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sábado, 2 de abril de 2022

QUE HORAS ELA VOLTA?

Que Horas Ela Volta?, 2015, 112 minutos. Direção de Anna Muylaert.

É um filme feito por mulheres, sobre mulheres e para mulheres. É sensível, emociona, gera sentimentos diversos no espectador, mostra uma realidade que muita gente finge não ver, é cativante, é sobre amor de mãe, é sobre relação de poder.

Val, interpretada magnificamente por Regina Casé, trabalha para uma família de classe média alta paulistana, e dorme no emprego. Tem uma filha, Jéssica (Camila Márdilla), que não via há anos, pois morava em Recife, que vai a São Paulo fazer vestibular para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Jéssica, sempre muito questionadora, ficará com Val, a princípio, em seu quartinho de empregada, mas sua chegada na casa vai desestruturar a aparente harmonia instalada naquele local. Bárbara (Karine Teles) e César (Lourenço Mutarelli) são os patrões de Val, que cuidou desde criança do filho deles, Fabinho (Michel Joelsas). Val tem um amor incrivelmente maternal por Fabinho e o mima como se filho fosse, mas nunca esqueceu de Jéssica, enviando mensalmente dinheiro para que sua filha fosse bem cuidada e estudasse. Jéssica conseguirá, com suas atitudes, revelar a verdadeira face do casal Bárbara e Carlos, além de tirar Val da submissão inconsciente que tinha para com os patrões.

A câmera da diretora gosta de focar Val e a maior parte das cenas são mostradas sob a perspectiva dela. Assim, o espectador escuta a conversa da família na mesa de jantar, mas apenas vê a cabeceira da mesa, pois a câmera está posicionada na visão de Val, desde a cozinha. Por falar em cozinha, Val sempre está desenvolta nos ambientes que lhe são "permitidos" transitar livremente na casa: a cozinha, a área da piscina onde ela joga água nas plantas, o corredor de acesso aos quartos da casa e no lado de fora da casa, quando leva a cadela dos patrões para passear. A cena em que Val serve quitutes aos convidados na festa de aniversário de Bárbara é impactante. Bandeja na mão, andando pelos ambientes da casa, oferecendo comida e sendo ignorada pelos convidados. Seu semblante de "o que eu estou fazendo aqui?" resume seu sentimento sem uma palavra sequer, tendo apenas a música Águas de Março acompanhando o seu caminhar em zigue zague.

Revi o filme para o ciclo Cinema & Filosofia do Clube de Análise Fílmica, conduzido pelo Prof. Alisson Gutemberg. Neste ciclo, ele fez um ótimo paralelo entre Que Horas Ela Volta? e o pensamento de Michel Foucault, especialmente a questão de quem detém e quando exerce o poder. Foi interessante a análise das cenas, os olhares de cima para baixo e vice-versa, indicando quem está exercendo o poder naquele momento, naquele diálogo. Já quase no final do filme, Val demonstra seu momento de poder na beira da piscina em um diálogo sem rodeios com Bárbara sobre sua decisão.

Não posso deixar de mencionar a belíssima cena em que Val, enfim, entra na piscina da casa, que está cheia somente até a altura da batata da perna, à noite e liga para sua filha Jéssica para falar que estava dentro da piscina. Ali foi o ponto de virada da personagem, seu momento de redenção e de tomada de decisão sobre os rumos de sua vida.

O filme mostrou que a filha de uma empregada doméstica poderia entrar na universidade, qualquer que seja ela, bastando para isso ter oportunidades. Uma realidade que, infelizmente, o Brasil não vive mais desde os idos de 2016, após o golpe contra a Presidenta Dilma.

Outro destaque que preciso fazer é para o elenco, todos afiadíssimos e afinadíssimos. Não é à toa que Regina Casé e Camila Márdilla ganharam o prêmio de atuação no Festival de Sundance.

Filme obrigatório.

Disponível na Netflix.

quarta-feira, 30 de março de 2022

ASCENSÃO (ASCENSION)

Ascensão (Ascension), 97 minutos.

Documentário que concorreu ao Oscar 2022 dirigido por Jessica Kingdon, uma americana de origem chinesa.

O filme difere dos muitos documentários recentes, pois não tem aquelas entrevistas com as pessoas sentadas olhando para a câmara, tampouco tem narrador para conduzir a história. A câmera da diretora apenas observa, às vezes de longe, outras de perto, o cotidiano de trabalhadores na pungente economia chinesa.

Em nome da produtividade, tudo vale, principalmente exploração da mão de obra. É quase incompreensível para mim ver um recrutamento de trabalhadores por grandes indústrias chinesas informando que o trabalho pode ser feito sentado ou que não é exigido exame de saúde para entrar. Outros gritam que o trabalho é feito 100% em pé, exigem altura máxima do trabalhador, que os trabalhadores dormirão em cômodos com até oito pessoas no mesmo quarto, ou ouvir que quem decide se a jornada que o trabalhador laborou no dia é o seu chefe.

Talvez por sua origem, ao final, a diretora tenta glamourizar a dureza que ela mostrou, colocando na tela momentos de descontração de centenas de chineses em um parque aquático, como se quisesse passar a mensagem: "o trabalho sem limites compensa".

Por quase não ter falas, e quando tem, são diálogos entre os trabalhadores, com cenas longas, o documentário fica monótono a partir da metade.

De qualquer forma, foi válido para conhecer a realidade dos trabalhadores chineses.

HOMEM ARANHA: SEM VOLTA PARA CASA (SPIDER-MAN: NO WAY HOME)

Homem Aranha: Sem Volta Para Casa (Spider-Man: No Way Home), 2021, 148 minutos.

Direção de Jon Watss, com um elenco milionário: Tom Holland (Peter Parker), Zendaya (MJ), Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho), Jacob Batalon (Ned Leeds), Jamie Foxx (Max Dillon), Willem Dafoe (Norman Osborn/Duende Verde), Alfred Molina (Dr. Octopus), Andrew Garfield (Peter Parker), Tobey Maguire (Peter Parker), Marisa Tomei (Tia May), Jon Fraveau (Happy Hogan).

O roteiro é interessante ao abrir o multiverso, trazendo infinitas possibilidades paras as aventuras dos heróis Marvel, incluindo resgate de vilões icônicos derrotados pelo Homem Aranha em filmes anteriores. Foi uma ótima ideia a de trazer junto com os vilões, interpretados pelos mesmos atores, os três Peter Parker/Homem Aranha de toda a franquia. Assim, tivemos de volta Tobey Maguire e Andrew Garfield, ambos vindos de outros universos. Mantiveram o mesmo design de traje que cada um usou em seus filmes.

Homem Aranha é o herói da Marvel mais bem humorado. Nesta nova aventura, sobra bom humor durante toda a projeção, com ótimos diálogos entre os três Peter Parker, que fazem comparações do que cada um faz em seu universo. A cena em que Peter Parker (Tobey Maguire) lança sua teia a partir de seu próprio pulso é hilária, pois Peter Parker (Tom Holland) e Peter Parker (Andrew Garfield) querem saber como ele consegue fazer isso, pois o primeiro compra suas teias das empresas Stark e o segundo faz suas teias em laboratório.

Nesta nova fase do Homem Aranha, ele tem sempre ajuda de sua namorada MJ e de Ned, dois personagens sem poderes, mas destemidos. O empoderamento das personagens femininas MJ e Tia May são marcantes, uma grande diferença dos primeiros filmes.

O que faltou foi mais maldade por parte dos vilões. Dr. Octopus e Norman Osborn se tornam dóceis e até ensaiam uma ajuda a Peter Parker.

Como no início do filme, a identidade do Homem Aranha é revelada, foi boa a forma com que encontraram para fazer todo mundo esquecer quem era Peter Parker no final do filme.

Diversão, aventura, efeitos especiais de primeira, bom humor são garantidos durante toda a duração do filme. 

A participação do Dr. Estranho é fundamental neste filme, pois é ele que consegue abrir portas para os vários universos, além de preparar o espectador para o segundo filme deste outro herói Marvel.

Há duas cenas pós início dos créditos, uma no meio e outra no final.

Disponível para alugar/comprar em várias plataformas de streaming.

terça-feira, 29 de março de 2022

HELLRAISER IV: HERANÇA MALDITA (HELLRAISER: BLOODLINE)

Hellraiser IV: Herança Maldita (Hellraiser: Bloodline), 1996, 85 minutos.

Quarto filme da franquia Hellraiser, desta vez sob a direção de Kevin Yagher, continuando no roteiro Peter Atkins.

Yagher não gostou do resultado final do filme, pois a edição ficou por conta dos produtores, que nem quis assinar como diretor, usando o pseudônimo Alan Smithee, que era o pseudônimo que sinalizava para a indústria que o diretor não gostou do filme que foi lançado.

E o filme é muito ruim mesmo. Atores muito ruins para um roteiro péssimo. Em 85 minutos, o filme consegue condensar Século XVIII, dias atuais (anos 1990) e futuro, para tentar justificar que o tal cubo mágico usado para invocar o mal dos infernos foi construído por um fazedor de brinquedos de madeira e que sua linhagem masculina sempre está às voltas com algo que envolva o cubo.

Doug Bradley continua a aparecer como Pinhead e eu gosto da maneira como o personagem fala, pausado, com consistência e ameaçador sempre. Mas neste filme, ficou meio sem graça, pois a entidade malvada Angelique (Valentina Vargas) quer aparecer mais do que ele.

Não disponível em nenhum serviço de streaming.

domingo, 27 de março de 2022

HELLRAISER III: INFERNO DA TERRA

Hellraiser III: Inferno na Terra
(Hellraiser III: Hell on Earth), 1992, 97 minutos.

Os filmes de terror que viram franquia sempre têm uma mesma linha mestra de roteiro. Vai ter uma mocinha destemida, alguns caras que invocam o mal, e, no caso de Hellraiser, tem o famoso Pinhead, líder dos cenobitas.

Este terceiro filme da saga Hellraiser foi dirigido por Anthony Hickox, tendo o diretor do filme anterior, Tony Randel, atuado como corroteirista. No elenco, saem os inexpressivos atores dos duas primeiras películas, entrando pessoas mais convincentes nos seus papéis, como é o caso de Terry Farrell, que interpreta a repórter Joey Summerskill. Fora Pinhead, que continua sendo interpretado por Doug Bradley, há uma aparição rápida de Kirsty, personagem principal dos dois primeiros filmes.

Joey presencia a chegada de um ferido com correntes penduradas no corpo no hospital onde fazia a gravação de uma reportagem, e vê a pele do ferido se soltar do corpo. Com o homem, chegou uma mulher que logo saiu correndo, mas Joey consegue saber onde encontrá-la, partindo para o bar Caldeira, onde Pinhead está preso em uma torre de pedra, conforme vimos no final do segundo filme. Gotas de sangue caem na tal torre, despertando o monstro, que faz um pacto com o dono do bar para se alimentar de outras pessoas até conseguir se libertar daquela prisão. Joey, por meio de sonhos, recebe a forma humana de Pinhead, que a orienta como levar o monstro para sua dimensão, onde ele se encarregaria de destrui-lo. Joey, com o cubo nas mãos, será perseguida por novos monstros, criados por Pinhead, até o final do filme.

Desta vez, parece que havia mais recursos que nos dois primeiros filmes, pois os efeitos especiais são muito convincentes, mas é a maquiagem que se destaca, especialmente com a caracterização dos monstros. Não se menciona mais cenobitas, simplesmente são monstros. O roteiro é lotado de falhas, de buracos, pois muita coisa deixa de ser explicada, mas o mais bizarro são os erros de continuidade. Em uma das cenas finais, Joey, com o cubo em uma das mãos, está fugindo dos monstros, quando há um corte, ela aparece sem o cubo, outro corte, está com o cubo, mais um corte, e, novamente, sem o cubo nas mãos. Pode passar batido, pois o foco fica na correria de Joey pelas ruas da cidade e nas explosões, mas um olhar mais atento percebe esse erro.

Diverte.

Disponível no Prime Vídeo.

OSCAR 2022


Sempre procuro ver todos os filmes indicados ao Oscar antes da premiação. Nesta temporada, consegui ver todos os longas, com exceção de dois documentários, e, de quebra, vi alguns curtas.

Se eu tivesse o poder de premiar os filmes, os vencedores de 2022 seriam:

  1. Filme: Ataque dos Cães.
  2. Diretora: Jane Campion (Ataque dos Cães)
  3. Atriz: Jessica Chastain (Os Olhos de Tammy Faye)
  4. Ator: Will Smith (King Rochard: Criando Campeãs)
  5. Atriz Coadjuvante: Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
  6. Ator Coadjuvante: Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)
  7. Roteiro Adaptado: Jane Campion (Ataque dos Cães)
  8. Roteiro Original: Kenneth Branagh (Belfast)
  9. Animação: A Família Mitchell a A Revolta das Máquinas
  10. Filme Estrangeiro: Drive My Car
  11. Documentário: Flee
  12. Fotografia: Bruno Delbonnel (A Tragédia de MacBeth)
  13. Design de Produção: O Beco do Pesadelo
  14. Montagem: Duna
  15. Figurino: Cruella
  16. Maquiagem e Penteado: Os Olhos de Tammy Faye
  17. Trilha Sonora: Hans Zimmer (Duna)
  18. Canção: No Time do Die, Billy Eillish (007: Sem Tempo Para Morrer)
  19. Som: Duna
  20. Efeitos Visuais: Duna
Deixo de fora as três categorias de curta metragem, pois pouco vi dos indicados.

sábado, 26 de março de 2022

PROFISSÃO: REPÓRTER (PROFESSIONE: REPORTER)

Profissão: Repórter (Professione: Reporter), 1975, 126 minutos.

Direção de Michelangelo Antonioni, com Jack Nicholson (David Locke) e Maria Schneider (moça).

Vi este filme no início dos anos 1980, em uma sessão na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, onde eu era estudante. Na época, achei cansativo e arrastado. Quatro décadas depois, sem me lembrar absolutamente nada do filme, o revi para o ciclo sobre cinema e filosofia do Clube da Análise Fílmica, coordenado pelo Prof. Alysson Gutemberg. Minha visão foi totalmente diferente agora.

Com muitas cenas longas sem nenhum diálogo, o que conversa com o espectador são as imagens e a performance dos atores. Um primor, que mostra solidão, fuga para liberdade, frustração, momentos de euforia e de depressão.

Antonioni é um gênio por trás das câmaras, fazendo com que cada milímetro de imagem na tela faça sentido para a história de David Locke, que foi designado para cobrir uma guerrilha na aridez desértica de um país africano, sofre alguns reveses com seus guias no deserto, se frustrando não só na sua missão, mas de sua própria vida.

Locke conhece Robertson, hóspede no mesmo hotel em que estava, com quem faz uma longa entrevista, conhecendo um pouco da vida do cara. Robertson morre repentinamente. Ele não tinha parentes, nem amigos. Locke, frustrado com sua vida, resolve trocar de identidade com o morto, pensando que assim se livraria dessa frustração, de sua vida de casado, de sua profissão, de seu passado.

Começa a sua fuga para a liberdade, sem saber muito para onde ir. Nesta caminhada, descobre que Robertson, sua nova identidade, é um traficante de armas, conhece uma moça em Barcelona, cujo nome nunca é dito no filme, com quem começa a ter uma relação. Ela o acompanha em sua viagem pela Europa. Ambos estão fugindo de algo, em busca da felicidade e da liberdade. Os compradores de armas começam a perseguir Locke querendo que o negócio feito com Robertson seja concretizado. Mas nem tudo são flores nesta caminhada.

A sequência inicial é ótima, com raros diálogos, mostrando Locke em sua jornada pelo deserto imerso em sua solidão. Nesta cena, Antonioni usa planos bem abertos, contrapondo a pequenez de Locke com a imensidão de areia. Aqui fica clara a solidão na qual vive o protagonista da história, mas também sua arrogância, se achando superior perante os africanos.

A sequência final é sensacional, sem nenhum diálogo, em cena longa, quando acompanhamos a câmera, posicionada dentro do quarto de hotel onde Locke está, mostrando a parte exterior, tendo a grade da janela como enquadramento. A câmera vai se movimentando lentamente, até "passar" pela grade, quando temos um plano aberto, novamente com uma paisagem árida, com poucas pessoas, desta vez em uma cidade do interior da Espanha. Neste movimento da câmera, aparecem, do lado de fora do hotel, todos os personagens que tinham relação com Locke durante sua jornada: a moça, a polícia, a sua mulher, seu colega de redação no jornal, os compradores de armas. Só um mestre poderia entregar tanto em uma cena lenta, sem diálogos, mas com muito conteúdo. Para mim, fica clara a mensagem de que Locke, mesmo trocando de identidade, não conseguiu se livrar de seus conflitos internos, de sua persona, e de seu passado, terminando imerso em uma fria solidão em um quarto de hotel.

Também há que se destacar o uso das cores. Tons mais pastéis nas etapas de solidão de Locke e mais coloridos em seus momentos com a moça em sua jornada pela Europa.

Disponível no Belas Artes À La Carte.

A SABIÁ SABIAZINHA (ROBIN ROBIN)

A Sabiá Sabiazinha (Robin Robin), 2021, 32 minutos.

Animação em curta metragem dirigida por Daniel Ojari e Michael Please que concorre ao Oscar 2022.

É daqueles desenhos animados com personagens fofinhos, com textura diferente nos traços dos desenhos, com mensagem sobre a importância de reconhecer a diversidade e promover a inclusão. Mas fica nisto.

O roteiro é batido, já explorado centenas de vezes em filmes e animações. Uma sabiá, ao sair do ovo, é acolhida por uma família de ratos, onde a presença materna não existe. Ela cresce acreditando ser uma ratinha. Ao sentir que atrapalhou os ratos na busca por comida, ela vai sozinha tentar mostrar que pode ser uma boa rata, encontrando obstáculos pelo caminho, como uma malvada gata, e faz amizade com um pássaro que não pode voar por ter a asa quebrada. Os humanos aparecem apenas como sombras.

Apesar da mensagem atual de saber conviver com os diferentes, há mensagens não muito positivas no curta.

A figura feminina é sempre vista pelo lado negativo: a sabiá é atrapalhada, faz tudo errado; a gata encarna a maldade, tem cara de poucos amigos, quer comer os ratos e os pássaros, e a sombra humana que identifica a bagunça da sabiá em sua casa é uma mulher que os personagens animais tratam como monstro. Até que os diretores tentam se redimir ao final, pois é a sabiá que salva todos da tal gata.

Outro ponto negativo, para mim, muito evidente, é a exaltação ao ato de roubar, praticado e enaltecido pela família de ratos, que sempre rouba migalhas e restos de comida nas casas dos humanos.

Enfim, não gostei.

Disponível na Netflix.

quinta-feira, 24 de março de 2022

HELLRAISER II: RENASCIDO DAS TREVAS (HELLBOUND: HELLRAISER II)

Hellraiser II: Renascido das Trevas (Hellbound: Hellraiser II), 1988, 97 minutos.

Sequência do sucesso de Cliver Barker, desta vez dirigido por Tony Randel. No elenco, mais uma vez interpretando os mesmos personagens do filme anterior, estão Ashley Laurence (Kirsty), Clare Higgins (Julia), Sean Chapman (Frank) e Doug Bradley (Pinhead). Como novidade, William Hope (Kyle), Kenneth Cranham (Channard) e Imogen Boorman (Tiffany).

Kirsty, depois de conseguir mandar para o inferno os cenobitas no final do primeiro filme, foi internada em um hospital psiquiátrico. Ninguém acredita no que ela diz, sendo tratada como uma louca. O Dr. Channard, psiquiatra que trata dela, tem uma estranha paixão pelo inferno, pelos cubos misteriosos e mantém uma clínica no subsolo do hospital na qual faz experimentos bizarros com os doentes mentais, entre eles Tiffany, uma adolescente que parou de falar e é uma exímia decifradora de quebra-cabeças. Claro que Channard vai conseguir trazer de volta Julia, a madrasta de Kirsty, do mundo dos mortos. Ela vai tomar sangue e comer vísceras dos doentes para retornar sua forma humana. Kirsty se alia a Kyle, outro médico que a tratava, e a Tiffany para deter Julia, achar seu pai e tentar barrar a vinda dos cenobitas. No entanto, Kyle é assassinado por Julia, enquanto Kirsty e Tiffany passam por um portal, deparando com um labirinto no inferno. Com quase uma hora de projeção, enfim, os cenobitas aparecem. A partir daí, a correria vai se instalar.

Efeitos especiais horríveis, o que me fez lembrar seriados da década de 1960, roteiro nada convincente, pouca presença de Pinhead e seus discípulos, tentativa de humanizar os cenobitas (literalmente), interpretações mais sofríveis que no primeiro filme, que já eram muito ruins. O gore, muito presente no Hellraiser: Renascido do Inferno, é mais discreto nesta sequência, mas continua presente. A música, que pontuava bem as cenas mais tensas do primeiro filme, aqui não consegue adicionar a sensação de medo ou de tensão. Bizarra a cena do descolamento da pele de Julia, quando estão todos no labirinto do inferno.

O diretor tentou criar uma ilusão de ótica em tomadas aéreas do labirinto, mas foi muito infeliz, pois pareceu mais uma fotografia mal feita, sem sensação de profundidade. Tentou imitar o artista gráfico holandês Escher, mestre da ilusão de ótica, mas foi muito raso e infeliz.

Disponível no Prime Vídeo, Looke e Netmovies (este último gratuito).

segunda-feira, 21 de março de 2022

O BECO DAS ALMAS PERDIDAS (NIGHTMARE ALLEY, 1947) / O BECO DO PESADELO (NIGHTMARE ALLEY, 2021)


O Beco das Almas Perdidas
(Nightmare Alley), 1947, 110 minutos. Direção de Edmund Goulding, com Tyrone Power (Stanton Carlisle), Joan Blondell (Zeena), Coleen Gray (Molly), Helen Walker (Drª Lilith Ritter), Taylor Holmes (Ezra Grindle), Ian Keith (Pete) e Mike Mazurki (Bruno).


O Beco do Pesadelo
(Nightmare Alley), 2021, 150 minutos. Direção de Guillermo Del Toro, com Bradley Cooper (Stanton Carlisle), Toni Collette (Zeena), Rooney Mara (Molly), Cate Blanchett (Dr. Lilith Ritter), Richard Jenkins (Ezra Grindle), David Strathairn (Pete), Ron Perlman (Bruno) e Willem Dafoe (Clen).

Com quatro indicações ao Oscar (filme, fotografia, figurino e direção de arte), O Beco do Pesadelo me despertou o interesse de não somente vê-lo, mas também a versão de 1947, que no Brasil teve o título O Beco das Almas Perdidas.

Ambos são adaptações do livro escrito por William Lindsay Gresham. Ambos são ambientados em uma feira de atrações circenses, que tem como chamariz algumas aberrações, como por exemplo o selvagem que fica dias sem comer e se alimenta de galinhas vivas. Os dois filmes são classificados como do gênero noir e se passam nos anos 1940. Na versão de 2021, o dono do empreendimento ganha destaque, interpretado por Dafoe.

Stanton Carlisle começa a trabalhar na feira como ajudante de Zeena e Pete, com quem aprende alguns truques que vai usar para ganhar dinheiro, levando Molly consigo. Nesta nova empreitada, ele conhece Lilith Ritter, uma psicóloga que duvida dos seus dons mentalistas. Ele se junta à Lilith para ganhar dinheiro dos ricos da cidade, aproveitando as informações que a psicóloga tem de seus pacientes, pois ela grava as sessões de terapia. A ganância por dinheiro lhe sobe à cabeça e tudo pode ruir a qualquer momento.

Enquanto a versão de 1947 é filmada em preto e branco, a de 2021 é em cores, mas em tons amarelados, escuros. Del Toro fez muitas cenas com chuva, durante a noite, sempre remetendo aos filmes noir da década de 1940.

A performance do time de atores da versão de Del Toro é infinitamente superior à daquela dirigida por Goulding. A direção de arte é um grande destaque neste filme de 2021, com minúcias na decoração dos ambientes, assim como o figurino. O consultório da Drª Ritter é um primor de direção de arte.

Apesar destas qualidades, o filme de Del Toro se perde por querer explicar o passado de Carlisle, assim como de outros personagens, além de tentar dar importância demais para os personagens secundários. Por causa deste didatismo, a versão de 2021 ficou longa, cansativa, com introdução de novos personagens que nada acrescentam ao roteiro, fazendo o espectador perder o interesse em continuar seguindo a história. Neste aspecto, Goulding acerta em nos mostrar Carlisle já integrado à feira, sem dar importância ao seu passado. Na versão de 1947, não há enrolação, nem cenas longas e repetidas. Del Toro faz um flash back para contextualizar os traumas de Carlisle, além de o introduzir na história como um andarilho que chega à feira e é contratado por Clen.

Em relação ao final, talvez pela época em que foi feito, há uma esperança para o destino de Stanton, enquanto na versão de Del Toro, o fim de Stanton é muito mais sombrio.

Preferi a versão de 1947, que ficaria bem melhor com o final de Del Toro.

O Beco das Almas Perdidas está disponível no Belas Artes À La Carte.
O Beco do Pesadelo está disponível no Star+.

domingo, 20 de março de 2022

SNAKE (ZMIJA)

Snake (Zmija) - 2019, 20 minutos.

Zapeando os aplicativos de streaming que assino, parei no Belas Artes À La Carte porque fiquei curioso com uma mostra de filmes da Macedônia do Norte que está disponível de 10 a 23 de março de 2022. Li as sinopses, escolhendo o curta metragem Snake pelo tema que aborda, a descoberta da homossexualidade na infância.

Dirigido por Andrej I. Volkashin, o curta tem uma boa produção, mas peca por não conseguir empolgar. Gasta-se muito tempo com uma briga de crianças, pré-adolescentes, por causa de uma cobra, enquanto a história principal é Mario se descobrindo gay, e quem sabe, trans, ao se esconder na varanda de um vizinho gay que é chacota na cidade, onde os homens são, em sua maioria, homofóbicos. Mario apanha do pai porque foi encontrado vestido de mulher. É aquela história clássica de pai que não admite que seu filho seja gay, machista, que não deixa a mãe se manifestar.

Borche, o vizinho muito afeminado que o acolhe em seu quarto, quando Mario fica encantando com as plumas e paetês, em uma noite, quando retorna para sua casa, é atacado pelos pré-adolescentes com pedras, socos e pontapés. Mario está no meio, mas ao fugir com os amigos, resolve parar, retornando para ajudar Borche. Quando menos se espera, o curta termina.


sábado, 19 de março de 2022

PARIS, TEXAS

Paris, Texas
, 1984, 145 minutos.

Direção de Wim Wenders, tendo como principais atores Harry Dean Stanton (Travis), Nastassja Kinski (Jane), Dean Stockwell (Walt), Aurore Clément (Anne) e Hunter Carson (Hunter).

Vi pela quarta vez Paris, Texas. Desta vez para me preparar para a aula 3 do ciclo de março do Clube da Análise Fílmica: Cinema e filosofia: uma introdução ao pensamento filosófico através dos filmes - O tempo e o pensamento em Paris, Texas: uma introdução às ideias de Hegel.

Cada vez que vejo este filme, gosto mais dele. Novas leituras, novas nuances, novas contemplações. O filme, apesar de longo, prende a atenção, mesmo com algumas cenas lentas. A transformação de Travis ao longo da projeção nos faz refletir muito, torcer por ele, não torcer por ele, torcer por ele de novo e assim vai.

Trata de solidão, de encontrar um sentido para a vida, de redenção, de maternidade, de amor familial.

É um road movie dos anos 1980, com homenagens sutis ao cinema que se produzia na época. Por exemplo, a trilogia Star Wars (1977, 1980, 1983), que aparece tanto na fala do garoto Hunter, quando na roupa de cama e nos brinquedos dele. É como se Wenders nos dissesse que Star Wars era infantil, mas ao mesmo tempo, tinha profundidade para entreter um adulto. Star Wars remete a uma releitura do gênero western, que Wenders também homenageia com tomadas em planos abertos, mostrando uma paisagem árida do deserto, tal qual fazia John Ford em seus filmes de faroeste. A cena inicial de Paris, Texas é similar a uma abertura dos filmes de Ford. Outra referência a filmes dos anos 1980 é um cartaz enorme com a foto de Barbra Streisand, como no filme Yentl, lançado um ano antes de Paris, Texas.

Mas são as cores que chamam a atenção ao longo do filme. Elas ditam o humor dos personagens ou o clima da cena. Wenders aproveita esta ligação de cores com os rumos da história para fazer um jogo com as cores vermelho, azul e branco, não por acaso, cores da bandeira da França, que junto da Alemanha, produziu o filme, e cores da bandeira dos Estados Unidos, terra do escritor L. M. Kit Carson, cuja obra foi adaptada por Sam Shepard para o filme e onde foi rodado Paris, Texas. Sem contar que França e Estados Unidos estão presentes no título do filme. Uma atriz francesa, Aurore Clément, integra o elenco. Ainda na primeira parte do filme, tomamos conhecimento de que Paris não é bem a que imaginávamos. O vermelho aparece em cenas quentes, que apontam não só para a paixão, mas também para o futuro. O azul traz ideia de tristeza pela certeza de que o futuro não será como o esperado, além da frieza e da racionalidade dos personagens. O verde, que aparece pouco no filme, traz ideia de esperança, tanto nos momentos iniciais do filme, quando Travis está em uma clínica esquisita para a qual foi levado após um desmaio, quanto nos momentos finais, quando, enfim Travis consegue uma sinalização para o futuro de Jane e Hunter. O vermelho ainda domina a cena quando Jane, uma estonteante Nastassja Kinski, aparece no peep show onde trabalhava. E tem o preto, no mesmo peep show, indicando que não haverá felicidade para o casal.

Além da direção segura e perfeita de Wenders e do roteiro excelente de Shepard, temos que dar destaque para a trilha sonora de Roy Cooder, que traz para o filme um blues que envolve perfeitamente as cenas com as cordas de guitarra, e a fotografia marcante de Robby Müller.

Enfim, um filmaço que só cresce em meu conceito.

Disponível no Belas Artes À La Carte.

quinta-feira, 17 de março de 2022

ARGENTINA - DIA 14 - A VOLTA PARA CASA

15/01/2022
(sábado) - acordei cedo, como sempre acontece em dia que tenho que viajar. Ansiedade sempre. Eram antes das 07:00 horas. Também tomamos café da manhã mais cedo. Ligamos para Emi e Rogério, mas eles não atenderam. Nosso desjejum foi apenas eu e Gastón na mesa.

Em seguida, voltamos para o quarto, onde arrumamos as malas, pesando-as com minha balança de mão. Todas com peso bem menor do que o limite máximo. Último banho no hotel antes de voltar para casa.

Descemos com malas prontas para a recepção, entrando na fila para fazer o check out. Enquanto esperávamos, Emi e Rogério desceram para saber sobre nossa conta, pois eles achavam que tinham pago valor a maior. Já tinham feito o check out, embora o voo deles estava marcado somente para o final da tarde. Nossos voos de volta eram em horários diferentes. Chegou nossa vez de acertar as contas no balcão da recepção.

O mesmo empregado que fez nosso check in nos atendeu. Estava com semblante cansado, tipo farol baixo mesmo. Estava trabalhando em excesso por causa do surto de covid entre os empregados do hotel. Quando apresentou o extrato, verificamos que tinha inserido a cobrança do IVA, que não deve ser cobrado de estrangeiros que pagam com cartão de crédito emitido fora da Argentina. Fizemos a reclamação. Ele estava muito mal humorado. Gastón aproveitou para novamente reclamar das condições do ar condicionado, tanto no primeiro quanto no segundo quarto que ficamos na estadia no Hotel 725 Continental. Ele respondia rispidamente. Gastón também reclamou que não pode usar a piscina após 16 horas da quinta-feira, pois a cobertura estava fechada para um happy hour que ocorre semanalmente, fato que não nos foi comunicado quando chegamos no hotel (outros hóspedes também faziam a mesma reclamação). Entreguei o cartão para pagamento. Ele passou o valor com o IVA. Nova discussão. Ele pediu desculpas, dizendo que estava muito atarefado. E ofereceu três opções para sanar o problema: esperar a fila diminuir para estornar o valor pago, que não aceitei, pois a fila estava grande e a ideia era sair para o aeroporto, no máximo às 11:30 horas, pois tínhamos que estar no Aeroparque ao meio dia, com voo marcado para sair às 15:00 horas. A segunda opção foi ele fazer o estorno na noite, me enviando um comprovante por e-mail, que também não aceitei. A terceira foi devolver o valor em pesos, que obviamente não aceitei. Perguntamos se ele poderia devolver o dinheiro em dólares. Ele fez a conversão, checando se havia efetivo em caixa. Ele me entregou $ 64,00. No cartão foi passado o total de ARS 33.068,00 (R$ 1.980,30 na conversão do cartão, já incluído o IOF). Pedi a nota fiscal, que foi impressa de imediato.

Começamos a pedir um Uber, mas nenhum aceitava a corrida. Voltamos ao balcão e pedimos ao recepcionista para chamar um táxi para nós. Ele ligou para a Táxi Premium, que não demorou a chegar.

O taxista passou pela autopista, onde há cobrança de pedágio. Por isso, a corrida ficou em ARS 900,00 (R$ 25,74), pagos em dinheiro. Pelo menos, este trajeto é mais rápido, pois é uma via expressa sem sinais de trânsito. O pedágio custa ARS 175,00.

No aeroporto, no balcão de check in da Aerolíneas Argentinas, ainda tivemos que preencher, on-line, uma declaração de saída do país, obrigação imposta pelo governo argentino àquela altura. Apresentamos o resultado do exame negativo para covid 19. Depois de despachar as malas e receber os cartões de embarque, tudo foi muito rápido, quase sem fila. Primeiro a passagem no detector de metais, onde a guardete pediu para eu tirar o relógio, eu respondi que ele não soava o alarme por ser de alumínio. Quando eu fui passar no portal, ela fez um sinal para o colega e o alarme tocou. Todos riram, inclusive eu, que não tive dúvida em falar que a vi fazendo o tal sinal. Tirei o relógio e passei, continuando a rir. Depois, passei pela imigração junto com Gastón, no guichê para argentinos e residentes no país.

Passada a imigração, entramos na loja Dufry, onde fizemos algumas comprinhas, basicamente alfajores da marca Cachafaz.

Eram 13:30 horas. Dava tempo de almoçar com tranquilidade. Há poucas opções para almoço na área de embarque do Aeroparque. Escolhemos o Outback. onde eu pedi uma Coca Cola sem açúcar (ARS 290,00), que não tem refil como nas unidades deste restaurante no Brasil, e um sanduíche de ciabatta (ARS 1.200,00). Gastón também pediu uma Coca Cola sem açúcar e um Outback burger (ARS 1.300,00), um clássico da casa. A ciabatta era bem grande, recheada com carne bovina assada na brasa, que estava desfiada, e muito queijo cheddar derretido, o que deixava o sanduba um pouco enjoativo. nem consegui comer tudo, embora o sabor estivesse muito bom. Acompanhou batatas fritas. Ficamos no restaurante até às 14:45 horas. A conta totalizou ARS 3.080,00, os quais pagamos ARS 2.800,00 (R$ 80,00) com o resto dos pesos que tínhamos e a diferença, ARS 280,00, em cartão de crédito (R$ 16,77, já incluído o IOF).

Ficamos sentados perto do portão de embarque para o voo Aerolíneas Argentinas 1242 com destino ao Aeroporto de Guarulhos. O início da chamada para embarque atrasou bastante. O avião decolou às 16:10 horas, um atraso de pouco mais de uma hora. Dormi boa parte do voo, que transcorreu muito tranquilo. Serviço de bordo com dois sanduíches de miga e refrigerante. Pousamos em Guarulhos às 18:40 horas.

Passamos pela imigração juntos, no guichê para brasileiros e residentes no Brasil, esperamos uns vinte minutos para pegar nossas malas, evitamos a Dufry local, mas tivemos que passar por dentro da ampla loja para alcançar a saída, passando pela Receita Federal direto, sem parar. Já do lado de fora, fomos até o balcão da Gol para check in de conexão, que fica no mesmo piso, embora nosso voo não fosse de conexão. Fomos os primeiros a nos apresentar à única atendente. Ela até que tentou nos atender, mas a impressora para imprimir as etiquetas de despacho das bagagens travou e não funcionava. Agradecemos, subindo para o piso das companhias aéreas, onde despachamos as malas, já que o check in já estava feito pelo aplicativo desde Buenos Aires.

Com os cartões de embarque nas mãos, ouvimos uma manifestação naquele piso. Era uma turma protestando contra a Gol que tinha perdido a cachorra Pandora em um voo de conexão doméstica (soube umas duas semanas depois que Pandora foi encontrada e entregue para seu dono). Gastón foi comprar cigarro, enquanto eu entrei para a área de embarque (olha a ansiedade aí de novo!). Fila do controle de raio X mínima, mas a área de embarque estava movimentadíssima. O aeroporto de Guarulhos é um mundo de gente, de comércio, de idas e vindas. Estava com sede. Sentei no Rei do Mate em frente ao acesso para o embarque remoto para nosso voo para Confins. Bebi apenas uma lata de Coca Cola sem açúcar (R$ 11,00).

Assim que Gastón chegou, descemos para a área de embarque remoto. Nosso voo, G3 1326, para Confins saiu no horário, bem cheio. O avião decolou às 22:25 horas, pousando em Confins às 23:35 horas.

As malas apareceram na esteira rapidamente. Pegamos nossa bagagem, fomos até o balcão da Coopertramo, na área central do aeroporto, mas não tinha ninguém para atender. Na fila do táxi, uma motorista da cooperativa se apresentou, perguntou nosso destino, e cobrou o valor que pagamos no trajeto de ida, ou seja, R$ 144,00, no cartão de crédito. Quando descemos do táxi, já na porta de casa, Elza e Ziggy começaram a latir esganiçadamente, felizes com nossa chegada.

Entramos em casa às 01:05 horas. Os cachorros fizeram a festa. Estávamos cansadíssimos.

Fim de uma movimentada viagem por três províncias argentinas: Buenos Aires, Entre Rios e Santa Fé.

HELLRAISER: RENASCIDO DO INFERNO (HELLRAISER)


Hellraiser: Renascido do Inferno
(Hellraiser), 1987, 94 minutos.

Terror escrito e dirigido por Clive Barker a partir de um conto de sua própria autoria. Inaugurou uma franquia longeva, já com dez filmes ao todo. Na esteira dos grandes sucessos de público da década de 1980, iniciado com o clássico Halloween (1978), Barker introduz mais um personagem na galeria dos ícones do terror: Pinhead, que se juntou a Michael Myers (Halloween), Jason Voorhees (Sexta Feira 13), Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo) e Leatherface (O Massacre da Serra Elétrica).

Embora esteja no subgênero slasher, Hellraiser também foi inovador ao trazer os cenobitas, vilões que não perseguem as suas vítimas, mas são evocados por elas em um ritual de magia negra utilizando um cubo cuja manipulação lembra o famoso cubo mágico lançado nos anos 1970. Assim, eles deixam de aparecer nas ruas, com alguma ferramenta/instrumento cortante nas mãos, para sempre estarem em um espaço fechado ao redor da vítima.

A trama: um casal se muda para um sobrado onde tinha vivido o irmão do marido, que estava desaparecido. Júlia, a mulher, primeiro resistente à mudança, ao descobrir o paradeiro do cunhado, que fora seu amante no passado, não só gosta da ideia de fixar residência ali, como vai ajudar o cunhado a voltar à forma humana, levando homens, matando-os para ele beber o sangue e ir retornando à sua forma física. A enteada não gosta da mulher de seu pai, motivo pelo qual não mora no sobrado. É ela que vai desvendar o mistério, se colocando em real perigo, tanto em relação aos cenobitas, quanto a seu tio.

O roteiro é fraco, apresentando muitos personagens que aparecem e desaparecem sem contribuir para a história. A performance dos atores principais também não ajuda, pois é sofrível, especialmente Claire Higgins, que interpreta Julia. Seu figurino e seu cabelo sempre montado com laquê atrapalham a composição da personagem, que é lasciva (o cabelo está sempre fixo, imóvel, em qualquer cena). No último terço do filme, a história acelera, como se a grana da produção tivesse chegado ao fim.

Mas com todos estes defeitos, enquanto terror, o filme prende a atenção. O gore, ou seja, a quantidade de sangue presente nas cenas, chama a atenção. Méritos também para os efeitos especiais, escorados na maquiagem, principalmente, e na trilha sonora, que deixa o espectador tenso. O mais impactante do filme são os cenobitas, liderados por Pinhead (Doug Bradley), uma turma de monstros que cultua o prazer a partir da dor. As sessões de tortura com ganchos e correntes são assustadoras. A composição destes monges do sadomasoquismo é muito boa, quando foram usados muito látex e maquiagem.

Disponível no Prime Vídeo, Looke, Mubi e Pluto TV (este último é gratuito).


terça-feira, 15 de março de 2022

PAIXÃO DOS FORTES (MY DARLING CLEMENTINE)

Paixão dos Fortes
(My Darling Clementine), 1946, 97 minutos.

Direção de John Ford, tendo como protagonistas Henry Fonda (Wyatt Earp), Victor Mature (Doc Hollyday), Linda Darnell (Chihuahua) e Cathy Downs (Clementine Carter).

Inicialmente, esclareço que não sou fã do gênero, tendo assistido poucos filmes western. Assim, não conheço todos os mitos e lendas do chamado faroeste. Mas Paixão dos Fortes aborda uma parte da história americana, o famoso tiroteio no Curral OK, com participação dos lendários Wyatt Earp e Doc Hollyday, que eu já tinha lido a respeito.

Marca registrada de Ford, o filme começa com um plano aberto mostrando a paisagem árida do oeste americano, com os irmãos Earp conduzindo um rebanho de gado para a Califórnia. Param para descansar no vale. Enquanto o irmão mais novo toma conta do gado, os outros três vão à cidade de Tombstone para fazer a barba. Na volta, encontram o irmão morto e o gado desaparecido. Wyatt aceita o cargo de xerife de Tombstone para descobrir quem cometeu o assassinato e o roubo. Conhece Doc Hollywood, um médico que retorna à cidade por estar morrendo de tuberculose, com quem faz amizade. Doc namora Chihuahua, uma cantora do saloon da cidade, mas deixou para trás Clementine, uma enfermeira que trabalhava com ele e que por ele é apaixonada. Wyatt tem uma queda por Clementine. Ao final, com a descoberta de quem matou o irmão mais novo, além de outros assassinatos que ocorrem ao longo da história, acontece o famoso tiroteio no Curral OK.

Clementine, que aparece no título original do filme, mas não aparece no cartaz de divulgação, tem participação pequena, mas fundamental para a mudança de comportamento de Wyatt e de Doc. O primeiro passa a ser mais cordial e o segundo decide com qual das duas mulheres vai ficar.

É um faroeste diferente dos outros poucos que já vi. Há mais doçura nos personagens, embora aquela imagem de macho viril, machista, se faça presente. A trama amorosa é sutil, mas com cenas marcantes, especialmente aquela em que Wyatt conduz Clementine até o local onde se realizava a primeira missa na cidade, terminando com os dois dançando no tablado montado na construção da igreja. Parece um ensaio para um casamento.

Henry Fonda está muito bem, entregando um Wyatt Earp incorruptível, leal, amigo e solidário.

Ao ouvir a música tema do filme, chamada Oh My Darling Clementine, que só toca no início e no final da projeção, voltei no tempo para lembrar de um desenho animado com ratinhos mexicanos que cantavam uma versão desta música.

Vi, em 12/03/2022, no Netmovies (gratuito).