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sábado, 18 de dezembro de 2010

SHOWS MUSICAIS

Resolvi ficar em casa o sábado todo. Acordei tarde. Não tomei café da manhã, pois já era quase hora do almoço. Ric preparou uma galinha caipira cozida, com arroz branco, feijão, quiabo e angu. Uma autêntica comida mineira. Duas sobrinhas dele partilharam o almoço e a tarde de sábado conosco. Enquanto aguardava, fui ver o recente dvd de Ivete Sangalo: Multishow Ao Vivo Ivete Sangalo no Madison Square Garden. Na noite anterior, na mesa do El Paso Latino, um dos assuntos foi o figurino de Ivete neste espetáculo. O show é, como se esperava, agitado, acelerado, dançante, pra cima. Superprodução, com painel reproduzindo grafismos multicoloridos. A primeira música, Brasileiro, mostra como seria o show inteiro. Ficou muito bonito os grafismos alusivos à bandeira brasileira enquanto Ivete cantava. O público parecia ser majoritariamente brasileiro, pois camisas e bandeiras do Brasil, da Bahia e de times de futebol nacionais são frequentemente mostrados, além de acompanharem todas as músicas conhecidas. Na maior parte do tempo, Ivete se comunica com a plateia em bom português. Tem como convidados o colombiano Juanes, a canadense Nelly Furtado, o argentino Diego Torres, e o brasileiro Seu Jorge. Dos duos, o mais natural, e por isso mesmo, o melhor, é o com Seu Jorge, na interpretação da música Pensando Em Nós Dois. Há um momento Elton John, quando Ivete aparece debaixo de uma caixa de presente gigante sentada ao piano para interpretar a balada Easy. Michael Jackson é lembrado também com a música Human Nature. No mais, é um show de Ivete cheio de energia. Quanto ao figurino, ela faz cinco trocas de roupa ao longo do show. As roupas refletem uma imagem de festa constante no Brasil, mesmo a mais discreta delas, um fraque preto estilizado que ela aparece quando está ao piano. Chamaria as roupas de fantasias, especialmente a primeira e a última do show, que tem um corte semelhante, um fraque com estrutura avantajada e rígida nas pontas, dando um ar de mestre de cerimônias do Cirque du Soleil. O figurino, em alguns momentos, atrapalha a cantora, mas não tira o brilho do show. Aliás, integra bem ao conjunto colorido de todo o espetáculo. Realmente o figurino é over, mas reflete o que Ivete é no palco: over!
Depois de Ivete, foi a vez de ver I Am... World Tour, o novo trabalho de Beyoncé com imagens de sua última tourné, incluindo a histeria de fãs em Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Durante o show, imagens do público em várias cidades ao redor do mundo por onde a tourné passou. Foi bom rever o show que vi ao vivo em fevereiro deste ano no Morumbi em São Paulo.
Para esquentar para janeiro de 2011, o terceiro show que vi foi I Told You I Was Trouble - Amy Winehouse Live in London. Afinal já comprei ingresso, passagem aérea e reservei o hotel para o Summer Soul Festival, onde a cantora inglesa será uma das atrações. Este dvd é menos dançante do que os dois primeiros que vi, mas também é muito bom.
Para relaxar, o quarto dvd, que ainda está passando na minha TV, foi Simone Em Boa Companhia. Também vi este show no Teatro Nacional em Brasília. Já é a segunda vez que coloco este dvd. Gosto muito.

Nem vi o sábado passar...

ENCONTRO COM AMIGOS

Depois de uma sexta-feira entediante, sem muita coisa para fazer no trabalho, onde predominam as confraternizações natalinas, reservei a noite para o primeiro encontro com os amigos que viajaram comigo para Lima, Peru, depois de nosso retorno a Brasília. O local escolhido foi, naturalmente, o restaurante de comida latina El Paso Latino, cujos proprietários estão neste grupo de amigos. Marcamos o tal encontro para depois das 23 horas. Eu e Ric fomos os primeiros a chegar. O restaurante estava lotado. De dieta, estava com muita fome. Ficamos aguardando uma mesa vagar. Não demorou muito. Ficamos em uma mesa para quatro no lado externo, ao fundo do restaurante. Não esperamos o restante chegar, fazendo logo o meu pedido, um Trio Pecado: três ceviches de pescados, ou seja, atum, salmão e robalo, acompanhados de um purê de batata doce, de banana chip bem fininha e de milho peruano tostado. Estava muito bem feito, sendo o melhor deles o de robalo, o mais clássico de todos. Sem poder beber refrigerantes ou bebida alcoólica, pedi uma água com gás. Quando o proprietário veio até a mesa, perguntei se havia lúcuma, uma fruta típica do Peru, pois gostei muito de experimentar seu suco quando estive em Lima. Ele tinha polpa de lúcuma congelada. Assim, matei minha vontade, bebendo um suco dessa deliciosa fruta que lembra, de longe, o sabor de tâmaras. Estava ótimo, bem consistente. Espero que, em breve, haja alguma opção no cardápio do restaurante com esta fruta. Como sempre, meu amigo foi muito gentil ao mandar fazer o suco para mim. Nossos pratos chegaram praticamente no mesmo instante que dois amigos se juntaram a nós. Havia um fumante na mesa ao lado. Com um cigarro aceso atrás do outro, ficamos incomodados. Mudamos de mesa, desta vez para a frente do restaurante, onde dois outros amigos também se juntaram a nós. Ficamos conversando até perto de duas horas da madrugada. Da nossa conversa, saiu uma proposta de viagem conjunta para o México no mês de outubro de 2011. A pensar...
Para quem não conhece, uma foto da fruta lúcuma:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

MÚSICA QUE OUÇO XLVII

Esquentando para o Summer Soul Festival em janeiro de 2011: Janelle Monáe



INVERNO DA LUZ VERMELHA

 100,35




Primeiro ato: inverno, Amsterdã, um quarto de hotel, uma prostituta, um machão músico e um escritor nerd. Um triângulo amoroso inusitado. Interpretações explosivas, texto banal.
Segundo ato: verão chuvoso, São Paulo, uma quitinete, a mesma prostituta, o mesmo machão músico e o mesmo escritor nerd. Continua o triângulo amoroso inusitado, só que sem a presença dos três juntos em cena. Interpretações contidas, texto forte.
O texto acima reflete a minha impressão sobre a peça Inverno da Luz Vermelha em cartaz no Teatro I do CCBB de Brasília. Escrita por Adam Rapp, com tradução de Eduardo Muniz e Ricardo Ventura, a peça é encenada em dois atos em 120 minutos pelos atores André Frateschi (Davi), Marjorie Estiano (Cristine/Cristina/Ana)  e Rafael Primot ( Mateus). A direção é de Monique Gardenberg, cenários de Daniela Thomas e iluminação de Maneco Quinderé. A troca de cenários é feita entre os dois atos com as cortinas abertas e luzes acesas, em um coreografado trabalho das pessoas que ficam nos bastidores da cena. Daniela Thomas utilizou muito material de demolição para compor os dois ambientes onde se desenvolve a história. Há dois números musicais no primeiro ato para aproveitar os dotes de cantores de Estiano, que dança sensualmente enquanto canta uma música francesa, e de Frateschi, que toca guitarra e canta uma canção em língua inglesa.
O teatro tinha um bom público, embora não estivesse lotado. Percebi que um senhor sentado ao meu lado ficou incomodado com os diálogos do primeiro ato, recheados de palavrões, e com a cena de estrupro no segundo ato. Quando terminou, ele aplaudiu protocolarmente.
Os três personagens são densos e tem como caraterística comum o fracasso em seus desejos e planos de futuro.  O final é bem emblemático. Cada um acaba longe do outro, sem perspectivas na vida. Uma peça para refletir. A direção de Gardenberg é segura, especialmente quando altera a performance dos atores nos dois atos, deixando-se mais soltos na primeira parte do texto e mais contidos na parte final. Gostei muito.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A REDE SOCIAL

 99,90

Depois de ler muitas críticas favoráveis, além das recomendações de amigos e colegas de trabalho, fui conferir na noite de quarta-feira o filme A Rede Social (The Social Network), produção americana de 2010 dirigida por David Fincher. Comprei ingresso para a última sessão do Cinemark do Shopping Iguatemi Brasília. Enquanto aguardava na fila, observei que a maioria dos presentes eram jovens. Tudo a ver, pois o filme trata da criação do site de relacionamento Facebook, especialmente na pessoa de Mark Zuckerberg, figura central para o surgimento deste site. O roteiro tem idas e vindas no tempo, já que a ação principal do filme se concentra em uma mesa de negociação extrajudicial envolvendo Zuckerberg e aqueles que se sentiram prejudicados no decorrer da criação e evolução do Facebook. Enquanto a negociação desenrola, cenas em flashback aparecem, situando-nos na história e mostrando-nos as cenas do fato narrado. O filme não agradará a todos, pois os diálogos são acelerados e longos. Há uma verborragia sem fim, incluindo termos usados pelos "nerds" da computação, mas no saldo final, é muito bom. Fincher consegue mostrar fielmente o retrato da geração "sites de relacionamento", onde tudo deve ser compartilhado com todos. Além disto, as festas, bebidas, relacionamentos frugais, preocupação com estética, drogas e a gastança generalizada, típicas dos dias atuais, estão presentes de forma contundente no filme. Isto sem falar de como esta geração é perdida e, muito cedo, entrou em crise. Foi interessante saber que de um fora que Zuckerberg levou de sua namorada, acabou sendo criado o Facebook. O principal amigo dele e escolhido por ele para ser o diretor financeiro do site é brasileiro, Eduardo Saverin e, ao longo da trajetória da criação do site, foi sendo colocado de lado por Sean Parker (Justin Timberlake) criador do Napster, um autêntico oportunista que, vendo a aparente fragilidade de Zuckerberg e também seu aparente desinteresse por dinheiro, chega junto e, aos poucos, afasta Eduardo da empresa. Não se sabe a quantia que Eduardo levou na negociação extra judicial, mas seu nome voltou a figurar no Facebook como co-fundador. Merecidamente, os atores Jesse Einsenberg (Mark Zuckerberg) e Andrew Garfield (Eduardo Saverin) mereceram as indicações para concorrer ao Globo de Ouro 2011 como melhor ator e melhor ator coadjuvante, ambos para performances em drama. A Rede Social também está indicado nas categorias filme de drama, diretor e roteiro. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

DI CAVALCANTI DESENHISTA

 100,00



Em cartaz na Caixa Cultural de Brasília, em sua Galeria Principal, a exposição "Di Cavalcanti desenhista". Fui conferir na noite da última terça-feira. Não me recordava de ter visto algum desenho deste grande artista brasileiro, apenas pinturas vieram à minha memória. Fiquei curioso. São 120 desenhos dispostos nas paredes do grande retângulo que é a Galeria Principal, ficando fácil ver pacientemente obra a obra, fazendo um percurso único. Segundo informações na parede, reproduzida no folder da mostra, os desenhos chegam pela primeira vez ao grande público. As obras faziam parte do acervo do colecionador Lucien Finkelstein. Há, inclusive, alguns retratos deste joalheiro feitos por Di Cavalcanti na exposição. As mulheres, especialmente, as mulatas e negras, tema recorrente na obra do pintor, estão largamente presentes. Desenhos que lembram os movimentos cubista e surrealista também estão entre os desenhos que vi ontem. A grande maioria dos desenhos é em tom preto, nos quais o artista usou lápis, tinta e/ou aguada sobre papel. O primeiro desenho é um auto-retrato de Di Cavalcanti. Também há um retrato do poeta Vinícius de Moraes com seu inseparável violão e três mulheres semi nuas. Gostei muito de conhecer este lado desenhista de Di Cavalcanti. O senão fica por conta de uma troca das placas que identificam dois desenhos que, transcorridos seis dias de exposição, ainda não foi observada pela equipe da Caixa Cultural. Pedi a um dos vigias do espaço que falasse com algum responsável pela exposição. Vale a pena conhecer e, de quebra, ver as outras expposições que acontecem no mesmo local, como as fotografias de André Cypriano, cuja exposição recebe o título "Capoeira - Luta, Dança e Jogo da Liberdade", em cartaz nas Galerias Píccola I e II. As fotos capturam o universo que envolve a capoeira em diversas cidades no Brasil, sem ficar apenas no momento do jogo em si. Todas as fotos tem pequenos textos que ajudam a compreender a história da capoeira em nosso país.




Quando eram 20 horas, entrei no Teatro da Caixa para acompanhar a última edição do ano do Teste de Audiência, onde mais um filme nacional ainda não finalizado foi mostrado ao público (desta vez a plateia era pequena), seguido de debate com o diretor Marcelo Machado. Como assinei um termo de compromisso para não comentar sobre o filme, apenas informo que é um documentário chamado Tropicália. Tanto as duas exposições quanto o cinema tiveram entrada gratuita. O curador do Teste de Audiência anunciou que o projeto entrará, em 2011, em seu quinto ano na Caixa Cultural de Brasília e em seu terceiro ano no mesmo espaço em Curitiba.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

TUDO EM NOME DA VIDA SAUDÁVEL...

100,25


Hoje completou uma semana que estou com restrições alimentares: nada de laticínios, nada de gordura e fritura, nada de açúcar, nada de castanhas e congêneres, nada de carne vermelha, nada de feijão, lentilha, grão-de-bico, vagem, ervilha e afins, nada de refrigerantes, sucos em caixa ou em lata, bebida alcóolica. comer com pouco sal. Foram muitas tentações neste curto período, mas resisti. Adotei uma tática de não deixar de sair, de frequentar restaurantes, pois se fico em casa, acabo tendo mais ansiedade e a fome aperta. Em bares e restaurantes, escolho aquilo que posso comer, especialmente peixes, cereais integrais, verduras, legumes e frutas.

Ainda falta começar uma atividade física. Estou a procura de alguma que não me entedie. Em janeiro, com certeza, estarei praticando algum esporte.

Tudo para baixar os índices de colesterol, glicose, triglicerídeos e ácido úrico, além de regular a pressão arterial. Tudo em nome da saúde e da vida saudável.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

RETORNO AO TRABALHO

 100,60


Voltei ao trabalho hoje, depois de três semanas de férias. Agora é enfrentar documentos, processos, e-mails e os inveitáveis relatórios de final de ano.

domingo, 12 de dezembro de 2010

UM SÁBADO CHEIO EM BELO HORIZONTE

Tivemos um sábado movimentado em Belo Horizonte. Acordamos tarde, mas a tempo de tomar o bom café da manhã do Hotel Mercure Lourdes. O hotel é bem cheio nos finais de semana. Todos aproveitando a diária cultural. Pegamos um táxi em direção ao bairro Ermelinda, onde moram meus pais. Almoçamos com eles. Sabendo de minhas restrições alimentares, minha mãe preparou um almoço só com opções que eu podia comer. Salada de folhas verdes com tomate cereja, pepino e manga; legumes cozidos sem nenhum tempero (cenoura e batata); chuchu cozido bem picadinho (prato feito a meu pedido); arroz branco, feijão (único que não comi, tendo em vista a já citada restrição); e surubi ensopado. Tudo estava uma delícia, como sempre! Depois, conversamos um pouco, descansei, ajudei minha mãe a pagar contas pela internet. Por volta de 14 horas, resolvemos ir embora. Pegamos ônibus até o centro e de lá, tomamos um táxi para o Diamond Mall. Tínhamos outras opções de shopping, mas preferi um menos movimentado. Nosso objetivo inicial era comprar os presentes do amigo oculto para a confraternização logo mais à noite com alguns velhos amigos mineiros. Rodamos as lojas, não agradando de muita coisa, tendo em vista o espírito do amigo oculto, a ser sorteado na hora. Optei por comprar o novo cd duplo da Maria Bethânia e do novo dvd de Maria Gadú, enquanto Ric comprou chocolates na Cacau Show (uma mini garrafa imitando champagne e um pote de vidro cheio de formatos diferentes de bombons). Terminadas as compras e com tempo para o início da sessão de cinema (a garantia da segunda diária cultural no hotel), aproveitamos para tomar um café expresso no Café Verde Mar, localizado no piso térreo do shopping, em frente ao supermercado gourmet de mesmo nome. Seguindo a dieta, fiquei na água mineral com gás e com um café descafeinado. Na hora de pagar a conta, passaram meu cartão Visa, mas ele foi recusado, com a mensagem "transação recusada pelo cartão" estampada na máquina. Pedi para repetir, pois era o cartão que vinha usando nos últimos dias, inclusive foi o utilizado para pagar a compra do presente do amigo oculto minutos antes, em valor bem superior ao da conta no café. O garçom repetiu. A mesma mensagem apareceu. Troquei de cartão, transação aprovada. Liguei imediatamente para o cartão recusado para saber o que acontecera. As duas vezes que passaram o cartão, houve o registro da conta, não havendo nenhum problema com ele. Tive que solicitar o cancelamento dos dois registros. Como ainda estava no café, chamei o garçom, dizendo o que haviam me dito pelo telefone. Ele disse que a máquina do estabelecimento devia estar com defeito, se prontificando a me restituir o valor em dobro dos dois registros com o primeiro cartão. Agradecei, mas disse que já havia solicitado o cancelamento junto à administração do cartão de crédito. Do café fomos direto para o terceiro piso, onde estão localizadas as salas do Cinemark local. O filme que escolhemos foi As Crônicas de Nárnia - A Viagem do Peregrino da Alvorada (The Chronicles of Narnia: The Voyage of The Dawn Treader), terceiro episódio desta fantasiosa saga infanto-juvenil. Também não pagamos entrada, pois ainda tinha as cortesias para o Cinemark trocados pelos pontos acumulados no programa DOTZ. A direção do filme é de Michael Apted para uma produção dos Estados Unidos de 2010. Para resolver a questão do crescimento dos atores que fizeram os dois primeiros filmes, desta vez apenas os dois mais novos retornam a Nárnia para ajudar o Príncipe Cáspian contra um novo elemento maligno, um nevoeiro, desta vez acompanhados por um irritante primo mais novo. O filme é totalmente previsível, com os mesmos clichês dos dois anteriores. O tal primo irritante acaba se convertendo em herói, com dicas ao final de que, se houver um novo filme, ele retornaria ao mundo encantado de Nárnia. Como os anteriores, não gostei. Reafirmo que não tenho muita paciência para filmes onde animais conversam com os humanos. Antes que fiquem se questionando porque então assisti, já sabendo o que veria, respondo que era o único possível de se ver dentro do nosso apertado horário. Saímos do shopping perto de 19 horas, pegando um táxi para retornar ao hotel. Foi o tempo de aprontar para nova saída, desta vez para o encontro com os velhos amigos. Os amigos escolheram o local. Eles gostam de boteco, portanto, não me espantei quando me disseram o nome e o endereço: Bar Normal (Rua Barão de Cocais, 23, Sagrada Família). Fomos de táxi, parando em frente ao Hospital São Camilo, na Avenida Silviano Brandão. Atravessamos a avenida, e subimos a Rua Barão de Cocais. A poucos metros da avenida, dois senhores estavam sentados na calçada em frente a uma minúscula porta com um lustre rústica iluminando-a. Perguntei se era a rua que procurava, já que não tinha nenhuma placa indicativa na esquina, e se naquela porta se entrava para o Bar Normal. Ambas as respostas foram positivas. Para entrar, cada um recebe uma comanda. O senhor nos informou que o bar não aceitava cartões de crédito. Não gostei. Três amigas já tinham chegado e estavam em um ambiente reservado. O bar funciona em uma parte de uma casa adaptada. O ambiente reservado era uma espécie de sala, mas sem janelas para o exterior. Há duas aberturas para o salão do bar. A decoração é um caso à parte. Nas paredes, há mandalas de madeira, espelho, ferro, plantas, origamis pendurados no teto, rádios antigos, rendas nordestinas, sofás, mesas de compensado fixas no chão, cadeiras de plástico, pedras, paredes pintadas de uma cor ferrugem, enfim, uma grande salada. O atendimento é bem informal, mas eficiente. Música ao vivo no estilo um banquinho, um violão, com repertório clássico de bares, com bastante MPB. Cheguei com fome. Logo descobri que as opções eram poucas para minhas restrições, já que há uma variada oferta de petiscos típicos de bares. Na verdade, 100% do cardápio era vetado para mim, mas optei por aquilo que menos agrediria meu organismo: pasteis de angu recheados de frango desfiado. Embora fritos, eles vem bem sequinhos em uma porção com dez unidades. Estavam saborosos. Realmente pastel de angu é uma iguaria belo horizontina difícil de se encontrar em outras paragens. Para beber, somente água  mineral com gás, pois não havia suco natural, apenas os de lata. Logo todos os amigos chegaram, formando um roda com dez pessoas. Pek foi o último a chegar, vindo de uma peça de teatro. Ele me presenteou com os dois livros "Autores - Histórias da Teledramaturgia", lançado pela Editora Globo. Encontra-se esgotado. Traz depoimentos com diversos autores da telenovela brasileira. Belíssimo presente que ele carrega para me entregar desde o evento Auditions, dia 16/11/2010, quando estava no foyer do Palácio das Artes quando cheguei. Ele me falou do presente e eu, num ato insensato, pedi para ele me entregar em 11/12, sem sequer ver o livro. Já lhe pedi desculpes, mas o fiz novamente na noite de sábado. Atualizamos nossas conversas, o pessoal sempre bebendo cerveja e petiscando bastante. Quando os relógios indicaram meia-noite cantamos parabéns para Pek, que aniversaria no mesmo dia que Belo Horizonte, 12/12. Outro amigo presente também faz aniversário na semana que se iniciava, motivando-nos a também cantar parabéns para ele. A vela era em forma de interrogação, conseguida no próprio bar. Depois dos abraços, iniciamos o sorteio do amigo oculto. A dinâmica consistia em tirar um nome de dentro de uma sacola. A pessoa sorteada ia até o local onde estavam os presentes e escolhia um, abrindo-o na frente de todos. Em seguida, ele tirava novo nome da sacola que tinha duas opções: tomar o presente já aberto ou escolher novo embrulho. Caso tomasse o presente, o prejudicado escolheria nova sacola. Assim, o melhor é ser o último, pois todos os presentes já foram abertos (menos um), podendo fazer uma avaliação se vale a pena arriscar ou tomar um dos presentes conhecidos. No meu caso, tomei o presente de uma amiga. Era uma interessante caneca chamada "Um Dia Perfeito". Quando levantamos a caneca, luzes vermelhas se ascendem, parando em um desenho, como uma máquina caça-níquel. A ideia é compartilhar o jogo erótico e fazer o comando onde a luz parou. O último sorteado, Pek, tomou o primeiro presente aberto, que já tinha passado por três mãos. Era o presente que comprei. O bar fechava às duas horas da madrugada. Assim, pedi para fechar minha comanda quando faltavam quinze minutos para o expediente se encerrar. Paguei, indo para a avenida esperar um táxi passar. Não demorou nem dez minutos. Paramos dois táxis. Um para a amiga que organizou tudo e outro para mim e Ric. Chegamos no hotel quase duas e meia da madrugada. Ric ainda pediu uma omelete antes de dormir. Fiz o mesmo, mas apenas com recheio de tomates. O sono foi profundo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

ENTERRADO VIVO

O voo Brasília-Belo Horizonte (Confins) saiu com uma hora de atraso. Em ambas as cidades, os aeroportos estavam lotados. Não despachamos malas, por isso, nossa saída foi rápida, mas enfrentamos nova fila para comprar a corrida de táxi até o Hotel Mercure Lourdes (Avenida do Contorno, 7.315, Lourdes), cujo valor está em R$ 87,00, além de outra fila para esperar um carro. Foi a primeira vez que chego em Confins e tenho que ficar em uma fila, aguardando um táxi chegar no ponto. O trânsito estava bom. Assim, chegamos ao hotel às 22:20 horas. O check in foi eficiente. Apartamento no décimo nono andar, com uma vista deslumbrante da cidade. Nem deu tempo para desfazer as malas, porque nossa diária é em valor promocional de final de semana, chamada diária cultural (R$ 149,00 com café da manhã), exigindo a apresentação, por diária, de uma entrada de museu, show, teatro ou cinema. Já tinha checado os horários dos filmes, sabendo que há sessões depois de 23 horas no Cinemark do Pátio Savassi Shopping. Pegamos um táxi na porta do hotel. A corrida é pequena, dá até para fazer a pé, mas o tempo corria. Pedi ao motorista para sair da Avenida do Contorno, pois o trânsito estava lento. Depois descobri que era por causa de um show no Chevrolet Hall, ao lado do shopping para onde estávamos indo. Descemos na Praça da Savassi, pagamos a corrida de R$ 8,00, subindo a pé para o shopping. O centro de compras ainda estava aberto, com horário especial de Natal. Paramos antes no quiosque do Ah! Bom Café, onde fizemos um lanche rápido. Chegamos na bilheteria às 23 horas, hora de início da última sessão do filme escolhido, A Rede Social. Sessão esgotada. Tendo que ver um filme ainda no dia 10/12, comprei para o próximo disponível. Não pagamos entrada, pois tinha cortesias para a rede Cinemark, trocadas pelos pontos que acumulei no programa DOTZ. O filme escolhido foi Enterrado Vivo (Burried), do qual não tinha nenhuma informação. Estreia na direção do espanhol Rodrigo Cortés, com produção americana, protagonizada por Ryan Reynolds (Paul Conroy). O filme me surpreendeu positivamente. O título brasileiro entrega o seu final, mas nem por isso ficamos quietos na poltrona. É um suspense crescente, agoniante, cheio de surpresas, claustrofóbico. O cenário é único: um caixão de madeira no qual Conroy, um motorista americano que prestava serviços no Iraque em 2006, acorda. Ele está amarrado, com a cabeça sangrando e não sabe porque está naquele espaço mínimo, sem possibilidades de se sentar. Um celular vibra aos seus pés. Começa, então, sua luta contra o tempo para sobreviver, ligando para sua família, para conhecidos, para a empresa para a qual trabalha, para o serviço de emergência americano, para o FBI, para o Departamento de Estado americano, além de receber várias ligações de seu sequestrador, exigindo dinheiro para o resgate e a gravação de vídeos. A interpretação de Reynolds é perfeita. Ele nos passa todo seu sofrimento e sua vontade de sair do caixão. Nos diálogos pelo celular, identificamos críticas ferozes à ocupação americana no Iraque, à maneira como os serviços telefônicos são atendidos e à supremacia dos interesses corporativos em detrimento ao indivíduo. No inicio, o público ainda consegue rir de algumas falas, mas na medida em que o filme evolui, as risadas desaparecem, ficando um clima de suspense na sala de cinema. Um filme que nos faz prender a respiração, nos fazer mexer na poltrona, mas nos faz pensar sobre nossa realidade. Um dos melhores filmes que vi neste ano de 2010. Na saída, o shopping já estava fechado. A única maneira de deixar o shopping é pela garagem, um absurdo para quem não está de carro, pois o espaço é pequeno, sendo um verdadeiro perigo para quem tem que sair a pé, pois é a mesma saída de carros. A administração do shopping deve repensar esta atitude, deixando aqueles que não estão com carro no seu estacionamento sair por uma das portas do centro comercial. Pegamos um táxi para o hotel, pagando R$ 7,00 pela corrida. Não quis comer mais nada, apenas deitar e dormir. Já passava de uma hora da madrugada.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

BH NOVAMENTE

101,10


Último dia útil de férias. Malas prontas para um final de semana em Belo Horizonte, encontro com as amigas cervejeiras (não bebo cerveja, mas gosto do bate papo nos botecos de BH).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CONFRARIA VINUS VIVUS - 50ª REUNIÃO

101,30


A noite de quarta-feira foi especial. Foi a quinquagésima vez que a Confraria Vinus Vivus se reuniu para degustarmos excelentes vinhos. Como acontece em todo mês de dezembro, aproveitamos a reunião para também fazermos nossa confraternização de final de ano, com a tradicional troca de presentes de amigo oculto. O local da reunião foi o de sempre, na casa de uma das confrades, excelente anfitriã. Ao longo do ano, nas reuniões mensais, cada confrade contribui com R$ 285,00, com exceção do anfitrião, que já oferece a casa e o jantar. Nossa confraria tem dez integrantes, contando com o sommelier, que recebe R$ 250,00 a cada reunião. Ele é o responsável pela escolha dos vinhos, por comprá-los e por fornecer as informações técnicas no momento da degustação. Quem escolhe o tema de cada reunião é a confraria. Assim, mensalmente, a confraria tem à disposição R$ 2.280,00, dos quais tiramos o valor do sommeliler. Com o restante, paga-se os vinhos da degustação e os que harmonizarão com o jantar. O que sobra fica para uma espécie de caixinha para pagar os vinhos top que serão apreciados na última reunião do ano. Quando surge uma boa oportunidade, o sommelier nos avisa. Sendo de nosso interesse, com o dinheiro da caixinha, compramos o vinho, mesmo que esteja distante de dezembro. Em alguns casos, com uma oportunidade de ouro, os confrades adiantam a cota mensal para garantir o vinho especial de final de ano, que fica na casa de uma das confrades, em sua adega climatizada. Em 2010, chegamos em dezembro com os quatro vinhos da degustação já comprados, com a caixinha negativa em R$ 300,00, ou seja, um integrante tinha crédito com a confraria. Além do déficit, tivemos que pagar os vinhos do jantar e o sommelier, sobrando R$ 1.550,00 para os vinhos da reunião de dezembro de 2011.
Iniciamos com a troca de presentes. Em seguida, sentamo-nos à mesa para a celebração, degustando quatro vinhos top:

Primeiro Vinho da Noite

Chateau Pichon Longueville - Grand Cru Classé

Região: Contesse de Lelande, Pauillac, Bordeaux, França
Safra: 2005
Álcool: 13%
Castas: não há informação precisa, mas tem mais de 40% de cabernet sauvignon, pouco mais que 30% de merlot; o percentual restante é preenchido com outras castas, como a petit verdot e a cabernet franc.
Guarda: 30 anos para mais.
Estágio: 18 meses em barricas de carvalho francês.
Cor: rubi.
Aroma: frutas negras, compota de ameixa, rosa. Após descanso na taça, um forte aroma de groselha.
Boca: taninos elegantes, sem agredir, ácido, framboesa.
Preço de mercado: R$ 1.200,00

Segundo Vinho da Noite

Grange Penfolds

Região: Barossa Valley, Austrália
Safra: 2002
Álcool: 14,5%
Castas: 100% syrah.
Guarda: 40 anos para mais.
Estágio: 20 meses em barricas de carvalho americano.
Cor: rubi mais fechado.
Aroma: doce.
Boca: redondo, macio, taninos aveludados, mais pesado do que o primeiro vinho degustado.
Vinho ícone da Austrália. As uvas ainda são pisadas. Não há filtragem em sua elaboração.
Valor de mercado: R$ 1.850,00

Terceiro Vinho da Noite

Contador

Região: Rioja, Espanha
Safra: 2004
Álcool: 14%
Castas: 100% tempranillo.
Guarda: 30 anos para mais.
Estágio: não há informação.
Cor: rubi turvo.
Aroma: frutas negras, ameixa em calda.
Boca: redondo, macio.
Não há filtragem em sua elaboração.
Esta safra recebeu 100 pontos do crítico Robert Parker e da revista Wine Spectator.
Valor de mercado: R$ 800,00

Quarto Vinho da Noite

Chateau Margaux Grand Vin - Première Grand Cru Classé

Região: Margaux, Bordeaux, França.
Safra: 1997 (safra não excepcional - 4 estrelas)
Álcool: 12,5%
Castas: não há informação precisa, mas tem mais de 70% de cabernet sauvignon, pouco mais que 15% de merlot; o percentual restante é preenchido com outras castas, como a petit verdot e a cabernet franc.
Guarda: 30 anos para mais.
Estágio: não há informação.
Cor: granada.
Aroma: mamão, merthiolate, ferro, couro.
Boca: elegante, macio, redondo.
Valor de mercado: R$ 3.200,00.



Os vinhos da degustação em decantação

Por unanimidade, o quarto vinho - Chateau Margaux Grand Vin - Première Grand Cru Classé, safra 1997 - foi escolhido como o melhor da degustação desta memorável 50ª reunião da Confraria Vinus Vivus. Curiosamente, este mesmo vinho, porém da safra 1989, foi degustado por nós na reunião de dezembro de 2008, também sendo eleito, por unanimidade, naquela ocasião, o melhor da noite. A safra de 1989 também não foi considerada excelente, recebendo a cotação 4 estrelas.


Surubi defumado ao forno, molho de dill e risoto de sete cereais, arroz vermelho, arroz selvagem frito e cogumelos


Pera em calda

Para terminar o belo encontro, nossa anfitriã nos ofereceu um surubi defumado ao forno, com molho de dill, acompanhado de um risoto de sete cereais, acrescentado de arroz vermelho e arroz selvagem frito, com cogumelos. Dois vinhos foram comprados para harmonizar com o jantar. Um branco e outro tinto, mais leve. A maioria preferiu harmonizar o prato com o vinho branco, o chileno do Valle del Maipo, Haras Character (safra 2009, chardonnay, 14% de álcool, R$ 60,00). Para quem preferiu um tinto leve, o escolhido foi o também chileno do Valle de San Antonio, Casa Marín  Litoral Vineyard (safra 2003 , pinot noir, 14,7% de álcool, R$ 185,00). Como sobremesa, uma pera em calda, acompanhada de vinho do Porto Quinta do Crastro 1993.

Dois integrantes se despediram da confraria ao final da noite. Uma pena. Já há candidatos para preencher estas duas vagas. A próxima reunião já foi marcada para o final de janeiro de 2011, quando apreciaremos vinhos brancos de livre escolha do sommelier.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

FESTAS DE FINAL DE ANO

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 E a rotina anual se repete. Chega dezembro e invasão das "caixinhas" de natal proliferam em todos os locais que frequentamos: portaria do prédio onde moramos; no caixa dos restaurantes self service, especialmente os com balança; na barbearia; na academia de ginástica; na sauna; nas pequenas mercearias e aramarinhos; na passagem do caminhão do lixo; no caminhão do gás; até mesmo nos sinais de trânsito. É tempo também para as infidáveis festas de confraternização. Os restaurantes ficam lotados, com mesas enormes, gente gritando. É hora do inevitável amigo oculto, em suas mais variadas formas. Este ano já entrei em trâs amigos ocultos e estamos apenas no dia 08 de dezembro. Acho as festas de confraternização um grande teatro, pois as pessoas brigam o ano inteiro, não se falam, mal se cumprimentam, mas quando dezembro chega, como num passe de mágica, todos se abraçam, trocam lembranças, sorriem com o presente recebeido (e depois metem o pau, geralmente achando que o prersente que deu é bem melhor do que o que ganhou - já ouvi muito esta ladainha no meu serviço, onde não mais participo de amigo oculto). Passado o período natalino, tudo volta ao normal, com as mesmas brigas e implicâncias. Torço para este período passar rápido. Sinto uma melancolia profunda, especialmente no dia 24 de dezembro, quando as músicas natalinas enchem o ar com acordes mais que batidos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

NECESSIDADE DE ALTERAÇÃO DE HÁBITOS

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Acabei de sair da consulta com uma cardiologista. Era um retorno, depois que todos os resultados e laudos dos exames ficaram prontos. A consulta demorou cinquenta minutos. A médica é minuciosa ao explicar os itens de cada exame. Herdei a pressão alta de minha mãe. Os resultados estão, na média, muito bons, mas tenho que cuidar da parte referente ao coração. Além da pressão alta, está ligeiramente alto o colesterol. Assim, terei que alterar alguns hábitos. A médica indicou a prática de exercícios físicos com regularidade, evitar o sal (incluindo o refrigerante), fazer uma dieta, tomar diariamente dois medicamentos e repetir os exames no final do primeiro trimestre de 2011. Bola para frente. É hora de mudar de atitude!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A GAIOLA DAS LOUCAS

A história todo mundo conhece, pois há versões francesa e americana para o cinema da peça de Jean Poiret, "Les Cages Aux Folles". A Gaiola das Loucas é um cabaré cujos proprietários Georges (Miguel Falabella) e Albin (Diogo Vilela) vivem juntos há mais de vinte anos e ainda estão apaixonados um pelo outro. Albin se transforma em Zazá, a grande estrela dos espetáculos noturnos do cabaré. Jacó/Claudine (Jorge Maya) é o mordomo/criada da casa dos dois que possui uma passagem para o cabaré. Tudo são flores até que Jean Michel (Davi Guilherme), o filho de Georges, vem visitá-los, dando a notícia que se casará com Anne Dindon (Carla Martelli), filha de um casal conservador. O pai é o deputado Dindon (Maurício Moço) que está em campanha para se reeleger e tem como plataforma proibir o funcionamento dos "inferninhos" de homossexuais da cidade. Ele é homofóbico. A confusão está armada, pois Jean Michel quer fazer um teatro para receber os pais de sua noiva que ficarão 24 horas na casa de Georges. Para que seu futuro sogro dê a autorização para o casamento, ele pede a Georges que simule que é heterossexual, convidando sua mãe biológica para ficar as 24 horas na casa, enquanto Albin deve sair. Tarefa difícil para George é contar para seu companheiro a verdade. A partir daí é só confusão, com a mãe verdadeira não aparecendo e Albin se passando pela mãe do garoto, numa caracterização visivelmente inspirada em Marta Suplicy. São muitas e muitas gargalhadas nas quase três horas de duração do musical, com um providencial intervalo de quinze minutos entre os dois atos. Quatorze são os números musicais, com alguns solos de Diogo Vilela, mostrando sua possante voz. Aliás, meus amigos de BH me disseram que não gostaram da interpretação de Vilela, mas eu achei ótima, aproveitando sua voz grave para dar um toque diferente no falar de Albin. Seus trejeitos estão divertidos e a química com Falabella é perfeita. Miguel Falabella, para mim, é sempre o mesmo em cena, mas tem uma presença de palco e de espírito tão marcantes que esqueço que ele sempre faz o mesmo papel. Mas quem arrasa mesmo é Jorge Maya no papel do mordomo que quer ser criada e estrela da Gaiola das Loucas. Os números de dança são ótimos, bem parecidos com os da Broadway (este musical estreou lá em 1983). O sapateado do início é sensacional, ainda mais que há vários bailarinos travestidos, afinal, são também estrelas do cabaré. O início também é ótimo, quando a cortina se abre e todos estão em trapézios, como se fossem poleiros de pássaros. A sessão estava lotada, enchendo o belo Teatro Bradesco, que acaba de completar um ano e foi eleito o melhor de São Paulo. Comprei os ingressos ainda em Brasília, há quase um mês, na bilheteria da Fnac, pagando R$ 188,80 cada um, já incluída a taxa de conveniência. Como em qualquer musical, há uma lojinha vendendo produtos alusivos à peça. Queria um ímã de geladeira, mas não tinha. Fiquei sem comprar nada. Ótimo final de domingo, ótimo final de semana cultural em terras paulistanas. Gostei muito do musical.