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sábado, 23 de abril de 2011

DE VOLTA PARA BOGOTÁ - HARD ROCK CAFÉ

Sexta-feira, feriado, eu e Ric deixamos o Sofitel Cartagena Santa Clara. Fizemos check out às 11 horas. Um carro já nos aguardava para nos levar ao Aeroporto Internacional Rafael Nuñes (40.000 COP o trajeto, valor lançado na conta do hotel). Em menos de quinze minutos já estávamos na fila do check in da Avianca. Voo AV 9759 com destino à Bogotá marcado para 12:15 horas. Aeroporto vazio, afinal, estávamos no meio de um feriado prolongado. A sala de espera tem bancos de madeira, bem diferentes do que estamos acostumados a ver. A Avianca chama para uma espécie de pré-embarque, onde todos tem que apresentar os respectivos cartões de embarque. Ao meio dia embarcamos. Não há pontes de embarque, mas há um corredor com muita madeira e plantas que nos leva até a pista, próximo à escada para entrar no avião. Dois funcionários da Avianca controlam o acesso dos passageiros, indicando se devem entrar pela porta dianteira ou pela porta traseira. Assim, rapidamente o embarque se completou. O avião, para minha surpresa, estava bem cheio. Muitos brasileiros que fariam uma escala em Bogotá e seguiriam viagem para San Andrés. O voo saiu no horário, chegando uma hora depois no Terminal 2 do Aeroporto El Dorado em Bogotá. Este terminal é destinado aos voos nacionais. Aguardamos as malas na esteira. Ao sair, fui chamado pelo meu nome. Era o mesmo motorista que nos pegou quando chegamos no dia 16 de abril em Bogotá. O clima estava agradável, com um tímido sol querendo aparecer. Trânsito muito tranquilo, pois era feriado. Chegamos em meia hora ao hotel. O valor do transporte (91.000 COP) será lançado em minha conta. No check in do Sofitel Bogotá Victoria Regia (Carrera 13, # 85-80) tudo já estava pronto. Foi necessário apenas apresentar um cartão de crédito para garantia e assinar a ficha que estava preenchida com meus dados. Por ter o cartão A-Club Platinum da Rede Accor, recebi um up grade de apartamento. Ficamos no sexto andar. O mensageiro que levou nossas malas disse que chovera bastante na parte da manhã, esfriando muito e que a previsão era de mais chuva para o final da tarde. Confirmei com o concièrge a reserva que havia solicitado na filial do restaurante peruano Astrid & Gastón para às 21 horas. Apenas deixamos as coisas no quarto, vestimos uma blusa de frio e descemos, pois estávamos com fome. Queria almoçar no Hard Rock Café. Pedi para o concièrge confirmar se estava aberto. Com a resposta positiva, eu e Ric fomos a pé para o restaurante, pois ficava a poucas quadras de distância do hotel. No caminho, notamos que o movimento era fraco nos restaurantes. A maioria deles estava fechado. Chegamos ao Atlantis Shopping, onde fica a unidade do Hard Rock Café Bogotá (Calle 81 # 13-05). O restaurante estava vazio, com poucas mesas ocupadas. Uma hostess nos conduziu a uma mesa. Logo chegou a garçonete que nos atenderia, falando muito rápido. Pedi que falasse mais devagar, pois não havia entendido nada. Ela sorriu e falou lentamente. Pedimos Nachos Hard Rock como entrada. Também fizemos os pedidos dos pratos principais, pois a experiência na Colômbia indicava que há uma demora na chegada dos pedidos à mesa. Mesmo sendo Sexta-Feira da Paixão e sendo de tradição católica, resolvi comer carne. Pedi um medalhão de filé mignon, acompanhado de purê de batatas e vagem. Os nachos demoraram. É um prato grande. Os salgados que ficam por baixo não recebem o molho. Assim, quem gosta deles puros pode puxar os da parte de baixo do prato. Os de cima estavam repletos de feijões pretos mexicanos, queijo derretido, jalapeños fatiados, sour cream e milho. Ainda comíamos a entrada quando nossos pratos chegaram. O aspecto do purê de batatas era feio e o sabor não existia. A vagem estava praticamente crua e sem tempero. Deixei os dois acompanhamentos no prato. Fiquei comendo nachos e o medalhão, separando o bacon. A carne não estava ruim, mas não tinha nada de interessante. Comi para matar a fome. Finalizei com um forte café expresso. Pela conta, pagamos 136.300 COP. Antes de sair, passei na loja do restaurante, como sempre faço, para comprar um pin com a logomarca do local. Sempre tais pins são caros. Este me custou 35.000 COP. Resolvemos dar uma volta para ver a memorabilia do Hard Rock Café Bogotá. Havia um vestido usado por Madonna em uma de suas turnês, um casaco de um dos integrantes da banda Marylin Manson, guitarras da banda Motley Crue, e várias fotos ligados ao mundo do rock, além de instrumentos musicais de bandas que não conheço. Na entrada, o destaque da memorabilia local. Em ambos os lados, objetos e fotos da colombiana Shakira, entre eles uma calça e uma guitarra. Ao sair, fomos dar uma volta no shopping. Pequeno, me lembrou mais uma galeria. A maioria das lojas estava fechada devido ao feriado. Para não dizer que estivemos na Colômbia e não demos uma passada no Juan Valdez Café, uma espécie de Starbucks local, sentamos na unidade que fica no térreo do shopping, bem próximo à entrada do Hard Rock Café Bogotá. Tomei uma água e Ric bebeu um expresso curto, fortíssimo. Sem muito coisa para fazer e, devido ao adiantado da hora, seria impossível visitar museus, decidimos voltar para o hotel. Chovia. De guarda-chuvas e capa, apressamos o passo até o hotel. Ao entrarmos no quarto, uma surpresa. Em um bonito arranjo, cinco macarrons, um cartão de boas vindas da gerente de relação com o hóspede e um cartão com direito a uma bebida no bar do hotel nos aguardava. Os macarrons estavam ótimos. Fiquei navegando na internet até perto de sairmos para o jantar, por volta de 20:40 horas.


Nachos Hard Rock - Hard Rock Café Bogotá


Medalhão de Filé Mignon - Hard Rock Café Bogotá


Guitarra de Shakira - Memorabilia - Hard Rock Café Bogotá


Calça usada por Shakira em um de seus shows - Memorabilia - Hard Rock Café Bogotá

Gastronomia Bogotá (Colômbia)



sexta-feira, 22 de abril de 2011

QUEBRACHO

Cartagena estava movimentadíssima na noite de quinta-feira. Tempo de Semana Santa, tempo de alta no turismo. Todas as igrejas da Cidade Amuralhada ficaram abertas durante toda a noite para que os fiéis pudessem fazer vigílias e orações. Quem não segue a religião católica aproveitava para conhecer o interior destes templos religiosos. Entramos em três delas no nosso caminho de ida e de volta para o jantar. Iglesia  de San Pedro Claver, Iglesia Santo Domingo e Catedral. Todas cheias. Achei todas bem simples se comparadas com outras igrejas que conheço no Brasil e na Europa, mas não deixam de ter sua beleza e atrativos. Nossa reserva para jantar no Quebracho (Calle Baloco # 2-69, Centro Histórico), restaurante de culinária argentina, ou seja, muita carne, era para 20:30 horas. Chegamos no horário. Embora a reserva fosse para seis pessoas, fomos em quatro, pois dois de nossos amigos desistiram de jantar. O aspecto do restaurante é de um lugar velho e desleixado. Paredes sujas, com muitos retratos e cartazes de personalidades e personagens argentinos, como Eva Perón, Maradona, Carlos Gardel, mas também, algumas estrelas de cinema, como Marylin Monroe, Os Três Patetas e Charles Chaplin, dando um toque de confusão na decoração local. O restaurante é grande, com um bar logo em sua entrada. Há três salões. Todos os garçons usavam aventais com as cores azul e branco, em uma alusão à bandeira portenha. Um músico cantava músicas do cancioneiro argentino no estilo um banquinho, um violão. Serviço eficiente. De entrada, pedimos uma provoleta e quatro empanadas de carne. Um molho de pimenta acompanhou as empanadas, que chegaram quentes à mesa. Na primeira mordida, um caldo quente me fez deixar cair o salgado na toalha da mesa. Pedi carne, uma punta de anca ao ponto acompanhada de mandioca frita. A mandioca, chamada de yuca por aqui, vem em palitos simétricos, secos, desmanchando na boca, como eu gosto. A carne estava ótima. Foi mais uma ótima indicação do concièrge do hotel em que ficamos. Quando Ric foi ao banheiro, percebeu que algo pegava fogo lá dentro. Ele chamou o garçom, que, apressadamente, foi apagar o fogo. Poderia ter tido um incêndio, já que há muita madeira na decoração do restaurante. Quando eu fui ao banheiro, ainda limpavam o local, que tinha muita fumaça. Queria pedir sobremesa, pois achei que teria doce de leite, uma iguaria argentina que adoro. Doce engano. Meus amigos pediram um tres leches, sobremesa típica de alguns países latino-americanos e uma torta de coco. Experimentei uma colherada bem pequena de cada um deles. O tres leches estava ótimo, bem molhado. Ao pedirmos a conta, nossos amigos fizeram uma gentileza, não nos deixando pagar. Disseram que era uma forma de me retribuir pelo fato de eu ter organizado a parte gastronômica e a maioria dos tours de nossa viagem. Disse que era um prazer fazer aquilo, pois gostava de pesquisar e organizar viagens, que queria fazer como todos os outros dias, ou seja, dividir a conta por igual. Mas não teve jeito, eles não me deixaram nem ver a conta. A ideia era sair do restaurante e parar em um bar, já que a noite estava agitada, mas o cansaço da ida às Islas del Rosario, com o sol quente, nos deixou moles. Voltamos para o hotel, onde apenas checamos nosso extrato de conta, pois partiríamos na sexta-feira de Cartagena. Aproveitei também para pedir ao sempre atencioso concièrge Rafael para agendar um transporte do hotel para o aeroporto no final da manhã do feriado de Sexta-Feira da Paixão, o que ele fez de pronto. Subi para o quarto. Vi a cama, escovei meus dentes, coloquei o pijama e apaguei.


Restaurante Quebracho - Cartagena


Punta de Anca com Yuca Frita - Restaurante Quebracho - Cartagena


Tres Leches - Restaurante Quebracho - Cartagena


Restaurante Quebracho - Cartagena

Gastronomia Cartagena (Colômbia)

ISLAS DEL ROSARIO

Como todos os dias em que estamos em Cartagena, a quinta-feira amanheceu com sol brilhante. Era o dia de nosso passeio para as Islas del Rosario. Pagamos 185.000 COP cada um pelo pacote "Day Tour Silver" que incluiu o transporte hotel-porto-hotel, lancha para 38 passageiros no transporte Cartagena - Islas del Rosario - Cartagena, impostos e taxas portuárias, suco de boas vindas no Hotel San Pedro de Majagua localizado em uma das ilhas, utilização das duas praias privativas deste hotel com direito a toalhas, um tour panorâmico pelas demais ilhas com duração de uma hora e parada no ocenário, além de um almoço com menu fixo (pescado frito ou filé de robalo grelhado, arroz com coco, patacones, uma bebida sem álcool, doces típicos cartageneros e café). Quem quisesse o pacote "Day Tour Gold" pagaria pelo mesmo roteiro 214.000 COP. A única diferença ficava por conta do menu do almoço, pois no lugar do peixe entrava lagosta. A saída do hotel estava programada para 8:30 horas, o que nos fez tomar café da manhã uma hora antes. No horário, todos a postos na recepção, onde recebemos um voucher e nos identificamos, colocando o número de um documento no controle para ser entregue às autoridades portuárias. Um micro-ônibus nos levou até o cais específico de saída de lanchas e embarcações privadas. Fomos na lancha San Pedro de Majagua I, totalmente lotada. Deste cais, passamos pelo porto, onde os dois tripulantes receberam a autorização para a viagem. Tirei muitas fotos da cidade. Foi interessane ver o contraste entre a cidade velha e os edifícios altos da parte moderna de Cartagena. O sol estava forte, motivo pelo qual não se pode esquecer de passar protetor solar. Quando íamos sair da baía, onde a cor do mar é escura, a lancha parou em frente ao povoado de Bocachica, onde vivem pescadores, possibilitando-nos observar os dois fortes que ali foram construídos para proteção contra invasores em épocas coloniais. Uma gravação em espanhol, inglês e francês, explicava sobre estas fortificações. Do lado direito fica o maior forte, o Furte San Fernando. Do lado esquerdo, o Fuerte San José. A lancha seguiu viagem, desta vez em maior velocidade. Ao sair da baía, a coloração do mar foi se alterando para um azul, depois ficou esverdeado. Estávamos no Mar do Caribe, afinal. Com quase uma hora de viagem, avistamos as ilhas que formam as Islas del Rosario. Paramos no cais do Hotel San Pedro de Majagua, onde passamos o dia. Logo na descida, um funcionário do local nos oferecia um refrescante suco de amora. Um outro funcionário dava todas as explicações para os visitantes. São duas praias, ambas com espreguiçadeiras forradas de azul, com bar, chuveiro de água doce e banheiros. A da esquerda tem música mecânica, enquanto a da direita é para quem quer mais tranquilidade, um local próprio para descansar e meditar, apreciando a beleza natural do local. O mar é lindo. Ficamos na praia da música. Antes, porém, decidimos o horário de nosso almoço, servido entre 12 e 14 horas. Optamos por almoçar em horário menos tumultuado, às 12:45 horas. O tour panorâmico de lancha saiu às 11:20 horas. Para quem quisesse entrar no oceanário, era necessário pagar 20.000 COP. Optamos por não fazer o passeio. A maioria dos turistas fez o mesmo, ou seja, ficou na praia. Acho que apenas as famílias com crianças e os ecoturistas foram passear de barco. Resolvi entrar no mar. Muita pedra indicava cuidado para não se machucar. A água estava em temperatura agradável. Fiquei tempo o suficiente para não torrar no sol. Logo fui tomar uma ducha de água doce. Até shampoo da L'Occitane estava disponível no chuveiro. Bebidas eram pagas à parte, mas podíamos lançar todos os gastos extras na conta de nosso hotel em Cartagena. No horário marcado, fomos almoçar. As mesas estavam arrumadas ao ar livre, debaixo de grandes árvores, dando um ar bucólico à refeição. O robalo estava ótimo. O arroz com coco foi o mais doce que comi até aqui nesta viagem. Como sobremesa, cada um recebeu um pratinho com dois exemplares de doces locais. Comi uma cocada amarela e um doce de gergelim queimado. Sabores marcantes. Voltamos para a praia, mas nossos lugares já estavam tomados. Logo os funcionários do hotel providenciaram novas cadeiras e as colocaram na sombra. Um sino seria tocado às 15:30 horas, indicando que voltaríamos para Cartagena. Antes disto, a maioria das pessoas já estava no deck, fazendo fila, pois todos tiveram a mesma ideia de procurar um lugar onde batesse menos sol. Fiquei no lado esquerdo do barco. Vestimos os coletes salva-vidas (tanto na ida quanto na volta, antes de partir, um dos tripulantes checava se todos estavam usando estes coletes. A preocupação com a segurança é muito importante para eles. Ótima notícia para os turistas). Ao sair, todos que estavam nas cadeiras do lado esquerdo da lancha ganharam uma capa para se proteger. O tripulante disse para nós vestirmos a capa, pois o barco iria bater muito, devido ao movimento do mar e molharia bastante quem estivesse daquele lado. Para quem já fez passeio de buggy nas areias de Natal-RN com emoção vai entender bem o que sentimos. Foi um passeio com emoção, só que bastante molhado. Fiquei ensopado. Ainda bem que me cobri todo com a tal capa. Fora que parecia um rally aquático de tanto desce e sobe, pula e bate na água. A lancha seguiu em alta velocidade até Cartagena, sem parar. Descemos no mesmo cais em que embarcamos, onde um ônibus já nos esperava para a volta ao hotel. O dia já chegava ao final, com um lindo entardecer. Eu e mais dois amigos resolvemos passear pela muralha que cerca a parte antiga da cidade, a chamada Cidade Amuralhada. A cidade estava muito cheia. Demos a volta completa pela muralha. Enquanto foi possível, andamos em cima dos muros. Vimos o por do sol no Mar do Caribe, junto com uma multidão que se aglomerava nas muradas munidos de máquinas fotog´raficas e/ou celulares nas mãos. Os bares estavam se preparando para a noite, uma feira de artesanato estava montada nas imediações do Museo Naval. Havia muita gente andando para lá e para cá. Voltamos ao hotel com a lua no céu. Era tempo de tomar um bom banho para novamente sair. Mais uma vez, já tínhamos reserva para jantar.


O Mar do Caribe visto de uma das praias privativas do Hotel San Pedro de Majagua - Islas del Rosario


Entardecer no Mar do Caribe - Cartagena


MÚSICA QUE OUÇO LVIII


Autoral - momento de paz!

OH! LA LA

Noite de quarta-feira. Todos nós nos encontramos na recepção do hotel para ir jantar no restaurante Oh! La La (Calle de Ayos # 4-48, Centro Histórico), indicação do concièrge quando da nossa troca de e-mails, ainda quando eu estava no Brasil. Reserva para 20:30 horas. Chegamos com quinze minutos de atraso. No caminho, notamos a diferença na movimentação nos bares e restaurantes da Cidade Amuralhada. Muitos turistas já começavam a inundar a cidade para passar o feriado. chegando no restaurante, nossa reserva estava garantida. Fomos acomodados em uma mesa de canto, em local bem apertado para seis pessoas. Três delas ficaram sentadas de forma que para um sair era necessário que quem estivesse sentado à frente se levantasse para empurrar a mesa e dar espaço para a sua saída. Atendimento muito bom, mas houve demora na chegada dos pratos à mesa. Porém, ressalto que desta vez, quando nos serviram, pediram desculpas pela espera prolongada pelos pratos pedidos. O restaurante é bem pequeno, por isso é necessário fazer reserva antecipadamente. Culinária francesa com toques de influência árabe. A proprietária veio à nossa mesa para tomar os pedidos, explicando todos os pratos que pedíamos informações. De entrada, foram pedidos três pratos: um polvo salteado, um tomate concassé e um queijo provolone assado. Todos bem saborosos. Pela primeira vez, algumas pessoas pediram vinho. De "fuerte", como aqui é chamado o prato principal, fiquei com uma opção de pescado. Desta feita, uma corvina cozida, com molho de cogumelos, acompanhada por um cremoso arroz de parmesão. Foi a melhor refeição que fiz até o momento nesta viagem à Colômbia. O peixe estava cozido no ponto certo, o arroz bem cremoso e a montagem do prato também chamava a atenção. Resolvi pedir uma sobremesa. Logicamente minha escolha recaiu em um doce típico francês, um clássico, o creme brulé. Era a primeira vez que pedia um doce nesta viagem. E o restaurante colaborou, pois a porção é bem pequena. Não queimam o açúcar com maçarico em nossa frente. O potinho já vem pronto da cozinha. Uma opção de sobremesa diferente da carta era uma berinjela confitada acompanhada por creme de queijo. Pedimos uma para experimentar, pois achamos inusitado e exótico. Gostei muito, parece uma fruta caramelizada, como um figo ou um caju. Embora francês, listado em todos os guias como um dos restaurantes a conhecer em Cartagena, a conta não foi a mais cara que pagamos. Pelo contrário, totalizou 360.000 COP. Quando saímos, vimos um movimento maior nas ruas. Paramos em uma loja de souvenirs, onde duas pessoas do nosso grupo compraram um chapéu. Ainda rodamos pela região, observando o intenso movimento nos bares, especialmente os com mesas nas calçadas e ruas, já que o calor era forte, mas a brisa estava agradável. Voltamos para o hotel. A massagem da tarde me relaxou tanto que fui direto para o quarto, enquanto os demais ainda passaram no movimentado bar El Coro, onde uma banda tocava salsa ao vivo.


Corvina acompanhada de arroz cremoso de parmesão


Entrada do restaurante Oh! La La - Cidade Amuralhada - Cartagena

Gastronomia Cartagena (Colômbia)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

DOLCE FAR NIENTE EM CARTAGENA

Quarta-feira. Manhã linda em Cartagena. Nenhuma programação combinada. Dia de nada fazer. Café da manhã mais tarde, depois de 9:30 horas, longo, com muito bate papo. Comi quitutes típicos da terra: arepas, empanadas fritas recheadas de queijo (para quem é mineiro, parece o pastel de angu), queijo costeño, arequipe (um doce de leite), elixir da juventude (uma água aromatizada com suco de limão, pepino, verduras e ervas), buñuelitos (parecem bolinhas de queijo) e pan de bono (pão de queijo com milho na massa). Durante o café fui convencido a fazer o passeio de barco às Islas del Rosario, quarenta e cinco minutos de lancha de Cartagena, no Mar do Caribe. Além dos amigos terem me convencido, ajudou também um e-mail que recebi de um colega de trabalho, nascido na Colômbia, dizendo para não deixar de fazer este passeio. Terminado o café, passamos no concièrge, o atencioso Rafael, que prontamente nos reservou e confirmou nosso passeio para esta quinta-feira, quando devemos estar prontos na recepção do hotel às 8:30 horas. O regresso ao hotel será por volta de 17 horas. Optamos pelo pacote não privativo. Assim, faremos o tour aquático em uma lancha com capacidade para 38 pessoas. No pacote estão incluídos: o transfer hotel-porto-hotel, a lancha, um passeio de uma hora pelas ilhas do arquipélago de Rosario, duas bebidas durante o tour aquático, uso das duas praias privadas de um resort da ilha e o almoço (há duas opções, uma com peixe frito, que pode se trocado por frango ou carne, e uma com lagosta, sendo a segunda mais cara). Preferi a primeira, já sabendo de antemão que comerei frango. Depois de tudo acertado, fomos desfrutar a ótima piscina do hotel. Aproveitei também para marcar uma massagem para o final da tarde no Le Spa, o spa do Sofitel Cartagena Santa Clara. Escolhi a massagem profunda de uma hora. Ficamos na piscina até pouco depois de 14 horas, quando saímos para almoçar. Eu queria almoçar no próprio hotel, pois o serviço é demorado nos restaurantes e fiquei com receio de não dar tempo de estar no spa às 16:30 horas, conforme havia marcado. Mas nem todos quiseram almoçar onde estamos hospedados. Sugeriram repetir o restaurante do almoço do dia anterior. Todos concordaram. Desta forma, sentamo-nos na mesma mesa do restaurante Juan del Mar (Plaza de San Diego # 8-12). De pronto, quando a garçonete chegou para entregar os cardápios, falamos que não podíamos demorar, pois tínhamos hora marcada. Fiquei nos pescados, porém mudei a escolha. Desta vez, experimentei o pescado branco assado na parrilla com molho picante de tomate, alho e cebola em leito de cuscuz marroquino, acompanhado de arroz de coco. Enquanto aguardávamos o prato principal, beliscamos aneis de lula fritos, que estavam bem sequinhos. Também pediram um ceviche o qual não provei. Novamente tomei uma FresKola. Os pratos chegaram rápido. O meu estava tão bom quanto o do dia anterior. O picante do molho não metia medo, além da combinação peixe-molho-cuscuz ter ficado harmoniosa. Mais uma vez só vi o pessoal comendo a sobremesa. A conta total ficou em 425.000 COP. Quando saímos do restaurante, já eram 16 horas. Ric e mais dois amigos foram fazer câmbio. Dois outros amigos foram fazer compras na parte moderna da cidade, enquanto eu me dirigi ao spa. Já me aguardavam. Todos os funcionários do spa são muito educados e atenciosos. Fui conduzido ao vestiário para trocar minha roupa. Quando saí, a massoterapeuta já me esperava com um copo de água bem gelada com um leve toque de limão. Ela pediu para eu fazer uma sauna a vapor por dez minutos, tomar uma ducha fria, me enxugar, vestir o roupão e entrar na cabine. A massagem foi profunda, com um óleo de aroma suave. Logo dormi, relaxado com o aroma, com a música, com a luminosidade baixa e com a própria massagem. Nem vi o tempo passar. Acordei para me virar, mas adormeci novamente. Ao final, já com o roupão, a massoterapeuta disse para eu ficar um tempo sentado em uma espreguiçadeira em um ambiente com barulho relaxante de água, onde já havia um chá frio (minha escolha), frutas frescas e frutas secas. Fiquei ali por mais uns quinze minutos. Levantei-me, troquei de roupa, assinei o boleto para lançar o valor da massagem na minha conta do hotel. A massagem ficou em 170.000 COP, mas gostei tanto e saí tão bem que deixei mais 30.000 COP de gorjeta. Ao sair do spa, vi dois amigos na piscina. O sol já se punha, um vento fresco vinha do mar, mas mesmo assim entrei na água e ficamos conversando por quase meia hora, quando resolvemos subir para descansar, pois, afinal, uma reserva para jantar nos aguardava a partir de 20:30 horas. 


Restaurante Juan Del Mar - Cartagena


Restaurante Juan Del Mar - Cartagena


Pescado a Marroquin - Restaurante Juan Del Mar - Cartagena

RESTAURANTE CAFÉ SAN PEDRO

Todos prontos às 20:20 horas na recepção do hotel. Fomos a pé para o restaurante onde tínhamos reserva. A noite estava agradável, com uma brisa morna. O movimento era grande, especialmente de charretes. O passeio de charrete no final do dia e durante a noite é uma das opções para se fazer na Cidade Amuralhada. Quanto mais nos aproximávamos do restaurante, mas gente víamos nas ruas. A praça em frente à Puerta del Reloj estava repleta de jovens. Ali acontece a balada, debaixo dos arcos onde, durante o dia, há um sem número de barracas vendendo doces típicos da região, uma tradição desde remotas épocas. Passamos pela Plaza de La Aduana para alcançarmos o restaurante. Lotadíssimo de turistas, com muitas mesas na calçada. Preferimos ficar no interior, com ar condicionado. Depois ter meu nome checado na reserva, fomos acomodados em uma mesa redonda para oito pessoas, embora fôssemos seis. A especialidade da casa é a culinária panasiática, mas com toques da culinária colombiana, especialmente a costeña. Embora com muitos garçons em trânsito frenético pelos amplos salões do restaurante Café San Pedro (Plaza San Pedro de Claver # 30-11), o serviço deixa a desejar. Há um ambiente separado, com uma grande mesa coletiva onde um chef prepara a comida tailandesa. Enormes coifas impedem que os comensais saiam enfumaçados. Para se sentar em tal mesa, somente hóspedes do hotel Decameron, um all inclusive que fica em frente a uma das praias que conhecemos durante o city tour. O pão que colocaram na mesa estava delicioso. Uma massa adocicada, talvez uma influência da cozinha tailandesa. De entrada, pedimos tiraditos de corvina. Trata-se de finas fatias de peixe marinado em limão, com cebolas e milho verde por cima. Fica entre um ceviche e um carpaccio. Achei fraco o sabor. O peixe não tinha aquele sabor ácido e gostoso de um ceviche. Também pedimos aneis de lula fritos. Uma porção que engana, pois vem em um bowl grande, com os tais aneis até a borda, mas a quantidade é pequena, pois há uma grande "cama" de cenouras raladas sustentando-os. Ainda como entrada, uma ceaser salad de frango. Como prato principal, resolvi continuar comendo peixe. Escolhi um peixe branco assado com um molho de tamarindo, acompanhado de arroz de jasmim. A comida, como sempre, demorou muito para chegar. Como o restaurante estava cheio de turistas, vi alguns reclamando sobre a demora. Quando os pratos chegaram, todos eram muito bem montados. Parece que o restaurante segue a máxima que um prato começa a ser degustado pelos olhos. O meu prato estava muito bonito e com um aroma delicioso. Esqueceram de levar o meu arroz de jasmim, já que todos as porções de arroz que acompanhavam os pratos da mesa vieram em separado. Reclamei e me trouxeram um arroz de coco. Embora tenha gostado desta iguaria muito comum na cidade, pedi para trocar pelo arroz original do cardápio. Assim, enfim, chegou meu arroz de jasmim (que bela rima!). O sabor do prato estava delicado. O molho de tamarindo era suave, sem aquela acidez forte que é característica à fruta. O peixe também estava com um ótimo tempero que casou perfeitamente com o seu molho. Gostei muito de meu  prato. Não pedi sobremesa. A conta ficou em 342.000 COP para todos nós. Depois que todos pagaram, me incluindo nisto, e sendo em dinheiro, perguntei aos amigos se não se importavam de eu pegar os pesos colombianos e pagar a conta com cartão de crédito. Todos assentiram. Foi outra demora para pagar a conta, pois parece que havia apenas uma máquina sem fio. O local é grande e estava cheio. Eram mais de 23 horas, horário que a maioria das mesas estava também acertando suas contas. Havia um senhor reclamando muito da demora em poder pagar com cartão de crédito. Quando a máquina chegou em nossa mesa, descobri que podia dividir a conta em quotas, nome que se dá às parcelas por aqui. Disse que não queria dividir. Paga a conta, peguei um cartão de visitas do restaurante e voltamos a pé para o hotel, passando novamente pelo buchicho, que estava mais movimentado. Era a juventude chegando para a balada noturna. No hotel, antes de subir para os quartos, ainda finalizamos a noite no bar El Coro. Final de uma terça-feira bem aproveitada.


Peixe ao molho de tamarindo - restaurante Café San Pedro - Cartagena


Café Restaurante San Pedro - Cidade Amuralhada - Cartagena

Gastronomia Cartagena (Colômbia)

terça-feira, 19 de abril de 2011

CITY TOUR EM CARTAGENA

City tour confirmado por e-mail, ainda no Brasil, para ter início às 9:30 horas da manhã de terça-feira em Cartagena. Assim, descemos uma hora antes para tomar o café da manhã em mesa localizada em uma das alas do claustro do hotel, onde há muita vegetação e pássaros típicos da região, como um tucano de bico verde e um pássaro de plumagem negra chamado Maria Mulata. Nosso guia chegou pontualmente ao hotel. Ele gosta de ser chamado por Nico e tem experiência de 25 anos com turismo na cidade. Nosso tour era privativo, somente para nós seis. Dirigimo-nos para o micro-ônibus que nos conduziria pelas quatro horas que durou o passeio. O guia falava pausadamente, bem devagar, sobre a história da cidade. Contou sobre a vida no local quando só havia a parte murada da cidade, onde haviam dois locais bem distintos, embora com casas semelhantes em sua estrutura. As mais suntuosas e elegantes ficavam na parte hoje conhecida como San Diego, onde viviam os mais endinheirados, enquanto os mais modestos viviam no hoje chamado Centro. Realmente as casas com balcões, portas e janelas de madeira tem a mesma arquitetura, mas o tamanho e a qualidade são distintas. Saímos da área perto do hotel para encontrar um trânsito truncado, com muita gente atravessando as ruas em direção a uma fila de ônibus bem velhos. É o local onde tais ônibus partem do centro da cidade, que conta com um milhão de habitantes, para os diversos bairros de Cartagena. Nesta confluência de gente, ônibus, táxis e carros, está uma estátua em homenagem à índia Catalina, uma importante figura da história local. Saímos da área murada, atravessando uma ponte sobre um braço de mar, indo em direção ao bairro Manga, primeiro bairro que surgiu fora dos muros e para onde os endinheirados se mudaram, construindo grandes mansões. Muitas delas ainda existem. No percurso, o guia ia nos mostrando as mais bonitas, dizendo quem hoje as habitavam. Nosso destino era a Colina de La Popa, parte mais alta da cidade, onde está o Convento de La Popa, dos dominicanos. A estrada que lhe dá acesso é íngreme e muito sinuosa. No caminho, geralmente nas curvas mais fechadas, cruzes de cimento pintadas em branco e azul com um algarismo romano indicam as 14 estações da Via Sacra. Curiosamente, a procissão que para nestas cruzes, saindo do convento em direção à Iglesia de La Candelaria, padroeira da cidade, não acontece na Sexta-Feira da Paixão, mas sim no dia 02 de fevereiro, dia dedicado à santa. No meio do caminho, vi uma chiva, um ônibus aberto, muito comum na região, que hoje é muito utilizado por turistas em roteiros específicos na cidade. No alto da colina, descemos pela primeira vez do ônibus. Logo fomos assediados por vendedores de água, bonés, chapéus, bijuterias em prata, comida, enfim, uma infinidade de objetos. Pagamos cada um 8.000 COP pela entrada. Passada a bilheteria, um senhor de idade carregava um bicho preguiça. Ele levava o bicho até o turista e deixava que tirassem fotos carregando o animal, para depois cobrar 10.000 COP. Ric acabou negociando para tirar a foto e pagou 2.000 COP a menos. O convento não tem muita coisa interessante para se ver, a não ser seu belo claustro, com muito bouganville florido. No entanto, a vista da cidade que se tem lá do alto vale a pena, dando-nos uma ideia do seu tamanho e das ilhas e braços de terra que compõem o seu espaço geográfico. Também ali podemos ver o Abismo del Cabrón, uma alusão a uma lenda sobre um bode de ouro que os religiosos jogaram no despenhadeiro atrás do convento quando encontraram indígenas e negros fazendo adoração ao diabo personificado na tal estátua de ouro, obviamente nunca encontrada. Voltamos para o ônibus. O próximo destino foi o Castillo de San Felipe, construído pelos espanhóis no século XVII, sendo o maior forte da América colonial. Também pagamos para entrar. O bilhete custou 16.000 COP por pessoa. Também há um assédio intenso de vendedores ambulantes quando vamos descer ou subir no ônibus. Trata-se de uma fortificação, como muitas outras que já entrei, mas com algumas particularidades. Há túneis que se pode visitar, muito estreitos e escuros, que eram utilizados não só como proteção, mas também como possível rota de fuga em caso de ataque. Outro destaque é a enorme bandeira da Colômbia que tremula ao vento em uma de suas extremidades. Voltamos para o ônibus e para a cidade murada. O guia queria fazer duas paradas que recusamos, ambas em locais para comprar produtos locais, uma área dedicada ao artesanato e outra à venda de esmeraldas. Preferimos continuar o passeio. Saímos, então, da zona murada em direção à parte moderna da cidade, onde estão as praias badaladas, grandes hoteis e muitos bares. No caminho, vimos uma escultura bem grande do pássaro Maria Mulata em uma praça em frente ao Mar do Caribe. A cor da areia da praia é marrom e o mar é quieto, barrento, sem muitas ondas. Parece mais uma grande piscina. A faixa de areia é estreita, sem barracas, mas com muitos vendedores ambulantes. No lugar dos guarda-sóis, populares nas praias brasileiras, há tendas onde ficam quatro, cinco cadeiras. Como não gosto de ficar em praia, decidi que aquelas praias estavam de bom tamanho conhecê-las pela janela do ônibus. A região de praias começa no bairro de Bocagrande, se estendendo até a região chamada El Laguito, passando por um bairro residencial da classe mais rica, o bairro Castillogrande. Demos uma grande volta por estas praias, vimos o edifício mais alto da cidade, com 44 andares, voltando para a zona murada. Já passava de 12:30 horas. Descemos do ônibus na entrada em frente ao Hotel Charleston Santa Teresa, também cinco estrelas, também em edificação que outrora funcionava um convento. Seguimos a pé pela região de San Diego, parando para tirar fotos das belas e conservadas casas coloridas, com seus balcões enfeitados de flores. Nesta caminhada, passamos em frente à Catedral da cidade, chegando à Plaza de Bolívar, muita movimentada e bem arborizada. Nesta praça estão alguns prédios de interesse turístico: a sede do governo da região, o antigo Cabildo, onde, de seu balcão, foi lida a carta de independência de Cartagena, em 1811; o Palacio de La Inquisición Y Museo Historico de Cartagena; e o Museo del Oro Zenú. Não entramos em nenhum deles. Continuamos nossa caminhada, conhecendo a Plaza de San Pedro Claver, uma bela praça onde está o Convento y Iglesia de San Pedro Claver e o Museo de Arte Moderno, motivo pelo qual há várias esculturas espalhadas em seu entorno. Também conhecemos uma escultura de Botero em outra pequena praça, repleta de restaurantes onde os garçons tentam atrair os turistas com uma abordagem insistente sobre suas opções de comida e bebida. Outra praça pela qual passamos foi a enorme Plaza de La Aduana, com há uma estátua de Cristóvão Colombo ao centro. Nesta praça estão algumas agências bancárias, além de uma filial do Hard Rock Café, situado em prédio histórico e bem conservado. Na região, estão algumas casas de câmbio. Chegamos, enfim, à porta principal da Cidade Amuralhada, como os locais chamam esta parte murada de Cartagena, onde há uma torre amarela com um relógio. Por causa deste relógio, a torre com a passagem em arcada é chamada Puerta del Reloj. De lá, voltamos pelas ruas do Centro até chegarmos novamente ao hotel. Eram 13:30 horas, exatas quatro horas depois de termos saído para fazer este rico passeio. Pagamos 510.000 COP ao guia Nico pelo tour, valor previamente acertado por e-mail. Decidimos almoçar por perto. Pedimos uma indicação aos funcionários do hotel. Foi-nos recomendado o restaurante Juan del Mar (Plaza de San Diego # 8-12), na contra esquina da entrada principal de nosso hotel. Especializado em frutos do mar e pescados, o restaurante conta com três ambientes: um externo, com mesas na rua, onde ninguém estava por causa do calor e do sol que fazia; um interno, bem ventilado, e um mais interno, com ar condicionado. Preferimos este último. A decoração é em azul, com elementos que lembram o mar, tais como conchas, velas, redes e imagens de sereias que são colocadas nos barcos para espantar os maus espíritos. Com muita sede, pedi um refrigerante colombiano chamado FresKola, de cor rosa. Tanto a cor quanto o sabor lembram o Guaraná Jesus, muito popular em São Luís, Maranhão. Para comer, fiquei na especialidade da casa, ou seja, peixe. Pedi um mero grelhado com azeite e ervas finas, acompanhado de vegetais quentes. Assados em papel alumínio, tais vegetais eram brócolis, couve-flor, cenoura, milho, abobrinha e vagem. São assados sem sal, mas ao acompanhar o peixe, bem temperado, ganham um sabor especial. Muito bom meu prato. Todos comeram muito bem. Foi uma boa surpresa o restaurante. Alguns pediram sobremesa, mas preferi continuar firme em minha dieta. O serviço também me surpreendeu. Não foi perfeito, mas os garçons se preocuparam em atender bem a nossa mesa e em saber como estavam nossos pratos. Como nos demais restaurantes em que fomos até aqui na Colômbia, o senão ficou por conta na demora em que os pratos levam para serem servidos. Pela conta, pagamos um total de 402.000 COP. Voltamos para o hotel. Eu fiquei no quarto, tomando um excelente banho relaxante, enquanto a maioria preferiu curtir o final da tarde na beira da piscina. Para o jantar, já temos reserva em um conceituado restaurante, na zona murada, chamado San Pedro.

AS TRÊS VELHAS


Na quinta-feira, dia 14 de abril, fui conferir a peça em cartaz no Teatro I do CCBB de Brasília, pagando para tanto o valor de R$ 7,50 pela meia entrada por ser correntista do Banco do Brasil. Depois de ler críticas favoráveis à peça e sabendo que se tratava de um texto do chileno Alejandro Jodorowsky, considerado um dos grandes nomes da contra-cultura, cuja direção era de Maria Alice Vergueiro, hoje com 76 anos, atriz queridinha do underground teatral e recentemente conhecida por milhões de jovens devido ao sucesso do vídeo "Tapa na Pantera" no YouTube, não tive dúvidas em ter que conhecer texto e direção. Melhor ainda quando soube que a própria Maria Alice Vergueiro é uma das intérpretes. Em cena, acompanhando-a, estão dois excelentes atores do teatro nacional, Luciano Chiarolli e Pascoal da Conceição. Completa o elenco, em participação pequena e sem fala (mas com falo! - quem viu a peça entenderá), o ator Marco Luz. O teatro não estava lotado. A história se passa em uma mansão decadente onde vivem três velhas senhoras, uma delas em cadeira de rodas, uma adaptação para a atuação de Vergueiro, já que ela sofre do Mal de Parkinson. Ressalto que ela utilizou-se muito bem de sua limitação física para compor a personagem. Estas senhoras já não tem a riqueza e a opulência em que viveram no passado, mas sonham com aquela época que não mais voltará. O texto é ácido, brutal, chocante, provocador, próprio do autor, com cenas fortes. Notei que um casal mais velho que se sentou ao meu lado se sentiu incomodado com as palavras de baixo calão, com os gestos chulos e com o sexo oral que uma das três velhas demonstra em cena. A direção de Maria Alice vai na linha provocadora proposta por Jodorowsky, nos fazendo refletir sobre a sociedade de consumo, sobre a velhice, sobre abandono, sobre solidão, mesmo que tendo companhia, sobre frustrações, sobre arrependimentos. Magistral a interpretação dos três que dão vida à Garga, Melissa e Graça. Também destaco os efeitos especiais pirotécnicos utilizados, especialmente na cena do aborto. Para quem ainda não viu, aconselho a ir conferir. Fica em cartaz em Brasília até o próximo dia 01º de maio. Sensacional!

EL SANTISIMO - CARTAGENA

Primeira noite em Cartagena. Noite quente. Todos colocamos bermudas para ir jantar. O restaurante indicado pelo concièrge do hotel, em troca de e-mails que mantive com ele antes da viagem, não exigia roupas formais. Já tínhamos reserva confirmada desde o Brasil. Demorei um pouco para me aprontar, motivo pelo qual os demais foram na frente, pois a reserva era para 20:30 horas. O local indicado fica a poucos metros de distância do hotel e está bem cotado nos sites de gastronomia, tanto os colombianos, quanto no Trip Advisor. Seu nome é El Santísimo (Calle del Torno # 39-62, Centro), tendo como especialidade a comida costeña. Fica em uma casa ampla, decorada com uma mescla de motivos religiosos, como quadros com santos, mas também com um toque de modernidade, com garrafas de vidro vazias de várias tonalidades pendendo do teto. Um dos lustres é formado por tais garrafas. Estava bem movimentado, embora não estivesse lotado. O serviço foi confuso, lento. Uma simples Coca-Cola demorou muito para chegar à mesa. Todas as bebidas alcoólicas, incluindo alguns drinques, chegaram primeiro que o refrigerante. Foi necessário pedir umas quatro vezes para que ela chegasse até nossa mesa. Por falar em drinques, ninguém na mesa gostou do que pediu. Percebendo que o atendimento era fraco, resolvemos escolher logo o que comeríamos. Prevendo uma demora, pedimos uma entrada para compartilhar. O cardápio é uma folha simples de papel contendo as opções da culinária da região. Há duas listas de entradas, as frias e as quentes. Escolhemos o "Surtido de Fritos Cartageneros". Quando eles chegaram, sumiram rapidamente, pois todos estavam famintos, o que nos obrigou a pedir mais uma porção. São três variedades de bolinhos fritos: de mandioca recheado de carne moída, de milho com queijo costeño e de feijão com camarões. Acompanha os bolinhos um molho picante à base de creme de leite. Estes bolinhos fritos são muito populares na cidade. Durante o dia, vimos várias senhoras vendendo estes bolinhos nas ruas, assim como vimos ambulantes vendendo uma variedade grande de frutas tropicais. Voltando ao jantar, experimentei o bolinho de milho com queijo. Estava encharcado de gordura, mas muito saboroso. O cardápio tem títulos originais para suas seções. As opções de prato principal está em uma lista chamada "Los Diez Mandamientos". São dez pratos da culinária da região. Para quem quer algo de sabor mais internacional, deve escolher dentre as opções da seção "Otras Tentaciones...". As sobremesas estão listadas sob o título de "Los Pecados de La Novicia" (Os Pecados da Noviça), talvez uma referência ao Convento de Santa Clara (hoje o Hotel Sofitel Cartagena Santa Clara, onde estamos hospedados), cuja construção fica em frente ao restaurante e pelo fato de nestes conventos ter a tradição de se fazer doces bem calóricos. Há ainda uma seção de destaque no cardápio chamada "Lázaro Levántate! (levanta muerto), onde consta apenas a opção chamada "Sancocho", uma sopa de peixes caribenha, que mistura a cultura espanhola e a africana com ingredientes típicos da América. Escolhi meu prato na lista dos dez mandamentos. O prato tem o curioso nome de "La Santísima Trinidad". Embora demorado, quando o prato chegou, foi um deleite para os olhos. A composição era linda, muito colorida. Em um leito de folha de bananeira vem um arroz de coco, muito comum na culinária local, um peixe branco desfiado em pedaços bem pequenos ao molho de tomate, cebola e alho, camarões salteados em azeite, coentro (inevitável por aqui!) e limão, além de pedaços de banana assada em molho adocicado e uma salada de abacate. Vê-se que a mistura do salgado, do ácido e do doce é completa neste prato. Seria esta a santíssima trindade? Fica a pergunta no ar. De acordo com a informação do menu, trata-se da versão do restaurante para um tradicional prato local chamado "bandeja costeña". Depois do deleite dos olhos, foi a vez do paladar. O prato é simplesmente divino. Um detalhe interessante no menu é que para cada um dos dez pratos principais há uma indicação de harmonização com um vinho definida por um enólogo argentino, da região de Mendoza. Como estou em época de zero álcool, não pude verificar se a harmonização indicada para meu prato, um vinho branco da casta chardonnay, funcionava. De qualquer sorte, não pediria o vinho, pois quem segue este blog sabe que não sou apreciador dos vinhos brancos. Ao final, pedi um cartão de visitas, como sempre faço em todos os restaurantes em que vou, mas não havia. Acabei ganhando um cardápio para trazer comigo. A conta ficou em 540.000 COP para nós seis. Voltamos para o hotel, mas resolvemos dar uma passada no bar, chamado Café-Bar El Coro, um ambiente escuro, com música ao estilo lounge, com sofás baixos, próprio para um esquenta ou um final de noite. Ali, ficamos pouco tempo. O suficiente para cada um beber um drinque, saciando a vontade já que no jantar dispensaram suas bebidas e ficaram no refrigerante. Eu pedi apenas uma água. Passava da meia-noite quando fomos para os quartos, pois um city tour nos aguardava na manhã da terça-feira. Custei a dormir, mas a internet não funcionava, motivo pelo qual atualizei as fotos tiradas até então em meu computador.


Restaurante El Santísimo - Cartagena - Colômbia


Restaurante El Santísimo - Cartagena - Colômbia


Restaurante El Santísimo - Cartagena - Colômbia


Restaurante El Santísimo - Prato "La Santísima Trinidad" - Cartagena - Colômbia


Restaurante El Santísimo - Cartagena - Colômbia


Café-Bar El Coro - Hotel Sofitel Cartagena Santa Clara - Cartagena - Colômbia


Claustro - entrada do Café-Bar El Coro - Hotel Sofitel Cartagena Santa Clara

Gastronomia Cartagena (Colômbia)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

EM CARTAGENA - COLÔMBIA

Deixamos o hotel Sofitel Bogotá Victoria Regia por volta das 11:30 horas em uma van contratada para nos levar ao Aeroporto El Dorado no terminal exclusivo da Avianca, onde pegamos o voo de 13:40 horas para Cartagena. O avião era novo, um Airbus A 319, com tela individual para o entretenimento a bordo. Anos luz na frente de nossas companhias aéreas, pois tal voo é interno e dura apenas uma hora. Saímos com chuva e chegamos com um calor úmido que anunciava como serão nossos dias em Cartagena. Uma van já nos esperava no aeroporto da cidade. No trajeto, percorremos uma boa parte do caminho ao longo da costa, vendo o mar do Caribe ao nosso lado. Pagamos 70.000 COP pelo transporte. Reservamos quatro noites no hotel Sofitel Cartagena Santa Clara (Carrera 8, # 39-29, Calle del Toro, San Diego), que fica dentro da zona murada da cidade, ou seja, no centro histórico. O hotel ocupa o que outrora fora um convento. No check in tive um ótimo atendimento. Aliás, o atendimento de todos os funcionários é digno de elogios. O concierge me procurou para me conhecer, já que tínhamos trocado vários e-mails antes de nossa chegada para reservar restaurantes e um city tour, se colocando à disposição para qualquer necessidade. O mensageiro que nos acompanhou até o apartamento, localizado no quinto piso, nos explicou o funcionamento do hotel e do quarto, na verdade uma ótima suite (um up grade pelo fato de meu status Platinum no cartão A-Club). O clima é bem diferente do de Bogotá, exigindo-nos uma rápida troca de roupa, pois estava muito quente. Coloquei bermuda e chinelo. Já passavam de 16 horas. Todos tinham fome, mas resolvemos comer algo mais leve, já que uma reserva para jantar já estava garantida para às 20:30 horas. A indicação que o funcionário do hotel nos deu foi uma pequena cevicheria localizada em rua ao lado do próprio hotel. Era justamente a cevicheria que nos fora indicada por pessoas conhecidas que já haviam estado na cidade. Local simples, com quatro mesas na rua e quatro do lado de dentro. Apesar do sol que batia nas mesas, mesmo com guarda-sóis, preferimos ficar do lado de fora, pois internamente era muito abafado. O nome do local não podia ser mais direto: La Cevicheria (Calle 39 # 7-14, San Diego). Escolhi, logicamente, um ceviche, em versão colombiana. Ele vem em três tamanhos. Minha opção foi pelo tamanho médio. Foi um combinado no qual, em um abundante caldo de tangerina, vem pedaços de lulas, camarões, polvo, vôngole, além do inevitável coentro. O acompanhamento é estranho, pois são biscoitos salgados embalados como o Club Social da Nabisco, muito consumido no Brasil. Fiquei só no ceviche. Bom o sabor, mas prefiro o autêntico peruano. Se compararmos com a receita peruana, achei o meu prato mais leve. O local parece ser bem requisitado, pois sempre chegavam turistas para experimentar os pratos. A conta ficou em 300.000 COP para nós seis. Quando deixamos o restaurante já era final de tarde. Resolvemos dar uma volta na zona murada. O casario é antigo, com várias casas com balcões. Há uma disparidade muito grande na conservação destas casas. Aquelas mais próximas ao hotel são bem conservadas, com cores fortes e balcões repletos de flores coloridas. Na medida em que afastamos do hotel, mas ainda dentro da área murada, caminhando em direção ao chamado Centro, notei uma certa decadência na preservação dos prédios antigos, muito comércio popular, especialmente de calçados e de vestidos, além de muitos vendedores ambulantes nas ruas, disputando espaço com carros e pedestres, já que as calçadas são estreitas. Estes ambulantes vendiam comida típica (a maioria tinha uma espécie de pastel à milanesa frito), loterias, objetos usados, produtos falsificados (óculos, principalmente). Como faremos um city tour na terça-feira, no qual inclui uma caminhada pelo Centro, resolvemos voltar para o hotel, onde fizemos um reconhecimento de seus amplos espaços, especialmente o bar, os dois restaurantes e o spa. Aproveitamos a brisa que vem do mar em um deck do hotel. Como vamos jantar às 20:30 horas, todos foram para seus respectivos quartos para descansar, tomar um banho e se preparar para a noite. Creio que vou gostar da cidade, mas acho que gostarei muito mais do hotel, pois a piscina é fantástica. Já tenho em mãos o cardápio do spa para escolher uma das opções de massagem.


Ceviche Combinado - tamanho médio - La Cevicheria


Balcões no casario da Zona Murada de Cartagena


Casa típica na Zona Murada de Cartagena


Centro de Artesanato - Zona Murada - Cartagena


Balcões no casario da Zona Murada de Cartagena


Balcões no casario da Zona Murada de Cartagena

UM DIA DE HISTÓRIA E CULTURA EM BOGOTÁ

Depois do café da manhã, nos reunimos no lobby do hotel às 9:30 horas para o início de um excelente city tour com o guia Luis Suarez, indicado pelo hotel. A hora do guia custou 80.000 COP e a van para todo o dia nos custou 200.000 COP. Deixamos por conta de Luiz o roteiro. Ele é formado em história e em turismo, nos proporcionando uma verdadeira aula sobre a Colômbia, sobre Bogotá, cultura, geografia e história durante todo o trajeto que fizemos de carro. Passamos por dois dos mais elegantes bairros da cidade, Santana e Rosales, onde estão várias embaixadas e casas de diplomatas, todas devidamente identificadas pelo guia. A primeira parada foi na Plaza de Toros de La Santamaría. Chovia neste hora, mas isto não nos impediu de fazer uma visita ao local. A visita é gratuita. Para entrar, bastar tocar a campainha. As touradas, chamadas aqui de "corridas", herança espanhola, acontecem nos meses de janeiro e fevereiro. A construção é toda feita em tijolinhos aparentes. O guia nos mostrou onde os touros ficam antes de entrar na arena e como é feita a preparação deles 48 horas antes para que entrem extremamente irados. Uma judiação com o animal. Não me agrada este tipo de coisa. Na temporada das corridas, segundo o guia, há vários grupos em defesa dos animais que fazem protestos nas imediações. Em frente à Plaza de Toros está o edifício mais alto de Bogotá, com 47 andares, mas que será superado por um hotel que está em construção no centro da cidade, que terá 66 pisos. De volta ao carro, o guia continuou nos falando sobre a história recente do país, incluindo como surgiram as FARC, de como os americanos introduziram a produção de cocaína no país e de como o narcotráfico dominou a Colômbia por algumas décadas, tornando as cidades perigosas, afastando os investimentos estrangeiros e os turistas. Hoje, com um intenso trabalho de combate às drogas do governo, o país está bem melhor, em franca expansão econômica e todos se sentem seguros novamente para sair às ruas, passear com a família e o turismo está crescendo tanto na capital quanto em outras regiões da Colômbia. Fomos em direção ao Centro Histórico, onde paramos para um café. O café de Colômbia é famoso no mundo inteiro, muito pelo forte marketing utilizado pelos cafeicultores. Particularmente, o achei muito forte. Esta parada foi em uma lanchonete chamada Pan de Bono Y Café. Comemos o tal pan de bono, muito parecido com nosso pão de queijo, um pouco adocicado, tendo em vista que leva milho em sua massa. Gostei do seu sabor. A conta ficou para sete pessoas em 30.000 COP. Ao lado do café, existe um mercado de artesanato, onde paramos para ver as peças, especialmente as jóias em esmeralda. Descemos a pé pela rua, passando ao lado do famoso Museo del Oro, indo direto para três igrejas localizadas praticamente uma ao lado da outra. Como estávamos no Domingo de Ramos e por ser a Colômbia um país majoritariamente católico, as igrejas estavam cheias, com realização de missas alusivas ao dia. Muitos fieis portavam ramos em suas mãos. A primeira das três igrejas que entramos foi a Iglesia de La Vera Cruz, inaugurada no século XVII, com paredes brancas e muito ébano trazido do norte da África. As obras em madeira impressionam pela grandiosidade, pela beleza e pela austeridade. A próxima igreja em que entramos foi a Iglesia de La Tercera (Ordem de San Francisco), com um belo altar em prata colombiana. A terceira igreja que visitamos é a mais antiga da cidade onde há visitação e também missas. Ela estava lotada. O altar é todo feito em ouro, mas o que mais impressiona é uma capela do lado direito do altar, fechada com grades, pois suas paredes tem sete centímetros de espessura de puro ouro colombiano. Esta igreja chama-se Iglesia de San Francisco, datada de 1550. Segundo o guia, seu altar é um dos maiores da América Latina. Saindo da igreja, o guia nos mostrou um edifício onde funciona o mercado negro de venda de esmeraldas, em um prédio na Avenida Jimenez. A Colômbia responde por 65% da produção mundial de esmeraldas. Na rua, alguns homens faziam câmbio. Um dos amigos precisava trocar dinheiro. O guia nos levou a um destes cambistas, no qual, segundo ele, podíamos confiar. Seguimos então para o Museo del Oro. Aos domingos, todos os museus de Bogotá tem entrada gratuita. Basta passar na bilheteria para pegar o ingresso cortesia. Nem precisa dizer o quanto estava movimentado o museu, o que me alegrou muito, pois mostra que o povo colombiano se interessa por arte e por sua história. Nos demais dias da semana em que o museu abre a entrada custa 3.000 COP. Ficamos por mais de uma hora dentro do museu, quando o guia nos deu uma aula excepcional da história do ouro no país e do papel deste metal nas civilizações antes da colonização espanhola. Impressionam as peças, seus detalhes, seus significados, sua simbologia em relação à hierarquia e ao status de quem usava determinados ornamentos. As narigueiras são lindas e ao mesmo tempo estranhas, pois é difícil imaginar como alguém podia carregar aqueles adornos pesados no nariz, como um piercing. Vários visitantes aproveitavam as explicações do nosso guia, que não se importava em também esclarecer a estas pessoas sobre suas dúvidas. Eu sabia da importância do museu, que tem 36.000 peças em exposição, fora as da reserva técnica, além das que circulam em mostras itinerantes, mas fiquei impressionado com o espaço moderno, a forma da exposição das peças, da preocupação em ter legendas (em espanhol e em inglês) para explicar cada conjunto exposto e pela facilidade de circulação. Mesmo com o museu lotado, não tivemos problemas em percorrer as vitrines. Saindo deste maravilhoso museu, a fome apertou, mas o guia já havia reservado um restaurante nas proximidades: El Son de Los Grillos (Calle 10 # 3-60). O restaurante é simpático, com decoração rústica. Fizeram-nos companhia no almoço tanto o guia quanto o motorista da van. Pedi um suco de amora que estava ótimo. Como entrada, mandioca frita com molho picante de guacamole e uma banana prensada e frita com um molho que não experimentei. De prato principal, segui a sugestão do nosso guia, pedindo um filé mignon ao ponto, acompanhado por uma salada verde e purê de batatas, além de um molho de mostarda. A salada chegou primeiro: alface, tomate, rabanete, gergelim torrado e molho de guacamole. Estava muito gostosa. O lomo, como eles chamam o filé mignon por aqui, estava macio, ao ponto, como pedi. Seu sabor era honesto, nada de excepcional. Não cheguei a comer o purê de batatas que o acompanhava. Nada de sobremesa, apenas um café tinto, assim é chamado o café forte em Bogotá. Não era expresso, mas sim coado. Não aprecio este tipo de café. Saindo do restaurante, o tempo tinha mudado, a chuva parara e o céu estava com alguns claros azuis. Deu para ver a igreja que fica no alto do Cerro Monserrate. Nosso destino era o Museo Botero. Caminhando pelas ruas do centro, notei que as casas são bem conservadas, coloridas, muitas com a bandeira da Colômbia hasteada. Passamos em frente a uma construção moderna, o Centro Cultural Gabriel García Marquez, famoso escritor colombiano que hoje vive no México. O centro foi construído pelos dois países. O Museo Botero tem entrada gratuita todos os dias em que funciona (fecha às terças-feiras). Isto foi uma exigência do artista Fernando Botero quando resolveu doar 10% de sua coleção particular para a Prefeitura de Bogotá. Ele também fez o mesmo para a Prefeitura de Medellín, sua cidade natal, onde a doação teve uma porcentagem maior, 15%. Segundo o guia, ele só possui 15% de sua coleção original, pois já vendeu o restante. Atualmente, Botero mora na região da Toscana, Itália, em um castelo, uma vez que sua mulher é uma marquesa italiana. O museu funciona em uma casa colonial, também exigência do artista, no centro da cidade, onde outrora funcionava a Casa de La Moneda que cunhava notas e moedas para toda a América Latina, inclusive para o Brasil. Hoje, a casa pertence ao Banco de La República, uma espécie de Banco Central e abriga três museus: O Museo Numismático, o Museo de Arte Religiosa e o Museo Botero. Vimos apenas uma custódia preciosíssima no segundo museu citado, dedicando nosso tempo ao terceiro museu. São cerca de 120 obras de Botero e pouco mais do que 80 pinturas e esculturas de grandes pintores mundiais, tais como Monet, Degas, Picasso, Dalí, Miró, Léger e Renoir. Tudo pertencia a Botero. Claro que as obras destes pintores de fama mundial são importantes e interessantes, mas o que impressiona mesmo são as obras do artista colombiano. Luis, nosso guia, nos explicou em detalhes sobre elementos recorrentes na obra do artista, além do que todos mais conhecem que são as figuras sempre gordas. O rosto, tanto de mulheres quanto de homens, tem sempre a mesma feição, a de sua mãe. A maioria das mulheres nuas tem uma pinta nas nádegas, uma representação da pinta que Botero tem no rosto. Também há uma presença forte nas mulheres de suas pinturas de unhas pintadas, uma luz acima de suas cabeças que representa a vida e pelos nas axilas. Suas crianças tem sempre as feições de pessoas mais velhas, fato creditado à morte de um de seus três filhos decapitado quando colocou a cabeça para fora em um passeio de carro. Esta morte também está representada nas pinturas de natureza morta, quando há frutos cortados (a cabeça decapitada) e gavetas abertas (lembrando o caixão em que foi enterrada a criança). Botero se inspirou mais de uma vez em Velasquez, colocando espelhos em suas pinturas para retratar o lado que não vemos da pintura, ou seja, seria o local onde estamos ao observar o quadro. Há inclusive uma pintura que homenageia o mais famosos quadro de Velasquez, As Meninas, com um retrato ampliado de uma das infantas, porém com um rosto de idosa. O quadro que homenageia a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci é um dos raros quadros onde uma pessoa esboça um sorriso. Dentre os quadros que vimos, o único que há um sorriso escancarado é a pintura que representa a morte (um esqueleto) tocando um violão sem cordas. A visão do pecado também tem forte presença em sua obra, com mulheres debaixo de árvores de maçãs e cobras vermelhas desenhadas. Há uma série só de desenhos, onde há um gordo Cristo crucifixado. Outra seção que chama a atenção é a que expõe os quadros que representam fatos negativos da história colombiana, como os carros explodidos com bombas, os narcotraficantes e figuras das FARC. Também há uma sala dedicada às suas esculturas. Belo museu, que ainda tem alguns pátios internos muito bonitos, com um chafariz ao centro. Do museu, fomos para nossa última visita turística, a maior praça da cidade, local onde está a Catedral, a sede da Prefeitura (Palacio de Liévano), o Palacio de La Justicia e o Parlamento. A praça se chama Plaza Bolívar e é nela que acontecem todas as manifestações políticas da capital. Toda a região, com suas ruas estreitas, se chama La Candelaria. Voltamos à van e ao hotel. Chegava ao fim oito horas de um ótimo passeio, com um guia simpático, eficiente, atencioso, conhecedor da história e da cultura de seu país. Acho que foi o melhor guia com quem já tive oportunidade de fazer passeios e city tours em minhas viagens. Este "recorrido" pela cidade nos custou ao todo 840.000 COP para seis pessoas (algo em torno de U$ 467, o que dá U$ 78 por pessoa, ou seja, R$ 128,00). Vale muito à pena. Nosso passeio terminou às 17:30 horas. Como eu precisava fazer câmbio, eu e mais dois amigos fomos ao Shopping Andino, a poucas quadras de distância do hotel, onde não só troquei dinheiro, mas também comprei um tênis Adidas que me chamou a atenção logo na vitrine por sua cor: vermelho. Próprio para correr, é muito leve e super confortável. Aproveitei para conhecer a região perto do hotel, repleta de lojas de grife, de bares e de restaurantes bem decorados.
Voltamos para o hotel, mas logo saímos novamente, desta vez somente quatro pessoas, para jantar no restaurante Andrés D.C. Bogotá, (Calle 82 # 12-21 - Zona Rosa), dos mesmos proprietários do famoso Andrés Carne de Res que fica em Chía, uma cidade dormitório a quarenta minutos de carro de Bogotá. O restaurante da noite ficava bem próximo ao hotel, praticamente em frente ao shopping onde fiz o câmbio. Tínhamos reserva. O restaurante é enorme, com vários pisos, cada um deles representando locais da mitologia cristã: inferno, onde ficamos, terra, purgatório e céu (ou paraíso). A decoração é uma atração do local, com muitos penduricalhos. Como ficamos no inferno, o tom vermelho predominava. O serviço é rápido, com a atendente explicando bem as centenas de opções do menu. Aproveitamos que tinha wi-fi livre e todos postamos comentários e fotos no Facebook. Experimentei um refrigerante local, Colombiana, doce, lembra o Inca Cola do Peru, porém mais fraco e de cor parecida com nosso guaraná, porém com menos gás. Pedimos um patacón gigante. Trata-se de banana verde prensada e frita, com uma camada de queijo por cima, parecendo uma pizza. Para colocar sobre as fatias, o prato vem com seis molhos em canecas coloridas. Tinha molho de guacamole picante, de tomate, de carne moída, de queijo, de bacon, de coentro. Comi dois pedaços. O gosto da massa é sem graça. Tem que colocar algum molho para dar sabor. Logo em seguida, pedimos nova entrada, desta vez as empanadas colombianas que não são assadas como as argentinas, mas fritas. Pedimos uma para cada, com recheio de carne moída. Chegam quentes à mesa, muito saborosas, mas são pequenas. Servem mesmo para uma boa entrada. Mas já não tínhamos mais fome. Pedimos duas sobremesas para compartir: um queijo com melaço de cana, prato que vem quente, e uma tortilha bem fina, parecendo uma hóstia gigante, acompanhada de doce de leite e de doce de amora. A combinação com o doce de leite é muito boa, mas o mesmo não vale para o doce de amora. Os outros dois amigos chegaram quando já estávamos na sobremesa. Eles pediram algo para comer, enquanto ficávamos trocando impressões sobre o dia excelente que tivemos. A conta ficou em 252.000 COP para os seis. Voltamos a pé para o hotel, com a noite bem fria. Hora de descansar, pois nesta segunda viajaremos para Cartagena.

domingo, 17 de abril de 2011

CAFÉ DA MANHÃ EM BOGOTÁ



Frutas no café da manhã em Bogotá: Granadilla, super doce (a que parece nosso maracujá); pitaya branca, também um mel de doçura e um figo local, também doce.
Dieta firme!

MÚSICA QUE OUÇO LVII


Vale Tudo!