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domingo, 5 de outubro de 2014

BRAVO! - LITERATURA E FUTEBOL

Gosto muito de ler contos, prosas e histórias curtas. Há muito uma coletânea da Bravo! chamada Literatura & Futebol estava em minha estante. Em uma sentada, enquanto aguardava um voo no Aeroporto de Brasília, li as dezoito histórias desta coletânea, que tem João Gabriel de Lima como organizador. São textos de autores consagrados da literatura brasileira, sendo dezessete homens e uma única mulher, Clarice Lispector, que comparece com uma crônica publicada no Jornal do Brasil em resposta a Armando Nogueira. Como qualquer coletânea, há altos e baixos, mas no geral, os textos são gostosos de se ler. Todos eles destacam o futebol de alguma maneira, seja diretamente, com histórias de técnicos e jogadores, quanto indiretamente, com o futebol sendo apenas o mote para encontros e desencontros. Destaco os três que mais gostei: Gaetaninho, de Antônio de Alcântara Machado, que não tem piedade para com seu personagem; Na Boca do Túnel, escrito por Sérgio Sant'Anna, um interessante relato de um jogo de futebol entre um time grande e um pequeno sob a perspectiva do técnico na beira do gramado; e O Dia em que o Brasil perdeu a Copa, de Paulo Perdigão, no qual o autor viaja no tempo e assume a responsabilidade pelo Brasil ter perdido a final da Copa de 1950 em pleno Maracanã.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

LA FEMME QUI TUA LES POISSONS (A MULHER QUE MATOU OS PEIXES)

E segue o Cena Contemporânea. Quarta-feira, dia 28 de agosto, fui com Carol, Arnóbio, Kitty, Cris, Hélida G., Karina, Diana e Fabiola conferir o espetáculo programado para 21 horas na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Compramos os ingressos com antecedência, pagando R$ 10,00 cada um. Teatro completamente lotado para assistir Emmanuelle Lafon e Vladimir Kudryavtsev no espetáculo La Femme Qui Tua Les Poissons (A Mulher Que Matou Os Peixes), texto da sempre ótima Clarice Lispector. Direção e adaptação de Bruno Bayen. São 80 minutos de duração. Texto falado 95% em francês, com legendas em português. O controlador das legendas pregava uma peça, de vez em quando, na plateia, acelerando ou retardando a sincronia da fala, muitas vezes em ritmo alucinado, da atriz com as frases em português. Entendi quase tudo do que ela falava, o que me permitiu somente recorrer às legendas vez ou outra. Texto magnífico, que mescla trechos da obra de Lispector, mostrando o quão frágil é o ser humano. Um simples esquecimento leva à morte os peixes vermelhos de seu filho, desencadeando na mulher uma profunda reflexão sobre as suas atitudes cotidianas e sua relação com o mudo ao seu redor. A performance de Emmanuelle Lafon é sensacional. Ela ocupa todos os espaços do palco, como uma gigante na arte de interpretar. A atriz mostrou insatisfação apenas com a fisionomia, ou mesmo aumentado a voz, sem deixar o texto de lado, quando um telefone celular ecoou no teatro. Algumas palavras em português, como saudade (de difícil tradução) e coitadinho, foram mantidas no texto em francês interpretado por Lafon. O ator pouca participação tem na peça, sendo quase que mais um item do cenário primoroso de Renata S. Bueno, que também assina o figurino. Uma parte do texto dita em forma de declamação não possui legendas, pois o momento é muito lírico e é preciso não desviar a atenção da atriz. Assim, a solução foi colocar alguém declamando o mesmo texto em português, imediatamente após cada frase dita por Lafon. Para quem entende francês, logo se percebeu que a tradução não correspondia ao que a atriz dizia. Para piorar, ao final, ficou nítido que quem lia trocou a ordem dos papeis, pois a fala da atriz inicial foi traduzida enquanto ela declamava a parte final do seu texto. Um erro horroroso, que fez o público que entende francês rir em uma situação delicada e singela. Mas isto não prejudicou o todo. Ainda bem. Palmas entusiasmadas ao final, com um emocionado diretor em cena agradecendo ao Brasil por ter proporcionado a ele e ao mundo a excelente escritora Clarice Lispector. Gostei muito.

artes cênicas

domingo, 7 de março de 2010

CLARICE LISPECTOR - A HORA DA ESTRELA

Aproveitei que fui ao CCBB (SCES, Trecho 2, Conjunto 22) para comprar entrada para assistir a uma peça no dia 13 de março para ver, enfim, a exposição sobre Clarice Lispector. Fiquei duas horas na Galeria 2 onde está Clarice Lispector - A Hora da Estrela. Foi um final de manhã muito interessante, conhecendo um pouco mais desta escritora de quem gosto muito. A montagem da exposição, já vista em São Paulo, no Museu da Língua Portuguesa, é um convite à leitura da obra desta magnífica escritora. Com curadoria de Júlia Peregrino e Ferreira Gullar e cenografia criada por Daniela Thomas, a visita ao espaço expositivo é um deleite para os olhos. Frases da escritora sobre a vida e a arte de escrever já enfeitam as paredes negras da primeira parte da exposição, onde também há quatro grandes fotos de Clarice. No segundo ambiente, com paredes brancas e mais frases retiradas de seus livros, há um colchão velho e partido no meio do quarto. Passa-se para o terceiro ambiente, com mais frases em paredes negras, com efeitos de luz que descortinam um pequeno ambiente com paredes de vidro no meio da sala, onde há uma espécie de mapa de todas as cidades onde Clarice esteve ao longo de sua vida. Mas é no próximo ambiente que mais me detive, quatro paredes com gaveteiros de madeira do chão ao teto, com algumas cadeiras e bancos servindo de apoio quando da leitura das gavetas mais baixas. Ao todo, cinquenta e quatro gavetas, marcadas com uma chave e respectivo número, se abrem e nos permitem entrar em contato com fotografias, livros publicados no Brasil e no exterior, documentos pessoais (carteira de trabalho, passaporte, carteira de jornalista, carteira de motorista) e o melhor de tudo, textos, rascunhos, cartas escritas por Clarice e por seus amigos, tais como Érico Veríssimo, Maria Bonomi, Carlos Drumond de Andrade (há um lindo poema escrito para ela), Rubem Braga, Fernando Sabino, entre outros. Li absolutamente o conteúdo de todas as gavetas. Foi ótimo ter contato com estes documentos históricos. Ao final, no último ambiente da exposição, um sofá, uma máquina de escrever, cinco bancos e um vídeo passando a entrevista que a escritora concedeu à TV Cultura. Segundo informações do folder da mostra, é a única imagem em movimento de Clarice. O vídeo é curto, mas demonstra toda a sinceridade e clareza da escritora. Manhã de domingo magnífica na companhia de Clarice Lispector. Para quem se interessar, a exposição ainda fica em cartaz até o dia 14 de março no CCBB de Brasília.