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segunda-feira, 31 de maio de 2010

SEGUNDA-FEIRA DIFÍCIL

Deixo de viajar a trabalho para São Paulo por causa de uma dor de ouvido. Ficaria na capital paulista a semana inteira, inclusive no feriado de quinta-feira. O médico me recomendou não pegar o avião devido à pressão. Fico em Brasília. Depois de um belo almoço no restaurante Intervalo (SCLS 404, Bloco A, Loja 27, Asa Sul), onde comi um cupim assado divino, entro no carro, coloco uma bala na boca e quebro o bloco de um dente. Tive que ligar para o meu dentista e pedir um atendimento de urgência. Consegui horário para 14:30 horas. Fiquei duas horas e dez minutos no consultório dentário. Enquanto esperava os moldes, aproveitei para fazer uma limpeza rotineira nos dentes, já que estava na época de fazê-la. Quando o molde ficou adequado, voltei ao trabalho, onde a impressora resolveu parar de funcionar. Volto para casa abatido...

domingo, 30 de maio de 2010

FILMOTECA ESSENCIAL - BRASIL (04)

Romance da Empregada, filme brasileiro de 1988, dirigido por Bruno Barreto. Quando vi pela primeira vez, gostei apenas um pouco. Confesso que a segunda vez que o vi, foi totalmente diferente. A história de Fausta (Betty Faria) me conquistou. Depois de algum tempo, conheci Pek, o autor do blog Insensatez, e este é um dos filmes que ele mais elogia. Fausta é empregada doméstica e leva uma vida miserável, mora longe, à beira de um rio fétido, no subúrbio do Rio de Janeiro. Vive um casamento fracassado com João (Daniel Filho), um motorista de caminhão em uma pedreira que não gosta de trabalhar. Diariamente, pega o trem para ir ao trabalho. Na saída da estação de trem, conhece Zé da Placa (Brandão Filho), que carrega uma placa anunciando retratos 3 X 4, chapa de pulmão e xerox. Ele é louco por ela e lhe presenteia com um perfume, destes bem vagabundos. Apesar de também não ter posses, Fausta enxerga nele a sua salvação e aproveita dos seus gracejos para chegar perto de seu dinheiro. Ela quer ao mesmo tempo um carinho, um companheiro que lhe faça feliz, mas também quer os presentes e o dinheiro que o velho (como ela o chama) lhe dá. O filme não tem nada de glamour. Muito antes pelo contrário, ele é anti-glamour. A interpretação de Betty Faria é marcante. Ela constroi uma empregada sem modos, com gestos e atitudes vulgares, mas que sabe aproveitar a vida, seja bebendo sua cachaça diária, fazendo um passeio à Ilha de Paquetá, com direito a uma praia cheia de farofeiros (há uma tomada que um figurante se serve de macarrão dentro de uma panela em plena areia), ou indo dançar no forró os sucessos do momento. Brandão Filho também tem um desempenho memorável, embora com caras e bocas que sempre lhe foram características. E Daniel Filho, gordo, bêbado e vagabundo é outro destaque. Além destes três ótimos atores, há um desfile de rostos conhecidos da televisão brasileira, alguns em aparições meteóricas, como Cristina Pereira, Zezé Polessa, Cláudia Gimenez, Raul Gazolla, Stella Freitas, Neuza Borges, Antônio Pedro, Marcos Palmeira, Tonico Pereira, Tamara Taxman, Fafi Siqueira e Vic Militello.
Destaco três inusitadas cenas, entre várias de grande interesse:

01) Fausta ouvindo seu rádio/headphone na fila para pegar a barca para Paquetá;
02) A única cena de sexo do filme, entre João e a mulher que carrega lata d'água na cabeça, enquanto Fausta vai dormir na casa da patroa;
03) Fausta vestindo as roupas da patroa enquanto ela está viajando, dublando Sandra de Sá cantando a versão brasileira para o sucesso Typical Male, de Tina Turner.

A cena final é emblemática, com Fausta e as galinhas em cima do telhado de sua casa, inundada até a metade pela enchente. O máximo do anti-glamour.

sábado, 29 de maio de 2010

ÁLIBI - MARIA BETHÂNIA - DISCOTECA ESSENCIAL (04)



Álibi, disco lançado em 1978 por Maria Bethânia, pela gravadora Philips. Foi um grande sucesso. A cantora baiana tem ótimos discos em sua vasta carreira, ficando difícil escolher o melhor. Escolhi este disco porque foi a partir dele que comecei a apreciar seu trabalho. Ouvi o disco pela primeira vez na casa de meu padrinho e toda vez que o visitava, colocava Álibi para tocar. São 11 faixas, cada uma melhor que a outra. Bethânia fez uma seleção especial para este disco: Caetano Veloso comparece com Diamante Verdadeiro e A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa (esta em parceria com Wally Salomão); Djavan com a canção que dá título ao disco, Álibi; Gonzaguinha com Explode Coração, interpretação definitiva na voz de Bethânia; Paulo Vanzolini com a eterna Ronda; Rosinha de Valença com Interior; Chico Buarque com três músicas, Meu Amor, no qual ela faz um dueto com Alcione, De Todas As Maneiras e Cálice, parceria de Chico e Gilberto Gil; Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos com a clássica Negue; e Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, com a sensacional Sonho Meu, eternizada nas vozes de Bethânia e Gal Costa, que abrilhantou ainda mais o disco.
Escrevendo este post, a trilha sonora não poderia ser outra: o disco Álibi, de Maria Bethânia.

ÁLIBI - MARIA BETHÂNIA - 1978

sexta-feira, 28 de maio de 2010

FILMOTECA ESSENCIAL - INTERNACIONAL (04)

Gosto muito de filmes do universo Drácula. Um dos melhores para mim é Drácula de Bram Stoker (Bram Soker's Dracula), produção americana de 1992 dirigida por Francis Ford Coppola. Conta no elenco com Gary Oldman (Conde Drácula), Winona Wyder (Mina), Anthony Hopkins (Van Helsing), Keanu Reeves (Jonathan Harker), Sadie Frost (Lucy), Tom Waits (Renfield). Coppola transpôs para a tela a história que já havia sido filmada uma infinidade de vezes, mas o fez com personalidade e ousadia. Cenários deslumbrantes e ultracoloridos, figurino exuberante, efeitos especiais de grande qualidade, maquiagem perfeita e uma atuação magistral de Gary Oldman como o velho Conde Drácula. Oldman coloca uma ambiguidade sexual na personagem arrasadora. Na fase rejuvenescida, ele é fresco, um autêntico dândi nas ruas de Londres, em trajes e trejeitos que anos mais tarde foram repetidos por Johnny Depp na trilogia Piratas do Caribe. As cenas de sexo são de uma plasticidade ímpar aliada a uma brutalidade que não choca. Para comprovar isto, basta se ater em duas cenas: o banquete do qual um insosso Keanu Reeves é literalmente comido pelas três noivas do conde (uma delas é a estonteante Mônica Bellucci, em um dos seus primeiros papeis no cinema), ou a cena em que a besta fera, precisando de sangue para se tornar mais jovem, transa com a devassa Lucy, amiga de Mina, a mocinha da fita, nos jardins de sua casa. A interpretação de Oldman ofusca praticamente todos que contracenam com ele, com exceção de Hopkins, que mesmo fazendo um papel um tanto quanto histriônico, segura bem como um avançado professor caçador de vampiros. Destaco ainda a presença de Tom Waits, para quem os diretores adoram entregar personagens à margem da sociedade, verdadeiros outsiders. No filme, é um lunático internado em uma clínica psiquiátrica, que espera a chegada de seu mestre. Revi esta fita em casa, com uma qualidade de som fantástica, quando pude, mais uma vez, constatar o quanto gosto deste filme. Para mim, obrigatório em qualquer coleção básica de filmes.

terça-feira, 25 de maio de 2010

NOTA LEGAL - UM ENGODO?

Logo que o GDF lançou o programa Nota Legal, similar ao Nota Fiscal Paulista, me cadastrei no sítio eletrônico específico e comecei a pedir as notas fiscais e/ou cupons fiscais com a inclusão de meu CPF. Como não havia me inteirado das regras do programa, perdi vários créditos em 2009 porque o prazo para reclamação é muito curto, apenas pode-se registrar a ocorrência durante o mesmo mês em que as notas fiscais emitidas são lançadas em nossa conta no programa. O sistema não permite registrar mais de uma ocorrência por vez e a confirmação do sucesso do envio é muito lenta. Parece de propósito, para desistirmos logo. Depois que soube das regras, consulto mensalmente minha conta para confirmar os lançamentos das notas com meu CPF. Tive crédito relativamente baixo pelo tanto de notas que foram emitidas em meu nome durante o ano de 2009. Atribui este baixo valor ao fato de que perdi o prazo para reclamação. Entrei 2010 sem perder o prazo. Venho observando que o sistema está cada vez mais lento, com tempo de resposta de até cinco minutos para cada registro de reclamação, fora as vezes em que o sistema trava (fato frequente ultimamente). Outra observação é que mais da metade das notas/cupons que são emitidas com minha identificação não estão sendo lançados. Como costumo frequentar alguns restaurantes mais de uma vez por mês, também constatei que os não lançamentos se dão, na maior parte dos casos, com as mesmas empresas. Faço a reclamação, recebo um e-mail confirmando o registro e, passados trinta dias, recebo outro e-mail solicitando que eu compareça em uma unidade da receita distrital com um formulário preenchido com o cupom original anexado. Mais um fato para não funcionar, pois a vida atribulada da maioria das pessoas não as permite ter tem tempo de ir mensalmente a uma unidade do órgão arrecadador do GDF, em horário comercial, entregar esta solicitação. Alguns amigos me criticam por eu ainda solicitar a nota, pois o trabalho que se tem é muito grande, trabalho este que deveria ser do GDF, através de uma eficiente fiscalização da receita distrital. Quando se registra a ocorrência de não lançamento de uma nota/cupom fiscal no sítio eletrônico do programa Nota Legal, informamos todos os dados para que a fiscalização possa agir, ou seja, facilitamos a ação fiscal para o GDF, mas em nada adianta. Parece que nem há uma estatística para identificar a reincidência de reclamações de uma mesma empresa. Ao estabelecer o programa, a sensação que se tem é que a Secretaria da Fazenda do DF passou a obrigação de "fiscalizar" o recolhimento dos tributos para cada cidadão que mora em Brasília. Apenas há uma notificação expedida por ela para a empresa comprovar que houve a emissão da nota/cupom e que o tributo devido foi recolhido. Caso a empresa não comprove (fato frequente, tendo em vista os e-mails que recebo da Secretaria da Fazenda do GDF informando isto), e o cidadão não apresente pessoalmente sua reclamação, o processo é arquivado. No silêncio da empresa, fica a sensação de que somos mentirosos. Enviar cópia digitalizada anexada à reclamação pela internet é um suplício, pois o tempo de resposta pode durar uma eternidade. Por isso tudo, acabo me perguntando se este programa não é um engodo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

DIÁLOGO SOCIAL

Diálogo social - articulação - consertação - troca de experiências - cooperação - formação de rede. Assuntos vistos durante todo o dia, a maior parte em inglês.
Cansado!

sábado, 22 de maio de 2010

FEIJOADA + TECNOLOGIA

Sábado especial.
Primeiro fui comemorar o aniversário de um amigo com uma ótima feijoada carioca preparada por ele. O casal nos recebeu muito bem, com cerveja super gelada (para quem gosta) e uma autêntica caipiroska carioca. A tarde estava agradável, com céu azul e um leve calor de outono, prenunciando a época da seca brava em Brasília.
Após a feijoada, fui ao ParkShopping. Decidi comprar um arsenal de áudio e vídeo, tendo em vista que a Copa do Mundo está se aproximando. Entrei na loja da Sony e saí com uma televisão de led de 40 polegadas, um aparelho blu-ray player e um home theater. A ansiedade para instalar os aparelhos era tanta que nem quis trocar cupons para o sorteio de carros Mercedes Benz, promoção em cartaz no shopping. Fomos direto para casa e entre metros e metros de fios, instalamos tudo. Imagem e som de cinema. Para estrear, coloquei o BD Avatar, de James Cameron. Não prestei a atenção no filme, pois queria me familiarizar com a aparelhagem. Fiquei tão entusiasmado que liguei para a Net e troquei o meu pacote de assinatura. A partir do dia 24 de maio, passo a ter o pacote mais completo, o HD Digital Max.
Viva a tecnologia!

MÚSICA QUE OUÇO XXXV





Rio Vermelho

Clima Cool

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ITHAMARA KOORAX




Caixa Cultural, quinta-feira, dia 20 de maio de 2010. 20 horas. Ingresso a R$ 20,00 (inteira). Teatro cheio para ver o show Dolores Duran por Ithamara Koorax. Show belíssimo. Interpretação primorosa de dezesseis canções do repertório de Dolores Duran. Foi a segunda vez que vi um show de Ithamara, cantora de voz preciosa pouco conhecida dos brasileiros, irmã da cantora e atriz Soraya Ravenle. Ela tem a maior parte de seus discos gravados e lançados no exterior. Seu timbre de voz e sua performance no palco lembram uma cantora de jazz, destas que chamamos de Diva. Os músicos que a acompanham no show são virtuoses em seus instrumentos: Wilson dos Santos, percussão; Rodrigo Lima, cordas; e Daniel Garcia, sopro. O jovem cantor carioca Marcos Ozelin faz um belo dueto com a cantora em Por Causa de Você, uma das músicas que Dolores compôs juntamente com Tom Jobim e que foi gravada por Frank Sinatra. Ithamara surpreende no dueto ao cantar uma parte da canção em inglês. Ovacionada pelo público, ela volta para o bis para uma interpretação emocionada de A Noite de Meu Bem. Acaba a canção, é aplaudida de pé, desce junto ao público e sai do teatro batendo palmas para todos nós que a assistimos. Saí do teatro flutuando com o belo show. Pena que ela venha tão pouco a Brasília. No foyer as pessoas se acotovelavam para comprar os discos e pegar um autógrafo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

AQUAVIT

Noite de quarta-feira. Temperatura agradável em Brasília. Conforme combinado com amigos, eu e Ric fomos jantar no restaurante Aquavit (Setor de Mansões Lago Norte Quadra 12, Conjunto 1 - Casa 5). Tanto o chef (Simon Cederholm), como o restaurante foram condecorados com o prêmio da revista Veja Comer & Beber 2010-2011 de melhor chef do ano e de melhor restaurante de cozinha contemporânea, respectivamente. O proprietário e chef é um dinamarquês que ama o Brasil. Não há cardápio. Cada mês, há um menu fixo com seis pratos. Pode-se escolher a sequência completa ou parte dela, assim como se vai aceitar a harmonização de vinhos proposta pela casa. Éramos seis pessoas e nos sentamos na varanda, com uma linda vista para o Lago Paranoá e as luzes da cidade refletindo em suas águas. Optamos pelo menu completo, incluindo a harmonização com os vinhos propostos para cada prato. Uma amiga levou um champagne para brindarmos a noite. Não peguei o menu, motivo pelo qual não me recordo dos vinhos degustados. De início, pães feitos na casa com  manteiga trufada e patê de foie gras. Os pães estavam quentinhos, macios e ficaram perfeitos tanto com a manteiga trufada (forte para paladares mais delicados) quanto com o patê. O segundo prato foi uma vieira cozida no sal e no gelo, acompanhada de uma gelatina de maçã e baby sleef (folhas novinhas de verduras). Uma taça de vinho branco riesling foi servido com este primeiro prato. O vinho era muito doce, o que prejudicou a harmonização. A vieira estava fantástica, leve, quase desmanchando na boca. O terceiro prato foi uma pescadinha em cama de taioba puxada na manteiga, com uma pequena crosta crocante de pão e mousse de palmito. Há muito não comia taioba, verdura difícil de achar em restaurantes. Prato levíssimo, muito saboroso. O vinho servido para harmonizar foi um tinto bem leve, parecido com um beaujolais noveau. Estranha a harmonização, visto que seria melhor um vinho branco. O quarto prato foi uma terrine de foie gras com pão com melaço de cana, acompanhado de abacaxi cozido e um pedaço de cana caiana, dando o toque inusitado do prato. Para acompanhar, um colheita tardia chileno. A harmonização dos sabores dos ingredientes do prato e os do vinho foi perfeita. Em seguida, carré de cordeiro, bem rosadinho, macio, com beterraba, abobrinha, couve-flor, shitake, shimeji, vagem, cebola roxa, cenoura, todos bem crocantes. A vagem e a couve-flor estavam crocantes até demais para o meu gosto, quase crus. Sei que a filosofia raw food é a tônica do momento no mundo gastronômico, mas alguns vegetais os prefiro cozidos, quase derretendo, como é o caso da couve-flor. A disposição destes vegetais no prato foi interessante, pois havia uma unidade pequena de cada um deles. O vinho tinto servido para harmonização é digno de esquecimento. Não consegui bebê-lo. Enfim, a sobremesa, uvas moscatel em sabayone e um muffin com espuma de canela, harmonizados com um vinho moscatel. Divina as uvas moscatel. Finalizei com um chá de erva cridreira colhida no momento em que fiz a opção por tomar chá. O restaurante tem uma bem montada horta de temperos, em forma circular, de onde saem as ervas usadas nos temperos dos pratos e folhas para os chás servidos. Não quis as madeleine que acompanham o café e o chá. Final de noite com temperatura em torno de 18 graus, felizes com a noite agradável que desfrutamos, mesmo com ressalvas aos vinhos servidos, voltamos para casa. A conta ficou cara, algo em torno de R$ 340,00 por pessoa.

terça-feira, 18 de maio de 2010

SEXY AND THE CITY

Depois de conhecer Nova York, não resisti. Acaba de chegar pelo correio a série completa Sexy And The City que comprei para apreciar os lugares que as personagens frequentavam.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

LUGARES (03)



Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, localizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, Distrito Federal. Projeto de Oscar Niemeyer, é um prédio moderno que deve ser conhecido por todos os brasileiros. Os seus amplos espaços vazios são lindos e o espaço expositivo é uma síntese da arte brasileira. Num mesmo local, o antigo e o moderno convivem harmoniosamente. Há obras de vários artistas brasileiros, de estrangeiros radicados no nosso país ou de estrangeiros que representaram, através da arte, o nosso Brasil, além de objetos de decoração vindos de várias partes do mundo. A visita é feita com acompanhamento de guias e está aberto ao público inclusive sábados e domingos. O paisagismo, bem como um enorme tapete que enfeita a parede do salão onde são oferecidos os jantares oficiais por ocasião da visita ao país de representantes de Estado de outros países, é de Burle Marx. Parede de mármore e treliça de madeira e ferro de Athos Bulcão, bustos e meteoro que flutua no lago cheio de carpas ao redor do prédio são de autoria de Bruno Giorgi. Também há obras de Mary Vieira, Maria Martins, Tomie Ohtake, Jean Baptiste Debret, Pedro Américo, Cândido Portinari, Manabu Mabe, Arcângelo Ianelli, Alfredo Volpi, Milton Dacosta, Franz Weissmann, Lasar Segall, Rodolfo Amoedo, Victor Brecheret, Alfredo Ceschiatti, Emanoel Araújo, Rubem Valentim, Sérgio de Camargo, Eliseu Visconti, Glênio Bianchetti, Galeno, Rugendas, Franz Post, Di Cavalcanti, Maria Leontina, Djanira, entre outros. Também podem ser apreciados objetos de arte sacra, mobiliário e objetos de decoração. Algumas obras não estão expostas no roteiro da visitação. Tive a oportunidade de conhecê-las quando participei de eventos oficiais ou reuniões a trabalho no local. Quando há exposições temporárias, algumas das salas que fazem parte do roteiro da visita podem não estar disponíveis. Todas as exposições temporárias que tive a chance de ver no Itamaraty foram ótimas, mas prefiro o prédio com seu acervo. Fotos somente são permitidas em alguns locais. O guia informa quando se pode usar a câmera fotográfica. Do Salão Nobre há ótimas vistas da Esplanada dos Ministérios, rendendo boas fotografias. O que mais me impressiona na visita é a subida pelas escadas que desembocam no piso onde estão as diversas salas expositivas. O lustre que se vê é deslumbrante. Obra do artista Pedro Correa de Araújo, chamada de Revoada de Pássaros. Quem visita Brasília deve incluir no roteiro obrigatoriamente esta visita. Não se paga nada para ver esta preciosa coleção de arte.

As fotos que ilustram este post foram por mim tiradas em outubro de 2004:

1ª - A Mulher e Sua Sombra - Maria Martins
2ª - Ponto de Encontro - obra de Mary Vieira
3ª - Meteoro - Bruno Giorgi
4ª - Treliça - Athos Bulcão

domingo, 16 de maio de 2010

FILMOTECA ESSENCIAL - BRASIL (03)

Sinhá Moça, décimo primeiro filme feito pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, produzido em 1952/1953 e lançado em maio de 1953. No elenco, a estrela Eliane Lage (Sinhá Moça), Anselmo Duarte (Dr. Rodolfo Pontes), Ruth de Souza (Sabina), Renato Consorte, Marina Freire, Eugênio Kusnet, entre outros. Dirigida pelo anglo-argentino Tom Payne, então marido de Eliane Lage, tendo como co-diretor Oswaldo Sampaio, foi uma superprodução dos anos cinquenta, com sucesso de público e crítica, colecionando prêmios nacionais e internacionais. Versão para a telona do romance de Maria Dezzone Pacheco Fernandes, que colaborou também no roteiro. A história, transposta anos depois para a TV, em novela da Rede Globo com o mesmo nome, é um romance abolicionista. Sinhá Moça (Lage) volta ao interior de São Paulo, depois de estudar na capital, para morar na fazenda de seu pai, um escravocrata convicto. No trem que a leva para a cidade do interior paulista, conhece o jovem advogado Rodolfo (Duarte). Ambos tem uma imediata empatia. Ela chega com ideais abolicionistas, contrastando com a prática de seu pai, que está às voltas com escravos fujões. Às vésperas da abolição da escravatura no Brasil, o romance entre Sinhá Moça e Rodolfo vai se moldando tendo como pano de fundo uma rebelião de escravos, castigos no pelourinho, incêndio, festa em homenagem a São Benedito, caçada dos capitães do mato aos escravos fugitivos, mortes e um julgamento de um negro que se transforma num libelo em favor da liberdade e da igualdade entre todos os seres humanos. Eliane Lage, com uma beleza brejeira, faz uma heroína contida, usando apenas movimentos dos olhos ou da boca para demonstrar seus sentimentos. Já Anselmo Duarte também dá um show, especialmente na cena do julgamento, em que faz o papel do advogado de defesa. Vale destacar uma jovem Ruth de Souza, com poucas falas, mas de uma expressividade facial que nos revela grande emoção. É uma forte interpretação que lhe valeu o prêmio Saci conferido pelo Estado de S. Paulo como melhor atriz coadjuvante. Lage também levou o mesmo prêmio como melhor atriz. Mesmo sabendo como a história termina, há como se emocionar neste excelente filme brasileiro. A cópia disponível em dvd tem problemas no áudio e não há legendas em português, o que pode dificultar entender alguns diálogos, mas não impede a compreensão do enredo.
Para mim, que revi este filme neste domingo, foi mais interessante tê-lo visto depois de ter lido o livro de memórias de Eliane Lage, pois ela dedica um dos capítulos para contar os bastidores da gravação do filme. Cito, como exemplo, a informação de que ela estava grávida de três meses quando rodou o filme, sentindo enjoos frequentes, mas a produção, sem saber o real motivo, creditava tal mal estar ao cheiro do óleo que queimava da locomotiva.
Filme necessário em qualquer coleção de películas nacionais.

sábado, 15 de maio de 2010

ILHAR

Dez pessoas. Este foi o público presente na sessão da peça Ilhar, texto e direção de Paulo Russo, que assisti na noite de sexta-feira. Em cartaz no Espaço Cena (SCLN 205, Bloco C, loja 25 - Asa Norte), conta no elenco com Verônica Moreno (Tonha) e Wanderson Barros (Chico). Cenário de Adriano e Fernando Guimarães. O ingresso custou R$ 20,00 a inteira. O folheto da peça informa que o texto é resultado de pesquisa do diretor, cuja origem é o Nordeste brasileiro. Tonha é uma senhora que vive sozinha no sertão, levando uma vida simples. Enquanto soca o milho, conversa com as imagens de Jesus e de alguns santos para os quais reza todas as noites antes de se deitar. Nesta conversa, ela relembra seu passado; o menino cor de barro, seu amor impossível; a rigidez com que seus pais a criaram e espera pela chegada da chuva que nunca vem. Enquanto está nestas divagações, um menino aparece em sua casa pedindo um gole de água. Este menino representa tudo o que ela não teve: um filho para criar, uma pessoa para conversar, para ensinar as coisas. Os dois lembram a simplicidade e a sabedoria dos personagens criados por Ariano Suassuana, especialmente em O Auto da Compadecida. A performance de Verônica Moreno é um dos pontos fortes da peça. Ela faz uma Tonha amarga, moldada pela dureza do sertão, um barro difícil de se quebrar, mas que se rende à pureza do menino Chico. Outro destaque para mim é o cenário criado pelos irmãos Guimarães, com gaiolas fazendo as vezes de nichos e armários. Cenário e figurino, este de Cyntia Carla, conversam entre si, todos em tons que lembram a aspereza do sertão sem água. Belo espetáculo. Pena que poucos estavam na sessão. Merece ser mais conhecido.