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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

HONG KONG - DIA 3

Domingo. Templo nublado, mas sem chuva. Dia de conhecer o Buda Gigante (Big Buddha), com 26 metros de altura, feita em bronze. A estátua é considerada a maior de um Buda sentado do mundo. Fica em Lantau, nos arredores de Hong Kong. Fomos a pé do hotel até o centro comercial, quando pegamos um metrô na Estação Causeway Bay. Compramos o bilhete na máquina. Simples e rápido. Nosso destino era a última estação da Island Line, linha que já estávamos. Descemos na Estação Tung Chung. Na saída, vimos um movimentado outlet, o Citygate, mas seguimos em frente, rumo ao teleférico que nos levaria perto do Buda sentado. No caminho vimos muitas faixas cujas frases não identificamos, mas pareciam faixas de protestos. Um grupo estava postado em linha, paralelamente às faixas, fazendo movimentos bem lentos, bem ao estilo chinês. V exclamou em bom português: "que isto?". Um chinês com cabelos longos que passava de bicicleta sorriu e repetiu a frase que V havia acabado de dizer. Ele entendia o português. V, como se estivesse no automático, mudou totalmente o sentido que queria dar em sua frase, acrescentando: "que coisa interessante!". Rimos muito e esta frase foi repetida inúmeras vezes no restante de nossa viagem. Chegamos ao acesso para a entrada do teleférico, cujo nome é bem diferente: Ngong Ping 360. Subimos dois lances de escadas rolantes, passando por cima de uma rodoviária. Ainda não havia fila na bilheteria. Escolhemos a cabine de cristal, toda em vidro, incluindo seu piso. Para tanto, pagamos HK$ 188 (R$ 50 ou U$ 24.30), ida e volta. Como não tinha fila, eu, V, C e D tivemos uma cabine exclusiva (cabem até dez pessoas em cada cabine de cristal). As cabines não param, mas diminuem a velocidade para que o passageiro entre. No mesmo teleférico seguem os dois tipos de cabines. Esperamos a nossa, fomos autorizados a entrar e assim que o fizemos, tivemos que posar para uma daquelas fotos que vendem ao final da viagem (acabamos por comprar a tal foto). O trajeto dura vinte e cinco minutos. É o teleférico mais extenso da Ásia, com 5,7 km. Passamos por cima do mar, das montanhas, por dentro das nuvens baixas, vimos a cidade, o Mar do Sul da China, o aeroporto local, aviões decolando e pousando, pescadores, e um bando de gente fazendo o mesmo percurso em trilhas pela mata fechada dos morros do lugar. Acho que eles gastariam mais de duas horas para chegar ao local onde está a estátua do Buda. A visão que se tem da cabine é excelente, pois além dos amplos vidros dos seus quatro lados, o piso de vidro é um diferencial que vale pagar mais caro para ir nela. O ponto final do teleférico é no início da Ngong Ping Village com bares, restaurantes, lojas, atrações turísticas de ambos os lados. Esta rua é o único caminho de acesso para o monastério e para a estátua do Buda. Paramos várias vezes para tirar fotos, pois a cada ponto tínhamos uma nova perspectiva da estátua de bronze no alto de um morro. Já no final desta rua, vimos várias cabines de teleféricos cuja pintura homenageava um país. Parei e tirei foto em frente a que estava pintada com as cores da bandeira do Brasil. Chegamos ao pé da escada de acesso ao Buda. São 296 degraus até a estátua. Não se paga nada para subir, mas quando passamos em frente a uma bilheteria, a vendedora nos convenceu a comprar (uma doação, conforme ele insistiu em dizer) uma entrada para conhecer o museu que fica debaixo da estátua. Ficamos convencidos quando ela disse que no ingresso estava incluído uma garrafa de água mineral gelada e um sorvete a escolher. Fazia muito calor. Pagamos HK$ 28 (R$ 7,30 ou U$ 3.60) e subimos, encarando os quase trezentos degraus. A vista lá de cima impressiona, já valendo a subida. Fora que a estátua é belíssima. Ficamos mais de quarenta minutos percorrendo o corredor circular em torno da estátua, parando, apreciando a paisagem, tirando fotos. Para trocar o ingresso pela água e sorvete é necessário visitar o museu primeiro. A visita é muito rápida, pois não há muita coisa para se ver. São fotos, escritos e poucos objetos relacionados ao monastério budista responsável pela manutenção do local. Saímos, bebemos nossa providencial água gelada, tomamos o sorvete e descemos. Antes de voltarmos, ainda fomos conhecer o belo Monastério Po Lin. Ele é muito bem cuidado, está em ampliação, e seu jardim, com árvores frondosas, é um convite para o descanso e uma meditação. Voltamos pelo mesmo caminho, parando em algumas lojas para algumas comprinhas. O trajeto no teleférico dura o mesmo tempo. Ao desembarcarmos, observamos que tínhamos ido na hora certa, pois as filas que se formavam para entrar nas cabines ou para comprar os tíquetes eram imensas. Já que estávamos perto de um outlet, porque não entrar para dar uma olhadinha? Assim fizemos. Gastamos horas no movimentado Citygate, onde muita gente carregava malas com suas compras. Claro que compramos. Decidimos almoçar, mas lá dentro só há praça de alimentação, sem restaurantes com espaço e mesas reservadas. Saímos do shopping, andamos um pouco e sentamos no Délifrance, um pretenso bistrô de cozinha francesa, onde pedi um horroroso arroz de frutos do mar. Logo após o almoço, pegamos o metrô de volta. Só tínhamos notas e as máquinas só aceitavam moedas. Não existia uma bilheteria, mas apenas um guichê onde faziam a troca de notas por moedas. Fizemos isto. Decidimos descer na Estação Central, pois queríamos passar na loja da Apple novamente. Quando fomos sair, passando pela catraca, o bilhete de V travou. Fomos até uma máquina, adquirindo novo bilhete, mas não teve como ela usá-lo, já que tinha que entrar primeiro para depois sair. Ela teve que procurar um funcionário do metrô para poder sair. Chegamos novamente no IFC Mall, onde fomos para a Apple, que continuava cheia, mas conseguimos entrar. Enquanto C comprava o que queria, fiquei manuseando um iPhone 5, com muitas diferenças para o meu, inclusive no tamanho e na espessura. Resolvi dar uma volta pelo shopping, auxiliando D em uma compra. Com mais sacolas nas mãos, decidimos pegar um táxi para retornar ao hotel. Pausa para descanso. Já de noite, todos nós, incluindo S, nos reunimos no lobby do hotel para sair e despedir da noite em Hong Kong. Pegamos um táxi e fomos para a região do Soho, onde há a mais extensa escada rolante em ambiente externo do mundo. Claro que subimos um pedaço da escada antes de parar para procurar um local para jantar. Ficamos na Elgin Street, onde há uma série de bares e restaurantes, um ao lado do outro. Andamos um pouco, escolhendo o que mais nos agradava. Acabamos por optar pelo Cecconi's. Nosso último jantar na cidade seria da culinária italiana.




Flor de lótus no jardim do Monastério Po Lin



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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TEMPLO DO BUDA DE JADE


fitas vermelhas simbolizando pedidos para Buda

O domingo amanheceu ensolarado em Xangai. Seria um dia cheio de passeios pela cidade. Michael nos buscou no hotel às 9 horas. Fomos de carro até o Templo do Buda de Jade (Jade Buddha Temple), nossa primeira parada do dia. Logo que descemos da van, percebemos que a região onde está localizado o templo budista estava repleta de gente. Muitas pessoas carregavam pacotes de incensos de todos os tamanhos, além de flores e envelopes vermelhos. Muitos pedintes circulavam pelo local. A maioria deles pedia dinheiro. Nosso guia explicou que era dia de festa no templo, motivo de todo o movimento e do tamanho da fila que se formava para entrar no prédio. Naquele domingo se comemorava o aniversário de uma das formas de Buda. Não precisamos de entrar na fila, pois Michael tinha agendado nossa visita. O templo tem seus muros pintados de ocre com detalhes em vermelho. Lá dentro, havia uma multidão. As pessoas frequentavam o templo para fazer pedidos, orar, meditar ou agradecer uma graça alcançada. Grupos de turistas, todos identificados com crachás ou bonés iguais, passavam de um lado para o outro, se misturando com os chineses que estavam ali para festejar. Vimos vários monges. A cor da vestimenta identificava de onde eram os monges. Tinha roupa amarela, vermelha, cinza, creme, enfim, uma miríade de cores. Muitas fitas vermelhas estavam amarradas em árvores ou em peças de bronze. Elas simbolizavam os pedidos que os frequentadores do templo faziam naquele dia. Os envelopes que vimos nas mãos de vários chineses, bem como nas bancas de lembranças para vendas montadas no pátio do templo, eram usados para colocar em seu interior orações, pedidos e agradecimentos para, em seguida, serem jogados nas piras de fogo para queimar. Havia muita fumaça nos pátios, pois a quantidade de incensos que era queimada era incrível. Incensos enormes, decorados, amarelos, vermelhos, marrons, pequenos, grossos, finos. Não importa o tamanho, cor ou formato, todos eram queimados em homenagem a Buda. Seguindo a tradição, os chineses acedem três incensos por vez, em frente ao altar onde há uma estátua de Buda, fazem uma rápida reverência curvando o corpo, colocam os incensos acesos no incensário, fazendo uma oração de olhos fechados, com a cabeça virada para baixo. O interesse turístico do templo, inaugurado em 1882,  reside em ver a estátua de Buda feita de jade que veio da Birmânia (hoje conhecida como Myanmar). A estátua fica no segundo andar de uma das construções do local. Para vê-la, enfrentamos uma fila de turistas e de seguidores do budismo. Para variar, alguns chineses não ligavam muito para a existência da fila. Chegavam empurrando e passavam na frente. Era preciso fechar todos os espaços vazios ao nosso redor para evitar que passassem na nossa frente. Na câmara onde fica a estátua de jade não é permitido fotografias. Não há como chegar perto da estátua, ainda mais em dia de festa. No local, duas senhoras vendiam garrafas de óleo para os fiéis. Assim que recebiam o dinheiro, elas mesmo levavam a garrafa de óleo até o altar para queimá-lo. O fluxo de pessoas comprando o óleo é bem maior do que o tempo que se gasta para ele queimar. Assim, uma "fila" de garrafas ficava à espera para seu conteúdo ser queimado. Nesta câmara, há centenas de estátuas de buda em tamanhos diversos feitas em ouro. Segundo nosso guia, são pessoas que alcançaram alguma graça que mandaram confeccionar tais estátuas e as colocaram no templo. O efeito destas estátuas iguais é muito interessante. Assim que saímos deste salão, entramos em um dos prédios para ver as oferendas para Buda: frutas, flores, envelopes vermelhos, fitas coloridas, incensos, moedas, entre muitos outros objetos. A fumaça e o calor que vinha dos incensários incomodavam muito. Era hora de deixar o templo. Fomos para a Jiangnan Silk Boutique Museum (289 Macao Road - www.jiangnansilk.cn). Nosso objetivo era conhecer o processo de fabricação da seda. No local, fizemos um rápido percurso acompanhado por uma guia que estudava espanhol, insistindo em nos perguntar como se falava algumas palavras, pensando que nossa língua era a mesma que ela estudava. Depois de ter contato com o processo de fabricação, fomos levados para uma loja, onde roupa de cama e edredons recheavam as prateleiras. Decidi comprar um edredom, mas a vendedora era bem esperta, mostrando-me alguns cobre-leitos muito bonitos. Acabou por me mostrar um vermelho com detalhes em preto do qual gostei muito. Se comprasse o cobre-leito, que também servia como capa para o edredom, eu ganharia duas capas de travesseiro no mesmo padrão e levaria como cortesia o edredom. Certifiquei-me que o tamanho era o da minha cama, formato queen, comprando a peça e ganhando os itens que ela mencionara. V fez o mesmo. C preferiu comprar outro tipo de capa, mas nada ganhou. Ao reclamar, lhe deram um lenço de seda. Paguei RMB 3.350 (R$ 1.068,00 ou U$ 531). Caro, muito caro, mas tinha gostado desde o primeiro momento em que vi. Quando cheguei de volta ao Brasil, descobri que comprei o tamanho errado, ficou bem pequeno. Minha mãe acabou por ganhar um presente não programado.


arroz ofertado para Buda


envelopes contendo pedidos queimam em um dos pátios do templo


fumaça vinda dos incensários em um dos pátios do templo

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

PALÁCIO DE VERÃO

Outra visita que fizemos na terça-feira, dia 11 de setembro de 2012, foi ao Palácio de Verão (Summer Palace). Na verdade, o que se convencionou chamar de Palácio de Verão é um imenso parque, com várias construções da época dos imperadores e um grande lago. No verão, os imperadores e seu séquito passavam meses nos prédios construídos às margens da água. Ali, vimos mais construções do mesmo estilo que já tínhamos visto nas visitas anteriores, pois são prédios da mesma época. Comecei a achar tudo uma variação sobre o mesmo tema. Crystal, nossa guia, nos contou um pouco da história do lugar, o que significava uma enorme pedra postada logo após o principal portão, mostrou os incensários gigantes em forma de garça e de veado que ladeiam a entrada do principal prédio do parque e nos conduziu até a beira do lago, onde vi, pela primeira vez, uma plantação de lótus, mas sem a famosa flor onde Buda está sentado, já que não estava na época de sua floração. No alto de uma colina, uma imponente torre se faz presente, mas as fotos de onde estávamos não ficaram boas, pois o tempo estava muito embaçado. Na ponta esquerda de onde estávamos tinha uma ponte vermelha que conduzia a uma pequena ilha com mais um construção na forma de um pagode. A música que saia de caixas de som estrategicamente escondidas era relaxante e o lugar, mesmo cheio de gente, transmitia paz, com uma vista de tirar o fôlego. Como sabia viver a nobreza chinesa! Após fotos e mais fotos, seguimos adiante, para conhecer e caminhar na maior passarela do mundo, segundo a guia nos disse. São mais de 700 metros de passarela em madeira, toda pintada com motivos diferentes, tendo quatro pequenas torres, simbolizando cada uma das estações do ano. Ao final deste passeio está um barco de mármore, mandado construir pela imperatriz Cixi. O objetivo era mostrar aos inimigos que eles tinham um barco que nunca era incendiado nem afundado. Apenas um símbolo, pois como é de mármore, não poderia jamais navegar. Não é permitido entrar nele. Dali, compramos uma passagem por RMB 15 (cerca de R$ 5,00) para atravessar o lago no Dragon Boat. Como o nome diz, é um barco de madeira em formato de dragão colorido. A travessia dura cerca de quinze minutos. Do outro lado, vimos uma estátua de bronze de um boi deitado. Diz a lenda que ela ficava no fundo do lago para evitar enchentes. Quando a colocaram nas margens do lago, outra lenda surgiu. Acreditavam que se as águas do lago cobrissem o chifre do boi, Pequim ganharia um mar. Uma ponte mais à frente nos levou a uma pequena ilha onde há um templo, local de oração dos imperadores. Voltamos para perto da estátua do boi, de onde saímos. A van já nos aguardava do lado de fora. Era hora de ir almoçar.







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TEMPLO LAMA


Do Zoológico de Pequim até o Templo Lama (Lama Temple), nossa segunda parada do dia, foram cerca de quarenta minutos em um trânsito intenso. O templo fica em uma movimentada região, com alguns hutongs em volta dele. Há muitas lojinhas vendendo incensos nas imediações. Na entrada, já vemos o grande movimento de turistas e locais, pois muitos chineses vão ali fazer suas promessas e agradecimentos a Buda. O caminho que conduz à entrada é bem verde, com uma alameda central. Após cruzar um portão, temos do lado direito uma torre com um sino em sua base. Pagando, pode-se tocar o sino e fazer um pedido. Não fizemos isto. No lado esquerdo, uma torre similar com um tambor em sua base. Neste mesmo pátio fica o primeiro salão de oração. Em frente ao salão, ainda do lado de fora, alguns incensários em atividade, com muita gente ascendendo três palitos de incenso gigante e ajoelhando, se dobrando, colocando a cabeça no chão. Esta mesma cena se repete em frente a cada um dos salões do local. Nas mãos destas pessoas sempre havia um maço de incensos, pois eles prestavam o mesmo tributo em todos os seguintes salões. O ritual exige apenas três palitos de incenso por vez. Dentro do salão, não se pode fotografar a estátua de Buda, embora quase todo mundo clicava. Na medida em que se vai avançando, passando de um salão para o outro, posicionados em fila, o impacto vai aumentando, tanto na beleza da decoração quanto no tamanho das estátuas. Em alguns salões, há mais de uma estátua. Em um deles vimos os budas do tempo: passado, presente e futuro e em outros os budas do espaço. Alguns budas são representados sorrindo e gordos, outros são magros. No penúltimo salão está a estátua de Tsongkhampa, um restaurador da seita budista. Neste mesmo salão há dois tronos, um para o Dalai Lama e outro para o Panchen Lama, mas não há retrato de quem ocupa o primeiro posto, somente do segundo, pois a China não reconhece a independência do Tibete. Em seguida, o último salão, onde uma estátua de Buda (Maitreya) esculpida em uma única peça de sândalo está de pé. O impacto é grande, pois a estátua, toda dourada, tem 26 metros de altura, sendo a maior estátua de Buda de Pequim. No retorno, entramos em dois dos muitos salões laterais para ver exposições permanentes de estátuas menores de Buda e vestimentas dos budistas. Nos pátios internos, vimos alguns monges caminhando e parando para tirar fotos com turistas. Algumas de minhas amigas posaram para fotos com um grupo de monges budistas. No caminho da saída, paramos em frente a um instrumento cilíndrico, cuja parte interna se movia. Segundo a tradição, temos que rodar a parte interna no sentido horário, fazendo um pedido. Todos nós rodamos o cilindro, fazendo poses para fotos. Na lojinha local, vimos estátuas de uma Buda feminina, que, confesso, não sabia que existia. Foi o local que mais gostei de visitar em Pequim. Bonito, colorido, bem conservado, movimentado e cheio de energia positiva. Um oásis de tranquilidade em uma região com trânsito intenso de carros, bicicletas, motos e pedestres. Seguimos para o almoço.



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sábado, 23 de junho de 2012

ÍNDIA!

Desde 22 de maio de 2012, os espaços expositivos do CCBB de Brasília estão ocupados com a exposição Índia!, que fica em cartaz até o dia 29 de julho com entrada gratuita. Segundo anunciado pelo centro cultural, é a maior exposição sobre a cultura da Índia já montada no Brasil. Mapas da exposição estão espalhados no local, já que há obras em sete lugares diferentes. Para quem chega, além de ver o título da exposição em letras amarelas com fundo rosa, é recebido com uma enorme cabeça azul com um saco na cabeça, ao estilo de lata d'água na cabeça, chamada Migrante, obra de 2011 do artista Ravinder Reddy. Esta escultura virou parada obrigatória para fotos. Por falar em fotos, é permitido fotografar em praticamente todos os espaços (sem uso do flash nos espaços fechados), com exceção das obras expostas no subsolo da Galeria 1. Pode-se começar a visita por qualquer lugar, pois eles se completam em si mesmos, não sendo pré-requisito ver nenhum antes do outro. Gosto de ler todos os painéis, banners e textos escritos para as exposições, além de ver os vídeos/filmes existentes, o que toma um tempo maior para conhecer tudo. Por causa disto, creio que para uma visita completa seriam necessárias, pelo menos, quatro horas. Fiz a visita em duas oportunidades: dia 17 de junho, domingo, no meio da tarde, quando havia um público grande, dificultando às vezes a leitura dos textos ou colocar os fones de ouvido para ouvir/ver os vídeos; e 19 de junho, terça-feira, no início da noite, com maior tranquilidade em relação ao número de pessoas circulando nas galerias. Minha primeira parada foi na Galeria 1, onde há duas partes da mostra. No primeiro piso estão obras que mostram o dia a dia dos indianos, não à toa chamada O Cotidiano, enquanto no subsolo a mostra tem o nome O Sagrado, com foco na religiosidade. Logo na entrada, há uma enorme vasilha, contendo água e pétalas de rosa, que é utilizada em grandes festas religiosas para preparar a comida para quem delas participa. Em seguida, uma sala com projeções com imagens da Índia, seu povo e seus costumes, preparando-nos para o que veremos a partir dali. São trajes típicos (três deles expostos do lado de fora da entrada da galeria), imitação de jóias, adereços de toucador, vasilhames, estátuas em ferro e em terracota, pinturas, vestimentas e tecidos (o setor dedicado aos saris é interessantíssimo), instrumentos musicais bem peculiares, vídeos que exibem números de dança e de show musicais, e muita fotografia retratando o cotidiano dos indianos. Dentre os fotógrafos expostos, estão alguns dos expoentes daquele país da atualidade, como Raghubir Singh. Para mim, um dos destaques desta parte é o sari de seda bordado com fios de ouro usado em casamentos. Vi um pouco do vídeo com shows nos quais os instrumentos musicais expostos são utilizados, dando-nos a noção do som por eles produzidos. Tais instrumentos são os últimos objetos em exibição na mostra O Cotidiano. Desci as escadas para visitar O Sagrado, único local onde não é permitido tirar fotos. Foi a mostra que mais gostei de todas. Nela estão banners que explicam rapidamente as principais vertentes religiosas que estão presentes na Índia: budismo, jainismo, cristianismo, islamismo e hinduísmo. Ilustram a exposição várias estátuas de divindades (Shiva, Ganesha, Parvati, Buda, Jesus Cristo na cruz com feições hindus, entre outras), além de máscaras, quadros, imagens, e um interessante trabalho feito em folha de palmeira. Os detalhes desta obra são incríveis. Ainda há um filme projetado na parede cujo tema é, obviamente, a religião. Deixa-se a exposição pelo próprio subsolo, quando saímos praticamente em frente à entrada da Galeria 2, onde estão as mostras Colonialismo, Cortes, Fotografia, Narração de Histórias e Cinema Bollywood. O que me chamou a atenção nesta parte foram as fotografias antigas, tanto as panorâmicas retratando as cidades indianas, quanto as feitas em estúdios. Uma parte da mostra faz uma homenagem a Gandhi, com seu busto em bronze exposto. Ao final da galeria, está a parte de narração de histórias, com fantoches, bonecos de sombra e um vídeo mostrando o teatro de fantoches, que são muito coloridos. Parte que as crianças adoram. Antes de sair, deparamos com uma reprodução de uma sala de cinema, onde filmes da indústria cinematográfica indiana são projetados, além de alguns posters nas paredes e retratos de atores da famosa Bollywood, que tem a maior produção mundial de filmes. Saindo da galeria, já vemos a próxima atração, uma das mais concorridas, por sinal, a instalação do artista Gigi Scaria. Nada mais do que um cubo que imita um elevador. Os visitantes entram e tem-se a sensação de que estamos sempre subindo no tal elevador, uma ilusão de ótica provocada pela projeção de imagens que simulam paredes internas do fosso do elevador e os andares. Há uma crítica à estratificação social na Índia, pois na medida em que se vai subindo, a decoração dos apartamentos vai ficando sofisticada. Ainda há o barulho comum em elevadores e movimento, potencializando a sensação de que estamos realmente subindo os andares. Duas mulheres que entraram comigo logo saíram, pois não se sentiram bem, estavam tontas. Saindo do elevador, a próxima parada foi um altar montado logo à frente, onde três divindades são reverenciadas. Para ver a divindade, é necessário olharmos por um dos três círculos coloridos. Para cada cor, vemos uma divindade diferente. É bem interessante. No hall do CCBB, entre o Bistrô Bom Demais e a bilheteria, estão expostos um altar amarelo dedicado à Ganesha, uma fotografia do Taj Mahal, um triciclo e um tuc tuc verde. Todos são paradas obrigatórias para poses e fotos. Por fim, no Pavilhão de Vidro e na Sala Multimídia, é a vez da arte contemporânea, cuja mostra ganhou o nome de Índia - Lado a Lado. São obras de artistas plásticos contemporâneos, muitos com trabalhos de repercussão internacional, nas mais diferentes plataformas: instalações, vídeos, esculturas, pinturas e fotografias. Até um jogo de basquete que faz alusão ao sexo seguro está presente, com regras de como jogar escritas na parede. No domingo, mais de uma pessoa pegou a bola e a arremessou à cesta, mas na terça-feira à noite, os vigilantes disseram que não era permitido interagir com a obra. Nem era comigo, mas estava perto quando um homem foi advertido da proibição. Assim, intervi dizendo que estivera no local no domingo e fui um dos que arremessei a bola, havendo uma pequena fila para fazer o mesmo e que ninguém havia sido advertido. Não há nenhum aviso neste sentido, muito antes pelo contrário, já que as regras de como jogar estão escritas logo abaixo das informações sobre a instalação. A vigilante disse que era proibido e que não estava lá no domingo. Acrescentou que realmente a obra era interativa, mas que por falta de espaço no CCBB de Brasília, somente em São Paulo foi possível esta participação dos visitantes. Falta de espaço no CCBB de Brasília? Espaço no CCBB de São Paulo, que nem área externa possui? Deixei pra lá. Como toda exposição de arte contemporânea, há coisas difíceis de captar a mensagem do artista, outras bem feias e outras interessantes. É isto que eu acho interessante, esta possibilidade múltipla de leituras e de gostar ou não gostar. Por falar em gostar, gostei muito de Índia!



tecido


detalhe de sari de seda com fios de ouro


instrumentos musicais (tabla)


fantoche - teatro de bonecos


boneco de sombra


cartaz de filme de Bollywood


arte contemporânea


arte contemporânea


tuc tuc


altar Ganesha


tacho para preparo de comida em grandes festas religiosas



"Migrante", de Ravinder Reddy

artes plásticas