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segunda-feira, 25 de março de 2013

EM NOME DO JOGO

Em 1972, Laurence Olivier e Michael Caine protagonizaram um ótimo filme, Sleuth, que no Brasil recebeu o nome de Jogo Mortal. O mesmo Caine participou de uma refilmagem em 2007, contracenando com Jude Law, mas o primeiro filme é infinitamente superior. Ao ler o Correio Braziliense, vi o anúncio de uma peça chamada Em Nome do Jogo que ficaria em cartaz na Sala Villa-Lobos nos dias 23 e 24 de março. No elenco, Marcos Caruso e Erom Cordeiro. Resolvi comprar ingresso, o que fiz pela internet, pagando R$ 25,00 pela meia entrada, pois utilizei o cupom de desconto do jornal, para a sessão das 20 horas do domingo, 24 de março. Até começar a peça, não fiz nenhuma ligação com o filme de 1972. O teatro recebeu um bom público, mas não lotou, com cadeiras vazias na parte superior. Houve um atraso de apenas cinco minutos para começar. Como há muita gente na cidade que parece fazer questão de chegar atrasado, os primeiros dez minutos de peça conviveram com os retardatários tentando se acomodar em suas cadeiras no escuro, incomodando quem queria prestar atenção no texto que Marcos Caruso falava. Ele interpreta um escritor de livros policiais. Quando Erom Cordeiro entrou em cena como o namorado da mulher do escritor, e este propôs um negócio que envolvia roubo de jóias e golpe na seguradora, achei que conhecia aquela história. Não tardou para eu reconhecer o roteiro do filme Jogo Mortal, baseado no mesmo texto da peça que eu estava assistindo. O autor do genial texto é Anthony Shaffer. A direção geral coube a Gustavo Paso, que conseguiu imprimir um ritmo diferente ao texto, mesmo porque no teatro as cenas tem que ser mais cruas, não havendo os truques disponíveis para a telona. E a direção é segura, deixando a sinergia entre Caruso e Cordeiro fluir de uma forma ascendente. O jogo é sensacional, com reviravoltas fantásticas e situações que o público fica atento, esperando o desfecho, que pode acontecer a qualquer momento. Na verdade, há três desfechos distintos e inusitados durante todo o espetáculo, que dura cerca de 80 minutos. Eu já tinha visto Marcos Caruso outras vezes no teatro e sempre gostei de sua atuação, e aqui não foi diferente. Ele empresta um ar gozador ao seu personagem, mas sempre com erudição. O que me surpreendeu foi a performance de Erom Cordeiro, que vive dois personagens totalmente diferentes e consegue fazer o público esquecer que o amante da mulher e o delegado de polícia são interpretados pelo mesmo ator. Na segunda metade da peça, é Erom Cordeiro quem domina a cena. Assistir a uma peça de suspense com toques policiais não é um fato comum para mim e, mesmo sabendo a história, fiquei totalmente absorvido pelas situações desenvolvidas no palco. Belo espetáculo, fechando bem o final de semana chuvoso em Brasília.

artes cênicas

sábado, 11 de agosto de 2012

MARIA BETHÂNIA INTERPRETA CHICO BUARQUE


Não tinha conseguido comprar ingresso para o terceiro show da edição brasiliense do projeto Circuito Cultural Banco do Brasil, Maria Bethânia interpreta Chico Buarque. No entanto, na manhã de sexta-feira a sorte veio na forma de uma ligação telefônica. Um amigo, sabendo que estava sem ingresso, me ligou dizendo que sua colega de trabalho tinha dois ingressos, mas não iria mais ao show. Confirmei, sem exitar, meu interesse nas duas entradas, pelas quais paguei R$ 60,00 cada uma. Era entrada de estudante, mas resolvi arriscar. Não pediram nenhum comprovante na entrada do teatro. Eu e Ric tínhamos lugar garantido na fila V, lugar longe do palco, mas com visão tranquila do show. Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro lotada para ver a excelente intérprete Maria Bethânia, acompanhada por seis músicos. Os adereços do cenário eram os mesmos dos dois shows anteriores do projeto, mostrando que Monique Gardenberg é craque, pois os moldou ao tipo de música que cada um interpretou. Bethânia entrou, como sempre, descalça, andando na ponta dos pés, com figurino todo branco, em contraste com o preto utilizado pelos músicos de sua banda. Começou o espetáculo cantando Rosa dos Ventos e emendou uma música na outra sem conversar com o público até o final, seguindo seu sempre consistente roteiro. Problemas com o som foram uma constante. Quem sentou mais atrás tinha dificuldades em ouvir a voz da cantora em determinadas partes das canções. Roda Viva, Cálice, Teresinha (muito aplaudida), Valsinha, João e Maria, Noite dos Mascarados, Tatuagem, Vida, Cotidiano, A Rita, Gente Humilde (foi a música que mais tive dificuldade em ouvir por causa do som), entre outros sucessos de Chico Buarque, foram ouvidos na voz deliciosa de Bethânia, que também recitou dois textos, também do homenageado, durante o show. Gota d'Água foi a que mais gostei, assim como a música que encerrou o espetáculo, Não Existe Pecado ao Sul do Equador. Aplaudida de pé, com muitos assobios pedindo mais um, a cantora retornou para cantar Chico Buarque da Mangueira, com as luzes da tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, verde e rosa, iluminando o cenário e o palco. As cortinas se fecharam. Alguns começaram a sair, mas outros pediam outro bis. Ela voltou, homenageando a cantora que apresentou Chico Buarque ao Brasil, Nara Leão, cantando A Banda, com o público de pé fazendo coro. Bethânia fez um show normal, nos moldes que seus fãs esperam, não trazendo nenhuma novidade, nem uma performance arrebatadora. Foi aquilo que eu esperava. Terminado os três shows do circuito, Lulu Santos fez, de longe, o melhor espetáculo.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

LULU SANTOS INTERPRETA ROBERTO CARLOS & ERASMO CARLOS




Lulu Santos interpreta Roberto Carlos & Erasmo Carlos foi o segundo show na temporada de Brasília do Circuito Cultural Banco do Brasil, em cartaz na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Comprei o ingresso por R$ 69,00 pela internet, com lugar na fileira T. Teatro lotado, mas com algumas cadeiras vazias, embora a informação de ingressos esgotados estivesse visível na bilheteria. Como na noite anterior, duas moças entregavam, para quem descia a rampa de acesso à sala, uma caixinha azul contendo duas trufas de chocolate. Como de costume, houve um atraso de dez minutos para começar o espetáculo. Lulu entrou com os demais músicas, já tocando guitarra, tendo como cenário o mesmo usado por Sandy na noite anterior, mas a utilização dos adereços era diferente. Lulu priorizou o repertório da dupla Roberto & Erasmo da época da Jovem Guarda, não se atendo aos arranjos originais. Muito antes pelo contrário, ele ousou e muito nos arranjos, numa autêntica recriação da obra do Rei, com resultados muito positivos e bem recebidos pela plateia. Era quase impossível saber a música que ele iria executar ouvindo os acordes iniciais, sendo necessário ouvir as primeiras palavras da canção para reconhecer o sucesso de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. O show começou com Sentado à Beira do Caminho, numa versão despojada, com alterações no tom de voz. Resultado interessante e gostoso de ouvir. No meio do show, ele fez uma ótima piada, ao dizer que iria apresentar a banda. Os quatro músicos que o acompanhavam deixaram seus instrumentos de lado e foram para o centro do palco, mas Lulu não falou seus nomes. Como um anfitrião em uma festa, apresentou gestualmente um músico para o outro, que, por sua vez, deram apertos de mãos e abraços, como se nunca tivessem se encontrado. O público riu muito. A apresentação dos músicos só ocorreu ao final do show, já no bis. O Calhambeque foi a segunda canção do setlist da noite que ainda contou com outros sucessos como Minha Fama de Mau; As Curvas da Estrada de Santos; Vem Quente Que Eu Estou Fervendo; Eu Te Darei o Céu; Sou Uma Criança, Não Entendo Nada; É Preciso Saber Viver. Lulu deu uma pegada diferenciada em cada uma das músicas do show, ora com toques de tango (Se Você Pensa), ora como se fosse um reggae (Eu Te Darei O Céu). Ele ainda permitiu ao baixista Jorge Ailton um ótimo solo para Você Não Serve Pra Mim. Durante a música Festa de Arromba, um clip em preto e branco passava na tela redonda com cenas de jovens dançando twist. Ilegal, Imoral ou Engorda foi a penúltima música da noite. Assim que ele acabou de cantá-la, Lulu disse que quando fez o primeiro show do projeto em São Paulo, o empresário de Roberto Carlos estava presente e lhe disse que o Rei queria saber se uma música estava no setlist. Não estava, mas Lulu a incluiu para os shows seguintes. Ela passou a ser a última canção do show: Emoções, que foi cantada em coro pela plateia, mesmo com um arranjo bem diferente, com direito a solos de assobios feitos por Lulu Santos em seu início. Segundo li, Roberto Carlos viu o show no Rio de Janeiro e gostou. Claro que a plateia se levantou, aplaudindo calorosamente o cantor e pedindo bis. Lulu retornou ao palco dizendo que não tinha gostado de sua performance em Festa de Arromba, repetindo a canção, com as mesmas imagens que passaram na primeira vez. Ao terminar de cantar disse que a levada iê-iê-iê de Roberto e Erasmo sempre estiverem presentes em sua obra, brindando aos presentes com Tempos Modernos, de sua autoria, com público de pé, cantando e dançando. O que faltou de empolgação no show de Sandy na noite anterior, quando ela interpretou canções de Michael Jackson, teve de sobra com Lulu Santos, um verdadeiro showman. Depois de terminado o espetáculo, fiquei pensando quantas vezes já tinha visto Lulu em shows. Foram várias, mas esta foi a primeira vez que o vi em um teatro. O show merece registro em cd e dvd.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

SANDY INTERPRETA MICHAEL JACKSON




Nunca imaginei que um dia iria a um show de Sandy. Pois fui. Assim que anunciaram que o Circuito Cultural Banco do Brasil passaria por Brasília, fiquei interessado na proposta onde um cantor/cantora faz um show inteiro dedicado à obra de um artista consagrado nacional e/ou internacionalmente. Para esta etapa do circuito, que tem curadoria de Monique Gardenberg e Toni Platão, foram definidos três shows: Sandy interpreta Michael Jackson, Lulu Santos interpreta Roberto e Eramos Carlos, e Maria Bethânia interpreta Chico Buarque. Os ingressos para o show de Bethânia foram pulverizados no mesmo dia em que foram colocados em pré-venda para clientes Ourocard. Infelizmente não consegui comprar, garantindo, no entanto, entradas para os dois outros shows por R$ 69,00 cada um. Sandy interpreta Michael Jackson abriu o circuito em Brasília na noite de 08 de agosto na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Sentei bem atrás, na fileira T. Na bilheteria do teatro havia a informação de que os ingressos para o show de Sandy estavam esgotados, mas havia umas duas dezenas de poltronas vazias. Sinal que os famosos convites não foram utilizados, deixando quem queria comprar ingressos de fora do espetáculo. Para minha surpresa, o público era, majoritariamente acima de quarenta anos de idade. Logo fiz uma associação de que havia mais fãs de Michael Jackson do que de Sandy. Pode até ser verdade, mas assim que ela apareceu no palco, muitos gritos histéricos, especialmente de mulheres, ecoaram no teatro. De nada adiantou o aviso antes do show sobre a proibição de filmagens e fotografias. O que mais se via eram luzes das câmaras digitais e das telas de smarphones ligadas durante todo o show. Com uma banda com cinco músicos, ela apareceu no palco com figurino inspirado nas roupas do Rei do Pop, em pedestal à direita, cantando Bad. O arranjo deixou a música mais lenta e a voz da cantora não se encaixou na música. Quando ela cantava o refrão, parecia um cabrito chamando a mãe. Outros sucessos vieram em seguida, mas não senti empolgação na plateia. Ninguém cantava as músicas. Os fãs de Sandy insistiam em gritar gracinhas para a cantora, fato que irritava quem queria ouvir as canções de Michael Jackson. Os mesmos fãs tiravam muitas fotos, publicando-os imediatamente nas redes sociais, quando a operadora de telefonia funcionava (vi uma jovem na fileira da frente ficar xingando a TIM por não ter sinal de internet no teatro). Quando terminou Rock With You, a terceira canção da noite, ela conversou com o público e assim o fez até o final do espetáculo. Em uma destas intervenções, ela disse que na escolha do setlist do show escolhera canções de todas as fases de Michael Jackson, incluindo a época em que cantava com seus irmãos no Jackson Five. Não podia faltar no repertório Ben, Man in The Mirror, I'll Be There, Music and Me, Human Nature, Billy Jean e Thriller. Estas duas últimas também tiveram arranjos que as deixaram mais lentas, o que me desagradou. Uma histérica atrás de mim não parava de gritar pedindo para Sandy fazer o moonwalk. Claro que não foi atendida, pois a cantora usava um salto alto considerável. A última canção foi Gone To Soon. Assim que deixou o palco, não senti, novamente, empolgação da plateia, que custou a pedir bis. Ela demorou um pouco a voltar, encerrando a apresentação da noite com a dançante Don't Stop Till You Get Enough, quando todos ficaram em pé, mas poucos dançaram. Enfim, um show médio com viés de baixa (utilizando um jargão do economês). Ressalto que o cenário do show estava muito bonito, especialmente o jogo de luzes e a projeção em um telão redondo, cujo ponto alto foi durante a introdução da música Earth Song, quando parecia que a Terra rodava em pleno palco da Villa-Lobos.

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sábado, 14 de abril de 2012

CALMA AÍ, CORAÇÃO - ZECA BALEIRO


Vi a propaganda do show de Zeca Baleiro no jornal na segunda-feira, dia 09 de abril. Seriam duas apresentações na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro nas noites de 12 e 13 de abril. Fui à bilheteria na mesma segunda-feira em que li o anúncio, mas sem muita expectativa de conseguir ingresso, pois os shows de Baleiro em Brasília sempre são muito concorridos. Antes de sair, imprimi o cupom Sempre Você por ser assinante do Correio Braziliense, garantindo-me pagar meia entrada. Cheguei na bilheteria do teatro e achei que estava tudo esgotado, pois não havia fila e era hora do almoço. Para minha surpresa, havia muito local disponível para ambas as noites. Paguei R$ 80,00 pelo ingresso, escolhendo um ótimo assento, centralizado, no setor 2 da plateia, para o primeiro dia de espetáculo, 12 de abril. Por volta de 20 horas eu já estava no foyer da Sala Villa-Lobos. Foi muito fácil achar vaga para estacionar, mesmo com metade do estacionamento impedido por montagem de tendas que darão o suporte à I Bienal Brasil do Livro e da Literatura. O movimento era pequeno. Algumas pessoas chegaram na bilheteria e conseguiram comprar ingressos ainda no setor 2. Estranhei, mas realmente o teatro não ficou cheio. Diria que tinha pouco mais da metade de suas poltronas ocupadas. Com vinte minutos de atraso, os cinco músicos da banda de Zeca Baleiro entraram no palco, sendo seguidos pelo cantor maranhense. Ele não se dirigiu ao público, cantando de pronto um rap que está em seu mais novo trabalho, O Disco do Ano, chamado O Desejo. A receptividade da plateia foi morna, sinal de que poucos conheciam a música. Esta sintonia morna predominou na primeira hora do show. Predominou no set list o repertório do novo cd. Dois momentos de maior empolgação do público nesta primeira parte do show foram: a interpretação para Disritmia (Martinho da Vila), em um arranjo diferente da já diferente gravação de Baleiro, e a interpretação do sucesso Maresia (Ai Se Eu Fosse Marinheiro), de Adriana Calcanhoto. Quando o show já chegava perto de uma hora de duração, a banda se posicionou na frente do palco, todos sentados em banquinhos, com Zeca Baleiro ao centro. Neste momento, ele, enfim, conversou com a plateia. Disse estar muito feliz em iniciar a turnê do show Calma Aí, Coração por Brasília, reafirmando sua posição de estrear seus shows em cidades fora do eixo Rio-São Paulo. Por ser o primeiro show, ele pediu desculpas pelos erros que cometeu em relação às letras das músicas novas. Brincou com a plateia dizendo que em seis meses voltaria à Brasília, quando o espetáculo já estaria bem azeitado. Apresentou a banda de forma divertida. Argumentou que o brasileiro gosta de músicas com coreografia, citando Michel Teló, provocando gargalhadas dos presentes. Por causa disto, ele fez uma música para a turnê com coreografia. Um dos integrantes da banda acionou o computador e uma base pré-gravada rodou. Baleiro e banda cantaram, dançaram, com direito a passos e muita coreografia de mãos e quadris, para delírio da plateia. A letra da música é hilária, rimando, por exemplo, Palocci com Padre Marcelo Rossi. A música termina com o cantor e seus músicos saindo do palco dançando em fila indiana. Era o final do show. Depois de alguns minutos de pedidos de bis, ele retorna com outra roupa, para cantar alguns de seus sucessos, entre eles Telegrama, cantada em gritos pela mulherada presente, e Alma Não Tem Cor, sucesso do grupo Karnak, que Baleiro também já gravou. Nesta música, um casal do público deu um pequeno show de dança de salão na lateral do palco. O cantor chegou a agradecer aquela participação especial espontânea. Alguns chatos insistiam em gritar "Toca Raul!". Claro que ele tocou, Maçã, lendo a letra colado ao chão. Uma das músicas mais interessantes da nova safra é Meu Amigo Enock, cantada no palco enquanto um filmete rolava no telão ao fundo. Era uma animação de uma conversa no Facebook, tema da música. O figurino é um ponto alto do espetáculo. Os cinco integrantes da banda usam roupas e calçados monocromáticos, cada um com uma cor diferente: como tenho dificuldades de distinguir cores de longe, arrisco dizer que havia músico de roxo, de azul, de verde, de marrom e de um tom atijolado. O cantor seguiu sua característica peculiar de se vestir, com um calça com grafismos preto e branco, camisa amarela, colete escuro e paletó com madras grandes, com tons amarelados e preto. Quando terminou a segunda parte, que na verdade foi o bis, o clip da ótima O Disco do Ano começou a passar no telão, enquanto a galera deixava o teatro. Durante o show, Tuco Marcondes, um dos músicos puxou um Parabéns Pra Você, pois Zeca tinha feito aniversário no dia anterior, 11 de abril. Não gostei do cenário, ou melhor das projeções no telão. As cores são em tons pasteis e achei que não havia uma sincronicidade com as músicas, salvo poucas exceções. Em algumas canções, não há nada sendo projetado no telão. No frigir dos ovos, foi um  show morno, sem muita empolgação. Quem sabe daqui a seis meses ele melhore...

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

FILIPE CATTO - FÔLEGO




Ouvir Filipe Catto é experimentar uma mistura de estilos diferentes, tornando-se uma coisa única, exclusiva, deste cantor gaúcho radicado em São Paulo. Já tinha postado aqui na série Música Que Ouço o seu primeiro trabalho: Fôlego. Ele tem a irreverência de Eduardo Dusek, a ousadia de Caetano Veloso, a dramaticidade de Maísa e um timbre de voz que nos lembra Ney Matogrosso. Seu cd está sempre em rotação no player de meu carro. Ao ler que ele seria uma das atrações do Festival Internacional de Artes de Brasília, que ocupou vários espaços da cidade durante os meses de janeiro e fevereiro, tratei logo de ir atrás do ingresso. Todo o festival teve entrada gratuita, mediante a retirada de um par de ingressos por pessoa a partir de 14 horas do dia marcado para o espetáculo. Cheguei de Recife no dia 01º de fevereiro, mesmo dia do show, já perto de 18 horas Antes de ir para casa, Ric me levou à bilheteria do Teatro Nacional Cláudio Santoro, onde consegui entrada para me sentar em uma das últimas filas. Antes de Filipe Catto, se apresentaria a banda brasiliense Innatura. Cheguei no horário marcado, às 20 horas, sem dificuldades para estacionar. A Sala Villa-Lobos estava com pouco menos de 2/3 ocupada. Com apenas dez minutos de atraso o show de reggae começou. Confesso que não sou fã deste ritmo e acabei o show continuando sem gostar. Meu interesse principal era ver em cena o cantor gaúcho. Montaram rapidamente o palco para, em seguida, ele ser anunciado. O público já tinha baixado para menos da metade do teatro, evidenciando que muitos foram ver e prestigiar a banda Innatura. O cenário é bem simples, com apenas as letras que formam a palavra fôlego dispostas irregularmente do lado ao contrário. A ideia que me passou era que os músicos estavam em um telhado de um edifício em meio aos letreiros de um grande painel luminoso. Foram quase duas horas de um espetáculo arrebatador. Filipe Catto é mil vezes melhor em cena. Ele interpreta cada canção com tanta carga emotiva que mais parece um ator. Ouvir Garçon, clássico brega de Reginaldo Rossi, na voz de Catto, parece uma outra canção. Crime Passional, Gardênia, Saga, Ave de Prata, todas músicas de seu cd, ficam superiores na interpretação ao vivo. Quem já o conhecia, cantava as suas músicas junto com ele. Quem ainda não sabia quem ele era, ficava extasiado, comentando que compraria o cd. Visivelmente emocionado, Catto terminou um belo show dizendo que aquele tinha sido seu maior público até então em sua carreira. Tenho certeza que ele ainda lotará os teatros pelo Brasil. Grande show. E o melhor: gratuito.

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domingo, 5 de junho de 2011

MARIA DO CARITÓ



Programação cultural no final de semana para mim é quase uma obrigação, como já devem ter percebido pelas postagens que faço aqui neste blog. E neste não foi diferente. Com ingressos comprados antecipadamente, ao preço de R$ 45,00 cada um (meia entrada utilizando o cupom Sempre Você, por ser assinante do Correio Braziliense), eu e Ric fomos para o Teatro Nacional Cláudio Santoro, onde estava em cartaz, na Sala Villa-Lobos, a peça "Maria do Caritó". Esta peça já me chamou a atenção desde a primeira vez que eu li sobre sua estreia, pois o texto é de Newton Moreno, um dramaturgo cujos textos sempre me agradaram, sejam os inéditos (Agreste, As Centenárias), seja a adaptação livre de "Álbum de Família", de Nelson Rodrigues (Memória da Cana). Saber que a atriz principal era Lilia Cabral me animou mais ainda, porque a considero uma atriz completa, tanto em teatro, cinema ou televisão. A direção é de João Fonseca. Chegamos faltando apenas quinze minutos para o início da peça, prevista para 21 horas. Houve um pequeno atraso, de apenas dez minutos. Teatro lotado. O universo da peça é o Nordeste brasileiro, como nas demais peças que vi de Moreno. O cenário lembrava uma festa junina, já que a história começa justamente no dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, com Maria do Caritó, personagem encarnada por Lilia Cabral, faz mais uma simpatia para se casar, quando tinha 49 anos. Antes da entrada em cena da atriz, a sua própria voz, em off, explica o que significa caritó para a audiência. Vou reproduzir aqui o texto do folder de divulgação da peça. "Na cultura popular nordestina, Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem, fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. E assim, a moça que ficou no caritó é aquela que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta." Maria do Caritó, prometida em promessa pelo pai, caso sobrevivesse quando nasceu, ao Santo Djalminha, não se conforma em ser virgem e nunca ter arranjado um pretendente. Por outro lado, a comunidade acredita que ela é santa. Ela vive, durante toda a história, esta dualidade, ficando entre o sagrado e o profano. Ela acaba achando "o grande amor de sua vida" em um circo mambembe, com apenas duas pessoas, onde é enganada pelo "russo" para integrar a trupe circense. O russo é vivido por Leopoldo Pacheco, que também faz outros personagens. Aliás, com exceção de Lilia Cabral, todo o elenco faz mais de uma personagem. Além do já citado Pacheco, integram o elenco de "Maria do Caritó" o ator Fernando Neves, e as atrizes Dani Barros, sensacional em todas as caracterizações (ganhou prêmio de melhor atriz coadjuvante da Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro - APTR), e Sílvia Poggetti. A peça é ótima, cômica, mas também nos permite uma reflexão sobre tradições de pequenas cidades, a solidão, a crença, a fé. Gostei de toda a história, mas uma cena é hilária, merecendo um destaque: o pout pourri de amor que Lília Cabral canta no circo. Desafinada, com direito a coreografia a la chacretes e incursões da frase "like a virgin", do repertório de Madonna. Sensacional! Ao sair, fui ligar para confirmar onde meus amigos estavam para jantar e não achei meu celular. Voltamos correndo ao local onde estávamos sentados, mas nada encontramos. Ric continuava a ligar, mas eu não ouvia nada (o celular estava no modo silencioso, sem vibração). Revirava a mochila e encontrava tudo, menos o telefone. Respirei fundo e dei mais uma checada. O danado tinha entrado em um bolso pequeno dentro da mochila. Fomos direto para o El Paso Latino (SQS 404, Bloco C, Loja 19, Asa Sul), onde terminei a noite comendo um delicioso ají de gallina, prato típico da culinária peruana, desfrutando de um bom papo com os amigos.


Ají de gallina - El Paso Latino

sábado, 19 de fevereiro de 2011

QUANDO O CANTO É REZA


Noite de quinta-feira. Estava exausto, após dois dias coordenando uma reunião, oito horas por dia, a maioria do tempo em pé. Longe de casa, com trânsito lento, fiquei ouvindo o cd Quando O Canto É Reza, último trabalho de estúdio de Roberta Sá, que para este disco, se uniu ao Trio Madeira Brasil. Delicioso de se ouvir, o cd só possui gravações de canções do baiano Roque Ferreira. No caminho para casa, consegui relaxar a mente, embora o corpo pedia uma cama, um urgente descanso. Porém, a mente venceu o corpo, pois tinha ingresso (R$ 20,00 a inteira) para assistir ao show baseado justamente neste cd que escutava no carro. O preço popular do ingresso é devido ao Projeto MPB Petrobrás, que trouxe nos últimos dois anos algumas atrações da música brasileira ao palco do principal teatro de Brasília, a Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro (que precisa urgentemente de uma repaginada e de uma ampla reforma). O projeto tem uma característica importante: um artista local abre o show da atração da noite. Nesta quinta-feira, com o teatro totalmente lotado, a abertura ficou por conta de Henrique Neto, filho de Reco do Bandolim, presidente do sempre aclamado Clube do Choro de Brasília. Henrique mostrou que filho de peixe, peixinho é. Excelente violinista, fez um show curto, mas memorável. Não se intimidou com as proporções do teatro, tocando lindamente seu violão, reverenciando músicos de primeira grandeza, como Ernesto Nazaré, Baden Powell, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, entre outros. Foi bastante aplaudido ao final de sua apresentação. Como sempre acontece em espetáculos onde há mais de uma atração, houve uma demora na montagem do palco para o show principal, mas o tempo de espera acabou sendo maior do que o programado, pois houve problemas com um dos retornos dos músicos do Trio Madeira Brasil. O anúncio do show de Roberta Sá & Trio Madeira Brasil se deu às 22 horas. Foi lindo. O repertório do show foi todo de canções de Roque Ferreira, basicamente as músicas do cd, como as ótimas Zambiapungo (esta Roque Ferreira fez em parceria com um dos integrantes do Madeira Brasil, Zé Paulo Becker), Tô Fora, Orixá de Frente, Cocada, Xirê e A Mão do Amor. Achei o show mais vibrante do que o disco. Os percussionistas Zero e Paulino Dias, também presentes no disco, impuseram um ritmo mais pulsante no palco. As músicas cresceram executadas ao vivo. Roberta Sá, como sempre, foi uma simpatia, dançando, cantando e seduzindo a plateia. Os três integrantes do Madeira Brasil, discretos, elegantes, mas de uma competência ímpar. A sinergia entre músicos e cantora foi total. Os flashs de câmeras fotográficas e de celulares não paravam de pipocar na plateia. Havia momentos em que Roberta Sá parecia fazer poses para as fotos. Embora as músicas de Roque Ferreira, em sua maioria são um convite para sacolejar o corpo, com sambas bem marcados como os feitos na Bahia, o público ficou contemplando o belo espetáculo que assistíamos. Roberta Sá usava um belo vestido longo, de um bege bem claro, com aplicações douradas em forma de flores. Nas duas mãos, aneis grandes também em motivos florais. Como em muitas das músicas o sincretismo religioso baiano está presente, imaginei que Roberta Sá, com aquele figurino, queria fazer uma oferenda à Iemanjá. Na verdade, ela fez uma oferenda de alegrias para todos que compareceram à Sala Villa Lobos na noite de quinta-feira. O show durou, com o bis, 75 minutos. Quando fui embora, até o corpo estava relaxado. Dormi um sono tranquilo. Belo show, que merece ser visto e revisto.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ORFEU


Esteve em cartaz no último final de semana em Brasília o musical Orfeu, em nova montagem após cinquenta anos de sua estreia. Para esta nova encenação, o diretor Aderbal Freire Filho ambientou a história clássica de Orfeu e Eurídice nos dias atuais, mantendo a estética idealizada por Vinícius de Moraes em transportar a história para os morros cariocas. Agora, temas o tráfico de drogas, a violência e o baile funk como parte do enredo. O elenco, como na primeira montagem, é formado de atores e atrizes negros, dos quais a mais conhecida do grande público é Isabel Fillardis. Freire Filho adicionou algumas canções da dupla Tom Jobim e Vinícius que não estavam no original, além de ter colocado um personagem que faz um link com a história do passado e a presente. Ele é o poeta. O cenário é composto de um grande painel que nos remete aos barracos amontoados das favelas, mas, para quem é de Brasília, lembra a arte de Athos Bulcão também. Além deste painel, duas escadas de madeira fazem as vezes das escadarias das favelas cariocas, e algumas cadeiras de madeira completam o cenário. Há muita troca de roupa durante as quase duas horas de musical, com algumas araras expostas nas laterias do palco. Também em cena, seis músicos comandados por Jaques Morelembaum e Jaime Alen, garantem a execução da música ao vivo. A iluminação de Maneco Quinderé dá força ao espetáculo. Destaco esta interação da luz com a cena em duas oportunidades: a aparição da morte, vivida por Fillardis, em um figurino todo branco e uma máscara prateada, e a cena de sexo entre Eurídice e Orfeu, muito bonita, por sinal. Há algumas tiradas ótimas, em flerte com a comédia, como quando, em uma mesa de bar, o poeta pede ao garçon uma oficial de justiça mal passada. O garçon traz a tal oficial em seus braços. O poeta pede que ela reabra o clube para que a história da mitologia grega possa continuar e ela responde que mitologia não é sua área, pois é especializada em Direito Civil. O baile funk é ótimo, especialmente a caracterização das "popuzudas", entre elas, uma bichinha pra lá de pintosa. Quanto às interpretações, há altos e baixos, mas, no geral, não há prejuízo para o conjunto do musical. O ator (Érico Bras) que faz Orfeu é muito bom na composição de um sambista do morro, mas não tem uma extensão de voz boa o suficiente para cantar as músicas mais lentas de Tom e Vinícius. No seu todo, o musical cresce na segunda metade, terminando com uma bela e justa homenagem a Vinícius de Moraes. Gostei muito do musical, genuinamente brasileiro, mostrando que não devemos nada aos importados da Broadway. Pena que o teatro não estava lotado, com várias cadeiras vazias nas suas laterais. O preço do ingresso não pode ser motivo destes vazios, pois custou R$ 40,00 (meia entrada - cupom Sempre Você). O público brasiliense perdeu uma ótima opção de entretenimento. Fica a dica para as demais cidades nas quais Orfeu ainda será exibido.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

AS CENTENÁRIAS



Cinco semanas de reuniões, treinamentos, documentos, pancadas, discussões, esclarecimentos. Cheguei ao final desta quinta-feira um bagaço. Ainda havia o agravante de que estava sem dormir. Nada melhor do que deixar todos os problemas no trabalho e ir descansar a mente, assistindo a uma boa peça de teatro. Aproveitando que Kitty estava em Brasília, eu e Ric a levamos para ver As Centenárias, em cartaz na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Com o cartão de descontos da Drogaria Rosário, conseguimos comprar os ingressos como meia entrada, pelo qual pagamos R$ 35,00 cada um. Marcada para 21 horas, a peça começou com dez minutos de atraso. O teatro estava completamente lotado. Marieta Severo (Socorro) e Andréa Beltrão (Zaninha) são as duas centenárias do título. Elas são carpideiras que prestam seus serviços pelo interior do Nordeste em troca de um prato de comida ou mesmo um trago de cachaça. Elas enganaram a morte no passado, sempre se utilizando do expediente de estar em velórios, onde, por estar muito ocupada, a morte não as pode carregar. E a saga destas velhas é não mais encontrar com a temida morte. Sávio Moll (a morte e manipulador dos vários bonecos em cena) também faz parte do elenco. De maneira leve, até mesmo poética, o texto nos traz uma visão diferente da que estamos acostumados a ter da morte. Desde 2007 em cartaz, a peça já ganhou uma série de prêmios, incluindo o de melhor cenário, de autoria de Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque. Eles fizeram uma parede só de bonecas de pano, daquelas típicas encontrads em feiras de artesanato pelo Nordeste e em Minas Gerais. As duas atrizes se revezam em diversos papeis, sempre divertidíssimas. Ambas mostram uma sinergia no palco muito acima da média do que tenho visto ultimamente. Andrá Beltrão mostra uma versatilidade incrível para encarnar uma jovem, uma viúva, Zaninha, entre outros personagens. Marieta Severo também mostra seu talento nos papeis de Socorro, nova e velha, do pretendente de Zaninha e de Lampião. Todas as caracterizações são hilárias. Comédia do início ao fim. A direção é de Aderbal Freire Filho para o excelente texto de Newton Moreno, cada vez mais um excelente autor teatral. Já vi outras duas encenações para textos dele: Agreste e Memória da Cana. A peça ainda passará por Goiânia, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte. Quem estiver nestas cidades na época, aconselho a assistir, pois é ótima. Ao acabar a peça, com cerca de 90 minutos de duração, nem lembrava de trabalho e seus problemas. Do teatro, fomos comer uma pizza na Pizzaria Valentina, conversando apenas amenidades (e algumas coisinhas do trabalho). O corpo continuava cansado, mas nada como uma boa noite de sono para relaxar (foi o que aconteceu!).

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

GRUPO CORPO 35 ANOS


Fui à Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro na estreia, em Brasília, da turnê do Grupo Corpo comemorando seus 35 anos de sucessos contínuos. Duas coreografias na programação: Imã, último trabalho do grupo, e Lecuona, escolhida em votação no sítio eletrônico da companhia de dança. Ambas as coreografias tem a assinatura de Rodrigo Pederneiras, figurinos de Freusa Zechmeister, cenografias e iluminação de Paulo Pederneiras (Fernando Velloso também assina a iluminação em Lecuona). Paguei R$ 70,00 pela entrada. O teatro não estava cheio, com muitas cadeiras vazias nas laterais superiores. Uma pena, pois o espetáculo foi impecável. Ric foi comigo e não conhecia nenhuma das duas coreografias. Eu já conhecia as duas. Já comentei sobre Imã aqui neste blog (para ler post de 06 de setembro de 2009, clique aqui), com uma vibrante música de + 2 (Moreno, Domenico, Kassin). Quanto à Lecuona, a considero como uma das melhores que o grupo já apresentou. Foi a quarta vez que a vi e continuo me surpreendendo. São vários duos, inspiradíssimos por sinal, com trabalho magnífico das bailarinas, tendo a música triste do cubano Ernesto Lecuona. O final é deslumbrante, quando o cenário se transforma em um grande salão espelhado, típico dos bailes de debutantes. Todas as bailarinas estão com vestidos brancos, nenhum repetido, bailando com seus pares, todos de negro, lembrando os tempos dos grandes bailes. Emocionante. Aplaudidíssimo no final. O público não arredava pé do teatro, batendo palmas e gritando "bravos", como já é de praxe nas apresentações deste sensacional grupo mineiro.


sábado, 11 de setembro de 2010

STOMP


Depois de mais um dia cansativo, nada melhor que refrescar a mente em um bom show. Com ingressos comprados (R$ 100,00 - meia entrada com cupom Sempre Você), eu e Ric fomos conferir o show do grupo britânico Stomp, em cartaz neste final de semana na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Com lotação esgotada, o show começou praticamente no horário marcado (21:30 horas). O grupo é famoso por fazer um som percussivo utilizando objetos do dia a dia. Eles não usam nenhum instrumento musical em cena (a não ser um apito no número final). Com oito integrantes, sendo duas mulheres, o show é inspirado no mundo da construção civil, com figurino lembrando os usados por operários deste segmento econômico. A primeira batucada é feita com vassouras, quando o cabo e os pelos são utilizados para dar o tom da música. Além da percussão, o show é permeado de humor, lembrando as comédias eternizadas no cinema e na televisão por Charles Chaplin, O Gordo e O Magro, ou Os Três Patetas. A plateia é instada a se manifestar em quase todos os números musicais, seja aplaudindo um dos integrantes ou acompanhando com palmas ritmadas. Dei boas gargalhadas durante as quase duas horas de espetáculo. Para a percussão, eles utilizam canos de borracha, baldes, pias de metal, água, panelas, sacos e sacolas plásticas, bolas de basquete, jornais, copos descartáveis de refrigerante, sacos de papel, placas de trânsito, tambores de plástico, latões, areia, além do próprio corpo e de sapateado. Merece destaque a sincronia dos oito integrantes do grupo nos números coletivos, além da menção visual a grandes manifestações culturais, como a dança do dragão dos orientais e a dança em círculo de tribos indígenas. Não poderia faltar o esporte predileto dos americanos, com um número com bolas de basquete. Há um número em que, com todas as luzes apagadas do teatro, eles utilizam isqueiros para simular as famosas luzinhas que são utilizadas nas decorações natalinas. Apenas com com movimentos de acender e apagar os isqueiros, vemos as luzes, em várias velocidades, percorrendo um painel imaginário. Acabam o show com um dos integrantes falando em português (creio que seja baiano) sobre o presente que veio da Bahia que eles dariam a nós, o público, atacando com a batida que tornou o Olodum mundialmente conhecido. Excelente show.

sábado, 14 de agosto de 2010

ANTIGRAVITY



Quinta-feira, 21 horas, Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Eu e Ric ficamos em uma fila imensa para entrar, mesmo com os lugares marcados, para ver Antigravity, uma companhia americana de acrobacias aéreas. Paguei R$ 30,00 (meia entrada com o cupom Sempre Você do Correio Braziliense). Houve atraso para a abertura das portas de acesso ao teatro. Havia um grande público, embora não estivesse completamente lotado. Muitos adolescentes com uniformes de escolas do DF se faziam presentes, indicando que houve distribuição de ingressos por parte da produção do espetáculo. Antes do início do show, houve a projeção de um vídeo sobre o intercâmbio que alguns membros da Antigravity fizeram em seis capitais brasileiras no mês de julho, com imagens e depoimentos de adolescentes sobre a experiência. A companhia tem vinte anos e reúne ex-atletas, especialmente das modalidades da ginástica artística e rítmica, além de oriundos das competições de X-Games. O espetáculo é dividido em dois atos, com intervalo de quinze minutos entre eles. É uma mistura de esportes, dança, circo, música e luzes numa salada de acrobacias. O elenco reúne quatorze pessoas, além de uma artista convidada, a anã Terra Jolé, que faz números dublando cantoras do mundo pop, enquanto o palco é arrumado para novo número. Para quem já viu o Circo Imperial da China ou o Cirque du Soleil vai achar entediante as apresentações. Como já vi os dois, não gostei do espetáculo. Há altos e baixos, O nível não chega a empolgar. As apresentações que se inspiram na ginástica rítmica são sofríveis. O número com fita é muito ruim, cheio de erros. O mesmo vale para o número com bolas. As ginastas/artistas entraram vestidas com uniformes da seleção brasileira e as bolas lembravam as de futebol. Foi tão ruim que me lembrei da seleção de futebol do técnico Dunga. Já os números com bambolês (arcos) foi melhorzinho, especialmente quando entram em cena os dois atletas que fazem evoluções dentro de arcos gigantes, parecendo o famoso desenho de Leonardo Da Vinci, o Homem Vitruviano. As dublagens de Jolé são engraçadas, mas as drag queens brasileiras dão de mil na sua apresentação. Quando ela entrou em cena como Britney Spears foi interessante, mas ficou repetitivo ao entrar como Ivete Sangalo (uma evidente apresentação preparada especialmente para a turnê brasileira) e como Lady Gaga. Se eu fosse o diretor, manteria apenas esta última, pois a coreografia com o elenco masculino é divertida. Outro defeito do espetáculo é a péssima ligação entre um número e outro, com falhas na música (interrupções abruptas), na iluminação e não há alguém para recolher do palco roupas e objetos que pertencem a números passados. A fita do segundo número ficou em cena por mais três apresentações, caída no canto direito do palco. Há, contudo, números interessantes, como a cama elástica com paredão, que não apresenta nada de novo, mas é bem executada. Novo mesmo somente a performance com o elenco masculino, todos calçados com uma bota metálica, com molas propulsoras. Eles pulavam e rodopiavam em torno do corpo, com saltos mortais. Parecia um filme de ficção científica. Enfim, não gostei do show como um todo.

domingo, 8 de agosto de 2010

GORDA


Mais uma noite de sábado dedicada às artes cênicas. Eu e Ric fomos conferir o sucesso de público em terras paulistas e cariocas Gorda. Ingresso a R$ 35,00 (meia entrada com o cupom Sempre Você). Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro lotada. Atraso de apenas dez minutos. O público brasiliense continua sem educação, pois muitas pessoas insistem em chegar atrasadas, já com o espetáculo iniciado. Houve um problema com o som durante toda a peça, mas no começo foi pior. Gritos da plateia durante um diálogo, pois o som não estava chegando ao fundo e às laterais do teatro. Também houve muita microfonia, pois tentavam aumentar o volume de captação dos microfones que ficavam pendurados no teto. A solução pode ser eficiente em salas menores, mas não o é em grandes teatros, como é o caso da Sala Villa Lobos. O texto é do cineasta americano Neil Labute. Direção do argentino Daniel Veronese, que gosta de dar um toque natural às peças que dirige. E nesta peça não foi diferente. Embora uma comédia leve (sem trocadilhos!), tudo que se passava em cena parece realidade, parece natural. O elenco conta com Fabiana Karla (Helena, a gorda do título), Michel Bercovitch (Tony), Mouhamed Harfouch (Caco) e Cacau Melo (Joana). Venderam a imagem de ser uma comédia, explorando a imagem de Fabiana Karla, sucesso nas noites de sábado no global Zorra Total (nunca vi este programa). Realmente é uma comédia, mas o texto é inteligente, nada de besteirol ou stand up comedy que fazem sucesso nos palcos nacionais. Com forte conteúdo, a peça nos dá um soco no estômago. Explorando a situação de Helena ser bem resolvida com seu corpo, fora dos padrões de beleza ditados pela sociedade atual, e seu relacionamento com um jovem executivo, magro, expõe os preconceitos e a vergonha de se relacionar com pessoas "estranha" ao padrão exigido por uma sociedade capitalista e moralista. O preconceito se revela, principalmente, nas falas de Caco e de Joana, colegas de trabalho de Tony, o namorado de Helena. E para provar que o texto se relaciona com toda forma de preconceito e discriminação, o personagem Caco, tentando convencer Tony a largar a gorda, diz que os "normais" da sociedade rejeitam os gays, os velhos, os gordos, os deficientes (ele usa as palavras retardados e aleijados) porque sentem medo de existir a possibilidade de ser um deles. Ele chega a falar que espera morrer antes de chegar a velhice pois odeia velhos. O elenco está afinado, mas embora Fabiana Karla é a única a aparecer no material de divulgação da peça, cabe aos dois atores a maior quantidade de falas. Destaco Mouhamed Harfouch. Ele tem um tempo de comédia muito bom e conseguiu transmitir emoção ao falar um texto dramático, descrevendo sua relação com a sua mãe gorda. O público aplaudiu em cena aberta por mais de uma vez. O final é impactante e surpreendente. Ouvi muita puxada de nariz, sinal de algum choro, de emoção, também visível nos olhos dos atores.


Terminamos esta noite em uma festa de quarenta anos do filho de uma colega de trabalho.

sábado, 31 de julho de 2010

ENSINA-ME A VIVER

Sexta-feira, 30 de julho de 2010. 21 horas. Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro lotada para ver a peça Ensina-me A Viver. Não é a primeira vez que esta peça vem a Brasília. Já tentei assistí-la antes, tanto aqui em Brasília quanto em São Paulo, mas não consegui, pois os ingressos sempre estavam esgotados. Assim que vi a notícia no jornal, imprimi o cupom de descontos Sempre Você para assinantes do Correio Braziliense para comprar o ingresso (R$ 35,00 - meia entrada). O texto é do americano Colin Higgins que já foi transposto para o cinema em 1971, recebendo o título em português idêntico ao da peça (em inglês é Harold and Maude). O texto foi traduzido por Millôr Fernandes, adaptado por João Falcão, que também assina a direção da peça, sucesso de público no Brasil. Glória Menezes (Maude) e Arlindo Lopes (Harold) encabeçam o elenco, que ainda conta com Stella Maria Rodrigues (a mãe de Harold), Antônio Fragoso (como o padre, o tio militar de Harold, o terapeuta e o inspetor da polícia), Fernanda de Freitas (as três pretendentes de Harold), além de um elenco de apoio. É uma história de amor, porém os enamorados aqui são uma senhora à beira de completar 80 anos que adora viver e um jovem perto de completar 20 anos que adora a morte. Os dois se encontram em um enterro de um desconhecido qualquer e passam a se ver frequentemente. Enquanto isto, a mãe de Harold, cansada de ver as simulações de suicídio de seu filho, resolve encontrar, por intermédio de uma agência de matrimônio, uma namorada para ele. A interpretação de todo o elenco é muito boa. Destaco Arlindo Lopes, um jovem ator que dá vida e emoção ao seu personagem. Glória Menezes faz uma velhinha adorável, cheia de vida como não poderia deixar de ser, com um sotaque infantil que demonstra o quão jovem de cabeça Maude é. Seu figurino é trocado constantemente, sempre muito colorido, com exceção de uma cena, onde ela usa o branco, tendo em vista o momento da peça. O figurino de Harold também explicita a transposição da veneração pelo funesto para a alegria de viver. Fernanda de Freitas dá um show de interpretação, pois a caracterização das três jovens pretendentes de Harold não nos permite dizer, de imediato, que se trata da mesma atriz. A peça é longa, pois tem 110 minutos, diferente da média dos espetáculos encenados no Brasil, que gira em torno de 60-70 minutos. Mesmo com esta duração, ela não cansa. É divertida, é emocionante. Os efeitos visuais também merecem ser destacados. A movimentação de cortinas para trocar as cenas é sensacional, como também o são os efeitos quando Harold simula alguns de seus suicídios. Há uma ode ao teatro, tanto na cenografia (Maude mora em um depósito abandonado que guarda artigos e cenários de peças teatrais), quanto no texto, pois a senhora idosa diz que o teatro não se guarda, ele dura um único momento, mágico para quem o assiste, enquanto o cinema se guarda em latas. Mas o cinema também é homenageado. O início da peça lembra uma abertura de um filme com a projeção dos créditos da peça nas cortinas que se movimentam. Enfim, é a magia e a emoção que tomam conta do teatro. Gostei muito.


segunda-feira, 15 de março de 2010

PERNAS PRO AR

Uma dona de casa, na faixa dos quarenta anos, acorda e descobre que suas pernas não mais a obedecem. Adquirem vida própria. Este é o mote do musical Pernas Pro Ar, com argumento de Luís Fernando Veríssimo, texto de Marcelo Saback, direção de Cacá Carvalho e coreografia de Alonso Barros. A estrela do espetáculo é Cláudia Raia, que interpreta, canta e dança. Começa morno, com as três primeiras músicas sem empolgação. Mas a partir do quarto número, o musical só cresce. Achei divertido, hilário até. A cena em que Helô, a personagem de Cláudia Raia, vai até um terreiro se consultar com o pai de santo e seu assistente, é muito divertida. Mas o melhor é o encontro de Helô, dentro de uma igreja, com três santas: Fátima, Aparecida e Guadalupe. Impagável a cena. O musical é grandioso, com muito uso de tecnologia em cena. Algumas músicas são versões para o português de sucessos internacionais, como Fever, eternizada na voz de Madonna e, bem depois da gravação da diva da música pop, na voz de Michael Bublé. Outro sucesso internacional vertido para o português é You Can Leave Your Hat On, de Joe Cocker, que ficou conhecida como a música do streap tease de Kim Bassinger no filme 9 1/2 Semanas de Amor. Conferi este musical na noite de domingo, pagando R$ 60,00 a meia entrada (utilizando o cartão sempre você do Correio Braziliense), na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro.
Uma cena engraçadíssima aconteceu pouco antes do início do espetáculo, quando o teatro já estava praticamente lotado e já tendo dado o segundo sinal para que as luzes fossem apagadas. Simplesmente na mesma fila em que eu estava, mas no setor 1 do teatro, uma mulher soltou um grito e foi como um dominó, pois todas as mulheres gritavam e se levantavam, algumas pularam as cadeiras para a fila da frente. O teatro se levantou e ficou vendo a luta de dois homens para matar uma barata. As luzes se apagaram sem que as pessoas tivessem voltado para os devidos lugares. A gritaria foi grande. Voltaram a ascender as luzes. Não conseguiram pegar a barata, que deve ter se escondido em alguma fresta das cadeiras. Foi divertido. Parecia que a barata queria entrar no clima do musical, deixando a plateia de pernas pro ar...

terça-feira, 9 de março de 2010

4 X 4

Domingo à noite. Fechei o final de semana cultural com chave de ouro. Fui ver, pela segunda vez, a montagem 4 X 4, da Cia de Dança Deborah Colker. Paguei R$ 50,00 a meia entrada, pois levei o cupom Sempre Você, disponível para os assinantes do Correio Braziliense. A sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro estava bem cheia. Para mim, é a melhor montagem desta companhia carioca. Já tinha visto em 2003 e lembro-me bem que gostei mais do segundo ato. O espetáculo mistura dança com artes plásticas. A peça tem dois atos. No primeiro, três movimentos. O primeiro deles é Cantos, com obra de Cildo Meirelles. O segundo, Mesa, do coletivo Chelpa Ferro. O terceiro, Povinho, do artista Victor Arruda.  Já o segundo ato, cheio de vasos, é todo de Gringo Cardia, parceiro de longa data de Colker. Quando vi pela primeira vez, a dança entre os vasos me fisgou. Os bailarinos tem que ter leveza e precisão ao mesmo tempo, dançando entre uma série de vasos dispostos em um quadrado. Coincidentemente, nas duas vezes em que vi esta montagem, apenas quatro vasos foram derrubados. Com um olhar mais apurado, desta vez o número que me fisgou foi o primeiro, quando cantos enormes são dispostos no palco e a coreografia se dá nestes cantos. Foi de longe, o que mais gostei. O número com a mesa andante do Chelpa Ferro acho chato, monótono até. O linóleo e o painel de fundo do terceiro número é um festival de cores de Victor Arruda e a dança é bem descompromissada, lembrando um jardim de infância. Valeu a pena ter visto novamente. Realmente foi um final de semana recheado de cultura.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SIMONE EM BOA COMPANHIA



Resolvi dar mais uma pausa no XI FIC Brasília e fui conferir o novo show de Simone, Em Boa Companhia na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. (R$100,00, meia entrada para quem doasse um quilo de alimentos). Há quatorze anos moro na capital federal e somente vi Simone uma única vez, em 2008, em show conjunto com Zélia Duncan. Sempre foi minha cantora predileta, embora minha relação com suas fases são de amor e ódio. Hoje o teatro não estava lotado. Público majoritariamente feminino e mais velho. Ao final do espetáculo, estava em êxtase. Simone está solta no palco, brinca com o público, bem humorada, de paz com a vida. Mesmo quando pede para pararem de filmar, não perde a pose, nem a graça. Ao final de cada música, muitos aplausos. Ela desfila o repertório de seu mais recente disco, Na Veia, entremeado com canções que há muito não cantava, como Tô Que Tô (Kleiton e Kledir), que abre o show, e Paixão (Kleiton Ramil), num arranjo muito mais bonito do que na gravação de 1983. Também canta músicas que nunca gravou. Destaco a interpretação emocionante de Certas Coisas, de Lulu Santos e Nelson Motta. Fazer uma releitura de Perigosa, música de Rita Lee, eternizada na voz das Frenéticas, foi ousado, pois já beirando os 60 anos, Simone ainda desperta muitos suspiros e está em forma. O bis, com Encontros e Despedidas e Desamor, teve grande parte dos presentes de pé rente ao palco, com Simone pegando nas mãos de um por um e distribuindo rosas brancas e vermelhas. O show está lindo, com uma iluminação de destaque. A direção é de José Possi Neto. Gostei muito do que vi e, se tiver oportunidade, assisto de novo. Quem sabe em Belo Horizonte, no Palácio das Artes, no próximo dia 04 de dezembro.