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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

LUIZA DIONIZIO - SAMBA DE BAMBA

Na terça-feira, dia 14 de outubro, fui ver mais um show do projeto Samba de Bamba, que acontece na Caixa Cultural. Naquela noite, o show era de Luiza Dionizio, sambista carioca que eu já tinha visto uma vez quando estive na casa de samba Carioca da Gema, localizada na Lapa, Rio de Janeiro.
O ingresso custou R$ 10,00, meia entrada por ser assinante do Correio Braziliense. O Teatro da Caixa Cultural não ficou lotado, com as duas laterais bem vazias. Uma pena, porque a apresentação da sambista foi ótima. A voz de Luiza é fantástica, com um tom grave, afinadíssima.
Houve um pequeno atraso para começar o show. No palco, quatro músicos acompanharam a cantora, que desfilou um repertório de sambas compostos por compositores conhecidos, como Luiz Carlos da Vila, Elton Medeiros e Paulo César Pinheiro.
A base do show é o repertório do CD Devoção, que Luiza Dionizio lançou em 2009, mas ela canta outros excelentes sambas, incluindo uma ótima performance para Kid Cavaquinho, de João Bosco e Aldir Blanc.
No meio do show, ela saiu de cena, deixando os músicos que a acompanham tocar um set de chorinhos sensacional, ao ponto do público pedir bis e bater palmas de pé quando eles terminaram o curto "show". Mas o show real era de Luiza e ela voltou para arrebatar de vez a plateia.
Ao final, o público cantava e sambava, enquanto ela fazia a volta no teatro, agradecendo a presença de todos com seu sorriso largo.

domingo, 14 de setembro de 2014

ÉDIPO

Nunca imaginei a peça Édipo Rei, escrita por Sófocles, ser encenada como uma comédia. Vi algumas montagens, boas e ruins, mas sempre na linha do drama grego. Eis que entra em cartaz no Teatro da Caixa Cultural de Brasília a montagem Édipo da Companhia do Chapitô, trupe portuguesa com quase duas décadas de existência. Releitura no estilo comédia, na qual Édipo, embora rei, é um rejeitado, um coitadinho. Fui conferir o espetáculo na noite de domingo, sessão das 19 horas. O teatro não ficou cheio, mas recebeu um bom público. Pelo ingresso, paguei R$ 10,00 (meia entrada - doador de um brinquedo).
Quando as luzes se apagaram e a cortina se abriu, apresentou-se um palco completamente nu, sem cenário e com iluminação fixa. Apenas três atores em cena: Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas. Não há figurinos de época, nem mesmo figurinos atualizados. Os atores usam a mesma roupa do dia a dia que todos nós usamos.
História clássica do teatro, sem cenário, sem figurino? Foi a pergunta que me fiz bem no início da peça. Com três minutos de encenação, meus temores se foram. Os atores se bastam e garantem o excelente espetáculo. O trabalho de corpo dos três é sensacional, até mesmo nas expressões mais toscas, próprias de comédias no estilo pastelão. Eles se revezam para interpretar todas as personagens da história escrita por Sófocles. E brincam com esta situação ao longo da encenação.
A história é a que conhecemos: em uma consulta ao oráculo, Jocasta e Laio descobrem que o filho deles, Édipo, matará o pai e se casará com a mãe. Eles abandonam o filho em uma montanha para que ele morra por lá, mas Édipo sobrevive, cresce em outra cidade, e, ao voltar para a sua terra natal, mata Laio no meio do caminho, desvenda o indecifrável enigma da Esfinge e se casa com a rainha Jocasta. Sem saber nada do real grau de parentesco que tinha com estas pessoas. A profecia foi cumprida.
O que é diferente é a forma como a Companhia do Chapitô encena esta tragédia grega. Da maneira mais cômica possível, mas sem perder a face dramática da história. Algumas adaptações que eles fizeram ao texto deixam a história com uma cara de atualidade. O enigma da Esfinge tem relação com a teoria da relatividade de Albert Einstein. O caminho para Tebas é indicado como se Édipo estivesse em Brasília. Os atores utilizam expressões bem brasileiras, como "arre égua" e "vixe Maria", aproximando o texto do público.
Ri muito enquanto assistia esta versão portuguesa dirigida por John Mowat e José Carlos Garcia, especialmente com as dúvidas que surgem quando Édipo descobre que Jocasta, sua mulher, é sua mãe. As perguntas que Jocasta, Édipo e Creonte fazem são de rolar de rir. Seriam os filhos de Édipo e Jocasta também netos de Jocasta e irmãos de Édipo? E outras tantas são feitas, deixando a plateia rindo sem parar. 
Destaco quatro cenas nas quais o trabalho de corpo da trupe valeu a minha presença no teatro na noite de domingo, a saber o nascimento de Édipo; a consulta que ele faz ao oráculo; o confronto do mesmo Édipo com a Esfinge; e a tortura que a pastora sofre para confessar o que tinha feito com o filho de Jocasta e Laio. O contorcionismo de Marta Cerqueira como a pastora sendo torturada é tão impressionante, como se fosse uma artista do Circo Imperial da China ou do Cirque du Soleil, que o público não resistiu e aplaudiu em cena aberta.
Ao final, longos minutos de ovação, com muitas palmas e gritos de bravo ecoando da plateia.
A Companhia do Chapitô fez uma ótima releitura da tragédia Édipo Rei. Gostei muito do que vi.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

FABIANA COZZA - SAMBA DE BAMBA

Desde março acontece na Caixa Cultural de Brasília, uma vez por mês, um show do projeto Samba de Bamba. A ideia é levar ao palco do Teatro da Caixa um sambista da nova geração para apresentar seu trabalho ao público da cidade. Por vários motivos não consegui ir em nenhum dos shows realizados de março a agosto. Para setembro, comprei ingresso para ver a paulistana Fabiana Cozza, intérprete de sambas que já tinha visto anteriormente em show no CCBB.
Terça-feira, 09 de setembro, 20 horas. Com ingressos esgotados, formou-se uma fila em frente à bilheteria. Era a turma que aguardava as desistências daqueles que receberam convites e que não foram trocar pelo ingresso. O teatro estava bem cheio, mas como ficaram algumas cadeiras vazias, conclui que todos da fila conseguiram entrar. O show começou com apenas dez minutos de atraso. A cantora entoou os primeiros versos ainda com as cortinas fechadas. No palco, cinco músicos acompanhavam Cozza em show baseado em seu mais recente trabalho, Canto Sagrado, todo ele dedicado à cantora Clara Nunes.
E foi justamente esta homenagem à sambista mineira que me fez ficar com um pé atrás em relação ao que ia ver na Caixa Cultural, pois depois que ouvi e vi Mariene de Castro prestar tributo à Clara Nunes em seu show Ser de Luz, fiquei tão tocado com sua interpretação que achava difícil alguém superá-la. Fabiana Cozza não superou, mas chegou bem perto disto. O show é completamente diferente, embora algumas canções sejam as mesmas. Cozza iniciou contida, cantando à capela, centrada no palco, em uma espécie de reverência à homenageada, mas ao longo do show, sua performance em cena, fato comum na sambista, foi ganhando corpo, dando novas roupagens às músicas eternizadas por Clara Nunes.
O show me fisgou a partir da canção O Mar Serenou (Candeia). Vieram outras ótimas performances e belas interpretações de Fabiana Cozza para Meu Sapato Já Furou, Lama, Feira de Mangaio, Candongueiro, Conto de Areia, entre outras. O público correspondia acompanhando o ritmo com palmas e sambando com a "cabeça". Ouviu-se um grito aqui e ali de "poderosa!", "luxuosíssima! ou "maravilhosa".
Ao final, ela agradeceu a presença do público, fez algumas brincadeiras com a seca de Brasília (durante o show ela pára várias vezes para beber água) e disse que estaria no hall do teatro para fotos, autógrafos (CD e DVD vendidos na saída do show) e bate papo com quem quisesse esperá-la.
Ainda sob o impacto do samba, eu, Karina e Allan resolvemos ir para o Outro Calaf, onde toda terça-feira o grupo Adora Roda faz uma apresentação ao vivo cantando sambas do vasto repertório nacional.
Terça-feira foi dia de sambar.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O AMOR DE CLOTILDE POR UM CERTO LEANDRO DANTAS

Domingo, dia 02 de fevereiro de 2014, Teatro da Caixa Cultural, sessão das 19 horas. Eu fui com Vinícius para ver a peça O Amor de Clotilde por um Certo Leandro Dantas. Ingressos a R$ 5,00, meia entrada para quem doasse um livro, o que foi o meu caso. O teatro recebeu um bom público, mas não ficou lotado. Em cena, a companhia recifense Ensaia Aqui e Acolá. A trupe levou para os palcos uma versão leve e gostosa de se ver de A Emparedada da Rua Nova, obra de Carneiro Vilela. Há uma lenda em Recife que diz que uma mulher foi emparedada viva na parede de sua casa por seu pai, quando este soube que ela estava grávida de seu grande amor. O grupo adaptou esta história, dando um final feliz para o casal enamorado, utilizando elementos de circo, de música e de dança para narrar este caso de amor. Os números musicais são hilários, pois os atores fazem dublagens de músicas do universo pop, nacionais e internacionais, no estilo do programa Qual É A Música, apresentado por Sílvio Santos no SBT, na época que o bordão "Pablo, qual é a música?" era o grande mote do programa. A maneira marcada que os integrantes do grupo utilizam para as suas performances é interessnte, pois deixa a história no universo do imaginário, da lenda popular. Tais interpretações são muito boas. Gostei muito.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TOUR DALE - FINLÂNDIA


Sem compromissos para a última quarta-feira de janeiro, vi no jornal que estava em cartaz no Teatro da Caixa Cultural o show do duo Finlândia. Resolvi passar na bilheteria do teatro antes de seguir para o trabalho, conseguindo comprar um ingresso para a quarta fileira para a noite daquele mesmo dia. Comprei uma meia entrada, por R$ 5,00, com a indicação de que deveria doar um livro. Ao chegar no teatro, vi que esqueci do tal livrro, tendo que passar na bilheteria e complementar o valor para a inteira. Ingresso carimbado, entei no teatro. Palco simples, sem nenhum adereço, apenas os instrumentos musicais dos dois músicos. Um é argentino, Maurício Candussi, e o outro é brasileiro, Raphael Evangelista. Eles estavam lançando o quarto disco naquela turnê. O tour chama-se Tour Dale. O repertório é quase todo instrumental. Enquanto o argentino fica com os teclados, o acordeão e a base eletrônica, o brasileiro toca o violoncelo devidamente plugado. O show me surpreendeu. Ritmos da América Latina dominaram o repertório, com influências de ritmos de todas as partes do mundo, dando vontade de sair da poltrona para dançar. Ouvimos rumba, salsa, zouk, cumbia, murga, frevo, baião, forró, samba, além de algumas misturas inusitadas como o forró com o tango. O show é algo astral, cabendo ao brasileiro o contato com o público. No meio do espetáculo, uma surpresa para nós, quando foi chamado ao palco André González, vocalista da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju para uma participação especial, cantando uma bela canção. Foi um belo show. Gostei muito.

domingo, 26 de janeiro de 2014

FELINDA


E a primeira peça que vi em 2014 foi uma surpresa para mim. Resolvi ir ao teatro no final de semana. Abri o caderno Divirta-se do Correio Brazilense para procurar o que estava em cartaz. Descartei os espetáculos voltados ao público infantil. No Teatro da Caixa Cultural estava Felinda. O nome me chamou a atenção, bem como a pequena sinopse. Sem saber se ainda encontraria ingresso, pois já era sábado à tarde, passei na bilheteria para conferir. Ainda tinham pouquíssimos ingressos para a noite de sábado e para a noite de domingo. Comprei, por R$ 5,00, valor de meia entrada na condição de doador de um livro, qualquer que fosse ele, no dia da peça. Entrada para domingo, 26 de janeiro de 2014, às 19 horas. Cheguei faltando dez minutos para a previsão de início. Hall do teatro lotado. Primeira surpresa: dezenas de crianças. Pensei comigo: "tinha descartado peça infantil e acabei por comprar entrada para uma delas". Teatro completamente lotado. Público heterogêneo, com pessoas idosas, casais novos com crianças que mal andavam, adolescentes, jovens namorados, de todas as matizes, pessoas sozinhas, como eu. O espetáculo começou na hora, sendo a segunda surpresa da noite, pois isto é raro em Brasília. Em cena, a Companhia Carroça de Mamulengos, uma trupe de teatro-circo-brincantes que nasceu em Brasília em 1977 e hoje segue levando alegria e diversão por todo o país. A companhia é formada por uma família numerosa, além de alguns convidados. Felinda era o espetáculo a ser apresentado, co-dirigido pela italiana Alessandra Vannucci e pela própria trupe. A história é simples, mas cheia de beleza. Felinda, nem feia, nem linda, é uma menina que queria seguir com o circo, mas sem talento, é abandonada pelos artistas circenses. Ela perde a memória, esquecendo seu nome, de onde era e com quem vivia. Já idosa, busca, em sua memória muito particular, o mundo do circo, o que é a deixa para os números apresentados pela companhia. Assim, passam diante dos nossos olhos palhaços, mas com uma leveza sensacional, fugindo um pouco do tradicional, mesmo quando usam elementos manjados, como o chorar copiosamente jogando água na plateia. Elementos do imaginário popular, como a lenda da mula sem cabeça, e festas tradicionais do nosso país, como o bumba meu boi, também são apropriados na peculiar história de Felinda. A interação com a plateia é outro ponto alto, pois eles não forçam ninguém a participar. Adultos e crianças foram chamados ao palco e não faltaram voluntários. Ri muito dos dois palhaços, irmãos gêmeos, em número com uma perna de pau. Também me emocionei com Felinda, carregada de dor em sua postura física (lembrem-se de que é uma senhora idosa), cujos olhos estão sempre bem abertos (a atriz usa uma máscara) à espera de seu maior desejo, o de seguir o circo, ser realizado. Enquanto isto não acontece, sua vida é entremeada com o imaginário (as histórias de sua cabeça que são os números circenses) e o real, quando tenta, sem sucesso, aprender algum número para mostrar à trupe circense, quando a encontrasse. História lúdica, que agradou a todos que estavam no teatro, adultos e crianças. Foi a maior surpresa para mim. Gostei muito. Felinda mostrou que a fé é linda.

sábado, 31 de agosto de 2013

DUAS MULHERES EM PRETO E BRANCO

O Cena Contemporânea termina no domingo, 01º de setembro, mas meu último espetáculo foi na noite de sábado, 31 de agosto. Teatro da Caixa Cultural, sessão das 20:30 horas, com as amigas Fabiola, Karina e Hélida G. O local tinha muitas cadeiras vazias, especialmente nas fileiras mais à frente, sinal de que os convidados não retiraram seus ingressos, cujo valor foi o de sempre, ou seja, R$ 10,00 cada um. No palco, as atrizes Paula de Renor e Sandra Possani encenaram o texto de Ronaldo Correia de Brito, Duas Mulheres em Preto e Branco. Direção de Moacir Chaves. A peça gira em torno de duas amigas inseparáveis desde a época da faculdade, que se veem em uma situação de disputa pelo mesmo homem, o marido de uma delas. Música, cenário e forma narrativa remetem aos filmes policiais, de suspense, mas a interpretação deixa a desejar. O texto parece sair forjado da boca das atrizes, sem passar verdade. Há muitas citações, especialmente de escritores, poetas, filmes e livros que os militantes de esquerda nas décadas de sessenta e setenta adoravam. Colocar estas referências na história das duas mulheres, Sandra e Letícia, me soou datado demais, sem muito atrativo para os mais jovens. O mote não é resgatar um período da história que marcou algumas gerações de brasileiros, motivo pelo qual a citação constante destes ícones e ídolos da contra cultura podem gerar um certo desconforto na plateia, o que foi fato pelos comentários que ouvi na saída do teatro. Filmes de Fellini e a música de Nino Rota, seu principal criador de trilhas sonoras, são constantemente citados. Voltando para a história das duas amigas, a forma de narrá-la, alternando diálogos diretos e narrativas de fatos acontecidos, também não me agradou muito. O que gostei foi da movimentação constante das atrizes no palco, do belo cenário que nos indica que a vida delas estava desestruturada, e da dança entre as duas, um forte indicativo de como será o final. Minhas amigas Hélida G. e Fabiola ficaram sonolentas durante os setenta minutos da peça, aproveitando para dormir. Ninguém de nós gostou do que viu.

artes cênicas 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

MURGA MADRE

Fui para o Teatro da Caixa Cultural com as amigas e colegas de trabalho Kitty, Karina, Diana e Hélida G. para ver mais um espetáculo da programação da edição 2013 do Cena Contemporânea. Desta vez era uma peça uruguaia, com dez anos de sucesso ininterrupto por aquelas paragens. Sessão das 20:30 horas, ingressos, como os demais, comprados ao preço unitário de R$ 10,00, em data anterior ao início do festival. O teatro recebeu um bom público, mas não lotou. Em cena, dois atores, Pablo Routin e Edú Lombardo, interpretam dois bufões, ou algo similar, saídos de uma autêntica Comedia Dell'Arte, ou do Carnaval de Veneza, mas sem as máscaras, que são substituídas por pesada maquiagem branca. Fui sem saber o que era murga, uma figura típica do carnaval uruguaio, que também nada conheço. Logo no início, percebi que não gostaria, pois elementos de clown estão presentes e, confesso, tenho preguiça deste tipo de personagem. O texto é todo falado em espanhol, com legendas em português que passavam em local acima do palco. É um musical que se inspira nos tipos do carnaval uruguaio e muitos destes tipos acabam por não ter uma tradução em português. Assim, além de murga, cuplé foi outra palavra muito falada e que fiquei sem saber o que era. Depois, já em casa, consultei o santo Google e descobri que ambos são estilos musicais. Os números musicais são muito mais interessantes do que a parte falada do texto. Com poucos objetos em cena, apenas duas cadeiras e duas mesas, nada atraía minha atenção para o palco. Com quinze minutos de espetáculo, já tinha gente se levantando e saindo do teatro, enquanto eu já tinha consultado o relógio por duas vezes. Ainda repetiria este gesto por mais umas dez vezes antes de encerrar a peça, que tem duração de pouco menos que uma hora. Outras pessoas não aguentaram e também se retiraram do local. Fomos ficando, mas Kitty e Hélida G. não deixaram por menos e acabaram por tirar uma boa soneca. Uma criança ria muitos de uma cena que resvalava na comédia pastelão, com os atores dando tapas na cara um do outro e agradecendo. A criança ria e o público ria da sua risada gostosa. Quando os atores saíram de cena e uma projeção no fundo do palco os mostra sentados na lua, o público começou a bater palma. Aproveitamos para levantar e sair, mesmo com as luzes ainda apagadas, pois ainda rolava um filminho na tela. Achei muito ruim, mas não posso considerar esta peça como a pior do festival porque eu desconheço as figuras e ritmos do carnaval uruguaio. Acredito que se conhecesse um pouco, entenderia o texto e poderia gostar da peça. Desolé.

artes cênicas

sexta-feira, 22 de março de 2013

MARIANA AYDAR - CAVALEIRO SELVAGEM AQUI TE SIGO

Minha amiga Vera me convidou para ver o novo show de Mariana Aydar no Teatro da Caixa Cultural. Foi na noite de quarta-feira, dia 20 de março, às 20 horas. O show tem o mesmo nome do último trabalho gravado da cantora, Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo. O primeiro sinal tocou ainda com as portas do teatro fechadas. A entrada foi rápida. O teatro ficou cheio, mas nem todas as cadeiras estavam ocupadas, mesmo com a informação da bilheteria que os ingressos estavam esgotados. São as famosas cortesias que os agraciados costumam não usar. Às 20:15 horas as luzes se apagaram, quando anunciaram o show de abertura com uma nova cantora brasiliense. Adriah é o nome dela, que entrou no palco com uma guitarra acompanhada de três músicos. Sua música é rock e seu modo de cantar parece muito com o de Ana Carolina. Ela grita muito durante a interpretação. Ao final da primeira música, a receptividade da plateia não foi das melhores, com palmas protocolares, e assim foi até o final do seu show. Com músicas autorais, sem ser conhecida do público presente, e com muita gritaria, pareceu-me que o show de abertura não agradou. Escalação infeliz da produção, pois o estilo de música e respectivo repertório de Adriah em nada se assemelha ou dialoga com o de Mariana Aydar. E o pessoal estava ali para ver Aydar cantar. Eu gosto de shows de abertura, uma ótima oportunidade para mostrar ao público presente os artistas novos na cena musical da cidade, mas a escolha tem que levar em consideração o perfil da plateia que comprou ingresso. Deve haver um diálogo, mesmo que tênue, entre a atração da abertura com a principal artista da noite. O show de Adriah durou cerca de meia hora. Em seguida, fizeram últimos arranjos no palco. Aydar foi anunciada às 20:50 horas. Ela entrou ostentando um barrigão, onde traz a filha Brisa, suingando muito, em perfeita harmonia com os cinco músicos da banda que a acompanha. O rock de Adriah cedeu espaço para o pop, o samba e o forró de Mariana Aydar. A maioria das canções do setlist fazem parte de seu terceiro disco, o que dá nome ao show. Foi gostoso ouví-la cantar suas composições e embalar o público com versões muito próprias para sucessos como Vai Vadiar, de Zeca Pagodinho, Galope Rasante, de Zé Ramalho, e Nine Out of Ten, de Caetano Veloso; ou com uma tocante homenagem a Dominguinhos quando interpretou Preciso do Teu Sorriso, que no seu terceiro disco tem ele em participação especial. Uma das músicas que mais gosto na voz de Mariana Aydar também fez parte do show: Zé do Caroço, canção também gravada por sua autora, Leci Brandão, e por Seu Jorge. Ao final de uma rasgante interpretação, uma saudação a Leci Brandão. Já no bis, depois de encerrar com Cavaleiro Selvagem, a cantora prestou uma justa homenagem a Emílio Santiago, interpretando o samba Verdade Chinesa (Gilson & Carlos Colla), um de seus sucessos, para, em seguida encerrar cantando um samba, chamando ao palco, Duani Matins, presente na plateia, e um de seus principais parceiros e incentivadores. Ao final de 70 minutos terminava um belo show, sem grandes pirotecnias, apenas com a voz macia de Mariana Aydar e sua competente banda.

música
show

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 2



A minha quarta-feira foi tumultuada com muitos problemas a resolver, além do dia ter sido muito quente e seco. Cheguei ao final do dia sem vontade de fazer nada, mas tinha ingressos para duas peças de teatro que integram o festival internacional Cena Contemporânea. Respirei fundo, enfrentei um trânsito na hora do rush para chegar ao Teatro SESC Garagem, local da primeira peça. Dificuldade para estacionar, já que há faculdades nas proximidades. Entrei na fila às 19 horas, mesmo horário em que as portas foram abertas. O teatro não lotou, mas recebeu um público grande. Diria que faltou pouco para lotar. O ingresso custou R$ 8,00 a meia entrada (cupom Sempre Você). O espetáculo é do grupo espanhol Kabia - Espacio de Investigación Dramática de Gaitzerdi Teatro. Paisagem com Argonautas (Paisaje con Argonautas) é o nome da peça que tem direção de Borja Ruiz. No palco uma atriz (Juana Lor) e um músico (Iñio Olazábal) encenam um texto do alemão Heiner Muller, cuja tradução em português foi entregue na entrada, pois a atriz interpretava em espanhol. A própria sinopse do texto diz que o texto é desconexo, fato ratificado pela atriz em cena, quando ela para a interpretação para explicar, em português, o que significava. Além do texto, uma reprodução de um quadro de Paul Klee no qual um anjo é lavado pelo vento em uma paisagem com fundo vermelho e uma sombra de uma árvore seca, devastadora. Enquanto a atriz está em cena, o músico executa a música ao vivo, tocando alguns instrumentos bem diferentes ou inusitados. A atriz tem uma performance arrebatadora, especialmente quando simula uma bailarina de uma caixa de música, ou provocadora, quando levanta a saia preta e mostra que está portando um pênis falso. Mas o texto é chato, pra baixo, pessimista. O texto retrata o caos, a miséria, a impossibilidade de se voltar atrás, atrocidades,  dores, morte. A peça durou apenas quarenta minutos e a plateia ficou dividida. Alguns aplaudiram de pé, enquanto outros batiam palmas protocolares. Fiquei no segundo grupo. Saí do teatro para outro teatro. Desta vez o teatro da Caixa Cultural, onde vi a segunda peça da noite, Não Precisa Chorar (No Vayas a Llorar), do Teatro Viento de Agua, de Cuba. A dramaturgia é de Boris Villar, enquanto Maribel Barrios faz a encenação. O texto se baseia em fatos reais ocorridas em Havana no ano de 1994, quando milhares de cubanos se jogaram ao mar em embarcações toscas com o objetivo de saírem da ilha para alcançar a sonhada liberdade na Flórida. Mais um texto pessimista, cheio de rancor, de morte, de saudades. Maribel é ao mesmo tempo a mulher abandonada por um ente querido e os cubanos que se aventuraram em uma balsa de madeira e pneus, além de fazer a voz cavernosa que nos remete à própria morte. O teatro não estava cheio, cujo ingresso também paguei R$ 8,00 (meia entrada). Ao final de ciquenta minutos, comentários diversos eram ouvidos na saída do teatro, inclusive em relação à reação da plateia que também se dividiu ao aplaudir a atriz, muitos permanecendo sentados. Fica a sensação de que algo faltou, que a utilização dos recursos de projeção eram excessivos, que a repetição de nomes de pessoas que morreram soa sem sentido para encenação fora de Cuba, de que o texto ficou datado. Noite ruim.

domingo, 25 de julho de 2010

VOLTO A TER AGENDA CULTURAL CHEIA

Depois de algum tempo com rotina de trabalho-casa-trabalho, assistindo muita televisão (Passione) e filmes em dvd, aproveitei o sábado para conferir a agenda cultural de Brasília para os próximos dias. Consultei jornal, revista, folhetos recebidos pelo correio e internet, decidindo o que ver. Antes de escolher o restaurante para o almoço de sábado, passei, sempre na companhia de Ric, na bilheteria do Teatro Nacional para comprar entradas para as peças teatrais "Ensina-Me A Viver" e "Gorda". Em ambas, terei a companhia de Ric. Paguei meia entrada por ter o cupom Sempre Você do Correio Braziliense (assinantes). Depois de compradas estas entradas, fomos para o ParkShopping, pois precisava comprar presentes de aniversário para quatro pessoas, sendo que duas delas devo o presente, uma vez que fizeram anos alguns dias atrás. Almoçamos na Forneria Baco, no próprio shopping, aproveitando o festival de camarão, em cartaz aos sábados no local, pagando R$ 45,00 pelo buffet. Há uma grande variedade de pratos frios e quentes, além de pratos com camarão servidos à mesa. Aproveitei que estava por lá para verificar novos filmes em dvd na Fnac. Havia uma promoção de filmes já no mercado há algum tempo. Demorei um pouco para ver e escolher quais filmes levar para casa. Comprei 6 filmes por R$ 80,00. No caixa, registraram o preço unitário, cobrando R$ 120,00. Reclamei. Chamaram a gerente, pois sabiam do desconto, mas o sistema não permitia que ele fosse concedido. Calculadoras nas mãos, valor total da compra, dedução do desconto verdadeiro e paguei a conta certa pelos seis filmes. Ainda no shopping, comprei um aromatizador de ambientes, destes com palitos de madeira como difusor, na Tânia Bulhões Perfumes. Do ParkShopping uma pequena viagem até o CCBB, onde comprei entradas para a peça "Tempo de Comédia". O calor estava forte. Pausa para água, café, sobremesa e sorvete no Bistrô Bom Demais. Continuando o périplo de compras para eventos culturais, fomos para o Teatro Oi Brasília. Lá, comprei entradas, só para mim, para dois dias do festival I Love Jazz. No primeiro show, Elza Soares e Nivaldo Ornelas são uma das atrações da noite. Para estes shows, paguei meia entrada, também utilizando o cupom Sempre Você. Cansados, voltamos para casa, onde atualizei minha agenda com estes eventos, além de assinalar outros espetáculos cujas entradas ainda não estão à venda, como a mistura de balé, teatro, música e circo Antigravity, e a peça "Confissões de Mulheres de 30". Isto tudo sem falar na programação do Cena Contemporânea, que se inicia na última semana de agosto. Esta intensa programação começa nesta próxima terça-feira, 27 de julho, quando haverá mais uma sessão do Teste de Audiência do cinema brasileiro no Teatro da Caixa Cultural. Para completar o sábado intenso, fomos jantar para comemorar o aniversário de Cris no restaurante Dom Francisco da Asa Sul. Serviço eficiente, bons vinhos tintos, ótima companhia, delicioso galeto na brasa. Feliz aniversário Cristovão, já que hoje, 25 de julho, é o dia correto de seu nascimento.

domingo, 26 de julho de 2009

CACHORRO!


Noite de sábado, mais uma peça em nossa programação cultural. Desta vez a peça é Cachorro! da Cia. Teatro Independente, trupe do Rio de Janeiro. A peça foi indicada para o prêmio de melhor direção no Prêmio Shell de 2007. A montagem está em cartaz no Teatro da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul, Quadra 4, lotes 3/4), em horário diferenciado, às 20 horas, com ingressos custando R$10,00 a inteira. Mesmo com o preço atraente, o teatro não estava lotado, mas tinha um bom público. Tem direção de Vinícius Arneiro, que também atua ao lado de Carolina Pismel e Paulo Verlings. O texto de Jô Bilac, fortemente inspirado na obra de Nelson Rodrigues, trata de um triângulo amoroso, onde o vértice forte é Solange. Há paineis servindo de cenário que são movidos pelos próprios atores quando os locais das cenas se modificam e uma iluminação marcada no claro/escuro, especialmente com sombras em cenas importantes para o enredo. O enredo não traz novidades, mas prende a atenção do público. Todos sabem que acontecerá uma tragédia, já anunciada nos minutos iniciais, quando uma cartomante (apenas voz) prevê o futuro de Solange. Os homens, Almeidinha (o amante) e Apoprígio (o marido), embora com personalidades diferentes, comem na mão de Solange. Muitas cenas são marcadas por passos de tango e em algumas delas não há nem mesmo música ao fundo. Embora dramática, o público ri das situações apresentadas pela interpretação cheia de gestos, caras e bocas dos atores. Gostei muito do que vi. Li no Correio Braziliense que o grupo está montando um novo espetáculo, com texto do mesmo autor desta peça que vimos hoje, se chamará Rebu e estreará em outubro no Rio de Janeiro. Espero poder ver este novo trabalho.

Como a peça acabou cedo, ainda 21:15 horas, fomos jantar, eu, Ric, Ro e Emi. Escolhemos um novo restaurante da cidade que ainda não conhecíamos: Kojima (SCLN 406, Bloco C, loja 13, Asa Sul). Como o nome indica, restaurante de culinária japonesa, mas com toques contemporâneos. Portanto, para os que não comem peixe cru, como Ric e Emi, há opções de pratos quentes que fogem ao trivial dos apresentados pelos restaurantes japoneses. Eu e Ro pedimos a piece de resistence da casa, uma entrada com salmão no maçarico recheado de cogumelos. Delicioso. Também pedimos um combinado de sushi e sashimi para dois, cuja apresentação no prato é muito bonita. Ainda pedimos um outro prato com sushi de salmão e shimeji flambado em nossa mesa no Contreau. Ótimo pedido. Ric gostou de sua coroa de camarões empanados com arroz com especiarias e Emi elogiou muito o magré de canard com molho de laranjinha kinkan e purê de inhame com crocantes de batata doce. Para acompanhar todos estes pratos, pedimos dois vinhos tintos, sob protesto de Emi, já que o único prato que realmente harmonizava com o vinho tinto era o dele. Bebemos um Cartuxa 2005, de Portugal e um Guardian Peak 2006, da África do Sul. Para sobremesa, somente eu e Ro pedimos. Ele um charuto de café e eu um harumaki duo (rolinho de primavera recheado metade com goiabada, metade com cream cheese). Ambos bem saborosos. Para nos esperar, Ric pediu caipiroska de morango e outra de lima da pérsia e Emi pediu meia garrafa do EA, vinho tinto português. O restaurante é bonito, com decoração em vermelho, lembrando o sol nascente da bandeira japonesa e frequentado por gente bonita. Estava cheio. O atendimento é informal, mas eficiente. Talvez precise de um pouco mais de divisão de tarefas, pois vários dos garçons passaram por nossa mesa. Como ficamos bem próximos do balcão onde se preparam os pratos com peixe cru e também se usa o maçarico no salmão, sentimos, logo que sentamos, um cheiro forte de combustível (creio ser do maçarico), mas logo as narinas acostumaram e não mais incomodou o cheiro. Noite agradável. ficamos mais de duas horas e meia no restaurante. Com certeza, voltarei para apreciar outros pratos.