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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

PÂNICO 3 (SCREAM 3)


Pânico 3
(Scream 3), 2000, 116 minutos.

Terceiro filme da franquia Pânico (Scream), todos eles dirigidos por Wes Craven. O elenco principal continua com os mesmos atores, vivendo os mesmos personagens dos dois filmes anteriores: Neve Campbell (Sidney), Courteney Cox (Gale) e David Arquette (Dewey).

O roteiro continua dando voltas no mesmo eixo, ou seja, um novo assassino se apossa da figura de Ghostface com o intuito de matar Sidney. Para alcançar seu objetivo, ele mata uma série de pessoas, especialmente atores e atrizes que estão no set de filmagem de Stab 3, sequência dos filmes que focaram os assassinatos de Woodsboro, quando Sidney foi perseguida pela primeira vez por alguém com a máscara de fantasma.

Também continua fazendo referências a sucessos de Hollywood, mas a grande sacada são os primeiros nomes dos atores do filme Stab 3: Jennifer a Jennifer Aniston, com direito a piada sobre Brad Pitt feita por Gale (Cox, sua parceira de Friends), Angelina a Angelina Jolie, que tem ligação com Brad Pitt, Tom a Tom Cruise, e o ator negro é Tyson, referindo-se a Mike Tyson? 

Outro destaque é a "aula" que Darry, em participação póstuma, dá em vídeo sobre as três regras de um terceiro filme de uma trilogia, uma delas é o passado vai assombrar a personagem principal.

Como no segundo filme, há "spoilers" do que acontecerá no próprio filme. Tem que prestar atenção, são como easter eggs.

Houve até uma tentativa de aumentar a participação dos personagens Dewey e Gale, mas ficar batendo na mesma tecla, no caso, o serial killer que quer matar Sidney, sem alterar a história, cansa. É sensação extrema de mais do mesmo.

De qualquer forma, continua sendo uma boa diversão e até levei um par de susto.

Vi, em 08/02/2022, na Globoplay.

ARGENTINA - DIA 2 - BUENOS AIRES - PARTE 1

03/02/2022 (segunda-feira) - despertei às 08:15 horas, mas só levantei às 09:00 horas, pois queria aproveitar mais a cama, que estava ótima. Tive uma bela noite de sono.

Assim que levantamos, descemos para o café da manhã, servido no mezanino do hotel. Há mais de um ambiente para ficar. Escolhemos o que fica mais próximo da sacada, dando para ver todo o lobby do hotel. O café da manhã é em sistema de buffet. Nenhuma regra aplicada para a Covid 19, a não ser as já habituais: máscara tapando boca e nariz quando não estiver sentado na mesa e álcool em gel disponível em todas as mesas. O buffet não era farto em variedade, mas era honesto, tendo opções de pães doces e salgados, frios, suco de laranja, café, leite, chá, biscoitos, bolos, medialunas, geleia, mel, manteiga, e algumas frutas, entre elas, pomelo, que adoro. Tomamos nosso desjejum tranquilamente, ficando no local até por volta de 10:00 horas, quando retornamos ao nosso quarto.

Marta, minha cunhada, irmã de Gastón, iria nos encontrar perto do hotel. Ela avisou por mensagem quando estava dentro do metrô. Combinamos como ponto de encontro a saída da estação de metrô Uruguay, que fica a duas quadras do Huinid Obelisco Hotel. Fazia um calor infernal. Às 10:45 horas nos encontramos. Ela tinha acabado de comprar remos para caiaque. Voltamos ao hotel para ela guardar os remos no nosso quarto. Aproveitamos para pedir, na recepção, para fazer a arrumação com troca de toalhas.

Voltamos para a rua. Primeira parada seria no Banco Piano (calle San Martin), onde sempre faço câmbio quando estou em Buenos Aires. Fomos caminhando, sempre pela Avenida Corrientes, em direção a Puerto Madero, mesmo com o sol a pino. Pelo menos, o caminho é reto, sem subidas. No trajeto, parava para tirar fotos dos edifícios que estava cansado de tanto ver, assim como do Obelisco que fica no cruzamento da Corrientes com a 9 de Julio. Ao chegar no banco, o vigilante nos pediu para tirar o chapéu e pegar uma senha. Esperamos em pé, mas foi super rápido nos chamarem. Somente Gastón foi ao guichê, falou o que queria, recebeu uma nova senha e fomos para o fundo do banco, onde ficam as cabines de atendimento. Estava bem vazio, diferente das vezes em que lá estivemos em viagens anteriores. Nem bem sentamos, o número da senha de Gastón apareceu no visor, indicando a cabine. O câmbio era pior do que na noite anterior no aeroporto. Lá, pagaram ARS 17,70 por Real, enquanto no Banco Piano, a cotação foi de ARS 17,00 por Real. Eu insisti para trocar R$1.000,00, pois iríamos no dia seguinte para outra cidade e não tinha conhecimento se seria fácil fazer câmbio. Saímos do banco com ARS 17.000,00.

Como já era hora de almoçar, pois passavam das 12:00 horas, resolvemos caminhar pela Avenida Corrientes, no caminho inverso ao que fizemos, parando em algum local para comermos. Quando entramos na avenida, uma série de pessoas chamando para fazer câmbio. Gastón comentou que não gostava de trocar dinheiro na rua, pois o dinheiro poderia ser falso. No entanto, ao passar na porta de uma casa que vendia e comprava ouro, um jovem sentado do lado de fora perguntou se queríamos fazer câmbio. A loja é minúscula. Gastón entrou e saiu dizendo que pagavam ARS 35,00 por Real, ou seja, mais do que o dobro que o banco nos pagou. Para testar, resolvemos trocar R$ 100,00, recebendo ARS 350,00.

Tenho um lema de turista: nada de chorar pelo leite derramado. Seguimos em frente.

Paramos no Milanga & Co para almoçar. Eram 12:40 horas.

Restaurante: Milanga & Co.

Endereço: Avenida Corrientes, 920, esquina Suipacha, Microcentro, Buenos Aires, Argentina.

Instagram: @milangaco

Data: 03/01/2022 (segunda-feira) - almoço.

Especialidade: sanduíches de milanesa.

Tempo no local: cerca de uma hora e meia.

Valor pago: ARS 1.525,02, com cartão de crédito (na conversão para o Real ficou, já com o IOF incluído, R$ 92,66). Valor para três pessoas.

Serviço: não há serviço de mesa. Cardápio disponível no balcão de atendimento, bem como virtualmente, com acesso por QR Code. No balcão, o cliente faz o pedido, paga e espera chamar seu número. É como um fast food de sanduíches de milanesa, uma paixão portenha. Chamaram nosso número bem rápido.

Curiosidades: há outra unidade no bairro Palermo.

Ambiente: loja ampla, com decoração que lembra lanchonete, mas com pegada moderna. Parede de concreto aparente, piso quadriculado de branco e preto, luminárias retrô nas mesas e acima do balcão de atendimento, bancos feitos com tiras de madeira para as mesas e banquetas cobertas com napa vermelha para o balcão comedor. O balcão de atendimento tem vidrotil na parede inferior e metal recobrindo a bancada. Em tempos de pandemia, recipientes com álcool gel disponíveis por todo o restaurante. Há mesas na calçada em frente, cobertas com ombrelones, mas com o calor que fazia na cidade, todos queriam ficar em ambientes climatizados.

A experiência: eu e Gastón resolvemos dividir um único sanduíche, o super combo completo de carne (pão tipo ciabatta, milanesa de carne bovina, alface, tomate, presunto, queijo, ovo frito e molho da casa), enquanto Marta pediu o combo hot clásico pollo (pão de hamburguer, milanesa de frango, alface, tomate e molho da casa). Os combos incluem o sanduíche escolhido, um refrigerante e porção de batatas fritas. Para beber, eu fui de Seven Up pequena light, Marta, uma água saborizada de pomelo média e Gastón pediu uma jarra de um litro de Terma de limão (uma bebida sem álcool à base de ervas). O nosso sanduíche era enorme. Veio dividido em duas partes iguais. Bonita apresentação, dando vontade de abocanhar logo. Milanesa muito macia, super crocante por fora. Estava fresca e muito saborosa. As batatas fritas me lembraram as do McDonald's, frescas, crocantes por fora e macias por dentro. Experimentei a tal da terma, achei doce demais, lembrando-me da soda italiana, mas sem gás.

Saímos do restaurante às 14:05 horas, seguindo para o hotel. Antes, porém, paramos no Carrefour Express da Avenida Corrientes para comprar algumas coisinhas. Enquanto eu e Marta ficamos na porta, mas do lado de dentro, aproveitando o ar condicionado, Gastón entrou para comprar uma garrafa de água sem gás Glaciar de 2,5 litros com baixo teor de sódio, uma caixa de suco de Pomelo Citric de 1 litro e um Halls de mel com menta, pelo que pagou, em espécie, ARS 344 (algo como R$ 9,80 no câmbio da rua).

De volta ao hotel, Marta pegou suas coisas e se despediu, pois tinha que pegar transporte público para voltar para sua casa e queria evitar o horário de rush.

Eram 14:45 horas quando entrei no quarto do hotel novamente. Cansado e com calor. Deitei e dormi.

Somente às 19:00 horas saímos do quarto. Fomos para o lobby do hotel esperar nossos amigos Emi e Rogério que já tinham avisado por WhastApp que estavam no táxi a caminho do hotel.

Eles chegaram, fizeram o chek in, pagaram e foram para o quarto. Nós fomos com eles. Estavam no 8º andar. Eles queriam sair imediatamente para comer alguma coisa. Nós queríamos lanchar. Juntou a fome com a vontade de comer. Saímos em direção à Avenida Corrientes.

Continua...

SUMMER OF SOUL (...OU QUANDO A REVOLUÇÃO NÃO PODE SER TELEVISIONADA) (SUMMER O SOUL (...OR, WHEN THE REVOLUTION COULD NOT BE TELEVISED)

Summer of Soul (...ou quando a revolução não pode ser televisionada) (Summer of Soul (...or, when the revolution could not be televised), 2021, 118 minutos.

Documentário dirigido por Questlove sobre o Summer of Soul, um festival de música preta, com tons fortemente políticos, que ocorreu no bairro do Harlem, em Nova York, em alguns finais de semana no verão de 1969, mesmo verão em que aconteceu o famoso Woodstock.

Ao contrário de Woodstock, Summer of Soul, produzido por pretos, com atrações da música preta e porto-riquenha, não teve nenhuma projeção posterior. Foi integralmente filmado, mas as filmagens ficaram esquecidas por 50 anos, até que Questlove resolveu fazer um documentário sobre ele.

O documentário, além de exibir apresentações de ícones da música preta para uma plateia de 50 mil pessoas, de forma gratuita, traz depoimentos de quem esteve no local, seja trabalhando, seja como atração musical, seja como frequentador. Pontua os depoimentos e as apresentações com a situação política dos Estados Unidos, com grandes fatos que ocorreram, especialmente que tiveram relação com a população preta, tais como o assassinato de Martin Luther King, a verve política do reverendo Jesse Jackson, a militância de Nina Simone, os Panteras Negras, a reeleição do prefeito de Nova York, um republicano que tinha simpatia da comunidade preta e da comunidade porto-riquenha, o homem pisando na Lua em contraste com a miséria que viviam os mais pobres no Harlem e no país, a questão das drogas e da violência no Harlem, e, especialmente, o racismo, que ainda insiste em existir em pleno 2022.

Dentre as atrações, números emocionantes de um jovem Steve Wonder, do grupo 5th Dimension, de B.B. King, de Sly, de Nina Simone, entre outros.

Forte candidato a ganhar o Oscar 2022 na categoria melhor documentário.

Vi, em 08/02/2022, no Telecine Play.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

ARGENTINA - DIA 1 - PARTE 3 - ENFIM, CHEGAMOS AO HOTEL

02/01/2022 (domingo) - saímos do Aeroparque para entrar na fila do táxi. Eram 22:45 horas. O calor do lado de fora estava muito forte, com o tempo abafado. Nós, de calça comprida e com malas. Entrei na fila, que era surreal de tão grande, enquanto Gastón retornou para dentro do aeroporto. Ele estava há horas sem fumar. Foi comprar cigarro. A fila estava organizada, mas era em função dos próprios passageiros, pois ninguém fazia um controle efetivo, como existe, por exemplo, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Não havia ninguém para acelerar o embarque, deixando o motorista dentro do carro, enquanto um empregado coloca as bagagens do passageiro no porta malas do táxi. Lá, o motorista saía do carro, abria o bagageiro, deixava para o passageiro colocar suas malas, fechava, entrava no carro e, só então, partia. Isto é, se a fila paralela de carros deixasse, pois havia muita gente sem noção que parava o carro particular para embarcar parentes e amigos, fazendo uma contenção no trânsito. Nenhum policial para mandar os carros saírem da pista de rolamento.

Até que não faltava táxi, mas a lentidão no embarque fazia com que a fila só crescesse. E ainda tinha gente na fila que não havia feito a leitura do QR Code, o que causava mais demora. Tinha uma banca com um empregado para ajudar nesta questão do QR Code, mas enquanto estivemos na fila, dois empregados, que se revezaram na banca, sempre estavam de costas para a fila e trocando mensagens no celular.

Somente às 23:25 horas conseguimos entrar no táxi. Motorista mal humorado, com cheiro de cigarro. O carro não primava pela limpeza. O motorista só colocou a máscara quando entrou no carro. Pedi para desligar o ar condicionado e abri as janelas. Preferia o ar quente de fora do que o cheiro de cigarro do motorista. O taxista foi em alta velocidade para o hotel, passando sinal vermelho. Em duas oportunidades, ele freou o carro encima de outro, quase causando uma colisão. Também quase atropelou uns jovens que atravessavam a faixa de pedestre fazendo uma filmagem.

Eram 23:40 horas quando o táxi estacionou em frente ao nosso hotel, o Huinid Obelisco Hotel (Sarmiento, 1.431, Monserrat). Embora o valor da corrida fosse ARS 938,90, deixamos ARS 950 com o motorista. Pelo menos ele ajudou a colocar e a tirar as malas do bagageiro de seu carro.

Ao entrar no hall do hotel, que tem um pé direito enorme, foi um alívio, pois o ar condicionado estava em ótima temperatura. O atendimento no check in foi super cordial, muito simpático. O atendente foi rápido. Preenchemos a ficha de registro de hóspedes, recebemos as informações sobre wi-fi, quando ele nos informou que o café da manhã não estava incluído na diária. Imediatamente Gastón pegou a confirmação da reserva, feita pelo Booking, mostrando ao recepcionista que o café da manhã estava incluído. Ele se desculpou, arrumou no sistema e nos entregou dois cartões magnéticos, que deveriam ser usados tanto no elevador para acessar nosso andar, quanto para abrir o quarto e acionar a eletricidade dentro dele. Explicou, ainda, que devido à Covid 19, o frigobar do quarto estava vazio, mas que poderíamos comprar água no bar do lobby do hotel. Habitación 6103, sexto andar. Tivemos que fazer o pagamento no ato do check in. Ficou em ARS 9.051, pagos com cartão de crédito (na conversão para Real, ficou em R$ 550,11, já incluído o IOF).

O quarto era espaçoso, com vistas para o próprio hotel e telhados dos prédios vizinhos. Ligamos o ar condicionado, deixando-o em 23º C. Colocamos bermuda. Calça comprida somente seria por nós usada novamente no dia de nossa volta. Calcei um chinelo e saímos para tomar um sorvete nas imediações do hotel.

Já era início da madrugada de segunda-feira, 03/01/2022. Fomos na famosa Heladeria Cadore.

Restaurante: Cadore Gelato Artigianale.

Endereço: Avenida Corrientes, 1695, esquina Rodriguez Peña, San Nicolás, Buenos Aires, Argentina.

Instagram: @heladeriacadore

Data: 03/01/2022 (segunda-feira) - refresco no início da madrugada, devido ao calor infernal que fazia na cidade.

Especialidade: sorvetes, mas tem algumas sobremesas também.

Tempo no local: meia hora, sentado no banco da calçada em frente.

Valor pago: ARS 550, com cartão de crédito (na conversão para o Real ficou, já com o IOF incluído, R$ 33,40).

Serviço: foi rápido o atendimento, tanto no caixa, quanto no balcão para pegar os sorvetes que escolhemos. Atendentes sorridentes e prestativos.

Curiosidades: Cadore figurou entre as 10 melhores sorveterias do mundo no livro da National Geographic Food Journeys of a Lifetime. Suas origens remontam à Itália, tendo sido instalada em Buenos Aires em 1957 no mesmo endereço em que permanece até os dias atuais. Foi declarada, pelo Poder Legislativo, local de interesse cultural da Cidade de Buenos Aires.

Ambiente: é uma loja bem pequena e estreita, sem mesas ou balcão. À esquerda ficam o caixa, onde se faz o pedido e efetua-se o pagamento antes de receber o sorvete, e o balcão de atendimento. Os sorvetes não ficam expostos para o público, em refrigeradores de vidro, algo incomum para uma sorveteria. Para escolher o sabor, há um painel na parede atrás do balcão de atendimento com todas as opções. Iluminação bem clara, com luzes brancas. Para tomar o sorvete, há bancos na calçada em frente à entrada da sorveteria. 

A experiência: há quatro tamanhos a escolher. Eu escolhi o menor deles, podendo colocar até dois sabores, enquanto Gastón ficou com o tamanho médio, também com a possibilidade de eleger até dois sabores. Antes de escolher, perguntei ao atendente quais sabores eram sem açúcar. Doce ilusão. Não há sabores sem açúcar, ou seja, diabéticos não podem experimentar o sorvete da Cadore. São 53 sabores à disposição, desde os mais clássicos, como chocolate, morango e limão, passando pelos premiados sorvetes de doce de leite, chegando a sabores de temporada. Alguns sabores inusitados: panetone e strudel. 

Sorvete: escolhi o menos doce possível, sem leite, pois queria algo refrescante, além de ter sido diagnosticado em dezembro de 2021 com uma diabete branda. Minha opção foi um sabor da temporada, mango-naranja. Fiquei somente neste sabor. Gastón escolheu dois sabores: zabaione e doce de leite. Ambos servidos na casquinha. Gastón sempre fica "empalagado" (algo como enjoado pelo doce na garganta) rapidamente, não comendo tudo, mas gostou demais dos sabores que pediu. Eu confesso que esperava mais para um local cheio de prêmios e badalação. Pode ser que minha escolha não tenha sido muito feliz, que era melhor escolher sabores mais consistentes, como chocolate ou doce de leite, mas valeu a experiência. O sorvete era gostoso, mas não fez minha cabeça.

Terminado o sorvete, caminhamos pela Avenida Corrientes até perto do Obelisco, mas estávamos muito cansados e com sono, resolvendo voltar para o hotel. Antes, porém, paramos na loja Open 25 horas para comprar água (duas garrafas de 500 ml cada uma de água sem gás Eco de Los Andes com baixo sódio) e uma garrafa de Paso de Los Toros Pomelo de 220 ml. Por estes itens, pagamos ARS 250 (algo em torno de R$ 14,00), em espécie.

Retornamos ao hotel. No quarto, uma rápida chuveirada, pijama e cama. Apaguei.

Continua...


domingo, 6 de fevereiro de 2022

PÂNICO 2 (SCREAM 2)

Pânico 2 (Scream 2), 1997, 120 minutos.

Dirigido por Wes Craven, tendo no elenco os atores Neve Campbell (Sidney), Courteney Cox (Gale), David Arquette (Dewey) e Liev Schreiber (Cotton). Todos eles participaram interpretando as mesmas personagens no primeiro filme.

Sequência de Pânico (1996), concebida e também dirigida por Wes Craven.

É mais do mesmo em relação ao primeiro filme, pois a espinha dorsal do roteiro é a mesmíssima. Esta sequência faz piada com o primeiro Pânico e com outros filmes de terror de sucesso dos anos 1980, como por exemplo, na fila para entrar no cinema, que estreava Stab, baseado nos fatos ocorridos no primeiro filme, um casal de negros engata um diálogo, quando Maureen (Jada Pinkett Smith) diz que filme de terror tem as mesmas características, com mulheres brancas sendo atacadas e assassinadas por um serial killer perturbado mentalmente, que nunca havia uma personagem negra vítima deste assassino.

Como no primeiro filme, há muitas referências de sucessos de Hollywood, mas não só do gênero terror. Há um debate em uma aula sobre cinema cujo tema era sequências de filmes que foram sucesso de público. A pergunta era se havia alguma sequência melhor do que o que lhe deu origem. Várias respostas, a maioria, no meu ponto de vista, pertinente. Entre os citados estão Aliens - O Resgate, O Exterminador do Futuro 2, e o melhor de todos, O Poderoso Chefão 2.

Pânico 2 também oferece dicas/spoilers de cenas que acontecem ao longo do próprio filme. Em um diálogo entre Dewey e Randy (Jamie Kennedy) há dicas sobre a identidade do serial killer, que somente será revelada nas cenas finais.

Eu achei esta sequência no mesmo nível do primeiro filme, nem melhor, nem pior.

Vi, em 05/02/2022, na Globoplay.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

A PIOR PESSOA DO MUNDO (VERDENS VERSTE MENNESKE)

A Pior Pessoa do Mundo (Verdens Verste Menneske), 2021, 127 minutos.

Escrito e dirigido por Joachin Trier, tendo como atriz principal Renate Reinsve (Julie).

Filme indicado pela Noruega como seu representante na corrida pelo Oscar 2022 de melhor filme internacional. Já está na lista reduzida com 15 filmes semifinalistas. Tem recebido muitos elogios da crítica e feito sucesso nos festivais em que já passou.

Julie é uma mulher na casa dos trinta anos, feminista, tem relação conturbada, quase ausente, com seu pai, é fotógrafa, com vida de solteira agitada e sexualmente ativa, até que conhece Aksel (Anders Danielsen Lie), uma famoso quadrinista que criou um personagem machista, com o que é bastante criticado quando do lançamento de um filme baseado em suas histórias. Acompanhamos o relacionamento dos dois, com altos e baixos, incluindo discussões sobre gravidez e ter aptidão para a maternidade, até a separação, pois Julie se apaixona, sendo correspondida, por Eivind (Herbet Nordrum), que também era casado. Julie viverá sempre em busca de si mesma, querendo manter sua liberdade, suas convicções feministas, ficando, sem planejar, grávida de Eivind, que, como ela, não queria ter filhos, tentando ser escritora, sempre com textos baseados em sua vida, especialmente a sexual, e se achando a pior pessoa do mundo por causa de suas atitudes. Ao final, o diretor nos coloca em um set de filmagens, onde Julie, a fotógrafa do filme, se vê na personagem principal, fazendo uma descoberta interessante. Neste set, o diretor faz questão de mostrar que durante a filmagem, todos os técnicos e pessoal da produção usam máscaras cirúrgicas. Tempos de pandemia!.

Um belo trabalho de interpretação da atriz Renate Reinsve. Uma história que toca, mas faz refletir sobre o que é o amor nos tempos atuais, e como se dá esse amor em relacionamentos fluidos e breves.

Gostei do que vi.

Vi, em 04/02/2022, em um link que acessei de uma conta que sigo no Twitter.

ARGENTINA - DIA 1 - PARTE 2 - AINDA AEROPORTOS

02/01/2022 (domingo): eram 15:45 horas quando chegamos no balcão de check in da Aerolíneas Argentinas no Terminal 3 do GRU Airport. Com toda a papelada exigida para entrar na Argentina. Havia duas pessoas verificando os documentos antes da fila para o check in. Os dois eram empregados de uma empresa prestadora de serviços que está atuando no aeroporto e atendendo às companhias aéreas. Uma mulher pegou os documentos de Gastón, enquanto eu esperava, quando o homem resolveu pegar os meus. Gastón há havia sido liberado, entrando no espaço da fila, quando o homem disse que meu exame do RT-PCR tinha sido feito com mais de 72 horas. Aí começou a confusão, com muito bate boca, especialmente entre Gastón, que retornou da fila, e o tal empregado. Ele afirmava que contava o dia em que foi feito o exame. Como fizemos no dia 30/12/2021, ele contou 30, 31 e 01. Uma conta totalmente sem noção. Gastón argumentou que tinha viajado pela mesma companhia aérea, saindo de Guarulhos, em novembro de 2021, tinha feito o exame tal como nós fizemos e ninguém questionou. Ele manteve sua conta. Nem adiantava dizer que deve ser desconsiderado o primeiro dia e contado o último, como é a contagem de prazos no direito brasileiro. Ele não deixava a gente passar e a fila ficava grande atrás de nós. Pedi para falar com o supervisor dele. Enquanto ele ia até o balcão conversar com o supervisor, levando nossos exames, deixamos a fila fluir. Ele retornou dizendo que o supervisor viria em instantes. Mas o que vimos foi o supervisor passar de um balcão para o outro, atender passageiros e nem dar sinal de que viria até onde estávamos.

Gastón continuava a discutir com o empregado, perguntando a ele como contava seus aniversários. Se nasceu em 1985, ele já tinha um ano no nascimento, porque era assim que ele estava contando o prazo de nosso exame. A discussão seguia acalorada e em voz alta, quando uma mulher de colete chegou perguntando o que havia. Gastón começou a relatar, ela começou a dizer que o empregado estava certo, quando lhe perguntei se ela era a supervisora. Já tinha visto a mulher rondando o terminal. Era uma espécie de segurança. Óbvio que a resposta foi negativa. Insisti para que o supervisor viesse até nós, momento em que tal mulher foi até ele, apontando para nós dois. Veio o supervisor, com a mesma ladainha do empregado, sem nem mesmo esperar nossa fala, ou seja, já veio armado até os dentes. Ele afirmou que nós não embarcaríamos, que se deixassem a gente passar, chegaríamos em Buenos Aires e teríamos que voltar, com os custos sendo arcados pela companhia aérea. Já não havia como argumentar mais. Decidimos procurar alguém responsável pela Aerolíneas Argentinas, mas eles só trabalhavam de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Somente havia o responsável pela empresa terceirizada, cujo nome era Jaime, e ficava no Terminal 2. Não nos deram maiores detalhes da localização. Estavam nos irritando. Gastón resolveu ir procurar a polícia. Muito nervoso, ele disse para eu ficar sentado em algum lugar, quando fiquei com a mala de mão dele. Ele praticamente voou para o Terminal 2 enquanto eu fiquei sentado no Terminal 3, próximo aos balcões da Aerolíneas Argentinas.

Durante minha espera, procurei o telefone da companhia aérea na internet, só encontrando o número da central de atendimento, para a qual liguei, sendo atendido por uma gravação informando o horário de funcionamento de segunda a sexta-feira. Gastón não dava notícias. Também liguei para minha diarista, que estava na minha casa, para ela me enviar uma foto da nossa certidão de casamento, pois Gastón disse que poderia ser útil. Ela conseguiu encontrar a certidão seguindo minhas instruções, tirou a foto e me enviou por WhatsApp.

Eram mais de 16:30 horas quando ele retornou com o semblante para baixo, dizendo que foi muito bem atendido pela Polícia Federal, que lhe disseram que as companhias estavam fazendo a contagem como o empregado fez, motivo pelo qual as filas para fazer o teste rápido no aeroporto eram gigantescas. Não havia mais tempo hábil para fazermos novo exame, pois demorava, no mínimo, quatro horas para sair o resultado. Nosso voo era às 19:00 horas. Tínhamos que providenciar a remarcação do bilhete, resolver a questão da bagagem, que tinha sido despachada em Confins diretamente para Buenos Aires, e ainda contactar hotel para alterar a reserva. A única forma de fazer isso era ir novamente conversar com o supervisor com o qual tínhamos discutido. Ainda com a documentação na mão, fomos para o balcão de check in. Quando lá chegamos, estava apenas a mulher que havia liberado o Gastón antes da confusão. Ela apenas perguntou se Gastón era argentino, que respondeu, em um estalo, que era argentino e tinha residência em Buenos Aires, assim como eu, por ser casado com ele. Ela abriu aquela fita que separa o cercadinho onde se forma a fila do check in, fazendo apenas um gesto para passarmos, desejando-nos boa viagem. Conclusão, ela sabia que estávamos certos desde o início e que tudo foi armado por causa da discussão, dos ânimos acirrados.

Ainda assim, ficamos tensos até o momento do check in, pois o supervisor e o empregado que me impediu de entrar passavam para lá e para cá entre os balcões. Um atendente super educado e simpático nos atendeu, pegou toda a documentação, conferiu, nem lançou no sistema, pois isso já havia sido feito pela Azul quando do nosso check in em Confins, marcou nossos assentos como pedimos (14C e 14D - corredores lado a lado), conferiu se nossas bagagens estavam registradas no sistema da Aerolíneas Argentinas. Recebemos os cartões de embarque. Felizes e aliviados, fomos para a sala de embarque de imediato.

A fila para passar no Raio X estava fluindo rapidamente, mas sempre há aqueles que andam cheios de penduricalhos de metal e atrasam a todos, pois têm que tirar tudo para passar no detector de metais. Quando passei, detectaram algo na minha mochila, pedindo para que eu a abrisse. Era o talco que uso. Deram ok e terminei o controle. Gastón, que vinha em seguida, foi sorteado para a inspeção aleatória. Tendo que ficar parado, enquanto um segurança passava o detector de metas por seu corpo, e ainda teve que abrir a sua mala de mão. Gastón, que nunca tinha sido sorteado, ao ser dispensado, insistiu para a segurança verificar o interior de sua mochila. Esperei ele se recompor com seus pertences para seguirmos para a fila da imigração.

Como tinha a certidão de casamento no celular, eu e ele fomos na mesma fila, de brasileiros. Juntos passamos pelo balcão da imigração, onde tivemos que tirar a máscara para a policial nos comparara com as fotos dos nossos documentos.

Eram 17:20 horas quando entramos, enfim, na área de embarque internacional. Resolvemos tomar algo refrescante, escolhendo um bonito bar da Heineken que fica logo após a escada rolante que dá acesso às salas VIP. Estava vazio. Sentamos em uma mesa mais distante do interior, mas nenhum dos garçons veio até nós. Esperamos mais um tempo e nada de sermos atendidos. Levantamo-nos e seguimos em frente, quando um dos garçons nos chamou, dizendo que tínhamos esquecido o celular na cadeira da mesa em que estávamos. Tanto o meu celular, quanto o de Gastón, estavam conosco. Respondemos que não era nosso. Era um iPhone 13 e um carregador portátil. Fiquei pensando se não era uma pegadinha, dessas que são gravadas e depois passa na televisão.

Mais à frente, depois de passar pelas lojas de grife, comprei uma garrafa de água com gás (500 ml) e um Sprite Leve (500 ml) na loja 365 Déli, pelos quais paguei R$ 27,00 no cartão de crédito. Sentamos em uma mesa em frente para matar a sede.

Perto de 18:00 horas nos dirigimos para o portão de embarque, passando pelo banheiro antes. Nosso grupo para embarcar era o três. Aguardamos sentados o início do embarque, que começou somente às 18:30 horas. Vimos um senhor no atendimento que nos pareceu o responsável pela empresa terceirizada, bem como o empregado que nos barrou no check in. Nova tensão se apossou de nós. Só relaxei quando entreguei meu passaporte e meu cartão de embarque para o empregado, que nem olhou para mim, se limitando a devolver os documentos, desejando boa viagem. Gastón só relaxou quando o avião fechou as portas.

O avião decolou com quase meia hora de atraso. Estava com uma ocupação de mais de 70%, com certeza.

O voo 1243, trajeto Guarulhos-Aeroparque, transcorreu tranquilo, com pouca turbulência. Houve serviço de bordo: dois sanduíches de miga e refrigerante.

Pousamos em solo portenho às 22:00 horas, praticamente dentro do horário inicialmente previsto. Não desembarcamos por ponte, nem por ônibus. Ao descer as escadas do avião, um bafo quente nos recebeu em Buenos Aires, mostrando o que seria nossa estadia na Argentina.

Gastón disparou na frente para a imigração, eu fui atrás. Ele disse para eu passar com ele. Como estava para trás, ainda ouvi o funcionário da imigração separando os argentinos e residentes para um lado e os demais estrangeiros para o outro. Fui na fila dos argentinos e residentes, alcançando Gastón. Passamos juntos no balcão da imigração, onde tivemos que tirar a máscara e os óculos para uma foto. Para Gastón, o funcionário pediu apenas o certificado de vacinação, enquanto eu tive que mostrar o certificado e o seguro saúde. O exame negativo RT-PCR, que tanta confusão deu em Guarulhos, não foi sequer mencionado pelo funcionário da imigração. No meu passaporte, ele carimbou a entrada para turista, 90 dias.

Era hora de esperar as malas, que vieram rápido. Passamos pelo controle alfandegário sem ter que colocar nossas bagagens na esteira de raio X. Saímos do Terminal Internacional, contornando pelo lado de fora, para o lado direito, entrando novamente no aeroporto para fazer câmbio no balcão do Banco de La Nación.

Enquanto eu fazia o câmbio de R$ 100,00, apenas para ter pesos argentinos até o dia seguinte, Gastón foi procurar onde comprar algum voucher para táxi. Pelos R$ 100,00, recebi ARS 1.770,00. Ao sair, uma fila se formava para o câmbio. Fui atrás de Gastón. Já quase chegando perto dele, percebi que tinha deixado meu celular no balcão da casa de câmbio. Gastón, muito pessimista, disse que eu não o encontraria. Voltei a passos largos, pedi licença para os que estavam na fila. Chegando no campo de visão do balconista do câmbio, ele me mostrou meu celular. Que alívio! Não queria mais um problema naquele fim de domingo.

Encontrei Gastón. Eu queria pegar um remis. Embora seja mais caro, pode comprar um voucher nos balcões que existem no aeroporto, paga-se com cartão de crédito, tem sempre carro disponível, os carros são limpos e confortáveis e os motoristas são, geralmente, muito educados. Gastón queria chamar um Uber, mas, na Argentina, a coisa mais difícil é um motorista Uber aceitar quando a opção de pagamento é por cartão de crédito. Ainda assim, Gaston simulou uma corrida do aeroporto até o nosso hotel. Ficavam ARS 1.680,00.

A decisão foi pelo táxi que fica na porta do aeroporto. Há um novo sistema para tomar tais táxis. Há um QR Code que deve ser lido com a câmera do celular, abrindo uma página na qual você informa o destino, o número de passageiros e o número de bagagens, recebendo o valor a pagar. Ao entrar no táxi, a gente deve mostrar, no celular, o valor da corrida e o destino. Não há pagamentos pelo aplicativo, apenas o valor que deve ser cobrado. O pagamento é feito diretamente ao motorista, no fim da corrida, geralmente em dinheiro. Alguns aceitam pagamento via mercado pago. Nosso valor foi de ARS 938,90, sendo dois passageiros e três bagagens, com destino ao Huinid Obelisco Hotel (Sarmiento 1.431). Enfim, nossa saga em aeroportos chegava ao fim naquele domingo. O relógio marcava 22:44 horas. Fomos para a fila do táxi.

Continua...


DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

Deus e o Diabo na Terra do Sol, 1964, 120 minutos.

Mais um filme da primeira fase do Cinema Novo que assisti para o curso que faço, on-line, no Cinema com Teoria. Desta vez, Deus e o Diabo na Terra do Sol, escrito e dirigido por Glauber Rocha, tendo como atores Geraldo del Rey (Manuel), Yoná Magalhães (Rosa), Othon Bastos (Corisco), Maurício do Valle (Antônio das Mortes), Lídio Silva (Sebastião) e Sônia dos Humildes (Dadá).

Filmado em preto e branco no interior da Bahia, no município de Monte Santo, longe dos estúdios. A população da cidade baiana participa como figurante no filme. Lígia Pape é responsável pela tipografia dos letreiros e dos créditos.

Manuel, para defender o que é seu e sua esposa, mata o dono das terras onde trabalha, o que o leva a sair da região, indo para Monte Santo seguir o beato Sebastião. Lá, ele é doutrinado na seita e se convence de que Rosa, sua mulher, está possuída pelo diabo. A cena de purificação de Rosa é uma carnificina, com sacrifício de inocente em nome de um deus nada bom. Segue-se um verdadeiro massacre empreendido por Antônio das Mortes, que poupa apenas Manuel e Rosa, que seguem vagando pelo sertão, sendo conduzidos por um cego, que os leva ao encontro de Corisco e Dadá, remanescentes do bando de Lampião e Maria Bonita, que tinham sido recentemente assassinados pela polícia baiana. Manuel entra no bando. Há saques e estupro na cidade, até a chegada de Antônio das Mortes no local onde estão Corisco, Dadá, Rosa e Manuel. O encontro é movimentado, com cenas que parecem um faroeste.

Foi a terceira vez que vi este filme. O interessante é que o vejo, sem planejamento, de vinte em vinte anos. A primeira delas foi na década de 1980, em Belo Horizonte, em fita VHS, recém deslumbrado com o cinema, querendo ver tudo quanto era filme clássico. Não gostei do que vi. A segunda, já na primeira década dos anos 2000, em Brasília, em uma projeção para jovens entre 16 e 25 anos, era um projeto relativo ao meu trabalho. Na sala, em uma escola pública, havia cerca de 30 jovens. Na medida em que o filme avançava, mais e mais jovens deixavam o recinto. Restaram apenas dois deles no final do filme.

Nesta oportunidade, já tive outros olhos para o filme, fazendo uma análise mais apurada sobre a época em que foi filmado (antes do golpe de 1964), a questão agrária, o messianismo que aproveitava da ignorância e da simplicidade da população interiorana, especialmente do Nordeste. Mas continuava tendo ressalvas quanto ao filme em si.

Por fim, em 2022, o vi pela terceira vez. Mais estudado, vendo detalhes técnicos, observando o conjunto de situações sociais da época, lendo textos sobre o Cinema Novo em preparação para a aula sobre a trilogia do sertão que seria ministrada, on-line, no Cinema com Teoria, no dia 03/02/2022, já comecei a gostar um pouco mais do filme, mas ainda assim, ele continua não fazendo minha cabeça. Fico muito incomodado na cadeira por qualquer filme que haja barulho excessivo. E é o que acontece em Deus e o Diabo na Terra do Sol, o barulho me incomoda, seja pela ladainha dos fiéis que seguem o beato, seja pela gritaria de Rosa que se confunde com a ventania no lugar, seja pelos estampidos das espingardas, ou pela algazarra do bando de Corisco. 

Ao escrever estas linhas, me pus a pensar se a intenção foi mesmo provocar incômodo em quem assiste o filme. Se não for pelas imagens, ou pelo roteiro, que seja pelo som. Pode até ser, em se tratando de Glauber Rocha.

Vi, em 03/02/2022, no Telecine Play.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

ARGENTINA - DIA 1 - PARTE 1 - AEROPORTOS


Meu refrigerante preferido na Argentina

Enfim, férias. Comecei 2022 de férias no trabalho. Viagem programada para a Argentina.

02/01/2022 (domingo) - eu e Gastón levantamentos cedo, tomamos um reforçado café da manhã, um bom banho, arrumamos, demos comida e água para os cachorros (que ficariam com nossa diarista), checamos se faltava alguma coisa para levar. Tudo certo. Olhei pela janela e vi que o táxi da Coopertramo já estava parado em frente ao prédio. Eram 09:30 horas. A hora combinada era 10:00 horas. Sempre pontuais.

Descemos com as malas perto de 10:00 horas. O motorista era um senhor de uns 70 anos. Ajudou-nos a colocar as malas no bagageiro do carro, colocou a máscara, assumiu o volante e seguimos para o aeroporto de Confins. Eu estava com uma máscara cirúrgica por baixo e uma de tecido por cima. Como era domingo, o trânsito estava maravilhoso. Pedi para desligar o ar condicionado, indo de janelas abertas. O tempo estava nublado, mas sem chuva. Chegamos no terminal de embarque do BH Airport às 10:45 horas. Paguei a corrida no cartão de crédito, em máquina no próprio carro. Valor: R$ 146,00.

Saímos do carro, indo direto para o balcão da Azul para fazer nosso check in, já que não foi possível fazê-lo pelo aplicativo no celular, pois tínhamos que apresentar a documentação exigida pelo governo argentino para entrada no país. Tinha uma fila de tamanho razoável, mas tínhamos tempo, pois o voo era às 13:05 horas. Apenas três guichês estavam funcionando, um para as prioridades por lei, outro para os clientes premium da companhia aérea e outro para os demais passageiros. Estávamos nesta última fila. Quando éramos os próximos a ser atendidos, a atendente do balcão dos clientes premium nos chamou. 

No balcão, ela pegou meu passaporte e o RNE de Gastón e, ao ver que nosso destino final era Buenos Aires, pediu para a gente esperar atrás de uma mulher que também faria um voo internacional, pois ela era nova e não sabia fazer os procedimentos para nosso voo. Dissemos que não iríamos sair do balcão, pois ela nos chamou quando seríamos atendidos normalmente, que não faríamos nova fila. Ela pediu ajuda para a colega do lado, mas obteve uma resposta ríspida, dizendo que estava fazendo um procedimento para o Canadá, que era muito mais trabalhoso do que o para a Argentina. Seguimos no propósito de ficar no balcão, quando ela saiu com nossos documentos em busca de ajuda. Retornou com uma colega que iria abrir um outro balcão, mas antes iria ajudá-la no nosso check in. Essa nova atendente entregou o RNE de Gastón, pedindo o passaporte ou o DNI (identidade argentina) dele. Gastón afirmou que o RNE era um documento de identidade válido, mas a atendente disse que só poderia fazer o check in com passaporte ou DNI, explicando que o RNE era válido no Brasil. Gastón contra argumentou, explicando que tinha viajado para a Argentina em novembro, usando aquele RNE para fazer o check in. Um bate boca se seguiu entre os dois. Eu, então, perguntei a ele se estava com seu DNI. Resposta afirmativa. Gastón entregou o documento argentino. Os ânimos se acalmaram.

No balcão, elas pediram o certificado de vacinação contra a covid 19 e o teste negativo RT-PCR. Entregamos os impressos. Os dados foram colocados em nossa reserva. Pedimos para marcar os assentos juntos, pois o avião era configurado com dois assentos de cada lado. Ela perguntou se poderia ser na saída de emergência. com o que concordamos. Mesmo com uma mala de mão, preferi despachá-la, pois teria que esperar, de qualquer forma, a mala de Gastón no aeroporto de Buenos Aires. Minha mala pesou 10 quilos, enquanto a de Gastón pesou 18 quilos. Malas etiquetadas e despachadas direto para Buenos Aires, mas não foi possível fazer o check in do voo Guarulhos-Aeroparque, pois o sistema não permitiu. Tínhamos que nos apresentar no balcão de check in da Aerolíneas Argentinas em Guarulhos. Assentos 13C e 13D. Agradecemos em clima super cordial. Nem parecia que tivemos momentos de tensão no balcão da Azul.

Fomos direto para a sala de embarque. Em Confins, por causa da pandemia, suspenderam temporiamente a necessidade de apertar um botão para escolha aleatória de inspeção. Passamos pela catraca de leitura do cartão de embarque, indo direto para o controle do raio X, onde passamos sem problemas. Como houve a demora no check in, já estava quase na hora do embarque, que estava previsto para 12:25 horas.

Troquei as minhas máscaras, colocando uma do tipo NK95, mais eficiente para proteger boca e nariz, especialmente em locais fechados, com gente muito perto uma da outra, que é o caso de um avião.

Caminhamos até o portão de embarque, onde já havia se formado fila para entrar. Esperamos nosso grupo ser chamado (grupo 4 no cartão de embarque). Dentro do avião, com as mochilas acomodadas no bagageiro, nos acomodamos em nossos assentos, quando descobri que o encosto não rebaixava. Vingança das atendentes, pensei logo. Mas era um voo curto, de apenas uma hora. Não iria fazer falta.

O voo transcorreu sem turbulências, apenas uma leve quando saímos de Confins. Não houve serviço de bordo por causa da pandemia. O avião pousou em Guarulhos no horário previsto, às 14:10 horas, mas a Azul pousa no antigo terminal, o Terminal 1, onde não há pontes de desembarque. O avião parou em frente ao local onde ficam as esteiras de bagagem. Era necessário pegar um ônibus gratuito com destino ao Terminal 3, área internacional do GRU Airport. O ônibus para do lado de fora do Terminal 1, onde já havia gente o esperando. Fizemos fila, mas tem gente que se faz de sonsa, chega com malas e ignora a fila. O ônibus demorou 15 minutos para chegar. Já tinha gente dentro, pois ele vinha do Terminal 2. Mas foi tranquilo entrar. Preferimos fazer o trajeto em pé dentro do ônibus.

No Terminal 3, a primeira coisa que fizemos foi verificar onde era o check in da Aerolíneas Argentinas, mas como não há balcão fixo para as companhias, os passageiros só sabem quando inicia o atendimento. Perguntamos a um empregado do aeroporto o horário em que iniciava o atendimento, obtendo a resposta de que os balcões abriam para check in três horas antes do início previsto para o voo. No nosso caso, às 16:00 horas. Não eram nem 15:00 horas. Resolvemos almoçar, descendo a escada rolante. No caminho, vimos uma fila surreal de passageiros para fazer o teste rápido de covid 19.

Almoçamos no Terminal 3, na Pizza Hut. A pizzaria tem um serviço de buffet livre de pizzas e saladas. Escolhemos a mesa que ficava perto do buffet. Tinha que pagar antes de se servir. Gastón foi pagar, enquanto eu ficava na mesa. Cada um escolheu um refrigerante para beber. No meu caso, Guaraná Antarctica Zero. No balcão, um empregado da pizzaria indicava que era necessário usar luvas de plástico descartáveis para se servir. A todo o momento, ele repreendia alguém pelo uso correto da máscara. Comi apenas pizzas, três fatias. Pelo almoço, pagamos R$ 105,60, no débito. Ficamos na Pizza Hut até 15:40 horas.

Subimos novamente para o piso do check in, quando vimos que os balcões de atendimento da Aerolíneas Argentinas estavam abertos. Ainda não tínhamos ideia da tensão pela qual iríamos passar.

Continua...

VIDAS SECAS

Vidas Secas, 1963, 103 minutos.

Dirigido por Nelson Pereira dos Santos e protagonizado por Átila Iório (Fabiano) e Maria Ribeiro (Sinhá Vitória).

Filme da primeira fase do Cinema Novo, integra a chamada trilogia do sertão, junto com Os Fuzis, de Ruy Guerra, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

Adaptado da obra de Graciliano Ramos por Nelson Pereira dos Santos.

Rodado em preto e branco, com iluminação propositalmente saturada, foi totalmente filmado longe dos estúdios, nas cidades alagoanas de Minador do Negrão e Palmeira dos Índios. A polução destas cidades é agradecida nos créditos iniciais do filme. Os planos abertos dão a dimensão da seca que assolava o sertão.

A trama se passa entre os anos 1940 e 1942, quando acompanhamos Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos pequenos e a cadela Baleia vagando pelo sertão seco à procura de comida, de um lugar para morar e de trabalho. Encontram uma casa de pau a pique, onde se instalam, com Fabiano trabalhando para o fazendeiro (interpretado por Joffre Soares) dono das terras, como vaqueiro. A miséria do casal é tão grande que o sonho de Vitória é ter uma cama de couro como a do antigo patrão, pois eles dormem em um estrado feito com troncos de árvores, sem colchão. Fabiano não sabe ler, nem escrever, recebe pouco e ainda gasta este pouco em jogatinas de baralho. Quando a seca aperta, sem perspectivas de chuvas, o fazendeiro leva o gado para outras paragens, dispensando os trabalhos de Fabiano. A saga de procurar um novo lugar será encarada novamente pela família, saindo, a pé, em busca de seus sonhos.

É impressionante como o machismo da época em que foi gravado o filme, e mesmo no tempo em que se passa a trama, é retratado na história. Uma cena me marcou bastante neste quesito: Vitória foi buscar água em um riacho que estava quase seco, encheu um recipiente enorme de cerâmica com uma água bem barrenta, e o transportou na cabeça para casa. Ao chegar, Fabiano tem uma discussão com ela sobre a jogatina dele, terminando dizendo que ele trabalha para ganhar o dinheiro e ela não. E o que a mulher mais faz é trabalhar na casa, cuidando dos filhos, fazendo comida, buscando água, cuidando das contas. Outra cena que demonstra como vivia a sociedade naquele interior do Brasil é quando mostra o contraste entre os frequentadores do bar, todos homens, e na igreja, mulheres rezando, enquanto os homens ficavam na porta de entrada. Marca bem os limites de cada gênero na sociedade. Antes que alguém pense, esta é uma constatação, mas de forma alguma estou cancelando a obra. O filme é importantíssimo para a cinematografia brasileira. Eu gosto muito deste filme.

Por fim, deve ser sempre ressaltado a performance da cadela Baleia, um primor, especialmente em uma cena de pura emoção quando seu destino é selado por Fabiano.

Mesmo com iluminação saturada, a fotografia da cena final do filme transmite, ao mesmo tempo, tristeza e beleza.

Revi este filme para a aula do curso sobre Cinema Novo que estou fazendo, on-line, no Cinema com Teoria.

Vi, em 03/02/2022, no Telecine Play.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

PLANEJANDO A VIAGEM PARA A ARGENTINA

Depois de emitidos os bilhetes aéreos para Buenos Aires, Argentina, começamos os preparativos para a viagem. Gastón ficou responsável por propor as cidades para onde iríamos, e fazer as reservas dos hotéis, além de também separar alguns bares e restaurantes para conhecermos.

Inicialmente, as cidades que escolhemos foram Buenos Aires (2 noites), Federación (3 noites), Rosário (3 noites), Córdoba (3 noites) e novamente Buenos Aires (2 noites).

Nossa exigência para os hotéis: ter ar condicionado, pois o calor na Argentina nesta época é muito forte, café da manhã incluído na diária, ter piscina, ser bem localizado, podendo visitar locais de interesse a pé.

Ao comentar sobre a viagem com nossos amigos Emi e Rogério, eles se interessaram em também ir. Conseguiram emitir passagens com milhas pela Smiles, mas saindo de Belo Horizonte no dia 03/01/2022, um dia após nosso voo de ida. A volta seria no mesmo dia, mas em voos diferentes.

Consultando as informações oficiais do governo argentino, verificamos os documentos obrigatórios para viajar no período de nossa viagem:

1. Seguro saúde cobrindo todo o período da viagem com atendimento em caso de Covid 19 incluído.

2. Teste RT-PCR negativo feito até 72 horas antes do dia da viagem.

3. Preencher, on-line, no site do governo argentino, nas 48 horas anteriores à viagem, uma declaração juramentada para ingresso no país.

4. Passaporte ou documento de identidade brasileiro (só vale a Carteira de Identidade).

5. Certificado de vacinação contra a Covid 19 com as doses completas indicadas pelos fabricantes, sendo que a última dose deveria ter sido tomada, no mínimo, quatorze dias antes da viagem.

6. Não ter sintomas gripais.

No intervalo entre o Natal e o Réveillon, fomos atrás dos documentos cujos prazos deveriam ser respeitados. Resolvemos tirar Córdoba desta viagem, pois calculamos o tempo que gastaríamos em viagem de carro para o trajeto Córdoba-Buenos Aires, mais de sete horas, com dias muito quentes. Deixamos para outro oportunidade. Jogamos as noites que seriam de Córdoba para Buenos Aires, onde há muita coisa para fazer.

Em 24/12/2021, emitimos o seguro saúde, com cobertura de complicações devido à Covid 19, pelo site da Assist Card, para o período de 02 a 15/01/2022. Os dois seguros ficaram em R$ 1.017,54, que dividimos em 12 vezes no cartão de crédito.

Como nosso voo de ida era no dia 02/01/2022, entendi que as 72 horas antes do dia da viagem se dariam no dia 30/12/2021. Fizemos uma consulta virtual no dia 29/12/2021, conseguindo os pedidos de exames RT-PCR.

Na manhã do dia 30/12/2021, eu e Gastón fomos ao Laboratório Hermes Pardini, unidade Prado, onde sempre está vazio. Quando chegamos, não tinha ninguém para ser atendido. Fizemos os procedimentos na máquina de autoatendimento. Nem deu tempo para eu me assentar, pois fui chamado imediatamente. Era a terceira vez que fazia o exame do cotonete gigante sendo enfiado nas minhas duas narinas. A vontade de espirrar foi grande desta vez, mas segurei para não atingir a atendente. O resultado sairia em até 24 horas.

Na manhã do dia 31/12/2021, consultei o App do Hermes Pardini pelo celular. Já tinha saído o meu resultado do RT-PCR: negativo. O de Gastón somente saiu no início da tarde, também negativo. Imprimi os dois resultados, juntando aos já impressos comprovantes de seguro saúde, certificados de vacinação contra a Covid 19 e passagens aéreas.

Neste mesmo dia, acessamos a página do governo argentino e preenchemos, on-line, a declaração juramentada para entrada no país. O formulário preenchido é enviado para nosso e-mail. Recebemos em questão de minutos. Também os imprimi.

Tentamos fazer o check in, tanto na Azul, quanto na Aerolíneas Argentinas, mas sem sucesso. Era necessário fazê-lo presencialmente no aeroporto, justamente por causa da necessidade de apresentar todas a documentação citada acima.

Gastón reservou, no site da Localiza, um carro médio para o período de 04 a 10 de janeiro de 2022. Não havia possibilidade de parcelar no cartão, motivo pelo qual decidimos pagar no momento da retirada do carro, no Aeroparque, pois dividiríamos os custos com nossos amigos Rogério e Emi.

Faltava apenas arrumar as malas. Pensando nos trajetos de carro, resolvi levar apenas uma mala de mão e uma mochila. Gastón optou por uma mala grande, uma mala de mão e uma mochila.

Fiz a mala no primeiro dia de 2022. Consegui colocar tudo o que precisava para 13 dias em uma mala de mão. Tenho uma balança digital para pesar malas. Minha mala pesava 10 quilos, peso suficiente para levá-la à bordo.

Neste mesmo dia, reservei um táxi da Coopertramo para nos levar de casa para o aeroporto de Confins. Combinei para o carro estar na porta de casa às 10:00 horas do dia 02/01/2022, domingo. Valor: R$ 146,00.

Finalizamos o dia com tudo pronto, aproveitando para ver o mais novo filme de Almodóvar, Madres Paralelas, que já postei meus comentários aqui no blog.



OS FUZIS

Os Fuzis, 1964, 80 minutos.

Filme da primeira fase do Cinema Novo dirigido por Ruy Guerra, tendo como atores Átila Iório (Gaúcho), Maria Gladys (Luísa), Nelson Xavier (Mário), Paulo César Peréio (Pedro), Ivan Cândido (301), Hugo Carvana (José) e Leonidas Bayer (Sargento).

O filme foi rodado em preto e branco, longe de estúdios, na cidade baiana de Milagres, um local bem pobre e devastado pela seca. Tem ares de documentário, especialmente quando os moradores da cidade, que participam de todo o filme, são focados e até mesmo entrevistados. Mas ao mesmo tempo, tem seu lado ficcional, quando os atores profissionais estão em cena.

Interessante como a mentalidade da época, vista nos dias atuais, é bem refletida no filme. Enquanto os homens, adultos e poucas crianças, ficam em um bar em uma aposta com Pedro, um dos soldados, onde armas, munição e cachaça estão no centro da aposta, as mulheres, e muitas crianças, estão em oração na igreja, ou seguindo um beato com um boi que ele acredita ser milagroso. Homens e mulheres com separações distintas de seus "papéis" na sociedade. E ainda tem uma cena que Mário tenta forçar um beijo em Luísa em um beco escuro, mesmo ela não querendo, acabando em um estupro. Machismo e misogenia em cena.

A trama: soldados, enviados pela polícia de Salvador, chegam à cidade para proteger alimentos na venda do vereador (político típico do interior, como um coronel), enquanto a população passa fome. Neste espaço temporal, chegam à cidade um beato com seu boi santo e um caminhoneiro (Gaúcho), com o caminhão carregado de cebolas. A roda do caminhão estraga, fazendo Gaúcho ficar mais dias na cidade. Um dos soldados, brincando de tiro ao alvo em um cabrito, mata um camponês, gerando desconforto entre os demais companheiros soldados e uma indignação da população local, mas sem nenhum levante. Mais para o final do filme, em um breve momento de ação nos moldes de um faroeste, Gaúcho se revolta pela morte de uma criança por fome, pega um fuzil de um soldado e tenta impedir os caminhões carregados de sacos de alimento sair da cidade.

Alguns pontos me fizeram refletir:

1. foi um homem branco (a maioria da população local era negra), do sul do país, que demonstrou alguma atitude para tentar matar a fome dos locais. Foi preciso chegar um homem do Sul para tentar resolver a questão da fome em uma cidade nordestina? Mas a posição de Gaúcho é ambígua desde o início. É machão, quase compra uma menina de 14 anos em uma parada com seu caminhão, tem um passado como soldado, a princípio, não se revolta com a fome que assola Milagres, tendo, inclusive um caminhão carregado de cebolas que está apodrecendo, para depois, ao ver a criança morta pela fome, se revolta.

2. como a religião se aproveita da miséria humana para se afirmar, como o beato do filme com sua promessa de um milagre operado por seu santo boi (apesar da atitude do beato em relação ao boi no final do filme), recebido com ramos de palmeira, como Jesus foi recebido na Galileia, e sendo seguido por uma multidão.

3. os cineastas do Cinema Novo, com suas ideias de esquerda, eram oriundos da classe média e faziam filmes para a classe média consumir, perpetuando a ideia de que os camponeses, especialmente os do Nordeste, não eram capazes de reagir. E ainda fico pensando o quanto tais moradores, sempre com agradecimentos nos créditos dos filmes, foram explorados nas filmagens. Fica a questão: receberam cachê enquanto figurantes, ou mesmo como atores não profissionais?

Apesar destas considerações acima, gostei muito do filme, sendo a primeira vez que o assisti.

Vi, em 01/01/2022, no Now.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

A SAGA DAS PASSAGENS AÉREAS PARA BUENOS AIRES (ARGENTINA)

Na primeira semana de outubro de 2021, eu e Gastón decidimos viajar para a Argentina no início de 2022.
Eu tinha 298.000 milhas na Smiles. Para mim, era mais do que suficiente para emitir duas passagens ida e volta, saindo de Belo Horizonte.
Nossa decisão foi por passar o Réveillon 2021/2022 em nossa casa e viajar no domingo, dia 02/01/2022, com retorno no dia 15/01/2022, um sábado. Seriam 13 dias de viagem, parte dela com parentes de Gastón.
Consultando as opções de voo e valor em milhas pela Smiles, fiquei assustado com a quantidade absurda que estavam pedindo em milhas, bem como com as parcas opções de voo. Antes de decidir, ainda pesquisei os valores, em reais, voando por Gol, Qatar Airways e Bristish Arways. Um outro absurdo. Ida e volta ficava em torno de R$ 11.000,00 para nós dois. Voltei para o site da Smiles e emiti os bilhetes, em 06/10/2021, da seguinte forma:
Ida - dia 02/01/2022 (domingo), saindo de Confins (CNF) às 06:25 horas, com destino a Brasília (BSB), onde chegaríamos às 07:25 horas (voo Gol 1701). Conexão de uma hora e cinco minutos, pegando o voo Gol 7688, às 09:50 horas, com destino a Ezeiza (EZE), cujo horário previsto de chegada era às 13:30 horas.
Volta  - dia 15/01/2022 (sábado), saindo de Ezeiza (EZE), às 11:15 horas, no voo Gol 7453, chegando em Guarulhos às 14:00 horas. Conexão de três horas e quarenta e cinco minutos. Voo Gol 1324, saindo de Guarulhos (GRU), às 17:45 horas, chegando em Confins (CNF), às 18:55 horas.
Para os bilhetes, usei o montante de 293.000 milhas, praticamente zerando meu saldo, e ainda pagando uma parte das taxas de embarque no cartão de crédito, no valor de R$ 358,00.
Com os bilhetes na mão, ficou por conta de Gastón planejar a viagem, reservando hotéis e propondo as cidades que visitaríamos.
Em 17 de outubro, ou seja, 11 dias depois da emissão dos bilhetes, recebemos um e-mail da Gol informando que, por motivos operacionais, nosso voo havia sido cancelado, indicando uma nova opção. Ao acessar a página da Gol, via App no celular, foi-me apresentada uma única opção, desta vez saindo de Confins no mesmo dia 02/01/2021, só que às 07:00 horas, fazendo uma conexão em Guarulhos, onde ficaríamos por cinco horas, pegando um voo para o aeroporto mais central de Buenos Aires, o Aeroparque. Não havia nenhuma informação sobre o voo da volta. Como não havia outra opção, pois pesquisei no site da Gol, aceitei a alteração proposta. Então começaram o inferno e os prejuízos.
No dia seguinte, consultei, por ansioso que sou, o App da Smiles, constatando que só tinha o voo da ida. Nada de volta. Entrei em contato, depois de muito esperar, com o atendimento da Smiles e a atendente se limitou a dizer que eu havia aceitado a troca proposta pela Gol. Não adiantou argumentar que eu tinha comprado passagem de ida e volta e que a troca foi só da ida, tendo desaparecido a volta. Para não esquentar mais a cabeça, acessei o site da Decolar, pesquisei voo de volta mais barato no dia 15/01/2022, e comprei duas passagens para o dia 15/01/2022, saindo de Aeroparque (AEP) às 15:00 horas, chegando em Guarulhos às 17:45 horas. Voando Aerolíneas Argentinas, voo 1242. Por tais bilhetes, pagamos a bagatela de R$ 3.386,28, dividido em nove parcelas no cartão de crédito.
Se incluísse o trecho Guarulhos-Confins, encareceria muito o valor das passagens. Assim, transferi milhas que tinha no programa Livelo, garantindo quantidade suficiente para emitir, também em 25/10/2021, o bilhete GRU-CNF, dia 15/01/2022, saindo às 22:25 horas de Guarulhos no voo Gol 1326, chegando em Confins às 23:35 horas. Valor em milhas: 24.800 milhas, mais R$ 160,00 de taxa de embarque, pagos com cartão de crédito.
Parecia resolvido.
Eis que, em 24/12/2021, resolvi checar se tudo estava correto com os voos, tanto de ida, quanto de volta. A volta, com Aerolíneas Argentinas estava ok e deu até para marcar os assentos. No entanto, o voo da ida, com a Gol, tinha sido cancelado, com opções horríveis de voos para escolher. A melhor delas nós demoraríamos quase 48 horas para chegar em Buenos Aires. Nunca recebemos e-mail informando de tal cancelamento.
Fiquei de cabeça quente, levantei, dei uma volta pela casa, retornei para o computador, decidindo comprar um novo bilhete de ida, e pedir o reembolso de toda a passagem emitida pela Gol. Novamente site da Decolar, novamente o voo mais barato (estava um valor absurdo!!), novamente Aerolíneas Argentinas. Preferimos comprar o trecho completo Confins-Aeroparque, com conexão em Guarulhos.
Assim ficou nosso novo voo de ida:
Dia 02/01/2022 (domingo) - saindo de Confins às 13:05 horas, voo Azul AD 4236, chegando em Guarulhos às 14:20 horas, onde ficaríamos por quatro horas e quarenta minutos. O novo voo sairia de Guarulhos às 19:00 horas, voo Aerolíneas Argentinas 1243, chegando em Aeroparque às 21:55 horas.
Por essa nova passagem, pagamos R$ 5.197,00, incluindo taxas de embarque, pagos no cartão de crédito. Valor dividido em onze parcelas.
No mesmo dia 24/12/2021, tentei, incialmente, fazer o pedido de reembolso pelo site, mas a página não rodava. Então, tentei entrar em contato com a Smiles por telefone por diversas vezes. Uma delas, deixei o celular no viva voz por uns cinquenta minutos, quando, enfim, fui atendido. Assim que o atendente disse alô, a ligação ficou muda e caiu. Desisti deste canal e fui para o chat da Smiles na internet. Também houve uma longa espera para ser atendido. Depois de uns quarenta minutos esperando, pois o sistema da Smiles estava dando problemas (sempre usam esta desculpa), a atendente me informou que estava com dificuldades para cancelar a reserva, perguntando se eu aceitava um cancelamento manual. Desta forma, o retorno das milhas não ocorreria no mesmo instante, mas demoraria até 72 horas para aparecer no meu extrato. Aceitei. Em seguida, ela me passou o número do protocolo, dizendo que o cancelamento estava feito e que o reembolso das taxas de embarque seria analisado por uma área específica da Smiles.
Em 48 horas, foram creditadas 247.400 milhas.
Somente em 18/01/2022, ou seja, depois que já tinha retornado da Argentina, as 45.600 milhas que usei para pagar parte da taxa de embarque foram creditadas de volta em minha conta Smiles. Neste dia, recebi um e-mail informando que o valor de R$ 358,00 da taxa de embarque seria estornado no cartão de crédito que usei para pagá-lo em até duas faturas seguintes.
Hoje, 02/02/2022, ainda não foi estornado tal valor na fatura de meu cartão de crédito. Aguardarei a fatura de março fechar.
Final da história: pagamos o absurdo de R$ 8.583,28 pelas passagens ida e volta de Belo Horizonte para Buenos Aires. Valor muito superior ao que gastamos em nossa última viagem internacional, para a Europa.

A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS (LUNANA: A YAK IN THE CLASSROOM)

A Felicidade das Pequenas Coisas (Lunana: A Yak in The Classroom), 2019, 110 minutos.

Filme produzido pelo Butão, escrito e dirigido por Pawo Choyning Dorji. Embora seja de 2019, foi o indicado pelo Butão para concorrer ao Oscar 2022 de melhor filme internacional. Ele figura na lista reduzida com 15 semifinalistas para o citado Oscar.

Tem fotografia deslumbrante, se passa em uma aldeia rural em local bem isolado do país, no qual se chega após seis dias de caminhada subindo as montanhas, a partir da última cidade em que é possível chegar por transporte.

Um professor, não satisfeito com sua profissão, almeja se mudar para a Austrália, onde quer seguir a vida como cantor. No entanto, ele é transferido para Lunana, para lecionar, durante a primavera, para a escola mais distante do Butão. Ele vai contrariado, seguindo com a ideia de ir para Austrália assim que terminar essa tarefa. Os conflitos entre ele e os habitantes da aldeia já começam no início da caminhada para Lunana, e assim será por um bom tempo. Contraste entre as facilidades de um mundo moderno, no caso representado por uma bota com sistema Gore-TEx, um iPod e um fone de ouvido, que usa o professor, com a vida na aldeia, representada pelas vestimentas tradicionais, pela falta de calçados de alguns aldeões, e por uma energia solar que nem sempre funciona, o que dificultará par o professor carregar seus gadgets. Os aldeões vivem da agricultura e da pecuária (iaques criados soltos nas encostas das montanhas). Na sala de aula, ele vai enfrentar novas dificuldades com a falta de estrutura mínima: falta quadro negro, falta caderno ou mesmo papel para as crianças, o isolamento destas crianças fazendo com que não conheçam um simples carro.

Até para ascender o fogo de seu fogão a lenha, ele terá que se adaptar, utilizando estrume seco de iaque. O professor ganha um iaque, que é colocado na sala de aula, onde ele se alimenta e o provê com suas fezes.

Como o título brasileiro sugere, ele vai se afeiçoando com a vida na aldeia, com a convivência com as crianças e com uma jovem cantora, constatando que a felicidade pode estar nas pequenas e simples coisas da vida.

O filme traz uma bela mensagem da necessidade de se respeitar e preservar as tradições dos povos, preservando, desta forma, a cultura, além de mostrar que a natureza é bela, que não precisamos de muito para sermos felizes.

Eu não teria o desprendimento necessário para vivenciar uma experiência como a do professor.

Vi, em 01/02/2022, em link que acessei vi perfil que sigo no Twitter.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

ENTRE FRESTAS (HIACYNT)

Entre Frestas (Hiacynt), 2021, 112 minutos.

Filme polonês dirigido por Piotr Domalewski, tendo como protagonistas Tomasz Zietek (Robert) e Hubert Mikowski (Arek).

A trama se passa em 1985, em Varsóvia, Polônia, na época do comunismo no país, quando houve uma caça aos homossexuais por parte da polícia, fichando-os, achacando-os, e utilizando de muita violência contra eles. Esta operação existiu realmente e se chamou Jacinto (Hiacynt do título original), como eram chamados, jocosamente, os homossexuais naquela época na Polônia.

Robert é um policial em ascensão na polícia, tendo como chefe direto o seu pai. Não satisfeito com o encerramento de um inquérito sobre o homicídio de um gay rico, feito de forma fora dos padrões éticos, morais e jurídicos, Robert resolve investigar por conta própria e acaba descobrindo uma conexão entre cafetões, michês e políticos, resultando em uma série de assassinatos e suicídios. Nesta investigação, ele conhece Arek, que se torna seu informante e chave para desvendar a identidade do assassino. Ainda há um plot twist interessante em relação à Robert.

O roteiro não aprofunda na questão da prostituição masculina, com poderosos envolvidos, focando mais em Robert e suas relações com sua família, com colegas de trabalho, incluindo seu pai-chefe, sua namorada, também policial, consigo mesmo e com a rede de prostituição que ele descobriu. À medida em que o filme vai passando, Robert começa a se voltar mais para si, fazendo, internamente, diversos questionamentos.

Gostei do filme.

Vi, em 31/01/2022, na Netflix.