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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

BACALHAU, MUVUCA, BATUCADA E MARCHINHA

Noite de domingo em Piri. O calor continuou insuportável. A pé, percorremos o percurso do carnaval de rua da cidade. A multidão já se aglomerava na Rua do Rosário. Batucadas, mascaradas, apitos, confete, crianças, adultos, jovens, muitos jovens com bebida nas mãos (em garrafas pets devido à proibição de garrafas e copos de vidro nas ruas). Fomos direto jantar. O restaurante estava fechado, mas com as janelas abertas. Escolhemos uma janela e perguntamos se estava funcionando. O simpático proprietário abriu a porta do misto de antiquário e restaurante, dizendo que estava aberto, mas mantinha a porta fechada, pois em época de carnaval, muitos querem apenas usar o banheiro da casa. O restaurante é o Bacalhau da Bibba (Rua do Rosário, 42-A, Centro Histórico), cujo cardápio, enxuto, só tem pratos com o famoso peixe salgado. A escolha da mesa ficou por nossa conta. Escolhemos uma sala onde havia uma mesa montada para seis pessoas. Tudo no restaurante está à venda, desde os quadros nas paredes, até mesas, cadeiras, louça, talher e copos. A garçonete colocou um ventilador na sala onde estávamos para amenizar o calor que fazia. Um sino, também à venda, ficava em cima da mesa para chamarmos os empregados da casa. Pedimos uma porção de bolinhos de bacalhau como entrada. Sequinhos e com mandioca para dar a liga, estavam deliciosos. Como prato principal, pedimos duas especialidade da casa, ou seja, bacalhau ao forno com alho frito, cebolas, batatas e azeitonas pretas, acompanhado de arroz branco. O prato demorou a chegar. Uma batucada passa na rua, levando uma multidão atrás. A alegria é contagiante. Cada prato serve duas pessoas. Embora com o sal um pouco acima, gostei  do prato. Ficamos quase duas horas no restaurante. A conta ficou em R$ 447,00. Descemos a rua da muvuca, mas logo voltamos, pois estava congestionada de gente ao redor de uma batucada que não andava. Foi bom, porque vimos o movimento em todo o centro. Ao chegar na Rua Direita, uma multidão dançava ao som de marchinhas tocadas por uma banda ao vivo em palco montado para a ocasião. Tiramos algumas fotos e voltamos para a pousada, com Ric furioso, pois tinha  a ideia de sair fantasiado na noite, mas ninguém estava a fim de ficar. Ele desistiu da fantasia, mas não desistiu da noite. Chegou na pousada, se arrumou e saiu novamente, dizendo que não iria na cachoeira no dia seguinte. Deitei e dormi.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

DOMINGO DE CARNAVAL EM PIRI

Dia nublado, mas bem abafado. Foi assim a manhã de domingo em Piri. Depois de um fausto café da manhã na pousada, saímos para caminhar pelas ruas e praças da cidade. Durante a caminhada, vimos como a cidade está cheia, com muita gente nas padarias tomando café da manhã, barracas de camping lotando os locais destinados a elas, carros estacionados em frente às muitas pousadas da cidade. Foi legal ver seis tucanos voando baixinho e pousando em uma árvore. No caminho, percebemos que a Igreja Nossa Senhora do Carmo estava aberta, fato que nunca vimos nas nossas vindas para Piri. Resolvemos conferir. A igreja agora é um museu, o Museu do Carmo (Largo do Carmo, s/n, Centro Histórico), com pequeno acervo de arte sacra. A entrada custa R$ 2,00. Pagamos e conferimos em menos de quinze minutos a exposição permanente. Fiquei feliz com a reforma que estão fazendo no altar da igreja, muito detonado pela ação do tempo. Os andaimes e o material de trabalho dos restauradores estão em área onde é possível acompanhar a restauração. Pelo fato de estarmos em pleno feriado de carnaval, a restauração estava parada. Há também paineis com a história das igrejas da cidade. Gostei muito de uma peça de cobre em formato de peixe do século XIX que estava exposta. Há imagens de santos em madeira e em gesso, candelabros, ex-votos, santos de roca, balcão, entre outros objetos encontrados nas igrejas históricas do Brasil. Também gostei que havia público interessado em pagar a entrada para conhecer o museu. Depois desta visita, cruzamos a ponte de madeira sobre o Rio das Almas, quando vimos uma multidão se banhando nas águas claras do rio. Do outro lado da ponte, a antiga cadeia da cidade também virou museu, o Museu do Divino (Rua Bernardo Sayão, s/n, Centro Histórico) Resolvemos conferir. A entrada também custa R$ 2,00, mas não havia ninguém para cobrar. A exposição permanente está no segundo piso, mas é fraca. Há grandes paineis informando sobre as festas religiosas que envolvem o divino, com poucos objetos, particularmente aqueles usados durante a festa das Cavalhadas, que ocorre no mês de maio na cidade. O primeiro piso é destinado a exposições temporárias. Havia uma exposição de artistas locais. Depois desta rápida visita, continuamos nossa caminhada pela cidade, subindo, pela agradável Rua Aurora até o ponto mais alto da cidade, onde fica a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Paramos para tomar uma água de coco. De lá, retornamos para a pousada, passando pela Ponte de Pedra e pela Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, terminando o passeio que durou duas horas e dez minutos. Na pousada, apenas vinte minutos de descanso. Voltamos para a rua para almoçar. Escolhemos o Empório do Cerrado (Rua do Rosário, 22, Centro Histórico), na famosa rua dos restaurantes, bares e cafés. Optamos em ficar do lado de dentro, com menos calor e a possibilidade de beber em copos de vidro, pois a prefeitura proibiu servir garrafas e copos de vidro no período do carnaval. Decisão acertada. Todos os garçons são simpáticos. Nas paredes, uma mistura de quadros e objetos para vender. Vi uma máscara do boi das cavalhadas do mesmo artista plástico que me vendeu uma máscara semelhante. Confesso que achei mais bonita a exposta no restaurante. Pedimos de entrada pasteis mistos, com recheio de carne moída e de frango com pequi. Só comi o primeiro, pois não gosto de pequi, fruto muito apreciado por estas bandas. Como prato principal, experimentei o salmão grelhado com molho de pesto de baru, acompanhado de risoto de alho porró e o mesmo alho porró frito picado bem fininho. Bom prato. Ficamos quase duas horas no restaurante. A conta ficou em R$ 224,62. O restaurante aceita cartão. Os três ainda pararam em um café na mesma rua para comer uma marmelada e tomar um cafezinho. Voltamos para a pousada para descansar, pois à noite, depois do jantar, vamos ver o carnaval de rua da cidade.

NOITE CALMA NO SÁBADO DE CARNAVAL

Depois de um descanso e de ler os jornais do dia, nada como um banho frio para aliviar o calor que faz em Piri. No pacote que fechamos com a pousada, na noite de sábado estava incluído o jantar. Preferimos, então, ficar no restaurante da pousada, chamado Capim Santo Bistrô (Rua Direita, 79, Centro  Histórico). Há vários ambientes onde as mesas são montadas. O mais agradável, com certeza, fica do lado de fora, em um jardim de cheiros (são vários vasos com ervas culinárias), mas já estava ocupado. Ficamos em um salão com apenas uma mesa montada, com decoração clássica, com dois grandes castiçais de velas. Os guardanapos estavam dobrados na forma de um catavento. O jantar, como os bistrôs franceses, tem uma fórmula pronta, na qual escolhemos uma entrada (salada de folhas com três opções de molhos), um prato principal (escolhi um peito de frango com pesto de baru, uma castanha do cerrado, acompanhado de batatas gratinadas, arroz branco e vegetais cozidos no vapor) e uma sobremesa (experimentei o petit gateau de chocolate com sorvete de creme). O serviço é simpático e eficiente. A comida é bem feita. Durante o jantar, um dos garçons nos pergunta se seria incômodo para nós uma noiva passar pela sala onde jantávamos. Não fizemos nenhuma objeção. O casal de noivos, devidamente paramentado, passou para uma série de fotos na pousada. Terminamos o jantar e eu decidi deitar, pois sentia muito sono (resultado do remédio que tomei para uma leve dor de cabeça no final da tarde). Cris e Marcelo fizeram o mesmo, enquanto Ric foi conferir o carnaval de marchinhas da cidade.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARNAVAL EM PIRENÓPOLIS

Mais uma vez em Pirenópolis, Goiás. Eu, Ric, Marcelo e Cris. Fizemos o percurso Brasília-Piri em dois carros. Estrada bem movimentada. Gastamos uma hora e quarenta para chegar na pousada que estamos. Novamente escolhemos, como da última vez em que aqui estivemos, a Pousada O Casarão (Rua Direita, 79, Centro Histórico). Estamos na mesma prumada, no segundo piso, cercados de árvores e pássaros cantando. Entramos pelo estacionamento, pois, da última vez, Emi levou consigo o controle remoto que abre o portão. A recepcionista não entendeu porque entramos por dentro da pousada. Mostrei o controle, explicando o engano de meu amigo. Rimos muito. Depois de instalados e com a fome apertando, pois já passava de meio dia, saímos a pé para almoçar. Pela cidade toda há faixas pedindo para as pessoas deixarem os carros, andando a pé, pois há vários pontos do centro histórico que o trânsito está interditado. A cidade tem os postes coloniais enfeitados com fitas e bolas coloridas. O som alto dos carros, comum em Goiás, está proibido. Há um palco montado na  Rua Direita, rua da pousada, onde uma banda tocará nas noites marchinhas de carnaval. Há servidores municipais controlando a entrada permitida de carros nas ruas. Parece que a organização vai funcionar direito. A muvuca, como sempre, acontece perto da Rua Nossa Senhora do Rosário e às margens do Rio das Almas. Paramos em um novo restaurante na rua dos bares (a citada na última frase). Bistrô do Cheffe (Rua do Rosário, 22, Centro Histórico). Com decoração bem simples, mesas e cadeiras de bambus, escolhemos uma mesa próxima à janela para ver o movimento. De entrada, bolinhos de mandioca fritos. Sequinhos e saborosos. Como prato principal, pedimos duas panelinhas (cada panelinha serve duas pessoas), uma onipresença nos cardápios dos restaurantes que servem comida goiana, mas que nunca havia provado. Consiste de arroz bem molhado no óleo, com linguiça picada, pedaços de lombo suíno e pimenta dedo de moça. Decorado com cebolinha picada bem fininha e palmito. É servido na mesa em uma pequena panela, daí o seu nome. Acompanha, em tijela à parte, feijão carioca caseiro. O prato estava ótimo. Com cinco garrafas de cerveja e dois refrigerantes, a conta ficou em R$ 158,40. Com o tempo abafado, suando em bicas, demos uma volta nas ruas do comércio, com movimento de turistas comprando artesanato. Paramos no Café da Ponte (Largo da Ponte de Pedra, Centro Histórico) para uma sobremesa, um biscuit, ou seja, um biscoito recheado de sorvete, totalmente dispensável. Como não estou tomando café, esperei os três beberem o café pedido, deixamos R$ 15,00 para pagar a conta e voltamos para a pousada, passando em uma farmácia e no banco para tirar dinheiro, já que vários lugares da cidade ainda não aceitam cartões de crédito, como no restaurante em que almoçamos. Hora de descansar. Enquanto os três foram aproveitar a piscina, preferi ficar no quarto, dormindo, pois esta foi a proposta que me fiz para este carnaval: muita leitura e descanso. Acordei no final da tarde, atualizo este blog e já tenho em mãos os jornais do dia para ler.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

VOX BRAZILIS

Noite de quinta-feira. Depois de uma bela reflexologia nos pés, mãos e cabeça, fui conferir os shows dos grupos vocais Núcleo Orgânico Performático e Mambembrincantes, ambos no projeto Vox Brazilis, em cartaz no CCBB de Brasília. Teatro vazio. Belos shows. Ingresso, como sempre, bem barato, a R$ 7,50 a meia entrada por ser correntista do Banco do Brasil.
O primeiro a entrar no palco foi o grupo paulista Núcleo Orgânico Performático, formado por cinco mulheres e dois homens. Quatro mulheres também fazem parte de outro grupo vocal que se apresentou na semana passada no mesmo projeto, cujo show tive a oportunidade de conferir, o Vozes Bugras. Foi um show interessante. Os integrantes do grupo tiram sons do corpo, com belos arranjos para canções de domínio público e versões para músicas de Tom e Vinícius. O ponto alto do show foi a interpretação para Quiquiô, uma canção indígena. O grupo utilizou voz e percussão com canos de PVC, no melhor estilo Uakti. Intimista, foi cantada bem próximo da primeira fila, onde eu estava sentado. Gostei muito.
O segundo show foi do grupo de Brasília, já com três cds gravados e um quarto sendo preparado. O Mambembrincantes entrou pela plateia e logo de início conquistou o público presente, especialmente algumas crianças que resolveram dançar na beira do palco. Com músicas de composição própria, o líder do grupo, Chico, colocou os presentes de pé para dançar uma ciranda. O público, inclusive eu, formou uma grande roda no teatro e dançou de mãos dadas. Um grande boneco foi uma atração à parte. Jaraguá, um pássaro enorme, dançou e sentou no colo de alguns dos presentes. Uma performance que divertiu a plateia. Ao final, os dois grupos entraram em cena e nova ciranda foi dançada pelo público. Também gostei muito.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O FIM DA ESCURIDÃO

Não tinha informações sobre o filme O Fim da Escuridão (Edge of Darkness), dirigido por Martin Campbell e com Mel Gibson no papel de um tira honesto de Boston, Estados Unidos, que tem sua filha assassinada em frente à sua casa. Entrei na sala de cinema sem grandes pretensões. Achei o filme sensacional. Roteiro bem feito, bem amarrado, com personagens interessantes e bem construídas. É um policial com várias reviravoltas, com boas sacadas para prender nossa atenção. Gibson é Tom Craven, um policial tranquilo, com fala pausada. Não é um filme de ritmo alucinado, muito antes pelo contrário, mas não é lento. Final esperado, mas de forma poética. Gostei muito do que vi.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

AMOR SEM ESCALAS

Domingo em São Paulo, pós show magnífico de Beyoncé. Calor forte. Voltamos ao Shopping Cidade Jardim, pois todos tínhamos curiosidade de conhecer a sala vip do complexo de cinemas da rede Cinemark. O preço é salgado, R$ 42,00 a inteira, mas digo que compensa. A sala é muito confortável. A distância da tela para a primeira fila tem oito metros. As cadeiras são de couro e tem descanso para os pés, como aquelas chamadas cadeiras do papai. Há porta copos e mesas móveis em todas as poltronas. Enquanto esperávamos, decidimos comer alguma coisa. Há cardápio, incluindo vinhos e espumantes. Fizemos nossos pedidos, pagamos e tudo foi entregue dentro da sala, pois os lugares são marcados. Um luxo!
O filme era um dos dez concorrentes ao Oscar 2010 de melhor filme, Amor Sem Escalas (Up In Yhe Air), de Jason Reitman, produção americana de 2009, com George Clooney, Anna Kendrick e Vera Farmiga, ambas também concorrendo ao Oscar como melhor atirz coadjuvante. História chata, sem grandes empolgações. Um executivo que viaja pelos Estados Unidos contratado pelas empresas com a missão de demitir seus trabalhadores. O mote é a fixação do executivo (Clooney) em acumular milhas e viver a vida de solteiro. Ao longo da história, conhece uma mulher executiva que também vive pelos ares e os dois tem um romance. Também tem que demonstrar para uma colega de trabalho que seu método de demissão cara a cara é mais eficiente e humano do que utilizar a tecnologia, como ela propõe. Não gostei da interpretação de Clooney e nem mesmo das atrizes que estão no páreo do Oscar. Valeu por conhecer a sala, muito mais interessante do que o filme.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

BEYONCÉ

Tarde de sábado. Como sempre, chove em São Paulo. Saímos do hotel às 18 horas em direção ao Estádio do Morumbi, local do show de Beyoncé. Pegamos um táxi. Motorista falante. Trânsito lento, mas descemos praticamente em frente ao portão indicado no nosso ingresso para entrar. Sem tumulto, entramos facilmente. Todos com capa de chuva nas mãos, pois o tempo estava fechado. A pista já tinha um grande número de pessoas. Havia alguns claros na multidão, sinal de que poças de água suja estavam formadas. Esperamos pouco, pois o show de Ivete Sangalo começou antes do previsto. Eram 19:45 horas. Elétrico e contagiante. Ivete desfilou seus sucessos dançantes, agitando todo o Morumbi. As arquibancadas davam um show, pulando, levantando as mãos e cantando junto com a cantora baiana. Na primeira música, Na Base do Beijo, Ivete escorregou no palco molhado e caiu, mas não perdeu a pose, fazendo brincadeira com o fato. Show de cinquenta e cinco minutos, terminando com País Tropical, de Jorge Ben Jor. Imediatamente, começaram a arrumar o palco para o show principal da noite. A espera foi longa, mas nada de chuva. O céu já estava estrelado. Infra de comida e bebida muito boa, com ambulantes passando sem parar. Bebidas estavam geladas e eram servidas em copos de plástico. Depois de esperar por uma hora e meia, as luzes se apagam, anunciando a entrada de Beyoncé em cena. Show magnífico, com uma interação da cantora americana com a plateia, que cantava todas as músicas. A produção é um espetáculo à parte, com um telão de alta definição no fundo do palco. Mesmo quem estava a longa distância, conseguia ver tudo o que se passava. Todos os sucessos foram cantados, com ótimas coreografias. A cantora é um sucesso. Carismática, agradeceu aos presentes, anunciando que era o maior público de sua vida. A galera do gargarejo era mostrada no telão cantando sílaba a sílaba todas as músicas. Alguns choravam de emoção. Depois da metade do show, Beyoncé atravessou uma passarela bem perto do público e caminhou até um segundo palco montado alguns metros à frente do primeiro. Ali ela ficou mais perto de seus fãs e fez alguns números. Voltaria a este palco quando da homenagem a Michael Jackson, interpretando seu grande sucesso Halo. Quando os acordes de All The Single Ladies são ouvidos, a galera vai ao delírio. Primeiro uma montagem divertida é mostrada no telão, com várias pessoas fazendo a performance da música. Em seguida, Beyoncé entra para arrasar na dança e na música. Ao final, ela troca de roupa umas dez vezes. Show de duas horas fantástico. Ela comprovou que, aos 28 anos, já é uma diva. Nota mil. A saída do estádio foi sem problemas, com a multidão em êxtase pelo que vira. Andamos um pouco, mas foi fácil negociar com um taxista. Cobrou R$ 50,00 para nos levar até o nosso hotel. Já de madrugada, fomos comer na Lanchonete da Cidade, onde víamos várias pessoas comentando sobre o memorável show da noite, a maioria com sapatos e pés sujos da lama da pista do estádio.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CIDADE JARDIM

Manhã de sábado ensolarada em São Paulo. Café da manhã no hotel e compras no Shopping Cidade Jardim (Rua Magalhães de Castro, 12.000, Cidade Jardim) o atual templo do luxo da cidade. Percorremos com calma todo o local. Almoçamos no Nonno Ruggero, restaurante do grupo Fasano. Escolhi um risoto de parmesão e carne de ossobuco. Delicioso. De sobremesa, experimentamos o famoso bolo de chocolate da franquia portuguesa O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, que possui um quiosque no shopping. Realmente o bolo é divino. Antes de sair, não resisti, como em oportunidades anteriores e comprei uma bolsa Louis Vuitton, obviamente dividindo no cartão de crédito.

INVICTUS

Já em São Paulo, com Ric e mais dois amigos de Belo Horizonte, decidimos ir ao cinema na noite de sexta-feira. Afinal, temos que apresentar ao hotel ingressos de show, teatro, cinema, concerto ou museu para justificar a diária cultural que estamos pagando (R$ 139,00 por apartamento com café da manhã) no Mercure Jardins. Em época de pré-entrega do Oscar 2010, optamos por um dos filmes concorrentes em cartaz no Cine Bristol, Center 3, na Avenida Paulista e próximo ao hotel. Paguei meia entrada por ter o cartão de crédito do Itaú (R$ 10,00). O filme foi Invicuts (Invictus), de Clint Eastwood, produção americana de 2009, com Morgan Freeman e Matt Damon. Freeman é Nelson Mandela, já eleito presidente da África do Sul e com a ideia de unificar o país, recém saído do regime do aparthaid. Damon é o capitão da seleção nacional, chamada Springbok, de rúgby, esporte praticado pelos brancos. Os negros preferem o futebol. A copa do mundo ocorre justamente na África do Sul, em 1995, com um time desacreditado por todos, pois perdera todos os torneios e amistosos jogados um ano antes. Mandela vislumbra a possibilidade de um início de unificação do país com este time de rúgby. Cheio de frases de efeito, parecendo sair de um livro de auto-ajuda, com interpretações convincentes de Freeman e Damon e com a história conhecida pelos registros da imprensa, achei que o filme empolga. A gente torce, mesmo sabendo o que acontecerá, fato antecipado pelo próprio título do filme. É leve, com cenas divertidas. As filmagens dos jogos é de um realismo fantástico. Gostei do que vi.

VOZES BUGRAS

Na última quinta-feira, iniciou mais um projeto diferente no CCBB de Brasília. Chama-se Vox Brazilis. Ingressos a R$ 7,50 a meia entrada para correntistas do Banco do Brasil. Trata-se de uma série de shows com grupos vocais brasileiros. Serão oito grupos, divididos em quatro grupos de dois. Assim, em cada show, há dois grupos se apresentando. Fui no primeiro dia do projeto, com os grupos Mawaca e Vozes Bugras, ambos de São Paulo, como as atrações anunciadas. Depois de meia hora de atraso, esperando as portas do teatro se abrirem, funcionários do centro cultural informam que o grupo Mawaca, por problemas com a mesa de som, não se apresentariam. Ofereceram a opção de assistir apenas o show do Vozes Bugras, com troca de bilhetes para o dia seguinte, em uma apresentação especial do Mawaca às 19 horas. Preferi ficar e conferir o grupo que não conhecia. O teatro ficou vazio, com menos da metade de sua capacidade preenchida. Novas explicações sobre os problemas técnicos e o Mawaca entra em cena, também pede desculpas e canta, à capella, uma canção de ninar do Haiti. Muito bonita. É a vez do Vozes Bugras entrar no palco. Sete mulheres, sendo quatro vocalistas, uma contatora de histórias e duas percussionistas. O grupo resgata canções de cunho religioso, além de fazer um belo estudo sobre as músicas de raiz. O forte da apresentação é quando elas cantam juntas. Em separado, a tendência para quem assiste é fazer as inevitáveis comparações. No final, uma interessante performance com batucada pelo corpo. Achei válida a experiência de conhecer este grupo e sua proposta. Na plateia, a maioria parecia ter acabado de sair de uma aula de yoga. Até brinquei com uma amiga, dizendo que a turma do oooohmmm estava por ali. Ao passar pela bilheteria, troquei o ingresso para a apresentação do dia seguinte, mas deixei com uma amiga, pois não estaria em Brasília. Algumas pessoas tiveram a coragem de, mesmo assistindo ao show, pedir o dinheiro de volta. Só pediria o dinheiro de volta se optasse em não ver o show.

CHAMPAGNES

Mais um encontro da Confraria Vinus Vivus, em sua quadragésima primeira reunião, ocorreu nesta semana. O tema da noite foi champagnes. Antes, os dez confrades fizeram um aquecimento identificando possíveis aromas que seriam percebidos nos champagnes selecionados para a degustação. Utilizamos o Le Nez du Vin, uma caixa com pouco mais que cinquenta vidrinhos com aromas florais, de frutas, defumados, entre outros. Foram separados os vidrinhos com aromas mais característicos dos champagnes. Em seguida, partimos para a degustação. Primeiro, um Dom Perrignon Vintage 2000 (R$ 650,00), o mesmo champagne com o qual brindei a chegada de 2010, em Salvador. Gostei muito. Em sequência, uma cava espanhola foi ofertada pela anfitriã. Kripta, ela vem em uma diferente garrafa, sem fundo achatado, inspirada nas antigas ânforas, o que não a permite ficar em pé. Forte, foi bem apreciada pelos confrades, mas, se comparada aos demais champagnes da noite, deixei ela em último lugar. Como terceiro vinho da noite, um Krug (R$ 770,00), com sabor marcante e aromas de pão tostado. A grande atração da noite seria a famosa Cristal 2002 (R$1.650,00). Para mim, uma decepção. O mais caro dos champagnes e não me agradou. Achei muito leve, fraca mesmo.
Na votação, Krug levou a melhor, com sete votos. Três votaram como o número um da noite o Dom Perrignon Vintage 2000. Realmente, Cristal 2002 foi a grande decepção para os presentes. Ainda vive da fama do passado.
Logo após terminarmos a degustação, a anfitriã nos brindou com uma nova degustação, desta vez de azeites. Chile, Tunísia e Marrocos foram as origens dos azeites. Houve também um quarto azeite, também do Marrocos, mas de argan, uma fruta local. Para acompanhar, um delicioso tartare de salmão em cama de beringelas. Deliciosos os azeites, todos eles. Preferi o azeite de oliva do Marrocos.
Para finalizar, uma massa com camarões e abobrinha, acompanhada pelo vinho branco Forest Ville (R$ 75,00), 100% chardonnay, safra 2007, oriundo da Califórnia, Estados Unidos. Todos sabem que tenho implicância com os vinhos brancos, mas achei o vinho degustado bem fraquinho.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

BAMBUS

O dia estava lindo. O céu muito azul, apenas com fiapos brancos quase transparentes de nuvens no horizonte distante. Zilca estava em um local descampado, aproveitando o sol da manhã. Uma grande sombra foi tomando conta do espaço ao seu redor. Uma sensação de abafamento e falta de ar lhe acometeu. Ela olhou para cima. Viu uma massa verde caindo em sua direção. No princípio, não conseguiu distinguir o que era, mas logo seus olhos identificaram um enorme feixe de bambus despencando. Os bambus caem em sua cabeça.
Zilca abriu os olhos e identificou o teto de seu quarto. Sua respiração estava ofegante. O lençol de baixo estava ensopado, principalmente no local em que ela estava deitada. Era mais um sonho com bambus. O quarto sonho em menos de quinze dias. Zilca começou a se preocupar. Pensou que era um sinal. Como das vezes anteriores, ela não conseguiu mais pegar no sono. Eram quatro horas da manhã. Levantou-se, ligou o seu computador para pesquisar na internet o significado de sonhar com bambus. Nada encontrou. Leu seus e-mails, respondeu alguns. Pegou um livro para ler. Leu até a hora de arrumar sua mala para mais uma viagem de trabalho. Zilca era diretora de uma empresa estatal e viajava muito pelo país. Participaria de uma importante reunião em Salvador. O voo estava marcado para o final da manhã. Depois de tudo pronto, tomou um banho, se aprontou e chamou um táxi. O motorista que sempre lhe atendia chegou na hora marcada. José era um senhor aposentado de uma estatal e complementava sua renda com as corridas de táxi. Gostava de conversar muito com seus clientes mais assíduos. Zilca logo perguntou se ele sabia o significado dos sonhos. José disse que não acreditava nestas coisas. Ela ficou encucada. No aeroporto, depois de ter feito o check in, procurou um livro sobre o tema na livraria. O atendente indicou o que mais vendia. Estava fechado em um plástico, impedindo-a de ali mesmo fazer sua consulta. Comprou o livro para ler durante o voo. O avião sai no horário. O livro é interessante, mas nada fala sobre bambus. Zilca leu o livro todo na hora e meia que dura o trajeto até Salvador. A reunião seria somente no dia seguinte. Ela se instalou no hotel indicado pela empresa e saiu para passear um pouco. Só pensava nos tais bambus. Ao regressar para o hotel, recebeu uma mensagem de um colega de trabalho a convidando para jantar. Ela entrou em contato com Augusto, confirmando sua presença. À noite, Augusto a pegou na porta do hotel. Ele tinha uma queda por Zilca, mas ela nunca dera chance a ninguém desde que se separou do único marido. A separação ocorreu havia quinze anos. O marido, um espanhol, levara os dois filhos pequenos para morar com ele na África e nunca mais dera notícias. Ela não tinha emprego na época e concordou que os filhos ficassem com seu ex-marido. Adolfo, o mais velho, tinha seis anos e Zéfrancisco tinha quatro anos. Zilca caiu em depressão quando percebeu que seu ex tinha levado as crianças embora e nunca mais os viu. Passou por vários tratamentos psicológicos, mas nunca superou o trauma. Continuou a viver sua vida, mas reservada e calada. Terminou o curso de Ciências Econômicas, prestou concurso para a empresa estatal para a qual trabalha até então. Augusto sabia desta história por conversar com a mãe de Zilca, enquanto ela era viva. Zilca era filha única e depois que sua mãe faleceu, se fechou mais ainda.
Augusto escolheu um belo restaurante para o jantar. Conversaram vários temas durante a agradável e quente noite de Salvador. Zilca falou sobre seus sonhos, mas Augusto era cético e nada ajudou. De volta ao hotel, sem sono, Zilca ligou a TV. Zapeando, parou em um canal para atender o celular. Uma reportagem sobre um estranho campeonato estava passando. Ela não se interessou, continuando a falar ao telefone. Apenas mirava a TV, pois ela ficava à sua frente. Começou uma entrevista com o campeão mundial da categoria. O entrevistador diz que o campeão tinha um estranho nome e era brasileiro, mas desde menino morava fora do Brasil. Seu nome era Zéfrancisco. Zilca ouviu, mas não se ligou no detalhe. Quando viu o campeão na tela, achou que suas feições eram conhecidas. O nome apareceu na tela: ZÉFRANCISCO PEREZ. Ela ficou muda, deixou o celular cair no chão. Era seu filho, não tinha dúvidas. Não conseguiu identificar o esporte. O programa estava no fim. Ela ligou depressa para a recepção, perguntando sobre o acesso à internet. Não tinha levado seu notebook. Desceu até o business center do hotel para buscar o endereço eletrônico do programa de TV. Achou, anotando o telefone. Voltou para o quarto e ligou para o número. Como era tarde da noite, apenas o plantonista atendeu, dizendo que não havia ninguém da produção do programa naquele momento e ele não sabia responder o que Zilca perguntava.
Foi a noite mais longa de sua vida. Zilca não conseguiu grudar o olho. Rolou na cama a noite inteira. Quando o sol raiou no horizonte, com bela vista de sua janela, ela pegou o telefone e novamente fez a ligação para o programa de TV. Depois de muitas transferências, Zilca consegue falar com alguém. Ela perguntou apenas onde seria a apresentação do campeão Zéfrancisco. Obteve a resposta de que seria em Lauro de Freitas, na entrada do aeroporto de Salvador. Que sorte! Estava em Salvador. Esqueceu a reunião e foi para o local indicado, na hora marcada. Muitas pessoas se aglomeravam no belo túnel de bambus que dava acesso ao aeroporto. Bambus! Zilca relembrou seus sonhos. Era um sinal, mas que esporte seria este que seu filho praticava?
Com atraso de meia hora, chega o campeão. Zilca chegou o mais perto que pode. Zéfrancisco é apresentado como campeão mundial de escalada de bambus. Zilca tremeu. Novamente bambus. Com uma destreza incrível, Zéfrancisco sobe nos bambus que formavam um grande arco. Parecia um animal fazendo aquilo. A demonstração durou vinte minutos. Em seguida, Zéfrancisco, que não gostava que o chamassem de Zé, foi para a entrevista. Antes, ele fez um pequeno discurso: "Sou brasileiro, embora cresci em Moçambique e hoje moro na Espanha, terra de meu pai. Sempre dedico minhas vitórias e minhas apresentações a meu irmão Adolfo, que faleceu quando tinha doze anos de uma estranha doença que nunca diagnosticaram. Penso sempre em minha mãe brasileira que não conheci, pois também faleceu quando eu ainda era bebê. Estou feliz de estar na terra onde nascemos". Zilca foi às lágrimas e num rompante gritou: "Eu não morri, eu estou aqui meu querido filho". Ninguém acreditou naquilo, nem mesmo Zéfrancisco. Zilca chorava, mas não saía do lugar. Tiraram o campeão dali. Acharam que Zilca queria aparecer na TV. Repórteres se viraram para ela. Ela chorava muito. Não dizia nada. Pegaram seu celular e ligaram para a última chamada registrada. Augusto atendeu. Logo ele a buscou. Ela estava em estado de choque. Foi levada para um hospital. Deram-lhe um calmante. Ela dormiu e sonhou. Sonhou novamente com bambus. Muitos bambus. No meio deles, Zéfrancisco pequenino.
A enfermeira passou e percebeu um leve sorriso no rosto de Zilca. Sua maca estava molhada, não havia respiração e, em sua mão, um pedaço de bambu.