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segunda-feira, 25 de junho de 2012

TODOS OS SONS DOMINGO CCBB - ANDRÉ ABUJAMRA, PATUBATÊ E BANDA WATSON

No domingo dia 17 de junho de 2012 aconteceu a segunda edição da temporada 2012 do projeto Todos os Sons - Domingo CCBB, com entrada gratuita. Cheguei cedo no centro cultural, pois queria um bom lugar para estacionar o carro e aproveitei para ver a exposição Índia!, em cartaz no CCBB de Brasília até 29 de julho. O primeiro show estava marcado para ter início às 17 horas. Às 15:20 horas eu já estava lá. Gastei uma hora e meia percorrendo a exposição, cuja visita terminei na noite de terça-feira. Faltando dez minutos para as 17 horas, decidi comer alguma coisa, pois não tinha almoçado. O Bistrô Bom Demais estava lotado, assim como o Café Cristina Roberto, sem lugar para sentar. Em dias de show ao ar livre, o Bistrô Bom Demais monta uma barraca nas proximidades do palco, posicionado no gramado atrás do prédio principal. Antes que as filas ficassem grandes para comprar ficha, passei no caixa para adquirir fichas suficientes para comer antes do show começar e pegar alguma bebida durante os intervalos dos três shows programados. O movimento ainda era pequeno, muito diferente da primeira edição de 2012, quando se apresentou o cantor Criolo. Até cadeiras de plástico foram colocadas em frente ao palco, sinal de que o público seria menor e mais tranquilo. Como sempre acontece nos eventos no gramado do centro cultural, muita gente prefere sentar em cangas e esteiras colocadas sobre a grama, fazendo um lanche na companhia de amigos, família, namorados e afins. O clima estava agradável, com um friozinho chegando no final da tarde. Comi duas salteñas de carne e me sentei na primeira fila de cadeiras, em posição central em relação ao palco. Entre este e as cadeiras havia um espaço grande. Com cerca de meia hora de atraso, foi chamada ao palco a banda Watson, composta por quatro músicos de Brasília, que toca um rock simples, mas eficiente. Do meu lado direito havia uma concentração de familiares e amigos dos integrantes da banda, com câmeras filmadoras e fotográficas em funcionamento. Eles sabiam as músicas de cor. Na lateral do palco, uma banquinha vendia cd e camisetas da banda. Era a primeira vez que eu escutava alguma coisa deste grupo. O público ficou sentado, embora eles tenham tentado fazer com que a plateia se levantasse e dançasse por umas duas ou três vezes. No entanto, pareceu-me que eles agradaram a quem lá estava, pois todos balançavam corpo, cabeça, pés e mãos, mesmo sentados, ao som do rock da Watson. Eu gostei do som do grupo. O show terminou com uma interessante música chamada As Abelhas, atendendo a alguns gritos vindos do público. O primeiro show durou cerca de uma hora. O intervalo foi longo, pois precisaram retirar todos os instrumentos da banda e montar o palco para a segunda atração da noite, o grupo de percussão brasiliense Patubatê. Eles  foram chamados ao palco por volta de 19 horas e fizeram um show ótimo. Já tinha ouvido falar sobre o grupo, com fama internacional, mas nunca o tinha visto ao vivo. São cinco integrantes, sendo um DJ e quatro percussionistas que utilizam os mais variados materiais para construir seus instrumentos musicais, como tambores de ferro, carcaça de motocicletas, baldes de alumínio, vasilhas de ágata, cabine de telefone público, entre outros. O som contagia logo e não deixa ninguém ficar parado. Muita gente se levantou, inclusive eu, para dançar, ocupando o gramado entre as cadeiras e o palco, fato que não agradou a quem queria ficar sentado. No entanto, não era um show para ficar acomodado nas cadeiras. O batuque convidada para mexer o corpo todo. Show vibrante, fazendo com que muita gente fosse à banquinha montada ao lado esquerdo do palco para adquirir cd, dvd e camisetas do Patubatê. Durante o show, dois convidados do grupo subiram ao palco para participar de duas músicas. Eles anunciaram o lançamento de um novo dvd para setembro que foi gravado nas obras do Estádio Nacional de Brasília. Nem vimos o tempo passar neste show marcante. Nesta altura, muita gente já circulava pelo CCBB na espera do show principal, o do paulista André Abujamra. Mais um intervalo longo, quando aproveitei para pegar uma Coca Cola Zero e ir ao banheiro. Quando voltei, minha cadeira já estava ocupada, já que eu tinha ido sozinho. Não me importei, pois tinha acesso garantido à pequena área vip que fizeram, mas acabei por não usar este benefício, ficando sentado na grama em frente à grade, junto ao público. O show de Abujamra se chama Mafaro, mesmo título de seu último trabalho gravado. Na verdade, não é um show, é um showfilme, como foi apresentado. Um filme é projetado em dois telões ao fundo do palco, com algumas cenas projetadas, simultaneamente, em um pequeno banner na sua lateral esquerda. Abujamra disse que aquele show poderia ser montado de acordo com o orçamento dos produtores. Assim, ele já tinha feito o show com vinte músicos em cena, mas também com só duas pessoas. No caso de Brasília, estavam no palco o cantor, um baterista, um guitarrista e quatro músicos nos instrumentos de sopro. Estes músicos do sopro eram integrantes da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. Foram muito aplaudidos pelo público quando anunciados. O showfilme é sensacional, com as músicas estilosos de Abujamra, com muito suingue, lembrando Os Mulheres Negras e Karkak, dois grupos que ele participou. Mafaro, o cd, é recheado de participações especiais, e todas elas se fizeram presentes em Mafaro, o show, pois o filme possibilitou isto. Desta forma, Zeca Baleiro faz um duo com Abujamra em Lexotan; Evandro Mesquita aparece em O Amor é Difícil; Clarice Abujamra também dá as caras durante a projeção, quando a música A Pedra Tem Vida é executada. O inusitado é ver Luiz Caldas em performance cantando com Abujamra a música Tem Luz na Cauda da Flecha. O final do show é hilário, com os créditos do filme passando, aparecendo alguém ao final afirmando que não haveria bis e que todos poderiam ir embora. Ninguém arredou o pé. O senhor voltou, perguntando porque ninguém o escutava. Que não haveria bis, que o pessoal precisava desmontar o palco, varrer o local e pegar ônibus para ir embora. Em seguida, André Abujamra retornou para apresentar seu maior sucesso, falando que embora gostasse muito de Zeca Baleiro, aquela música não era do maranhense e sim dele. Era a ótima Alma Não Tem Cor. Ainda cantou Juvenar, a pedido da plateia. Ótimo show. Já estou esperando a terceira edição do Todos os Sons - Domingo CCBB, que acontecerá dia 29 de julho, na Praça do Museu Nacional da República, quando acontecerá, simultaneamente, o encerramento do festival de teatro Cena Contemporânea.

show

sexta-feira, 1 de junho de 2012

TODOS OS SONS DOMINGO CCBB - CRIOLO, SISTEMA CRIOLINA, PAULA ZIMBRES E ÁGUA FORTE

A sexta edição do projeto Todos os Sons Domingo CCBB teve início no final da tarde do último domingo, 27 de maio. O projeto mistura, em uma mesmo evento, várias tendências musicais, com artistas locais, nacionais e internacionais e faz sucesso desde o seu início. Com entrada franca, tem sempre um público expressivo. Esta iniciativa sempre acontece no período de seca em Brasília, quando os shows ao ar livre podem acontecer sem problemas. Este ano parecia que choveria, pois as chuvas ainda insistem em cair na cidade, mas logo após o meio dia, o céu limpou, proporcionando um agradável final de tarde, início de noite no extenso gramado na parte de trás do prédio do CCBB. Sendo a atração principal o paulista Criolo, as expectativas do CCBB era de um grande público. Durante a semana inteira o centro cultural postou mensagens no Facebook e no Twiter informando que haveria transporte gratuito saindo de pontos especiais diferentes dos habituais do ônibus que leva o público para as suas instalações. Tais pontos de partida seriam nas cidades em torno do DF, como Taguatinga e Sobradinho. Sabendo disto, resolvi chegar antes das 17 horas, pois queria estacionar o carro do lado de dentro do CCBB. Quando cheguei, por volta de 16:30 horas, já havia dificuldade em achar vaga, pois além do público que chegava para os shows, muita gente estava lá para conferir a exposição Índia!, que ainda não vi. Dei uma volta no local, encontrando algumas pessoas conhecidas. Como conhecia o pessoal da produção, fui conversar com alguns deles e acabei recebendo um convite para ficar na área próxima ao palco, reservada para quem portava pulseira verde. Aceitei de pronto, colocando a pulseira no pulso, mas resolvi circular. Muitos jovens em grupinhos conversavam, riam, bebiam bebidas baratas, tipo vinho de garrafão, e fumavam. Fumavam muito. Não sabia que a juventude atual fumava tanto. Além dos cigarros normais, a maresia dos baseados era uma constante, especialmente nas rodas mais afastadas do palco. Às 17 horas em ponto anunciaram o início dos shows, quando foi chamada ao palco a instrumentista Paula Zimbres e seu grupo, o Água Forte. Em uma hora de show, ela apresentou repertório próprio, que faz parte do primeiro cd do grupo, ainda em finalização, previsto para lançamento em 2012. Um momento especial foi a homenagem que ela fez a Milton Nascimento, uma fonte de inspiração para o grupo. Clima cool, jazzístico, com um friozinho gostoso e um belo por do sol emolduraram o show de Paula Zimbres. Eu estava próximo à grade que separava o público da área reservada, mas ainda do lado de fora, onde a galera chegava aos poucos. A receptividade da música de Paula Zimbres e Água Forte foi muito boa, mesmo para quem curtia um hip hop, a maioria que estava no gramado externo do CCBB naquele domingo. Foram necessários vinte minutos para que o palco fosse arrumado para a entrada da segunda atração, o Sistema Criolina, que como Paula e seu grupo, também é de Brasília. A festa Criolina é muito conhecida na cidade, agitando com música negra brasileira as concorridas noites de segunda-feira no Bar do Calaf. Seus DJs ficaram famosos e criaram o grupo Sistema Criolina, agregando a eles um time de instrumentistas. Assim, o set do DJ é acompanhado por ótimos arranjos musicais executados ao vivo pela banda. Som dançante que agitou o público, preparando todo mundo para a atração principal da noite. A galera começou a ocupar todos os espaços perto da grade, ficando até difícil de dançar com folga. Ainda fiquei do lado do público, mas sabendo que no show do Criolo seria impossível ficar por lá sem ser amassado. Coisa para jovens, pensei. Durante o show do Sistema Criolina, algumas imagens eram projetadas no fundo do palco. Uma hora de show, uma hora de música dançante, espantando o frio e alegrando corpo e alma. E os jovens fumavam...Terminado o segundo show, resolvi dar uma volta para sentir o público, que já era enorme. Tinha gente espalhada para todos os lados do gramado. Alguns levaram cangas ou esteiras, estenderam-nas na grama e ali faziam um divertido pic-nic. Outros se isolavam para namorar debaixo das árvores típicas do cerrado. Muitos iam e vinham sem parar. Ainda havia uma interessante feira de trocas acontecendo no deck atrás do Café Cristina Roberto, onde dinheiro era proibido. Voltei para perto do palco, mas vi que era impossível ficar ali sem ser esmagado nas grades. Era hora de usar a pulseira verde e entrar no cercadinho próximo ao palco. Os credenciados da imprensa estavam todos neste cercadinho, preparados para fotografar de todos os ângulos o show de Criolo. O cantor paulista entrou no palco às 19:35 horas, acompanhado de banda e do MC Dan Dan, que o acompanha há mais de uma década. Criolo usava uma bata africana de tonalidade amarelo puxado para o pastel. Minutos antes de ele entrar no palco, ninguém pode entrar na tenda utilizada como camarim. Quando foi anunciado, ele caminhou devagar até a escada de acesso ao palco, colocando uma das mãos no ombro de MC Dan Dan, subindo as escadas com olhar fixo para o chão. Parecia que ele estava em um transe. Assim que apareceu, a plateia explodiu de alegria, gritando e pulando sem parar. Fui imediatamente para o cercado em frente ao palco, onde fiquei até o término do espetáculo. A sinergia de público com o cantor é incrível. Ele baseou seu show no repertório de seu cd Nó na Orelha. A cada música, o público reagia cantando, batendo palmas, gritando. MC Dan Dan estava elétrico, correndo de um lado para o outro do palco, dividindo os vocais com Criolo e incentivando a galera a cantar junto. Não negando as raízes de quem estava no palco, ele entrou com uma bandeira do movimento dos que vivem nas ruas, sendo bastante ovacionado. O set list contou com todos os sucessos de Criolo, como Subirusdoistiozin, Grajauex, Linha de Frente, Freguês da Meia Noite (um autêntico bolerão), Samba Sambei e os hits Bogotá e Não Existe Amor em SP. A cada música, Criolo agradecia a Deus, e dançava de uma forma especialíssima, parecendo, em certos momentos, que estava em transe total. Com uma hora de duração, ele terminou um show vibrante. A galera não arredou pé, pedindo bis. Ele não demorou para voltar cantando dois raps que colocaram todos pulando no gramado do CCBB. O relógio marcava 20:50 horas quando o show chegou ao fim. A produção agradeceu a presença de todos, convidando para os shows do Todos os Sons do domingo 17 de junho, quando no mesmo local se apresentarão Watson, Patubatê e André Abujamra. Estarei presente, com certeza. Resolvi sair rapidamente para não ficar parado no trânsito, mas foi uma triste ilusão. Para conseguir alcançar a saída do centro cultural demorei exatos 45 minutos. Tinha carro estacionado por todos os cantos possíveis e imaginários, dentro e fora do espaço do CCBB. Noite excelente.


Paula Zimbres


Belo por do sol nos céus de Brasília


Sistema Criolina


Sistema Criolina


Criolo


Criolo e MC Dan Dan com a bandeira do Movimento População de Rua


Criolo


música
show

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO - MIT - "KESKUSTELUJA"


Depois de ver o excelente show de Marisa Orth encerrando o Todos Os Sons Domingo CCBB 2011 de junho, fiquei no centro cultural, pois tinha ingresso (R$ 7,50) para ver a terceira peça da Mostra Internacional de Teatro - MIT programada para 21 horas no Teatro I. Desta vez a atração vinha da Finlândia com o espetáculo Keskusteluja, do grupo WHS, com os atores performáticos Ville Walo & Kalle Hakkarainen. Não era uma peça, mas sim um espetáculo circense. Os dois atores ficam em cena o tempo inteiro, mas não interagem. Cada um alterna seus números. Não há falas. Apenas gestos, olhares e projeções. Uma projeção constante de um filme mudo soviético de 1924 (Aelita, dirigido por Yakov Protazanov) era o elemento de interação de um dos dois atores. O filme era projetado em diversos formatos de telas. Tais telas, na verdade, eram pedaços de tamanhos e formas variadas feitos em papelão. A sincronia entre o ator e a cena muda era de impressionar. O outro performático fazia um número contínuo de malabares, utilizando diversos objetos, como uma bola em um livro que me lembrou o personagem Jack do sombrio desenho produzido por Tim Burton. Ele também utiliza um boneco sem cabeça, nos quais as pernas e braços são presos com um imã, fazendo diversos movimentos de dança e de malabarismo com os membros do boneco. Utiliza ainda cubos de madeira e um telefone para seu interminável número de malabares. O piso do teatro é todo coberto com placas retangulares de papelão que são levantadas e tombadas em diversos momentos e posições para a já citada projeção ser exposta ao público, que lotou o teatro. Não tenho dúvidas de que preferi o ator que se relaciona com a atriz no filme mudo. Dá a impressão que a atriz vai sair da tela como no filme A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen. O número de malabarismo chega a cansar, pois ao final fica um mais do mesmo, mas valeu a pena conhecer este trabalho circense que veio da Finlândia.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

TODOS OS SONS DOMINGO CCBB 2011


Programação musical no final de tarde de domingo nos jardins do CCBB. Entrada gratuita. Três shows diferentes, sendo duas atrações de Brasília e uma nacional. Cheguei quase na hora de começar, por volta de 17 horas, passando antes pela bilheteria para comprar entrada para um novo projeto musical que se inicia em julho. Trata-se de Soy Loco Por Tí America, com o cantor Moska de mestre de cerimônia recebendo a cada final de semana um cantor brasileiro e um cantor ou banda da América do Sul. Ingresso na mão, fui para a área onde estava montado o palco para o Todos Os Sons Domingo CCBB 2011. Cadeiras de plástico para o público, mas muitos preferiram se sentar na grama, estendendo toalhas e cangas, no melhor estilo pic nic. Mesmo já com muita gente ocupando as cadeiras, consegui me sentar na primeira fileira, ao lado de conhecidos que encontro em quase todos os eventos culturais de Brasília. Costumamos nos chamar de amigos de fila de shows, teatros e afins. A primeira atração foi um conjunto instrumental liderado pelo músico Fernando Corbal. Foram quarenta minutos de boa música emoldurada por um belíssimo entardecer. O vento frio exigia um blusa. O público ia chegando cada vez em maior número. O show teve a duração certa. Todos os músicos são muito bons e a música de Corbal é diversificada, não cansando ninguém. Digo isto porque não sou muito fã de música instrumental, pois tenho a tendência de ficar com sono, mas isto não ocorreu com esta primeira atração. Um breve intervalo para arrumar o palco e outra atração da cidade subiu ao palco. Era o Pedro Martins Quarteto, banda jovem liderada por quem dá nome ao conjunto. Com projeções de imagens ao fundo, o grupo mostrou que é afinado, é antenado com o que rola nos dias de hoje, sabe tocar junto, mas achei o som dos garotos muito repetitivo, além do líder ser egocêntrico. Tudo ele dizia minha banda, minha composição, minha música, meu cd. Precisa amadurecer um pouco mais. Esta segunda atração me deu sono, motivo pelo qual aproveitei para me levantar, ir ao banheiro, comprar algo para comer e beber para, em seguida, retornar ao meu lugar para conferir a atração nacional da noite. O gramado já estava tomado de gente. O público compareceu em peso. Quando às 19:20 horas foi anunciado o show Romance Vol. II, a galera começou a gritar. Músicos entram em cena vestidos de calças pretas e camisetas de malha também pretas com um coração vermelho bem brilhante nelas aplicado. Era a banda de Marisa Orth. Ela entrou de modo triunfal, em um vestido tomara que caia vermelho que tinha uma providencial abertura para deixar à mostra as belas pernas da atriz/cantora. Simpática, sarcástica, sensual, má, diva, doidivana, bêbada, tonta. Marisa Orth encarnou tudo isto em sua apresentação. Não faltou o bordão "Cala a boca Magda!", gritado por alguma idiota da plateia, que Marisa rebateu de pronto, perguntando se a pessoa poderia ser mais criativa. É sabido que ela odeia que façam isto em suas apresentações, pois ela já densercanou a Magda do Sai de Baixo há anos. A plateia delirou com a resposta irônica da cantora. O show é um desfile do cancioneiro romântico. Grande parte das canções resvala no brega. Marisa Orth chegou a dizer que cantava o melhor da MPBBP (Música Popular Brasileira Bem Popular). Um ponto alto do show é a versão dela para Massagem For Men, do repertório de Sharon, cantora que surgiu na década de 1980 na esteira das cantoras bumbum, como a Gretchen. Esta música fazia parte do repertório da Banda Vexame da qual Marisa era vocalista. Bem diferente de Sharon, Marisa Orth não rebola no palco, preferindo uma interpretação mais insinuante, principalmente quando passa as mãos lascivamente no cabo que sustenta o microfone. Também fizeram parte do set list da cantora na noite de domingo sucessos em outras vozes como Minha Fama de Mau (Roberto Carlos), Fruto Proibido (Rita Lee), Amor (Secos & Molhados), As Dores do Mundo (Jota Quest), Lama (Maria Bethânia). Mas o melhor de tudo foi a performance para Insanidade Temporária, música de André Abujamra e Flávio de Souza. Foi uma mistura de interpretação musical com uma encenação teatral. Ótimo. Ao final do show, todos de pé em frente ao palco, durante o bis. Aproveitei para correr até a banquinha montada ao lado do palco para comprar o cd de mesmo nome do show. Adoro o projeto Todos Os Sons, que acontece uma vez por mês, sempre no primeiro domingo após a lua cheia, nos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro, quando não chove em Brasília. As próximas atrações nacionais são: o paulista Thiago Pethit em julho, a pernambucana Karina Buhr em agosto e uma grande atração internacional em setembro, quando o projeto Todos Os Sons migra para a Praça do Museu Nacional da República em encerramento conjunto com o festival Cena Contemporânea, com a cantora portuguesa Maria João fazendo o show principal. Imperdível.


Pedro Mariano Quarteto - Projeto Todos Os Sons Domingo CCBB 2011


Marisa Orth no show Romance Vol. II - Projeto Todos Os Sons Domingo CCBB 2011


Marisa Orth no show Romance Vol. II - Projeto Todos Os Sons Domingo CCBB 2011


Marisa Orth no show Romance Vol. II - Projeto Todos Os Sons Domingo CCBB 2011