Fui na última sessão do quarto e último espetáculo da Mostra Internacional de Teatro - MIT que ocorreu no Teatro I do CCBB durante o mês de junho. Sessão em horário diferenciado: 16 horas de domingo, com casa cheia. Ingresso, como de costume, comprado previamente por R$ 7,50. Desta vez, Ric foi comigo. Não houve atraso para iniciar a peça "Teatro Delusio", da companhia alemã Familie Floz. Três atores em cena durante uma hora e vinte minutos. Nenhum diálogo, nenhuma fala. Vemos os bastidores de um teatro em cuja programação estão os clássicos das grandes casas de espetáculos da Europa: música erudita, ópera e balé. Nunca vemos nada do que ocorre no palco, apenas ouvimos as músicas, o canto, tudo em gravação. O que vemos é o trabalho dos funcionários do teatro e o entra e sai dos artistas, além de uma bailarina fantasma, tema recorrente em coxias dos teatros mundiais. São vários personagens interpretados pelos três atores, entre eles o eletricista, a faxineira, a camareira, o maestro, as bailarinas, o gerente, o diretor, o coreógrafo, a responsável pelas perucas, a diva, o divo, e um gatinho de estimação. O interessante é que os atores não mostram o rosto. Sempre estão com máscaras. A troca de roupas e máscaras é um dos pontos a destacar da peça. As máscaras que eles usam são construídas de forma caricata, mas que mantem uma semelhança bem perto do estereótipo que faço de um alemão. São moldadas para que tenhamos a impressão de que há expressão facial durante as cenas. Um trabalho fenomenal de corpo dos atores. É o movimento do corpo, das mãos, da cabeça, que nos leva a crer que há alteração nas feições da máscara. Dei muitas risadas. O MIT fechou com chave de ouro sua pequena mostra em Brasília. Desta vez, o saldo foi positivo, pois gostei muito de duas peças, a que abriu e a que fechou a mostra, e achei interessante a terceira delas. Somente a portuguesa foi uma decepção. O CCBB estava concorrido, pois além da peça, duas exposições estão no local, além de uma mostra de cinema cujo tema é a moda. Gosto muito de ver um centro cultural tão movimentado aos domingos. Com exceção do teatro, todas as demais atrações eram gratuitas. Além disto, há o ônibus do centro cultural que circula diariamente, de graça, levando e trazendo os interessados em ver o que há de bom na cultura para se ver. Poderia existir um CCBB em cada canto do país. A cultura agradece!
Um pouco de tudo do que curto: cinema, tv, teatro, artes plásticas, enogastronomia, música, literatura, turismo.
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO - MIT - "KESKUSTELUJA"
Depois de ver o excelente show de Marisa Orth encerrando o Todos Os Sons Domingo CCBB 2011 de junho, fiquei no centro cultural, pois tinha ingresso (R$ 7,50) para ver a terceira peça da Mostra Internacional de Teatro - MIT programada para 21 horas no Teatro I. Desta vez a atração vinha da Finlândia com o espetáculo Keskusteluja, do grupo WHS, com os atores performáticos Ville Walo & Kalle Hakkarainen. Não era uma peça, mas sim um espetáculo circense. Os dois atores ficam em cena o tempo inteiro, mas não interagem. Cada um alterna seus números. Não há falas. Apenas gestos, olhares e projeções. Uma projeção constante de um filme mudo soviético de 1924 (Aelita, dirigido por Yakov Protazanov) era o elemento de interação de um dos dois atores. O filme era projetado em diversos formatos de telas. Tais telas, na verdade, eram pedaços de tamanhos e formas variadas feitos em papelão. A sincronia entre o ator e a cena muda era de impressionar. O outro performático fazia um número contínuo de malabares, utilizando diversos objetos, como uma bola em um livro que me lembrou o personagem Jack do sombrio desenho produzido por Tim Burton. Ele também utiliza um boneco sem cabeça, nos quais as pernas e braços são presos com um imã, fazendo diversos movimentos de dança e de malabarismo com os membros do boneco. Utiliza ainda cubos de madeira e um telefone para seu interminável número de malabares. O piso do teatro é todo coberto com placas retangulares de papelão que são levantadas e tombadas em diversos momentos e posições para a já citada projeção ser exposta ao público, que lotou o teatro. Não tenho dúvidas de que preferi o ator que se relaciona com a atriz no filme mudo. Dá a impressão que a atriz vai sair da tela como no filme A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen. O número de malabarismo chega a cansar, pois ao final fica um mais do mesmo, mas valeu a pena conhecer este trabalho circense que veio da Finlândia.
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domingo, 19 de junho de 2011
MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO - MIT - "PERSONA (INGMAR BERGMAN)"
Na última quinta-feira, eu e Ric comparecemos ao CCBB para conferir a segunda peça da Mostra Internacional de Teatro - MIT. Teatro I bem cheio, com muita gente do mundo das artes cênicas da cidade. Ingresso, como sempre, a R$ 7,50 para quem é correntista do Banco do Brasil. A atração de duas noites, quinta e sexta, era o Teatro Turim. Apesar do nome, ele não é italiano, mas vem de Portugal. Encenação no velho e bom português lusitano, pleno de chiados e com alguma dificuldade de entender o que as atrizes Katrim Kaasa, Teresa Tavares e Anabela Moreira falavam. O mínimo que posso dizer do diretor, João Canijo, cineasta, conforme indicado no folder da mostra, é que ele foi muito ousado, pois resolveu encenar o clássico filme Persona, de Ingmar Bergman, dando à peça o mesmo nome do filme. Na verdade, não se trata de uma versão para os palcos, mas uma transposição literal do texto. Ao fundo, uma tela reproduzia a cena do filme que víamos em cena, em seu idioma original, o sueco. As comparações são inevitáveis e, talvez, tenha sido esta a intenção do diretor. Obviamente, o filme de Bergman é infinitamente superior, assim como o desempenho das atrizes. Ver Liv Ullmann (a atriz Elizabeth Vogler) e Bibi Andersson (a enfermeira Alma) na tela é até covardia. As atrizes portuguesas não estão à altura. A atriz que encarna Elizabeth Vogler não consegue passar o sofrimento que vemos na tela, enquanto a que faz a enfermeira Alma dá um ritmo acelerado em suas falas, como se estivesse sofrendo desde o início, totalmente diferente de Bibi Andersson, que mostra serenidade na face até mesmo quando tem um acesso de fúria (afinal, ela é a enfermeira Alma). O filme é muito metafórico: o próprio nome da enfermeira, Alma, já indica a tentativa de Vogler de se apropriar da sua identidade. A fusão de imagens do rosto das duas atrizes suecas ao final da projeção é a síntese do desejo de Vogler. Isto João Canijo não conseguiu mostrar. A peça dura pouco mais que uma hora, enquanto o filme tem mais de oitenta minutos. Assim, algumas cenas foram limadas do espetáculo. A transposição de uma cena para outra no palco ficou chata demais. Não há nenhum fundo musical que poderia amenizar tal troca de cenário. As atrizes empurram móveis e objetos, posicionando-os nas marcações existentes no tablado. Ficou irritante, não dando ritmo à encenação. Em alguns momentos, cheguei a pensar que o diretor apenas queria mostrar à plateia como Bergman, segundo seu ponto de vista, havia feito as cenas, além de também evidenciar que uma cena em cinema envolve muito tempo de bastidores que não cabem no teatro, que é mais visceral, mais direto, mais cru. Outra prova desta tentativa de desnudar os bastidores do cinema é a atriz que faz a médica, pois como tem uma participação mínima, mas não sai de cena, sendo a principal responsável pela troca dos móveis de lugar, ela ainda "dirige" as duas outras atrizes quando estas não conseguem ver o que se passa na tela. Nestes momentos, ela diz "entra!", como se estivesse gritando o famoso jargão do cinema: "Ação!". Isto se faz necessário, pois a ideia é sincronizar as duas cenas: tela e palco. Cinema e teatro, cada um tem sua magia e o diretor Canijo tentou unir tais magias, mas, infelizmente escolheu um filme difícil, onde a questão psicológica é forte e a imagem é tudo. Tanto é assim, que a fotografia de Persona, o filme, é maravilhosa. Saí sem saber se tinha gostado ou não. Ouvi comentários do público na saída do teatro, fazendo a inevitável comparação, mas sem um juízo de valor preciso, algo do tipo "gostei" ou "não gostei". Acho que merecia uma melhor reflexão e foi o que fiz depois, já em casa. Pensei até em rever o filme, pois tenho o dvd em minha coleção, mas desisti, pois faria uma comparação cujo resultado seria desastroso para a peça. Em minha opinião, merece destaque a ousadia do diretor, mas o que se viu em cena não correspondeu a esta ousadia. Conclusão: não gostei do que vi.
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terça-feira, 14 de junho de 2011
MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO - MIT - "AMAR"
Como escrevi na postagem anterior, começou a Mostra Internacional de Teatro (MIT) no CCBB, ocupando o Teatro I. A primeira peça veio da Argentina. Montagem da Companhia Alejandro Catalán chamada "Amar". Três casais, vividos pelos excelentes atores Edgardo Castro, Lorena Veja, Natalia López, Toni Ruiz, Federico Liss e Paula Manzone, fazem uma viagem para um balneário. Não há indicação qual o motivo, tanto pode ser uma temporada de férias quanto um final de semana. A ação se passa em uma noite neste balneário, onde os três casais interagem. Dos seis, cinco já se conheciam, sendo uma apenas a intrusa, ou a novata no grupo, recém namorada do "garotão" da turma. Todos estão na casa dos trinta anos, menos a novata, que tem 26 anos. Nesta noite, onde eles estão em um local com um jardim externo e uma pista de dança de boate (para mim, um hotel), a conversa começa inocente, com o papo rolando em torno do dia a dia, mas na medida em que a noite avança e as bebidas começam a fazer efeito, algumas "verdades" sobre o relacionamento de todos aparecem, trazendo momentos tensos e dramáticos. É o verdadeiro cair o pano da hipocrisia de uma sociedade que exige que as pessoas simulem comportamentos, principalmente quando estamos lidando com relacionamentos amorosos, com o amar, título da peça. Como nas peças mais recentes do teatro argentino (falo tendo como referência as que vi nos últimos anos, especialmente as de Daniel Veronese), o diretor Alejandro Catalán optou pelo naturalismo. A história pode acontecer com qualquer um de nós e os atores estão bem soltos, bem naturais. Não há iluminação direta. Cabe aos atores posicionarem ou segurarem lanternas para iluminar rostos, corpos e partes de corpos, dependendo do que o texto exige que se ressalte. Quando estão dançando, aqueles que não estão na cena tremulam as lanternas, simulando as luzes de uma boate. Outro efeito cênico interessante é o barulho do mar, feito a partir da manipulação de dois suportes feitos com garrafas de plástico cheias de grãos. O subir e descer dos grãos dentro da estrutura de plástico simula o vai e vem das ondas do mar. A peça começa assim, com dois atores manipulando a engenhoca, mostrando ao público que a história se passará à beira mar, e também termina do mesmo modo, porém o fim é na escuridão total, apenas o mar e a conversa bem baixinho dos personagens, revelando-nos que eles foram tomar uma brisa, foram colocar os pés na água, que a vida continua, apesar de tudo o que vivenciaram em uma intensa noite. Além do ótimo texto, destaco também a opção do diretor em mostrar para o público como são feitos os efeitos cênicos, além da entrada e saída dos atores da cena (eles nunca deixam o palco, mas ficam na penumbra, como se não estivessem sendo vistos por nós). O MIT começou bem. Gostei muito do que vi.
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MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO - MIT
Mostra Internacional de Teatro (MIT) - em cartaz no CCBB durante o mês de junho com quatro espetáculos estrangeiros: uma companhia da Argentina, uma de Portugal, uma da Finlândia e outra da Alemanha. A mostra é realizada todo ano em parceria com o tradicional Festival Internacional de Teatro de Londrina - FILO. Quero conferir todos os espetáculos. Comecei conferindo "Amar", da Cia Alejandro Catalán, grupo argentino, que merecerá um post aqui neste blog. Já tenho entradas compradas (R$ 7,50 cada ingresso) para as peças de Portugal e Finlândia. Para o espetáculo alemão comprarei ingresso durante esta semana.
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