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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

BAROLO - UM PASSEIO PELA CIDADE


Barolo é tão pequena quanto Barbaresco, tendo também menos do que 700 habitantes. Assim, percorrer suas ruas antigas e bem conservadas é rápido. Ficamos em torno de uma hora nesta cidade do Piemonte, famosa mundialmente pelo vinho produzido com a casta nebbiolo, cujo nome, assim como em Barbaresco, a cidade lhe empresta. A cidade é tão organizada que há um estacionamento público localizado na Piazza Colbert, onde param os ônibus e carros que chegam trazendo turistas. Durante a primavera e o outono, acontece todos os domingos uma feira na qual produtos da região podem ser degustados e comercializados. Como não era domingo, não conhecemos esta feira. A van nos deixou no início da Via Roma, de onde já se vê o imponente castelo que toma conta da paisagem urbana da cidade. E foi para este castelo que rumamos. Na subida, passamos em frente à famosa Vinoteca Marchesi di Barolo e do curioso Museo dei Cavatappi, um museu dedicado aos saca-rolhas. Pelo adiantado da hora, estava fechado. O Castello dei Marchesi Falletti faz parte da rota de castelos do Piemonte. A construção sofreu várias intervenções ao longo dos séculos, mas ainda conserva uma estrutura de seu início, no Séc.X. Hoje, ele abriga o Museo del Vino e a sede da Enoteca Regionale de Barolo. Fizemos várias pausas para fotos. Antes de chegar na Piazza Falletti, uma praça que se abre em frente à entrada principal do castelo e onde também está localizada a Chiesa San Donato (Igreja de São Donato), na beira do muro, tem-se uma linda vista das colinas tomadas por vinhedos nos arredores da cidade. Do lado oposto deste muro, existe um belvedere que nos permite ver as ruas e prédios antigos de Barolo. Após mais fotos, retornamos para a Piazza Castello, onde nos perdemos por pequenas vias, apreciando o casario bem conservado, repleto de restaurantes e lojinhas de souvenir. Descemos pela Via Acqua Gelata, dominada por cafés. As placas com o nome desta rua são de mármore pintado que também indicam o antigo nome da via, que outrora se chamava Via del Teatro. Chegamos na Piazza Colbert, onde a van nos aguardava. Era hora de voltar para Alba, distante apenas 13 quilômetros de Barolo. No caminho, cada um acabou de acertar o que devíamos para Silvia, a guia da Tasting Tours. Como já tínhamos pago, individualmente, € 84 via PayPal no mês de agosto, cada um pagou, em dinheiro, mais € 196, valor que compreendia não só o tour desta sexta-feira, como também as visitas e degustações nas duas vinícolas, além da caça às trufas brancas programada para a tarde do sábado. Silvia fez uma reserva para nós jantarmos naquela noite em outra cidade da região, no restaurante Le Torri, localizado em Castiglione Falleto. Jantar marcado para 21 horas. A van nos deixou no Hotel I Castelli, onde eu, Rogério e Emi estávamos hospedados em Alba, seguindo com Vera e Cláudia para o Hotel Calissano. Despedimo-nos de Silvia, pois ela não seria nossa guia na caçada de sábado, combinando com Vera e Cláudia de nos ver novamente às 20 horas, quando elas passariam em nosso hotel, já que estavam com um carro alugado desde quando chegaram na Itália. Hora de um longo banho relaxante.

Museo dei Cavatappi

SANDRONE LUCIANO

A distância entre Barbaresco, onde almoçamos, e Barolo, onde está localizada a segunda vinícola incluída no nosso tour no Piemonte, sexta-feira, dia 25/10/2013, é cerca de 25 quilômetros, passando por pequenas estradas no noroeste da Itália. Vimos muitas vinícolas cujas parreiras tinham uma interessante coloração avermelhada, sinal de que o outono estava em vigor e que a maioria das uvas já fora colhida. Desta vez não paramos no caminho. Fizemos o percurso em meia hora. Às 15 horas em ponto, horário marcado para nossa visita, estávamos batendo a campainha na entrada da vinícola Azienda Agricola Sandrone Luciano (Via Pugnane, 4 - www.sandroneluciano.com), cujos proprietários são os irmãos Luciano e Luca Sandrone, e Barbara Sandrone, filha de Luciano. O primeiro é o enólogo e cuida de toda a produção, enquanto seu irmão é o responsável pelas plantações, ficando a maioria de seu tempo no campo. Já Barbara é a responsável pela relação com os clientes. A sede da fazenda é uma bela construção moderna, com um pátio interno grande onde uma escultura de uma caramujo azul se destaca na grama verde. Quem nos recebeu e nos conduziu pelas dependências da vinícola foi Anna. Antes de percorrê-la, ela nos passou informações sobre o prédio, dizendo que todo o processo de vinificação acontecia nos três andares do ambiente. Estavam no início do processo, pois a colheita havia terminado naqueles dias. Fomos para a sala dos grandes tanques de metal onde o mosto começa a fermentar. Lá o movimento era grande, com mangueiras pelo chão e gente trabalhando. Anna nos chamou para subir as escadas para ver os tanques abertos. Na passarela que margeia tais tanques encontramos Luciano Sandrone, um senhor muito simpático. Eu era o primeiro da fila e pedi uma foto, mas enquanto eu preparava a máquina, Emi se antecipou, ficando ao lado dele para a sua foto. Luciano sorriu, colocou um pano na borda do tanque onde eu estava, pediu para eu abaixar, encostar o meu peito no pano, colocar a cabeça dentro e aspirar fundo. Foi um choque. O álcool que entrou nas minhas narinas fez toda a mucosa nasal arder, me dando uma sensação ruim. Instintivamente, pulei para trás, coçando o nariz. Eu não disse nada para ninguém, deixando todos do grupo passar pela mesma experiência. Era a minha vez de rir. Obviamente que tirei uma foto ao lado de Luciano. Depois, foi novamente o que chamo de mais do mesmo, pois fomos ver aquilo que já tínhamos visto de manhã: barricas de carvalho e garrafas onde descansavam os vinhos para consumo no futuro. Achei interessante um local da adega, localizada no subsolo, onde há apenas garrafas para consumo dos Sandrone. Todas sem rótulo, mas separadas por castas e safras. Vi garrafas desde 1989. De volta ao térreo, vimos uma funcionária colocando manualmente os rótulos nas garrafas, e seguimos para a sala de degustação, onde uma mesa estava preparada para nós seis: eu, Vera, Cláudia, Emi, Rogério e Silvia, a guia de nosso tour. Anna colocou um mapa para mostrar a localização dos vinhedos antes de começar a servir os cinco vinhos da degustação. Neste momento, conhecemos Luca, que entrou na sala para buscar justamente o mapa de Anna, que não se fez de rogada, pegando um outro exemplar e continuou a sua explicação. Ela aproveitou para dizer que Barbara estava em viagem de negócios nos Estados Unidos. Esta foi a visita em vinícolas mais organizada da qual já participei, pois, além das informações seguras passadas por Anna, na sala de degustação, colocada em frente a cada lugar na mesa, tinha uma pastinha para cada um de nós contendo folhetos sobre a vinícola e sobre os cinco vinhos que iríamos degustar. Detalhe: a vinícola somente produz estes cincos vinhos. A seguir, os degustados, devidamente acompanhados por água mineral, com e sem gás, e gressinos (grissini).

1. Dolcetto d'Alba 2012 - 13% de álcool - aromas de cereja, com boca levemente picante.
2. Barbera d'Alba 2011 - 14,1% de álcool - frutas negras e baunilha no nariz. Retrogosto de chocolate.
3. Valmaggiore Nebbiolo d'Alba 2011 - 13,65% de álcool - notas de especiarias e toques florais. Boca aveludada.
4. Le Vigne Barolo 2009 - 14,4% de álcool - na boca mostrou-se muito frutado, com boa acidez.
5. Cannubi Boschis Barolo 2009 - 14,35% de álcool - aromas de baunilha e pimenta. Boca elegante. Foi o meu preferido.
Terminada a degustação, era hora de saber o preço dos vinhos. Apenas Emi comprou. Nossa visita durou cerca de duas horas. Antes de voltarmos para Alba, pedimos para a guia nos levar até o centro histórico de Barolo, já que estávamos bem próximos. Queríamos dar uma volta e tirar algumas fotos.
Ao final de duas degustações nesta mesma sexta-feira, tirei a conclusão de que é muito puxado concentrar mais de uma visita no mesmo dia, pois fiquei enfastiado de experimentar vinhos, o que prejudicou a minha atenção nesta tarde na Sandrone Luciano.
Fomos para o centro de Barolo já com o dia indo embora.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

UM BREVE PASSEIO PELAS RUAS ANTIGAS DE BARBARESCO

Barbaresco é uma cidade bem pequena, praticamente um vilarejo. Tem menos de setecentos habitantes. É famosa pela produção de vinho com a casta nebbiolo, cujo seu nome lhe empresta. Como almoçamos no centro histórico da cidade, aos pés da Torre Barbaresco, torre medieval datada do final do Séc. XI, assim que saímos da Trattoria Antica Torre, resolvemos fazer uma breve caminhada pelas ruas perto do restaurante. Era hora da "siesta", portanto, nada estava aberto para visitação interna. Aproveitamos para apreciar os belos e conservados prédios antigos, muitos deles enormes mansões. Ao lado da torre, está a Chiesa San Giovanni Battista (Igreja de São João Batista), que estava fechada naquela hora. Descemos a Via Torino em direção à Piazza del Municipio, parando aqui e ali para algumas fotos, incluindo uma do imponente Castello Galleani, também chamado de Palazzo Dei Galleani di Barbaresco e Canelli, hoje pertencente a uma das mais famosas e conceituadas vinícolas do Piemonte, a Gaja. Como não conseguimos autorização para uma visita nas suas dependências, nos limitamos a tirar fotos de sua entrada. Ao descer a rua, notamos que fotografias em grande formato retratando folhas secas ornavam muros e paredes das edificações ao longo da via. Era uma exposição fotográfica patrocinada pela Enoteca Regional del Barbaresco. O fotógrafo é Giulio Morra e sua mostra se chama "Foglie - Impressioni d'Autunno" (Folhas - Impressões do Outono, em tradução livre). As fotos mostram as tonalidades de várias folhas de árvores da região, além de folhas de parreiras, o que mais domina a paisagem local. Na mesma via, havia uma barraca onde um senhor vendia salaminhos produzidos na região. Chegamos no cruzamento onde fica a outra igreja do vilarejo, a Chiesa di San Donato (Igreja de São Donato), hoje sede da Enoteca Regional del Barbaresco. Em frente a esta igreja há um simpático restaurante com mesas na calçada, cuja parede principal é ornada com um gigantesco relógio de sol, cujo ponteiro marcava 14 horas. Tínhamos que seguir viagem, pois dali até Barolo, nossa próxima parada, gastaríamos cerca de quarenta e cinco minutos.

Foglie - Impressioni d'Autunno


Castello Galleani




Chiesa di San Donato - Enoteca Regional del Barbaresco

TRATTORIA ANTICA TORRE - GASTRONOMIA EM BARBARESCO (ITÁLIA)

Após uma longa degustação na vinícola La Spinetta, em Castagnole Lanze, era chegada a hora de almoçar. Sílvia, nossa guia, havia reservado para 12:30 horas uma mesa na Trattoria Antica Torre, localizada aos pés da Torre Barbaresco, na parte antiga da cidade de Barbaresco.

Endereço: Via Torino, 71, Barbaresco, Cuneo, Itália.

Contato: +39 173 635170 - anticatorrebarbaresco@gmail.com

Especialidade: culinária italiana, especialmente da região do Piemonte. É do tipo cantina familiar.

Quando fui: almoço de 25 de outubro de 2013, sexta-feira. Éramos 06 pessoas, com reserva feita para 12:30 horas pela guia da Tasting Tours. O restaurante ocupa uma casa de dois andares, toda pintada de amarelo. Não é grande, mas é bem concorrido, frequentado não só pelos turistas que visitam as vinícolas da região, mas também pelos que trabalham por ali. Tem uma localização privilegiada. Ficamos na primeira mesa do salão à direita de quem entra. Chegamos um pouco depois de 12:30 horas, permanecendo no local por mais de uma hora e meia. Sua decoração é simples, com paredes internas nas cores azul e amarelo. Mesas forradas com toalhas brancas.


Serviço: parece que os garçons funcionam no automático, de tanto repetir os mesmos movimentos diariamente. São atenciosos, mas não interagem com os clientes. O cardápio é bem enxuto. Os pratos são bem servidos e não demoram para chegar à mesa.

O que bebi: água mineral com gás Lurisia Bolle (€ 2 a garrafa de um litro) e uma xícara de café espresso ao final (€ 1,75).

O que comi: enquanto esperávamos nossos pedidos, colocaram na mesa um cesto com gressinos (grissini), o tal coperto existente em todos os restaurantes italianos (€ 2), que devoramos rapidamente. Cláudia e Vera falaram tanto de uma entrada que tinham comido no almoço do dia anterior que, ao ver no cardápio, resolvi experimentar. Assim, meu primeiro prato foi um tondino de vitello con salsa tonnata (€ 10). São fatias finas de carne de vitelo assada com um molho de maionese e atum. Pode parecer estranha tal combinação, mas funciona muito bem. A carne quase não leva tempero, deixando esta função para a maionese de atum. Aprovei. Em seguida, veio o que eles chamam de primo piatto, um tajarin tagliati a mano con sugo di carne (€ 12) . Este prato é muito bem servido. É um talharim bem estreito, feito na casa de forma artesanal, servido com um molho de carne. O molho é apenas para dar um pouco de cor e sabor, pois há apenas vestígios de carne de boi. Estava bem saboroso.


tondino de vitello con salsa tonnata


 tajarin tagliati a mano con sugo di carne

Valor que me coube no total da conta: € 30, esclarecendo que neste valor estava incluída a parte da guia, que não a deixamos pagar, embora ela insistisse muito.

Minha avaliação: * * *. Restaurante com comida honesta, bem feita. Não é à toa que estava com todas as mesas ocupadas e, segundo Silvia, é assim todos os dias.

Gastronomia Barbaresco (Itália)

TINHA UMA VESPA NO MEIO DO CAMINHO...

Terminada a degustação na vinícola La Spinetta, fomos para a van, pois já passava do meio-dia. Ainda teríamos que almoçar antes de seguirmos para Barolo, onde faríamos a segunda visita do tour. Silvia havia reservado uma mesa para almoçarmos ao pé da Torre Barbaresco, no restaurante Trattoria Antica Torre. Seguimos para lá. No caminho, mais belas paisagens. Pedimos para parar o carro, pois queríamos tirar mais fotos em uma plantação de uvas com diferentes colorações nas folhas das parreiras, além de ser em terreno na colina, o que permitia uma ótima composição fotográfica. Quando posei para a foto, senti uma forte dor no dedo anular da mão esquerda, bem em cima do anel que eu usava. Não entendia a dor, mas doía muito, com pontadas que subiam pelo braço. Não vi nenhum inseto se aproximando. Foi uma coisa instantânea. Tinha sido picado por uma vespa. Já dentro do carro, Cláudia me emprestou seu pote de álcool gel. Passei um pouco para aliviar a dor, mas nada fazia com que ela passasse. Ao chegar na pequena Barbaresco, a van nos deixou na porta do restaurante, onde Silvia pediu gelo para eu colocar na região inchada. Em poucos minutos o garçom trazia o gelo embrulhado em um guardanapo de papel mais grosso. Coloquei imediatamente na região afetada. Lembrei de uma situação vivida por minha mãe há muitos anos em Araxá, quando ela fora picada por um inseto. Ensinaram-na a colocar fumo e álcool. Pedi um cigarro de Emi, retirei o fumo, misturei com o álcool gel de Cláudia e apliquei no local, amarrando, bem meia boca, um guardanapo de papel no dedo. A gerente do restaurante viu aquilo, perguntou o que se passava e ao saber por Sílvia que eu havia sido picado por uma vespa, ela trouxe uma pomada para picada de insetos, gaze, tesoura e curativo. Uma simpatia. Não sei o que funcionou, mas meu dedo desinchou, permanecendo a dor, que só passaria na noite do dia seguinte. Terminado o almoço, cujas impressões fazem parte de uma postagem específica, fomos dar uma pequena caminhada pelo centro histórico da cidade, passando em frente da sede da vinícola Gaja, aquela que queríamos visitar, mas não permitiram, mesmo com um e-mail do importador brasileiro nos recomendando. A van nos aguardava no cruzamento da entrada da parte antiga da cidade. Houve uma troca de motorista. Seguimos, então, para Barolo. Próxima parada: vinícola Sandrone.

Torre Barbaresco

LA SPINETTA

A sexta-feira, 25/10/2013, amanheceu nublada, fria, mas sem chuva. Abri as cortinas da janela do quarto do hotel I Castelli em Alba. Meu quarto era virado para a frente do hotel, o que me permitia ver o movimento da cidade e do estacionamento em frente, além da chaminé sempre ativa da fábrica da Ferrero Roche. Desci para tomar café da manhã com Emi e Rogério, que estava incluído em nossa diária. Era um serviço de buffet, com razoáveis opções de pães, bolos, frios, embutidos e biscoitos. O que mais queria era tomar um bom suco de laranja vermelha, algo comum nos hotéis italianos. Para minha sorte, tinha, embora não fosse feito na hora. De qualquer forma, matei minha vontade. Na cidade sede da Ferrero Rocher, cuja fábrica tem visita guiada, mas não estava em nossos planos, não poderia faltar a Nutella. Pequenos sachês com porção individual estavam à disposição dos hóspedes. Como tínhamos combinado com Silvia Aprato, nossa guia da Tasting Tours, que sairíamos às 10 horas do hotel, apressei-me no café da manhã para subir ao quarto, tomar um banho, arrumar, colocando uma roupa mais quente, com bota, casaco e calça impermeáveis, guarda-chuva e um bom cachecol, e desci para o hall do hotel, onde já estavam Cláudia, Vera, Sílvia e a motorista que nos conduziria na parte da manhã. Emi e Rogério se atrasaram para descer, o que nos fez sair às 10:20 horas. Eu, Vera e Cláudia combinamos com a guia que o horário de saída do dia seguinte seria às 14 horas e não às 14:30 h, como previsto inicialmente, o que nos garantiria uma margem de tempo para eventuais atrasos. Seguimos direto para a região de Barbaresco, onde fica a vinícola La Spinetta. No caminho, traços azuis no céu indicavam que seria um dia sem chuva. Pedimos para parar o carro, pois queríamos tirar fotos de um belo parreiral que tinha no caminho. Depois, soubemos que aquelas parreiras já eram na propriedade da La Spinetta. No trajeto para a vinícola, Silvia despejava informações sobre o Piemonte, seus vinhos e sobre a vinícola para onde estávamos indo. A La Spinetta fica em Castagnole Lanze (Via Anunziatta, 17 - www.la-spinetta.com), um vilarejo pertencente a Barbaresco. Foi fundada pelo casal Giuseppe e Lidia Rivetti em 1977, produzindo inicialmente um moscato. Somente em 1995 produziu seu primeiro barbaresco. Hoje, ela produz vinhos com diversas castas, especialmente com a nebbiolo, a que dá vida ao barbaresco e ao barolo, também produzido pela La Spinetta. Ainda possui vinhedos na Toscana. Hoje, os irmãos Bruno, Carlo e Giorgio Rivetti dirigem a vinícola. Em cerca de meia hora chegamos na sua entrada, onde fomos recebidos por Manuela Rivetti, que nos conduziria na visita guiada pelas dependências do local. No entanto, devido ao nosso atraso, um grupo de americanos de Wisconsin, agendado para meia hora depois, já estava chegando. Como o grupo só entendia inglês e nós não tínhamos problemas em entender o italiano, houve uma troca de guias. Manuela ficou com os americanos e Stephano Mazetta, um dos enólogos da La Spinetta, virou nosso guia. Ele foi muito amável conosco, falando bem devagar. Dava para entender praticamente tudo. Quando tínhamos dúvidas, perguntávamos em inglês para Silvia que logo as sanava. Durante a degustação, Stephano descobriu que alguns falavam francês e sendo filho de francesa, começou a fala nesta língua também. Depois de nos mostrar as dependências da vinícola, falando sobre o processo de fabricação dos vinhos, algo que me soou mais do mesmo, pois já tinha visitado vinícolas na Argentina, fomos conduzidos para a sala de degustação. Um ambiente amplo, com duas mesas preparadas para receber os dois grupos. Queijo, pães, grissini e um azeite produzido pela vinícola foram colocados na nossa mesa. Os pães e grissini estavam em uma caixa de madeira com uma estampa de rinoceronte. Usam esta caixa para acondicionar certos vinhos. Todos os tipos de vinhos produzidos ali tinham, pelo menos, uma garrafa exposta nos aparadores encostados na parede da sala, onde também ficavam esculturas de rinocerontes, símbolo da casa. Stephano separou todas as garrafas da nossa degustação. Ao ver que não tinha um espumante, Emi pediu para começarmos com o que eles produziam, sendo prontamente atendido. Assim, degustamos os seguintes vinhos:
1. Contratto Millesimato Extra Brut 2009 - espumante com perlage fina e centralizada na flute. Leve, refrescante.
2. Langhe Sauvignon Blanc 2009 - branco com forte aroma de maracujá, mas como eles não tem a facilidade desta fruta, o aroma que os italianos identificam neste vinho é o de folha de tomate.
3. Cà Di Pian Barbera D'Asti 2009 - tinto sem graça.
4. Bionzo Barbera D'Asti Superiore 2009 - tinto encorpado, com taninos elegantes.
5. Barbaresco Vigneto Starderi 2007 - ótimo aroma, preenche toda a boca. Foi o que mais gostei.
6. Desmentià 2010 - vinho produzido por Stephano, não fazendo parte do portfólio da La Spinetta. Potente, pede comida, como a maioria dos vinhos italianos.
7. Barolo Vigneto Campè 2004 - um grande tinto, encorpado.
8. Barolo Vigneto Campè 2000 - uma garrafa com contra rótulo em japonês.


Stephano e Sílvia atrás das garrafas dos vinhos por nós degustados

Assim que terminamos, estávamos falando alto e interagindo com os americanos do lado, que tinham pedido para falarmos mais baixo logo que se sentaram, mas na medida em que bebiam, aumentavam o tom da fala. Era hora de sabermos os preços de cada vinho degustado. Como não me interessava em comprar nada, por causa do peso que teria que carregar na minha mala, fiquei tirando fotos das demais garrafas que estavam decorando o ambiente. Vera e Emi foram às compras. Como Vera tinha elogiado a caixa de madeira, acabou ganhando uma. Emi levou, entre suas aquisições, uma garrafa magnum. Rogério reclamou, pois era o início de viagem. No caso deles, ainda faltavam 28 dias pela frente. Chegaram a cogitar de eu carregar o peso para o Brasil...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

TASTING TOURS - FOOD & WINE TOURS


Antes de sair do Brasil, já tínhamos combinado de visitar duas vinícolas importantes do Piemonte. Uma em Barbaresco e outra em Barolo. Nosso desejo inicial era conhecer a Gaja na primeira cidade e alguma indicada para a região da outra cidade. Para tanto, Emi ficou responsável pelas consultas na internet. Ele encontrou a Tasting Tour (www.tastingtours.it), que fica em Villanova d'Asti, portanto na região para onde estávamos indo de férias. O melhor é que a agência também vendia a participação em uma caça às trufas brancas. Silvia Aprato foi o contato eletrônico. Ela nos indicou a vinícola Sandrone para a degustação de vinhos Barolo, informando, ainda, que a vinícola Gaja só permitia visitação caso houvesse uma indicação do importador de seus vinhos no Brasil. No caso, a Mistral. Até tentamos, conseguimos que alguém da importadora enviasse um e-mail para a vinícola, mas não obtivemos sucesso. Emi fez pesquisas e achou que visitar La Spinetta seria interessante. Questionada, Silvia teceu muitos elogios a esta vinícola. Assim, fechamos o pacote com a Tasting Tour para duas visitas às vinícolas no mesmo dia, sendo uma pela manhã, em Barbaresco e a outra na parte da tarde, em Barolo, além da nossa participação em uma caça às trufas brancas na parte da tarde do segundo dia de tour, em Asti. O pacote incluía a visitação, a caçada, com degustação em todas elas, além do transfer de Alba para as respectivas cidades. Por tudo isto, pagamos, cada um, o montante de € 280, sendo necessário um sinal de € 84 quando da confirmação da contratação dos serviços, pagamento feito pelo PayPal e o restante podendo ser feito até dez dias antes do primeiro serviço, também pelo PayPal, ou pagando em dinheiro neste primeiro dia. Preferimos pagar o restante em dinheiro, ao final do primeiro dia do tour. Em todos os e-mails trocados com Silvia, ela sempre foi muito simpática, cordial, se dispondo a fazer reservas para almoço e/ou jantar na região. Foi ela quem fez nossa reserva para o restaurante Piazza Duomo, em Alba, um três estrelas Michelin e nº 41 do mundo segundo a lista 2013 da revista britânica The Restaurant. Foi Silvia nossa guia nas visitas às duas vinícolas, estando antes do horário marcado na porta do nosso hotel em Alba. Foi ótima guia, com informações sobre a região, sobre as vinícolas que visitamos, sobre a culinária do Piemonte, além de nos indicar alguns restaurantes para jantarmos no final de semana. Ela, inclusive, chegou a telefonar para um deles, muito frequentado, mas estava com lotação esgotada para as duas noites que ainda tínhamos livre naquela localidade. Fomos conduzidos por três motoristas diferentes, mas todos muito atentos, não correndo e parando quando pedíamos para tirar fotos das belas paisagens da região. No segundo dia, na caçada às trufas brancas, Silvia tinha um compromisso de família, sendo substituída por Sandro, que também foi um ótimo guia. Enfim, aprovamos o serviço prestado pela Tasting Tours

DULCIS VITIS - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)


Cláudia tinha pesquisado restaurantes em Alba e achou o Dulcis Vitis interessante, enviando um e-mail solicitando reserva para o jantar de 24 de outubro de 2013, quinta-feira, em nossa primeira noite de férias no norte da Itália. Eu, Rogério e Emi fomos a pé do Hotel I Castelli até o restaurante, onde chegamos no horário da reserva. Cláudia e Vera já estavam sentadas na única mesa ocupada do restaurante, no salão à esquerda de quem entra. A mesa ficava próxima às janelas que davam para a rua, mas tinham cortinas que garantiam a privacidade de quem nela estava. Cláudia não passava bem, já tendo chamado um táxi para voltar para o hotel. Assim que chegamos, ela foi embora.

Endereço: Via Ratazzi, 7-7/A, Alba, Itália - www.dulcisvitis.it

Contato: +39 0173364633 - Reservas: prenotazioni@dulcisvitis.it

Especialidade: culinária do norte da Itália, especialmente da região do Langhe e de Roero, sob o comando do chef Bruno Cingolani.

Quando fui: noite de 24 de outubro de 2013, quinta-feira. Éramos 04 pessoas, com reserva feita por e-mail com mais de um mês de antecedência. O restaurante tem iluminação mais baixa, o que valoriza o amarelo envelhecido que domina as paredes. Seu teto tem tijolos aparentes, em formato abobadado, enquanto a decoração tem mobiliário antigo e muitas garrafas de vinho dos produtores da região, especialmente de Barolo.

Serviço: como só havia nossa mesa ocupada na primeira hora em que estivemos no restaurante, as duas garçonetes ficaram atentas o tempo inteiro, sempre estando à disposição para nossos chamados. Por volta de 21 horas, uma outra mesa foi ocupada, com quatro pessoas, no mesmo salão em que estávamos. O serviço continuou muito eficiente. Os pratos chegaram ao mesmo tempo na mesa, na sequência correta do menu degustação. Como é um lugar para apreciar a enogastronomia local, o tempo de chegada dos pratos à mesa obedece a este requisito. O chef é muito simpático e conversou conosco o tempo todo, mas sem ser invasivo. Atendeu prontamente ao nosso pedido para indicar um vinho, o segundo da noite. Para nossa surpresa, ele nos trouxe um vinho sem sabermos o produtor, o rótulo e o preço. O vinho era muito bom. Ao final, o vinho custava mais barato do que o que havíamos escolhido para o início de nosso jantar. O restaurante faz questão de informar, nas primeiras páginas do cardápio, todos os produtores que fornecem os insumos para ele. Tais produtores são todos da região, o que garante o movimento da economia rural local. Este é um dos pilares do movimento Slow Food, criado na Itália, exatamente na região em que estávamos.

O que bebemos: dois vinhos tintos. Iniciamos com um Barbaresco 2006 Vigneto Brich Ronchi do produtor Albino Rocca, com 14,5% de álcool (€ 82). Vinho com bom corpo e ótima harmonização com os pratos do menu degustação. Em seguida, foi a vez do vinho indicado pelo chef Bruno Cingolani, um Barolo Renato Corino 2007, de Arborina, com 14,5% de gradação alcoólica (€ 65), cujo produtor, Corino, ocupava a outra mesa do salão. O vinho é muito bom, harmonizou melhor com o aromático prato de ovos fritos com trufas brancas, mostrando-se elegante e encorpado. Para acompanhar os vinhos, água mineral com e sem gás Lurisia (€ 5 a garrafa de um litro). Ao final, um bem tirado café espresso Illy (€ 4), servido em uma xícara da mesma marca em edição especial chamada Pedro Almodóvar. Depois de encerrada a conta, o chef sentou conosco, oferecendo-nos dois aperitivos. Uma taça do vinho de sobremesa Barbaresco El Chinà Cascina Luisin e uma dose da grappa Bocchino Cantina Privata.

O que comi: Todos na mesa não tiveram dúvidas em pedir o menu degustação. Como havia duas opções, optamos pelo menor, o que tinha dois pratos com as famosas trufas brancas de Alba. O menu recebe o singelo nome de piccolo menù degustazione al tartufo bianco d'Alba (€ 125), consistindo de dois pratos quentes e de uma sobremesa. Enquanto esperávamos os pratos, uma providencial cesta de pães artesanais, sem conservantes, foccacias e gressinos (grissini) foi colocada em nossa mesa (coperto: € 4). Tínhamos comentado entre nós o que lemos nas últimas folhas do menu, onde havia uma sugestão de degustação de azeites. Ao ser perguntado sobre esta degustação, o chef pediu à garçonete que trouxesse cinco tipos diferentes de azeites produzidos na região. Assim, degustamos os pães e foccacias embebidos nos extra virgens Costa Digiano, Lu Cavalire, Benza Primuruggiu, Franci Villa Magna e Tenuta Maffone. Cada um com sabor diferente, alguns mais amargos, outros mais puxados para um toque suave e doce. Gostei mais do Costa Digiano, com sabor amargo e bem acentuado, harmonizando perfeitamente com a foccacia, devido ao sal proeminente nesta iguaria italiana. Para completar, ainda havia uma manteiga fantástica acompanhando a cesta de pães. Antes de iniciar a sequência do menu, o chef nos brindou com uma amuse bouche leve, feita com uma fina fatia de salmão cru recheada com uma pasta de bacalhau e maionese, também servida à parte no mesmo prato. Sabor intenso, que preparou nossas papilas gustativas para o que viria a seguir.

Prato 1: ravioli di ricotta seirass, burro di montagna, parmigiano d'alpeggio e tartufo bianco d'Alba. Nosso primeiro prato com trufas brancas da viagem. A garçonete colocou os pratos com o ravióli recheado com ricota seirass cujo perfume de manteiga e queijo parmigiano era intenso. Em seguida, Bruno veio com uma vasilha onde estavam as trufas brancas frescas, guardadas com todo o cuidado. Escolheu uma delas, pegou o ralador apropriado e começou a ralar finas fatias em cada um de nossos pratos. Um aroma de alho invadiu o ambiente e alterou, para melhor, o perfume que subia do prato. Experimentei a massa recheada com e sem a trufa, preferindo a segunda opção. A ricota seirass é típica do Piemonte, sendo feita com leite de vaca e de ovelha. É muito leve, cujo sabor foi fortalecido pela presença da trufa branca. Amei.

Prato 2: crostone di pane ai sapori antichi, bagna caoda, uovo all'occhio di bue e tartufo biano d'Alba. Este segundo prato deixou o primeiro no chinelo. Perfume e sabor intensos, com harmonia entre ingredientes fortes, difíceis de combinar um com o outro, como a bagna caoda, um tempero feito à base de alho, azeite, creme de leite fresco, manteiga e anchovas, e a trufa branca, também ralada na hora pelo chef em nossos pratos. Eram dois ovos fritos, com as claras unidas como se fossem uma só e as duas gemas no centro, inundados de bagna caoda, tudo isto em um leito de uma fatia de pão tostado à moda antiga do Piemonte. Prato aparentemente simples, mas com sabor inigualável. Para sempre ficará em minha memória afetiva esta experiência gastronômica.

Prato 3: a sobremesa, um bunet di amaretti e cioccolato Gobino. Trata-se de uma receita típica do Piemonte. É uma espécie de pudim de farinha de amêndoas e chocolate. No caso, o chef utiliza a marca Gobino, tradicional chocolataria de Turim. A sobremesa foi servida com um physalis parcialmente encoberto por chocolate como decoração do pudim. Tinha um sabor forte, com leve toque de rum. Não me surpreendeu como os pratos salgados do menu.




Valor que me coube no total da conta: € 190.

Minha avaliação: * * * * 1/2. Experiência enogastronômica de primeira, que mereceu uma segunda visita em nossa curta estadia em Alba. O chef Bruno Cingolani é uma simpatia, sabendo atender bem e conquista os clientes com ótimo papo, contando sobre a culinária da região.

Gastronomia Alba (Itália)

A PRIMEIRA NOITE EM ALBA


Piazza Meford

Eu, Emi e Rogério chegamos em Alba no final da tarde do dia 24 de outubro, por volta de 17:15 horas. O tempo estava nublado, garoava e fazia frio. A van nos deixou no Hotel I Castelli (Corso Torino, 14), onde tínhamos reserva confirmada para quatro noites (24 a 28 de outubro de 2013) feita pelo site Booking. Queríamos ficar no mesmo local de nossas amigas Cláudia e Vera, o Hotel Calissano, mas não havia disponibilidade de quartos para o período. O I Castelli fica a poucos metros do centro histórico de Alba, sendo possível ir a pé a todos os locais de interesse turístico. Em frente a ele há um enorme estacionamento público que fica lotado de ônibus e vans nos finais de semana, que trazem turistas, sobretudo europeus, para a Fiera Internazionale del Tartufo Bianco D'Alba, bem como para a feira que toma conta das ruas do centro da cidade aos sábados. Não há mensageiros para carregar malas. Assim, pegamos nossa bagagem na van e nos dirigimos para a recepção, que fica à direita de quem passa por aquelas portas giratórias. A decoração do hotel resvala no kitsch, com muitas flores artificiais e objetos de vidro. Uma simpática italiana nos atendeu. Não foi necessário apresentar nada, apenas falar o nome completo. Logo ela achou nossas reservas. Assinei uma ficha cadastral que já tinha meus dados, peguei a chave e fui para o quarto 318, louco por um banho longo e relaxante. Emi e Rogério estavam no mesmo andar. Combinamos de nos encontrar às 18 horas para dar uma caminhada perto do hotel e ir à estação de trem, onde os dois resolveriam assuntos referentes à marcação de passagens, já que tinham comprado um passe de trinta dias para viajar pela Europa. O quarto do hotel segue a decoração geral, com tons de cinza azulado dominando as paredes. Quarto amplo, com janela grande, mas com mobília antiquada. De cara vi que teria problemas com o ar condicionado, pois não conseguia programá-lo para uma temperatura menor do que 23º C. Resolvi tomar banho ante de qualquer pedido de ajuda. As amenities são fracas, com sabonete que não espumava. Ainda bem que sempre levo meu sabonete. A água do chuveiro era ótima, com boa pressão e volume. Após o banho, desfiz a mala, retirando do plástico o blazer, que chegou completamente amassado. Bastou ficar um dia pendurado no cabide que todo o amarrotado se foi. Como combinado, todos estavam prontos para sair às 18 horas na porta do hotel. Pegamos um mapa na recepção e seguimos para o centro histórico. A cidade é pequena, mas o trânsito na área perto do hotel é intenso e travado, pois além das ruas estreitas, há faixas de pedestres em diversos pontos e basta colocar o pé na rua que os carros costumam parar para os transeuntes passarem. O centro histórico fica à esquerda do hotel. Logo após o estacionamento público há um parque de diversões, chamado Luna Park, e uma praça bem ornamentada de plantas, chamada Piazza Medford, uma homenagem à cidade americana localizado no Oregon, Estados Unidos, já que Alba e Medford são consideradas cidades-gêmeas (twin cities). Rogério estava com fome, mas já estava bem próximo do horário de nosso primeiro jantar na viagem em restaurante previamente reservado. Assim, resolvemos parar em um pequeno café, o Food Caffé, no Corso Giacomo Matteotti, 1/B. Lá, pedi uma Fanta Laranja e uma fatia de pizza, que não lembrava, nem de longe, uma pizza que estamos acostumados a comer no Brasil. Era uma fatia grossa, bem macia, com massa areada e com um recheio de molho de tomate, bem vermelho e ácido. Pelo menos, enganou o estômago. A gerente do lugar era uma chinesa que não parou um minuto de falar, em chinês, ao telefone celular. Pagamos a conta (total: € 10,50) e seguimos a mesma rua em direção à estação ferroviária, onde chegamos uns dez minutos depois.


Estação Ferroviária de Alba

A estação é bem pequena, sinal de que apenas trens locais chegam e partem dela. Meus amigos foram até o guichê onde tiveram dificuldades de se fazerem entender, já que o senhor que atendia não falava inglês e seu italiano era incompreensível. Para piorar, ele falava por detrás do vidro de proteção do guichê em tom muito baixo. De toda sorte, descobriram que não havia possibilidade de marcar passagens naquela estação e que teriam que pegar um trem local e descer em Bra, onde teriam que fazer nova conexão para Turim, cidade em que seria possível fazer as necessárias reservas e marcações. Voltamos para o hotel, pois já estava perto do horário de jantarmos. Coloquei uma roupa mais apropriada para o frio que fazia, em torno de 12º C, e voltamos para a rua, seguindo a pé para o restaurante Dulcis Vitis (Via Ratazzi, 7-7A). Antes de sair, identificamos o melhor caminho no mapa. Em menos de dez minutos estávamos entrando no restaurante, onde Vera e Cláudia já estavam sentadas. A reserva estava marcada para 20 horas. Cláudia não se sentia bem. Estava apenas nos esperando para ir embora. O pessoal do restaurante já havia providenciado um táxi para ela seguir para o seu hotel. Foi uma pena, pois a experiência gastronômica foi fantástica. Minhas impressões sobre este restaurante constarão de postagem específica. Ficamos mais de duas horas no Dulcis Vitis, onde não há wi-fi disponível, mas ao alugar um carro na Hertz, Vera e Cláudia receberam um pequeno aparelho que funcionava como um wi-fi móvel. Foi a salvação de todos enquanto o carro estava com elas, o que garantiu acesso à internet em quase todos os locais do Piemonte. Terminado o jantar, resolvemos acompanhar Vera até o Hotel Calissano, passando pelas estreitas ruas do centro de Alba. Não havia ninguém nas ruas. Parecia uma cidade fantasma. Vimos apenas alguns lixeiros e faxineiros que limpavam o centro histórico. A caminhada com Vera durou meia hora, pois fomos bem devagar, apreciando os prédios antigos e as vitrines das lojas na Via Vittorio Emanuele, a principal rua do centro de Alba. Na volta, observei que a cidade tinha vários quiosques que vendiam produtos Sebaste Gallo D'Alba, especialmente torrones. Deixei para comprar em outra ocasião, pois estava cansado e tínhamos hora para sair na manhã de sexta-feira, quando iríamos visitar uma vinícola da região. No hotel, perguntei na recepção como fazia para diminuir a temperatura no quarto, recebendo a resposta que era "winter time", sendo impossível abaixar para menos do que 23º C. Recebi a bela sugestão para abrir a janela para esfriar o quarto. O detalhe é que o ar condicionado e a calefação do quarto não funcionam quando a janela está aberta. Cabia a mim decidir pelo calor da calefação ou pelo frio externo. Optei pelo primeiro. No quarto, foi deitar na cama e apagar.


INÍCIO DE VIAGEM DE FÉRIAS EM COMEMORAÇÃO AOS MEUS 50 ANOS

Há muito dizia que no dia em que completasse 50 anos estaria em Paris. Assim, no início de 2013, comecei a planejar uma curta viagem de férias, aproveitando os últimos dez dias referentes a este ano para fazer uma ótima comemoração. Faço aniversário em 31 de outubro, mesmo dia em que meu amigo Emi também faz, e por coincidência, somos do mesmo ano. Ele topou comemorar os 50 anos em Paris, cidade que ele gosta muito. Queria uma comemoração em alto estilo. Desta forma, me programei para viajar de classe executiva, comprando as passagens pela TAM ainda no primeiro semestre. Vera e Cláudia, duas amigas e minhas companheiras de viagens recentes ao exterior, estavam programando conhecer o norte da Itália, especificamente a região do Piemonte, para a mesma época, período em que há uma tradicional feira gastronômica na cidade de Alba, epicentro para quem quer caçar trufa branca (tartufo bianco) entre os meses de setembro e dezembro. Aceitei o convite para me juntar a elas, programando as minhas férias para o período de 23 de outubro a 01º de novembro, possibilitando-me estar em Alba no último final de semana de outubro para conhecer a tal feira gastronômica, a Fiera Internazionale del Tartufo Bianco D'Alba, em sua 83ª edição, além de acompanhar uma caçada às trufas brancas, visitar vinícolas de Barolo e de Barbaresco, conhecer as pequenas cidades da região, e fazer tour gastronômico entre os melhores restaurantes da região. Emi e Rogério também toparam. Assim, o grupo estava formado para um passeio no Piemonte entre os dias 24 e 28 de outubro. Depois, nós seguiríamos rumos distintos. Eu continuaria na companhia de Cláudia e Vera, indo para Milão, enquanto Rogério e Emi iriam para a Borgonha, na França. Conforme planejado, eu estaria em Paris no dia 30 de outubro, quando me reencontraria com os meninos, enquanto as meninas seguiriam para Portugal. Antes do início da viagem, tudo já estava pronto: passagens aéreas comprados para o trechos Brasília-São Paulo-Milão, Milão-Paris, e Paris-São Paulo-Brasília, hotéis em Alba, Milão e Paris reservados, todos em excelente localização, serviço de transfer do Aeroporto de Malpensa, em Milão, para Alba devidamente contratado, carro alugado para o passeio no Piemonte e para fazer o trajeto Alba-Milão, visitas a duas vinícolas reservadas, participação na caça às trufas brancas confirmada, restaurantes premiados devidamente reservados, além do seguro saúde Travel Ace comprado, pelo qual paguei R$ 231,54 (não costumo usar o seguro oferecido pelo cartão de crédito na compra de passagens aéreas internacionais). Chegou o dia de viajar: 23 de outubro, uma quarta-feira, primeiro dia de meu último período de férias de 2013. Meu voo de Brasília para Guarulhos estava marcado para 18 horas. Tinha tempo de sobra para fazer as malas. Decidi levar pouca coisa, pois nas duas últimas viagens para o exterior, eu tinha a mala mais pesada do grupo. Separei roupas versáteis que não amarrotavam muito. A dificuldade era quanto ao paletó, item obrigatório para jantar no restaurante escolhido para os meus 50 anos. Decidi não levar terno, mas sim um blazer de veludo e uma gravata, colocando-o em um plástico próprio de viagem, daqueles que o ar sai praticamente todo de dentro dele, deixando a roupa como se estivesse sido embalada a vácuo. Ao final, a minha mala pesou apenas 16 quilos (como estava de executiva, poderia levar até duas peças com 32 quilos cada uma), enquanto a mala de mão não chegou aos 5 quilos. Fiquei feliz em ter conseguido levar pouca coisa. Chamei um táxi por volta de 16:30 horas, pagando R$ 40,00 pelo trajeto de minha casa até o Aeroporto Internacional de Brasília, onde não tinha fila para o check in. Despachei a bagagem e peguei os cartões de embarque, seguindo para o portão indicado. O voo estava lotado e saiu no horário, aterrizando no Aeroporto Internacional de Guarulhos às 19:40 horas. Segui direto para a área do embarque internacional, onde havia uma pequena fila. Não demorei quinze minutos entre a passagem pelo controle de raio X e pela imigração. Parei na loja Dufry para comprar dois produtos que uso para o rosto. Faltava muito tempo para a partida do voo da TAM para Milão, previsto para decolar às 22:40 horas. Decidi esperar na sala vip da TAM. Um horror. Tinha gente sentada no chão, outros estavam com copo na mão do lado de fora da sala. Muito lotada. Parecia uma rodoviária em época de Natal. Gente e mala por todos os cantos. Bebi apenas uma tônica, sem muitas perspectivas de conseguir sentar, mas, para minha sorte, uma senhora me viu em pé com cara de poucos amigos e logo me chamou. Ela iria embarcar logo e me cedeu sua poltrona. Agradeci e ali fiquei até anunciarem o início do meu embarque. O voo atrasou cerca de quarenta minutos para decolar. A classe executiva não estava cheia. Foi um voo tranquilo, sem muita turbulência no trajeto. Dormi uma boa parte do voo. Embora tenha atrasado na decolagem, o avião pousou no horário correto, ou seja, às 14:05 horas do dia 24 de outubro, quinta-feira. No entanto, assim que o avião encostou na ponte de desembarque, pediram para ninguém se levantar, pois haveria atendimento médico a bordo. Uma senhora tinha passado mal durante o voo porque não havia tomado seus medicamentos rotineiros. Os paramédicos entraram, fizeram os procedimentos de retirada da senhora, liberando o desembarque. Meu transfer estava marcado para 15 horas, mesmo horário que combinei para encontrar com Emi e Rogério no desembarque do Aeroporto de Malpensa, em Milão. Como fui o primeiro a sair do avião, a passagem pela imigração foi muito rápida, onde me perguntaram apenas quantos dias ficaria na Europa. Esperei a mala na esteira indicada, que não demorou para aparecer. Na saída, como estava só, o agente da alfândega me parou, pedindo para eu abrir a mala maior. Coloquei a mala em cima de uma espécie de banco, destravei o código, permitindo que o agente checasse o conteúdo da mala. A checagem foi "meia boca", quando o agente só passou a mão por cima das minhas roupas. Fui liberado, fechei a mala e saí. Na saída, vi logo uma placa com o nome NOEL, conforme solicitei na contratação do serviço. Era o motorista italiano que me levaria para Alba. Pelo serviço, pagamos € 375, um valor bem salgado, mas era o mais rápido meio de se chegar ao nosso destino. Tínhamos pesquisado o percusso de trem, mas demorava cerca de 4 horas, com três conexões. Para quem tinha viajado cerca de 12 horas, cansado e com mala, o trem já não seria a opção mais confortável e na inexistência de trens diretos entre Milão e Alba, o caro do transfer saiu barato. Emi Rogério já estavam no local. Seguimos para o estacionamento, onde Emi fumou antes de entrarmos na enorme van que nos conduziu, em duas horas, até o Hotel I Castelli, em Alba, onde chegamos às 17:20 horas. O tempo estava nublado e fazia frio. Começava uma ótima viagem de férias.

sábado, 2 de novembro de 2013

DOMINGO ECLÉTICO NO RIO DE JANEIRO


O domingo também foi um dia lindo no Rio de Janeiro, com muito sol, brisa e céu azul. Desta vez saímos um pouco mais tarde do hotel, por volta de 11 horas. Nosso destino era a Praça São Salvador. Fomos a pé. Todos os domingos acontece uma feira de artesanato nesta praça, o que leva muita gente para lá. Além de comprar os produtos dos artesãos, as pessoas se encontram para bater papo em alguma das barracas de bebidas/comidas da feira. Além disto, a partir de 10:30 horas, até 14:00 horas, uma orquestra de chorinho chamada Arruma o Coreto se reúne em torno do coreto da praça para tocar, despretensiosamente, clássicos do cancioneiro brasileiro, especialmente chorinhos. O mais interessante é que eles começam a tocar independentemente de todos os músicos terem chegado. Na medida em que um músico chega, ele se acomoda entre os demais integrantes do grupo e começa a tocar também. É muito bom. Pessoas de todas as idades, velhinhos acompanhados de enfermeiros, casais jovens com bebês nos carrinhos, gente paquerando, adolescentes, crianças, jovens, todos passeando na praça, curtindo a música instrumental e experimentando as iguarias gastronômicas da feira. Todos sabem que sou muito resistente a comer qualquer coisa que é vendida na rua, em barracas, mas não resisti ao pastel de carne. Tatá elogiou muito e resolvi experimentar. Enorme e muito gostoso. Dentre aqueles que ouviam o chorinho, encontramos um mineiro de Divinópolis, torcedor do Galo. Logo já estávamos entrosados e assim que uma música acabava, ele gritava Galo! e nós levantávamos o braço direito, imitando o craque Reinaldo quando fazia mais um gol pelo Atlético Mineiro. Assim passamos o final da manhã e o início da tarde. Quando a fome começou a apertar, resolvemos ir para Ipanema. Fomos de ônibus (R$ 2,75). Como era domingo, esperamos um pouco na parada até aparecer um que passasse na Praça General Osório, nosso destino, onde também há uma feira de artesanato aos domingos, só que em dimensões bem maiores. O trânsito estava um pouco travado nas imediações da praça. Descemos, mas optamos por não passar pela feira, embora Fernando o quisesse, pois tínhamos fome e Tatá queria se sentar, já que tinha ficado muito tempo em pé ouvindo o chorinho. Como estamos comemorando os cem anos de Vinícius de Moraes, resolvemos almoçar no Vinícius ou no Garota de Ipanema, o que tivesse mesa disponível. No Garota de Ipanema, Vinícius e Tom Jobim compuseram a música homônima, cuja partitura estampa as paredes do restaurante. Andamos cerca de 500 metros até a esquina de Rua Prudente de Morais com a Rua Vinícius de Moraes, onde ficam os dois restaurantes. O Vinícius estava muito cheio, com uma fila de espera maior do que a que tinha na porta do Garota de Ipanema. Esperamos cinco minutos para sentarmos em uma mesa neste último. Fernando desistiu de ficar conosco e voltou para a feira da General Osório, reaparecendo bem mais tarde. Nós almoçamos, sendo que Tatá foi embora antes, pois queria ver o jogo Atlético X Flamengo no Bar Picote. Nós vimos o mesmo jogo na televisão do restaurante. Por volta de 17 horas, pagamos a conta, resolvendo ver o por do sol no Arpoador. Para tanto, caminhamos pelo calçadão de Ipanema, vendo todo o movimento de turistas e cariocas na orla. A praia ainda fervilhava de gente. Chegamos ao Arpoador e logo nos acomodamos em um quiosque, mas o atendimento era tão sofrível que mudamos para outro, localizado ao final do calçadão, onde a visão para o Morro do Vidigal era perfeita. Assim, tomando uma água de coco, vimos o belíssimo por do sol por trás do morro, fenômeno que merece, diariamente, aplausos de quem o assiste da Pedra do Arpoador. Era hora de voltar para o Flamengo. Um pequeno estresse ocorreu entre Rose e Fernando por causa desta volta. Íamos de metrô, mas a fila para pegar o ônibus que nos levaria até a estação Siqueira Campos em Copacabana era surreal. Preferimos pegar um táxi, com Rose reclamando o tempo todo do trânsito, do engarrafamento. A corrida ficou em R$ 25,00. Paramos no Bar Picote, onde ainda nos sentamos. Depois de algum tempo, eu e Karina resolvemos voltar para o hotel, onde tomei um banho e me aprontei para mais uma noite na Lapa. Novamente a dupla Leo e Karina pegou um táxi em direção à Lapa (R$ 15,00 a corrida). Como era domingo, o movimento era bem menor do que na sexta-feira. A indicação de Edu Kriger era para ir ao Bar Semente (Rua Joaquim Silva, 138). O local é pequeno, mas tem uma programação de música ao vivo de primeira, onde o samba e o chorinho são as estrelas da noite. Nós fomos os primeiros a entrar no bar, o que nos possibilitou ficar em uma mesa ótima, perto da saída, sem movimentação de gente e com visão do palco, onde Júlio Estrela e grupo comandou o show, desfilando clássicos do samba na primeira parte e outros clássicos do chorinho na segunda parte de sua apresentação. O couvert artístico, estampado na comanda individual recebida na entrada, era R$ 23,00. Com fome, resolvemos comer um sanduíche paulista (R$ 15,00), um dos itens escrito em uma lousa no bar. Demorou para chegar, é simples, com recheio de mortadela e queijo, ambos levemente fritos, o que potencializou seu sabor. Ficamos até 1 hora da manhã no bar. Cansados, resolvemos pegar um táxi e voltar para o hotel, antes fazendo poses para fotos em frente aos Arcos da Lapa. Logo um táxi passou. A corrida ficou novamente em R$ 15,00. Terminava nosso agradável final de semana no Rio de Janeiro. Com gostinho de quero mais.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ATERRO DO FLAMENGO


Quando estávamos almoçando no Bar Luiz, começamos a decidir o que faríamos em seguida. Decidimos voltar para o Flamengo, onde eu e Karina queríamos dar uma volta pelo Aterro, local que ainda não conhecia. Já passei inúmeras vezes por ele, mas sempre de carro. Terminado o almoço, caminhamos até o Largo da Carioca para pegar o metrô na estação de mesmo nome, descendo na estação Flamengo. A pé, nos dirigimos para a Praia do Flamengo. Uma passarela subterrânea nos levou até o Aterro, um local bem arborizado, cheio de pombos e gatos. Uma alameda de pau-brasil nos conduziu até a praia, que tinha um bom movimento. Afinal, a tarde de sábado convidava cariocas e turistas a ficarem nas ruas, praias e locais públicos, ao ar livre, aproveitando o dia. Obviamente que meu objetivo não era pisar na areia, tampouco colocar o pé no mar. Queria conhecer o local e tirar fotos. A vista da Praia do Flamengo e da região do Aterro onde fica a churrascaria Porcão é sensacional. Para todos os lados que eu olhava, um cartão postal do Rio de Janeiro surgia majestoso: Ponte Rio-Niterói, Marina da Glória, Cristo Redentor. A mais bela paisagem é, sem dúvida, o Pão de Açúcar e o bairro da Urca aos seus pés. Lindo! Ficamos cerca de uma hora no Aterro do Flamengo. Meus olhos já pesavam e meu corpo não queria obedecer meus comandos. Precisava urgentemente de uma cama. Resolvei voltar para o hotel para descansar, enquanto os demais ainda foram dar mais uma volta pelo bairro. Entrei no quarto pouco depois de 16 horas. Troquei algumas mensagens por whatsapp, fiz uma ligação para minha mãe, fechei todas as cortinas, deixando o quarto o mais escuro possível, deitei com o objetivo de dormir um pouco para sair mais tarde com o pessoal. Triste ilusão. Quando acordei, pensando ser 22 horas, já passavam das 3:30 horas da madrugada. O melhor era dormir novamente para aproveitar o domingo.