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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ALMANARA - SHOPPING BOURBON


Quando saímos do cinema, só deu tempo de correr até o hotel (estava chovendo), trocar de roupa, descer para tomar um táxi até o Shopping Bourbon no bairro Perdizes, onde está o Teatro Bradesco. Tínhamos ingressos para o musical A Gaiola das Loucas, sessão das 19 horas. A corrida de táxi foi a mais cara de nossa estadia em São Paulo, ficando em R$ 25,00. Como estamos em época natalina, as lojas estavam movimentadas. Percorremos todo o shopping, pois chegamos com mais de uma hora de antecedência, receosos de ficarmos presos no trânsito incerto da cidade. A fome bateu. Parada para um lanche. Ao invés de ficar na lotada e barulhenta praça de alimentação, preferimos a unidade do restaurante de comida árabe Almanara, localizado no terceiro piso. Gosto muito desta rede paulistana, com comida bem feita, saborosa e preço mais em conta. Estava vazio. Logo escolhemos quibe frito (vende por unidade, sendo que eles são grandes), pão sírio (também vendido por unidade que vem cortada em quatro pedaços), e um mezze (aprendi com o garçom que se fala mezê), ou seja, um mix de três pastas clássicas da comida sírio-libanesa: coalhada seca, homus (pasta de grão-de-bico com tahine) e babaganush (pasta de berinjela). O pedido chegou logo à mesa. Realmente estávamos com fome, pois rapidamente devoramos o quibe, que veio sequinho por fora, quente e com um rico recheio no qual havia pedaços triturados de pignole. Ficamos sentados fazendo hora, comendo o macio pão sírio recheado com uma das três pastas (ou uma mistura delas), acessando a internet por meio do iPhone de Ric, até a hora de entrarmos no teatro. Para beber, apenas refrigerantes. A conta ficou em R$ 43,00, já incluído o serviço.


SKYLINE - A INVASÃO


Como escrevi no post anterior, a tarde de domingo foi chuvosa em São Paulo. Depois do almoço, nada mais cara de domingo do que ver um filme no cinema. Consultamos os horários dos filmes do Cine Bristol que fica no pequeno e movimentado shopping Center 3, na Avenida Paulista, bem próximo ao hotel onde estávamos. Pequena fila para comprar os ingressos pelos quais pagamos meia entrada (R$ 9,00 cada), pois utilizamos como forma de pagamento o cartão de crédito do Banco Itaú. O filme escolhido foi a ficção científica Skyline - A Invasão (Skyline), produção de 2010 dos Estados Unidos, dirigida por Colin & Greg, os irmãos Strause. No elenco, Scottie Thompson, Eric Balfour e David Zayas. O filme está em cartaz na sala 1, a maior do complexo Bristol, mas a ocupação era de pouco mais do que trinta pessoas para a sessão das 15:30 horas. A história se passa em Los Angeles, onde um grupo de amigos se encontra na cobertura de um prédio de classe alta americana para comemorar o aniversário de um deles. Terminada a festa, alguns dormem no apartamento, mas são acordados no meio da noite com uma forte luz que hipnotiza quem a olha, alterando a superfície da pele e dos olhos. Esta vem de estranhos seres alienígenas que estão sugando todos os humanos para dentro de uma grande nave mãe. Os tais seres extraterrestres lembram alguns animais marinhos, como lulas e polvos. Há claras referências a filmes de ficção científica, com cenas até mesmo inspiradas nestes filmes. Notei elementos dos seguintes filmes: A Guerra dos Mundos (os inimigos estão voando), Alien (o interior da nave mãe, a boca de alguns seres), Predador (algumas criaturas são bem semelhantes ao predador), O Exterminador do Futuro (a fala de adeus do síndico do condomínio parece o famoso Hasta La Vista, Baby, dito por Arnold Schwarzenegger), e Godzilla (os monstros gigantes destruindo carros com suas patas). Há uma sucessão de sustos, como era de se esperar em filme deste tipo, de finais felizes aparentes para o casal de protagonistas, de carros em alta velocidade na garagem do prédio, ou seja, um apanhado de clichês. Mas quando pensei que o filme seguiria para um rumo, ele termina. Várias perguntas ficam no ar, especialmente os motivos pelos quais os seres alienígenas precisavam dos cérebros humanos para sobreviver. Detestei.

L'ENTRECÔTE DE PARIS


Mais uma vez perdemos a hora do café da manhã em São Paulo. Acordamos tarde no domingo, quase na hora do almoço. Fomos então direto para um restaurante almoçar. Domingo é certo que os restaurantes da cidade ficam lotados, com muitas filas de espera. O negócio é chegar por volta de 13 horas, quando ainda há vagas. Ainda no hotel, consultei o Guia da Folha, mas acabei escolhendo um restaurante que fazia propaganda em uma revista. Liguei antes para saber se era necessário reservar mesa, pois alguns restaurantes paulistanos só atendem quem tem reserva feita pelo telefone. Fui informado de que o horário para fazer reservas já tinha acabado, mas que se chegasse até 13:30 horas, haveria mesa disponível. O restaurante é o L'Entrecôte de Paris (Rua Pedroso Alvarenga, 1.135), no famoso bairro Itaim Bibi, onde se concentram alguns dos melhores restaurantes da cidade. Pegamos um táxi (R$ 18,00), chegando ao local às 13:10 horas. Fomos recebidos na porta e nos deram opção para escolher onde queríamos nos sentar: na varanda ou no salão principal. A varanda é simpática, toda em vidro, com vista para a rua, mas preferi o aconchego do salão interno, pois sua decoração me lembrou o Café de Paris de Genebra ou alguns bistrôs parisienses. Cadeiras de madeira, sofá em couro vermelho ao longo das paredes, mesas bem perto umas das outras, chão de piso hidráulico, grandes espelhos retangulares pendurados na parte de cima das paredes com inclinação para baixo, muitas fotos de Paris, incluindo personalidades francesas, como o jogador Zidane, fazem parte da sua decoração. Música francesa em volume adequado faz parte da ambientação. O slogan da casa é interessante: "igualzinho ao que você saboreou lá, com uma pitada de simpatia bem brasileira". Esta simpatia estava escancarada no rosto da garçonete que nos atendeu. O restaurante, como seu primo francês, tem menu único: entrecôte (segundo Wessel, é a continuação natural do contra-filé) com uma camada de molho de manteiga de ervas, servido com batata frita cortada em palito. Precede uma salada verde com tomate cereja, nozes e mostarda de Dijon. O menu sai por R$ 39,50. Para acompanhar o prato, nada melhor do que um vinho tinto francês. Por falar em vinho, a adega é grande e fica em uma das paredes do salão principal. Ao receber a carta de vinhos, notei que ela é enxuta, com poucas opções. Talvez seja porque o prato seja único. Escolhi um vinho de Bordeaux, o Les Granges des Domaines Edmond de Rothschild, safra 2007 (R$ 126,00), importado pela Zahill. A garçonete elogiou pelo vinho escolhido. Observando as mesas ocupadas, notei que os pratos chegam rapidamente à mesa, pois não há muito o que escolher. Assim, pedi que nossos pratos só viessem quando avisássemos. Aceitamos o couvert, composto de pães, manteiga, patê de azeitonas pretas e azeite (R$ 6,50). O tempo estava nublado, com eventuais chuviscos. Com todo este clima, comendo o pão, me senti em Paris. O vinho estava na temperatura ideal, com um sabor primoroso. Depois de quarenta minutos batendo papo, demos o sinal verde para vir os pratos. Primeiro a salada. O molho de mostarda Dijon dava um sabor especial às folhas, que associada às nozes, deu uma certa personalidade à entrada. Foi terminar a salada e o garçom já trouxe o prato principal. Um bem montado prato, com as cores amarelo (batatas fritas) e verde (molho de manteiga de ervas) dominando. A surpresa ficou por conta da carne. Ela vem fininha, diferente dos seus primos europeus, já fatiada. As fatias são acomodadas de forma que pareça um filé. Embora o sabor estivesse ótimo, a carne no ponto, confesso que prefiro as carnes mais altas. O vinho harmonizou divinamente com o entrecôte. Chegava a hora de pedir a sobremesa. Diferente do prato principal, neste campo há  opções, algumas clássicas da culinária francesa. Vi passar alguns pratos com doces com uma bela aparência, mas preferimos ficar só no café. Mais um restaurante que serve Nespresso, meu café favorito. Quando saímos, o restaurante estava lotado, com fila de espera na varanda do lado de fora. Pedimos à garçonete que nos chamasse um táxi que chegou rápido, no momento em que a chuva apertava. Nosso destino era o Center 3, na Avenida Paulista, pois decidimos ir ao cinema.


PIZZARIA FAMIGLIA MANCINI

Saímos do Espaço Satyros 1 com fome. O relógio já apontava perto de 23 horas. A Praça Roosevelt fica próxima da Rua Avanhandava, onde está o "reinado" Mancini. Pizza foi nossa escolha. Cinco minutos a pé e já colocávamos o nome na lista de espera. A pizzaria se chamava Avanhandava 34, mas depois de abrigar por um período o cardápio da cantina Famiglia Mancini, enquanto esta era reformada, seu nome passou a ser Pizzaria Famiglia Mancini (Rua Avanhandava, 25, Bela Vista). Seu cardápio incorporou massas do menu da cantina homônima, mas continua como seu carro chefe as pizzas. É um extenso cardápio, com opções em dois tamanhos, individual e grande (oito pedaços). O espaço é enorme, com pé direito alto, mesas espalhadas em vários ambientes, iluminação amarelada, decoração com muitos potes de cerâmica, um grande lustre no salão central, um cavalo de carrossel de parque de diversões, algumas fontes (inclusive há outras fontes no pedaço da rua todo decorado pelos proprietários, com ares de vila italiana), trânsito frenético de garçons, música instrumental ambiente, pela qual se cobra R$ 11,00 por pessoa de couvert artístico, um bar utilizado para espera, um buffet de entradinhas, muito utilizado pelos clientes que aguardam mesa, já que, dependendo do horário, a espera pode durar quase uma hora. Paulistano não se incomoda de ficar na fila. Chega, coloca o nome na lista, fica no bar apreciando sua bebida favorita. A atendente nos disse que a espera seria de quarenta minutos. Recebemos uma boleta para anotar os pedidos durante a espera e um aparelho que nos avisaria quando chegasse nossa vez. Sentamos no bar. Não estava com espírito para beber nada com álcool, por isso fiquei no refrigerante, enquanto Ric pediu cerveja. Como cortesia, as nossas bebidas vieram acompanhadas de uma farta porção de amendoim torrado. Passados os quarenta minutos, o aparelho em minhas mãos tremeu e ficou piscando uma luz azul. Sinal de que nossa mesa estava pronta. Uma jovem nos encaminhou até o mezanino, onde há mesas para poucas pessoas, com visão de todo o salão principal, do forno a lenha, do trabalho dos pizzaiolos, do entra e sai na cozinha e das mesas com grupos enormes de famílias ou amigos. O garçom que nos atendeu buscou nossas bebidas no bar. Escolhemos rapidamente a pizza. Quando há muitas opções, prefiro não arriscar e escolher um sabor tradicional. Ficamos com o recheio à portuguesa e com um chamado Mamma Mia, uma combinação de linguiça e mussarela, pizza grande, meio a meio (R$ 51,00). O pedido não demorou para ficar pronto. A pizza tem massa grossa, bem assada, dando um excelente biscoito na borda. A pizza à portuguesa estava ótima, com azeitonas pretas sem caroço (algo raro nas pizzarias de Brasília), mas o recheio do outro sabor estava salgado. Tanto é que foi o pedaço que sobrou. Os garçons sempre estão atentos, chegando à mesa quando percebem que o pedaço em nosso prato está no fim, perguntando se queremos que nos sirva outro. Já passava de uma hora da madrugada quando pedimos a conta, sem sobremesa e sem café. Na saída, pegamos um táxi de volta para o hotel (R$ 15,00) com um motorista bem falante.

ROBERTO ZUCCO

E a noite de sábado chegou e com ela, mais uma peça. Dentre 154 opções, foi difícil escolher onde íamos. Optamos pelos teatros de bolso da Praça Roosevelt. Pelas indicações do Guia Folha, escolhemos ver Roberto Zucco, em cartaz no Espaço Satyros 1 (Praça Roosevelt, 214). Chuviscava um pouco quando saímos do hotel. Pegamos um táxi. O motorista não sabia como chegar. Eu, que não moro em São Paulo, expliquei o caminho. A corrida ficou por R$ 12,00. Chegamos ao teatro às 20:25 horas. Como sempre, havia vários jovens nas mesas do bar do espaço. Na bilheteria, recebi a informação de que tinha que esperar porque não havia mais ingresso, mas que em cinco minutos começaria a venda dos ingressos reservados, caso eles não fossem retirados. Perguntei se havia senha ou fila, recebendo a informação de que bastava esperar no local. Vi que tinham outras pessoas aguardando. O hall começou a encher. O diretor da peça apareceu e disse para só liberar os ingressos reservados às 20:45 horas. Fui o primeiro a comprar os ingressos, mas todos que esperavam a reserva cair, conseguiram entrar. O valor da entrada foi R$ 40,00 por pessoa. Antes de abrir as cortinas para entrarmos no teatro, o diretor informa que quem tinha vertigens devia se sentar no primeiro nível da arquibancada, também falou para ninguém deixar os pertences no chão ou pendurados nas cadeiras, tudo em nome da segurança. O mesmo aviso foi dado depois que as quarenta pessoas estavam sentadas. Ficamos no terceiro nível. Eram duas arquibancadas, cabendo vinte pessoas em cada uma. O espaço é pequeno, em formato retangular. As arquibancadas estavam encostadas em um dos lados menores. A primeira cena ocorre no lado oposto ao da arquibancada. Trata-se da fuga de Roberto Zucco da cadeia, onde cumpria pena por ter assinado seu pai. No momento da fuga, uma barulheira se dá embaixo das arquibancadas que logo começaram a se mover freneticamente, empurradas pelos atores da peça. Este era o motivo pelo qual enfatizaram tanto a questão da segurança antes do início do espetáculo. Ao longo das duas horas de peça, as arquibancadas são movimentadas várias vezes, conforme seria o local da próxima cena. Em uma dessas movimentações, a roda de uma arquibancada se enroscou no linóleo do piso, não se movendo mais. Pararam a cena, acenderam as luzes, os vinte espectadores desceram, a arquibancada saiu do lugar, colocaram-na no local correto, o pessoal se acomodou novamente e a peça reiniciou. São vinte atores em cena, mostrando aspectos da violência urbana e de como a sociedade acaba sendo conivente com o que ocorre a sua volta. Misturando drama e comédia, a peça mostra os últimos dias de Roberto Zucco antes de ser preso novamente. Nesta altura, ele já tinha cometido mais três assassinatos. Nunca tinha visto nada de Os Satyros, mas sempre tive vontade de conhecer o trabalho desta companhia teatral, muito pelo que li a respeito. Ao final do espetáculo, vi que a força do grupo é incrível, mesmo havendo alguns destaques individuais. Quando terminou a peça, percebi que o conjunto é o grande destaque do grupo. Gostei muito do texto e da forma como Os Satyros o encenou. O texto é o último de Bernard-Marie Koltès que o escreveu já doente de AIDS, morrendo em Paris em 1988. Esta questão da doença e da proximidade da morte está presente no texto melancólico, frio, distante e triste, mas ao mesmo tempo, com lirismo e humor. Rodolfo García Vázquez é o responsável pela direção, tradução e adaptação. Ao final, nos agradecimentos, uma das atrizes pede desculpas pelos problemas técnicos, informa que um ator português substituiu um dos integrantes do grupo naquela noite, e diz que a magia do teatro havia se manifestado novamente naquela noite, pois com os problemas técnicos, aquela encenação tinha sido diferente de todas as outras. Esta é a magia do teatro: cada encenação é única, mesmo com o texto na ponta da língua dos atores. Reforço que vale a pena conhecer este trabalho de Os Satyros.

ÁGUA NA OCA





Aproveitando o início da tarde no Parque do Ibirapuera, entramos na Oca para ver a exposição Água na Oca, idealizada e montada pelo Instituto Sangari. A entrada custa R$ 20,00. Mochilas no guarda-volumes e fotos apenas sem flash. São quatro níveis, cada um com tema específico. O nível da entrada nos mostra O Mundo da Água, com vídeos, objetos e muita interatividade. O nível 2 é chamado Infiltração, trazendo a vulnerabilidade do homem diante da água, a responsabilidade social, as maneiras de melhor utilização deste precioso bem da natureza. Uma das instalações mais interessantes está neste andar, com uma reprodução de um barraco construído em uma favela durante uma tempestade. Dentro do barraco, temos a sensação de que realmente está chovendo forte, com goteiras no teto, barulho da chuva batendo no telhado, água entrando pelas janelas, energia intermitente, ventania, raios e trovões. Quando soa o trovão, o barraco de madeira treme todo. O terceiro nível é uma grande sala de cinema, com a tela no teto. Para assistir ao filme sobre as criaturas do oceano, é preciso deitar em algum dos vários colchões de água espalhados no local. Este andar tem o nome de A Última Fronteira. Enquanto vemos o filme, descansamos nos macios colchões. É preciso ter cuidado, pois as costas ficam muito frias. Há ainda o nível do subsolo, cujo nome é O Desaguar. Ali estão expostas obras de artistas contemporâneos cujo tema é a água. Há vídeos, fotografias, instalações, algumas delas interativas. Todas as obras são bonitas e criativas. Há uma instalação que se pode caminhar sobre ela, desde que sem sapatos, cujo reflexo na parede da Oca simula a água do mar. O efeito é bonito e dá uma sensação de paz incrível. Gostei também dos aquários expostos no nível da entrada. Gastamos uma hora e dez minutos nesta lúdica e instrutiva visita. Ao sair, decidimos voltar para o hotel, pois o corpo pedia descanso para a noite. Pegamos um táxi na entrada do Prédio da Bienal. Pagamos R$ 18,00 pela corrida até o hotel.


domingo, 5 de dezembro de 2010

MAM






Detalhes da exposição "Dengo", instalação de Ernesto Neto no MAM-SP

Ainda no MAM, depois do almoço, resolvemos ver as duas exposições individuais em cartaz no museu. Aos sábados, a entrada é gratuita, precisando apenas colar um adesivo na roupa. Este adesivo está disponível na bilheteria, em balcão na entrada do museu. A maior das individuais chama-se "Dengo" do artista contemporâneo Ernesto Neto. É uma instalação colorida, com grandes redes penduradas no teto de onde caem gotas do mesmo material das redes preenchidas nas extremidades com bolas coloridas. Também há gotas que envolvem instrumentos musicais de percussão, e assentos em forma de balanços. Em pontos estratégicos, finos postes chamados pelo artista de camelôs contém, pendurados, saquinhos de chocolates, balas, sal e ervas. Nas extremidades de algumas gotas que ficam nas laterais estão latinhas de cerveja amassadas ou cocos vazios, como se fosse uma representação do lixo urbano. Ao fundo, no fim da exposição, um vídeo mostra pipas no ar, enquanto no chão do espaço expositivo, abaixo do telão, estão caixas de isopor, cocos in natura e sacos de lixo pretos com cocos já usados. Voltando, perto da entrada/saída, há várias carteiras de sala de aula coloridas em formato de gato e um quadro negro estilizado com uma frase, em inglês, dizendo que não precisamos de guerra no Brasil. Com exceção dos postes "camelôs", toda a obra pode ser tocada, incluindo os instrumentos musicais. Há na parede, logo na entrada, as regras para visitar a exposição, onde se lê que pode-se tocar a obra, mas é necessário fazê-lo com dengo. O colorido e o formato da instalação são um convite para a interatividade. Adultos e crianças, sem exceção, acabam mexendo em tudo (até onde está escrito que não se pode tocar), tocando os tambores, o piano, sentando nos balanços e balançando as gotas que pendem do teto. No corredor de acesso ao espaço expositivo, um papel de parede chama a atenção. De longe parecem estrelas em cor bege com um fundo azul piscina. De perto, percebemos que as estrelas são formadas por pés de galinha. Fomos, em seguida, para o segundo espaço expositivo do museu, onde está a individual de Raymundo Colares. Pequeno, há obras coloridas espalhadas pelas paredes e nichos de vidro, onde as cores fortes são predominantes, especialmente o vermelho. Foi uma rápida passagem.


Individual de Raymundo Colares no MAM-SP

Saímos do MAM. Na lateral do museu acontecia um evento onde pessoas com deficiência mostravam os métodos que utilizavam para fazer pinturas. O evento chamava pintando com pés e boca. Muita gente parava para ver. Ao final do prédio do museu, já iniciando a famosa Marquise, centenas de pessoas, a maioria mulheres, estavam sentadas em mesas de plástico em um trabalho frenético, utilizando cola, tesoura, papel, linha, agulha, tecido, entre outros materiais. Era um aulão de scrap, a arte artesanal de enfeitar as coisas, especialmente álbuns de fotografia. Demos uma volta na Marquise, parando para ver dois dos nove jardins que integram a mostra Festival de Jardins do MAM no Ibirapuera. Artistas plásticos foram convidados a construírem jardins em nove locais do parque. Vimos o jardim da dupla Dimitri Xenakis (francês) & Maro Avrabou (grego), composto por estantes que lembram as gôndolas de supermercados. Ao percorrer os caminhos, notei que as plantas expostas estavam em vasos com imagens de legumes e verduras de nosso dia a dia. Salsa, berinjela, cenoura, rabanete, abobrinha, entre outras, estavam expostas neste interessante jardim. O outro jardim é de autoria de Christine (francesa) & Michel Péna (francês), com estrutura em forma de onda, com plantas rasteiras, incluindo grandes pratos com plantas comestíveis. Entramos, ainda, no Auditório Ibirapuera, onde no saguão há uma bonita escultura vermelha de Tomie Othake, enquanto em sua entrada há a escultura chamada "Labareda", de Oscar Niemeyer, o autor do projeto arquitetônico do prédio.


Aula de scrap na Marquise - Parque do Ibirapuera


Festival de Jardins do MAM do Ibirapuera - Dimitri Xenakis & Maro Avrabou


Festival de Jardins do MAM do Ibirapuera - Christine & Michel Péna


Escultura de Tomie Othake no saguão do Auditório Ibirapuera


Escultura "Labareda", de Oscar Niemeyer, na entrada do Auditório Ibirapuera



PRÊT NO MAM

Quando saímos do Prédio da Bienal, já passavam de 13 horas. A fome já nos atacava. Preferimos ficar no Parque do Ibirapuera para almoçar no restaurante do Museu de Arte Moderna (MAM), chamado Prêt no MAM. Já conhecia o local. Oferece um sistema de buffet livre, cujo preço é salgado (R$ 52,00), especialmente aos sábados e domingos, dias de maior movimento. Como sei que o local fica lotado a partir de uma hora da tarde, nos apressamos para entrar logo. Conseguimos uma mesa próximo ao buffet. É desconfortável, pois as pessoas fazem fila ao lado de sua cadeira e algumas delas não se importam de conversar alto, praticamente em cima de seu prato. A sorte que a mesa era para quatro pessoas, possibilitando que eu e Ric nos sentássemos nas posições que ficavam mais distantes da fila. Como previa, logo todas as mesas ficaram ocupadas e uma lista de espera teve que ser utilizada pela gerente. No buffet havia uma opção de quiche de brócolis com amêndoas, arroz branco, feijão preto temperado, frango à espanhola (peito de frango grelhado com molho de linguiça, tomate e grão de bico), torta de abobrinha, aspargos cozidos com mascarpone, salada de folhas verdes, carne assada, uma espécie de purê de siri, uma massa recheada com queijo crocante por fora e um canapé. São poucas as opções, mas os pratos são bem feitos e repostos imediatamente, sempre quentes. O senão fica com a falta de educação dos clientes. Quando estão se servindo, geralmente em grupos de amigos e/ou familiares, costumam conversar, rir e mexer nos cabelos. Há uma recomendação da Organização Mundial de Saúde para que, em serviços de buffet, as comidas estejam protegidas com vidros, que não se utilize os pratos sujos para se servir novamente e que haja avisos aos clientes para que evitem conversar enquanto se servem. Não há nada disso no restaurante. Incomodado com o que via, especialmente quando um homem gargalhou na fila e sua saliva pulou no ar, chamei a gerente e lhe questionei sobre este aspecto. Ela me disse que trabalha há dezoito anos no setor de restaurantes e que desconhecia esta orientação. Simpática, agradeceu, dizendo que falaria com o proprietário sobre o assunto. Disse a ela que em Brasília, todos os restaurantes que oferecem o serviço self-service, seja ela a quilo ou em buffet livre, são obrigados a protegerem o local onde fica a alimentação pronta a ser servida. Bebemos um café descafeinado, desta vez da marca Illy e pagamos a conta. Desde que estou em São Paulo, tenho pedido notas fiscais com meu CPF em todos os locais onde frequento, pois o programa Nota Fiscal Paulista atinge a todos os consumidores, não importando o estado em que morem. O melhor é que, diferente de Brasília, você pode optar por receber seus créditos em dinheiro, por intermédio de crédito em conta bancária. O cadastro é simples no sítio eletrônico da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. No Prêt no MAM não foi diferente. Fui embora com o cupom fiscal com meu CPF registrado.

BIENAL DE SÃO PAULO


Detalhe da obra de Ai Weiwei, "Circle of Animals", representando os animais do horóscopo chinês


Detalhe da instalação de Rosângela Rennó, "Menos-valia [leilão]", 2010


Detalhe da instalação de Yonamine, "Os mestres e as criaturas novas [remixstyle]", 2010


"Ninhos", instalação de Hélio Oiticica, década de 1960


"350 points towards infinity", 2009, obra de Tatiana Trouvé


Instalação de Cinthia Marcelle, "Sobre este mesmo mundo", 2009-2010


Terreiro "Lembrança e Esquecimento - Quem Paga o Arrego - Tá Tudo Arreglado!", de Ernesto Neto, 2010


"Arroz e Feijão", instalação de Ana Maria Maiolino, 1979-2007


Gil Vicente, "Autorretrato III - matando Elizabeth II", 2005


Saída da obra "A Origem do Terceiro Mundo", de Henrique Oliveira, 2010


"seja marginal, seja herói", 1968, de Hélio Oiticica

Um dos motivos para eu estar em São Paulo durante minhas férias era visitar a 29ª Bienal de Artes de São Paulo, em cartaz até o dia 12 de dezembro no Prédio da Bienal, dentro do Parque do Ibirapuera. Dediquei o sábado para algumas das exposições de arte que estão no parque. Pegamos um táxi (R$ 18,00) do hotel até a entrada do Prédio da Bienal. Entrada gratuita, com revista necessária das bolsas. Mochilas devem ser colocadas no guarda-volumes, mas bolsas são liberadas. Fotos à vontade, desde que sem o uso do flash. Não havia fila para entrar. Estava cheio, mas não tumultuado, o que nos garantia uma boa visão de todas as obras. Mais de 180 obras estão expostas, entre pinturas, esculturas, fotografias e vídeo-instalações. Há também uma programação diária de eventos nos terreiros dispostos nos três andares que a Bienal ocupa. São eventos de cinema, literatura, artes cênicas, música e palestras. O meu objetivo era ver o máximo possível, mas quando ficasse cansado, terminaria a visita. Não dá para ver atentamente todas as obras, mesmo porque, em um universo tão grande, nem tudo vai ser interessante sob o ponto de vista de cada um. Comigo não foi diferente. Não gosto muito de vídeo-instalações e como há muito deles expostos, ou eu passava rapidamente pela sala ou nem entrava. Logo no primeiro piso, bem próximo à entrada, um vídeo do cineasta francês Jean-Luc Godard, com dois minutos e quinze segundos de duração, chamado Je Vous Salue Saravejo. São fotos da época da guerra na cidade européia que passam como slides, enquanto uma voz em off narra uma espécie de oração. Uma provocação, bem ao estilo do seu filme Je Vous Salue Marie. Artistas brasileiros consagrados estão com obras remontadas ou montadas na exposição. Lygia Pape, Cildo Meireles, Nelson Leirner, Mira Schendel, Milton Machado, José Leonilson, Rosângela Rennó, Nuno Ramos, Ernesto Neto, Daniel Senise, Antônio Dias, Gil Vicente, Hélio Oiticica. De Hélio Oiticica, destaco "Ninhos", uma estrutura de madeira em três níveis, cheia de nichos, onde as pessoas podem entrar e se deitar. Uma funcionária do local, responsável por vigiar a obra, disse que há pessoas que entram e dormem. Como todos ficam com os pés de fora, pois não há espaço para o corpo todo, os visitantes acabam pensando que aqueles pés aparecendo fazem parte da obra. Só coloquei a cabeça para ver o espaço e tirei logo, pois o cheiro de suor era muito forte. Os quadros de Gil Vicente matando personalidade nacionais e internacionais é um dos mais visitados. Neles, o artista faz um auto-retrato onde ele sempre está matando alguém. Entre os assassinados estão Lula, Fernando Henrique Cardoso, Bento XVI, Jarbas Vasconcelos, o Presidente do Irã e a Rainha da Inglaterra. A obra polêmica de Nuno Ramos, chamada "Bandeira Branca" estava incompleta, pois foram retirados os dois urubus que ficavam em uma enorme gaiola ocupando os três níveis do prédio, onde, do alto das estruturas ali montadas, três músicas eram tocadas, entre elas Bandeira Branca, na interpretação de Arnaldo Antunes. Um cartaz avisava que os urubus foram devolvidos ao local de origem (Sergipe) por determinação do Ibama de Brasília, embora houvesse autorização da regional do mesmo órgão de Sergipe. A obra mais visitada está no terceiro piso. Chama-se "A Origem do Terceiro Mundo", cujo autor é Henrique Oliveira. Há fila para, literalmente, visitar a obra. Ao entrar, uma mulher quis logo sair, pois era claustrofóbica. São caminhos tortuosos, todos em lâminas finas de madeira pregadas com grampos. A altura varia, sendo que precisei me agachar em alguns pontos. O espaço a caminhar é curto, em mão única, mas demora-se um pouco, pois cabe apenas uma pessoa no caminho, formando-se uma fila indiana, além das inevitáveis paradas para fotos. A surpresa está na saída. Quando já estamos fora da obra e viramos para trás, vemos que saímos de uma enorme vagina. Um senhor disse que tinha a sensação de ter nascido de novo! Muitos voltam até a saída para a fotografia do novo "nascimento". O que mais me chamou a atenção foram três obras: a instalação de Rosângela Rennó chamada "Menos-valia [leilão]", com várias fotografias antigas expostas em quadros, porta retratos, incluindo câmaras fotográficas manuais; as esculturas gigantes com as cabeças dos doze animais que integram o horóscopo chinês do artista Ai Weiwei; e a instalação do angolano Yonamine, chamada "Os Mestres e As Criaturas Novas (remixstyle)", com jornais, serigrafias, som, plástico, vídeo e tinta; todas no piso T+1 e tem fotos por mim tiradas ilustrando este post. Desta vez, há uma expressiva presença de fotografias de artistas africanos. Até os pixadores de São Paulo estão presentes em fotos e vídeo que registram suas "performances" pixando prédios na noite paulistana. Não gosto de pixações, especialmente as que sujam as cidades. Aquelas feitas para enfeitar, com cores vivas, são interessantes. Nossa visita na Bienal durou duas horas e vinte minutos. Não nos cansamos, percorremos todos os andares, tiramos muitas fotos e vimos todas as obras que achamos interessantes. Agora é esperar 2012 para a trigésima edição da Bienal paulista.

sábado, 4 de dezembro de 2010

SERAFINA


Meia noite. Lugar bochichado. Fila de espera. Foi assim que conheci o restaurante inaugurado neste semestre em São Paulo, o Serafina (Alameda Lorena, 1.705 B, Jardins), primeira filial fora de New York do badalado restaurante americano. Quando estive na cidade americana em abril deste ano, fui duas vezes a uma das unidades do Serafina e gostei muito. Resolvi repetir a dose, conhecendo a unidade paulistana. Muita gente bonita, jovem e elegante estava sentada na área externa do restaurante. Coloquei meu nome na fila de espera. A atendente me disse que o tempo médio para uma mesa vagar era de vinte e cinco minutos. Ela nos indicou o bar para a espera, no salão interno. Estava escuro, não conseguia ver o cardápio de bebidas, mas era um problema com a iluminação, que logo foi resolvido. A decoração é semelhante à de New York, com algumas paredes com mosaicos que nos lembram se tratar de um restaurante de culinária italiana. Como nos Estados Unidos, a iluminação também é baixa e o volume do som um pouco acima do tom, prejudicando uma boa conversa, já que o salão interno, com capacidade para 120 pessoas, é um lugar para se fazer refeições e não um bar. O teto é baixo, o que facilita a concentração do barulho. Tinha mais mulher do que homens nas mesas, além de uma quantidade expressiva de estrangeiros, O cardápio também é o mesmíssimo, incluindo as famosas foccacie, uma espécie de pizza, muito boas, por sinal (lembranças da experiência novaiorquina). O clima é informal. Percebi que algumas pessoas que chegaram depois de nós estavam sendo conduzidas para se sentar. Detalhe, a cozinha fechava a uma hora da madrugada. Reclamei com uma das hostess. Imediatamente surgiu uma mesa para nós dois. Coincidência? Não se sabe. Sentamos no segundo salão, onde o barulho era menor. Faltava meia hora para a cozinha fechar, motivo pelo qual decidimos pedir uma massa, prato mais rápido de se preparar (R$ 29,00 cada prato). Escolhemos também o vinho tinto português Colinas de São Lourenço 2005, da região da Bairrada. Para nossa surpresa, em menos de dez minutos os pratos foram servidos. Pensei que poderiam estar mal preparados, mas foi engano. O meu prato estava ótimo, assim como o de Ric, que não parava de elogiar o molho à bolognesa de seu penne. Eu pedi um Papardelle ao Portofino (massa fresca ao molho pesto com cubos de batata cozida, vagem holandesa e pignoles tostados), com bela apresentação e servido em quantidade exata, nem pouco, nem muito. O inusitado ficou pela combinação de massa e batata cozida. Ainda houve tempo para pedir sobremesa. Ric pediu um tiramissú, que estava divino, e eu pedi uma pana cotta de baunilha com calda de laranja, que estava mediano. Sua consistência estava um pouco além do ponto, além de estar sem doce. Finalizamos com um descafeinado da Nespresso. Voltamos a pé para o hotel, subindo seis quadras na fresca madrugada paulistana.


Papardelle ao Portofino


Pana Cotta


Tiramissú


LIGAÇÕES PERIGOSAS

Liguei para a bilheteria do Teatro da FAAP (Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo) e fiquei surpreso ao saber que havia muito ingresso disponível para a noite de sexta-feira para o espetáculo Ligações Perigosas, adaptação de Christopher Hampton para o romance de Choderlos de Laclos, publicado em 1782. A peça estava marcada para começar às 21:30 horas e realmente começou no horário. Eu e Ric fomos de táxi do hotel para o teatro (R$18,00). Chuviscava. O motorista sabia a direção, mas não sabia exatamente como chegar. Usamos o GPS do iPhone de Ric, garantindo o trajeto correto. Chegamos quarenta minutos antes, mas não encontramos fila na bilheteria, apenas um casal estava à minha frente. Enquanto esperava, li no cartaz afixado no local que o ingresso para as noites de sexta-feira custava R$ 70,00. Quando chegou minha vez, duas surpresas. A primeira delas foi quanto aos lugares disponíveis, pois havia mais de dois terços das cadeiras vagas e a segunda foi quanto ao preço. Houve uma redução de 50% no valor do ingresso. Assim, cada entrada custou R$ 35,00. O hall de espera estava vazio, nem fila no Café do Teatro tinha, diferentemente das outras oportunidades em que assisti a outras peças neste teatro. Nossos lugares eram na fila I, mas ao dar o terceiro sinal, um funcionário nos perguntou se queríamos sentar mais a frente. Ficamos na primeira fila, bem centralizados. O teatro não tinha nenhum 1/3 de sua capacidade. A história é sobre vingança no final do século XVII. Imoralidade, futricas e intrigas fazem parte do jogo dos ex-amantes e amigos Marquesa de Merteuil (Maria Fernanda Cândido) e Visconde de Valmont (Marat Descartes). A Marquesa lança um desafio ao Visconde: seduzir a jovem virgem Cécile (Laura Neiva), filha de sua prima, Madame de Volanges (Chris Couto), prometida ao ex-amante da Marquesa e enamorada de Danceny (Ricardo Monastero). O Visconde recusa a princípio, pois tem planos mais ousados, ou seja, seduzir uma recatada jovem casada, Madame de Tourveil (Sabrina Greve), que está hospedada no castelo da tia do Visconde (Clara Carvalho). A Marquesa promete ao Visconde um retorno aos velhos tempos, tendo uma noite de amor com ele, caso ele cumpra as duas missões. Ele o faz, mas descobre, tardiamente, que a vingança, na verdade, era contra ele. A comparação com o sucesso do cinema de 1988, dirigido por Stephen Frears e estrelado por Glenn Close, John Malkovich e Michele Pfeiffer é inevitável. O texto é bom, atual, ácido, a trama é bem conduzida pelo diretor Mauro Baptista Vedia, além da excelente iluminação de Maneco Quinderé e dos ótimos figurinos de Maria Gonzaga. Apesar disto tudo, a interpretação do elenco é muito díspare, comprometendo o espetáculo. Marat Descartes é o grande nome, é a figura central, com uma encenação entre o irônico, o sedutor e o cafajeste, consegue ainda dar um toque de humor durante as mais de duas horas de duração da peça. Os outros atores masculinos são mero coadjuvantes, sem grande relevância. No elenco feminino é que estão os problemas. Laura Neiva é sofrível, não consegue passar ingenuidade ao papel da virginal Cécile, além de ter um sotaque insuportável de menina mimada. Não passa de um rostinho bonito encontrado no Orkut para o filme À Deriva, de Heitor Dhalia. Clara Carvalho tem uma entonação forçada, não passa verdade. Maria Fernanda Cândido está, como sempre, lindíssima, mas também não consegue convencer como a fria e calculista Marquesa. Suas limitações são visíveis no palco. Duas atrizes tem boas interpretações. Sabrina Greve, como a mulher casada que se deixa seduzir pelo Visconde, apaixonando-se por ele, e Camila Czerkes, em um pequeno papel como a prostituta que atende o Visconde. Chris Couto não faz feio, mas também não se destaca. Acho que deviam alterar a chamada nas propagandas da peça. Ao invés de Maria Fernanda Cândido e grande elenco, deveria ser Marat Descartes e grande elenco, pois a peça é toda centrada nele. Uma pena, pois Vedia tinha tudo nas mãos para uma excelente peça. Ficou no mediano.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

NA COZINHA

Almocei no restaurante Na Cozinha (Rua Haddock Lobo, 855, Jardins, São Paulo) nesta sexta-feira quente na capital paulista. Para mim, o tempo inteiro era sábado, pois acordei muito tarde, já perto de meio dia. Cheguei ao local às 14:10 horas. Foi minha primeira vez neste restaurante. É pequeno, no máximo seis ou sete mesas, dando ar de bistrô, devido ao clima aconchegante. Logo na entrada, vemos a cozinha aparente, com paredes em vidro para que a fumaça não chegue no salão onde ficam os clientes. Devido ao horário, apenas uma mesa estava ocupada. Sentei em uma mesa no final do corredor, o que me garantia uma ampla visão do restaurante. O atendimento é simpático, informal e eficiente. O garçom soube responder todas as minhas dúvidas e curiosidades. Ele me sugeriu o menu especial, dedicado a Santa Bárbara (Iansã, que no sincretismo religioso, é o santo associado no candomblé), cujo dia se comemora em 04 de dezembro. O menu consistia de prato com iguarias da culinária baiana, ou seja, caruru, vatapá, bobó de camarão, xinxin de galinha, feijão fradinho, farofa de dendê e arroz branco. Ainda no mesmo menu, estava incluída a sobremesa, um manjar de coco com calda de laranja e gengibre. Tudo ao preço de R$ 39,90. Este menu especial só será oferecido nos dias 03 e 04 de dezembro de 2010. De 05 a 11/12/2010, o menu especial será com comidas típicas do Centro-Oeste. Ric preferiu pedir o carro chefe da casa, o menu executivo de picadinho de filé (R$ 29,90), com salada de folhas, mini pasteis de carne, feijão, tomate, farofa e arroz branco, terminando com uma salada de frutas temperada com sal e gelo. Não há sucos no cardápio, mas há algumas opções de refrigerantes típicos de alguns estados, como o Mate Couro, encontrado em Belo Horizonte, Minas Gerais, a tubaína de São Paulo, a cajuína dos estados do Nordeste. Havia o delicioso Guaraná Jesus, do Maranhão, mas por dificuldades de comercialização, não oferecem mais. O chef é Carlos Ribeiro, um simpático paraibano que foi até nossa mesa conversar um pouco. Ric pediu uma cajuína, enquanto eu fiquei na água com gás. De entrada, pedimos uma porção mista de pasteis fritos (R$ 21,00). Vieram seis pasteis, dois de carne, dois de palmito e dois de queijo temperado com ervas. Deu para enganar o estômago, enquanto aguardávamos nossos pratos principais. Achei os pasteis sem personalidade. Em todo pastel de queijo, seu recheio deve vir derretendo, o que não foi o caso. Já os pratos principais vieram com bonita apresentação e um delicioso aroma. Todas as iguarias baianas vieram bem montadas e estavam bem feitas, com destaque para o vatapá e o caruru, que estavam muito bons. O senão ficou apenas para o arroz, que veio frio, mas nada diferente do que qualquer porção de arroz que se come nos restaurantes em Salvador, Bahia. Ric gostou do seu picadinho. O manjar de coco veio em um pequeno tamanho, ideal para quem não quer comer muito doce. A calda tem um sabor expressivo de laranja, com um longe ardor do gengibre. Fiquei curioso com a salada de frutas temperada com sal e gelo do menu de Ric. Experimentei e achei o sabor delicado. O sal é discreto, conferindo um toque especial às frutas. Não bebi café, mas como Ric pediu, verifiquei que é Nespresso. Quando saímos, já estava fechado o restaurante, pois já passavam das três horas da tarde. Valeu a pena conhecer este escondido restaurante nos Jardins. Recomendo.


Menu Santa Bárbara


Menu Executivo - Picadinho de Filé

MAMMA MIA!


Desde que estreou em São Paulo, fiquei com vontade de assistir ao musical Mamma Mia!. Afinal, segundo o seu livreto, é o musical nº. 1 no mundo, em cartaz faz alguns anos em New York. Recordo-me que quando lá estive em abril, fiquei hospedado bem perto do teatro onde é encenado o musical, sempre com filas enormes. O sucesso do musical foi transportado para as telonas com a mesma diretora e também foi sucesso de público. Vi o filme e gostei. Com todos estes antecedentes, quando tive oportunidade de encaixar uma viagem a São Paulo em minhas férias, não tive dúvidas. Comprei ingresso na bilheteria da Fnac em Brasília. Para a noite de quinta-feira, dia 02/12/2010, não tinha mais entrada para a plateia vip, a mais próxima do palco. Paguei R$ 204,00 cada ingresso, já incluída a taxa de conveniência, para a plateia A2. Eu e Ric chegamos no meio da tarde em São Paulo, fizemos check in no Ibis São Paulo Paulista, almoçamos no América Paulista, ao lado do hotel. Ao sairmos, chovia, motivo pelo qual preferimos não sair, descansando para a noite. Como o trânsito da cidade é travado, saímos às 19:50 horas do hotel, pegando um táxi (R$ 17,00) até o Teatro Abril (Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411), templo dos musicais em São Paulo. Chegamos às 20:15 horas, ficando no belo saguão esperando a abertura das portas do teatro. Aproveitei para comprar um imã de geladeira alusivo à peça na lojinha montada no local. A loja tem o cd com as músicas da peça, peças em cerâmica que lembram as ilhas gregas, cenário do musical. O imã é caro, pois custou R$ 18,00. Os musicais no Teatro Abril tem uma organização semelhante aos da Broadway, em New York. Assim, no horário marcado, as portas foram abertas. Enquanto aguardávamos para entrar, um ônibus de turismo chegou trazendo apenas senhoras para lá de sessenta anos. Muito legal isto. Por falar nestas senhoras, o público majoritário do musical na noite de quinta-feira era de idosos. O teatro não ficou lotado, mas tinha um bom público, ocupando mais de 2/3 de sua capacidade. O musical é baseado nos grandes suscessos do grupo sueco Abba, com músicas e letras da dupla Benny Andersson e Bjorn Ulvaeus. Coube a Cláudio Botelho a versão brasileira. O diretor da versão nacional é Floriano Nogueira, também coreógrafo, enquanto o diretor musical é Paulo Nogueira. Trinta e dois artistas, entre cantores/atores e dançarinos integram o elenco, encabeçado por Kiara Sasso (Donna Sheridan), Pati Amoroso (Sophie Sheridan), Andrezza Massei (Rosie), Rachel Ripani (Tanya), Carlos Arruza (Bill Austin), Cleto Baccic (Harry Bright) e Saulo Vasconcelos (Sam Carmichael). O musical tem dois tempos, cada um com uma hora e dez minutos de duração. Há um providencial intervalo de vinte minutos entre os atos. Durante todo o espetáculo as músicas são cantadas em português. Foi interessante ver as músicas que embalaram e ainda embalam as pistas de dança ao redor do mundo em versões na nossa língua. O sentido das músicas ficou o mesmo, com muita alegria. Algumas delas são perfeitas para as performances de Andrezza Massei, a simpática gordinha Rosie, e Rachel Ripani, fazendo o papel de Tanya, a perua de meia idade. Os cenários não são grandiosos como em outros musicais americanos, mas refletem bem o clima praiano das ilhas gregas. O forte são as músicas e as interpretações do quarteto feminino principal. Aliás, o elenco feminino é muito superior ao masculino. Saulo Vasconcelos, uma unanimidade nos musicais brasileiros, soa desconfortável em um papel menor. Após as apresentações de todo o elenco, já findada a encenação, a orquestra executa novamente Mamma Mia, com o elenco de apoio dando um show de dança, cantando em inglês. A plateia se levantou para acompanhar e não sentou mais, pois, em seguida, o elenco principal veio com figurino que me lembrou Priscilla, a Rainha do Deserto para cantar, também em inglês, Dancing Queen. Final pra cima, cheio de energia. Os comentários na saída eram só elogios. Achei a peça bem superior ao filme. É mais lúdica, mais bonita. A história é simples, mãe e filha vivem em uma ilha grega na qual administram uma taberna/pousada. A filha se prepara para casar e quer saber quem dos três antigos namorados de sua mãe é seu pai e os convida, sem conhecimento da mãe, para a festa de seu casamento. Do teatro, pegamos um táxi (R$ 11,00) para jantar na tradicional cantina italiana Famiglia Mancini (Rua Avanhandava, 81), onde, pela primeira vez, não precisei ficar em fila de espera. Entramos, pedimos um Chianti Clássico, uma bela massa, brindando a bela noite em São Paulo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MAIS UMA VIAGEM

Ainda de férias. Passarei o final de semana em São Paulo. Na agenda, novos restaurantes, exposições de arte, musicais e peças teatrais. Deve sobrar tempo para uma comprinha básica.