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sábado, 16 de abril de 2022

SHOW: MEU COCO - CAETANO VELOSO


Caetano Veloso
estreou Meu Coco, sua nova turnê, em Belo Horizonte, no Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes, na sexta-feira, dia 01º de abril de 2022. Era sessão extra, pois os ingressos para o que seria a data da estreia, no sábado, tinham se esgotado. Assim que vi a postagem do show extra no Instagram, que tem acertado muito o algoritmo para mim, acessei o site da Eventim e garanti meu ingresso. Era dia 29/12/2021. Havia poucos lugares disponíveis, somente na plateia II, nas últimas fileiras. Gosto de sentar na poltrona da beirada. Consegui comprar na penúltima fileira, MM, na beirada. Paguei pelo ingresso R$ 429,00, valor de inteira.
Ultimamente tenho preferido ir de táxi para os eventos, mas desta vez, resolvi ir de carro. Sai mais cedo para encontrar um local fácil para estacionar. Sempre gosto de parar perto da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, pois é certo achar vaga e não tem, até hoje, flanelinhas tentando te extorquir. Estacionei exatamente em frente à igreja. Coloquei minha máscara PFF2 e caminhei duas quadras e meia até o Palácio das Artes. Eram 20:15 horas. O hall já estava repleto de gente, todos usando corretamente as máscaras, cobrindo nariz e boca por completo. Seis filas para entrar, o que deu celeridade na leitura dos ingressos.
Muita gente conversando e bebendo no foyer. Passei direto, entrando no teatro. Já sabia onde ficava meu assento. Assim que me acomodei, soou o primeiro sinal. O teatro ainda estava bem vazio, mas sabia que os ingressos para essa sessão também estavam esgotados, tendo sido aberta mais uma sessão extra para o domingo.
Faltavam 15 minutos para às 21:00 horas quando soou o segundo sinal. Ainda tinha muito lugar vazio. Às 21:00 horas começou a publicidade dos patrocinadores no telão, além de anúncios sobre segurança, covid 19 e ficha técnica do show. As luzes foram se apagando lentamente. Uma turba de gente desesperada começou a entrar. Fiquei a me perguntar porque deixar para entrar na última hora e ainda ficar procurando o lugar à meia luz, atrapalhando quem já estava assentado. O terceiro sinal tocou, as luzes se apagaram e um canhão de luz focou Caetano Veloso no centro do palco usando um terno branco. Plateia delirante com muitos celulares posicionados para gravar. Momento para stories nas redes sociais. Outra pergunta que me fiz foi porque tem pessoas que compram ingressos para filmar quase todo o show à distância, com pouca iluminação. Será que depois de gravado assistem?
Caetano emendou três músicas de seu novo álbum, Meu Coco. Cantou Avarandado, Meu Coco e Anjos Tronchos. Nesta última dançou de forma desconjuntada, me lembrando de Arnaldo Antunes no palco. Recheou o show com músicas clássicas de seu vasto repertório, muitas delas cantadas em coro pela plateia, como Baby, Menino do Rio e Cajuína.
Em vários momentos do show, os irritantes berros de "eu te amo!", "lindo", "casa comigo". Cada dia fico mais impaciente com esses gritos em shows.
A cozinha instrumental tinha uma forte verve de percussão, com Pretinho da Serrinha arrasando como sempre.
Vários gritos de fora bozo! foram ouvidos na plateia. Em um deles, Caetano sentado com seu violão nas mãos, como que aguardando o coro, a maioria dos presentes gritou a plenos pulmões o desejo de ficar livre desse bozo. Caetano respondeu ao coro com um sereno e firme "sem sombra de dúvidas". A plateia foi à loucura.
Fez várias pausas para contar histórias de seus quase oitenta anos de vida. Disse que não era um show autobiográfico, mas que havia canções autobiográficas, contou histórias sobre as bandas com as quais tocou e gravou, como A Outra Banda da Terra, Banda Nova e Banda Cê, sobre sua parceria com Jaques Morelembaum, sobre o R retroflexo, cantando toda a canção A outra banda da terra com o tal R retroflexo (aquele R puxado falado no interior de Minas Gerais e de São Paulo).
Fez uma bela homenagem ao artista visual Hélio Eichbauer, já falecido, que fez a concepção do cenário do show Meu Coco. Diga-se, de passagem, que o cenário é simples e envolvente: uma figura geométrica pendurada no centro do placo cuja forma é alterada dependendo da iluminação sobre ela em cada música.
Finalizou com Lua de São Jorge, quando a galera não se conteve, ficou de pé e começou a dançar. Obviamente que ele voltou para o já aguardado bis, quando cantou mais três músicas: Mansidão, Odara e Noite de Cristal. Ninguém ficou sentado.
Como estava bem próximo da saída do teatro, fui um dos primeiros a deixar o Palácio das Artes. Feliz por ter visto esse histórico show de Caetano Veloso. Voltei para casa ouvindo Meu Coco no carro.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

GILBERTO GIL - CONCERTO DE CORDAS E MÁQUINAS DE RITMO


Sabendo que estaria em Belo Horizonte, minha amiga Kitty me convidou para ver o novo show de Gilberto Gil, que esteve em cartaz no Grande Teatro do Palácio das Artes nas noites de 25 e 26 de maio. Fomos na noite de sexta-feira. Combinamos de nos encontrar às 20:15 horas no hall de entrada da casa de espetáculos. Uma chuva forte caiu justo na hora em que eu estava chegando ao local. Teatro lotado, com público majoritariamente maduro. Marcado para ter início às 21 horas, o show Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmos começou com quinze minutos de atraso. Mesmo com o terceiro sinal dado, ainda teve gente que tentava achar seu lugar com as luzes apagadas. A cortina se abriu, mostrando um palco já ocupado por Gil em um tablado de madeira ao centro, levemente elevado, e sua banda já posicionada, com os três músicos das cordas à esquerda e os dois "operadores" do ritmo à direita. Nada de cenário, apenas os músicos e seus instrumentos. Gil todo de branco. O show começa com a música Máquina de Ritmo, em um longo set. Concluída a interpretação, o cantor já apresentou os músicos, realçando a importância deles para o show: Bem Gil (guitarra), o francês Nicolas Krassik (violino), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Gustavo di Dalva (percussão) e um tecladista que não recordo o nome. A segunda música do show foi Eu Vim da Bahia. Em uma hora e quarenta e cinco minutos de espetáculo, Gil interpretou canções de Dorival Caymmi (Saudade da Bahia), Tom Jobim (Outra Vez), Caetano Veloso (Panis et Circenses), em belas interpretações, recebendo calorosos aplausos. Mas o melhor foram as releituras que Gil fez de sua enorme obra, cantando Viramundo, Expresso 2222, Andar com Fé, Domingo no Parque, Oriente, entre outras. Mostrou sua versatilidade cantando em português, espanhol, inglês e francês. Sua voz não alcança mais as notas que atingia no passado, mas continua excelente cantor. Afinal o tempo é inexorável para todos e ele completa 70 anos em junho em ótima forma. Apresentou um delicioso chorinho chamado Um Abraço, João que ele fez em referência a uma música que João Gilberto gravou. Ainda mostrou uma música inédita chamada Eu Descobri, que fala de autoconhecimento. Em um momento solo, com interpretação beirando a melancolia, mas ao mesmo tempo cheia de energia, ele interpretou Eu Não Tenho Medo da Morte. Ficou lindo. O público estava bem comportado, sem ficar gritando  pedidos de sucessos, fato que só ocorreu no bis, quando uns dois ou três pedidos foram ouvidos, entre eles Palco. Ele não atendeu nenhum deles, continuando no seu set list até o final. Quando voltou para o bis, teve que ajustar o modo de tocar o violão, pois sua unha tinha quebrado, mas logo se adaptou e terminou um belíssimo show. Pegando o título de um disco dele de que gosto muito, Gilberto Gil esteve luminoso no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes. O show será gravado no Rio de Janeiro para lançamento em CD e DVD.



música
show

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

SEM MIM - GRUPO CORPO

Antes de voltar a Brasília, fui com minha mãe ao novo espetáculo do Grupo Corpo no Grande Teatro do Palácio das Artes na noite de sexta-feira, dia 19/08/2011. Os ingressos foram comprados com quase um mês de antecedência ao preço de R$ 60,00 a inteira. Os espetáculos no Palácio das Artes agora tem horário de início às 20:30 horas, facilitando uma esticada para jantar após o término do que está em cartaz. Como bons mineiros que nunca perdem o trem, chegamos com uma boa antecedência, possibilitando-nos passar na lojinha que o Grupo Corpo sempre monta em seus shows, onde são vendidas camisetas, dvds e cds. Comprei o dvd de Lecuona, uma das coreografias de que mais gosto, além do cd da trilha sonora do mais novo espetáculo do grupo, Sem Mim. Aproveitamos também a folga no horário para comer um salgado na lanchonete montada no foyer do Grande Teatro. Saciada a fome, entramos. Nossos lugares estavam em posição privilegiada, na fila I, em assentos centralizados, com ótima visão de todo o palco. Como já é de praxe, a primeira parte foi uma reapresentação de uma antiga coreografia. A escolhida foi O Corpo, cuja estreia se deu em 2000. Eu a vi na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília. A trilha para esta coreografia de Rodrigo Pederneiras foi composta por Arnaldo Antunes especialmente para o grupo, com iluminação e cenografia de Paulo Pederneiras, além de figurino de autoria de Freusa Zechmeister e Fernando Velloso. A música tem batida eletrônica, além das famosas repetições de palavras e frases de Arnaldo Antunes, em contraponto à suave voz de Mônica Salmaso. O figurino é todo negro e o cenário é pontuado por luzes vermelhas que dançam ao ritmo das batidas eletrônicas. Chama a atenção a coreografia que lembra movimentos de animais, como aranhas e sapos. Outro fato que me prendeu a atenção foi o movimento da cabeça das bailarinas. Visivelmente a coreografia pede cabelos soltos, não interessando o seu cumprimento. Bonito balé de cabeça e cabelos. Confesso que vendo pela segunda vez esta coreografia, gostei mais dela do que da primeira vez, quando já tinha gostado, corroborando a opinião de Pek, meu amigo de BH, que me disse que ao ver O Corpo pela segunda vez, enfim, gostou da coreografia. Acho que ela cresceu com o decorrer de onze anos após sua estreia. Após pouco mais que quarenta minutos, encerrou-se a primeira parte do programa, sendo bastante aplaudido pelo público. O intervalo para a troca de cenário foi de trinta minutos. Era hora de começar a apresentação da mais nova coreografia deste premiado grupo mineiro de dança. Sem Mim é o nome dela. A trilha sonora é assinada por José Miguel Wisnik, que já havia colaborado antes com o grupo, e o gaitista espanhol Carlos Núnez, especialista em instrumentos medievais. Tal trilha foi feita sobre canções de outro espanhol, Martín Codax, um trovador medieval de Vigo. A coreografia coube a Rodrigo Pederneiras, iluminação e cenografia a Paulo Pederneiras, com figurino de Freusa Zechmeister. Ao apagar as luzes e abrir as cortinas, um impacto visual forte: uma espécie de rede de pescadores pendia do teto em um formato que me lembrou um grande croissant. Uma música lenta começou a ser executada para uma dança também lenta, onde a marca registrada do grupo não está presente, a ginga de quadril. Os bailarinos não se tocam nesta primeira parte, dançam em grupo, mas sem uma interação física. O figurino é show. Uma malha justa na cor da pele com grafismos que lembram tatuagens. Os grafismos da malha do elenco masculino lembram motivos tribais, enquanto o feminino é mais florido, com cores, embora discretas. A primeira parte da coreografia é monótona, o que fez muita gente se mexer várias vezes em seu assento, procurando uma melhor forma de ficar atento. As coisas mudam quando a tal rede, que de acordo com a música executada, vai alternando a forma, sempre acima da cabeça dos bailarinos, envolve apenas um casal que faz um lindo pas-de-deux (uma amiga me ligou para trocarmos figurinhas sobre o espetáculo e ela me disse uma coisa que resolvi colocar aqui: embora plasticamente bonita a cena, faltou química ao casal de bailarinos que executou a coreografia sob a rede). Findo este número, a coreografia cresce, os movimentos de quadril retornam, mesmo que em poses mais discretas, os bailarinos colocam uma saia por cima da malha e os toques, olhares e movimentos acrobáticos enchem nossos olhos. O público já não mais mexia nas cadeiras, sinal de que a atenção era total no que se passava no palco. No decorrer da execução das músicas, ouvimos as vozes de Milton Nascimento, Mônica Salmaso, Jussara Silveira, Rita Ribeiro, Ná Ozzetti, José Miguel Wisnik e Chico Buarque. Ao final, o grupo foi ovacionado de pé por mais de dez minutos. Sem Mim é um belo espetáculo, um pouco diferente do que estamos acostumados com o Grupo Corpo, talvez aí esteja a minha estranheza na primeira parte da coreografia. Gostei, mas gostei mais de rever O Corpo. Quem sabe revendo Sem Mim, vou gostar mais? Como a agenda do grupo colocou Brasília no roteiro, talvez verei novamente. Do Palácio das Artes, com toda a dificuldade de se pegar um táxi (algo comum em Belo Horizonte nos últimos meses), eu e minha mãe fomos comer uma pizza na Olegário Pizza e Forneria (Avenida Olegário Maciel, 1.748, Lourdes). Local cheio, com fila de espera, mesmo com o relógio apontando para 23:10 horas. Como éramos só nós dois, havia uma mesa disponível, em local não muito aconchegante, mas aceitamos ali sentar. Serviço simpático, mas demorado. A pizza é saborosa, mas não fica coberta enquanto comemos a fatia que está no prato, motivo pelo qual o que ainda está na forma esfria rapidamente, tendo em vista o ar condicionado ligado. Pela fama do lugar e pela quantidade de público frequentador, já deveriam levar a redonda à mesa com uma tampa para manter a pizza em temperatura agradável de se comer. Pedimos que a casa nos chamasse um táxi. Pedido atendido. Em quinze minutos já estávamos dentro do carro, voltando para casa, onde ainda fiz a mala para meu retorno a Brasília no sábado pela manhã, antes de dormir.


1911-2011 ARTE BRASILEIRA E DEPOIS, NA COLEÇÃO ITAÚ


Em cartaz desde o dia 05 de julho em Belo Horizonte, Minas Gerais, a exposição 1911-2011 Arte Brasileira e Depois, na Coleção Itaú. Tem a curadoria de Teixeira Coelho e entrada gratuita, ficando aberta à visitação até dia 25 de setembro de 2011. Ocupa quatro espaços na cidade, sendo três deles no Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro): Galeria Alberto da Veiga Guignard, no piso térreo, Galeria Genesco Murta e Galeria Arlinda Corrêa Lima, ambas no subsolo e conjugadas para esta mostra. O quarto local expositivo, onde estão as instalações e a vídeo-arte, é o Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (Avenida Afonso Pena, 737, Centro). Tive a oportunidade de visitar os três espaços do Palácio das Artes. Todas as obras expostas pertencem ao acervo do Banco Itaú, a chamada Coleção Itaú, que está sendo mostrada ao grande público por meio destas exposições com recortes no tempo. Recentemente vi a exposição Brasiliana Itaú, também com obras de arte do mesmo banco, em Brasília. Este panorama das artes brasileira nos últimos cem anos está muito bonito, fácil de ver e com bons textos explicativos em locais estrategicamente localizados. Talvez seja, hoje, a época de que mais aprecio obras brasileiras. Grandes nomes do cenário artístico brasileiro estão representados na Coleção Itaú. Nos espaços do Palácio das Artes predominam as pinturas, embora haja algumas esculturas, três delas expostas no hall de entrada do prédio, em posição difícil de apreciar por completo as obras, posto que estão muito próximas a paredes, pilastras e afins, não facilitando uma mirada de 360º na escultura. Entendo que esculturas devem ser apreciadas de todos os ângulos, pois cada posição nos permite um olhar diferenciado e uma melhor compreensão do que o artista está mostrando. De qualquer forma, esta questão da posição das três grandes esculturas, uma de Maria Martins, uma de Victor Brecheret e outra de Bruno Giorgi, não afetam a beleza da exposição. Gastei cerca de uma hora para ver tudo com calma, lendo os textos nas paredes e os que figuram ao lado de algumas pinturas. Fácil de percorrer, a exposição está dividida em módulos. Tais módulos são definidos por temas. A visita a exposição pode ser tanto módulo a módulo, dando uma melhor compreensão da arte brasileira em determinado período da história, quanto de modo isolado, sem obedecer a ordem cronológica das pinturas, gravuras, fotografias, esculturas e desenhos expostos. Pude apreciar obras de Lasar Segall, Nelson Leirner (um dos meus preferidos), Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Leonilson, Letícia Parente, Cícero Dias, Manabu Mabe, Tomie Otake, Cildo Meirelles, Beatriz Milhazes, Adriana Varejão (outra das minhas preferidas), Guignard, Hélio Oiticica, Alex Flemming, Amílcar de Castro, Djanira, Iberê Camargo, Arcangelo Ianelli, Tunga, Antônio Dias, Vasco Prado, Edgar de Souza, entre vários outros. Ao todo, nos quatro espaços expositivos, estão 178 obras de 139 artistas. Vale a pena gastar um tempinnho nesta bela exposição, que teve a concepção expográfica a cargo de Daniela Thomas e Felipe Tassara. Como fica aberta na hora do almoço, ótima oportunidade para quem trabalha no Centro de BH ou está passando por lá cumprindo agendas pessoais ou oficiais. Vou retornar a Belo Horizonte no início de setembro, quando visitarei o quarto espaço expositivo, onde está o módulo chamado Outras Mídias, Outros Modos. De BH, a exposição seguirá para o Paço Imperial, no Rio de Janeiro. As fotos abaixo foram tiradas sem flash usando um iPhone.




Entrada da exposição - Galeria Alberto da Veiga Guignard - Palácio das Artes - BH



Escultura de Maria Martins - "O Impossível", 1940 - Hall do Palácio das Artes - BH


Escultura de Victor Brecheret - Hall do Palácio das Artes - BH


Beatriz Milhazes - Galeria Arlinda Corrêa Lima - Palácio das Artes - BH


Adriana Varejão - Galeria Genesco Murta - Palácio das Artes - BH


Alex Flemming - Galeria Arlinda Corrêa Lima - Palácio das Artes - BH

Quando terminei de ver a exposição acima descrita, dei uma rápida passagem no Espaço Mari'Stella Tristão, também no subsolo do Palácio das Artes, para conferir a exposição da artista Marina Nazareth. O título da mostra já exprime tudo: Paisagem. São desenhos, pinturas, animação, desenhos e transparência retratando paisagens bucólicas com montanhas, céu e rios, lembrando bastante o mar de montanhas que existe em Minas Gerais. A curadoria é de Marconi Drumond. Abaixo, uma das obras expostas, foto de divulgação da exposição, baixada do sítio eletrônico do Palácio das Artes.



artes plásticas


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AUDITIONS

A noite de terça-feira foi especial. Eu e Ric recebemos convites para o evento bianual da mineradora de ouro Anglo Gold Ashanti, o Auditions 2010. A quinta edição deste concurso de novos designers de jóias em ouro ocorreu no Palácio das Artes, tanto no Grande Teatro, quanto no Foyer Principal. Traje exigido: passeio completo. Cenografia de Gringo Cardia, luz de Maneco Quinderé. Show de Céu, Dj Hell, Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais. O tema desta edição foi Sincronicidade, resgatando as antigas tradições para os dias atuais, o encontro do novo com o antigo, do moderno com o tradicional. Vinte e quatro finalistas de um total de mais de 1.800 inscritos. Na plateia, muita gente elegante e bonita. Celebridades davam o ar da graça: a Miss Brasil Natália Guimarães, as gêmeas do nado sincronizado Bianca e Beatriz, Reynaldo Gianecchini, Priscila Fantin, Paulo Zulu, Fernanda Takai, o reeleito Governador de Minas Gerais Antônio Augusto Anastasia, Fernanda Lima, que foi a apresentadora da noite juntamente com Rodrigo Hilbert, a Golden Girl da edição Luiza Brunet, Amaury Júnior. Também presentes diplomatas, diretores da empresa, empresários do ramo joalheiro. Foi uma bela festa, com a apresentação dos jovens do Programa Gente de Ouro, patrocinado pela mineradora. São jovens que foram escolhidos da comunidade de Marzagão, Sabará, para participar no projeto de capacitação na área das artes cênicas, como maquiagem, figurino, cenografia, iluminação. Durante um ano, Gringo Cardia os preparou para que eles pudessem fazer parte desta grande festa. Um ensaio fotográfico com modelos usando as jóias finalistas passava no telão ao fundo do palco. Os cenários escolhidos para este ensaio foram as Cavernas de Peruaçu, no norte de Minas Gerais, com seu enorme acervo de pinturas rupestres, e algumas das obras de Oscar Niemeyer na capital mineira, especialmente a Cidade Administrativa, nova sede do Governo do Estado. O Governador anunciou a peça vencedora: Mística, de autoria da dupla Heloísa Azevedo e Leandro Portela. Coube a Luiza Brunet anunciar a vencedora na categoria revelação: Cardume, de Thayane Carvalho da Silva. A cantora Céu arrasou na bela passarela montada no palco do teatro, que avançava para o setor frontal da plateia. O ponto alto do show foi o arranjo feito especialmente para a música Bubuia, quando Céu foi acompanhada tanto pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais quanto pelo Coral Lírico de Minas Gerais. Era o final de um espetáculo visual lindíssimo, que ainda teve uma bailarina e uma acrobata em números marcantes. Ao final da apresentação, todos os convidados se dirigiram ao Foyer Principal para um coquetel. Lá, todas as peças finalistas estavam sendo apresentadas pelas mesmas modelos que desfilaram no teatro. Muitos flashs pipocavam, eternizando estas jóias nas cada vez mais presentes câmaras digitais. O DJ Hell animava os convidados com uma boa música eletrônica. Bebida e acepipes à vontade. No início, era mais difícil chegar nas comidinhas, mas logo a passagem das bandejas virou uma constante. Saímos da festa no início da madrugada de quarta-feira. Quis o catálogo desta edição, mas já havia esgotado. Noite magnífica proporcionada pelos amigos de Belo Horizonte

segunda-feira, 19 de julho de 2010

BEIJO BANDIDO



Domingo à noite. 19 horas. Eu e minha mãe estamos no Palácio das Artes em Belo Horizonte para assistir ao show Beijo Bandido de Ney Matogrosso. Encontro com minha tia e uma amiga na plateia. Público majoritariamente feminino e acima de sessenta anos. Entrada custou R$ 150,00 a inteira. Ney começa no horário, com o teatro totalmente lotado. Apenas quatro músicos acompanham o cantor no palco. Cenário simples, com muito uso de projeções, algo raro nos shows dele. Nada de figurinos extravagantes como em Inclassificáveis, seu show anterior. Mesmo não sendo exagerado, o figurino é típico do cantor: terno claro de um pano brilhante, fundo vermelho escarlate no paletó, bota preta, gravata preta desarrumada de propósito, usada com a camisa semi aberta e um cinto bem chamativo. Matogrosso desfila todo o repertório de seu último trabalho que tem o mesmo nome dado ao show. Momentos de emoção ao cantar Fascinação. O show tem menos rebolado, com o cantor ficando sempre no meio do palco, sem se movimentar muito. Claro que há uns requebros, uns rebolados, senão não seria show de Ney Matogrosso. Quando ele tira o paletó, a plateia vai ao delírio, com muitos gritos de gostoso ecoando no teatro. Depois de cantar 14 músicas em exatamente uma hora, ele encerra o show. Se curva para agradecer ao público e se retira. Volta, depois dos pedidos de bis, canta mais duas músicas, desta vez com o público de pé e se retira novamente. Novos pedidos de bis. Ney retorna ao palco, canta mais três músicas, finalizando com a belíssima Fala, da época em que fazia parte do grupo Secos & Molhados. Ney se supera a cada show. Faz coisas diferentes, de difícil comparação. Com 68 anos, ainda está super em forma e com uma voz cada vez melhor. Vida longa a Ney Matogrosso. Gostei muito do que vi.

domingo, 6 de setembro de 2009

DOMINGO ESPECIAL

Este domingo foi especial para mim. Há muito tempo não se reuniam tantos parentes na casa de meus pais para um típico almoço de domingo. Minha mãe preparou uma comida trivial, nada de excepcional, mas a mandioca frita estava deliciosa e derretendo na boca. Além de meus pais, almoçaram comigo meu tio e padrinho, minha querida tia, esposa de meu padrinho, meus dois irmãos com respectivas esposas, meu sobrinho e minhas duas sobrinhas, também minhas afilhadas. Tiramos fotos, vimos fotos, atualizamos fofocas e e-mails. Foi tudo ótimo.
E fechei o dia vendo uma belíssima exposição de fotografias na Galeria Genesco Murta, no subsolo do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). A exposição - 100 X França - faz parte do Ano da França no Brasil e traz cem fotografias em um século desta arte na França. Há fotografias de expoentes desta forma de capturar imagens, como Man Ray, Henri-Cartier Bresson e Marcel Duchamp. Interessantíssimo ver alguns locais de Paris retratados no final do século XIX.



Depois da exposição, eu e minha mãe, assistimos ao novo espetáculo do Grupo Corpo no Grande Teatro do Palácio das Artes. Como sempre acontece, duas coreografias fazem parte do programa. A primeira, Bach, de 1996, coreografia de Rodrigo Pederneiras, música de Marco Antônio Guimarães, figurino de Freusa Zechmeister, cenografia de Fernando Velloso e Paulo Pederneiras e iluminação também de Paulo Pederneiras. Foi a terceira vez que vi esta bela coreografia e cada vez gosto mais. Mas o melhor estava por vir. A segunda parte do espetáculo tem a nova coreografia de Rodrigo Pederneiras, Imã, com música de +2, figurino de Freusa Zechmeister e cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras. É difícil dizer o que é mais bonito: a coreografia, a música ou a iluminação. A soma do figurino (simples, mas vivo e envolvente) a estes três elementos nos proporcionou um conjunto extraordinário. O Grupo Corpo reinventou o pax de deux, com duplas dando seus passos sempre colados um no outro, como se fossem um único ser, dando a ideia de atração, já indicada no título da coreografia. A música é alegre e a ginga do grupo e uma iluminação fantástica (ponto alto do espetáculo) fizeram com que o tempo passasse sem se perceber. Ao final, demorado aplauso da plateia que saiu, mais uma vez, em êxtase com este grande grupo mineiro, hoje, mundial.

sábado, 5 de setembro de 2009

A VOLTA À NORMALIDADE


Noite mal dormida, devido ao incômodo, já previsto, pela retirada do cateter. De qualquer forma, foi um alívio e estou me sentindo bem melhor. Já volto para a normalidade do dia a dia, planejando assistir algumas peças da décima edição do Cena Contemporânea, festival internacional de teatro que está acontecendo em Brasília desde o último dia 02 de setembro e prossegue até 13 de setembro. Já perdi peças incríveis, como Rainhas, mas a saúde vem em primeiro lugar. Vou começar a ver as peças a partir de segunda-feira, 07 de setembro, já que resolvi viajar para Belo Horizonte com minha mãe. Afinal ela ficou comigo nestes 11 dias entre a cirurgia e a recuperação. Vou aproveitar e conhecer a Casa Fiat de Cultura e as mostras dedicadas a Marc Chagall e Rodin que lá estão. Também acompanharei minha mãe neste domingo na apresentação do Grupo Corpo, no Palácio das Artes.

E volto à dieta dos pontos já nesta segunda-feira, pois quero estar com um peso melhor para a viagem ao Canadá no início de outubro.

Saímos no final da manhã rumo ao aeroporto de Brasília. Aeroporto lotado, mas como minha mãe tem check in preferencial, logo estávamos com nossos cartões de embarque. Não houve atrasos e o voo saiu na hora marcada. Em Confins, aeroporto também lotado, com longa espera das bagagens. Meu irmão foi nos buscar e chegando em casa almoçamos o que meu pai havia preparada.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

ENFIM, VOLTEI A VER UM FILME


Depois de um longo dia de trabalho, resolvo ir para casa e ver um filme. O escolhido é O Martírio de Joana D'Arc (La Passion de Jeanne D'Arc), de Carl Th. Dreyer, produção francesa de 1928. Já tem duas décadas que vi este filme na Sala Humberto Mauro no Palácio das Artes, Belo Horizonte, em uma das mostras interessantes que costumava lá ter lugar na década de oitenta. Lembro-me que uma cena me impressionou muito, exatamente a queima da heroína/santa na fogueira. Não pelos efeitos especiais, mas pela expressão facial da atriz Renné Falconetti. Estava acompanhado de uma amiga que à medida que o fogo ardia na fogueira, ela sentia cada vez mais calor, chegando a se abanar estabanadamente com a saia que usava, deixando à mostra sua calcinha, fato que desconcertou um senhor que sentava na mesma fila onde estávamos. Fiquei com a cena na memória e não me lembrava mais de nada do filme. Hoje, com calma, observei a força da direção de Dreyer. Depois de ver o filme, vi os extras do dvd (Magnus Opus), incluindo textos e biografias do diretor e da atriz, além de uma entrevista com a filha da atriz. Esta cópia é proveniente da versão restaurada pela Cinemateca Francesa em 1985, quando uma nova trilha sonora foi introduzida. Segundo o preâmbulo, esta versão chega o mais perto possível da original, que se perdeu consumida pelo fogo. Pauline Kael, famosa crítica de cinema americana, escreveu que a interpretação de Falconetti é a mais impressionante do cinema mundial. E olha que estamos falando de um filme mudo, de 1928, ou seja, um filme com 81 anos de idade.
O filme se concentra em um único dia, quando do julgamento de Joana D'Arc, e se baseia nos registros oficiais deste julgamento. O diretor concentra a filmagem, na maior parte do tempo, nos rostos dos atores e, segundo li, nenhum deles usou maquiagem. A força da história está na forte interpretação facial. As expressões dos religiosos mostram raiva, perversidade, maldade, superioridade, falsidade, enquanto a de Falconetti é a expressão máxima do sofrimento. O olhar da atriz  é algo impressionante. Depois de rever, percebo que a cena da fogueira, por ser previsível e ser um fato histórico conhecido, não é a mais impactante, como ficou na minha memória desde os idos da década de oitenta. A cena na sala de tortura e quando cortam o cabelo de Joana são mais densas e emocionantes. Fiquei em dúvida como o diretor conseguiu tirar da atriz tanta dor e sofrimento. Li que muitos diziam que Dreyer obrigava Falconetti a ficar ajoelhada em pedras para extrair o máximo de sofrimento e dor. Ao ver a entrevista da filha de Falconetti, que seguiu a carreira da advocacia, ela diz que sua mãe não sofreu nenhuma imposição do diretor e nem maus tratos físicos. Aquela interpretação veio da experiência teatral e de sua mania de perfeição. Fica então a dúvida.
Interessante saber que a atriz nunca mais fez um filme, voltando para o teatro. O ápice de sua carreira é justamente a década de vinte, quando era considerada uma estrela do teatro e ainda fez este magnífico filme. Nos anos posteriores ao filme, endividou-se, mudou para a Suíça, Estados Unidos (onde não pode desembarcar), Brasil (perdeu seu dinheiro em um cassino) e, por fim, Buenos Aires, onde ainda atuou e faleceu, com pouco mais que cinquenta anos.
Não costumo dar notas aos filmes que vejo, mas este é surpreendente e, mesmo sendo mudo e do início do século passado, ainda consegue causar impacto a quem assiste. Merece nota 9,5. Para um 10, creio ser necessário conhecer a versão original, consumida para sempre pelo fogo, assim como Joana D'Arc.