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terça-feira, 7 de julho de 2015

MERCADO DA RIBEIRA - LISBOA

Eu e Gastón fizemos uma viagem para Lisboa, Portugal, em junho de 2015. Antes de viajar, amigos disseram-me para não deixar de visitar o Mercado da Ribeira. Coincidentemente, Gastón recebeu de seus amigos a mesma recomendação. Resolvemos conhecer o espaço na tarde de sábado.
O acesso ao local é fácil, tendo uma estação do metrô, Estação Cais do Sodré, praticamente em frente à entrada principal do mercado, que fica na Avenida 24 de Julho, 50.
O Mercado da Ribeira fica em um prédio cuja construção é do final do Século XIX, e que sofreu uma profunda modernização interna, com alterações, com as alas reformadas inauguradas em 2014.
O edifício já impressiona pelo lado de fora, com uma imponente entrada cujo piso tem um mosaico com o símbolo do mercado, um navio, em alusão ao Cais do Sodré e, creio eu, à época de ouro das grandes navegações portuguesas. Na ala central há lojinhas de artesanato da terrinha, além de produtos típicos da chamada economia solidária. À direita estão as bancas de frutas, legumes, verduras, pescados e alimentos em geral, ou seja, o que reconhecemos como um mercado tradicional. No entanto, como chegamos após 16 horas, esta ala já não estava mais com acesso ao público.
À esquerda, está a grande atração do local. Uma ala tomada por muitos restaurantes, com várias opções de sabores, especialmente os da culinária portuguesa. Não contei, mas não tenho dúvidas de afirmar, que tem pelo menos umas três dezenas de lojas. A maioria delas prontas para saciar fome e curiosidade dos frequentadores. Um prato cheio para gourmets e amantes da gastronomia. Gastón tem a gastronomia tatuada em sua alma e ficou encantado ao ver o local.
Ao centro da ala estão grandes mesas coletivas, todas de madeira em cor clara, nas quais grupos de amigos, famílias, crianças, casais enamorados, turistas e locais se confraternizavam degustando a boa culinária portuguesa. Além das iguarias locais, há opções de comida japonesa, chinesa, sanduíches, mas o forte é realmente a comida da terrinha. Também há lojas que vendem produtos portugueses, como queijos, embutidos, enlatados, sabonetes, chás, cadernos, imãs de geladeira, aventais, perfumes, e vinhos. Por falar em vinhos, há uma unidade da ótima Garrafeira Nacional, mas esta unidade só vende vinhos produzidos em Portugal.
Para os aficionados em alta gastronomia, há um espaço sensacional, a preços justos para pratos que revisitam os grandes pratos da culinária portuguesa. Foi nesta parte que paramos e ali escolhemos o que comer. São cinco lojas de renomados chefes do país de Camões, todos com restaurantes de prestígio: Alexandre Silva, do restaurante Bica do Sapato; Miguel Castro e Silva, do restaurante De Castro; Henrique Sá Pessoa, dos restaurantes Alma e Cais da Pedra; Marlene Vieira, do restaurante Avenue; e Miguel Laffan, do restaurante L'And, em Montemor-O-Novo.
Foi difícil escolher. São muitas tentações. Gastón viu um prato em uma mesa próxima deste espaço e, pela aparência, já o definiu como o que queria experimentar. Era uma das opções do chef Henrique Sá Pessoa. Sua escolha foi leitão confitado a baixa temperatura acompanhado por um purê de cenoura; enquanto eu escolhi do mesmo chef um prato que adoro, bochechas de porco preto acompanhadas por um purê de batatas encimado com couve lombarda levemente passada na frigideira. Para beber, nada além de Coca Cola. Os dois pratos estavam divinos, com uma leve superioridade das bochechas, iguaria da qual Gastón gostou muito. Aqui faço uma ressalva em relação ao prato escolhido por Gastón. Enquanto a carne de porco estava com ótimo tempero e cocção, o purê de cenoura careceu de sabor.


bochechas de porco preto

Em seguida, ainda passamos em uma sorveteria local para refrescar do calor que fazia no final da primavera portuguesa.
Antes de irmos embora, ainda paramos em uma loja que fica do lado de fora do mercado, onde provamos uma dose de um licor de ginja, um fruto parecido com a cereja, que faz muito sucesso em Lisboa, conhecido como ginjinha. A loja chama-se Ginja de Óbidos. Vale pela curiosidade.
A experiência gastronômica foi tão boa que voltamos no domingo, mais ou menos no mesmo horário, para almoçar no Mercado da Ribeira, que tem sua administração feita pela revista de turismo Time Out, edição portuguesa. E, mais uma vez, almoçamos no espaço do chef Henrique Sá Pessoa. Gastón não teve dúvidas em escolher desta vez o mesmo prato que eu tinha comido no dia anterior, bochechas de porco preto acompanhadas por um purê de batatas e couve lombarda, enquanto eu pedi ovo a 64º com purê de batatas trufado, aspargos verdes e presunto cru. Uma combinação sensacional. Cada vez gosto mais de pratos nos quais o ovo é a estrela.
Mercado da Ribeira, parada obrigatória para quem visita Lisboa.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

TRINDADE - GASTRONOMIA EM SÃO PAULO (SP)



Endereço: Rua Amauri, 328, Itaim-Bibi, São Paulo, SP.

Especialidade: culinária portuguesa, com cozinha comandada pela chef portuguesa Ilda Vinagre.

Ambiente: fica na movimentada Rua Amauri, um dos pólos gastronômicos de São Paulo. Madeira clara e vigas de ferro fazem parte da decoração interna, tornando o restaurante menos formal do que seu "irmão mais velho", o ótimo a bela Sintra. Chama a atenção o enorme painel de lona de caminhão localizado acima do sofá roxo que está ao longo da parede à direita de quem entra. No painel está pintado a Ribeira, tradicional bairro de Lisboa. O garçom me disse que o painel é de autoria do artista plástico Eduardo Kobra. Ao fundo, na parte superior, está a adega da casa, e no meio do salão, à direita, fica um vaso com uma árvore, conferindo um toque natural ao restaurante. Na parte superior do Trindade estão os banheiros e uma sala para refeições mais reservados. Painéis de azulejos azuis e brancos também decoram a casa. O bar é outro destaque, com a barra iluminada em tom lilás e uma imagem de Nossa Senhora de Fátima ao centro de uma fileira de garrafas de vodca.





Serviço: muito bom, eficiente, com garçons dominando o cardápio e sabendo sugerir e explicar as dúvidas dos presentes. Os pedidos não demoraram a chegar.

Quando fui: jantar do dia 05 de maio de 2012, sábado, quando chegamos perto de 23:30 horas. Éramos cinco pessoas.

O que bebi: seguindo minha dieta, bebi apenas um copo de limonada suíça.

O que comi: aceitamos o couvert oferecido pela casa, seguindo para o prato principal:

Couvert: cesto de pães caseiros, salada de feijão fradinho com lascas de bacalhau, patês de atum e de peito de peru, manteiga, bolinho de bacalhau e croquete de carne. A salada de feijão fradinho foi reposta três vezes de tão bom que estava. Não comi os quitutes fritos.



Prato principal: polvo a lagareiro. Ele vem acompanhado com uma batata ao murro, azeitonas pretas e brócolis cozidos. A carne do polvo estava muito macia, mas com consistência. O tempero, com bastante azeite, é um diferencial. Gostei muito.



Quanto paguei: R$ 135,00, valor individual.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * * *. Ótimo serviço, ótima comida, em ambiente de clima descontraído, com uma seleção de músicas internacionais que fizeram sucesso na década de oitenta.

Gastronomia São Paulo (SP)

terça-feira, 24 de abril de 2012

GASTRONOMIA EM LISBOA (PORTUGAL) - PASTÉIS DE BELÉM



Endereço: Rua de Belém, 84 a 92, Belém , Lisboa, Portugal.

Especialidade: é uma confeitaria famosa por seus pastéis de nata. No caso, os pastéis ganham a denominação mundialmente famosa: Pastéis de Belém, pois foi ali, a partir de 1837, que esta iguaria portuguesa começou a ser fabricada e vendida. Embora a fama do local é devida ao seu pastel de natas, há outras opções de confeitaria vendidas na casa, tais como bolos, biscoitos sortidos, doce de tomate, geleia de abóbora, marmelada de belém, entre outros.

Ambiente: fica em uma casa grande, onde também funciona a fábrica de doces. Do lado de fora, os toldos azuis se destacam, além das duas filas que se formam em frente ao balcão. Logo na entrada está o balcão com três atendentes apenas para retirar o pedido de quem vai comer em pé ou levar as iguarias para saboreá-las em outro local. Expostos na vitrine que circunda o balcão estão os famosos pastéis de belém e outros doces menos cotados. Atrás do mesmo balcão, um movimento frenético de funcionários embalando os pastéis de nata que saem a todo instante dos fornos da fábrica. Mais para o fundo, existem seis salões, com mesas lotadas de turistas que chegam até lá para experimentar o doce descrito em todos os idiomas nas centenas de guias de turismo publicados ao redor do mundo. A decoração preserva a tradição portuguesa com azulejaria azul e branco cobrindo a metade de baixo das paredes com fontes (sem funcionar) em formato de peixe estrategicamente colocadas nos diversos ambientes. Um dos azulejos fixados na parte superior da parede do salão por trás do balcão indica a data em que os pastéis começaram a ser fabricados ali: 1837.







Serviço: enfrentamos a fila apenas para comer um pastel de belém, motivo pelo qual não fomos disputar mesas. Embora grande, a fila anda rapidamente. As atendentes do balcão funcionam no automático, repetindo milhares de vezes as mesmas frases por dia. Os homens que atendem por trás do balcão são brutos, pouco simpáticos, mas dou um desconto, pois os turistas amontoam e se acotovelam para logo serem atendidos, criando um pequeno caos no primeiro ambiente do local.

Quando fui: fazer um lanche no final da manhã do dia 15 de abril de 2012, domingo. Éramos sete pessoas.

O que bebi: uma lata de Coca Cola Zero.

O que comi: um pastel de nata, ou melhor, um Pastel de Belém.




Quanto paguei: € 6.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * * * 1/2. Não foi a primeira vez que lá estive e, com certeza, não será a última. O pastel de natas é divino.

Gastronomia Lisboa (Portugal)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

GASTRONOMIA EM LISBOA (PORTUGAL) - LA BRASSERIE DE L'ENTRECÔTE


Endereço: Rua do Alecrim, 117-121, Chiado, Lisboa, Portugal.

Especialidade: serve apenas o entrecôte, com uma opção para quem é vegetariano.

Ambiente: fica em um prédio antigo no centro histórico de Lisboa. Uma porta de vidro, com a logo da casa em verde, separa a rua dos três ambientes internos, onde a madeira dá o tom na decoração, que é antiga, especialmente nas estantes, armários, mesas e no revestimento do bar. A casa tem o desenho de um L, sendo as mesas dispostas ao longo do corredor maior. Este corredor tem níveis diferenciados, com uma escada no meio dele. No corredor menor fica o bar, todo em madeira, as mesas mais concorridas e os banheiros. Ficamos na primeira mesa da entrada.




Serviço: ruim. Os garçons são mal humorados, como se estivessem fazendo um favor em nos atender. Demoraram a trazer o cardápio e em explicar o sistema do restaurante. A comida não demora. Após sermos servidos, um garçom ficou responsável em ficar repondo as batatas fritas na mesa, o que fez em tempo certo.

Quando fui: almoço do dia 15 de abril de 2012, domingo. Éramos sete.

O que bebi: pedimos uma garrafa do vinho tinto José de Sousa 2010, um vinho regional do Alentejo produzido por José Maria da Fonseca a partir das castas grand noir (42%), trincadeira (36%) e aragonez (22%). Harmonizou muito bem com o prato principal, o entrecôte à moda de Paris. Acompanhou o vinho uma garrafa da água mineral com gás Pedras, muito boa, por sinal. Finalizei o almoço com uma xícara de café Delta.

O que comi: logo que sentamos, colocaram à mesa cesto com pães, três tipos de patê (atum, azeitona preta e queijo) e manteiga. Não há o que escolher. A casa trabalha com prato único (com uma opção para quem é vegetariano). No caso, com o corte bovino entrecôte, o nosso contra-filé. Acompanha a carne salada e batatas fritas. No caso da salada, escolhemos entre duas opções: com ou sem atum. Escolhi a salada mais simples, com alface, rúcula, nozes moídas e vinagrete. Para a carne, o garçom sai anotando o ponto que cada um quer. Pedi "ao ponto". Diferente do Café de Paris, que inspirou o restaurante em que estávamos, o molho da carne não é uma manteiga de ervas colocada sobre a carne que derrete com o calor do prato. O entrecôte vem envolto em um espesso molho verde, chamado molho brasserie, onde o orégano se sobressaía. Este molho também é feito à base de manteiga. A salada estava muito boa. A função das nozes moídas era para suavizar o sabor ácido do vinagrete. A carne vem partida em tirinhas, no formato de um bife. Estava macia, mas o molho dominava o prato, mascarando o sabor da carne. Já comi pratos semelhantes bem melhores.



salada de alface, rúcula, nozes moídas e vinagrete


entrecôte ao molho brasserie


Quanto paguei: € 34, valor individual.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * . Serviço displicente e comida apenas razoável. Em Lisboa é melhor procurar um restaurante de culinária portuguesa.

Gastronomia Lisboa (Portugal)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

UM VOO DIFERENTE ENTRE LISBOA (PORTUGAL) E CIDADE DA PRAIA (CABO VERDE)

Um comunicado no sistema de som no terminal de embarque do Aeroporto de Lisboa informa que o voo da Transportes Aéreos de Cabo Verde, previsto para decolar às 19 horas, sofreria um atraso de 50 minutos. Eu estava exausto, pois saíra de Brasília no início da noite de sábado, fazendo uma conexão em Salvador (BA), chegando no final da manhã de domingo em Lisboa, Portugal. Assim que toda a delegação brasileira que participaria de evento na Cidade da Praia, capital de Cabo Verde se reuniu, pois foram itinerários diferentes até a capital portuguesa, deixamos as bagagens de mão no guarda-volumes, e fomos dar um giro pela cidade, visitando rapidamente o Mosteiro dos Jerônimos, o Padrão dos Descobrimentos, comemos o famoso pastel de belém na histórica pastelaria que o criou, seguindo para o bairro do Chiado, onde almoçamos, retornando ao aeroporto. Estávamos no check in da cia aérea por volta de 17:45 h. O atendimento foi informal, com muita simpatia. As bagagens de porão só veríamos no nosso destino final. Com sono, vontade de tomar um bom banho e cansado, não gostei do anúncio do atraso, mas não havia outra forma, tinha que esperar sentado em frente ao portão 41. Passada mais de uma hora, começaram a chamar para o embarque, iniciando pelas prioridades. Pediram para ninguém fazer fila, mas o povo insistia em se perfilar, com malas, sacolas, carrinhos de bebê, pacotes, bolsas enormes e afins. Nossos assentos eram situados na parte traseira da aeronave, motivo pelo qual fomos um dos primeiros a embarcar. O bagageiro já estava parcialmente cheio com objetos da tripulação e do avião. De qualquer forma, todos nós conseguimos acomodar nossas malas de mão. Os passageiros iam entrando e ficava cada vez mais problemático colocar as malas no compartimento superior da aeronave. Meu assento era no corredor. Na janela estava uma senhora com uma criança de um ano e meio no colo. Ela falava ao celular e o menino arrancava todos os protetores de cabeça dos assentos da frente. Assim que terminou a ligação, a senhora passou o celular para uma mulher da fileira de trás, que também fez uma chamada. Mais duas mulheres usaram o mesmo telefone. Fiquei a pensar se aquele celular seria comunitário. Um dos últimos passageiros a entrar foi um senhor que carregava uma sacola verde limão. Seu assento era na janela de uma fileira onde estavam duas colegas de delegação. Não havia lugar no bagageiro para sua sacola. Ele ficou a caminhar pelo corredor, abrindo e fechando os bagageiros, sem sucesso. Ele largou a sacola no meio do corredor e resolveu se sentar. Depois de se acomodar, acho que mudou de ideia, pedindo licença às colegas. A sacola continuava no mesmo lugar. Ele a pegou, retornou ao seu lugar, tentando acomodá-la debaixo do assento a sua frente. Era muito larga para caber. Então, ele abriu a sacola. Era uma impressora grande, com uma resma de papel ofício e muitos livros. Retirou tudo, colocando, enfim, a impressora debaixo do assento. Obviamente que ficou muito desconfortável para ele. Quando pensei que todos já estavam acomodados, uma senhora resolve levantar da saída de emergência, saindo a procurar um local para sua enorme bolsa. Vendo que não havia lugar, deixou-a no corredor, indo para o fundo do avião bater papo. As comissárias já se posicionavam para demonstrar as questões de segurança, e a tal senhora ainda de pé. Uma das comissárias larga tudo, pega a bolsa e vai atrás da passageira. O avião já taxeava. A senhora retorna e assenta. A demonstração volta a ocorrer. A senhora resolve se levantar para trocar de lugar com alguém da fileira de trás. Ela fica na frente da comissária, atrapalhando tudo. A outra aeromoça pede que a senhora se acomode, pois estava atrapalhando a decolagem. Todos assentados, o avião decolou com uma hora e meia de atraso. Logo que se pode sair dos assentos, um trança-trança se estabeleceu no voo. O capitão resolve falar, com discurso bem informal. Pelo falar, identifiquei que era brasileiro. Enquanto isto, o menino ao meu lado aprontava e sua mãe fingia que nada via. De repente, como se estivesse com uma grande necessidade, ela quase passou por cima de mim, saindo com o menino em direção ao banheiro à frente da aeronave. Demorou um tempo razoável. Quando voltou, tive a impressão que ela cheirava a cigarro. Era fato! Uma comissária uou o sistema de som pra avisar que era terminantemente proibido fumar dentro do avião, inclusive nos banheiros. Olhei para a mulher. Ela fez cara de paisagem. O serviço de bordo começou com muita simpatia. O comandante voltou a falar. Desta vez para informar que uma das aeromoças estava fazendo aniversário, pedindo aos passageiros para cantar parabéns. Todos bateram palmas, cantando a plenos pulmões, enquanto um comissário registrava o momento em fotos. Achei hilário. O serviço continuou. Fiquei surpreso, pois ofereceram jantar em um voo de quatro horas, muito diferente do que ocorre no Brasil atualmente. O cesto de pães caiu no chão e teve gente que pegou alguns para comer. O menino ao meu lado fazia uma verdadeira instalação de arte com a comida, jogando coisas no chão, lambuzando o assento em sua frente. Sua mãe continuava fazendo cara de paisagem. O voo foi muito tranquilo, com poucas turbulências. Decorridos três horas de viagem, o garoto dormiu. A mãe não teve dúvidas. Pegou, sem pedir licença, o meu travesseiro particular para acomodar a cabeça do menino. Olhei para ela, recebendo apenas uma afirmativa: é para ficar mais confirtável para o menino. Deixei! Em seguida, ela se levantou, quase me atropelando de novo, dizendo que estava aflita. Perguntei se fumaria de novo? Ela me lançou um olhar ameaçador. Chamei a comissária e pedi para ficar de olho. No entanto, houve um momento de turbulência e todos tiveram que voltar aos seus assentos. Ela pediu para eu me sentar na janela para facilitar a sua saída. Recusei, alegando que não apreciava viajar na janela. Ela passou por cima de mim. Não voltaram a apagar o sinal de apertem os cintos, pois começamos a descer. Para o anúncio da descida, as comissárias convidaram uma das muitas crianças a bordo. Assim que começamos os procedimentos de aterrizagem, a comissária voltou a falar, mas não concluiu sua informação, pois teve uma crise de risos, levando os passageiros às gargalhadas. O voo chegou com atraso. O desembarque foi rápido, mas a espera das malas foi longa, acrescido o fato de todos nós estarmos apreensivos se elas chegariam. A minha chegou toda amassada. Uma Rimowa! Fui procurar alguém da cia para fazer a reclamação, custando a achar. Sempre remetiam a um colega que nunca aparecia. Enfim, uma mulher resolveu anotar minha reclamação em um pedaço de papel. Não era um formulário. Perguntei sobre minha cópia, recebendo a resposta de que deveria voltar na manhã seguinte ao aerporto para pegá-la. Tinha que levar cópia do passaporte, cópia do bilhete aéreo, cópia da fatura da mala (!) e a própria mala avariada. Ali constatei que minha reclamação seria inútil. Desisti, mas peguei nome e telefone de quem procurar no dia seguinte. Para piorar, a mala de uma colega foi arrombada, sendo furtado o seu notebook. Outra demora insana para fazer uma reclamação. Conseguimos deixar o aeroporto no início da madrugada. Um carro nos esperava. No hotel, foi entrar no quarto, tomar um banho, e dormir. Antes, porém, desfiz a mala e consegui desamassá-la totalmente. Afinal, é uma Rimowa!

turismo


domingo, 20 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 23 - DOMINGO - 20/03/2011 - ÚLTIMO DIA NA EUROPA

Domingo lindo em Lisboa. Café da manhã fantástico do Sofitel Lisboa. Resolvemos pegar um metrô, a linha vermelha, também chamada Oriente, para ir até ao Shopping Vasco da Gama. Diferente de Milão, Bruxelas e Paris, o metrô da capital portuguesa é muito limpo, com amplas estações, todas elas bem iluminadas. O shopping estava lotado. Havia muita gente que participou da 21ª Meia Maratona de Lisboa na manhã deste domingo e estava a passear pelo centro de compras. Tive a impressão de que o Vasco da Gama foi ampliado desde a última vez que lá estive. Antes não tinha loja da Fnac e agora tem, onde acabei comprando três dvds. Paramos em uma loja de velas, atraídos pela vitrine. Acabamos comprando algumas peças. Para tirar a má impressão do jantar da noite de sábado, fomos almoçar no restaurante de comida típica portuguesa Serra da Estrela, localizado no segundo piso do shopping. Preferimos ficar em uma mesa interna. Serviço eficiente. Mal sentamos e nossa mesa estava cheia de acepipes portugueses, como queijo Estrela, presunto serrano, pães feitos na casa, entre outras delícias. Ric pediu um bacalhau de natas, enquanto eu fiquei com um arroz de pato. Os pratos vem quentes, muito bem servidos. Nem eu nem Ric conseguimos comer tudo. Não houve espaço para a sobremesa, embora a vitrine de doces portugueses estava tentadora, todos em tamanho GG. Voltamos para o hotel. Já se aproximava do meio da tarde e tínhamos que arrumar as malas, com a preocupação de nenhuma delas pesar mais do que 32 quilos, embora viajando em classe executiva, tenho o direito de despachar dois voulmes de até 32 quilos cada um, além de dois volumes de mão com o peso unitário de até 10 quilos. Deu tempo até para descansar um pouco. Tinha decidido deixar o hotel por volta de 19:30 horas. Assim, um bom banho às 19 horas foi necessário para deixar o corpo mais relaxado para a longa viagem até Brasília. O check out foi rapidíssimo. Pegamos um táxi para o aeroporto, cuja corrida deu 10 euros. O check in da classe executiva da TAP é separado, em um local de fácil acesso. Estava vazio. Foi tão rápido que nem vimos o peso das malas. Em alguns aeroportos da Europa já há uma passagem pelo raio X destinado aos passageiros viajando em executiva. No aeroporto de Lisboa esta linha se chama Green Way. Enquanto havia fila do outro lado, passamos muito rápido pelo controle de segurança. À direita do raio X está o balcão da alfândega onde quem pegou a documentação para devolução dos impostos, o tax free, ao fazer as compras na Europa, deve carimbar os papeis para retirar o dinheiro do imposto em balcão da Global Blue, localizado próximo à alfândega. Havia uma pequena fila para os carimbos porque os funcionários tinham saído para tomar um café (parece familiar!). Mas quando a funcionária voltou, foi um furacão no atendimento, ficando sem fila em menos de dez minutos. Recebi de volta 92 euros da compra do meu iPhone 4 em Paris. Passamos, então no duty free, onde fizemos compras de perfumes e vinhos. Em seguida, nos dirigimos à nova sala vip da TAP, bem grande, com dois pisos, incluindo duchas. Serviço de buffet muito bom, com algumas das especialidades da culinária portuguesa. Estou em um dos vários computadores da sala, atualizando este blog enquanto aguardo o embarque. A decolagem está prevista para 23:30 horas, com chegada em Brasília às 06:10 horas da manhã de segunda-feira, meu último dia de férias, que será destinado ao descanso do corpo para voltar ao batente na terça-feira.

sábado, 19 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 22 - SÁBADO - 19/03/2011 - LISBOA

Acordamos cedo, mas não tivemos ânimo para tomar o café da manhã. Já descemos com malas prontos para o check out, que foi muito rápido. Pedimos um táxi para o trajeto hotel Sofitel Paris Arc de Triomphe - Orly Aeroporto, de onde partia nosso voo TAP para Lisboa, em classe executiva. Esperamos cinco minutos apenas para a chegada do táxi. O percurso foi feito em meia hora. Pagamos 36,30 euros já incluído o suplemento pelas duas malas. No aeroporto, tudo foi muito rápido. Chegamos com mais de duas horas de antecedência para a saída de nosso voo, prevista para 12:25 horas. Fizemos o check in, despachamos as bagagens, que foram etiquetadas com a tarja laranja de prioridade, recebemos um voucher para esperar na sala vip, que neste aeroporto de Paris é fora da área de embarque. A Vip Lounge da TAP fica no segundo andar do Hall 1 do aeroporto. Não tinha quase ninguém na ampla sala. Aproveitamos para acessar a internet, comer alguma coisa, ler revistas que ali estavam, até a hora de nos dirigirmos para o embarque, o que fizemos por volta de 11:40 horas. No raio X, fui barrado duas vezes: uma por causa dos líquidos que carregava na bolsa. Foi necessário retirá-los para mostrar ao controle. Depois de liberado, foi a vez da mochila ter problemas. Tive que retirar o celular, a máquina fotográfica e o notebook. Tudo certo. Fomos para o portão de embarque 10 N. Já se formava uma grande fila, mas ficamos sentados aguardando o chamado para o embarque, o que aconteceu às 12:15 horas. Pensei que haveria atraso na decolagem, mas, por incrível que pareça, em dez minutos, a TAP conseguiu colocar todos a bordo (entrada ordenada pela marcação do assento, sendo os primeiros aqueles que estavam mais ao fundo da aeronave), e decolar. As poltronas da classe executiva não se diferem em conforto com as da classe econômica, nem mesmo o grau de inclinação. O diferencial fica por conta do serviço de bordo, muito por, diga-se de passagem. Bebi um espumante português ótimo antes da refeição. O almoço foi um dos melhores que já tive à bordo de um avião. Realmente com sabor. O voo transcorreu sem nenhuma turbulência. Ao aproximarmos de Lisboa, o avião fez um sobrevoo pela foz do Rio Tejo. Como o tempo estava lindo, sem nenhuma nuvem no céu, a vista foi magnífica, especialmente quando pude ver a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e o Padrão do Descobrimento. Chegamos adiantados em relação ao horário previsto, com desembarque remoto, pegando ônibus. No setor de entrega de bagagens, o painel indicava que as malas sairiam em 35 minutos. Achei estranho. Parecia ser um erro, o que se concretizou, pois em dez minutos as duas primeiras malas surgiram na esteira. Eram as nossas malas. Ao sair, nos dirigimos ao balcão de turismo, onde comprei um voucher para a corrida de táxi por 21 euros até o hotel Sofitel Liberdade (Avenida da Liberdade, 127). Fomos informados que a avenida onde está o hotel poderia estar com o trânsito impedido, uma vez que havia um manifestação por melhores condições de trabalho para a tarde deste sábado. Um simpático motorista nos conduziu até o carro. Como era antes de 15 horas, conseguimos chegar na porta do hotel, onde um mensageiro brasileiro nascido no Paraná nos recebeu entusiasticamente. O check in foi muito rápido. Ao entrar no quarto, um mimo especial nos aguardava como boas vindas. Um prato com pasteis de belém. Comi todos, pois Ric diz que não gosta de doces com muito ovo. O atendimento, o quarto, o mimo de boas vindas foram fatores que afastaram a má impressão que tive do Sofitel em Paris. Voltamos ao padrão que tivemos em Roma. Nosso quarto tem janela para a frente do hotel, ou seja, para a elegante Avenida da Liberdade. Neste momento, estou a ver a passeata que desce a avenida.
Mais um tempo e estava no meio da manifestação. Tirei algumas fotos. Nosso destino era o metrô, cuja entrada em frente ao hotel estava fechada. Tivemos que subir um pouco a avenida para entrar na estação do metrô. Para comprar o bilhete de 24 horas (4,45 euros, sendo 0,50 euros pela emissão do cartão que é recarregável), utilizamos a bilheteria automática, pois não havia ninguém atendendo na bilheteria física. Fomos para a grande loja de departamentos El Corte Inglés, onde fizemos um lanche rápido para enganar a fome na Pans & Company, localizada na entrada do complexo de cinema do local. Com o estômago saciado, era hora de fazer as compras de final de viagem. Comprei um sapato preto muito leve da marca espanhola Camper, uma mala de mão Rimowa, artigo que vinha desejando há algum tempo,  um perfume Bang, lançamento masculino de Marc Jacobs e três vinhos top de Portugal. Na perfumaria, todas as vendedoras eram brasileiras. Voltamos para o hotel, onde deixamos as compras, saindo para dar uma volta nas imediações do hotel, aproveitando que estava uma noite agradável, sem o frio de Paris, com uma super lua cheia a iluminar o céu de Lisboa. Paramos para jantar em um restaurante de 2ª classe (assim mesmo estava escrito no menu do restaurante). Comida horrível. Ric pediu a especialidade da casa, um bacalhau à portuguesa que não conseguiu comer de tão salgado. Chamou o garçom, que nem discutiu quando ele disse que o peixe estava por demais salgado. Ele não quis comer mais nada. Comeu apenas as batatas e brócolis cozidos que acompanhavam meu prato, um cherne grelhado, com um forte cheiro de peixe (odeio peixe que tem cheiro de peixe depois de preparado). Pelo menos, os legumes cozidos estavam sem tempero, ajudando Ric a amenizar o sal que ficou em sua boca. Na hora de pagar a conta, fizeram questão de nos informar que a casa não estava cobrando o bacalhau. Tanto melhor. O local se chama Lota. Voltamos para o hotel a pé, já passando da meia-noite. O quarto estava todo desarrumado. Tentei colocar as coisas em uma mínima ordem, mas desisti, deixando para o domingo, quando as malas devem ficar arrumadas para o retorno à Brasília. Aproveitei a falta de sono para me atualizar com as notícias do Brasil. Também foi tempo para fazer compras de supermercado no Pão de Açúcar Delivery com a opção de entrega dos itens adquiridos na segunda-feira, 21 de março, entre 10 e 14 horas, quando já estaremos em casa. Nada como a modernidade e a tecnologia para nos auxiliar. Chegaremos sem a preocupação de ainda ter que ir ao supermercado. O melhor é que a nossa empregada doméstica volta de férias também na segunda-feira, ou seja, a vida voltará ao normal rapidamente.