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domingo, 30 de janeiro de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

RESTAURANT WEEK - EL PASO TEXAS - ALMOÇO

Mais um dia tumultuado no serviço. Nunca trabalhei tanto em um mês de janeiro quanto neste ano de 2011. Ainda bem que saio sempre para almoçar, pois desta forma, descanso a cabeça pelo menos por uma hora e meia. Ainda com o festival Restaurant Week em cartaz nos restaurantes da cidade, fui conferir com minha nova chefe e mais dois colegas de trabalho o menu preparado para o almoço do El Paso Texas (SCLS 404 - Bloco C - Loja 23 - Asa Sul). Já expressei mais de uma vez aqui neste blog que gosto muito deste restaurante especializado na culinária mexicana, não só pela comida, mas também pelo ambiente e pelo excelente atendimento e serviço. O menu do festival está muito bom, com vários dos ingredientes presentes na famosa cozinha do México. Enquanto esperávamos o menu, a casa ofereceu nachos com salsa roja (molho de tomate com coentro levemente picante). Vamos ao menu:

01) Entrada: Ceviche tulum - ceviche de tilápia com tomate, cebola, abacate e pimenta dedo de moça. Esta entrada vem em uma cumbuca de porcelana branca, com bela apresentação. As cores dos ingredientes dão um colorido especial ao prato. Os pedaços de abacate amenizam a acidez do limão do caldo em que o peixe está envolvido. Ótima entrada.

02) Prato principal: Arrachera de pollo campesina - filé de frango grelhado com molho picante de tomate e milho cozido. Os acompanhamentos do prato são arroz mexicano, feijão refrito e guacamole. O feijão vem batido, como um tutu, mas sem farinha, dentro de uma massa crocante, parecida com um nacho. O picante do molho era leve e a combinação do tomate com o milho cozido com o filé grelhado de frango harmonizou bem. Mais um prato aprovado do festival.

03) Sobremesa: Tacos de cajeta e plátano - tortilha de trigo recheada de banana e doce de leite. Sem poder comer doces, não provei.

Mais um cardápio aprovado. Parabéns ao El Paso Texas que conseguiu dar uma personalidade ao filé de frango. Escrevo isto porque tenho lido em alguns blogs de gastronomia pessoas reclamando que a maioria dos restaurantes do festival optaram por colocar frango no menu, por ser um ingrediente mais barato. Talvez estas pessoas que fazem tais críticas não sabem o custo de um menu com três pratos como é a característica do Restaurant Week. Muitos acham que o restaurante simplesmente adere ao festival. Para quem não sabe, a empresa que promove este, e qualquer outro festival gastronômico, cobra uma taxa de adesão do restaurante, que não é barata. Quem adere se sujeita, obviamente, às regras do festival. No caso, garantir um menu com três pratos ao preço fixo de R$ 29,00. Será que os que reclamam querem comer, com este preço, carnes exóticas, como avestruz, rã, jacaré, ou itens sempre caros em supermercados ou delicatessens, como caviar, fava de baunilha, chocolate belga e afins? Doce ilusão... Parabéns a todos os restaurantes que aderiram ao festival e elaboraram pratos com ingredientes conhecidos e populares, dando personalidade a tais itens. Escrevendo este parágrafo, me lembrei do famoso festival Comida di Buteco em Belo Horizonte, minha querida cidade natal. Anualmente, ingredientes da culinária mineira, muito populares, são sugeridos como temas pelos promotores do evento para os bares participantes. Jiló, taioba, mandioca, costelinha de porco, entre outros, já foram as estrelas dos pratos. São populares, baratos, mas ganharam ares de alta gastronomia quando da elaboração dos pratos para o festival. Assim também pode acontecer com o frango, porque não?

Gastronomia Brasília

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

RESTAURANT WEEK - BHUMI - ALMOÇO

Mais uma vez fui ao Bhumi (SCLS 113 - Bloco D - Loja 33 - Asa Sul), um excelente restaurante de comida orgânica. Lugar arejado, agradável, com ótimo atendimento e um cardápio de sucos muito interessante. Desta vez, experimentei o menu preparado para o Restaurant Week. O serviço não foi demorado e o garçom sempre nos perguntava se o prato estava a nosso gosto. Para beber, escolhi um suco emagrecedor, sugestão do dia, que fica escrita em uma lousa preta pendurada em uma das paredes do local. Não me lembro de todos os ingredientes, mas tinha limão, melado e aipo. O sabor deste último se sobrepõe aos demais. Vamos ao delicioso menu do festival:

01) Entrada - Cestinha de pães integrais: são fatias finas de pão, acompanhadas por pasta de beringela orgânica defumada, pasta de pimentões assados e uma manteiga clarificada sem sal. Não gostei da manteiga, mas a pasta de beringela estava ótima. O melhor são os pães. Até puros, sem nenhuma pasta, valem a pena experimentar.

02) Prato principal - Risoto integral orgânicoRisoto integral orgânico, puxado no óleo de coco com curry, acelga e castanha de caju, polpa de coco fresco, acompanhado de purê rústico de abóbora japonesa e brócolis refogado com alho. Bela apresentação do prato. Os acompanhamentos vem em pequenos recipientes dentro do prato. O risoto estava no ponto, com excelente sabor. O curry estava bem leve, sem deixar o prato picante. Aprovadíssimo.

03) Sobremesa - Torta orgânica de banana com aveia, granola, açúcar mascavo e especiarias, regada com mel. Já havia experimentado esta sobremesa na primeira vez que fui ao Bhumi. Todas as vezes em que volto, como a mesma torta. Vale a pena.

Desta vez, não apresentaram o cofre para a doação à instituição de caridade e eu me esqueci do fato. Portanto, não contribui.

No restaurante funciona um pequeno empório de produtos orgânicos e saudáveis.

Gastronomia Brasília

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

GABY AMARANTOS - FESTA CRIOLINA

Depois de ver a performance de Gaby Amarantos no palco do CCBB na noite de domingo, quando foi convidada por João Brasil para uma participação especial em sua apresentação no projeto Sai da Rede, fiquei fã de imediato. Sabendo que ela faria um show na famosa festa Criolina, que acontece nas noites de segunda-feira no Bar do Calaf, não tive dúvidas em ir conferir seu show e, de quebra, conhecer a festa. Trabalhei até tarde, chegando em casa muito cansado, mas nada como um bom banho revigorante para recuperar as energias. Ninguém quis ir comigo, alegando, principalmente, que o show estava marcado para meia noite e que a terça-feira era dia de trabalho logo pela manhã. Fui só. Cheguei um pouco antes das 23 horas. Não havia fila para entrar. O valor cobrado a título de couvert artístico deve ser pago na entrada. Na noite desta segunda, o preço era único para homens e mulheres - R$ 20,00. Cadastro obrigatório na entrada, com número de telefone, nome e documento registrados. Não me deixaram entrar com a garrafa de água, mesmo sendo de plástico. Bebi todo o conteúdo que restava da água, peguei a comanda individual para a marcação do consumo durante minha estada na festa e entrei. Durante o dia, o Bar do Calaf, localizado no Setor Bancário Sul, é um restaurante normal, no sistema de buffet. Já almocei algumas vezes por lá, mas devido à dificuldade de estacionar durante o dia no local, não animo a voltar, mesmo sabendo que a comida é boa e sempre há opções da culinária espanhola. Como o local é dominado por bancos e órgãos públicos, à noite fica muito fácil achar vagas para estacionar o carro. Para a festa Criolina, as mesas internas são quase todas retiradas e espalhadas nos corredores ao redor do prédio, extrapolando a área do próprio restaurante. Apenas as mesas próximas à parede ficam na parte interna. Todas as mesas já estavam ocupadas quando entrei. Escolhi um local perto do palco, encostado no balcão, mas logo estava na pista dançando as excelentes músicas de artistas brasileiros independentes que o DJ programou em seu set list. Pouco a pouco, o local foi enchendo. Perto da meia noite a pista já estava lotada, assim como a área externa, com muita gente em pé bebendo a cerveja, muito elogiada pelos frequentadores por sua temperatura gelada. De tempos em tempos, uma bandeja com quibes quentinhos passava nas mesas. Sistema fácil, pois era só pegar o quibe, fornecendo ao garçom a comanda para a devida marcação do consumo. Meia noite e trinta, a diva paraense do tecnobrega subiu ao palco. Eu estava como um verdadeiro tiete, em local privilegiado, pois fiquei cara a cara com a cantora. Fazia parte da turma do gargarejo. Gaby Amarantos é um furacão, uma explosão de alegria. Chamada de a Beyoncé do Pará, fez jus ao apelido começando seu show com a sua versão para Single Ladies, chamada Tô Solteira. A mulherada gritava a plenos pulmões o refrão, enquanto Gaby imitava os requebros e jogadas de cabelo da diva americana. Muito extrovertida, com sintonia perfeita com o público, ela desfilou em cinquenta minutos seus maiores sucessos. A mais acompanhada pela galera foi Beba Doida. O refrão era gritado pelo público. Gaby subiu em uma mesa próxima ao palco, desceu para a galera, ficando perto de mim, ensinou a dançar o tecnobrega, e quando gritava "treme, treme, treme", todos obedeciam, fazendo o corpo parecer uma geleia de tanto que as pessoas se balançavam. Ela declarou seu amor pelo Pará, segurando uma bandeira do estado, mas ao ver a bandeira de Pernambuco, foi carinhosa com os pernambucanos. Nesta hora, perguntou pelos brasilienses, pelos de BH (eu mostrei que sou de lá), pelos cearenses, pelos amazonenses, pelos maranhenses. Ela disse que todos estavam em seu coração. Quando terminou, sem sair do palco, disse que faria o bis repetindo uma das músicas apresentadas. A galera pediu A Periquita. Ela disse que não tinha a base da música em seu Mac, mas logo o DJ Barata, residente da Criolina, improvisou um batidão e ela cantou o forró com letra pra lá de duplo sentido. O refrão, mais uma vez, era entoado por todos a plenos pulmões: "Quem vai querer a minha periquita? A minha periquita? A minha periquita?". A mulherada ficou assanhada. Gritavam como se cada uma perguntasse diretamente aos homens presentes. Gaby chegou a perguntar onde estavam os machos, pois via que até os homens cantavam o refrão. Com muitos gays na pista de dança, aproveitou para mandar seu recado contra a homofobia. No bis, voltou a cantar Tô Solteira, terminando acelerada com Beba Doida. Para quem não conhece a cantora e suas músicas, coloquei um gadget no alto deste blog com algumas canções desta cantora simpática, que mostrou uma energia descomunal no palco. Findo o show, ainda fiquei dançando ao som de um DJ pernambucano convidado, que começou seu set homenageando Gaby e o Pará com Sinhá Pureza (Pinduca), hit paraense eternizado por Eliana Pittman (aquela música grudenta que diz "carimbó, sreimbó é gostoso, é gostoso em Belém do Pará"). Para pagar a comanda é um pouco complicado, dependendo da hora em que se sai, pois forma-se uma fila grande em frente ao caixa. Quando fui pagar, apenas duas pessoas atendiam, uma só para quem pagasse em dinheiro e outra para pagamento com cartões. Fui embora quase três horas da manhã de terça-feira. Havia muito tempo que não dançava e me divertia tanto, mesmo estando sozinho na festa. Além do excelente show, também gostei muito da festa Criolina e pretendo voltar outras segundas-feiras no futuro próximo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

RESTAURANT WEEK - CIELO - ALMOÇO

Continuando a experimentar os menus preparados para o Restaurant Week, fui almoçar na segunda-feira no Cielo (SHIS QI 09/11 - Bloco B - Loja 18 - Lago Sul). Gosto muito deste restaurante, mas geralmente não vou durante a semana. Havia um bom público, incluindo dois senadores. Estava com um colega de trabalho. Mesmo com apenas duas atendentes, o serviço não foi prejudicado. Rapidamente fomos atendidos e na medida em que acabávamos um prato, o seguinte era servido. Eis o menu degustado, sempre lembrando que no almoço o preço do menu é fixo em R$ 29,00, excluídas bebidas, cafés e taxas:

01) Entrada - Julliene de cenoura com folhas verdes: bem apresentado, vem em uma cumbuca de porcelana branca, com a cenoura cortada bem fininha por cima das folhas verdes. Também havia pedaços de tomate cereja. Não há molho. O sabor é o natural dos alimentos. Coloquei apenas um fio de azeite. Simples, saudável e saboroso.

02) Prato principal -  Arroz de bacalhau: bela apresentação, excelente aroma e muito bem temperado. O bacalhau vem desfiado misturado ao arroz. Gostei muito. Só este prato já vale a pena experimentar o menu do Cielo.

03) Sobremesa - Abacaxi com sorvete de creme: a bola de sorvete vem em cima da rodela de abacaxi, sem o miolo. Não experimentei o sorvete. O abacaxi não estava doce, como gosto, pois prefiro aquele amarelo, vindo da Paraíba, geralmente com uma aparência translúcida. Mas não estava ácido.

Ao final, pedi o cofre para depositar minhas moedas para a instituição Nosso Lar.

Gastronomia Brasília

JOÃO BRASIL - PROJETO SAI DA REDE


Domingo foi o encerramento do projeto Sai da Rede no Teatro I do CCBB de Brasília, com ingresso custando R$ 7,50 a meia entrada. Quando cheguei, havia fila de espera para ver se sobrariam ingressos, uma vez que a sessão já estava lotada. Quando soou o terceiro sinal, muitos lugares estavam vagos, mostrando que a política de cortesia do CCBB e dos produtores dos espetáculos devem ser revistas. Conheço gente que recebe sistematicamente cortesia para shows e peças de teatro no centro cultural e nunca foram trocar seus ingressos. Mas vamos ao que interessa mais, ou seja, o show.

Os anúncios de praxe são feitos, as luzes se apagam. Um aviso inusitado soou na caixa de som: "Aviso importante: o que vocês vão assisistir agora não é um show. É uma festa, portanto, todos devem ficar de pé". Foi a senha para a plateia se aglomerar no espaço junto ao palco, além de ocupar os corredores centrais, local utilizado não só para facilitar o acesso às cadeiras, mas também como rota de fuga em caso de emergência. As cortinas se abriram. No palco, muito gelo seco, e um grupo de mulheres estáticas em frente aos microfones. João Brasil, a atração da noite, estava ao fundo. As mulheres são integrantes do grupo de funk Sapa Bonde. Pelo nome, já sabemos que todas são lésbicas. O grupo era a primeiro convidado da noite. Elas incendiaram a plateia, cantando três músicas. Ao deixarem o palco, João Brasil prometeu que elas voltariam ao final. Antes de continuar seu set list, o DJ informou que a segurança do teatro solicitava a desobstrução dos corredores centrais, sob pena de pararem o show. João Brasil pediu desculpas pelo fato, mas disse não saber que a sua apresentação seria em um teatro. Como era uma festa, não tinha como ficar sentado. No seu set, cabe de tudo um pouco: Black Eyed Peas com Agepê, Carrapicho com Beatles, Lionel Richie com funk carioca, Boi Garantido, Boi Caprichoso, samba, soul, enfim, uma miscelânea que agradava a todos. Percebi que havia um certo stress nos funcionários do teatro, bem como em pessoas da produção. A segunda convidada da noite foi chamada ao palco. Marina Gasolina, funkeira, ex-Bonde do Rolê. De cara, ela pede para as ricas presentes mostraram os respectivos iPhones. Divertida, a música fala sobre este gadget objeto de desejo de 9 em cada 10 pessoas hoje no mundo. Ela também incendiou o público com sua performance, para lá de sensual. à esta altura, fotos e mais fotos com flash pipocam no teatro, a galera dançava e ocupava, novamente os corredores centrais. A movimentação dos seguranças e dos funcionários do teatro era intensa. Um novo set list é tocado por João Brasil. Ele recebeu um papel do roadie de palco. Chama a última convidada da noite, a fantástica Gaby Amarantos, diva do tecnobrega paraense, chamada também de a Beyoncé do Pará. As luzes se apagaram. Ela entrou com um colete cheio de luzes. Quando os primeiros acordes saíram do computador de João Brasil, o público entrou em êxtase. Quase todos conheciam as músicas de cor de Gaby. Ela começou cantando a clássica Águas de Março, em um ritmo bem dançante, emendando com seus sucessos Tô Solteira (uma versão da Single Ladie, de Beyoncé) e Beda Demais. Ela se despediu do palco, junto com João Brasil, que deixou rolando o sucesso oitentista All Night Long, de Lionel Richie. Alguém faz um sinal para fecharem as cortinas. As luzes se acescederam. Não houve bis. Parece que a direção do CCBB não deixou rolar mais festa. O público saiu muito satisfeito. O projeto foi encerrado com chave de ouro. Vida longa ao projeto. Creio que João Brasil deveria ter se apresentado nos amplos espaços externos do CCBB, com entrada gratuita. Seria mais apropriado, mas a apresentação no teatro não tirou o brilho da festa.


Sapa Bonde na abertura da festa comandada por João Brasil - CCBB Brasília


O nome do Sapa Bonde treme nos telões


O nome da segunda convidada de João Brasil, Marina Gasolina, aparece nos telões


Marina Gasolina incendeia a plateia na festa comandada pelo DJ João Brasil


João Brasil maneja seus computadores comandando a festa no encerramento do projeto Sai da Rede


João Brasil, a atração da noite de encerramento do projeto Sai da Rede no CCBB Brasília


Os telões anunciam a última convidada da noite, a diva do tecnobrega paraense Gaby Amarantos


 A diva Gaby Amarantos

 

domingo, 23 de janeiro de 2011

TULIPA RUIZ - PROJETO SAI DA REDE

Efêmera é o título do disco de estreia de Tulipa Ruiz. Figurou em mais de uma lista como um dos dez melhores da música brasileira lançado em 2010. Ela integra o projeto Sai da Rede, em cartaz no Teatro I do CCBB de Brasília, com ingresso custando R$ 7,50 a meia entrada. Tenho o cd e já o coloquei neste blog na série Música Que Ouço. Gosto muito das músicas, mas principalmente da doce voz de Tulipa. Obviamente que não perdi a oportunidade, comparecendo ao seu show das 21 horas de sábado. Foi tão disputada a compra de ingressos que a produção abriu um show extra às 19 horas do mesmo sábado. Ambas as sessões lotadas, com cadeiras extras vendidas. Ela é acompanhada dos músicos Gustavo Ruiz (guitarra, irmão da cantora), Luiz Chagas (guitarra, pai da cantora), Márcio Arantes (baixo) e Duani Martins (bateria). O repertório do show é baseado no seu único cd, em falta no mercado. Durante o show, ela disse que em breve uma nova edição estará nas lojas, mas que venderiam, ao final da apresentação da noite, um vale cd "Efêmera". O povo gostou tanto que a fila para comprar o vale era grande na saída. Vamos ao show. Ela é uma graça. Esbanja espontaneidade, muito afinada, tem uma sinergia gigante com seus músicos e com o público. É elétrica no palco. Para cada música, gestos e danças diferentes. Em uma delas, ela chegou a se deitar no palco. Já perto do final, Wanderlei, o garçom do Bistrô Bom Demais, restaurante localizado no CCBB, sempre presente nos shows no local, chegou até a beira do palco com uma roupa inusitada, toda cheia de canudinhos de plástico. Imediatamente Tulipa o leva ao palco, no momento em que apresentava sua banda. Os dois dançavam, abanavam um leque de penas rosas em direção a cada um dos músicos e dançavam. Foi ótimo e ele ainda levou um vale cd. Tulipa encerrou o show com a excelente Brocal Dourado, quando convidou a quem quisesse pegar um punhado de brocal que estava no palco e lançar para o alto no momento do refrão. Assim que Tulipa entoou brocal dourado, uma chuva de círculos dourados foram jogados para o alto, dando um belo efeito visual. Ainda houve o bis. Durante o show, A Ordem das Árvores, música que mais gosto de seu cd, foi lindamente interpretada. Show maravilhoso!



Tulipa no início de seu show no CCBB


Uma performance - Tulipa cantora e tulipa de plástico


Tulipa Ruiz e Wanderlei


Momentos finais do show de Tulipa Ruiz -Projeto Sai da Rede


sábado, 22 de janeiro de 2011

LETUCE - PROJETO SAI DA REDE


Último final de semana do projeto Sai da Rede no Teatro I do CCBB de Brasília, com ingresso custando R$ 7,50 a meia entrada. Uma banda que não conhecia, nem nunca tinha ouvido falar era a atração: Letuce. Formada pelo casal Letícia Novaes (voz e violão) e Lucas Vasconcellos (teclados, guitarra e vocais), conta com  os instrumentistas Thomas Harres (Bateria), Rodrigo Jardim (baixo) e Fábio Lima (violão e cavaco). A banda é carioca e canta de tudo um pouco. No repertório, músicas de autoria de Letícia e Lucas, com algumas versões e releituras de outros autores. O som é uma salada musical, mas com personalidade. Letícia é extrovertida, solta no palco, com grande empatia com o público, que desta vez, não lotou o teatro. Todos escutavam atentamente cada música executada. Havia gente que sabia algumas músicas e, vez ou outra, gritavam o nome de uma canção. Letícia respondia sorrindo. Algumas das músicas autorais tiveram suas histórias contadas pela vocalista. A  Ballet da Centopéia é bem divertida, feita quando o casal estava em um jardim maravilhoso e viram centenas de lagartas em uma árvore numa espécie de migração. Ela disse que não gravaram em vídeo, mas a imagem ficou na memória afetiva. Outra história hilária foi para Tuna Fish, quando eles tinham somente uma lata de atum para comer em casa. A letra, em inglês,é divertida. Uma arrebatadora versão, em francês, para a música Caso Sério (Rita Lee e Roberto de Carvalho), com o nome de Sérieuse Affaire, foi um dos pontos autos do show. Para se ter uma ideia da salada, eles conseguem misturar Maurício de Souza, homenageado pela cantora ao apresentar a nova canção Cataploft, Charles Darwin, literatura, quadrinhos, haikai (poesia japonesa com apenas um verbo), fazer a plateia balançar suas chaves, acompanhando uma das músicas (o som ficou parecendo aqueles sininhos que os suíços colocam ao redor do pescoço das vacas, mas lembram também os filmes com renas de Papai Noel). Até mesmo o Mal de Alzheimer é "homenageado", em uma hilária música que tem poucas frases, rapidamente decorada e acompanhada pelo público. Anunciou a última música, mas disse que não sairiam, pois ainda teria o bis com mais duas canções. Dito e feito. Quando terminou o primeiro bis, o jovem ao meu lado pediu a canção Dia de Carnaval. Ela atendeu. Grande parte dos presentes sabia a letra, que não consta no cd, vendido por R$ 10,00 ao final do show. Comprei um exemplar. Após Dia de Carnaval, ainda houve a última música, integrante no roteiro como o segundo bis. Ganhamos, pois, três canções no bis. Outro destaque do show foi a iluminação, com efeitos inusitados, sendo usado até mesmo um velho toca discos para girar cilindros espelhados. Gostei do som, da balada, do pop da Letuce. Vida longa ao grupo que veio do Rio de Janeiro. Utilizando o refrão da música Tuna Fish, no show "we travelled on mayonese" (nós viajamos na maionese).
Após o show, fui me encontrar com os amigos de Belo Horizonte que chegaram na noite de sexta-feira. O local escolhido foi o El Paso Latino, na Asa Sul, mesmo restaurante escolhido pelos integrantes da banda Letuce para jantar. Baita coincidência. Ótima noite.



Lucas e Letícia no show do Letuce - CCBB - Brasília


Letuce no projeto Sai da Rede - CCBB Brasília


Letuce agradecendo ao público ao final do show no CCBB



RESTAURANT WEEK - CAFÉ SAVANA - ALMOÇO

Para o almoço de sexta-feira, mais um restaurante que participa do festival Restaurant Week, o Café Savana (SCLN 116 - Bloco A - Loja 04 - Asa Norte). Éramos quatro pessoas do trabalho. Chegamos às 13 horas. Não havia mesa disponível. Aguardamos menos de dez minutos até vagar uma mesa pequena na varanda. Todos escolheram o menu preparado para o festival. Diferente dos outros dois que já experimentei nos dias anteriores, o menu do Café Savana tem duas opções para o prato principal, um com carne vermelha e outro com frango. O restaurante resolveu seguir sua tradição de ter duas opções diárias em seu cardápio executivo. Como estou sem poder comer carne vermelha (ácido úrico alto), fiquei com o frango. Mesmo com apenas dois garçons e todas as mesas ocupadas, não houve demora no atendimento. Eis o menu:

01) Salada de folhas - basicamente alface picada, com tomatinho cereja. Não gosto de tomate seco, por isso pedi para retirar do meu prato. Não há molho acompanhando. Reguei com um fio de azeite. Básico.

02) Le Poulet: filé de peito de frango grelhado com um molho de queijo e nozes enfeitando. Acompanha uma torta de ratatouille e arroz com brócolis. O melhor é a torta. Saborosa e leve. Achei o molho pesado para o frango, embora as nozes tenham contribuído para deixar o sabor do queijo menos marcante.

03) Torta mousse de chocolate com menta - Sem poder comer doce, deixei de experimentar.

Cofrinho à mesa para a contribuição para a instituição Nosso Lar. Cada um contribuiu com as moedas que tinha.

Menu bem simples, básico, bem feito, próprio para um almoço executivo durante a semana, quando estamos trabalhando. Para um final de semana, com mais tempo, é melhor buscar outras opções do festival.

Gastronomia Brasília

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

RESTAURANT WEEK - 4 DOZE BISTRÔ - ALMOÇO

Escolhi o restaurante 4 Doze Bistrô (SCLS 412 - Bloco C - Loja 3 - Asa Sul) para almoçar nesta quinta-feira. Foi a primeira vez que fui a este restaurante, que também está participando do Restaurant Week. Não estava cheio. O local é agradável, com um cardápio musical no qual o cliente pode escolher até quatro músicas, sem nenhum custo adicional, para ser executado no set list do restaurante enquanto estiver por lá. Achei a ideia interessante, mas não quis escolher nenhuma música, pois o que estava tocando era de muito bom gosto. A altura do som era ideal, sem atrapalhar a conversa. Não estava cheio. Fomos muito bem atendidos pelos dois garçons que, sempre que solicitados, nos davam as informações que pedíamos sobre os pratos. Minha opção recaiu no menu preparado para o festival:

Entrada - Carpaccio de legumes marinado no azeite de pistache: cenoura, abobrinha e beringela cortadas em finas fatias. O melhor do menu. Linda apresentação, com as cores dos três legumes saltando aos olhos, deitados em uma cama de azeite. Delicioso.

Prato principal - Risoto de carne seca com abóbora. Na verdade, o risoto era de carne seca desfiada com caldo de abóbora, o que conferiu uma cor alaranjada ao arroz. Estava saboroso e bem feito, mas o queijo poderia estar mais disfarçado. Ele estava na consistência de um baião de dois, enquanto um risoto pede ele mais derretido, se integrando ao arroz e seu recheio.

Sobremesa - Creme de manga coberto com coulis de morango. Esta sobremesa vem em um copo, com a cor amarela forte da manga se sobressaindo ao vermelho do coulis que cobria o creme de manga. Só experimentei a ponta de uma colher, pois estou sem poder comer doces. Achei gelado demais. Inclusive falei esta minha impressão ao garçom. Fico sem dar minha opinião sobre o sabor, pois o excesso de gelo mascarou meu paladar.

Ao final, o cofrinho em benefício à entidade Nosso Lar veio à mesa juntamente com a conta.

Gostei da profusão de cores que os três pratos do menu apresentaram. Gosto de cores vivas, pois dão alegria.

Quero voltar ao restaurante para conhecer o cardápio da casa.

Gastronomia Brasília

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

RESTAURANT WEEK - EL PASO LATINO - ALMOÇO

Acontece em Brasília a primeira edição de 2011 do Restaurant Week no período de 17 a 30 de janeiro. Hoje fui almoçar no El Paso Latino (SLCS 404 - Bloco C - Loja 23 - Asa Sul). Apesar do sempre ótimo buffet no almoço, além das opções a la carte, preferi experimentar o menu elaborado especialmente para esta edição do festival. No Restaurant Week os restaurantes participantes preparam um menu com entrada, prato principal e sobremesa. O menu do El Paso Latino é:

Entrada - Ceviche Norteño: ceviche de tilápia com três pimentas peruanas. O prato não demorou a chegar à mesa e sua apresentação já enche os olhos de alegria. Em uma cumbuca branca os cubos de tilápia devidamente marinados no caldo de limão e temperos especiais estão acompanhados de milho peruano tostado, chip de banana e cebola. O peixe estava com sabor muito suave, leve, bem saboroso. O milho peruano é um caso à parte, pois gosto muito de seu sabor. Esta entrada já é motivo para experimentar o menu.

Prato principal - Pollo alla Huancaína: filé de frango grelhado ao molho de ají amarillo (uma pimenta típica peruana) e queijo, acompanhado de arroz branco e batatas cozidas, levemente tostadas. Tão logo terminei de comer a entrada, o garçom perguntou se podia servir este prato. Prontamente, veio à mesa a segunda parte do menu, em uma simples, mas bonita apresentação. O molho estava com sabor diferenciado, em perfeita harmonia entre o queijo e o ají amarillo, sem nenhum se sobrepor ao outro. Casou perfeitamente com o filé de frango grelhado. Como enfeite, um pedaço de ovo cozido acompanha o molho, lembrando-me de um delicioso prato típico do Peru, o Ají de Gallina, presente no cardápio do El Paso Latino. Aprovado este pollo alla huancaína.

Sobremesa - Crema volteada com lucuma: pudim de leite com calda de lúcuma, uma fruta peruana. Não estou comendo doce, motivo pelo qual não experimentei esta deliciosa combinação. Fiquei triste, pois sou um grande fã de lúcuma. Um amigo que me acompanhou no almoço gostou tanto que comeu a sobremesa dele e a minha. Creio que estava muito bom. A apresentação também é um caso à parte, sinal do esmero que o El Paso Latino e seu irmão mais velho, o El Paso Texas, tem com seus pratos.

O preço do menu é fixo para todos os restaurantes que participam do Restaurant Week. No caso do menu para o almoço, o preço é R$ 29,00, com bebidas, café e taxas à parte.

Uma mudança que achei para melhor em relação às outras edições é que ao invés de pedir ao garçom que coloque na conta um valor a mais para uma instituição de assistência social, no caso a Nosso Lar, um cofre vem à mesa, juntamente com a conta, e o cliente coloca a quantia que quiser. Recheei o cofre com algumas moedas, nenhum abaixo de R$ 0,50.

Um ponto negativo quanto à organização do festival é relativo ao libreto, pois nele consta apenas os dados dos restaurantes participantes, sem especificar o menu. A consulta deve ser feita no endereço eletrônico do festival. Seria muito mais prático e fácil se tal libreto, à disposição em todos os restaurantes participantes, tivesse a descrição de todos os menus.

Vou conferir outros menus durante os próximos dias. No caso do El Paso Latino, o acréscimo de público devido ao festival em nada atrapalhou o bom serviço da casa durante o meu almoço nesta quarta-feira. Recomendo.

Gastronomia Brasília

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

DOMINGO NO MASP

Depois de fazer o check out no Holiday Inn Parque Anhembi ao meio dia do último domingo, meus amigos, gentilmente, levaram minha mala com eles para Belo Horizonte, emprestando-me uma mochila para os itens que necessitava trazer de volta para Brasília. Assim, fiquei com menos peso para passar a tarde de domingo na capital paulista, já que meu voo de volta seria às 19 horas. De táxi, fui até a Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo - MASP. A tradicional feira de antiguidades que acontece todos os domingos no vão do museu estava lotada. Fui direto para a fila comprar ingresso (R$ 15,00) para conferir as exposições em cartaz no MASP. Três delas são exposições temáticas a partir do próprio acervo do museu. Comecei pelo subsolo onde está a exposição de novos pintores alemães chamada "Se Não Neste Tempo - Pintura Alemã Contemporânea 1989-2010", em cartaz até o próximo dia 30 de janeiro. Quadros de diversos tamanhos fazem parte da mostra, da qual gostei bastante. Li atentamente as breves informações sobre cada artista ali exposto. Há pinturas que nos lembram os cartazes soviéticos, com temas socialistas, outras que ainda mostram os horrores da guerra, um fantasma que assola o povo germânico, pinturas que lembram os impressionistas, os surrealistas, alguns que usam técnicas de fotografia, enfim, um mosaico sobre a atual produção alemã. Gostei muito dos quadros de David Schell, com cores muito vivas e a obra "Escultura de Nuvens", do artista Anton Henning. Depois de conferir todas as obras expostas, com fome, resolvi almoçar no restaurante do museu, também localizado no subsolo, chamado UNI Masp. Sempre movimentado, o restaurante é amplo e trabalha com o sistema de buffet livre, com preço fixo. São três ilhas: entradas frias, pratos quentes e sobremesas, tudo incluído no preço. Comi um salmão assado com molho de frutas vermelhas muito gostoso. Saciada a fome, parti para a segunda exposição fora do acervo, localizada no primeiro andar, também em cartaz até o dia 30 de janeiro. São fotos tiradas pelo cineasta Wim Wenders, reproduzidas em grandes formatos, com o curioso nome de "Lugares, Estranhos e Quietos". Wenders nos mostra, com um olhar bem peculiar, alguns lugares que ele percorreu no mundo, incluindo uma curiosa foto tirada de uma janela de madeira pintada na cidade de Salvador, Bahia. É uma mostra rápida de percorrer. Por fim, cheguei ao segundo andar, onde ficam as obras do acervo permanente do MASP. Há muito tempo que não via o acervo do museu. Fiquei surpreso com a forma que a direção do local dispôs as obras. Elas estão divididas em três exposições temáticas. Por abordarem temas, não respeitam cronologia e nem escola de pintura:

01) "Olhar e Ser Visto (Retratos)" - com obras de grandes mestres da pintura como Modigliani (há um interessante retrato feito por ele do artista Diego Rivera), Van Gogh, Portinari, Manet, entre muitos outros.

02) "Deuses e Madonas - A Arte do Sagrado" - pinturas que nos mostram figuras ligadas ao universo religioso. Neste mostra, há o recém restaurado quadro de Nicolas Poussin, chamado "Himeneu Travestido Assistindo a Uma Dança em Honra a Príapo". O interessante do quadro é que, quando de sua restauração, descobriram um grande pênis ereto saindo da roupa de Himeneu que havia sido escondido por uma camada de tinta, provavelmente por motivos religiosos. Também nesta mesma mostra uma instalação do videoartista Éder Santos inspirado no quadro "O Julgamento de Paris". Esta instalação fez um contraponto moderno com os quadros seculares da mostra.

03) "Romantismo - A Arte do Entusiasmo" - mostra dividida em nove módulos, onde cabe de tudo um pouco pela vastidão do tema. Há desde quadros clássicos, passando por exemplares de Monet, Manet, Degas, Van Gogh, Victor Meirelles, até chegar nos nipo-brasileiros Tomie Ohtake e Manabu Mabe.

Gostei de rever as obras do acervo que eu já conhecia, além de ver algumas pela primeira vez. É sempre bom visitar o MASP.

domingo, 16 de janeiro de 2011

SUMMER SOUL FESTIVAL - AMY WINEHOUSE

O show mais esperado da noite começou com vinte e cinco minutos de atraso. Eram 23:40 horas quando a banda que acompanha Amy Winehouse entrou em cena. A maioria usava uma vistosa camisa florida e calças brancas. Zalon Thompson, um dos dois backing vocals, é o responsável por chamar a grande estrela da noite. Ela entra com um vestido preto, com detalhes no decote em branco, sua já famosa maquiagem nos olhos e o seu topete. Logo toma um líquido de uma caneca, atiçando a curiosidade e a maledicência da galera. E parecia de propósito o que a cantora fez durante o seu show, pois cada vez que dava um gole do que havia dentro de sua caneca, o público ria, aplaudia, gritava. E ela ainda fez gargarejo com o tal líquido. Quanto ao show, foi muito parecido com o que li sobre os três shows da sua turnê no Brasil. Começou com baladas, mostrando sua voz potente em alguns momentos, enquanto em outros momentos, quase não se ouvia o que ela cantava. No entanto, ela cantou todas as músicas do início ao fim, com pouquíssimos erros na melodia e alguns tropeços aqui e ali na letra, mas nada que sua poderosa voz não resolvesse em seguida. Ela não caiu no palco, não ficou sentada olhando para o infinito. Ela fez seu show, conforme o roteiro. Com meia hora, como nos demais shows, ela saiu do palco, deixando espaço para Zalon Thompson arrasar, cantando duas músicas, aquecendo o público para o grande hit da cantora. Quando ela é chamada novamente ao palco, entra para entoar, em um ritmo mais lento, Rehab. Muitos pareciam estar ali apenas para ouvir esta música. O público acompanhou em plenos pulmões a cantora, mais o refrão no no no era o mais gritado. Amy parava o show ao final de cada música, indo confabular sempre com Thompson e o baixista de sua banda, Dale Davis. Ninguém sabia o que falavam, eles riam bastante. Pareciam se divertir com o show. Ela parecia uma menininha, pulando, imitando um coelho, dando piruetas. Enquanto se reuniam, os demais integrantes da banda ficavam estáticos, apenas esperando. Com uma hora de show, ela deixou o palco, dando adeus à plateia, ao final da canção You Know I'm No Good. A galera pede bis. Ela retorna, interpretando de forma arrasadora Me & Mr. Jones e Love Is A Losing Game. Embora ela ainda esteja visivelmente longe do furacão que era ao lançar Back to Black, este show mostrou que ela está de volta e poderá nos dar mais grandes interpretações em um futuro breve. Gostei do que vi. A seguir, fotos do show, por mim tiradas.


O público se agita quando a banda e a cantora Amy Winehouse sobem ao palco


Amy Winehouse canta uma balada


Luzes na plateia


Me & Mr. Jones na interpretação de Amy Winehouse, já no bis

SUMMER SOUL FESTIVAL - JANELLE MONÁE

Entre o fim do terceiro show e o de Janelle Monáe foram exatos trinta minutos. A cantora americana entrou no horário marcado, com o seu figurino característico, calça preta justa, camisa branca e seu enorme topete. Uma banda formada, em sua maioria, por negros, a acompanhava dando passinhos coreografados ao ritmo de cada música. Ela não falou com a plateia e nem fazia intervalos entre as músicas. Emendava uma na outra, em um show eletrizante. Na primeira música, seu rosto apareceu no telão caracterizado como uma andróide, como na capa de seu segundo disco, ArchAndroid. Em algumas músicas, ela era acompanhada no palco por duas dançarinas. Seu figurino era acrescido de capas diferentes de acordo com o número a ser apresentado. Ela colocou todo mundo para dançar, do início ao fim. Apenas um momento delicado, quando ela interpreta magistralmente Smile, de Charles Chaplin, tema do filme O Garoto. Por falar em filme, cenas de Metrópolis, de Fritz Lang, passavam no telão quando Janelle interpretava canções de seu primeiro cd, Metropolis. Deste cd é a  ótima Sincerely, Jane, que ela interpreta com coreografias que homenageiam Michael Jackson, especialmente o andar dos zumbis no clip de Thriller, além de fazer rapidamente o moonwalk, passo eternizado pelo rei do pop. Ela ainda mostrou seu lado artista plástica ao pintar uma tela ao vivo, enquanto cantava mais um número. O show foi curto, uma hora apenas. O final foi catártico. Janelle ficou literalmente descabelada, com seu topete desfeito, se arrastando pelo chão junto com parte de seus músicos e dançarinos. Saiu aplaudidíssima, mas não houve bis. Ela havia conquistado a plateia. Muitos falavam em comprar o cd no dia seguinte. As fotos a seguir foram tiradas por mim durante o show.


O rosto de Janelle Monáe no telão caracterizado como uma andróide


Janelle Monáe interpretando Smile, de Charles Chaplin


Fazendo uma pintura ao vivo


Visão geral do palco durante o show de Janelle Monáe

SUMMER SOUL FESTIVAL - MAYER HAWTHORNE

Mais um breve intervalo e a terceira atração da noite entrou no palco, às 20:15 horas. Era a primeira atração internacional, o desconhecido, pelo menos para mim, americano Mayer Hawthorne. Com visual nerd, mas de terno e com óculos a la Clark Kent, tinha uma banda pequena que o acompanhava. Chamava atenção o cabelo do seu guitarrista, uma grande cabeleira crespa que esvoaçava com o vento. O show esfriou completamente o público perto de mim. Alguns pediam que ele terminasse sua performance ao final de cada número musical. Ele é sem graça, não me atraiu a atenção. Durante o seu fraco show, minhas amigas de Brasília chegaram. Após trocar mensagens pelo celular, nos encontramos e ficamos conversando enquanto rolavam as músicas. Mesmo com um público apático, havia uns poucos que sabiam algumas músicas de Hawthorne, e faziam questão de acompanhar em voz alta, como se fosse um trunfo a diferenciá-los de nós, os ignorantes em relação ao único cd do cantor de Michigan. Quando o show terminou, nada de bis. Foi um alívio. Foi o único show da noite de que não gostei. Mais fotos tiradas por mim na noite de sábado.


Mayer Hawthorne em seu fraco show


O guitarrista com sua vasta cabeleira

SUMMER SOUL FESTIVAL - INSTITUTO & CONVIDADOS

Não esperamos muito para o início do segundo show da noite. A troca dos instrumentos no palco foi muito rápida. O coletivo Instituto entrou em cena mantendo o clima festivo e dançante deixado no ar pelo primeiro show. Um número instrumental deu início a uma catarse dançante, cheia de convidados. A primeira a ser anunciada foi Thalma de Freitas, atriz/cantora, uma das vocalistas da Orquestra Imperial, que vem se apresentando com o Instituto, que não deixou a galera parada. No repertório, uma releitura da música Estrelar, de Marcos e Paulo Valle, sucesso dos anos oitenta. Depois de Thalma, foi a vez do guitarrista Duani Martins. Ele é bem parecido com Tim Maia. O terceiro convidado foi Carlos Dafé, parceiro de Seu Jorge. Kamau e Emicida vieram em seguida, mostrando um rap que animou o público. Depois, mais um integrante da banda, o responsável pela percussão, Augustinho Bocão, cantou e dançou, levantando a plateia. A próxima convidada foi Céu que cantou Onda, uma música do soul man Cassiano, e a sempre dançante Não Vou Ficar, de Tim Maia, grande sucesso na voz de Roberto Carlos. Ao final, todos se juntaram ao palco para deixar a galera ouriçada com mais um exemplar da black music brasileira, de Jorge Benjor, cantaram Umbabarauma, aquele que diz ao final do refrão "homem-goool". Os ânimos ficaram agitados. Gostei muito. Fotos tiradas por mim durante o show.


Integrantes do coletivo Instituto


Thalma de Freitas, a primeira convidada


Thalma de Freitas interpretando Estrelas, dos irmãos Marcos e Paulo Valle


O guitarrista Duani Martins, que me lembrou Tim Maia


Carlos Dafé


Naipe de sopros do Instituto


Augustinho Bocão


Emicida e Kamau


Céu interpreta Onda, de Cassiano

SUMMER SOUL FESTIVAL - MIRANDA KASSIN & ANDRÉ FRATESCHI

O primeiro show do Summer Soul Festival ficou por conta da dupla Miranda Kassim & André Frateschi. Acompanhados de uma grande banda, todos com figurino e visual retrô, remetendo aos anos cinquenta. Todas as músicas executadas foram em inglês. No repertório houve desde músicas das décadas de 50 e 60, até uma performance eletrizante para Toxic, sucesso de Britney Spears. André Frateschi estava elétrico no palco. Corria de um lado para outro, jogava camisetas para o público, dançava muito, brincava com os músicos. A plateia que ia devagar preenchendo os espaços dançava, mostrando que estava pronta para a maratona de shows. Miranda Kassim entrou com um penteado com topete, talvez porque tanto Janelle Monáe quanto Amy Winehouse cantam com seus topetes característicos. Foi uma homenagem às cantoras internacionais que também eram parte da programação da noite. Gostei do show. Foi um ótimo esquenta. Abaixo, fotos tiradas por mim durante o show.


Miranda Kassin e seu topete


O telão era uma telinha e chegou a apresentar problemas durante os shows


O performático André Frateschi


A dupla Miranda Kassin e André Frateschi durante a performance de Toxic


André Frateschi durante seu show

SUMMER SOUL FESTIVAL


Saí do Holiday Inn Parque Anhembi um pouco antes das 18 horas. O hotel é bem próximo da Arena Anhembi, localizada na dispersão do sambódromo de São Paulo. Este foi o principal motivo para eu ter me hospedado nele. Não precisaria de ir atrás de táxi na saída do show. Havia um movimento civilizado no lado de fora. Sem tumultos nas entradas. Gastei R$ 619,00 (entrada + taxa de conveniência + sedex) para ficar na área mais próxima do palco, na Pista Premium. Levei uma bolsa pequena com uma blusa de manga comprida, capa de chuva, máquina fotográfica e binóculos. A revista da bolsa e dos meus bolsos foi rápida. Quando estávamos chegando perto do palco, começou o primeiro show dos cinco programados para o Summer Soul Festival. Li críticas desfavoráveis em relação à pista normal, mas para quem ficou na Pista Premium era fácil a circulação, filas pequenas nas portas dos banheiros químicos, vários pontos de venda de cerveja, água e refrigerante, embora ouvi reclamações de que a cerveja estava quente. A certa altura, longe ainda do término, faltou água para vender em alguns destes pontos. Uma equipe de limpeza passava, enquanto deu, catando os copos descartáveis e garrafas de água do chão. Na mesma área, colocaram uma espécie de deque destinado aos cadeirantes, possibilitando a eles ter uma visão tranquila do palco. Com exceção do show de Amy Winehouse, todos os outros praticamente começaram no horário previsto na programação. O show da estrela principal da noite, a inglesa Amy, atrasou vinte e cinco minutos. Os ingressos estavam esgotados. Trinta mil pessoas estavam ali para se divertir com o som de cinco atrações. São Pedro colaborou, pois não caiu nenhuma gota de chuva durante as quase oito horas de duração do festival. Azar dos vendedores de capas de chuva do lado de fora, pois não conseguiram vender o produto. Na pista, vi vários rostos famosos, entre eles Mel Lisboa e Mariana Ximenes. O público era bastante eclético. Vi gente de todas as idades, todos os tipos de casais, famosos, anônimos. Nos intervalos entre os shows, sentava-me no chão, observando como se vestiam as pessoas ao meu redor. Tinha de tudo um pouco. A maré de baseado também enchia o ar de tempos em tempos. A saída foi, para mim, bem tranquila, embora um mar de gente andava em direção aos seus carros ou a procura de táxis, que eram raros no local. Voltei para o hotel muito contente com o que vi. O corpo pedia descanso, mas estava com fome. Eu e meus amigos pedimos um lanche para comermos no quarto deles. O tempo de entrega era em torno de uma hora, pois havia muitos famintos no hotel que faziam o mesmo. Confiram as minhas impressões de cada show nos respectivos posts.


O hotel Holiday Inn Parque Anhembi visto da Arena Anhembi


Um dos presentes na plateia. Uma homenagem a Salvador Dalí?