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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

UM VOO ENTRE XI'AN E XANGAI

Amanhecemos cedo no sábado, 15 de setembro. Era hora de deixar Xi'An e seguir para nossa terceira cidade chinesa da viagem. Nosso destino: Xangai (Shanghai). Depois de mais um bom café da manhã no Grand New World Hotel, fizemos nosso check out e nos sentamos, aproveitando para navegar no wi-fi gratuito do lobby do hotel até a chegada de Snow, nossa guia. Às 8:30 horas em ponto ela surgiu com o motorista. Malas colocadas na van. Tudo pronto para seguir para o aeroporto, cujo trajeto fizemos em cerca de cinquenta minutos. Despedimo-nos do calmo motorista, dando-lhe uma gorjeta conforme dicas escritas que recebemos da agência com a qual contratamos o pacote da parte interna na China (RMB 80 - R$ 26,00 ou U$ 12.70 - por dia de trabalho). A guia nos conduziu até o balcão do check in da China Eastern, onde fizemos o despacho das bagagens e pegamos o cartão de embarque. Foi a vez de despedirmos de Snow, também lhe dando a sua gorjeta (RMB 150 - R$ 48,30 ou U$ 23.80 - por dia de trabalho). No controle do raio X tive que tirar muita coisa da mochila: iPhone, iPod, iPad, moedeira, fone de ouvido, saco de plástico com os líquidos de viagem, notebook e seus acessórios, além da carteira de dinheiro. D teve que abrir a sua bolsa, pois implicaram com alguma coisa que estava lá dentro, mas não ficaram com nada. O aeroporto é muito grande, com bastante espaço e tem wi-fi gratuito para navegação na internet. Embarcamos no horário. Avião lotado. A temperatura começou a incomodar dentro da aeronave. Muita gente se abanava. Eu utilizava a revista de bordo para também me abanar. As comissárias entregavam copos de água para quem pedia, até que o comandante avisou que havia um problema no ar condicionado e que já estavam resolvendo, dizendo, ao final, que o voo atrasaria quarenta minutos. Pensei que sairíamos do avião, mas ficamos e assim permanecemos por mais de uma hora. O ar voltou a funcionar e pudemos decolar. O voo marcado para sair às 11:00 horas, só deixou a pista de decolagem às 12:15 horas. Eu estava sentado no corredor e V no assento do meio ao meu lado. Na janela, estava um chinês. Quando serviram o almoço, uma refeição quente, com duas opções para escolhermos, o chinês começou a mastigar de boca aberta, fazendo muito barulho, o que foi incomodando V. O chinês foi aumentando o barulho enquanto V tampava o ouvido esquerdo com um dedo, usando a outra mão para manusear os talheres. Mas o barulho aumentava. Parecia que ele se divertia com o fato. V pegou seu fone de ouvido, que começamos a chamar de equipamento de proteção individual, plugou seu iPod, colocando-o em seu volume máximo. O chinês queria realmente incomodar, pois aumentou a barulhada com a boca enquanto mastigava e foi assim até terminar a refeição. Quando pensávamos que ele terminara, a comissária passou oferecendo chá. Ele aceitou uma xícara. Sorveu a bebida com todos os barulhos possíveis, chupando os dentes quando engolia e ainda pediu outra xícara. Quando a situação passou, rimos muito do que ocorreu. Pousamos no Aeroporto de Pudong (Shanghai) às 14:30 horas. A espera das malas não foi longa. Na saída, nosso guia local, Michael, já nos aguardava. Desta vez, a placa que ele usava para nos identificar tinha o nome de nós cinco. O guia nos pareceu distante e apressado, mas esta primeira impressão logo passou. Seu inglês era muito bom, fácil de entender. Pedimos para ele nos levar a uma casa de câmbio ainda no aeroporto, onde troquei mais U$ 300. D e V também trocaram dinheiro. C e S preferiram esperar por um caixa eletrônico para sacar. Seguimos para a van, onde fomos apresentados para Jack, nosso motorista local, um ex-soldado do exército chinês. No carro dele tinham fotos de Mao. Michael disse que, devido ao atraso de nossa chegada, só deixaríamos as malas no hotel, onde ficaríamos no carro. O check in seria feito no final dos passeios programados para aquele sábado. O almoço incluído no nosso pacote foi trocado pelo jantar, proposta feita pelo guia, assim como acontecera em Xi'An. No trajeto do aeroporto até o centro da cidade, onde ficava nosso hotel, vimos o movimento intenso de carros nas ruas, os vários viadutos que se sobrepõem um ao outro, o trem mais rápido do mundo chamado Maglev (Magnetic Levitation), que faz o percurso aeroporto-centro-aeroporto em poucos minutos. Este trem não anda sobre trilhos, sendo suspenso por levitação magnética. Fabricado na Alemanha, chega a mais de 400 quilômetros por hora e só existe em Xangai. Pensei em andar nele, mas isto não foi possível durante nossa estada na cidade. Ficou para uma outra oportunidade.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

GASTRONOMIA EM XI'AN, CHINA - DEFACHANG RESTAURANT




Endereço: Bell and Drum Towers Square, Beilin, Xi'An, China (há outros endereços na cidade).

Fone: +86 (029) 8721 4060.

Especialidade: dumplings (bolinhos chineses recheados).


Quando fui: jantar do dia 14 de setembro de 2012, sexta-feira. Éramos seis pessoas. Ficamos no segundo andar, em mesa redonda com um círculo de vidro giratório no meio. A mesa acomodava seis pessoas.

Serviço: rápido e sem nenhum glamour. Como o local só serve o banquete de dumplings em vários menus, basta escolher o tipo que se quer e eles começam a servir.

O que bebi: chá verde à vontade e uma lata de Coca Cola Light.

O que comi: compartilhamos o banquete com dezessete tipos diferentes de bolinhos recheados. Antes dos bolinhos começarem a chegar à mesa, Snow disse para a garçonete que S não comia carne vermelha. Providenciaram para ela um set separado apenas com dumplings recheados de vegetais. Alguns pratos de salada foram servidos antes dos bolinhos: amendoim com milho verde (o amendoim estava levemente cozido e tinha um molho adocicado); acelga com gengibre picado em tirinhas (tinha gengibre em quantidade suficiente para dar o sabor ardido próprio desta raiz. Caiu muito bem no paladar); pepinos cortados em pedaços misturado com milho verde e camarões levemente cozidos no vapor (prato sem graça); chuchu cozido cortado em cubos, alga e nozes cozidas (mistura inusitada, com as nozes brancas e sem nenhuma crocância, mas com um sabor suave); massa de feijão cozido cortada em juliene com talos de aipo, também cortados em tiras (ótimo prato, com a massa de feijão macia, tendo o sabor marcante, contrastando com a textura mais crocante do talo de aipo) e broto de feijão em rápida passagem no óleo (outro prato sem graça). Em seguida, começaram a chegar os dumplings, servidos em dezessete versões diferentes, tanto de formato quanto de recheio. Um dumpling folhado com recheio de pêssego foi o primeiro a chegar, seguido de uma versão frita, parecida com os giozas vendidos no China in Box, recheado de carne de porco, que estava muito bom. O folhado foi o menos aprovado, sobrando algumas unidades (serviram sempre cinco unidades de cada versão, levando-se em consideração de que eram cinco pessoas a degustar o banquete, já que S teve uma versão especial vegetariana). Depois, chegaram à mesa as vasilhas de bambu com os dumplings cozidos no vapor. Chegavam de quatro em quatro versões. A massa era a mesma para todos os bolinhos, um pouco borrachuda para aguentar o cozimento sem se abrir. O que diferenciava eram os formatos e coloração. Os mais identificáveis foram os que vieram em forma de pato e de nozes. Alguns estavam levemente apimentados, enquanto outros era difícil identificar o sabor do seu recheio, pois fazem algumas misturas como frutos do mar com carne de porco. Os mais saborosos eram os recheados com vegetais. O meu preferido tinha acelga e aipo no recheio. Ao final, chegou uma sopeira dourada (hotpot), com a sopa ainda no fogo. A garçonete abriu a sopeira, jogando dentro da sopa vários mini dumplings em formato de pintinhos, identificando que seu recheio era de carne de frango. A sopa é de crisântemo, seguindo uma tradição que remonta aos tempos da Imperatriz Cixi. Os mini dumplings são cozidos na sopa em rápidos minutos. A garçonete coloca duas conchas da sopa em bowls individuais sem contar quantos dumplings estão sendo servidos. Cada um deve, antes de tomar a primeira colherada da sopa, procurar quantos dumplings vieram para si. Caso venha algum, a pessoa foi abençoada. Uma unidade significa que se deve seguir a vida calmamente; duas delas quer dizer que sua felicidade chegará em dobro; três delas, crescimento vertiginoso em sua carreira. Não quis provar a sopa, mas contei meus dumplings. Fui agraciado com dois deles. Felicidade em dobro.


amendoim com milho verde 


acelga com gengibre picado em tirinhas


pepinos cortados em pedaços misturado com milho verde e camarões levemente cozidos no vapor


chuchu cozido cortado em cubos, alga e nozes cozidas


massa de feijão cozido cortada em juliene com talos de aipo, também cortados em tiras


broto de feijão em rápida passagem no óleo


dumplings cozidos no vapor


dumplings cozidos no vapor


dumplings cozidos no vapor


dumplings cozidos no vapor


dumplings cozidos no vapor


dumplings cozidos no vapor


dumplings cozidos no vapor


Hotpot - sopa de crisântemo


sopa de crisântemo com mini dumplings

Valor total da conta: RMB 600 (R$ 193,00 ou U$ 95). Não deixamos Snow pagar a sua parte, sendo a nossa convidada do banquete.

Minha avaliação: * * 1/2 . Valeu como experiência de ter conhecido o famoso banquete de bolinhos chineses recheados. Ao entrar, há uma exposição de todos os dumplings servidos no restaurante, com destaque para os formatos mais diferentes possíveis, como amendoim, pato, polvo, abóbora, tartaruga e sapo. Destes citados, apenas o de pato fez parte de nosso banquete.

Gastronomia Xi'An, China

UM PASSEIO PELAS RUAS DA ÁREA MUÇULMANA DE XI'AN


Portão interno da Grande Mesquita


Minarete da Grande Mesquita


Inscrição na entrada da sala de orações da Grande Mesquita


Pipas à venda no Mercado Muçulmano


Barraca de comida nas ruas ao redor do Mercado Muçulmano


Torre do Tambor


Great Tang All Day

No final da tarde da quinta-feira, com a temperatura mais agradável, fomos conhecer a área muçulmana de Xi'An, especialmente o mercado com as ruas ao seu redor e a Grande Mesquita. Descemos da van em frente à Torre do Tambor, um imponente pagode que nos tempos imperiais servia para anunciar o final do dia para os trabalhadores. Como eles não tinham relógio, duas torres indicavam a hora de ir para o trabalho e a hora de retornar para casa. A primeira era a Torre do Sino. Assim que o dia raiava, o sino desta torre soava, avisando a todos para ir para o trabalho. Quando o sol se punha era a vez do som do tambor da Torre do Tambor ecoar pelos ares, sinal de que era tempo de terminar a jornada diária. Hoje estas duas torres estão muito bem conservadas, construídas no formato de pagodes, com suas paredes vermelhas e abertas para visitação. A Torre do Tambor seria o nosso referencial para encontrarmos mais tarde com nossa guia. Caminhamos um pouco em torno desta torre, onde o movimento de gente e automóveis era grande. Pedestres e carros disputavam espaço nas ruas sem se importar muito um com o outro. Um grande comércio de artigos chineses convive pacificamente com as grandes cadeias de restaurantes mundiais, como a Starbucks e o McDonald's. Em frente a esta unidade da lanchonete dos arcos dourados fica a entrada para o mercado. Paramos para Snow nos dar uma explicação sobre como proceder para comprar qualquer artigo lá dentro. A regra é simples: pechinchar sempre. Temos que barganhar por qualquer coisa que quisermos comprar. É um exercício de paciência, pois os vendedores fazem um grande teatro. Esperava um mercado tumultuado, mas me enganei. Uma única via estreita serpenteia entre um sem número de barracas, tudo devidamente coberto por um telhado, que vendiam de tudo, desde lembrancinhas chinesas, até falsificações de grifes famosas de bolsas e vestuário. Burberry é a marca preferida dos chineses. Assim, milhares e milhares de produtos com o famoso xadrez da marca inglesa estavam disponíveis para vender ali. Snow pediu para deixarmos as compras para depois de visitarmos a Grande Mesquita, localizada no meio do mercado. Passamos olhando as mercadorias, sempre ouvindo uma saudação em inglês dos vendedores que anunciavam seus produtos. O ingresso para a mesquita já estava incluído no pacote. O movimento das ruas ao redor do mercado e o trança-trança de pessoas na via dentro dele se acaba totalmente quando entramos no primeiro jardim da mesquita. Reina a paz em um local sereno, bem conservado, com algumas obras de restauração, e muito verde. A Grande Mesquita tem mais de 1.200 anos de fundação, fato ocorrido durante a Dinastia Tang. Ela possui quatro grandes jardins. Em cada um deles, há prédios específicos, alguns transformados em museu, guardando relíquias vinculadas ao islamismo e mobiliário das dinastias que reinaram na China imperial. A passagem de um jardim para o outro se dá por grandes portões, minuciosamente decorados com inscrições gravadas na madeira ou na pedra, conforme a arquitetura do portão. A construção mais alta da mesquita é seu minarete, localizado no terceiro jardim. Sua função é chamar os fiéis para as orações. Alguns prédios laterais não tem entrada permitida, mas se pode olhar seu interior pelas portas e janelas abertas. Apesar do calor, a temperatura nos jardins estava bem agradável, pois o formato da construção e as árvores do local garantiam um certo frescor. Ao final do último jardim se localiza a grande sala de orações. A entrada é permitida apenas para muçulmanos, mas os demais visitantes podem verificar seu belo interior pela porta principal, que estava aberta. Lá dentro cabem cerca de mil pessoas em posição de oração e em suas paredes estavam inscritos textos do Alcorão. Estas inscrições estão parte escritas em chinês e parte em árabe. O interessante é que a arquitetura da mesquita obedece o padrão dos templos chineses, diferenciando e muito das demais mesquitas dos países cujo islamismo é a principal religião. Ficamos cerca de quarenta minutos na mesquita. Quando saímos, combinamos com Snow local e horário de nos encontramos com ela. Ficamos livres para bater perna pelo mercado. Já paramos na barraca em frente à entrada da mesquita, onde V achou um pincel de caligrafia que queria comprar para usar como objeto de decoração. A vendedora pediu RMB 800 (R$ 260,00 ou U$ 127), anotando o preço em uma calculadora. V não aceitou o preço. Começava uma longa negociação. A vendedora entregou a calculadora para V, que marcou RMB 200. A vendedora fez uma cara de espanto, falando em um difícil inglês que o pelo do pincel era de cabra e seu cabo trabalhado em osso de boi, dando um novo preço: RMB 670. V continuou marcando RMB 200 e balançando a cabeça, ameaçando ir embora. A vendedora apertou um monte de botões aleatoriamente na calculadora, em um autêntico teatro, como se estivesse aplicando descontos, chegando a RMB 580. V entregou o pincel e foi saindo da barraca. A chinesa a pegou pelo braço, colocando RMB 400. V disse que seu preço era o último e ponto final, deixando a barraca. A chinesa fingiu chorar, bateu os pés no chão e colocou RMB 350 na calculadora. V saiu da barraca com a vendedora atrás dela, a puxando pelo braço para dentro da loja novamente. V tinha conseguido o preço que ela se propôs a pagar pelo pincel: RMB 200 (R$ 65,00 ou U$ 32). Comprou dois pinceis diferentes. S aproveitou a negociação e também levou um exemplar pelo mesmo preço. Seguimos em frente, passando por um setor só com barracas de itens falsificados: Lacoste, Nike, Adidas, Burberry, Louis Vuitton, Chanel, Calvin Klein, Dior, entre muitas outras. De vez em quando tínhamos que nos espremer no corredor, pois chineses em bicicletas, motos e pequenos tuc-tucs circulavam pela via estreita do mercado. Parei em frente a uma barraca que vendia objetos em miniatura, quando vi os animais do horóscopo chinês. Claro que comprei o meu signo, um coelho, mas não negociei, pois custou a bagatela de RMB 20 (R$ 6,50 ou U$ 3.20). C e D também compraram miniaturas na mesma barraca. Enquanto isto, S achou uma caixinha em cloisonné, pedindo auxílio de V na negociação. A peça foi vendida pelo preço que S se dispôs a pagar no início, com um teatro parecido com o da primeira compra de V. Saímos do mercado em uma rua movimentada, cheia de lojas e barracas na rua vendendo tudo quanto é tipo de comida. Desde frutas frescas, até doces e salgados, passando por pratadas de noodles e alimentos diferentes. Moscas e lixo eram comuns na rua. Em frente a algumas lojas havia uma máquina com uma espécie de bacia em sua base. Esta bacia tinha sal e pimenta. Nela eram colocadas nozes levemente quebradas com um martelo, sem abrir. Um pequeno buraco para deixar entrar a mistura de temperos. A bacia rodava enquanto um fogo brando aquecia as nozes. Tivemos vontade de comer, mas Snow havia aconselhado que não devíamos comer nada nas ruas da região. Seguimos adiante, parando aqui e ali para tirar fotos das comidas expostas. Viramos a primeira rua à direita, onde há uma série de pequenas mercearias. Entramos em uma delas para ver os produtos chineses. C comprou uma caixa de doce feito com romã e um pacote das tais nozes que tínhamos visto na rua. Nesta rua, havia também algumas barracas de comida vendendo pés de porco com um aspecto horrível. A área é muito frequentada por muçulmanos que dominam o mercado local. Assim, vimos muitas chinesas com panos cobrindo a cabeça. Já estava chegando a hora de encontrarmos novamente com Snow. Fomos direto para o ponto de encontro, onde ela já estava. Dali, seguimos a pé em direção ao restaurante De Fachang, onde experimentaríamos o famoso banquete de dumplings da cidade. Depois do jantar, ainda fomos fazer mais um passeio. Snow nos levou para um novo bairro da cidade, bem afastado do centro, onde está o metro quadrado mais caro da região e uma pulsante vida noturna. Nós já estávamos bem cansados, mas ainda descemos do carro para percorrer a pé um pedaço da chamada Great Tang All Day. É uma avenida com um canteiro central largo onde árvores artificiais de luzes coloridas e grandes esculturas contam a história da Dinastia Tang, lembrando muito a artificialidade de Las Vegas. Nas laterais da avenida estão imensos shoppings modernos com todas as grifes mundiais conhecidas. Alguns destes shoppings ainda nem foram inaugurados e estão sendo construídos em pagodes antigos devidamente restaurados e adaptados para a vida moderna. Percorremos quatro quadras e nos demos por satisfeitos. Era hora de voltarmos para o hotel para um providencial descanso.

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MUSEU DE ARTE E AULA DE CALIGRAFIA

Mr. Right, nosso motorista em Xi'An, voltou do sítio arqueológico onde ficam expostos os soldados de terracota por um outro caminho. No trajeto, o trânsito no fluxo contrário ao nosso era muito lento, lotado de caminhões carregados de mercadorias. Enquanto voltávamos, observei Mr. Right dirigindo. Ele segurava com a mão esquerda, junto com o volante, uma mini-cabaça amarrada em um longo cordão. De vez em quando, ele apertava a cabaça ou a passava em sua testa. Parecia que meditava. Em ambos os pulsos, assim como na maçaneta da marcha, pulseiras de pedras de jade no formato de uma cabeça de Buda sorridente. Eram muitos budinhas rindo ao redor do pulso dele! Snow, a guia, não parava um minuto sequer de falar. Contava mais fatos sobre a história das dinastias que ali imperaram no passado. Segundo nossa programação, a próxima parada seria no Mercado Muçulmano, mas o dia estava muito quente e seco. Snow nos sugeriu ir mais tarde ao mercado, depois das 16:30 horas, quando a temperatura estaria mais agradável e o movimento nas ruas mais intenso. Ela nos deu duas opções: ir para o hotel onde estávamos hospedados para descansar ou conhecer um museu de arte. Escolhemos a segunda opção. Fomos conduzidos para o Museu de Arte TangBo (TangBo Art Museum - 26 South Gong Yuan Road, Xi'An - www.xianartmuseum.com), cuja entrada é gratuita. Lá, fizemos uma visita, conduzidos por uma das guias do museu. O museu foi fundado em 2000, tem um acervo enxuto, mas muito bem conservado e é fácil de percorrer. Possui uma coleção de arte popular Shaanxi, além de pinturas antigas, apresentadas em sequência histórica. Começamos pelo salão da esquerda, onde ficam os quadros de arte popular, podendo ser classificados como pintura naif, representando o cotidiano, usando muita cor e sem nenhuma perspectiva, com todo o cenário ocupando o mesmo plano. Neste mesmo setor, há interessantes quadros com bambus e flores. A guia nos dizia o que significava cada elemento colocado na pintura. Aprendi, por exemplo, que o bambu é símbolo de virtude. Uma pintura me chamou a atenção neste salão. Era uma colagem, com dois bonecos bem coloridos cujas pernas e braços se moviam. A guia nos disse para colocar as mãos nos bonecos, fazendo-os movimentar. Eram utilizados em teatros de marionetes e feitos com peles de animais. Ainda no primeiro salão, a guia parou em frente a uma sequência de esculturas de animais. Eram os doze animais do horóscopo chinês. Ela me perguntou o ano de meu nascimento. Ao responder 1963,  abriu sua mão e, com os dedos da mão direita, fez gestos como se estivesse utilizando uma calculadora na palma da esquerda. Meu signo era o coelho. Rapidamente ela disse algumas das características positivas de quem nasce sob este signo. Responsabilidade, dedicação ao trabalho, minucioso, amante da paz e com alto senso de justiça são algumas das características positivas. Ao terminar de elencá-las, ela usou um "mas" com bastante entonação, completando com alguns pontos sensíveis, como agir por impulso, ser dependente de outra pessoa e extremamente rígido com as pessoas com quem se relaciona. As minhas companheiras de viagem morreram de rir, mas a vez de cada uma chegou logo. C descobriu que seu signo é cabra, D é cavalo, V é boi e S é serpente. Seguimos em frente. O próximo salão é um corredor estreito com peças muito antigas, encontradas em escavações arqueológicas, como vasos de cerâmica e instrumentos de caça e pesca. Os outros dois salões que se seguem tem um lindo acervo de pinturas chinesas, com algumas delas feitas em delicado papel de arroz. A simbologia é bem forte nestes quadros. A maioria delas retrata cenas do cotidiano ou paisagens bucólicas. Terminada a parte expositiva, passamos para uma ampla e iluminada sala, onde uma mesa já estava preparada para nos receber. Teríamos ali uma rápida introdução na arte da caligrafia chinesa, com direito à aula teórica e prática. Na frente de cada um estava uma folha de papel de arroz, um pincel e um pote com tinta preta. A guia utilizou um flip chart, desenhando os oito elementos que formam toda a escrita chinesa. Acabei por notar que eles usam apenas oito "letras" para formar suas palavras, enquanto nosso alfabeto tem 26 letras. A guia começou a conjugar os elementos, formando palavras e frases mais simples, pedindo, em seguida, que tentássemos acompanhá-la, escrevendo a mesma coisa em nossa folha de papel. Molhei demais o pincel, tentando escrever com ele inclinado, como fazemos com a caneta e só saiu uma grande e úmida borra negra. Ela me corrigiu, dizendo a melhor maneira de se pegar o pincel, bem como a posição, totalmente vertical, para escrever. Assim que corrigi a posição de meu pincel, consegui copiar os caracteres que ela ia desenhando. Antes de terminar a nossa rápida aula, ela perguntou se alguém queria aprender a escrever alguma coisa e todos ficaram pedindo os respectivos signos do horóscopo chinês. Ela terminou dizendo como se lia. Até a década de quarenta, os chineses liam da direita para a esquerda e de cima para baixo. Depois, adotaram a mesma posição de leitura ocidental, ou seja, da esquerda para direita e de cima para baixo, como estamos acostumados a fazer. Também disse que os caracteres eram os mesmos para as línguas mais importantes da China, o que mudava era a forma oral de se falar. Assim, um chinês que fala em mandarim consegue ler e escrever qualquer coisa em cantonês ou em shanghaismo, mas não consegue entender o outro quando em uma conversa. Ela pediu para deixarmos nossas escritas secando em cima da mesa. Por fim, na mesma sala de aula, a guia nos apresentou uma série de pinturas de artistas plásticos contemporâneos que gostam de pintar como nos tempos antigos, utilizando da mesma simbologia. A maioria das pinturas era de paisagens ou de animais. As pinturas, em diversos formatos, estavam à venda. Acabei decidindo comprar uma pequena, com bambus e flores vermelhas. Cada pintura tem um carimbo vermelho. Segundo a guia, o carimbo identifica a autenticidade da obra. Paguei RMB 80 (R$ 25,80 ou U$ 12.7) pelo meu quadrinho, que foi enrolado e colocado em uma caixa de papelão, própria para viagem. Quando paguei, fui informado que estava contribuindo com a manutenção daquele museu, pois parte do valor arrecadado com a venda daquelas pinturas é revertido para o Museu de Arte TangBo. C e S também compraram seus quadrinhos. Antes de sair, cada um pode pegar o resultado da aula para levar de recordação. Curti muito este programa que não estava em nosso roteiro.


Fantoches feitos com pele de animal


Coelho, meu signo no horóscopo chinês


Detalhe de pintura


Aula de caligrafia chinesa


Meus primeiros caracteres em chinês



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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

GUERREIROS DE XI'AN


Sexta-feira, 14 de setembro de 2012. Segundo dia em Xi'An, China. Acordamos cedo para tomar café da manhã, pois Snow, nossa guia, marcou de nos encontrar no lobby do hotel às 09:00 horas. O hotel estava lotado de estrangeiros. Segundo Snow, estávamos na alta estação para o turismo. Comi algumas iguarias locais, como dumplings, e, enfim, uma fatia de queijo prato, pois até então não tínhamos queijo no café da manhã. Na hora certa, motorista e guia já estavam a postos. Diferente de Pequim, na van tinha uma garrafa de água mineral para cada um de nós. Iríamos rodar por mais de uma hora até nosso destino, a fazenda onde estão os famosos soldados e cavalos de terracota, os Guerreiros de Xi'An. No caminho, Snow foi contando a história do imperador que mandou construir um verdadeiro exército de terracota para ser colocado ao redor de seu túmulo quando de sua morte. Fiquei observando a estrada e o intenso movimento de caminhões carregados de tudo quanto é coisa. O progresso chinês! A primeira parada foi em uma fábrica de cerâmica, onde fomos guiados por uma simpática vendedora. Na fábrica, vimos rapidamente o processo de confecção das peças artesanais, réplicas em diversos tamanhos dos guerreiros que ainda veríamos pela frente. Segundo a vendedora, aquela fábrica era a única autorizada pelo governo a utilizar a argila do mesmo local de onde os que trabalharam para o imperador retiraram material para fazer o exército de terracota. Só tem turista no local. Ônibus e vans lotados param na porta para cumprir o mesmo percurso. A explicação é rápida. O objetivo principal é vender as peças expostas na imensa loja local. No primeiro salão estão os guerreiros e tudo o que se relaciona a eles. No segundo salão, estão móveis, também produzidos no local. Um dos meus objetivos de compras nesta viagem era uma réplica dos guerreiros. Assim, procurei o tamanho que melhor me agradou e acabei por comprar três delas para colocar sobre uma mesa que tenho em minha sala. D, V, S e C também compraram suas réplicas. Com sacolinhas nas mãos, voltamos para a van, rumando para o sítio arqueológico onde foram encontrados os soldados de terracota. O movimento era grande no estacionamento do local. Há muitos guias que se oferecem para acompanhar os turistas no passeio pelo sítio. Enquanto Snow foi comprar as entradas, incluídas em nosso pacote, ela nos deixou em uma loja de souvenir onde um homem fica sentado tomando chá, sorrindo para quem entra, recebendo cumprimentos. Segundo Snow, ele é o trabalhador rural que encontrou as primeiras estátuas enquanto trabalhava na década de setenta. Hoje, recepciona os turistas, tentando vender livros de fotografias do local, além de várias outras lembrancinhas. Saímos logo da loja, preferindo esperar nossa guia do lado de fora. Assim que entramos, seguimos o fluxo de gente, entrando em uma fila, ainda pequena, para pegar o carro elétrico que nos conduziria até bem perto da entrada para os espaços de exibição dos guerreiros. A fila andou rápido. Quando descemos, Snow nos apontou os quatro galpões de exposição. Nosso trajeto seria começar pelo número 1, pararíamos para almoçar em um dos vários restaurantes locais, veríamos o galpão 3, passaríamos pelo 2, terminando a visita no galpão 4. O primeiro galpão é o mais cheio, o mais disputado em empurra-empurra, o mais iluminado e o que tem mais guerreiros expostos. A guia deu a explicação necessária, marcou um ponto de encontro e nos deixou livres por vinte minutos. Cada um se perdeu no meio da multidão. Eu me posicionei no deque de observação mais frontal possível e usei do mesmo expediente dos chineses, em maioria no local: empurrei de cá, empurrei de lá, até conseguir um bom lugar para ver os guerreiros e poder fotografá-los. Depois que consegui tirar algumas fotos, fui fazer a volta completa no galpão. Este galpão 1 tem formato retangular com uma passarela formando os seus quatro lados. No centro, mas em posição mais abaixo, está o sítio arqueológico, com parte ainda em trabalho de escavação e parte com os guerreiros e cavalos de terracota em posição de combate, como se fosse a frente do exército em um campo de batalha. É bonito, mas eu já tinha visto uma exposição sobre a China alguns anos atrás na Oca, Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e confesso que preferi ver os guerreiros naquela ocasião, pois eles ficavam no mesmo nível que os visitantes da exposição, sendo mais fácil ver os detalhes de cada um. Assim que foi chegando a hora marcada, nos encontramos novamente, tiramos mais algumas fotos, e seguimos para o almoço, aproveitando que ainda não havia muito movimento nos restaurantes. Era cedo, perto de meio dia, mas resolvemos seguir o conselho da guia e parar para almoçar. O restaurante escolhido por Snow, tem sistema misto. Saladas, frios, dois tipos de noodles, pães e arroz eram servidos em um buffet, enquanto as bebidas e pratos quentes vinham à mesa. Como estava incluído no pacote, comemos, novamente, comida chinesa. Foi interessante ver o preparo dos tipos de noodles, feitos na hora, bem em frente a nossa mesa. Depois de saciar a fome, voltamos a percorrer os galpões, começando pelo número 3, com bem menos peças do que o primeiro, mas no mesmo esquema de vermos os guerreiros por cima. A posição dos soldados indicava que estavam em vigília, não em um campo de batalha. Neste galpão, há uma loja que coloca o nosso retrato no corpo de um guerreiro e outra que tem um cenário de guerreiros para fotos, como se estivéssemos passando entre os soldados. Ambos programas pega turistas. Não quisemos enfrentar as filas para pagar e ter estes souvenirs que nunca sabemos depois o que fazer com eles. Seguimos em frente, entrando no galpão 2, muito escuro e com quase nenhuma peça exposta no sítio arqueológico. Mas é neste galpão que ficamos mais perto das estátuas. São quatro delas expostas, devidamente protegidas por um recipiente de vidro. Os detalhes podem ser vistos, incluindo a cor vermelha na roupa do arqueiro. Segundo a guia, há muitas peças ainda sob terra para evitar que as intempéries do tempo acabem com a cor, o que aconteceu com mais de 90% das peças expostas. Embora sejam apenas 4 estátuas, cada uma diferente da outra, foi o galpão que mais gostei de visitar. Não estava tumultuado como o primeiro e era possível ver cada detalhe das estátuas. Por fim, entramos no galpão 4. Ele abriga um museu sobre o local e como as peças foram recuperadas, especialmente as carruagens, feitas em ferro. O museu é escuro para proteger as poucas peças expostas. São poucas, mas muito bonitas, diferentes e muito bem conservadas. Terminado o périplo, passei em uma lojinha de souvenir para comprar dois pins para minha coleção. Em seguida, caminhamos a pé até a saída. No caminho, vimos a longa fila que se formava para pegar o carro elétrico. Snow nos disse que quanto mais tarde, pior o movimento no local. Era hora de voltar para a cidade e continuar nosso roteiro.

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GASTRONOMIA EM XI'AN, CHINA - HONG YANG RESTAURANT



Endereço: 356, You Yi Xi Lu, Xi'An, China.

Fone: +86 (029) 8889 0606.

Especialidade: cozinha chinesa.

Quando fui: jantar do dia 13 de setembro de 2012, quina-feira. Éramos cinco pessoas. Na verdade, iríamos almoçar neste restaurante, mas como nosso voo de Pequim para Xi'An atrasou, e com refeição quente a bordo, a guia nos propôs fazer a troca do almoço incluído no pacote pelo jantar, o que aceitamos de imediato.

Serviço: lento, sem vontade. Não entendiam que queríamos mais bebidas, mesmo falando que íamos pagar à parte. Toalhas de mesa com aspecto de sujo. Muito frequentado por locais, que fumavam no salão onde estávamos.

O que bebi: chá verde à vontade e um copo de Pepsi Cola.

O que comi: um festival de pratos da culinária chinesa. Todos devidamente compartilhados por nós cinco. Foram seis pratos. O primeiro a chegar à mesa foi uma mistura de carne de porco cortada em pedaços quadrados, bem fininhos, com lascas de caule de lótus cozidos. Tinha um tempero adocicado, lugar comum na cozinha chinesa tradicional que comemos durante a viagem. O segundo prato foi o arroz sem tempero, todo grudento. Perfeito para amenizar os temperos fortes dos pratos servidos. Um tipo de frango xadrez foi o terceiro prato a chegar, o mais apreciado pela mesa, mesmo com um tempero levemente apimentado. Um noodles feito na hora, servido pela garçonete, foi o quarto prato a ser por nós experimentado. Achei sem graça, sem tempero nenhum. Um inusitado ovo mexido com tomates cortados em pedaços grandes, pimentão verde e alga escura foi o prato seguinte. Muito doce, não aprovei o sabor. Por fim, uma outra mistura, também adocicada, só que com vegetais, onde vagem e berinjela cortadas em juliene eram as estrelas. O melhor prato da noite na minha opinião.







Valor total da conta: incluído no pacote.

Minha avaliação: * * 1/2 . Um cheiro forte e ruim vindo da rua lateral incomoda quem não está acostumado com o smelling tofu, ou tofu cheiroso. É um tipo de tofu que os locais adoram fritar e comer bem quente. O cheiro é de algo podre. No início, achei que vinha do banheiro, mas quando saímos do restaurante, percebemos que ele vinha da feira de comida que acontece todo final de tarde na rua lateral onde fica o restaurante.

Gastronomia Xi'An, China

domingo, 16 de setembro de 2012

ANDANDO DE BICICLETA NA MURALHA DE XI'AN



Quinta-feira, dia 13 de setembro de 2012. Às 08:30 horas estávamos prontos, com o check out feito no Jade Garden Hotel. Era hora de deixar Pequim em direção à nossa segunda cidade na China, Xi'An. Crystal já estava a postos, juntamente com o motorista. Fomos para o aeroporto, pois o check in deve ser feito com uma hora e meia de antecedência para voos domésticos na China. Nosso voo estava marcado para 11:00 horas pela China Eastern. Check in rápido, sem problemas. O peso de minha mala diminuíra uma vez que deixei algumas camisas antigas para trás. A mala cravou 19 quilos. Ninguém teve problemas com a pesagem das malas, pois a soma de todas as bagagens que despachamos não chegou aos 100 quilos que cinco pessoas tem direito em voos domésticos chineses. No controle do raio X tive que tirar celular, iPod, fone de ouvido, carteira de dinheiro, relógio, iPad, notebook e moedeira, colocando-os em um recipiente, pois deveriam passar fora da bagagem de mão. Ainda fui revistado, assim como todos que estavam para embarcar. O voo atrasou dez minutos. Estava lotado, com maioria de estrangeiros a bordo. O almoço foi servido, com duas opções de pratos quentes. Preferi a carne de boi com noodles. Chegamos no moderno aeroporto de Xi'An após uma hora e cinquenta minutos de voo. Esperamos um pouco para retirar as malas da esteira. Do lado de fora, nossa nova guia já nos aguardava. Seu nome ocidental é Snow. Tínhamos um almoço incluído no pacote para aquele dia, mas como almoçamos no avião, a própria guia nos propôs alterar a refeição para o jantar, com o que concordamos. Fomos direto para o hotel, onde nosso check in já havia sido feito pela agência de viagens. Snow nos explicou que estávamos em alta temporada e acharam melhor fazer o check in antes para assegurar que teríamos quartos. Demoramos pouco mais do que meia hora, voltando para a van, começando nosso tour pela cidade. Assim como no trajeto aeroporto-hotel, Snow contou a história dos imperadores que viveram na região. A primeira impressão sobre a cidade foi relativa ao trânsito. Caótico, sem muita lógica, pois pedestres, carros, motos, ônibus e bicicletas disputam espaço, sem se importar se é mão ou contra-mão. Paramos no Portão Sul da Muralha de Xi'An, uma fortaleza que circunda a cidade. E la tem o formato de retângulo e possui quatro portões, um em cada ponto cardeal. Nosso passeio incluiu não só uma visita ao pátio interno do portão, mas também uma volta completa de bicicleta por cima da muralha. São 13,7 quilômetros de caminho cheio de buracos. Alguns preferem fazer o passeio a pé, enquanto outros optam pelo carrinho elétrico. Fiz a volta de bicicleta, gastando 70 minutos. Parei cinco vezes. As duas primeiras para tirar fotos, inclusive de um casal de noivos que fazia fotografias para seu álbum na base da muralha, em seu lado oeste. As outras três foram necessárias para recuperar o fôlego. Nem sei como dei conta de terminar a volta completa. Na última parada, bebi muita água e borrifei água termal no rosto e no pescoço. Perto do final, um grupo de turistas americanos atrapalhava quem passava, ocupando quase toda a largura da muralha com suas bicicletas paradas. Apenas uma estreita passagem estava disponível. Pedalei para passar por ela ao mesmo tempo que um chinês, mas eu tinha a preferência. O coitado caiu e foi derrubando um monte de americanos, num efeito dominó. Segui em frente, terminando, com louvor, minhas pedaladas. Quando desci as escadas para ir embora, minhas pernas não me obedeciam. Da muralha para o almoço, ou melhor, para o jantar, pouco antes de 18 horas. Obviamente que a guia nos levou a um restaurante de comida chinesa! Ao sair de lá, sentimos um cheiro horrível, muito forte, que parecia vaso sanitário entupido. Ao perguntar para Snow do que se tratava, pois o cheiro vinha da rua lateral, onde tinha uma feira de comida, ela fez uma carinha alegre, dizendo que era o smelling tofu, ou tofu cheiroso. Era era um tipo de queijo de soja que é muito apreciado na China, especialmente quando frito, o que provoca todo o mau cheiro. Estávamos esgotados. A guia nos recomendou uma massagem nos pés antes de voltarmos para o hotel. Aceitamos sem pensar duas vezes. Pagamos RMB 180 (R$ 60,00) para ter uma sessão de 70 minutos. Embora ela seja chamada de massagem nos pés, pernas, costas, braços, mãos e ombros também são locais onde a massagem é feita. Fomos em uma clínica que fica no subsolo de um prédio. Fomos colocados em uma sala coletiva, sentados em uma confortável poltrona. Durante a massagem, nos serviram um chá verde que devia ser bebido quando indicado pelo massagista. Para respeitar o ying-yang, uma mulher fez massagem em mim enquanto S, V, D e C tiveram massagistas homens aos seus pés. Ao final da sessão, tive a certeza de que a noite seria de bom sono. Relax total.
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sábado, 8 de setembro de 2012

FÉRIAS NA CHINA


Trechos voados dentro da China - Pequim-Xi'An-Xangai-Guilin-Hong Kong

Há sete meses atrás, resolvi me juntar a duas amigas numa viagem para China e Emirados Árabes Unidos (EAU). Elas tinham a viagem programada e estava na companhia de mais duas mulheres. Em um encontro, disse que iria também. Elas aceitaram minha companhia. Como algumas coisas já estavam resolvidas, simplesmente me integrei ao roteiro por elas definido. Uma agência de turismo chinesa  (China Odyssey  Tours), baseada em Guilin, cuidou de tudo para as cidades de Pequim (Beijing), Xi'An, Xangai (Shanghai) e Guilin, ficando a parte de Hong Kong e Dubai (Emirados Árabes Unidos) por conta de C, uma das amigas. Roteiro definido e valores ajustados, era hora de providenciar passagem aérea internacional, pois os deslocamentos internos estavam incluídos no pacote chinês, vistos, seguro saúde, vacinas e demais documentos. O primeiro passo foi consultar sobre os vistos de ambos os países, necessários para brasileiros. O visto para a China vale por 3 meses, motivo pelo qual deixamos para requerê-lo apenas em julho, e o do EAU vale por dois meses apenas, o que optamos por tirá-lo apenas em agosto. Para o visto chinês precisa de ter a passagem aérea emitida (ida e volta), o seguro saúde contratado, uma foto colorida com fundo branco no tamanho 3X4, uma declaração do empregador relatando salário e tempo de vínculo, passaporte válido com uma folha em branco e pagamento de uma taxa. Comprei a passagem em uma agência de viagens de Brasilia, voando TAM e Emirates. O trecho interno Brasília-Guarulhos foi emitido para 21 horas, mas achamos apertada a conexão em Guarulhos, pois o voo da Emirates saía por volta de 01:25 horas da madrugada e a companhia não tem acordo com a TAM para check in e despacho direto de bagagem, embora a agência de turismo insistia que tinha. Comprovamos que estávamos certos no aeroporto, quando a atendente da TAM nos disse que não era possível despachar a mala direto para Pequim, devendo ser retirada em Guarulhos, onde também deveríamos fazer um novo check in no balcão da Emirates.
A passagem aérea, em classe econômica, dos trechos Brasília-Guarulhos-Dubai-Pequim (ida) e Hong Kong-Dubai-Guarulhos-Brasília (volta), custou R$ 4.725,00, sem as taxas de embarque. Passagem nas mãos  foi a vez de contratarmos um seguro saúde, quando optamos pela Travel Ace. Peguei a declaração no meu trabalho, cortei uma foto de passaporte no formato 3X4 e deixei tudo com uma das amigas que se prontificou a ir até a Embaixada da China  providenciar o visto. Ela levou a documentação em uma quinta-feira, quando pegou o boleto para pagar, somente no HSBC, a taxa de emissão de visto no valor de R$ 100,00. Na segunda-feira seguinte, o visto de todos estava disponível. A embaixada considerou apenas o período de nossa estadia até Guilin, pois os brasileiros são isentos de visto para entrar em Hong Kong. Em agosto, foi a vez do visto para Dubai, todo feito pela internet, mas muito mais trabalhoso do que o chinês. Com tudo conforme as regras estabelecidas, ficamos aguardando o dia do embarque, o que aconteceu em 06 de setembro de 2012. Foi o início de nossas férias.

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