz as vezes de uma espécie de terreiro, onde o dançarino vai entrando em um transe, pintando seu rosto, seus braços e seu tronco com a tinta branca que estava na bacia. Sua expressão facial demonstra que ele está incorporado e serve de elo entre duas entidades, uma espécie de mensageiro entre deus e o diabo, como está na sinopse escrita no catálogo do festival. Depois que se pinta, ele veste um  paletó branco, completando o figurino, pois já estava com uma calça também na cor branca. Uma dança frenética ocorre em todos os espaços do palco, marcada pelo ritmo crescente da percussão. Então, o dançarino se posta no lado oposto do objeto colorido e transmite a mensagem que lhe foi confiada. Sua tarefa estava cumprida. Era chegada a hora de voltar e festejar. Para tal festejo, um recurso cênico simples, mas de grande impacto visual, pois ele tirava dos bolsos de seu paletó bocados de pó branco e o jogava por cima de seu corpo. Com a iluminação, o efeito ficou bonito e permitiu algumas leituras, como a já citada comemoração ou a purificação do mensageiro. Kôkô utiliza elementos da dança clássica, da dança moderna, de gestos próprios do flamenco (braços erguidos com os dedos apontando para algum lugar, na pose clássica de um toureiro antes de abater o touro) e de passos dos rituais religiosos africanos. Ao final, ele foi muito aplaudido pelo público presente. Gostei de ter visto um espetáculo de um país que jamais imaginaria ver.

dança

quarta-feira, 25 de julho de 2012

TRABALHOS DE AMORES QUASE PERDIDOS - CENA CONTEMPORÂNEA

Na noite de terça-feira, dia 24/07/2012, compareci à decadente Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro para ver mais uma peça do festival Cena Contemporânea 2012. Trabalhos de Amores Quase Perdidos é o curioso título para texto e direção de Pedro Brício. Em cena, os atores Branca Messina, João Velho, Lúcia Bronstein e Pedro Henrique Monteiro. A peça tem dois atos. O primeiro é encenado na parte frontal do palco, com uma cortina azul fechada tampando o cenário do segundo ato, localizado na parte mais ao fundo. O texto brinca com o público, pois fica entre a ficção (com um quê de realidade) e o ensaio de uma peça que aborda o que se passa nesta ficção. Assim, um dos atores sempre esclarece ao público o que acontecerá no palco depois que o texto for encenado, dizendo frases  interessantes como "fulano está em pé no fundo do palco", ou "ciclano pega uma garrafa de champagne", enquanto os atores ficam sentados de frente para o público. Eles alternam, principalmente no primeiro ato, o mais longo, o ensaio e a encenação. Gosto das inovações de Pedro Brício e, mais uma vez, acho que ele acertou, pois a narrativa ficou dinâmica e prendeu a atenção do público. Em alguns momentos, parecia até um ensaio aberto. O texto também é muito bom, com discussões sobre o fim da juventude, já que todos os personagens estão entrando na casa dos trinta anos, quando sentem o peso das responsabilidades que chegam com o avançar da idade. Neste bojo estão os amores e desamores, as idas e vindas de paixões, a explosão carnal, o desejo sexual, os sonhos de jovens que querem um futuro promissor. Outro ponto interessante é a constante troca de papeis dos atores, com homens fazendo personagens femininas e mulheres fazendo as masculinas. Há, ainda, várias falas em espanhol, pois duas personagens são espanholas. Um ótimo diálogo é travado entre um brasileiro, falando o espanhol que todos os brasileiros que não estudaram a língua acreditam saber falar, e a espanhola, com pronúncia perfeita da atriz que a interpreta. Fica evidente que nosso portunhol está longe de ser parecido com o espanhol. Ao final de uma hora e vinte minutos a peça terminou, sendo bastante aplaudida pela plateia, mostrando que texto e atuação agradaram aos presentes. Foi a quarta peça da programação do Cena Contemporânea que assisti nesta edição e até agora gostei de todas. Mais um peça que nos leva a reflexão pós espetáculo.

teatro

sábado, 14 de julho de 2012

BRASILIA INTERNATIONAL FILM FESTIVAL - BIFF



Começou na última quinta-feira, dia 12 de julho, e vai até o dia 22 de julho, a primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Brasília (Brasília International Film Festival) - BIFF, uma maratona de filmes que ocupará a Sala Alberto Nepomuceno do Teatro Nacional Cláudio Santoro e as quatro salas do Cine Cultura no Liberty Mall. Com outros eventos culturais de peso ocorrendo na cidade na mesma época, como o Cena Contemporânea e o Palco Giratório, está difícil conciliar agendas. A minha escolha tem recaído em atrações que dificilmente terei outras oportunidades para conferir. Tenho a certeza  que vou conferir alguns espetáculos destes festivais durante o inverno brasiliense.

filme

sábado, 14 de abril de 2012

CALMA AÍ, CORAÇÃO - ZECA BALEIRO


Vi a propaganda do show de Zeca Baleiro no jornal na segunda-feira, dia 09 de abril. Seriam duas apresentações na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro nas noites de 12 e 13 de abril. Fui à bilheteria na mesma segunda-feira em que li o anúncio, mas sem muita expectativa de conseguir ingresso, pois os shows de Baleiro em Brasília sempre são muito concorridos. Antes de sair, imprimi o cupom Sempre Você por ser assinante do Correio Braziliense, garantindo-me pagar meia entrada. Cheguei na bilheteria do teatro e achei que estava tudo esgotado, pois não havia fila e era hora do almoço. Para minha surpresa, havia muito local disponível para ambas as noites. Paguei R$ 80,00 pelo ingresso, escolhendo um ótimo assento, centralizado, no setor 2 da plateia, para o primeiro dia de espetáculo, 12 de abril. Por volta de 20 horas eu já estava no foyer da Sala Villa-Lobos. Foi muito fácil achar vaga para estacionar, mesmo com metade do estacionamento impedido por montagem de tendas que darão o suporte à I Bienal Brasil do Livro e da Literatura. O movimento era pequeno. Algumas pessoas chegaram na bilheteria e conseguiram comprar ingressos ainda no setor 2. Estranhei, mas realmente o teatro não ficou cheio. Diria que tinha pouco mais da metade de suas poltronas ocupadas. Com vinte minutos de atraso, os cinco músicos da banda de Zeca Baleiro entraram no palco, sendo seguidos pelo cantor maranhense. Ele não se dirigiu ao público, cantando de pronto um rap que está em seu mais novo trabalho, O Disco do Ano, chamado O Desejo. A receptividade da plateia foi morna, sinal de que poucos conheciam a música. Esta sintonia morna predominou na primeira hora do show. Predominou no set list o repertório do novo cd. Dois momentos de maior empolgação do público nesta primeira parte do show foram: a interpretação para Disritmia (Martinho da Vila), em um arranjo diferente da já diferente gravação de Baleiro, e a interpretação do sucesso Maresia (Ai Se Eu Fosse Marinheiro), de Adriana Calcanhoto. Quando o show já chegava perto de uma hora de duração, a banda se posicionou na frente do palco, todos sentados em banquinhos, com Zeca Baleiro ao centro. Neste momento, ele, enfim, conversou com a plateia. Disse estar muito feliz em iniciar a turnê do show Calma Aí, Coração por Brasília, reafirmando sua posição de estrear seus shows em cidades fora do eixo Rio-São Paulo. Por ser o primeiro show, ele pediu desculpas pelos erros que cometeu em relação às letras das músicas novas. Brincou com a plateia dizendo que em seis meses voltaria à Brasília, quando o espetáculo já estaria bem azeitado. Apresentou a banda de forma divertida. Argumentou que o brasileiro gosta de músicas com coreografia, citando Michel Teló, provocando gargalhadas dos presentes. Por causa disto, ele fez uma música para a turnê com coreografia. Um dos integrantes da banda acionou o computador e uma base pré-gravada rodou. Baleiro e banda cantaram, dançaram, com direito a passos e muita coreografia de mãos e quadris, para delírio da plateia. A letra da música é hilária, rimando, por exemplo, Palocci com Padre Marcelo Rossi. A música termina com o cantor e seus músicos saindo do palco dançando em fila indiana. Era o final do show. Depois de alguns minutos de pedidos de bis, ele retorna com outra roupa, para cantar alguns de seus sucessos, entre eles Telegrama, cantada em gritos pela mulherada presente, e Alma Não Tem Cor, sucesso do grupo Karnak, que Baleiro também já gravou. Nesta música, um casal do público deu um pequeno show de dança de salão na lateral do palco. O cantor chegou a agradecer aquela participação especial espontânea. Alguns chatos insistiam em gritar "Toca Raul!". Claro que ele tocou, Maçã, lendo a letra colado ao chão. Uma das músicas mais interessantes da nova safra é Meu Amigo Enock, cantada no palco enquanto um filmete rolava no telão ao fundo. Era uma animação de uma conversa no Facebook, tema da música. O figurino é um ponto alto do espetáculo. Os cinco integrantes da banda usam roupas e calçados monocromáticos, cada um com uma cor diferente: como tenho dificuldades de distinguir cores de longe, arrisco dizer que havia músico de roxo, de azul, de verde, de marrom e de um tom atijolado. O cantor seguiu sua característica peculiar de se vestir, com um calça com grafismos preto e branco, camisa amarela, colete escuro e paletó com madras grandes, com tons amarelados e preto. Quando terminou a segunda parte, que na verdade foi o bis, o clip da ótima O Disco do Ano começou a passar no telão, enquanto a galera deixava o teatro. Durante o show, Tuco Marcondes, um dos músicos puxou um Parabéns Pra Você, pois Zeca tinha feito aniversário no dia anterior, 11 de abril. Não gostei do cenário, ou melhor das projeções no telão. As cores são em tons pasteis e achei que não havia uma sincronicidade com as músicas, salvo poucas exceções. Em algumas canções, não há nada sendo projetado no telão. No frigir dos ovos, foi um  show morno, sem muita empolgação. Quem sabe daqui a seis meses ele melhore...

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

FILIPE CATTO - FÔLEGO




Ouvir Filipe Catto é experimentar uma mistura de estilos diferentes, tornando-se uma coisa única, exclusiva, deste cantor gaúcho radicado em São Paulo. Já tinha postado aqui na série Música Que Ouço o seu primeiro trabalho: Fôlego. Ele tem a irreverência de Eduardo Dusek, a ousadia de Caetano Veloso, a dramaticidade de Maísa e um timbre de voz que nos lembra Ney Matogrosso. Seu cd está sempre em rotação no player de meu carro. Ao ler que ele seria uma das atrações do Festival Internacional de Artes de Brasília, que ocupou vários espaços da cidade durante os meses de janeiro e fevereiro, tratei logo de ir atrás do ingresso. Todo o festival teve entrada gratuita, mediante a retirada de um par de ingressos por pessoa a partir de 14 horas do dia marcado para o espetáculo. Cheguei de Recife no dia 01º de fevereiro, mesmo dia do show, já perto de 18 horas Antes de ir para casa, Ric me levou à bilheteria do Teatro Nacional Cláudio Santoro, onde consegui entrada para me sentar em uma das últimas filas. Antes de Filipe Catto, se apresentaria a banda brasiliense Innatura. Cheguei no horário marcado, às 20 horas, sem dificuldades para estacionar. A Sala Villa-Lobos estava com pouco menos de 2/3 ocupada. Com apenas dez minutos de atraso o show de reggae começou. Confesso que não sou fã deste ritmo e acabei o show continuando sem gostar. Meu interesse principal era ver em cena o cantor gaúcho. Montaram rapidamente o palco para, em seguida, ele ser anunciado. O público já tinha baixado para menos da metade do teatro, evidenciando que muitos foram ver e prestigiar a banda Innatura. O cenário é bem simples, com apenas as letras que formam a palavra fôlego dispostas irregularmente do lado ao contrário. A ideia que me passou era que os músicos estavam em um telhado de um edifício em meio aos letreiros de um grande painel luminoso. Foram quase duas horas de um espetáculo arrebatador. Filipe Catto é mil vezes melhor em cena. Ele interpreta cada canção com tanta carga emotiva que mais parece um ator. Ouvir Garçon, clássico brega de Reginaldo Rossi, na voz de Catto, parece uma outra canção. Crime Passional, Gardênia, Saga, Ave de Prata, todas músicas de seu cd, ficam superiores na interpretação ao vivo. Quem já o conhecia, cantava as suas músicas junto com ele. Quem ainda não sabia quem ele era, ficava extasiado, comentando que compraria o cd. Visivelmente emocionado, Catto terminou um belo show dizendo que aquele tinha sido seu maior público até então em sua carreira. Tenho certeza que ele ainda lotará os teatros pelo Brasil. Grande show. E o melhor: gratuito.

música

domingo, 4 de setembro de 2011

CENA CONTEMPORÂNEA 2011 - DIA 12 - DARKNESS POOMBA E AWAKE



Sábado. 21 horas. Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro lotadíssima para ver as coreografias do grupo Modern Table, originário da Coreia do Sul e criado pelo músico e coreógrafo Kim Jae-Duk, atração do penúltimo dia do Cena Contemporânea 2011. Desta vez, eu estava na plateia como convidado, pois ganhei duas entradas da coordenação do festival. Sentei na parte onde estavam os atores poloneses de Carson City, além de vários sul-coreanos e produtores de teatro da América Latina. Foram duas as coreografias mostradas: Darkness Poomba e Awake. A primeira a ser apresentada foi "Awake", que tem apenas dois bailarinos em cena, ambos também cantores. Eles iniciam cantando sentados em cadeiras colocadas lado a lado, com suas mãos no braço do outro, como se fossem um único ser. Após a música, cantada em coreano, começa a coreografia, com uma música instrumental, som mecânico, ao fundo. Terminada a canção, a dança continua sem som. Os bailarinos param e Kim Jae-Duk explica, em inglês e em coreano, que aquele número queria retratar a "luta" entre seu corpo e sua alma, que em certos momentos queriam seguir caminhos distintos. Com muitos passos no chão, a coreografia se desenvolve em um clima sombrio, porém poético. Dura pouca mais que meia hora. Um breve intervalo e o grupo volta completo, com sete bailarinos, um cantor e três músicos. A segunda coreografia, "Darkness Poomba", é mais vibrante, parecendo um show de rock. A maior parte do tempo, a música é executada ao vivo. Kim Jae-Duk, como na primeira parte, também canta e toca uma espécie de gaita, mas desta vez no meio da plateia, que responde com palmas ritmadas. Há uma nítida mistura entre a música tradicional sul-coreana (que não conheço, mas fica evidente) e uma música mais pop, mais internacional, ligada ao rock. O número é mais rápido. A plateia mostrou que gostou muito, pois o grupo foi bem ovacionado e aplaudido de pé. Gostei de ter visto algo diferente, com bailarinos cantores e performáticos.

domingo, 28 de agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CENA CONTEMPORÂNEA 2011 - DIA 2 - AMARILLO

Ainda na noite de terça-feira, extasiado com a excelente peça Rá! no CCBB, saí do centro cultural direto para o Teatro Nacional Cláudio Santoro, passando antes em casa para pegar Ric. O ingresso custou R$ 16,00 a inteira. Um bom público estava no saguão de acesso à Sala Martins Penna, local da peça do grupo Teatro Línea de Sombra, detentor de alguns prêmios no México, o seu país de origem. Um amigo nos esperava para entrar. Nossos lugares eram distantes do de nosso amigo. Eu e Ric estávamos na última fileira, à esquerda do palco. Quando a gravação que anuncia os patrocinadores desta edição do festival ecou nas caixas de som, resolvemos nos sentar em um dos muitos lugares vazios que havia em local mais próximo ao palco. Lembro-me de que, quando fui comprar os ingressos, tais lugares estavam reservados para os patrocinadores. Para variar, os convidados não compareceram. Melhor para quem comprou em lugar mais distante, que gosta de teatro e teve a oportunidade de trocar de lugar. Os atores mexicanos já estavam em cena e com as luzes ainda acesas a peça Amarillo teve seu início. Sem ler a sinopse da peça, associei o nome à cor amarelo, mas trata-se de cidade norte americana localizada no estado do Texas, próximo à fronteira entre Estados Unidos e México. A peça acompanha a tentativa de um imigrante mexicano em cruzar a fronteira ilegalmente, enfrentando as agruras de um árido deserto para alcançar o "sonho americano". Os personagens que transitam na história não tem nome. Raúl Mendoza faz o imigrante, enquanto as atrizes Alicia Laguna, María Luna, Vianey Salinas, Antígona Gonzalez e o ator Jesus Cuevas participam dos sonhos e delírios do imigrante. Jesus Cuevas também é o responsável por entoar uma canção, ou melhor, uma espécie de mantra, na primeira parte da peça, que incomoda. Lembrei do filme de Herzog, Onde Sonham As Formigas Verdes, quando um cântico aborígene tomava conta da trilha sonora, chegando a irritar a quem o assistia. Foi a mesma sensação que senti ao ouvir Cuevas com seu vocalize. No entanto, entendo que tal atmosfera era necessária para sentirmos a aflição que o imigrante vivia ao cruzar, sozinho, o deserto. O texto de Gabriel Contreras é engolido pelo excesso de informações visuais presentes durante os 70 minutos da peça. Para caracterizar os delírios, a desidratação, a fome, a solidão, a saudade dos familiares do imigrante, o grupo utilizou-se de muitos recursos cênicos, como vídeo, instalações, areia caindo de sacos pendurados no teto, a interação entre o que se passava no palco com as imagens projetadas no muro colocado ao fundo, mostrando duas possibilidades de visão da mesma cena. Estes efeitos foram muito bem utilizados. Gostei muito quando Raúl fica no chão do palco, se contorcendo e se arrastando, como se estivesse tendo espasmos. Esta cena era filmada e projetada na parede no mesmo momento. Quem se fixava na projeção, os mesmos movimentos que o ator fazia no chão pareciam uma escalada difícil para alcançar o cume do muro. Muito interessante. O texto era falado em espanhol, enquanto uma legenda passava no alto do muro. A legenda não conseguiu acompanhar todas as falas, que algumas vezes ficavam abafadas pela trilha sonora ou pelo mantra entoado por Cuevas. Algumas pessoas do público não aguentaram esperar o final do espetáculo, saindo antes. Uma cena me chamou a atenção: enquanto Raúl interpretava uma conversa ao celular com sua mulher, para cada frase que ele dizia, uma mulher da plateia respondia. Inicialmente pensei que era parte da peça, mas ao finalizar a conversa ao celular, o ator dirige uma breve frase a quem lhe retrucava, dizendo que lha daria um papel na peça. Não sei se ficou irritado (o que me pareceu) ou quis tirar uma onda. Como atrativo visual, a peça é interessantíssima, mas o texto é muito específico, para uma realidade forte no México que não vivemos de forma tão intensa no Brasil (temos exemplos de brasileiros que tentaram entrar nos Estados Unidos cruzando a fronteira  via México, mas em número infinitamente inferior ao que ainda acontece com os mexicanos). O texto não me bateu. E como disse um pouco acima, as informações visuais são muito intensas e excessivas, o que sufocou o texto. E lembro que ainda estava na memória a performance de Ricardo Guilherme em Rá!, onde a força do texto e da interpretação dispensaram qualquer recurso cênico. Digo que gostei de ver Amarillo, mas não morri de amores.




domingo, 5 de junho de 2011

MARIA DO CARITÓ



Programação cultural no final de semana para mim é quase uma obrigação, como já devem ter percebido pelas postagens que faço aqui neste blog. E neste não foi diferente. Com ingressos comprados antecipadamente, ao preço de R$ 45,00 cada um (meia entrada utilizando o cupom Sempre Você, por ser assinante do Correio Braziliense), eu e Ric fomos para o Teatro Nacional Cláudio Santoro, onde estava em cartaz, na Sala Villa-Lobos, a peça "Maria do Caritó". Esta peça já me chamou a atenção desde a primeira vez que eu li sobre sua estreia, pois o texto é de Newton Moreno, um dramaturgo cujos textos sempre me agradaram, sejam os inéditos (Agreste, As Centenárias), seja a adaptação livre de "Álbum de Família", de Nelson Rodrigues (Memória da Cana). Saber que a atriz principal era Lilia Cabral me animou mais ainda, porque a considero uma atriz completa, tanto em teatro, cinema ou televisão. A direção é de João Fonseca. Chegamos faltando apenas quinze minutos para o início da peça, prevista para 21 horas. Houve um pequeno atraso, de apenas dez minutos. Teatro lotado. O universo da peça é o Nordeste brasileiro, como nas demais peças que vi de Moreno. O cenário lembrava uma festa junina, já que a história começa justamente no dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, com Maria do Caritó, personagem encarnada por Lilia Cabral, faz mais uma simpatia para se casar, quando tinha 49 anos. Antes da entrada em cena da atriz, a sua própria voz, em off, explica o que significa caritó para a audiência. Vou reproduzir aqui o texto do folder de divulgação da peça. "Na cultura popular nordestina, Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem, fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. E assim, a moça que ficou no caritó é aquela que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta." Maria do Caritó, prometida em promessa pelo pai, caso sobrevivesse quando nasceu, ao Santo Djalminha, não se conforma em ser virgem e nunca ter arranjado um pretendente. Por outro lado, a comunidade acredita que ela é santa. Ela vive, durante toda a história, esta dualidade, ficando entre o sagrado e o profano. Ela acaba achando "o grande amor de sua vida" em um circo mambembe, com apenas duas pessoas, onde é enganada pelo "russo" para integrar a trupe circense. O russo é vivido por Leopoldo Pacheco, que também faz outros personagens. Aliás, com exceção de Lilia Cabral, todo o elenco faz mais de uma personagem. Além do já citado Pacheco, integram o elenco de "Maria do Caritó" o ator Fernando Neves, e as atrizes Dani Barros, sensacional em todas as caracterizações (ganhou prêmio de melhor atriz coadjuvante da Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro - APTR), e Sílvia Poggetti. A peça é ótima, cômica, mas também nos permite uma reflexão sobre tradições de pequenas cidades, a solidão, a crença, a fé. Gostei de toda a história, mas uma cena é hilária, merecendo um destaque: o pout pourri de amor que Lília Cabral canta no circo. Desafinada, com direito a coreografia a la chacretes e incursões da frase "like a virgin", do repertório de Madonna. Sensacional! Ao sair, fui ligar para confirmar onde meus amigos estavam para jantar e não achei meu celular. Voltamos correndo ao local onde estávamos sentados, mas nada encontramos. Ric continuava a ligar, mas eu não ouvia nada (o celular estava no modo silencioso, sem vibração). Revirava a mochila e encontrava tudo, menos o telefone. Respirei fundo e dei mais uma checada. O danado tinha entrado em um bolso pequeno dentro da mochila. Fomos direto para o El Paso Latino (SQS 404, Bloco C, Loja 19, Asa Sul), onde terminei a noite comendo um delicioso ají de gallina, prato típico da culinária peruana, desfrutando de um bom papo com os amigos.


Ají de gallina - El Paso Latino

sábado, 19 de fevereiro de 2011

QUANDO O CANTO É REZA


Noite de quinta-feira. Estava exausto, após dois dias coordenando uma reunião, oito horas por dia, a maioria do tempo em pé. Longe de casa, com trânsito lento, fiquei ouvindo o cd Quando O Canto É Reza, último trabalho de estúdio de Roberta Sá, que para este disco, se uniu ao Trio Madeira Brasil. Delicioso de se ouvir, o cd só possui gravações de canções do baiano Roque Ferreira. No caminho para casa, consegui relaxar a mente, embora o corpo pedia uma cama, um urgente descanso. Porém, a mente venceu o corpo, pois tinha ingresso (R$ 20,00 a inteira) para assistir ao show baseado justamente neste cd que escutava no carro. O preço popular do ingresso é devido ao Projeto MPB Petrobrás, que trouxe nos últimos dois anos algumas atrações da música brasileira ao palco do principal teatro de Brasília, a Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro (que precisa urgentemente de uma repaginada e de uma ampla reforma). O projeto tem uma característica importante: um artista local abre o show da atração da noite. Nesta quinta-feira, com o teatro totalmente lotado, a abertura ficou por conta de Henrique Neto, filho de Reco do Bandolim, presidente do sempre aclamado Clube do Choro de Brasília. Henrique mostrou que filho de peixe, peixinho é. Excelente violinista, fez um show curto, mas memorável. Não se intimidou com as proporções do teatro, tocando lindamente seu violão, reverenciando músicos de primeira grandeza, como Ernesto Nazaré, Baden Powell, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, entre outros. Foi bastante aplaudido ao final de sua apresentação. Como sempre acontece em espetáculos onde há mais de uma atração, houve uma demora na montagem do palco para o show principal, mas o tempo de espera acabou sendo maior do que o programado, pois houve problemas com um dos retornos dos músicos do Trio Madeira Brasil. O anúncio do show de Roberta Sá & Trio Madeira Brasil se deu às 22 horas. Foi lindo. O repertório do show foi todo de canções de Roque Ferreira, basicamente as músicas do cd, como as ótimas Zambiapungo (esta Roque Ferreira fez em parceria com um dos integrantes do Madeira Brasil, Zé Paulo Becker), Tô Fora, Orixá de Frente, Cocada, Xirê e A Mão do Amor. Achei o show mais vibrante do que o disco. Os percussionistas Zero e Paulino Dias, também presentes no disco, impuseram um ritmo mais pulsante no palco. As músicas cresceram executadas ao vivo. Roberta Sá, como sempre, foi uma simpatia, dançando, cantando e seduzindo a plateia. Os três integrantes do Madeira Brasil, discretos, elegantes, mas de uma competência ímpar. A sinergia entre músicos e cantora foi total. Os flashs de câmeras fotográficas e de celulares não paravam de pipocar na plateia. Havia momentos em que Roberta Sá parecia fazer poses para as fotos. Embora as músicas de Roque Ferreira, em sua maioria são um convite para sacolejar o corpo, com sambas bem marcados como os feitos na Bahia, o público ficou contemplando o belo espetáculo que assistíamos. Roberta Sá usava um belo vestido longo, de um bege bem claro, com aplicações douradas em forma de flores. Nas duas mãos, aneis grandes também em motivos florais. Como em muitas das músicas o sincretismo religioso baiano está presente, imaginei que Roberta Sá, com aquele figurino, queria fazer uma oferenda à Iemanjá. Na verdade, ela fez uma oferenda de alegrias para todos que compareceram à Sala Villa Lobos na noite de quinta-feira. O show durou, com o bis, 75 minutos. Quando fui embora, até o corpo estava relaxado. Dormi um sono tranquilo. Belo show, que merece ser visto e revisto.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ORFEU


Esteve em cartaz no último final de semana em Brasília o musical Orfeu, em nova montagem após cinquenta anos de sua estreia. Para esta nova encenação, o diretor Aderbal Freire Filho ambientou a história clássica de Orfeu e Eurídice nos dias atuais, mantendo a estética idealizada por Vinícius de Moraes em transportar a história para os morros cariocas. Agora, temas o tráfico de drogas, a violência e o baile funk como parte do enredo. O elenco, como na primeira montagem, é formado de atores e atrizes negros, dos quais a mais conhecida do grande público é Isabel Fillardis. Freire Filho adicionou algumas canções da dupla Tom Jobim e Vinícius que não estavam no original, além de ter colocado um personagem que faz um link com a história do passado e a presente. Ele é o poeta. O cenário é composto de um grande painel que nos remete aos barracos amontoados das favelas, mas, para quem é de Brasília, lembra a arte de Athos Bulcão também. Além deste painel, duas escadas de madeira fazem as vezes das escadarias das favelas cariocas, e algumas cadeiras de madeira completam o cenário. Há muita troca de roupa durante as quase duas horas de musical, com algumas araras expostas nas laterias do palco. Também em cena, seis músicos comandados por Jaques Morelembaum e Jaime Alen, garantem a execução da música ao vivo. A iluminação de Maneco Quinderé dá força ao espetáculo. Destaco esta interação da luz com a cena em duas oportunidades: a aparição da morte, vivida por Fillardis, em um figurino todo branco e uma máscara prateada, e a cena de sexo entre Eurídice e Orfeu, muito bonita, por sinal. Há algumas tiradas ótimas, em flerte com a comédia, como quando, em uma mesa de bar, o poeta pede ao garçon uma oficial de justiça mal passada. O garçon traz a tal oficial em seus braços. O poeta pede que ela reabra o clube para que a história da mitologia grega possa continuar e ela responde que mitologia não é sua área, pois é especializada em Direito Civil. O baile funk é ótimo, especialmente a caracterização das "popuzudas", entre elas, uma bichinha pra lá de pintosa. Quanto às interpretações, há altos e baixos, mas, no geral, não há prejuízo para o conjunto do musical. O ator (Érico Bras) que faz Orfeu é muito bom na composição de um sambista do morro, mas não tem uma extensão de voz boa o suficiente para cantar as músicas mais lentas de Tom e Vinícius. No seu todo, o musical cresce na segunda metade, terminando com uma bela e justa homenagem a Vinícius de Moraes. Gostei muito do musical, genuinamente brasileiro, mostrando que não devemos nada aos importados da Broadway. Pena que o teatro não estava lotado, com várias cadeiras vazias nas suas laterais. O preço do ingresso não pode ser motivo destes vazios, pois custou R$ 40,00 (meia entrada - cupom Sempre Você). O público brasiliense perdeu uma ótima opção de entretenimento. Fica a dica para as demais cidades nas quais Orfeu ainda será exibido.

sábado, 11 de setembro de 2010

STOMP


Depois de mais um dia cansativo, nada melhor que refrescar a mente em um bom show. Com ingressos comprados (R$ 100,00 - meia entrada com cupom Sempre Você), eu e Ric fomos conferir o show do grupo britânico Stomp, em cartaz neste final de semana na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Com lotação esgotada, o show começou praticamente no horário marcado (21:30 horas). O grupo é famoso por fazer um som percussivo utilizando objetos do dia a dia. Eles não usam nenhum instrumento musical em cena (a não ser um apito no número final). Com oito integrantes, sendo duas mulheres, o show é inspirado no mundo da construção civil, com figurino lembrando os usados por operários deste segmento econômico. A primeira batucada é feita com vassouras, quando o cabo e os pelos são utilizados para dar o tom da música. Além da percussão, o show é permeado de humor, lembrando as comédias eternizadas no cinema e na televisão por Charles Chaplin, O Gordo e O Magro, ou Os Três Patetas. A plateia é instada a se manifestar em quase todos os números musicais, seja aplaudindo um dos integrantes ou acompanhando com palmas ritmadas. Dei boas gargalhadas durante as quase duas horas de espetáculo. Para a percussão, eles utilizam canos de borracha, baldes, pias de metal, água, panelas, sacos e sacolas plásticas, bolas de basquete, jornais, copos descartáveis de refrigerante, sacos de papel, placas de trânsito, tambores de plástico, latões, areia, além do próprio corpo e de sapateado. Merece destaque a sincronia dos oito integrantes do grupo nos números coletivos, além da menção visual a grandes manifestações culturais, como a dança do dragão dos orientais e a dança em círculo de tribos indígenas. Não poderia faltar o esporte predileto dos americanos, com um número com bolas de basquete. Há um número em que, com todas as luzes apagadas do teatro, eles utilizam isqueiros para simular as famosas luzinhas que são utilizadas nas decorações natalinas. Apenas com com movimentos de acender e apagar os isqueiros, vemos as luzes, em várias velocidades, percorrendo um painel imaginário. Acabam o show com um dos integrantes falando em português (creio que seja baiano) sobre o presente que veio da Bahia que eles dariam a nós, o público, atacando com a batida que tornou o Olodum mundialmente conhecido. Excelente show.

domingo, 5 de setembro de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 12


Acostumei a acordar cedo por causa das duas últimas semanas levantando antes das sete horas da manhã. Assim, neste sábado, acordei antes de seis horas. Aproveitei para atualizar a leitura de jornais da semana que terminava. Resolvi almoçar no Café Cassis e fazer compras no ParkShopping. Aproveitei para comprar entradas para o show do Stomp, grupo americano especializado em percussão com objetos do nosso dia a dia. Logicamente que comprei alguns cds e dvds na Fnac. Não contente com as compras, fui ao CasaPark para passar uma hora na Livraria Cultura, onde comprei livros, mais cds e mais dvds. No início da noite, mais uma peça do festival Cena Contemporânea. Fui para o CCBB assistir Dulce, um trabalho conjunto de atores brasileiros e portugueses. Ingresso a R$ 7,50 (meia entrada - correntista Banco do Brasil). A peça foi encenada no Teatro II, que não ficou lotado. Marcada para 19:30 horas, teve um pequeno atraso para começar. O cenário era uma sala de jantar na casa de um casal português. Depois de comerem, os dois casais, o português e o brasileiro, ficam conversando até chegarem a uma espécie de jogo da verdade, onde as aparências de felicidade de cada casal são jogadas ao chão. Os casais, especialmente o brasileiro, demonstram que a vida a dois vai mal, discutindo a relação naquela mesa de jantar, o que provoca constrangimento no casal português. Como jogo cênico, há repetições de diálogos com as mesmas marcações, como risadas e gestos, como se a vida pudesse voltar de tempos em tempos, mas o que se vê é a impossibilidade de isto acontecer, pois os diálogos são sempre os mesmos. A vida segue. Algumas citações são divertidas, especialmente a brincadeira que os portugueses fazem ao contar piadas sobre portugueses no melhor estilo brasileiro. Os cariocas também não são poupados nas falas dos atores brasileiros. Há um trecho onde os quatro já estão bêbados e começam a gritar uma série de frases iniciadas pela palavra de ordem "abaixo". Hilário quando gritam "Abaixo o preço das passagens da TAP"! Nada mais real. O nome da peça é Dulce, uma referência a uma tia-avó de Isac, o brasileiro. Quando ela tinha 19 anos, se preparando para casar, recebe a notícia de que seu noivo havia morrido em um acidente de carro. Ela ficou surtada, esperando por ele todos os dias de sua vida, até morrer aos 82 anos. Fica a pergunta: será que ela seria feliz no casamento? Se depender da vivência de ambos os casais, a resposta certamente seria não. Gostei muito da peça, que foi muito aplaudida ao final. Do CCBB fui correndo para a Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro para mais um espetáculo do festival. Foi o único balé para o qual comprei ingresso (R$ 16,00). Trata-se de Solitário Cowboy (Lonesome Cowboy) da companhia suíça Cie Philippe Saire. Com pouco mais que uma hora, cinco bailarinos dançam em um tablado cheio de uma espécie de piche em pedaços. Quem senta na fila A acaba recebendo pedaços deste piche, pois quando os dançarinos escorregam no tablado, alguns pedaços acabam por sair para fora, sujando o chão aos pés do público ali sentado. Os movimentos são visivelmente inspirados em modalidades esportivas, dando um ar pesado ao balé. Situações do dia a dia do universo masculino estão presentes, como a competição, a força, a vida em grupo, as brigas, a reconciliação, entre outros. Os primeiros movimentos são lentos, quando não percebemos que o piso do tablado será desfeito. Depois, os movimentos começam a ficar mais rápidos e violentos, enaltecendo a virilidade masculina, quando o piso começa a ser desfeito. Fiquei curioso como eles conseguem arrumar o piso depois, mas esta curiosidade é satisfeita no próprio balé, quando alguns bailarinos entram em cena com rodos enormes e uma espécie de tela para arrumar o piso, que volta a ser "compacto" como no início. O melhor do balé é a formação de figuras abstratas, de grafismos, quando os cinco dançarinos fazem seus movimentos bruscos com os pés. Há cenas engraçadas, como quando os cinco tiram suas roupas, incluindo a cueca preta, para ficar apenas de kilt xadrez, aquela saia escocesa masculina. Ao final, diria se tratar muito mais de uma performance do que um balé. Para balé, leveza é essencial, mesmo que apresente movimentos bruscos e rudes. No Brasil, exemplos não faltam desta leveza aliada à fortaleza, tais como Grupo Corpo, Quasar e Cia Deborah Coker. Achei a experiência interessante, mas dou nota apenas seis para o balé.


domingo, 22 de agosto de 2010

NÓS NO BAMBU


Aproveitei a visita dos meus dois sobrinhos e os levei para assistir à Cia Nós no Bambu no sábado à noite. O espetáculo é dirigido por William Lopes e tem o nome Ultrapassa!, com ingressos a R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro bem cheia. No palco, uma grande estrutura de bambus onde os nove integrantes (Ana Flávia Almeida, Beatrice Martins, Caetano Maia, Camila Costa, Nara Faria, Pedro Mesquita, Poema Mühlenberg, Roberta Martins e Vitor Oliveira) da trupe encenam situações de competições esportivas, tais como atletismo, ciclismo, canoagem e natação. São cinquenta minutos de show. E que show. Performances magníficas nos bambus, mostrando habilidade, concentração, destreza, força, delicadeza e muito bom humor. Alto astral! A esquete da natação é fantástica, com números difíceis de executar, mas eram tão bem feitos que para nós da plateia pareciam facílimos. Simular os movimentos da natação, do ciclismo, da canoagem e do atletismo em pleno ar, apenas amparados por bambus, é incrível. Gostei muito. Meus sobrinhos adoraram também. Muito bom ver um grupo de Brasília em um espetáculo tão bem montado. Saí muito feliz do teatro.