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sábado, 16 de abril de 2011

MALAS PRONTAS, CHECK IN REALIZADO: DESTINO - COLÔMBIA

Acordar cedo em um sábado só mesmo para uma boa causa. Aproveitarei alguns dias que me restauram das férias de 2010 para passar a Semana Santa na Colômbia. Seremos seis amigos, dos quais quatro já viajaram desde sexta-feira. Eu e Ric estamos no Aerporto de Brasília aguardando embarque para Guarulhos e de lá, pegaremos um voo para Bogotá. Ficaremos duas noites na capital colombiana, onde já temos reserva confirmada para dois conceituados restaurantes locais, além de um city tour privativo no domingo. Depois seguiremos para Cartagena, local no qual ficaremos quatro noites. Também já temos reservas confirmadas para jantar em quatro ótimos restaurantes e faremos um city tour na próxima terça-feira. Ficaremos no Sofitel Cartagena Santa Clara, dentro da Zona Murada, a parte antiga da cidade. Como o país é muito católico, teremos a oportunidade (assim espero) de ver algumas manifestações tradicionais típicas de uma Semana Santa. Eu e Ric não iremos para San Andrés, pois a combinação praia e mergulho não me atrai. Voltaremos para Bogotá, onde ficaremos mais duas noites, aproveitando para conhecer alguns museus. Em minha lista estão dois museus: Museo del Oro e Museo Botero. A TAM anuncia o embarque. Para variar, como já é de praxe no Aeroporto de Brasília, o portão de embarque foi alterado. A Infraero precisa fazer um intercâmbio urgente com outros países para saber como evitar fazer o passageiro andar pra lá e pra cá, com as constantes mudanças nos portões de embarque. Entre a informação no cartão de embarque, no ato do check in e o momento do embarque, foram três portões diferentes (cartão, display na sala de embarque e anúncio da TAM. Depois continuo, hora de voar para Guarulhos.
Em São Paulo, aeroporto tranquilo, passamos rapidamente pelo controle de raio X e pela imigração. Passei no Dufry para ver se achava um cílio encomendado por uma amiga, mas segundo a vendedora da M.A.C. estava em falta todos os tipos de cílios. Faltavam vinte minutos para o embarque. Decidimos ir direto para o portão 8, embora pudéssemos ficar na sala VIP do Mastercard Black. O embarque atrasou um pouco. Embarcamos logo, pois estávamos bem à frente na fila e ainda podíamos usar o nosso cartão de crédito para um embarque prioritário. Avião cheio, com gente sem educação que achava que era dona do pouco espaço do corredor. Um homem travou as pessoas de caminharem, impedindo-as de chegarem aos seus assentos porque quis ficar em pé conversando com algum conhecido. Foi necessária a intervenção de uma comissária. O tráfico aéreo era intenso, motivando uma prolongada espera na pista para a autorização para decolar. Com isso, o atraso foi de uma hora. Durante o voo, teve alguns momentos de turbulência, mas rápidos. Depois do serviço de bordo, as pessoas resolveram andar pelo estreito corredor, atrapalhando o serviço dos comissários em recolher as bandejas usadas do almoço. Para que todos se sentassem, anunciaram que passaríamos por mais uma turbulência, fato que não ocorreu, mas fez com que todos voltassem aos respectivos lugares. Com os novos remédios, tenho sentido muito sono. Assim, consegui dormir um pouco, mas viajar de dia em longas distâncias é muito chato, pois parece que o tempo não passa. Foram cinco horas e meia de voo. Aterrissamos no Aeroporto Internacional El Dorado às 17:45 horas, horário local, duas horas a menos do que no Brasil. Há um grande número de guichês da imigração, agilizando a checagem da documentação dos turistas, sem muita espera. Em seguida, esperamos as malas, o que também não demorou muito. Passamos pela alfândega e fizemos o primeiro câmbio na cidade. Há dois guichês de câmbio antes da saída, com cotações distintas. Troquei dinheiro no mais favorável e sem taxa de comissão. A cotação era U$ 1 = 1.800 COP. Do lado de fora, o motorista contratado por mim via concierge do hotel já nos aguardava com uma placa. Muito educado e discreto, ele carregou nossas malas até o carro, um Ford Fusion em banco de couro, bem confortável. Demoramos cerca de meia hora para chegarmos ao hotel. Ainda na portaria, encontramos com dois de nossos amigos que voltavam do shopping. Fizemos o check in no Sofitel Bogotá Victoria Regia (Carretera 13, # 85-80), onde tivemos um bom atendimento e foram céleres. Quarto amplo, com decoração moderna. Descansamos um pouco, tomamos um banho, descendo para jantar. Tínhamos reserva no conceituado Leo Cocina Y Cava (Pasaje Santa Cruz de Mompox - Calle 27 B # 6-75), restaurante da chef Leonor Espinosa. Pegamos dois táxis que atendem ao hotel. Pagamos pela corrida o montante de 18.000 COP (cada carro levou três de nós). O carro não para na porta do restaurante, pois a rua é fechada ao trânsito de automóveis. Estava chovendo, mas um empregado do restaurante veio até nós com providenciais guarda-chuvas. O restaurante não estava totalmente cheio, mas tinha um bom público. A iluminação é propositalmente mais baixa, realçando as mesas, as paredes brancas com nichos de luz em tons laranja. O serviço foi rápido, pois nem bem sentamos e já tínhamos à mão o cardápio de bebidas. Trouxeram um amuse bouche, uma espécie de tortilha de arroz com uma manteiga. A tortilha não tinha nenhuma tempero, mas ao receber a camada de manteiga, o sabor ficava marcante na boca. Bebi apenas água a noite toda. Tinha pouca fome, por isso escolhi apenas o prato principal, cubos de atum em crosta de pimenta rosa, com purê de aspargos, acompanhados por uma salada de favas, milho e tomates. A comida demorou muito a chegar à mesa. Tem que ter paciência. O atum estava como gosto, rosado, sinal que foi apenas passado de leve na chapa, mas não gostei do purê de aspargos, estava insosso, além de ser feio. A apresentação do meu prato era bonita. Para mim, a fama do restaurante não é confirmada nos pratos, opinião compartilhada pelos demais amigos que jantaram comigo. Ninguém quis sobremesa. No total, pagamos a conta de 480.000 COP (em torno de U$ 267) para seis pessoas. Pedimos para o garçom chamar dois táxis, mas tivemos que nos contentar em sair, ainda chovia, e pegar os táxis que paravam nas imediações, cheia de restaurantes e bares, além de um hotel Ibis. Quando falamos o nome do hotel que estávamos, o motorista do táxi se fez de desentendido, mas tínhamos o endereço. Ele errou algumas ruas, pegou uma longa avenida e, antes de chegar ao hotel, tenho certeza que deu algumas voltas. O total foi 12.000 COP, valor superior ao cobrado no outro táxi, que foi de 10.000 COP. Perto de meia noite, não aceitei o convite de sairmos para dançar, como alguns queriam. Subi para o quarto para atualizar este blog e tentar dormir, já que temos um domingo recheado de passeios a fazer para conhecer a cidade.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

FARMÁCIA POPULAR

Nesta última quinta-feira retornei à cardiologista para a médica ver os resultados dos exames laboratoriais e do MAPA, aquele que mede a pressão arterial durante quase 24 horas. Com exceção do eterno colesterol, que sempre fica na casa do limítrofe, e de uma inesperada anemia, tudo ótimo com os resultados dos exames de sangue e urina. Quanto ao MAPA, mesmo tomando dois comprimidos ao dia de Maleato de Elanopril 20 mg desde novembro de 2010, a minha pressão continuou na faixa dos 14 X 9, com picos de 15 X 10. O pior é que tais picos aconteceram enquanto eu dormia, período em que ela deveria estar em níveis mais baixos. Acabei descobrindo que o remédio que a médica tinha me receitado, além de não ter surtido nenhum efeito, ainda me deixava com uma indesejável tosse seca constante em minha garganta. E eu pensava que era alguma alergia durante todo este tempo. Bastou 24 horas de suspensão do remédio e a tosse já melhorou bastante. A cardiologista trocou o remédio, me receitando dois outros produtos, Besilato de Anlodipino 5mg (um comprimido pela manhã) e Losartana Potássica 50 mg (dois comprimidos ao dia, de 12 em 12 horas). Também receitou Combiron para repor os meus níveis de ferro e combater a anemia (dois comprimidos por dia, um após o almoço e outro após o jantar). Também me deu pedidos de novos exames laboratoriais e de novo MAPA para fazer ao final de junho, quando retornarei ao seu consultório. Ao passar na farmácia para comprar os remédios da receita, tive uma surpresa agradável. O Losartana Potássica 50 mg faz parte do pacote de remédios do programa Farmácia Popular, custeado pelo Governo Federal. Com isto, o custo para o paciente é zero. Não acreditei no início, pois pensava que era apenas para pessoas de baixa renda e tais remédios deveriam ser retirados em pontos específicos. Estava em uma farmácia de um shopping center. A balconista afirmou que era aquilo mesmo. Perguntei se precisava de cadastro e qual o prazo para pegar novas caixas, já que a receita indicava uso contínuo para o remédio. Ela me explicou todo o processo. Deve-se chegar em qualquer farmácia que tenha a indicação do programa Farmácia Popular de posse da receita médica devidamente datada, assinada e com o carimbo identificando o médico. Também devemos entregar um documento onde conste o número do nosso CPF. No caso, a receita e o documento foram digitalizados para enviar, via internet, ao Ministério da Saúde. Ao receber a receita de volta, ela vem com um carimbo indicando a data em que os remédios foram entregues. Para pegar novas caixas (no meu caso, são duas por mês), somente depois de transcorridos trinta dias da entrega. A receita tem validade de quatro meses. Vencido o prazo, nova receita deve ser expedida pelo médico. Dei um viva ao Governo Federal e à Presidente Dilma, já que a hipertensão é um mal que atinge milhões de brasileiros e muitos nem sabem que sofrem disto. Sendo de graça, é um programa que alcança mais gente e ajuda a combater a doença. Além do custo zero, digna de elogios a facilidade de se pegar estes remédios, pois praticamente em todas as grandes redes de farmácia há disponibilidade destes medicamentos. Importante repetir: deve-se sempre estar com a receita em mãos, fato acertadadíssimo, pois, nós brasileiros, temos a mania de comprar remédios sem apresentar receita, com total conivência das nossas farmácias, fato que não acontece nos Estados Unidos ou na Europa. Agora é torcer para que os novos medicamentos surtam efeito. A mécdia, mais uma vez, bateu na tecla da necessidade de eu praticar algum exercício físico, fato que reluto, mas que vou ter que acabar cedendo, em nome de minha saúde e de meu bem-estar. Vou para a Colômbia neste sábado para relaxar. Quando voltar, vou procurar uma atividade que não seja tão ruim. Creio que vou encontrar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

NATALIE COLE

Em 2011 resolvi colocar em prática uma ideia que há muito vinha amadurecendo em minha cabeça. Na medida do possível (leia-se tempo e dinheiro), ir em tudo quanto é show musical, oportunidade para conhecer gêneros que tinha/tenho preconceitos e cantores/cantoras/bandas que jamais pensaria em ver ao vivo. Quando vi a propaganda que Natalie Cole estaria em Brasília, em show único na noite de 12 de abril, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, acessei a página do Correio Braziliense, imprimi o cupom de descontos do Sempre Você (necessário ser assinante) que me garantia pagar meia entrada e fui até o único ponto de vendas de ingressos, a loja VR do Brasília Shopping. Paguei R$ 250,00 para ficar na poltrona em área vip, mais próxima ao palco, fazendo um protesto, pois a produção do show parece ainda viver na era das trevas, aceitando como pagamento apenas dinheiro, enquanto todos os demais shows internacionais que estão acontecendo em Brasília a opção de pagar com cartão já é uma realidade. A dificuldade de estacionamento no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, um lugar enorme com pouquíssimas vagas, me fez chegar com uma hora de antecedência ao local, onde passei o tempo navegando na internet pelo celular. As portas se abriram quase na hora marcada para ter início o show, sinal de que teríamos, como já de rotina na cidade, um atraso. O auditório comporta quase três mil pessoas. Como o público não era grande o suficiente para enchê-lo, ficou parecendo estar vazio, embora havia um bom número de pessoas, a esmagadora maioria pra lá da casa dos cinquenta anos. Os sete músicos que a acompanham e mais duas backing vocals se posicionaram no palco ainda com as luzes do teatro acesas. Houve um anúncio sobre a proibição de tirar fotos e filmar, apagaram-se as luzes, soando os primeiros acordes para a entrada, às 21:20 horas, de Natalie Cole que usava um vestido longo de um dourado esmaecido muito brilhante, que deixava suas costas totalmente a descoberto, mostrando uma tatuagem na altura de um dos ombros e um corpo magro e esguio. Na pele, muita purpurina. Sua voz preencheu de forma contundente o ambiente. A mulher que sentava ao meu lado parecia uma histérica em shows de bandas adolescentes, assobiando após cada música, gritando, batendo palmas e não entendendo nada do que a cantora falava, pois sempre perguntava para a sua amiga do lado se ela estava entendendo alguma coisa. Entre uma música e outra, Natalie Cole conversava com a plateia, sempre em inglês, ou com seus músicos, mostrando-se bem descontraída e humorada. A primeira parte do show foi morna, sonolenta, cheguei quase a cochilar. A plateia se animou quando ela anunciou que faria um set de músicas brasileiras, mas com letras em inglês. Para minha decepção, a maioria era de Sérgio Mendes, de quem não sou fã. Mas quando a melodia de introdução de Dindi (Tom Jobim, Aloysio de Oliveira e Ray Gilbert) soou, houve um momento de júbilo coletivo. A interpretação e o arranjo para a canção foram muito bonitos. A partir daí o show mudou de tom (sem trocadilhos), melhorando consideravelmente, quando ela cantou alguns sucessos e standards mundiais como Fever (Eddie Cooley & John Davenport), gravada por uma constelação de astros da música como Madonna, Peggy Lee, Michael Bublé, Beyoncé, Ella Fitzgerald, Elvis Presley, The Doors, Diana Krall e tantos outros. Momento de emoção quando ela interpretou Smile (Charles Chaplin) e a obrigatória Unforgettable, repetindo o dueto que fez com seu pai Nat King Cole depois que ele morreu graças à tecnologia. Nesta hora, ela repetiu o dueto no palco com o vídeo de seu pai que passava nos dois telões localizados nas laterais do auditório. Por falar em telão, a transmissão ao vivo do show tinha uma péssima resolução. Ela arrancou risos da plateia quando, sentada, disse que tem uma pequena porção rockn' roll, fazendo o sinal com os dois dedos de algo muito pequeno. Era o momento de interpretar, em arranjo mais para o jazz, uma música da banda Fleetwood Mac. Com uma hora e meia de show, ela encerrou com uma canção alegre, vibrante, diria até dançante, mas ninguém ousou se levantar das cadeiras. Agradecendo com um aceno de mãos, ela se despediu, mas a banda permaneceu no palco, sinal de que um bis viria. Longamente aplaudida, ela demorou um tempo a retornar ao palco, quando cantou somente mais uma música, se despedindo definitivamente do público. A banda ainda permaneceu, mas um batido de bateria de escola de samba, em som mecânico, colocou a plateia, que ainda insistia em pedir mais um, para sair do auditório. Com o sambão correndo solto, as duas backings vocals resolveram se requebrar e até que deram conta do recado, arrancando aplausos e risos da plateia. Na saída, ouvi opiniões divididas sobre o show, com elogios e também reclamações. O certo é que, para mim, ele não foi homogêneo, com altos e baixos. Valeu a pena ir, pois pude apreciar sua bela voz e alegria ao vivo. Talvez o local escolhido pela produção não tenha sido o mais adequado. O show é para locais menores, como o Teatro Oi, onde o clima favorece um show mais intimista, mesmo com uma banda enorme acompanhando a cantora. Já no estacionamento, demorei mais de quarenta minutos para conseguir sair, pois quem estaciona em frente ao Centro de Convenções acaba levando desvantagem na hora de ir embora, pois há um fluxo intenso de carros na via de rolamento, fazendo com que os carros que estão na área do estacionamento tenham dificuldades de saírem do lugar. Cheguei em casa depois de meia noite.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

CONTAGEM REGRESSIVA PARA COLÔMBIA

Semana Santa chegando! Vou para Colômbia. Hoteis, restaurantes, translados, passeios confirmados. Uma semana de folga, conhecendo novos lugares, nova cultura, experimentando novos sabores. Bogotá e Cartagena serão meus destinos.

domingo, 10 de abril de 2011

360º TOUR - U2

Final de tarde de sábado com céu nublado, temperatura mais baixa e com cara de chuva à noite em São Paulo. Este era o cenário às 18 horas quando estava na porta do hotel aguardando um táxi. Não consegui reservar nenhum carro para me levar e buscar, assim tive que ficar plantado em frente ao hotel esperando algum táxi passar vazio na rua. Estava devidamente preparado, vestido uma camisa de malha de manga comprida, calça jeans, tênis, levando dentro de um saco (destes que as pessoas levam para a academia) uma capa de chuva e um binóculos. Outras pessoas também aguardavam táxi, todos para o mesmo destino: o Estádio do Morumbi para assistir ao primeiro show da 360º Tour na cidade. Vi que um táxi deu seta para entrar na porte-cochère do hotel. Voltei e fiquei ao lado de onde ele parou, logo perguntando se ficaria livre. O motorista respondeu afirmativamente. Esperei o pessoal sair do carro para entrar. Quando falei meu destino, o simpático paraibano que me conduziu soltou uma exclamação de felicidade, dizendo que, enfim, levaria alguém para o show. Aproveitei para perguntar se ele poderia me buscar ao término do espetáculo, mas ele disse que não gostava de fazer este tipo de combinação porque era difícil encontrar as pessoas na saída, especialmente quem não conhecia a região, mesmo ficando com os números dos telefones de cada um, pois nunca se sabia em quais ruas de acesso o trânsito seria fechado. De qualquer forma, ele me deu algumas dicas de onde pegar táxi, inclusive o local que ele costumava ficar, mas sem compromisso de me esperar. Demoramos uma hora para chegar ao estádio, tempo onde levamos um ótimo papo. Ele me contou sua vida, seus problemas com um filho que foi usuário de droga, a paixão e o cuidado que teve com ele, além de falar sobre o passeio matinal que faz com seu cão labrador. Ele cobrou a corrida no taxímetro, pois disse que não se sentia bem negociando preços como alguns colegas de praça fazem quando há eventos deste porte na cidade. Paguei R$ 40,00 pelo percurso. O movimento era grande em torno do estádio, mas sem tumulto. Muito bem sinalizado, além de pessoal contratado pela produção bem preparado, dando as informações que todos buscavam, tais como a direção para a entrada para o portão 5, meu caso. Meu ingresso, comprado pela internet e entregue em casa, custou R$ 490,00, incluídas as taxas de administração e de entrega via correio, era para a cadeira superior azul premium. Não sabia como era, apenas que teria um lugar para me sentar. Em alguns portões, especialmente os de acesso para a pista, havia filas, mas a minha entrada estava tranquila. Havia um controle inicial, onde apenas o ingresso era checado para ver se estava na entrada correta, depois outra checagem para indicar o melhor acesso, em seguida a revista de bolsos e bolsas para ver se não estava com algo proibido, depois a catraca, onde o ingresso era novamente conferido e destacada a parte que ficava com a produção e, por fim, no caso da minha escolha, uma pulseira azul era colocada em um dos pulsos, significando que tínhamos livre saída depois que entrássemos, voltando quantas vezes quiser para as cadeiras. Uma pessoa indicava por onde descer, pedindo para ter atenção aos degraus logo à frente. Muita gente já estava no estádio. Adorei a minha escolha, pois além de ter uma cadeira individual para me sentar, o local onde elas ficam é coberto, protegido de vento e de eventual chuva. Por sorte, consegui sentar em uma cadeira ótima, na ponta da fileira, como gosto, com uma excelente visão do imenso palco do show, que tinha um formato futurístico, lembrando uma grande aranha, como as de Louise Bourgeois (com um exemplar no acervo do MAM Ibirapuera). Antes de entrar na área das cadeiras, já passei no banheiro, pois estava sozinho e qualquer ida ao banheiro durante o show significaria uma perda de assento. A fila para comprar alguma coisa no bar era grande, mas para quem queria apenas água e salgados Elma Chips nem precisava sair da cadeira, pois havia gente uniformizada vendendo estes itens, assim como também vendiam binóculos. Tentei, por várias vezes, postar fotos no Facebook ou mesmo postar apenas mensagens, mas o sinal estava péssimo, caindo toda hora. As pessoas que estavam ao meu lado reclamavam que não conseguiam fazer ligações. Estava com dois celulares, um da operadora Claro (institucional, do meu trabalho) e um da operadora TIM (particular, o que uso quando não estou em serviço). O meu TIM também falhava no envio de mensagens. Liguei o Claro para checar e este nem sinal tinha. Por coincidência ou não, a operadora Oi era uma das patrocinadoras do show. Somente quem tinha celular da Oi sentado perto de mim conseguia fazer as ligações e postar mensagens nas redes sociais. Acho que vou enviar uma reclamação para a Anatel sobre isto quando voltar à Brasília. À medida em que os ponteiros do relógio se aproximavam de 20 horas, o Morumbi ia ficando cada vez mais cheio. A abertura do show estava marcada para ter início às oito horas da noite, mas o trio que forma o Muse, responsável pelo show de abertura, iniciou seu show às 19:55 horas. Não conhecia absolutamente nada da banda, ao contrário de uma grande parcela do público, que arriscava até a acompanhar algumas músicas. Eles usaram a mesma estrutura de palco do U2, com os telões imensos em forma circular no alto da "aranha" mostrando nitidamente a performance de cada músico. Aproveitei para ajustar o foco de meu binóculos. O som do trio me lembrou bandas das décadas de 60 e 70, com guitarras visivelmente inspiradas em Jimi Hendrix. Mas a maior semelhança que achei foi com o Queen, especialmente quando o vocalista se senta ao piano, branco, para solar uma canção. A imagem de Freddy Mercury veio imediatamente à minha mente. O show deles é vibrante, mas não me atraiu muito. Foi curto, pois acabou às 20:45 horas, quando um imenso relógio apareceu no telão, enquanto técnicos se movimentavam no palco para arrumar a cena para a grande banda da noite. Durante o show do Muse, quando não houve bis, choveu por alguns instantes, obrigando muita gente a usar as capas de chuva que estavam sendo vendidas a R$ 15,00 nas imediações do Morumbi. Nesta hora vi como é bom ficar em local protegido. A chuva caía e eu sentado, vendo o show, tentando acessar a internet pelo celular, sem precisar me preocupar em colocar capa ou proteger minhas coisas da água. A fome bateu. Comprei um saco de Doritos por R$ 6,00. Não entendia o relógio no telão, pois ele não marcava a hora correta, mas sabia que marcava alguma contagem regressiva para o início da performance do U2. Realmente, o show começa com o relógio se desfazendo, efeitos de luzes e gelo seco nas pernas da aranha e na antena no alto do palco eram o prenúncio da entrada da banda. No telão, escotilhas de uma espaçonave prateada apareceram. Quando as escotilhas se abriram, o público entrou em delírio, pois imagens ao vivo dos quatro integrantes da banda vindo em direção ao palco começaram a ser mostradas. Foi uma explosão de alegria, palmas, uivos, braços para o alto e muitos, mas muitos flashs. O U2 entrou em cena e fez um show memorável. Foram duas horas e dez minutos de um espetáculo recheado de tudo que os fãs queriam ver de Bono & cia. A maioria dos hits foi cantada (Sunday, Blood Sunday, Elevation, In A Little While, Beautiful Day, I Still Haven't Found What I'm Looking For, With Or Without You, Walk On, Miss Sarajevo, I Will Follow), músicas do atual álbum, No Line On The Horizon foram executadas, quase todas as fases da banda estiveram presentes no set list, Bono fez seu discurso pacifista em vários momentos, elogiou o Brasil, falou sobre o exemplo que somos para o mundo, mesmo não sendo perfeitos e com muitos problemas a resolver, elogiou a Presidente Dilma por ela ter colocado o fim da miséria como objetivo de seu governo, falou sobre a situação do Oriente Médio, especialmente da Líbia, da libertação, após uma década, de uma ativista política de Burma em decorrência de pressão internacional, lembrou de sua militância na Anistia Internacional, agradecendo o apoio que recebe, escolheu uma mulher da área vip para subir ao palco e sentada junto a ele ler alguns dos versos de Carinhoso, eterno sucesso de Pixinguinha, quando ele falou em português, por mais de uma vez, a frase "serei feliz", colocou um vídeo do Bispo Desmond Tutu em um belo discurso sobre a humanidade, terminando dizendo que todos somos "um", e cantou maravilhosamente. Ninguém ficou parado em nenhum momento do show. Nem mesmo nas músicas mais lentas, quando ficamos balançando feito palmeiras ao vento. A energética Sunday, Blood Sunday foi executada com a projeção de fotos dos conflitos atuais em luta pela democracia no Oriente Médio. Já perto do final, Bono fala, com legenda simultânea em português no telão, sobre o assassinato das crianças na escola de Realengo, no Rio de Janeiro. Como um messias, ele pede que todos levantem os celulares acesos em homenagem a estas crianças e às suas famílias. Enquanto canta, os nomes das meninas e meninos assassinados passam no telão. Emoção do público. O show termina, mas o show no telão continua, sinal de que eles voltariam para o bis. A volta é triunfal, com um microfone em forma de volante de carro, todo iluminado de vermelho/azul, pendurado do teto do palco. Bono canta agarrado a este microfone e até mesmo se pendura nele. Chegava a hora de Moment of Surrender, a música que encerrou o show. Bono coloca uma bandeira do Brasil no palco, se ajoelha, agradece ao público e solta um "God bless you" (Deus abençoe vocês, em tradução literal). Era sua verve messiânica aparecendo novamente. O relógio marcava 23:50 horas. Terminava um grande show: show de uma banda perfeita, show de tecnologia, show de performance, show de carisma, show de humanidade, show de experiência, show de emoção, show de solidariedade, show de música de verdade. Não é a toa que esta turnê é chamada de a maior do mundo. A chuva deu uma trégua durante todo o show, embora o céu estivesse bem carregado com nuvens pesadas. De onde eu estava, pude rapidamente sair, chegando à rua e caminhando em direção ao local onde o taxista me disse que poderia estar. No caminho, promotores da revista Billboard entregam um exemplar gratuito com Bono Vox na capa. Peguei uma. Subi a rua, toda interditada, até chegar onde havia vários táxis estacionados, mas todos já previamente reservados. A chuva resolveu cair forte. Vesti a capa, protegi os objetos da água, e voltei em direção ao estádio, subindo a outra ladeira, também indicada pelo taxista. Uma multidão fazia o mesmo. Apenas táxis estavam estacionados em ambos os lados da rua, mas nenhum disponível. Continuei minha caminhada, pois sabia que mais à frente havia um hospital, onde poderia achar um táxi mais facilmente. Durante a caminhada, ia dando sinais para os táxis. A maioria não parava. Dois pararam, perguntaram para onde queria ir. Quando respondia que para a região dos Jardins, diziam que preferiam ir em outra direção, pois já fariam a última corrida antes de voltar para casa. Depois de caminhar por meia hora, vi um táxi parado. Perguntei se estava livre e o motorista disse que sim, perguntando meu destino. Quando soube, disse que não cobraria no taxímetro. Seriam R$ 50,00 a corrida. Aceitei de pronto, sem negociar, afinal, no taxímetro, tinha pago R$ 40,00 para o trajeto inverso e vi que muitos no caminho estavam dispostos a pagar até R$ 100,00 para a mesma região. Durante a minha caminhada até achar este táxi, a chuva já havia parado. Rapidamente cheguei onde queria, na Lanchonete da Cidade (Alameda Tietê, 110, Cerqueira César), onde me sentei no balcão para saborear uma novidade no cardápio, o Bombom a La Presse, um sanduíche prensado com hamburger bovino de 180 gramas, rodelas de tomate e de mussarela de búfala, acompanhado com batata frita em forma de parafuso. Saciei a fome, o sanduíche é ótimo, a batata frita tem um visual criativo, e a apresentação do prato é muito bonita. Como estava de costas para a entrada, nem percebi o quanto lotou depois que cheguei com uma fila de espera bem grande, a maioria oriunda do mesmo show que eu. Voltei a pé para o hotel, muito além de uma hora da madrugada. Voltei satisfeito com o dia. Tarde com amigos e noite inesquecível com a melhor banda do mundo, na minha opinião: U2. Que vontade me deu de ver este show novamente! Ainda bem que comprei o blu-ray desta turnê.





TARDE DE SÁBADO COM AMIGOS EM SÃO PAULO

Depois de duas noites mal dormidas, a noite de sexta-feira para sábado foi dedicada ao sono. Não era esta minha intenção, mas a necessidade de descansar corpo e mente dominou todos os outros desejos. Acabei furando com dois amigos paulistanos que me aguardavam para jantar. Com os celulares no modo silencioso, não acordei para atender às chamadas telefônicas. Dormi mais de doze horas seguidas, fato que não acontecia comigo há um longo tempo. Quando dei por mim, a manhã de sábado já estava quase no fim, fazendo um dia lindo de céu azul e sol brilhando na capital paulista. Ainda deu tempo de tomar um café da manhã. Na pressa de arrumar a mala, esqueci o desodorante, o que me fez passar na farmácia para comprar um. Já de volta ao hotel, de banho tomado e energias recarregadas, era hora de ligar para os amigos, me desculpar pelo furo e marcar um almoço juntos. Ao atender o telefone, meu amigo foi muito gentil, como lhe é costumeiro, já dizendo logo que em vinte minutos estaria na porta do hotel para me pegar. Ele foi pontual. No carro, também estava seu filho. Fomos para a Vila Madalena, um bairro que eu acho muito interessante, mas que ainda não consegui explorar suas ruas, cheias de ateliês, lojas descoladas, bares e restaurantes. Descobri que há um mapa do bairro com todos os pontos de interesse. Peguei um exemplar no restaurante onde almoçamos. Há finais de semana onde os ateliês são abertos para visitação pública com uma van fazendo uma espécie de "neighborhood tour" (passeio turístico pelo bairro). Exatamente neste final de semana estava acontecendo o evento Ateliês Abertos, no projeto Arte da Vila Madalena. Os restaurantes e bares do local já são sempre disputados e, com um evento destes, tal disputa por mesas fica maior. Mas enfrentar filas para se sentar em bares e restaurantes em São Paulo faz parte do cotidiano da cidade. Meu amigo escolheu um famoso bar/restaurante para nosso almoço, o Jacaré Grill (Rua Harmonia, 321/337, Vila Madalena). Já tinha passado em frente dele várias vezes, mas nunca estive lá. O movimento na calçada é intenso. São as pessoas esperando mesas. Chegamos por volta de 13:15 horas. Obviamente que não encontramos mesa. Colocamos nome na fila de espera. Outro amigo se juntaria a nós para o almoço. O serviço é muito eficiente, pois logo já tinha um garçom perguntando se queríamos beber alguma coisa ou algo para petiscar. Pedi água. Meu amigo sugeriu a entrada que mais tem saída no Jacaré, uma porção de pasteis fritos mista (petisco que é a cara de São Paulo). Em frente ao restaurante me chamou a atenção a quantidade de motos Harley-Davidson estacionadas. Descobri que ali era um reduto de colecionadores destas motos. Os pasteis são muito bons. São sequinhos, massa crocante e farto recheio. Na sorte, peguei um pastel de queijo com ervas e um de palmito. Enquanto batíamos um descontraído papo na calçada, percebi que o tempo quente começou a mudar, vindo um vento gelado, nuvens cinzas cobrindo o céu, com uma leve garoa já iniciando. Previsão de chuvas para logo mais à noite, lembrei-me do que havia lido na internet. Sentamo-nos depois de mais de uma hora de espera, mas confesso que nem vi este tempo passar. O papo estava agradável e o movimento em frente era interessante de ser notado. Com a lei anti-fumo da cidade, nem nas mesas na calçada os fumantes exercem seu vício. O senta e levanta era grande. Os fumantes iam acender seus cigarros longe dos demais fregueses, fato que achei de grande respeito. Nossa mesa ficava na calçada, a garoa já tinha cessado, deixando apenas um frio que não chegava a incomodar. O amigo que faltava chegou quando estávamos com os cardápios na mão. Segui a sugestão deles, pedindo a especialidade da casa: picanha grelhada, acompanhada de batatas fritas e arroz biro biro. Vem ainda uma farofa de farinha grossa (parecia farinha de pão, mas não experimentei) e um molho vinagrete só com cebolas. Como continuo firme com os remédios da dieta, comi bem pouco. A picanha vem fatiada em finos pedaços, ao ponto, como pedimos. Uma colher de servir de arroz biro biro, dois palitos de batata frita e duas destas finas fatias de picanha foram a minha refeição. A picanha estava muito boa, bem macia, com tempero apenas de sal grosso. A batata estava insossa, enquanto o arroz não era dos melhores, mas não fez feio. Gostei mesmo foi da carne. O filho de meu amigo se despediu de nós, pois ficaria no bairro, onde mora a sua namorada. Ao pedirmos a conta, meu amigo não me deixou pagar nada, gentil como sempre. Caminhamos até onde ele havia estacionado o carro, subindo e descendo as ladeiras que enfeitam o bairro. Ele sugeriu tomar um café. Outro hábito bem paulistano, ou seja, deixar para tomar um café em outro local. Fomos para o famoso e sempre cheio Café Santo Grão (Rua Oscar Freire, 413, Jardins), onde conseguimos uma mesa assim que chegamos. Um colega de trabalho e sua esposa se juntaria a nós, já que são muito amigos de meu amigo, moram no Rio de Janeiro e estavam passeando em São Paulo. Pedi apenas um café expresso descafeinado, enquanto os demais fizeram pedidos mais elaborados, mas, por incrível que pareça, meu café foi o último a ser entregue, com um providencial pedido de desculpas por parte do garçom devido à demora. Quando vi o relógio, já eram 17:30 horas. Tinha planejado sair do hotel às 18 horas para ir para o Estádio do Morumbi, onde à noite veria o show do U2. Hora então de me despedir, voltando a pé para o hotel, a poucas quadras de onde estava.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

UM DIA - TRÊS CIDADES

Acordei em Salvador, ou melhor, passei a madrugada em claro, sem conseguir dormir, ouvindo o doce barulho da chuva caindo no mar. Fiz check out no Vila Galé às 05 horas da manhã, pegando um táxi direto para o aeroporto. Quando o motorista estava na Paralela, em uma longa reta, ele deu uma cochilada. O cara fica de plantão na porta do hotel, sem dormir, obviamente. Disse a ele que se ele fosse dirigir daquela maneira, era melhor parar ali mesmo e chamar outro carro. Ele negou que estivesse dormindo, mas, por via das dúvidas, não parei de conversar com o motorista até chegar, são e salvo, no aeroporto, pagando R$ 70,00 pela corrida. O check in da TAM já estava feito. Assim, fui direto para a sala de embarque, onde tomei um suco para esperar o horário de embarcar, além de postar mensagens no Facebook. O voo decolou no horário, chegando em Brasília às 9 horas. Meu carro estava no aeroporto. Pelos dois dias, paguei R$ 54,00, menos do que pagaria se fosse e voltasse de táxi para minha casa (cada perna custa em torno de R$ 45,00). Passei na Unimed Central para pegar autorização para fazer uma tomografia computadorizada na próxima semana, pois tenho tido cólicas renais nos últimos dias. O atendimento é muito rápido, o problema é onde ela fica, muito difícil de estacionar. De lá, fui para o trabalho, despachei todos os documentos que aguardavam minhas decisões e/ou assinaturas, li e respondi os e-mails, indo para casa por volta de 12:30 horas. Foi o tempo de desfazer a mala de Salvador, fazer novamente a mala para São Paulo, tomar um banho, tomar um chá, fazer o check in da Gol pela internet e voltar para o aeroporto. Desta vez, Ric me levou. Como estava cheio o aeroporto de Brasília, com muita gente com camisetas alusivas ao show do U2, o motivo da minha viagem para São Paulo. O voo da Gol também saiu no horário e completamente lotado. Muita gente só falava no show. Dormi na viagem, nem vi o lanche passar. Sem mala despachada, fui direto para a fila para pagar, em cartão de crédito, a corrida do táxi até o hotel Mercure Jardins (Alameda Itu com Rua Augusta), onde tinha reserva previamente paga. A corrida custou R$ 49,00 e fui para nova fila, já sabendo que a espera seria de aproximadamente 40 minutos, o que acabou não ocorrendo. Antes de 19 horas já estava no quarto do hotel, de banho tomado e com vontade de dormir. Vou fazer isto antes de sair com amigos que descobriram que estou aqui e enviaram mensagens. Combinei de jantar bem tarde. Assim, posso dormir, coisa que não fiz na madrugada em Salvador. Sexta-feira atípica: um dia, três cidades.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

SOL E TRABALHO

Esta quinta-feira foi de muito trabalho, quando fiquei todo o dia dentro de uma sala de reunião no Hotel Vila Galé. Tínhamos uma bela vista do mar em frente ao hotel, com aquela brisa quente típica de Salvador. O formato do seminário não foi cansativo, muito antes pelo contrário, houve um dinamismo que há muito não via em eventos semelhantes que participei. A esmagadora maioria era formada por mulheres, pois o tema "trabalho infantil" acaba atraindo mais o sexo feminino, talvez pelo instinto materno. Houve discussões em grupos, sendo eu o expositor do relatório elaborado pelo meu grupo. O interessante foi ver que todas e todos faziam questão de se manifestar, mostrando não só conhecimento de causa, mas também o engajamento para o enfrentamento do problema no estado da Bahia, particularmente nos municípios onde o projeto que estávamos avaliando está em execução. O ambiente do hotel, mesmo com alguns problemas técnicos na parte da manhã, favoreceu o bom andamento do seminário, que chegou ao seu final com resultados concretos, possibilitando aos coordenadores do projeto insumos para a sua melhoria e eventuais correções de rumo. Almocei no restaurante do próprio hotel, pois o tempo disponível para o almoço foi pequeno e também foi uma oportunidade para estreitar relações institucionais. Outro fator que merece destacar foi o cumprimento do horário de término do seminário, às 16:00 horas. Mas com os tradicionais encontros e conversas pós evento, só consegui chegar ao quarto para colocar uma roupa mais leve e confortável quase às 18:00 horas, noite, por se tratar de Nordeste. Tenho que levantar muito cedo nesta sexta-feira, já que meu voo para Brasília tem horário de partida para 07:00 horas. Chegarei em Brasília às 9:00 horas e viajarei novamente, desta feita para diversão, no início da tarde, quando pego um voo para São Paulo. Show de U2 me aguarda no Estádio do Morumbi na noite de sábado. Só tenho ouvido e lido críticas favoráveis ao espetáculo (palavra usada por uma amiga que acabou de chegar de Buenos Aires, onde conferiu a performance do grupo irlandês e ficou encantada). Vou pedir comida no quarto, aproveitando para atualizar minha leitura de jornais da semana passada (cadernos culturais) e descansar um pouco.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SEMPRE É BOM VOLTAR A SALVADOR

Mesmo viajando a trabalho, sempre é bom retornar a Salvador. Cheguei já tarde da noite, encontrando companheiras de luta contra o trabalho infantil no aeroporto e como estávamos todos no mesmo hotel, o Vila Galé Salvador, em Ondina, pegamos um só táxi. Mesmo passando pela Paralela, é distante o aeroporto da cidade até onde estamos hospedado. É a primeira vez que fico hospedado em um hotel da rede Vila Galé. Este de Salvador parece ser grande, mas só quinta-feira vou explorar seus espaços. Nossa estadia está sendo custeada pela organização do evento, motivo pelo qual não precisamos de fazer o check in, pois tudo já estava arrumado. Bastou dar o nome completo para receber um envelope com a chave do apartamento. O quarto que estou é bem espaçoso, com duas camas de casal, além de vista para o mar. Vou deixar as cortinas abertas para que a luz da manhã me desperte. Assim, poderei sorver o ar fresco que vem do mar, vendo o belo céu desta terra abençoada (vi que a previsão para quinta-feira é de dia bonito, com sol). Hora de deitar e dormir, pois a quinta-feira será intensa em debates e avaliações.

COMPORTAMENTO LAMENTÁVEL DA TORCIDA DO SADA/CRUZEIRO

Lamentável o comportamento da torcida do Sada/Cruzeiro no jogo em Contagem, Minas Gerais contra o Volei Futuro pelas semifinais da Super Liga de Volei masculino. Torcer é saudável, é mostrar sua paixão pelo clube, pelo esporte, mas o que a torcida fez contra o jogador Michel é um ato nazista da pior espécie, é um crime. Lamentável também a falta de solidariedade dos jogadores do Sada/Cruzeiro, pois poderiam muito bem se manifestar, pedindo à torcida que torcesse com fervor, mas sem discriminação. Lamentável também a atitude da arbitragem que também nada fez, pois poderiam ter chamado a diretoria do Sada/Cruzeiro, donos da casa, para também pedirem mais civilidade por parte da torcida. O pior é que a diretoria do clube nada fez e tem medo de se pronunciar em entrevistas. Se limitou a dizer, em nota escrita, que foi apenas um grupo que ofendia o jogador do time adversário, mesmo sabendo que as imagens da tv mostravam (e estão disponíveis em canais na internet, inclusive no YouTube) a esmagadora maioria dos torcedores vestidos de azul ofendiam em uníssono o jogador Michel todas as vezes que ele pegava na bola. A ofensa, a discriminação, foi generalizada. A Confederação Brasileira de Volei também ficou omissa, apenas enviando a denúncia formal apresentada pela diretoria do Volei Futuro à Justiça Desportiva. Entendo que deva haver um posicionamento rápido por parte da justiça, punindo exemplarmente a torcida e o clube. Se o clube é conivente com a homofobia e com a discriminação não poderia jamais estar num campeonato tão importante quanto o brasileiro de volei. Esta equipe não merece ir às finais. Ela só merece o nosso escárnio, incluindo os seus ótimos jogadores que se esconderam da imprensa, não querendo se pronunciar. Afinal de contas, Michel é um colega de profissão. Fica a pergunta no ar: Qual o motivo deles não se manifestarem até então? Onde está o Ministério Público que ainda nada fez?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

iPhone 4

Fiquei tão entretido em esmiuçar as funcionalidades do iPhone 4 que o final de semana chegou ao fim sem eu ter saído de casa.

sábado, 2 de abril de 2011

A LUA VEM DA ÁSIA

Encerra neste domingo a temporada em Brasília da peça A Lua Vem da Ásia, texto do escritor mineiro Walter Campos de Carvalho, adaptado para os palcos por Chico Diaz que também é o intérprete neste monólogo dirigido por Moacir Chaves. O ingresso custou R$ 7,50 (meia entrada). O teatro recebeu um bom público, com presença dos atores Chico Santana e de Elisa Lucinda na plateia. No entanto, o Teatro I não estava lotado na noite de quinta-feira, quando estive presente. A peça tem quase duas horas de duração e é dividida em duas fases. A primeira é em cenário escuro, quando o personagem está em um manicômio, que ele chama de hotel. Ali, ele começa a contar sua vida, cheia de reviravoltas e fatos absurdos, surreais. Há um uso interessante de projeção de imagens, o que ajuda a prender a atenção. Eu estava cansado, motivo pelo qual o escurinho me deu um certo sono, mas resisti, pois o texto, cheio de ironias, de non sense e de humor ácido conseguiu prender minha atenção, isto sem falar na magistral performance de Chico Diaz. A segunda fase começa com a fuga do personagem e suas andanças pelo mundo em situações absurdas, com saída de um país para outro do mundo sem respeitar muito a geografia e nem mesmo as distâncias. Nesta parte o cenário é muito claro com uma projeção no pano de fundo em forma de semi-círculo de um céu com nuvens, que alterava a cor conforme o passar de um dia (ou vários dias). Nesta segunda fase, o texto é mais sarcástico e Diaz fica melhor ainda. Ele consegue alterar totalmente o estado de espírito do personagem apenas com pequenas alterações na forma de olhar ou nas expressões faciais. É um texto para refletir sobre a sociedade em que vivemos (mesmo escrito na década de cinquenta, não ficou datado, valorizado ainda mais pela adaptação de Diaz). Ao terminar, as palmas foram demoradas, muito justo pela magnífica atuação deste ator que fica cada vez melhor com o passar dos anos. Vida longa a Chico Diaz nos palcos e nas telas de cinema, onde ele tem oportunidade de mostrar plenamente seu talento. Gostei muito.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

IRON MAIDEN


Foram necessários quase cinco décadas para que eu fosse a um show de heavy metal. Entrei 2011 com um propósito de conhecer o que ainda não conhecia no campo cultural. Aproveitei a onda de shows internacionais que invadiu o Brasil neste início de ano, com muita coisa vindo para Brasília, para comprar entrada para o show The Final Frontier World Tour protagonizado por uma das bandas referência deste subgênero do rock, o Iron Maiden. Por R$ 250,00, valor de meia entrada, comprei ingresso para a pista premium, no mesmo local em que assisti a performance de Shakira na semana anterior, ou seja, no estacionamento do Estádio Mané Garrincha. Marcado para ter início às 21 horas, consegui estacionar o carro, bem longe da entrada, por sinal, no momento em que os primeiros acordes de guitarra soaram no ar. Eram 21:25 horas, atraso pequeno em relação aos últimos shows internacionais nos quais estive presente. Enquanto caminhava a passos largos para entrar logo, fiquei espantado de ver a multidão de fãs, todos vestidos com camisetas pretas e calças jeans, que estavam do lado de fora, posicionados em locais estratégicos, tentando ver o show pelo telão à direita do palco. A visão não era 100%, mas dava para acompanhar as performances dos músicos cinquentões. O som da banda era ouvido nitidamente em toda a área do estacionamento. Passei pela multidão, notando que eles faziam a festa e a féria dos vendedores ambulantes de cerveja e de comidinhas típicas de rua. Quando entrei, a banda já tocava a segunda música. Estava lotado (público de 15 mil pessoas segundo informações que li depois, mesma quantidade que conferiu o show de Shakira), mas não tive dificuldades de achar um ótimo lugar com visão total do palco. Quando me posicionei, uma leve chuva caiu por cerca de dez minutos, mas logo o céu ficou limpo. O sexteto ficou o tempo todo do show na parte da frente, pois o palco era fechado com umas espécies de caixas que lembravam containers abandonados, destes que a gente vê em filmes de ficção científica. O único que se movia muito, inclusive correndo de um lado para o outro do palco e em cima destas caixas, onde havia uma passarela do tamanho da largura do espaço cênico, era o vocalista Bruce Dickinson. Ao fundo, enormes paineis pintados em pano eram trocados a cada música. Em muitos deles, o símbolo da banda, o morto vivo Edge era a figura central. Havia um painel que me fez lembrar o cartaz do filme Deus e O Diabo na Terra do Sol, clássico brasileiro de Glauber Rocha, pois Edge estava muito parecido com um cangaceiro, envolto em uma moldura como a do cartaz do filme. Como nunca fui fã de heavy metal, praticamente não conhecia nenhuma música, diferente da maioria que estava presente, pois todos cantavam (alguns gritavam) todas as músicas. Tinha um cara do meu lado que sabia o set list completo e na ordem exata, pois bastava acabar uma música e ele dizia para quem estava do seu lado o nome da próxima música (também li que o Iron Maiden é fiel à ordem de seu set list, não fazendo alterações de um show para o outro na mesma turnê). A idade média do público era quarenta e poucos anos, mas muitos jovens e até crianças acompanhavam seus pais. Todos, como os fãs do lado de fora, devidamente uniformizados com camisetas pretas com estampas do Maiden, como eles gritavam nos intervalos entre uma música e outra, ou com estampas de outras bandas do mesmo estilo. Para mim, dois momentos eram esperados: a entrada de Edge e a interpretação da única música que eu sabia a letra, a apocalíptica The Number of The Beast. Ambos os momentos foram reservados para o final do show. Pouco antes de terminar, antes do bis, o morto vivo entrou em cena. Quando o público viu o boneco do Edge foi uma espécie de histeria coletiva, entre urros, braços levantados e muitos flashs. Já The Number of The Beast veio no bis, com outra explosão do público que gritava o número 666. Pouco depois das 23 horas, terminava o show. Saí com a sensação de que ouvi a mesma música e os mesmos riffs de guitarra do início ao fim. Embora sejam públicos totalmente distintos e até mesmo antagônicos, diria que um show de heavy metal pouco se difere de um show de axé. A histeria está presente, a coreografia coletiva está presente e é incentivada pelo vocalista (no caso, um balançar sem fim de cabeça para cima e para baixo, uma simulação que estão tocando guitarra e um sincronizado levantar de braços soltando urros), o vocalista fala muito (muito parecido com Ivete Sangalo, Durval Lélis e outras estrelas do axé), e a inevitável participação do público respondendo em uníssono os sons vocais feitos pelo cantor. Isto sem contar com a tal sensação de que a música é a mesma, como no axé. Foi uma boa experiência e serviu para conhecer este tipo de show. Talvez um fato que presenciei na noite da quinta-feira diferente de shows de axé foi a grande maresia de maconha que inunda o público, muito mais próximo de um show de reggae (no axé, parece que o público prefere mais cheirar loló). Detesto o cheiro de maconha, mas era impossível fugir dele. A saída do local foi muito tranquila. Como o meu carro estava longe, quando nele cheguei, consegui, rapidamente, alcançar a pista de rolamento para tentar comer alguma coisa, pois a fome era grande, mas parei em dois locais no caminho de casa e ambos dei com a cara na porta fechada. Parei, então, no Giraffa's da quadra onde moro, mesmo local onde uma expressiva quantidade de pessoas que estavam no show também parou, comentando a performance que viram. Fiquei com uma pergunta na cabeça: "será que ainda vou assistir a um outro show de heavy metal ou este bastou?" Juro que não sei responder.