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segunda-feira, 9 de julho de 2012

DE CHIRICO, O SENTIMENTO DA ARQUITETURA

Depois de contemplar as obras de Caravaggio e seus seguidores na Casa Fiat de Cultura, fui para a segunda galeria do espaço cultural onde está a exposição De Chirico, O Sentimento da Arquitetura, com curadoria de Maddalena d'Alfonso. Tal mostra já havia sido exposta no MASP e está em cartaz em Nova Lima (MG) desde o dia 29 de maio, onde fica aberta para visitação pública, com entrada gratuita, até 29 de julho de 2012. Como as pinturas de Caravaggio atraem um público grande, para ver as obras de De Chirico é necessário enfrentar uma fila de, no mínimo, uma hora nos finais de semana para pegar os ingressos. Ainda no hall do espaço cultural, uma grande escultura do artista greco-italiano recebe os visitantes. É a única obra que se permite fotografar, desde que sem uso do flash. Ao descer as escadas e entrar na galeria, vemos outras esculturas de menor porte, sendo que algumas delas podem ser tocadas por deficientes visuais, uma série de litografias e muitas pinturas. São cerca de 120 obras pertencentes à Fondazione Giorgio e Isa de Chirico, localizada em Roma. As obras estão distribuídas em salas. Na primeira sala à direita de quem entra ficam as litografias, com desenhos muito similares entre si e algumas esculturas protegidas por uma caixa de vidro. Eu estava sob o impacto do barroco de Caravaggio e achei as litografias sem graça. As esculturas me chamaram a atenção, pois as figuras humanas não tinham rosto definido. Assim que passei para a próxima sala, uma série de pinturas mostravam as mesmas figuras humanas sem rosto. Alguns elementos do surrealismo podem ser identificados nestas pinturas, mas li nos textos da exposição que De Chirico não gostava de ser identificado como surrealista. Ele dizia que sua pintura era metafísica, ela questionava o significado da existência do mundo. Não sou filósofo e nem estava afim de ficar procurando o sentido da vida nas pinturas ali expostas. Há um tema recorrente e alguns quadros parecem iguais porque o pintor utiliza alguns elementos recorrentemente, como os manequins sem rosto, a chaminé de uma fábrica, uma praça, estátuas e colunas greco-romanas. A cor é forte, com o amarelo predominando. Embora com seis vezes mais obras do que Caravaggio e Seus Seguidores, percorri toda a exposição de De Chirico em vinte minutos, pois as pinturas são muito parecidas e não me chamaram muito a atenção. Talvez eu tenha que me aprofundar mais na história deste pintor para poder captar melhor o significado de suas obras, mas, por ora, De Chirico não me cativou. Valeu a experiência!

artes plásticas

domingo, 8 de julho de 2012

CONFRARIA VINUS VIVUS - 66ª REUNIÃO

Em 02 de julho de 2012, segunda-feira, a Confraria Vinus Vivus se reuniu plea 66ª vez. O encontro foi na casa de Vera e teve duas ausências: Abílio, que estava gripado, e Rita, que mandou recado dizendo que deixou a confraria. Éramos oito pessoas para apreciar dois vinhos tintos da Argentina e dois vinhos tintos do Chile em degustação às cegas. Ao final da degustação dos quatro vinhos, antes de sabermos qual era qual, cada um deu seu palpite sobre a nacionalidade dos vinhos pela ordem em que foram servidos. Apenas Vera e André acertaram tudo. Eis os vinhos da noite:


Vinho 1: Memento
Safra: 2007.
Álcool: 14,4%.
Casta: o vinho possui dez tipos de uvas em sua composição, entre elas malbec, cabernet sauvignon, merlot, bonarda, cabernet franc, syrah e petit verdot.
Produtor: Ave Premium.
Região: Pedriel, Mendoza, Argentina.
Cor: rubi.
Aromas: madeira, couro, cassis, feno, curral, quente, depois de descansar na taça, evoluiu para um aroma bem doce, como uma compota de frutas.
Boca: álcool muito marcante, mas não tira a elegância do vinho, amargo/doce, raiz, saliva bastante devido a sua acidez. Deixa um amargor longo ao final.
Estágio: 20 meses de barricas de carvalho mais 12 meses em garrafa.
Importador: Beringer - R$ 335,00.


Vinho 2: Domus Aurea

Safra: 2007.
Álcool: 13,9%.
Casta: 85% cabernet sauvignon, 10% merlot e 5% cabernet franc.
Produtor: Quebrada de Macul.
Região: Valle del Maipo, Chile.
Cor: rubi mais fechado, vivo.
Aromas: pimentão, calda de açúcar queimado, defumado, confitado, pimenta do reino, mertiolate.
Boca: redondo, preenche bem a boca. Taninos presentes, mas macios, seca a boca. Deixa um amargor ao final.
Estágio: 18 meses de barricas novas de carvalho francês.
Importador: Zahill - R$ 253,00.
O preferido da noite por Marcos.

Vinho 3: Magdalena Toso

Safra: 2006.
Álcool: 14%.
Casta: 70% malbec e 30% cabernet sauvignon.
Produtor: Pascual Toso.
Região: Barrancas, Mendoza, Argentina.
Cor: rubi bem fechado.
Aromas: banana, eucalipto, geleia de morango.
Boca: banana, acidez equilibrada, elegante..
Estágio: 18 meses de barricas de carvalho.
Importador: Vinoteca - R$ 490,00.
O preferido da noite por Leo, Fernanda e Cláudia, sendo o campeão da degustação empatado com o quarto vinho degustado.

Vinho 4: Toknar

Safra: 2006.
Álcool: 13,9%.
Casta: 100% petit verdot.
Produtor: Viña von Siebenthal.
Região: Aconcagua, Chile.
Cor: negro.
Aromas: compota de frutas, couro, chocolate, lácteo, ervas secas, tomilho.
Boca: acidez presente, frutas.
Estágio: 24 meses de barricas de carvalho e não filtrado ao ser engarrafado.
Importador: Terra Mater - R$ 390,00.
O preferido da noite por André, Bruno e Ricardo, sendo o campeão da degustação empatado com o terceiro vinho degustado.

Como ainda havia muito vinho nas taças e nos decanters, preferimos harmonizar o jantar com os mesmos vinhos da degustação, o que casou muito bem, pois nossa anfitriã nos brindou com uma paleta de cordeiro assada, acompanhada de arroz de brócolis, farofa e batata rústica assada com alecrim. De sobremesa, salada de frutas com sorvete de amarena. Finalizamos com café Nespresso.



Mais uma agradável noite, com excelentes vinhos sul-americanos. Ainda em julho faremos uma nova reunião, pois passamos em branco no mês de junho. Degustaremos dois vinhos espanhóis da casta tempranillo e dois vinhos portugueses da casta touriga nacional. Será um belo embate.

vinho


sábado, 7 de julho de 2012

SPECIALI - GASTRONOMIA EM BELO HORIZONTE (MG)



Endereço: Rua Fernandes Tourinho, 805, Lourdes, Belo Horizonte, MG.

Especialidade: pizza.

Quando fui: jantar do dia 1º de julho de 2012, domingo. Chegamos por volta de 21:00 horas. Éramos seis pessoas.

Serviço: rápido, com brigada de garçons atenta. Como é uma pizzaria, rapidamente as redondas chegam à mesa.

O que bebi: dividi com mais três pessoas da mesa dois vinhos tintos. Começamos com o espanhol Gazur 2009 (R$ 115,00), da casta tinto fino, produzido na região de Ribera Del Duero, tendo 14% de teor alcoólico. Forte, encorpado, próprio para recheios mais pesados. Já o segundo vinho foi um português chamado Rocim 2007 (R$ 92,00), produzido na região do Alentejo pela vinícola Herdade Rocim, com o mesmo teor de álcool do primeiro. Preferi o espanhol, inclusive no quesito harmonização com os sabores das pizzas que pedimos. Os vinhos foram acompanhados pela água com gás São Lourenço.

O que comi: iniciamos dividindo uma porção de bruschetta rossa (R$ 14,80), bem tradicional, com recheio de tomate, alho, manjericão e azeite. Muito gostosa, com o pão crocante e tomates frescos, bem vermelhos. Em seguida, pedimos duas unidades da pizza de brie com damasco (R$ 17,60, valor unitário), uma das muitas entradas do cardápio. É uma pizza em formato pequeno, com quatro pedaços. Agrada no paladar no primeiro ataque, mas fica enjoativa rapidamente, pois é muito doce. Não harmonizou em nada com o vinho espanhol. Finalizadas as entradas, chegaram as duas pizzas grandes, com 30 cm de diâmetro cada uma (seis fatias), que escolhemos. Embora podendo pedir as pizzas divididas em dois sabores cada uma, preferimos ficar em apenas dois recheios, um em cada pizza. Pizza cinghiale (R$ 49,10), molho de tomate, mussarela, calabresa de javali, parmesão e folhas de manjericão. A calabresa de javali não é tão forte quanto uma calabresa normal, mas tem um sabor marcante que domina os demais ingredientes. Saborosa, harmonizou excelentemente com ambos os vinhos consumidos. Pizza margherita originale (R$ 36,50): molho de tomate, mussarela de búfala, pimenta do reino, manjericão e orégano. Simples, tradicional e deliciosa, harmonizando melhor com o segundo vinho.

Valor total da conta: R$ 417,00.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * * 1/2. A pizzaria tem uma decoração moderna, com amplo espaço entre as mesas. Tem dois ambientes, sendo as mesas da calçada as mais disputadas. Havia um DJ executando seu set list. Sempre figura nas listas das melhores pizzarias de Belo Horizonte.

Gastronomia Belo Horizonte (MG)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

MACHETE


Para mim, a década de setenta foi bem profícua em filmes divertidos, que misturavam muita ação, atores desconhecidos, roteiros exagerados que combinavam tiros, lutas, sangue, mulheres gostosas, mocinhos com cara de poucos amigos. Não havia muita preocupação com a qualidade. O que importava era entreter o público, especialmente o masculino. Quentin Tarantino e Robert Rodriguez são dois cineastas que nunca esconderam a admiração por estes filmes B, alguns deles classificados como "exploitation movies", onde sexo, consumo de drogas, violência, sangue, muito sangue, lutas, mortes são uma constante. Confesso que sou um dos fãs destes filmes. Recentemente, comprei o blu-ray Machete (Machete), produção americana de 2010 dirigida por Robert Rodriguez. Na última quarta-feira à noite coloquei o filme para assistir. É uma grande homenagem aos filmes apelativos dos anos setenta. Tem todos os elementos que lhes são característicos. Rodriguez colocou como ator principal um colaborador sempre presente em seus filmes, o ator americano com cara de mexicano Danny Trejo que vive o personagem título. Machete é um policial federal mexicano incorruptível que combate o tráfico de drogas, mas cai em uma cilada armada por uma gostosona totalmente nua e é quase morto pelo chefão do tráfico, Torrez, interpretado por Steven Seagal (um péssimo ator que ficou famoso pelos filmes de ação). O filme salta três anos no tempo e Machete está buscando emprego em cidade da fronteira no lado americano, quando tem contato com Luz (Michelle Rodriguez), uma das gostosonas do filme, líder de um movimento chamado A Rede, que auxilia os mexicanos que entram ilegalmente nos Estados Unidos. Sartana, a outra gostosona, interpretada por Jessica Alba, é uma agente da polícia de imigração americana, com ascendência mexicana, que observa o movimento em torno do trailer onde Luz vende comida. Machete é contratado por um homem rico para matar o Senador McLaughlin (Robert De Niro). Claro que é outra cilada e a busca por vingança desencadeia uma sequência de mortes em situações que chegam a ser engraçadas, tamanho o exagero. Lindsay Lohan é outra gostosona que interpreta April, a filha do homem rico, aliado do senador e com relações com Torrez. April é viciada em drogas (um espelho da atriz que a interpreta?), sendo a paixão platônica do próprio pai que utiliza o confessionário para confessar seus pensamentos impuros. O padre é irmão de Machete e maneja uma arma tão bem quanto ele. Enfim, são várias ligações que ocorrem durante os poucos mais de 100 minutos do filme, onde sangue jorra para tudo quanto é lado. Sangue espesso e escuro, visivelmente falso, numa clara referência de Rodriguez aos efeitos pouco especiais das películas "exploitation". Ainda sobra espaço para homenagear o amigo Tarantino, com cenas inspiradas no filme Cães de Aluguel (Reservoir Dogs). De quebra, para quem gosta de filosofar em torno do roteiro, há uma discussão subliminar sobre a discriminação contra os imigrantes nos Estados Unidos e o tráfico de drogas bancando políticos. O sorriso de Robert De Niro ao final do filme, mesmo em situação difícil para o personagem, mostra o escárnio de quem é xenofóbico. Filmaço, mas que não agrada a qualquer pessoa.

filme

quinta-feira, 5 de julho de 2012

MELLO MERCEARIA BAR E PIZZARIA - GASTRONOMIA EM BELO HORIZONTE (MG)





Endereço: Rua do Ouro, 331, Serra, Belo Horizonte, MG.

Especialidade: comida de boteco, com alguns clássicos da cozinha brasileira e internacional.

Quando fui: almoço do dia 01º de julho de 2012, domingo. Cheguamos por volta de 12:50 horas. Éramos quatro pessoas.

Serviço: fica em uma loja de pé direito alto, bem arejada, onde funcionou uma mercearia da família Mello (o símbolo do restaurante é um "M" com a inscrição "desde 1963"). Garçons atenciosos, cordiais e prestativos. Os pedidos chegam rapidamente à mesa. O forte da casa no quesito bebidas são as cervejas, com opções de vários países e de cervejarias artesanais brasileiras. para cada tipo de cerveja, há copos diferenciados e uma maneira especial de serví-la. Há serviço de wi-fi mediante senha fornecida pelo garçom. Estacionamento conveniado em frente ao restaurante. A decoração tem objetos antigos, como rádios, gramofones e balanças, além de alguns detalhes que marcam, como o piso de ladrilho hidráulico na entrada e os lustres feitos com baldes de leite.

O que bebi: uma lata de Coca Cola Zero. Ric e Rogério, os dois cervejeiros da mesa, experimentaram dois exemplares de micro-cervejarias nacionais e uma cerveja dinamarquesa, a saber: Falke Bier Diamantina (R$14,90), feita em Ribeirão das Neves, MG; Opa Bier Edição Especial (R$ 17,90), feita em Santa Catarina;  e Faxe 10% (R$ 17,90), feita na Dinamarca. Por fim, Emi bebeu meia garrafa do vinho branco chileno Carmen Chardonnay 2010 (R$ 29,90).

O que comi: assim que cheguei, vi em duas mesas na calçada uma porção de bolinhas fritas que me chamou a atenção. Não tive dúvidas em perguntar do que se tratava. Eram bolinhas de angu recheadas com queijo minas (R$ 14,90), petisco bem mineiro, por sinal. Compartilhamos esta porção de entrada, quando foram servidas 12 unidades destas bolinhas de cor amarela, bem sequinhas. Vieram bem quentes, com o queijo derretendo por dentro. Maravilha de entrada. Alguns pratos tem a opção "individual" e "família". O garçom nos disse que o tamanho família servia até três pessoas, mas preferimos não arriscar. Cada dupla dividiu um prato "família". Eu e Ric pedimos um filé a parmegiana: filé mignon a milanesa com molho ao sugo e mussarela gratinada, acompanhado por purê de batatas e arroz branco (R$ 74,90). Embora não descrito no cardápio, uma travessa de maionese também veio à mesa como parte do nosso prato. Há muito tempo não comia uma maionese em restaurante com gosto de maionese feita em casa. Simples e saborosa. O prato é bem servido, mas não daria para três pessoas. Acho que tem tamanho suficiente para duas pessoas que comem bem. Gostei do filé, sem frescuras, bem comida de boteco, mas com tempero muito bom. Estava bem macio. Achei o arroz branco dispensável e o purê sem grandes novidades. Preferi ficar na carne com maionese.


bolinhas de angu recheadas com queijo minas


filé a parmegiana

Valor total da conta: R$ 288,20, incluindo as três cervejas e meia garrafa do vinho branco.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * *. O local é agradável para longos almoços de sábado/domingo, quando se pode ir sem pressa para experimentar as muitas entradinhas e, para quem gosta, apreciar a variedade de cervejas do cardápio.

Gastronomia Belo Horizonte (MG)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CARAVAGGIO E SEUS SEGUIDORES

No primeiro domingo de julho, em dia ensolarado no inverno na região metropolitana de Belo Horizonte, eu,  Ric, Emi e Rogério, logo após um excelente almoço no restaurante Mello Mercearia, fomos para Nova Lima conferir Caravaggio e Seus Seguidores. Esta exposição está em cartaz na Casa Fiat de Cultura desde o dia 22 de maio, permanecendo aberta para visitação pública até 15 de julho, quando será desmontada e seguirá para o MASP em São Paulo. Em terras mineiras, a entrada é gratuita, mediante a retirada do ingresso na bilheteria do espaço cultural, localizada logo à esquerda de quem entra. A visita aos domingos tem início às 14 horas. Chegamos às 14:39 horas. O local já estava bem concorrido com uma longa fila que subia a rua. Embora o sol estivesse forte, todos esperavam pacientemente. Até que a fila andava, o que dava uma sensação de que logo chegaríamos ao ponto inicial. Decorridos 40 minutos na fila, conseguimos chegar na bilheteria, pegando os ingressos e folders das duas exposições em cartaz na Casa Fiat de Cultura: Caravaggio e Seus Seguidores e De Chirico, O Sentimento da Arquitetura. Nova fila, desta feita para ter acesso ao saguão do local, onde há um café e as entradas para as duas galerias, além do cinema, chapelaria e banheiros. A quantidade de pessoas na galeria onde as pinturas barrocas de Caravaggio estão expostas é limitada, motivo pelo qual entra o mesmo número de pessoas que deixam o ambiente. Assim que entregamos os ingressos, recebemos orientações básicas, como a proibição de fotografar, filmar e entrar com alimentos/bebidas nas galerias, além de ter que deixar mochilas, bolsas grandes e chapéu no guarda-volumes. Era o meu caso, já que usava um chapéu. Respeitadas as regras, fomos para a última fila que se formava em frente à galeria da direita. Cinquenta e cinco minutos depois de nossa chegada, adentramos o espaço expositivo. O ambiente é escuro, com spots iluminando os quadros. Faz frio por causa do ar condicionado. Um alarme é disparado constantemente, pois para proteção das valiosas obras em exposição, um sensor capta qualquer movimento que ultrapasse a linha preta pintada no chão. Um simples movimento de braço pode acionar o alarme. Vigilantes atentos alertam os visitantes sobre o sensor. Caravaggio é meu pintor favorito. Já andei muito só para ver um único quadro dele em Nápoles, além de já ter pedido para ter acesso a locais restritos em uma igreja para também ver uma pintura cuja autoria é atribuída a ele. Assim que tive conhecimento desta exposição, fiz de tudo para conciliar agendas para poder conferí-la. São apenas seis quadros de Caravaggio e quatorze pinturas de alguns de seus seguidores. Ao lado de cada obra, um breve histórico sobre o artista, a pintura, quando foi feita e a que instituição ela pertence. Três ambientes compõem a mostra. No primeiro, assim que se entra, estão as obras de Caravaggio. No segundo, estão expostas as pinturas dos seus seguidores, como Orazio Gentileschi, Giovanni Baglione, Guido Cagnacci, Jusepe de Ribera, Mattia Preti e Orazio Borgianni. No terceiro, o ambiente mais iluminado, estão painéis que fazem uma comparação entre dois quadros muito semelhantes retratando São Francisco, de um total de quatro existentes. Uma pintura tem-se a certeza de ser de Caravaggio, enquanto o outro acredita-se que também seja do mestre da pintura barroca. Comecei pelas pinturas de Caravaggio. A primeira, São Jerônimo que Escreve já impressiona pela luminosidade, traço característico do pintor, e a presença da caveira, um símbolo iconoclasta cristão representando a morte e a mortalidade dos homens, uma constante nas pinturas religiosas barrocas.  Em seguida, o primeiro exemplar de São Francisco: São Francisco em Meditação, com a presença do crânio novamente. O terceiro quadro colocado na mesma parede é um retrato, com iluminação esplendorosa na parte esquerda do rosto de um cardeal. A pintura tem o nome de Retrato do Cardeal (supõe-se que o retratado seja o Cardeal Benedetto Giustiniani). A quarta pintura é a mais concorrida, escolhida para estampar o material gráfico da exposição, a Medusa Murtola, pintada em uma tela de linho aplicada sobre um escudo de madeira de álamo. Um primor. A luz no rosto assustado deste ser mitológico com as cobras no lugar de seu cabelo é fantástica. Quadro para se admirar por um longo tempo. Passei para o quinto quadro, chamado São Januário Degolado ou Santo Agapito. A força da pintura está na morte estampada no rosto do santo, enquanto a posição em que ele se encontra transmite uma serenidade incomum para a situação. Por fim, o segundo exemplar de São Francisco em Meditação. Momento de tentar verificar as diferenças entre as duas pinturas com o mesmo santo. Quase que um jogo dos sete erros. Fiquei em torno de meia hora para apreciar estas seis pinturas, passando para o segundo ambiente, onde fui mais rápido para ver os quatorze quadros, todos com características bem próximas das técnicas utilizadas  por Caravaggio. Todas as pinturas são muito bonitas, mas uma delas me chamou a atenção: Madalena Desmaia, de Guido Cagnacci, pois trata-se de um quadro com cunho religioso, mas retrata Madalena com os seios desnudos (a foto desta pintura está reproduzida abaixo e não foi tirada na exposição, onde não é permitido fotografar, mas sim baixada da internet). Por fim, li todos os painéis que trazem informações sobre duas pinturas de São Francisco e os debates que ocorreram sobre a autoria de ambos. Esta parte da mostra tem o nome de Os Duplos de Caravaggio: As duas versões de São Francisco em Meditação. As técnicas utilizadas para o estudo das duas pinturas (uma delas não está  na exposição) foram bem variadas, como a radiografia, a microfotografia, a macrofotografia, técnicas com infravermelho e fotografia com fluorescência induzida pela luz ultravioleta. Nem todo mundo lê todas as informações e acaba acreditando que as comparações foram feitas com os dois exemplares presentes na exposição. Fiquei em torno de uma hora em Caravaggio e Seus Seguidores. Uma bela exposição. Gostei muito.


Madalena Desmaia, de Guido Cagnacci


artes plásticas

terça-feira, 3 de julho de 2012

AMADEUS - GASTRONOMIA EM BELO HORIZONTE (MG)


Endereço: Rua Alagoas, 699, Savassi, Belo Horizonte, MG.

Especialidade: culinária internacional.

Quando fui: jantar do dia 30 de junho de 2012, sábado. Cheguamos por volta de 23:00 horas. Éramos quatro pessoas.

Serviço: instalado no Royal Savassi Hotel, mas com entrada independente, é amplo, com dois ambientes. Sempre cheio. Embora tenha serviço a la carte, o forte é o buffet a quilo. Há um quadro na parede localizado em cima do buffet que reproduz bem a diversidade de opções do restaurante, onde consta a seguinte frase: "para as noites sem sabor, o Amadeus oferece cem sabores sob medida". Dentre as opções estão frios, saladas, pratos leves, pães, salgadinhos, carnes, aves, peixes, sopa, queijos, sushi e sobremesa. Há sempre alguma opção que agrade tanto a quem vai somente petiscar, quanto quem vai jantar. Os garçons são simpáticos, atenciosos (preciamos trocar uma taça de vinho por causa do cheiro que nela estava e por mais de uma vez um garçom nos pediu desculpas pelo ocorrido). O atendimento é rápido. Não há carta de vinhos, mas como o local também é conhecido como um wine bar, há uma adega com cinco mil título, onde o cliente vai, escolhe o que quer beber e a garrafa é enviada à mesa. Os preços dos vinhos são bem em conta, pois praticam preços de importador e não de restuarante. Na entrada, comandas individuais são entregues aos clientes, facilitando na hora do pagamento.

O que bebi: compartilhamos duas garrafas de vinho tinto, sempre acompanahdos da água sem gás Caxambu. Começamos com o vinho tinto Fattoria dei Barbi 2009 (R$ 71,25), com um corte sangiovese/merlot, com 14% de álcool, porduzido na região de Morellino di Scansano, Toscana, Itália. Seguimos com um ótimo vinho tinto francês, o Château Potensac 1999 (R$ 161,75), produzido na região do Médoc, Bordeaux, França. Ambos os vinhos tinham ótimo aroma e sabor, mas o francês era infinitamente melhor. Finalizei com uma xícara de café expresso Três Corações.

O que comi: optei pelo variado buffet a quilo, me servindo de petiscos inicialmente, como um pastel frito de queijo holandês, cortes de queijos e frios, anéis de lulas cozidos e pão de queijo. Em seguida, me servi de escondidnho de camarão, muito bom, por sinal, alcachofras cozidas e mais queijos e frios. Se nota que não me preocupei muito em harmonizar a comida com os potentes vinhos que tomamos. Ainda fui de sobremesa, com pequenas porções de tiramissú (sem graça), pudim de tapioca (bom), mousse de chocolate (ótima) e um bombom trufado.

Valor total da conta: R$ 398,00.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * *. O local é boa opção para final de noite, com variedade grande de pratos.

Gastronomia Belo Horizonte (MG)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

LA TRAVIATA - GASTRONOMIA EM BELO HORIZONTE (MG)



Endereço: Avenida Cristóvão Colombo, 282, Savassi, Belo Horizonte, MG.

Especialidade: culinária italiana, com forte presença de massas, pizzas e carnes.

Quando fui: almoço do dia 30 de junho de 2012, sábado. Cheguamos por volta de 16:00 horas. Éramos oito pessoas.

Serviço: instalado no miolo da Savassi em um casarão de dois pavimentos, tombado pelo patrimônio histórico, é uma autêntica cantina italiana, com direito a toalha quadriculada em vermelho e branco nas mesas e flores de plástico em garrafas vazias de Mate Couro. Garçons antigos, com cara de poucos amigos. Os pratos chegam muito rapidamente à mesa, especialmente as massas (a maioria do extenso cardápio).

O que bebi: enquanto a maioria da minha mesa tomava cerveja Original, consumi uma garrafa de Mate Couro Zero.

O que comi: spaghetti a carbonara (R$ 26,00). É bem servido, podendo ser tranquilamente dividido por duas pessoas que não comem muito. A massa estava al dente, mas a moda carbonara passou longe do que conheço, pois o prato não tinha aquele molho espesso, mas sim pedaços de bacon fritos bem sequinhos e ovo mexido rapidamente na frigideira. Não estava ruim, mas não chamaria o prato de a carbonara.



Valor total da conta: R$ 272,00.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * 1/2. O local é agradável, sempre tem movimento, com comida honesta, barata e rápido atendimento.

Gastronomia Belo Horizonte (MG)

domingo, 1 de julho de 2012

GASTRONOMIA EM NOVA LIMA (MG) - RANCHO DO BOI


Endereço: BR 040, km 545, s/nº, Estância Serrana (Viaduto do Mutuca), Nova Lima, MG.

Especialidade: carnes na brasa.

Quando fui: almoço do dia 30 de junho de 2012, sábado. O local sempre é muito concorrido nos finais de semana, motivo pelo qual deve-se chegar cedo. Uma parte do grupo chegou no restaurante perto do meio-dia para garantir mesa para todos. Cheguei por volta de 13:00 horas. Éramos oito pessoas.

Serviço: simpático, rápido e sem frescuras. Os pedidos chegam rapidamente à mesa. As peças de carnes escolhidas (vende-se por gramas, cujo mínimo por pedido são 300 gr.) são levadas à mesa ainda cruas para o cliente aprovar, para, em seguida, serem colocadas na brasa. Há amplo estacionamento interno, música ao vivo com sucessos do pop rock nacional e internacional (ainda bem que, enquanto eu estava lá, não tocaram música sertaneja, pois o ambiente é propício para tal). A cantora não se limita a fica parada no pequeno palco montado na ampla área externa do Rancho do Boi, circulando entre as mesas enquanto interpreta as músicas. Há wi-fi cuja senha já está impressa no cardápio. Menu é enxuto, com foco nos cortes mais comuns de carnes, com poucas opções de acompanhamento, alguns deles industrializados, como a mandioca frita. Ficamos sentados em mesa de madeira no lado externo, com linda vista para as montanhas de Minas Gerais, protegidos do sol, parcialmente, por dois guarda-sóis.

O que bebi: enquanto a maioria da minha mesa tomava cerveja Original, consumi duas latas de Pepsi Light.

O que comi: fomos com a ideia de almoçar, mas acabamos por petiscar o tempo inteiro. Quando cheguei, a mesa já estava servida com porções de linguiça de lombo frita (300 gramas), picanha maturada cortada em pedaços pequenos (300 gramas) e mandioca frita (servida em pedaços cilíndricos, visivelmente industrializada). As carnes esfriam rapidamente, pois estávamos na parte externa onde o vento é constante. A mandioca estava sofrível. A linguiça era a melhorzinha das três opções na mesa. Depois, pedimos mussarela assada na brasa (300 gramas) e maminha (300 gramas). A carne veio novamente cortada em pedacinhos e estava bem macia, se revelando o melhor dos pedidos feitos pela mesa. A mussarela veio assada além da conta, com um forte gosto de queimado. Alguns não quiseram nem provar o queijo que tinha uma crosta preta de tão queimado. Eu experimentei e não achei ruim, embora o queimado deixasse um gosto meio amargo à mussarela. Resolvemos não pedir mais nada, pagar a conta e ir para outro lugar onde poderíamos almoçar.


Valor total da conta: R$ 306,00.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * *. O local é agradável, bonito, mas a comida não vale um deslocamento para fora de Belo Horizonte.

Gastronomia Nova LIma (MG)