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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

TOMORROW - CENA CONTEMPORÂNEA 2014

Ainda na noite de quinta-feira, dia 28 de agosto de 2014, após ter conferido Adaptação no CCBB, fui para o Teatro Funarte Plínio Marcos, onde acontecia a estréia de Tomorrow, montagem do grupo escocês Vanishing Point Theatre Company. Quando lá cheguei, uma fila enorme já se formava para entrar. Encontrei-me com Hélida G. e André P. e ficamos batendo papo sobre as peças que já tínhamos visto até então dentro da programação do Cena Contemporânea 2014. Tomorrow é a primeira co-produção do festival. Muita expectativa, ainda mais que um ator brasiliense, William Ferreira, estaria em cena. Teatro completamente lotado. O calor de sempre na sala de espetáculo, já que lá não tem ar condicionado. Antes de iniciar, o diretor da peça, Matthew Lenton apareceu no palco para um recado ao público. Disse que a peça seria falada em inglês, com legendas em português, e que algumas falas não seriam traduzidas, o que era normal, não seria uma pane no sistema de legendagem. Os atores improvisavam em cena. Disse para a plateia prestar atenção no que ocorria no tablado, seria tudo perfeitamente entendível. Informou, ainda, que figurino, aparelhos de iluminação, entre outros objetos, ficaram retidos na alfândega brasileira no aeroporto de Guarulhos. Agradeceu à equipe do festival por ter conseguido providenciar o que precisava para colocar a peça em cena.
A história gira em torno de um asilo de velhos, todos senis, contando a rotina diária deles com os empregados do local. Para envelhecer os atores, o diretor optou por usar aquelas próteses de borracha, muito comum nos filmes hollywoodianos. Embora com feições totalmente distintas, os velhinhos ficaram sem expressão. Não gostei.
A ideia da peça até que é interessante, mas a forma como foi contada não me agradou. A julgar pelos que deixaram o teatro enquanto rolava a encenação, não fui o único a pensar assim. Roubando uma intervenção de minha amiga Hélida G., soou muito moralista, o típico moralismo inglês, que não consegue expiar seus pecados históricos. Tive uma sensação de ser culpado por todas as mazelas contra velhinhos existentes no mundo, especialmente em asilos. A tentativa de colocar a culpa em toda a humanidade é patente. Uma pena que foi assim, pois a iluminação e a movimentação dos atores em cena é muito boa. A cena da tentativa de revolta dos idosos, com direito a tentativa de fuga como se fossem prisioneiros de um cárcere de segurança máxima, é hilária. Mas fica por aí. Ao final, pela primeira vez no festival dentre as peças que assisti, não ouvi nenhum grito de entusiasmo. Ouvi apenas palmas, até diria que foram palmas protocolares. Vi muita gente sentada, sem nem mesmo aplaudir, grupo ao qual me filiei. Na saída, comentários diversos, mas nenhum deles de forma entusiasmada pelo que viram em cena. Realmente não gostei do que vi.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

BAGATELAS


Meados do século XX, inverno, interior dos Estados Unidos, uma fazenda, seis personagens, um assassinato. Este é o mote do novo espetáculo do Grupo Cena, em cartaz até o próximo dia 07 de agosto, com sessões de quinta a domingo, no pequeno e aconchegante teatro do Espaço Cena. Fui no último sábado, quando houve três black outs na 205 norte, onde fica o teatro. Por causa da falta de energia, houve um pequeno atraso para a nossa entrada. Mesmo na escuridão, o público não arredou pé do lugar. O texto é de Susan Glaspell, tradução de Danilo Lobo e direção de Guilherme Reis. Reis teve como assistentes Dimer Monteiro e Chico Sant'Anna. Hugo Rodas, juntamente com o grupo, assina a cenografia, figurinos e objetos de cena. O cenário é simples, minimalista, mas o suficiente para deixar a plateia imaginar que estamos vendo uma cozinha de fazenda. O ingresso custou R$ 20,00. O espetáculo tem a duração de 45 minutos. A história é simples: uma investigação de um assassinato do fazendeiro, cuja suspeita recai sobre sua mulher, interpretada por Adriana Lodi. No momento da investigação, ela está na cadeia. Assim, Reis criou uma cena em flashback, mantendo-a no palco nos primeiros momentos da encenação, em uma montagem interessante de luzes. Durante a investigação, estão na casa o promotor (João Antônio), o delegado (William Ferreira), o fazendeiro vizinho (Sérgio Fidalgo), a mulher do delegado (Carmem Moretzsohn) e a mulher do vizinho (Bidô Galvão). O texto, escrito por uma mulher, é feito para mulheres e isto fica claro na encenação. Os personagens masculinos são apenas coadjuvantes, para mostrar o pensamento masculino sobre o papel da mulher na sociedade da época em que foi escrito, em contraponto à atitude feminina, muito bem mostrada pelas três atrizes. As mulheres dominam a encenação. Sem desmerecer os atores, a peça é toda das atrizes. Bidô Galvão me fez sentir o mesmo frio que sua personagem sentia, Adriana Lodi passou toda a amargura enclausurada na solidão vivida pela dona da fazenda, e Carmem Moretzsohn transmitiu a fragilidade feminina diante de fatos contundentes, sem deixar de ser forte e solidária. Quem matou o fazendeiro pouco importa na história, mesmo porque as evidências ficam claras desde o início. O que importa no texto é passar o sentimento feminino, este olhar cuidadoso e peculiar, mostrar a força do sexo frágil (pode ser batida esta frase, mas temos que pensar que o texto é da primeira metade do século passado). Trabalho de atrizes sensacional. Com este espetáculo, o Grupo Cena vai se consolidando em Brasília com montagens inéditas, intimistas, que tocam o público. Tive a oportunidade de ver as cinco montagens que o grupo já encenou na cidade - Dinossauros, Fronteiras, Varsóvia, Heróis e Bagatelas - e sempre saio com a sensação de querer ver mais. Quando anunciam uma nova peça, ou mesmo uma volta aos palcos de alguma das já exibidas, me programo rapidamente para estar presente. É teatro do bom, com certeza. Por falar em volta, aguardo um retorno da bela e triste peça Varsóvia.

terça-feira, 28 de junho de 2011

HERÓIS, O CAMINHO DO VENTO


Quando a peça Heróis, O Caminho do Vento estreou em sua primeira temporada, não consegui ir ao teatro. Passava de carro todos os dias da semana, na ida e na volta do trabalho, via o cartaz, agendava, mas sempre uma viagem a trabalho no final de semana me atrapalhava. Fiquei pesaroso quando a temporada se encerrou sem eu tê-la visto, pois os comentários que ouvia sempre eram favoráveis. Lembro-me que encontrei com o ator Chico Sant'Anna, que não me conhece, em um evento no CCBB e o abordei perguntando se a peça voltaria em cartaz. Ele me respondeu afirmativamente, sem, no entanto, dizer a data. No início de junho, vi o front door pregado no Bloco C da comercial da 205 norte com as datas da nova temporada da peça, com os mesmos atores da primeira apresentação. Agendei para conferir o espetáculo neste último domingo (dia cheio de atividades culturais para mim), na sessão das 20 horas. Cheguei ao Espaço Cena (SCLN 205 - Bloco C - Loja 25) trinta minutos antes da previsão de início da peça. Comprei a entrada na hora, por R$ 20,00 a inteira. Um bom público compareceu, mas não chegou a lotar o pequeno teatro. O texto é de Gérald Sibleyras (no folder a grafia está errada, escrito Gerard), um dramaturgo e ator francês. É a história de três idosos em um asilo em um lugar qualquer da França (a referência ao país se dá indiretamente, como na rima de uma estrofe de uma poesia onde é citada a região de Champagne) onde vivem ex-combatentes, os heróis da guerra, que se reúnem diariamente em uma varanda para conversar sobre passado, presente e futuro, planejando uma fuga do asilo. Um deles é otimista (Chico Sant'Anna), outro pragmático (João Antônio) e outro fronteiriço (William Ferreira). Show de interpretação destes atores radicados em BrasíliaChico Sant'Anna, Joaõ Antônio e William Ferreira. Direção segura e leve de Guilherme Reis. Texto tocante. Terceira idade, velhice, solidão, proximidade da morte. Tudo de maneira descontraída, sem apelações. Comédia gostosa, com final emocionante e lírico. Adorei a peça, que dura em torno de 75 minutos. Quem não viu ainda há chances, mas deve correr, pois ela fica em cartaz somente nos dias 01, 02 e 03 de julho no Espaço Cena. Vale muito. Maravilha de espetáculo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CABARÉ DAS DONZELAS INOCENTES


Dia complicado no trabalho. Muito stress. Nada melhor do que deixar o serviço mais cedo e se preparar para ver uma boa peça. Foi o que fiz. Desde o último domingo já havia comprado os ingressos (R$7,50 a meia por ser correntista do Banco do Brasil) para conferir o sucesso de público Cabaré das Donzelas Inocentes, texto de estreia na dramaturgia de Sérgio Maggio. A peça inaugura também um novo espaço no Centro Cultural Banco do Brasil para as artes cênicas. Todos os envolvidos são radicados em Brasília: dramaturgo, diretores, iluminador, figurinista e atrizes. Direção de Murilo Grossi e William Ferreira, conta com as excelentes atrizes Bidô Galvão (China), Adriana Lodi (Saiana), Carmem Moretzsohn (Minininha) e Catarina Accioly (Cabeluda), que interpretam quatro decadentes prostitutas que rememoram suas trajetórias de vida no bordel à espera de clientes que não mais existem. Interpretações fortes, marcantes. Há um aviso na bilheteria e no folder da peça que as atrizes fumam em cena. Fumam muito, mas o que incomodou o público mais velho foi a quantidade de palavras chulas que são ditas ao longo do espetáculo. Ao final da peça, presenciei uma senhora dizendo que se soubesse dos diálogos, não iria. Não há cadeiras fixas. A disposição do público é feita em cadeiras, bancos, sofás e pufes espalhados no espaço, dando uma maior intimidade com as personagens. Não há interatividade com a plateia, mas o público se envolve com as histórias tristes das quatro prostitutas. Um barulho me incomodou durante a peça. Parecia um toca discos girando sem o disco com um ranger, semelhante a algo sem a devida lubrificação. Pode-se dizer que são quatro grandes monólogos. Se fossem ditos de forma separada e sem a presença das outras atrizes, cada uma poderia ser uma peça diferente. Para pontuar a virada de dia, os diretores optaram por um solo de cada uma delas, iluminadas por velas, quando declamam um texto poético. Não gostei desta opção. Além da interpretação iluminada de todas elas, destaco a evolução da decadência das personagens pontuada na desarrumação e no desleixo no modo de vestir, na caracterização e na maquiagem. Excelente achado da direção. Na soma geral, gostei do que vi.

Terminamos a noite em um bom restaurante da cidade.

sábado, 12 de setembro de 2009

A OBSCENA SENHORA D e ELDORADO

Nesta sexta-feira, continuei a seguir o festival Cena Contemporânea 2009. Vi duas peças. A primeira, às 19 horas, no Teatro Goldoni ( Entrequadra 208/209 Sul, Casa de Itália, Eixo L, Asa Sul), foi A Obscena Senhora D, texto de Hilda Hilst, com adaptação, direção e interpretação dos atores Catarina Accioly e William Ferreira e supervisão de Míriam Virna. Teatro lotado, o que me surpreendeu, pois a peça é brasiliense e já esteve em cartaz em 2007. O trabalho de corpo desenvolvido por Catarina Accioly é impressionante e sua interpretação é bem marcada, alternando com momentos de lucidez e loucura. O texto de Hilst, bem biográfico, discorre sobre as angústias e dúvidas da personagem Hillé em relação à vida, à divindade e ao próprio convívio social. O cenário ajuda a construir a atmosfera de angústia e dúvidas, especialmente com o gelo alojado em um pano no teto que na medida em que derrete, enche uma bacia de água no centro de uma passarela de madeira que liga duas escadas. Gostei muito da peça, que teve música sendo executada ao vivo com sons tirados de vidros, chocalhos e água.
Em seguida, corri para o CCBB (Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, Conjunto 22) para ver a peça Eldorado, texto de Santiago Serrano, direção de Marcelo Lazzaratto e interpretação de Eduardo Okamoto. Pela primeira vez neste festival, compareci a uma peça cuja sala não estava cheia. O texto transcorre em uma hora, contando a busca de um cego, com sua rabeca (a quem chama de menina), ao Eldorado. É o terceiro texto de Serrano (presente no teatro) que vejo sendo encenado em Brasília (os outros dois foram Dinossauros e Fronteiras) e, como os demais, é pura poesia. Pode-se dizer que o homem cego está à procura de tudo, especialmente de si mesmo, de carinho, de amizade, de amor, além, do tão esperado Eldorado. Tocante, embora em alguns momentos da peça eu tenha ficado incomodado porque o ator grita muito em cena. Falando em ator, Eduardo Okamoto também faz um belo trabalho corporal e sua interpretação, tirando os gritos, é fantástica. O trabalho de iluminação é essencial para o clima da encenação.

Ao final da noite, fui conhecer uma nova hamburgueria da cidade, Genaro Jazz Burger Café (SCLN 114, Bloco A, loja 60, Asa Norte). Inicialmente me colocaram em uma das três mesas internas, pois o salão é pequeno, com um bar no canto e muitas colagens na parede. A música, jazz, é claro, estava muito alta, o que me incomodou até ao ponto de pedir para trocar de lugar, quando fui acomodado em uma mesa do lado de fora, no corredor de trás do bloco. Dava para ouvir a boa música, sem a altura que estava do lado de dentro. Pedi um dos vários sanduíches do cardápio, um steak espanhol. Pão ciabata, alface roxa, tomate, cebola caramelizada, pimentão vermelho grelhado, queijo de cabra e hamburger de picanha e fraldinha. O sabor estava muito bom, mas a montagem do sanduíche deixa a desejar. As cebolas caramelizadas ficavam num canto, não se espalhando por toda a carne. O mesmo ocorreu com o pimentão. Outro detalhe que não gosto é ter que comer o sanduíche com talher. Para mim, sanduíche se come com as mãos, mas a sua montagem torna incômodo o seu manusear. Voltarei à casa para experimentar outros sabores. Seria interessante se houvesse opção da escolha do pão, como em lanchonetes premium de São Paulo.