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domingo, 26 de julho de 2015

CONFRARIA VINUS VIVUS - 99ª REUNIÃO

A Confraria Vinus Vivus se reuniu pela 99ª vez na noite de 29 de junho de 2015, na casa de Vera. Abílio não pode comparecer e foi substituído por Kadu. Degustamos vinhos do portfólio da Art du Vin. Eis os vinhos da noite:

075 Carati Rosé Cuvée


Álcool: 11,5%.
Casta: bardolino.
Produtor: Piera Martellozzo.
Região: Veneto, Itália.
Importador: Vinissimo.
Valor: R$ 58,00.
Observação: não entrou na avaliação da noite. Foi usado para fazermos um brinde.

Vinho 1 – Cannubi DOCG


Safra: 2009.
Álcool: 14,5%.
Casta: 100% nebbiolo.
Produtor: Marchesi di Barolo.
Região: Cannubi, Barolo, Piemonte, Itália.
Cor: rubi, apresentando reflexos granada.
Aromas: xarope, mofo, ureia, caixa de charuto, tabaco, ervas secas, tomilho, açúcar.
Boca: muito tânico, amargor, acidez muito alta, provocando bastante salivação, suco de tamarindo.
Estágio: 24 meses em barricas, sendo uma parte em barricas de carvalho esloveno (3 mil a 4,5 mil litros) e outra parte em carvalho francês (225 litros) e mais doze meses em garrafas.
Importador: Art du Vin.
Valor: R$ 347,00.
Observação: recomendado tomar entre o 6º e o 25º ano. O campeão da noite, sendo o preferido de Kadu, Leo L., Fernanda, Jarbas, Leo S., Bruno e Marcos.

Vinho 2 – Justin Isosceles


Safra: 2010.
Álcool: 15%.
Casta: 85% cabernet sauvignon, 8% cabernet franc e 7% merlot.
Produtor: Justin.
Região: Paso Robles, Califórnia, Estados Unidos.
Cor: rubi escuro, com o halo em evolução.
Aromas: frutas negras, geleia de frutas escuras, herbal.
Boca: doce, mas com acidez presente, com uma boa salivação, amarga no final de boca, torrado.
Estágio: 14 meses em barricas de carvalho americano.
Importador: Art du Vin.
Valor: R$ 800,00.
Observação: o preferido da noite por Keller e Cláudia.

Vinho 3 – Top Winemakers 5 X 20 - Mulheres


Safra: 2013.
Álcool: sem informação.
Casta: 60% cabernet sauvignon, 20% shiraz, 20% carignan.
Produtor: 5 enólogas chilenas.
Região: Chile.
Cor: rubi escuro com reflexos denotando evolução.
Aromas: milho cozido, pamonha, curau, estábulo.
Boca: tânico, carambola, esquenta a boca.
Estágio: 16 meses de barrica de carvalho.
Importador: não há.
Valor: R$ 350,00.
Observação: todo dinheiro das vendas é revertido para obras sociais. O preferido da noite de Vera.

Vinho 4 – Doña Paula Los Indios Parcel


Safra: 2010.
Álcool: 14,5%.
Casta: 100% malbec.
Produtor: Doña Paula.
Região: San Carlos, Mendoza, Argentina.
Cor: negro, com reflexos violáceos.
Aromas: adocicado, compota de frutas, azedo, violeta, alcaçuz.
Boca: acidez presente, amargo.
Estágio: 14 meses de barrica de carvalho.
Importador: Art du Vin.
Valor: R$ 399,00.


Após a degustação, a anfitriã nos brindou com um jantar, que teve como entrada um ragu de rabada com queijo do reino e cogumelo, coberto com canjiquinha, cuja harmonização se deu com o vinho tinto Chassagne-Montrachet, produzido por Louis Latour na região de Borgonha, França, casta pinot noir, safra 2012, com 12% de teor alcoólico (R$ 220,00 na Art du Vin), seguindo-se um arroz de cordeiro, devidamente harmonizado com o tinto Mas Donis Barrica 2012, produzido na região de Montsant, Espanha, com 14% de álcool, castas grenache, tempranillo e carignan. Finalizamos o jantar com um crumble de maçã e café Nespresso.

ragu de rabada com queijo do reino e cogumelo, coberto com canjiquinha





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quarta-feira, 8 de julho de 2015

PURO BLA BLA! - LOS BLA BLA

Quando estive em Buenos Aires em fins de maio, Gastón me convidou para ver uma peça de teatro com um grupo chamado Los Bla Bla. A princípio, fiquei com receio de não compreender muita coisa, pois se tratava de uma comédia, poderiam falar muitas gírias e fazerem piadas com questões locais. Gastón me tranquilizou dizendo que o grupo era bem dinâmico e que exploravam bastante o teatro físico. Topei ir. Fomos em uma sessão na noite de domingo, 31 de maio, no Xirgu Espacio Untref (Chachabuco, 875). O teatro é antigo, pequeno e tem formato de ferradura. Estava lotado. A peça chama-se Puro Bla Bla!
Antes de começar, houve uma performance de um músico do qual não me recordo o nome, ainda com as cortinas fechadas, que se apresentou tocando teclados do lado direito do palco. Cantou cinco ou seis músicas, todas com uma levada de comédia. Uma delas foi cantada em português, imitando os cantores pianistas da fase áurea da Bossa Nova brasileira. Havia uma clara referência ao modo de cantar de Tom Jobim. Eu ri muito e Gastón não entendia o motivo. Após esta curta apresentação, a peça teve início com cinco atores do grupo espalhados pela plateia, um deles em um dos camarotes. As cenas que se sucederam foram hilárias. São esquetes curtas, mas que tem uma ligação entre elas, nas quais os atores desempenham diversos papéis, usando e abusando de versatilidade, do teatro físico e do humor escrachado, algumas vezes muito próximo de uma comédia estilo pastelão. No entanto, eles trabalham muito bem o humor, deixando claro nos textos curtos e diretos uma conotação bem social. Um humor que leva à reflexão, fato ausente em uma comédia no estilo pastelão. E os cinco integrantes do grupo, Manuel Fanego, Pablo Fusco, Sebastian Godoy, Julián Lucero e Tincho Lups são muito eficientes no que fazem. Completava o grupo o pianista Sebastián Furman, que tocava ao vivo.
Uma marca forte na apresentação de todo o grupo é o teatro físico, no qual misturam técnicas circenses, de mímica, de ginástica e de dança, dando uma conotação leve e bem humorada para as esquetes, embora todas elas tenham uma forte conotação de crítica social. Assim, não pouparam a religião, principalmente quando temos hoje um Papa argentino; a paixão dos hermanos pelo futebol; questões de preconceito contra as mulheres (haveria uma passeata na semana seguinte que tinha relação com questões de gênero e preconceito, fato inclusive lembrado durante a peça); uma visão do modo de vida das pessoas idosas; crise econômica; desemprego, entre outros. Temas como igualdade social, identidade nacional e cultural permeiam todas as esquetes. A plateia ri muito durante os cerca de 100 minutos de espetáculo, com entusiasmados aplausos ao final.
Duas cenas me chamaram a atenção, a saber: a que um dos atores se traveste de uma cantora que interpreta músicas regionais, não só pela performance em si, mas também por chamar para uma reflexão sobre a necessidade de se manter uma identidade cultural argentina, além de convocar a plateia para a tal passeata que mencionei acima. A outra esquete que destaco é a que se passa em uma missa católica que se transforma em um espetáculo de hip hop.
Ao final, entendi praticamente 90% dos diálogos. Quando a piada era muito interna ou usavam expressões locais, Gastón me explicava baixinho.
Gostei do que vi.

terça-feira, 7 de julho de 2015

MERCADO DA RIBEIRA - LISBOA

Eu e Gastón fizemos uma viagem para Lisboa, Portugal, em junho de 2015. Antes de viajar, amigos disseram-me para não deixar de visitar o Mercado da Ribeira. Coincidentemente, Gastón recebeu de seus amigos a mesma recomendação. Resolvemos conhecer o espaço na tarde de sábado.
O acesso ao local é fácil, tendo uma estação do metrô, Estação Cais do Sodré, praticamente em frente à entrada principal do mercado, que fica na Avenida 24 de Julho, 50.
O Mercado da Ribeira fica em um prédio cuja construção é do final do Século XIX, e que sofreu uma profunda modernização interna, com alterações, com as alas reformadas inauguradas em 2014.
O edifício já impressiona pelo lado de fora, com uma imponente entrada cujo piso tem um mosaico com o símbolo do mercado, um navio, em alusão ao Cais do Sodré e, creio eu, à época de ouro das grandes navegações portuguesas. Na ala central há lojinhas de artesanato da terrinha, além de produtos típicos da chamada economia solidária. À direita estão as bancas de frutas, legumes, verduras, pescados e alimentos em geral, ou seja, o que reconhecemos como um mercado tradicional. No entanto, como chegamos após 16 horas, esta ala já não estava mais com acesso ao público.
À esquerda, está a grande atração do local. Uma ala tomada por muitos restaurantes, com várias opções de sabores, especialmente os da culinária portuguesa. Não contei, mas não tenho dúvidas de afirmar, que tem pelo menos umas três dezenas de lojas. A maioria delas prontas para saciar fome e curiosidade dos frequentadores. Um prato cheio para gourmets e amantes da gastronomia. Gastón tem a gastronomia tatuada em sua alma e ficou encantado ao ver o local.
Ao centro da ala estão grandes mesas coletivas, todas de madeira em cor clara, nas quais grupos de amigos, famílias, crianças, casais enamorados, turistas e locais se confraternizavam degustando a boa culinária portuguesa. Além das iguarias locais, há opções de comida japonesa, chinesa, sanduíches, mas o forte é realmente a comida da terrinha. Também há lojas que vendem produtos portugueses, como queijos, embutidos, enlatados, sabonetes, chás, cadernos, imãs de geladeira, aventais, perfumes, e vinhos. Por falar em vinhos, há uma unidade da ótima Garrafeira Nacional, mas esta unidade só vende vinhos produzidos em Portugal.
Para os aficionados em alta gastronomia, há um espaço sensacional, a preços justos para pratos que revisitam os grandes pratos da culinária portuguesa. Foi nesta parte que paramos e ali escolhemos o que comer. São cinco lojas de renomados chefes do país de Camões, todos com restaurantes de prestígio: Alexandre Silva, do restaurante Bica do Sapato; Miguel Castro e Silva, do restaurante De Castro; Henrique Sá Pessoa, dos restaurantes Alma e Cais da Pedra; Marlene Vieira, do restaurante Avenue; e Miguel Laffan, do restaurante L'And, em Montemor-O-Novo.
Foi difícil escolher. São muitas tentações. Gastón viu um prato em uma mesa próxima deste espaço e, pela aparência, já o definiu como o que queria experimentar. Era uma das opções do chef Henrique Sá Pessoa. Sua escolha foi leitão confitado a baixa temperatura acompanhado por um purê de cenoura; enquanto eu escolhi do mesmo chef um prato que adoro, bochechas de porco preto acompanhadas por um purê de batatas encimado com couve lombarda levemente passada na frigideira. Para beber, nada além de Coca Cola. Os dois pratos estavam divinos, com uma leve superioridade das bochechas, iguaria da qual Gastón gostou muito. Aqui faço uma ressalva em relação ao prato escolhido por Gastón. Enquanto a carne de porco estava com ótimo tempero e cocção, o purê de cenoura careceu de sabor.


bochechas de porco preto

Em seguida, ainda passamos em uma sorveteria local para refrescar do calor que fazia no final da primavera portuguesa.
Antes de irmos embora, ainda paramos em uma loja que fica do lado de fora do mercado, onde provamos uma dose de um licor de ginja, um fruto parecido com a cereja, que faz muito sucesso em Lisboa, conhecido como ginjinha. A loja chama-se Ginja de Óbidos. Vale pela curiosidade.
A experiência gastronômica foi tão boa que voltamos no domingo, mais ou menos no mesmo horário, para almoçar no Mercado da Ribeira, que tem sua administração feita pela revista de turismo Time Out, edição portuguesa. E, mais uma vez, almoçamos no espaço do chef Henrique Sá Pessoa. Gastón não teve dúvidas em escolher desta vez o mesmo prato que eu tinha comido no dia anterior, bochechas de porco preto acompanhadas por um purê de batatas e couve lombarda, enquanto eu pedi ovo a 64º com purê de batatas trufado, aspargos verdes e presunto cru. Uma combinação sensacional. Cada vez gosto mais de pratos nos quais o ovo é a estrela.
Mercado da Ribeira, parada obrigatória para quem visita Lisboa.

sábado, 13 de junho de 2015

CONFRARIA VINUS VIVUS - 98ª REUNIÃO

A Confraria Vinus Vivus se reuniu na noite de 25 de maio de 2015, quando seus integrantes foram recebidos na casa de Fernanda e Jarbas. Foi a 98ª vez que se encontraram para degustar vinhos. O tema da reunião foi vinhos tintos produzidos na Austrália. Eis os vinhos degustados na noite:

Vinho 1 – Mentor


Safra: 2006.
Álcool: 14,5%.
Casta: 100% cabernet sauvignon.
Produtor: Peter Lehmann.
Região: Barossa Valley, Austrália.
Cor: rubi bem escuro, com a unha em evolução.
Aromas: frutas, carvalho, ameixa, cassis, mentol, eucalipto, menta, hortelã, tamarindo, chocolate amargo, coco, compota de frutas, café.
Boca: pede comida (100% gastronômico), trava no final da boca, não preenche a boca toda, ficando somente nos cantos, pesado, mas não é encorpado, taninos presentes, pouca acidez, não é equilibrado, tem pouca estrutura.
Estágio: 18 meses em barricas de carvalho francês.
Importador: Decanter.
Valor: R$ 409,90.
Observação: vinhedos próprios com alguns deles tendo mais de 50 anos de idade.

Vinho 2 – Dead Ringer


Safra: 2010.
Álcool: 14,5%.
Casta: 100% cabernet sauvignon.
Produtor: Wirra Wirra.
Região: McLaren Valley, Asutrália.
Cor: rubi fechado.
Aromas: mertiolate, mamão, band-aid, amora, doce de banana.
Boca: acidez presente, quente, não é encorpado, taninos presentes, mas enjoativo, azedinho, amargor no final de boca.
Estágio: sem informações.
Importador: Mistral.
Valor: R$ 383,00.
Observação: conhecido como o Château Angelus da Austrália. O preferido da noite de Keller e Leo L.

Vinho 3 – Bad Impersonator


Safra: 2005.
Álcool: 15,2%.
Casta: 100% shiraz.
Produtor: Two Hands.
Região: Barossa Valley, Austrália.
Cor: rubi, com o halo em evolução.
Aromas: estábulo, especiarias, pimenta, melaço, azeitona verde.
Boca: pimenta, melaço, quente, menta, volumoso, denso, untuoso, amanteigado.
Estágio: 14 meses em barricas de carvalho, sendo 22% delas de primeiro uso.
Importador: Mistral.
Valor: R$ 514,54.
Observação: o campeão da noite, sendo o preferido por Leo S., Vera, Cláudia, Jarbas, Fernanda, Bruno e Marcos.

Vinho 4 – Eight Songs


Safra: 2005.
Álcool: 14,5%.
Casta: 100% shiraz.
Produtor: Peter Lehmann.
Região: Barossa Valley, Austrália.
Cor: rubi, rubi.
Aromas: estábulo, maresia, água de mercado de peixe, mertiolate, querosene, fluido de isqueiro, cera em pasta.
Boca: doce, tem um certo amargor, mas agradável, marrom glacê, enjoativo.
Estágio: sem informações.
Importador: Decanter.
Valor: R$ 409,90.
Observação: o preferido da noite de Abílio.

Após a degustação, o casal anfitrião nos brindou com um jantar, que teve como entrada um creme de funghi com azeite trufado, seguindo-se um stinco de cordeiro com polenta, e finalizando com bolo de rolo ladeado por um sorvete de queijo minas.


O jantar foi harmonizado o vinho Dinastia Vivanco Reserva, safras 2005 e 2007, um tinto feito com 100% tempranillo, produzido na região de Rioja, Espanha (R$ 147,00 na Art Du Vin). Também foi servido o vinho de sobremesa alemão Loosen, com 7,5% de álcool, safra 2013, casta riesling (R$ 230,00 na Art Du Vin).


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terça-feira, 9 de junho de 2015

ERES MI NÚMERO



Para Gastón

Domingo, 26 de abril de 2015. Assim que ele chegou ao seu quarto do Hotel Pestana, em Buenos Aires, pegou seu celular para se conectar à rede sem fios do local e acessar seus aplicativos. Havia 119 mensagens no whatsapp, a maioria delas de três grupos que participava. Ignorou-as e abriu o aplicativo de encontros para ursos, como são chamados os gays corpulentos e peludos em uma definição bem rasteira. Sua ideia era que o aplicativo o localizasse na capital argentina, deixando seu perfil à mostra para os portenhos. Saiu em seguida para jantar com Beto, seu colega de trabalho, que viajava com ele para participar de um evento do Mercosul contra o trabalho infantil.
Ao voltar para o hotel, já no início da madrugada, acessou novamente o aplicativo para checar se recebera mensagens. Havia pelo menos uma dúzia. Viu uma por uma e ninguém lhe interessou. Deitou e logo adormeceu.
Segunda-feira, 27 de abril de 2015. O evento acontecia no próprio hotel onde ele estava hospedado. Tomou café da manhã, se encontrou com os demais colegas de trabalho, cumprimentou os conhecidos de Argentina, Paraguai e Uruguai, colocou um paletó, seguindo para o centro de eventos do local. Aproveitou o atraso no início das atividades para checar novamente o aplicativo. Novas mensagens. Um perfil lhe interessou. Era Oscar. Respondeu e logo trocaram whatsapp. Combinaram de se encontrar às 19 horas do dia seguinte, terça-feira, dia 28 de abril. O local escolhido foi um café perto do hotel. Ele seguia os conselhos de uma amiga. O primeiro encontro em tempos de redes sociais e conhecimentos virtuais sempre deve ser em um café. Isto porque um café pode ser curto ou longo, dependendo da química que rola entre as duas pessoas. Em um restaurante, se não rolar química, a saia justa é maior, pois um almoço ou um jantar demoram mais do que um café. O restante do dia foi dedicado ao evento e a noite foi a um jantar oficial.
Terça-feira, 28 de abril de 2015. Após tomar o café da manhã com os colegas de trabalho, verificou suas mensagens no whatsapp. Não havia nenhuma de Oscar. Enviou um “olá”, mas não teve resposta. Acessou o aplicativo para ver se Oscar estava on line. Não estava, mas uma mensagem lhe chamou a atenção. Era um simples “hola!”, mas as fotos do perfil disseram-lhe algo mais. Respondeu com outro “hola!”. Para sua surpresa, foi respondido imediatamente. Sua vontade de conhecer aquele argentino era tão grande que nem pensou duas vezes em lhe fornecer seu whatsapp. Trocaram várias mensagens ao longo da manhã. Combinaram de se encontrar no início da noite. Havia Oscar! Resolveu enviar uma mensagem, cancelando o encontro, dando uma desculpa qualquer ligada ao evento, que, de todo, não era mentira, pois as coisas não caminhavam muito bem naquele dia, com atrasos na programação.
Ainda por mensagem, o argentino lhe perguntou onde queria ir. Usou a estratégia de devolver a pergunta sem responder. O argentino sugeriu um café. Conexão total. Proposta aceita. Endereço fornecido e horário marcado: 20 horas. A tarde passou lenta. A sensação era que o atraso na programação se perpetuaria para sempre. A ansiedade era grande. Ele não tinha tal sensação há muito. Estava separado há quase dois anos, após uma relação de mais de quinze anos. Neste tempo pós-separação, estava solto na pista, aproveitando a vida. E este encontro fazia parte desta etapa de vida, mas algo lhe dizia que seria diferente. Pensava em sexo.
O evento, programado para terminar às 17 horas, se prolongou até 19:10 horas. Assim que terminou, subiu feito um raio para seu quarto, tomou um banho, vestiu a roupa que estava mais à mão e seguiu para o encontro. O argentino tinha lhe ensinado como chegar ao local de táxi. Eram aproximadamente 1,5 quilômetros desde o hotel. Não tinha trocado dinheiro. Estava sem pesos para pagar o táxi ou mesmo ir de ônibus. Resolveu ir a pé, apesar de suas fortes dores na região lombar da coluna. Viu o mapa no seu celular, consultando o melhor caminho. Saiu do hotel às 19:35 horas.
No trajeto, sua ansiedade crescia, assim como suas dores. Diminuiu o ritmo para suportá-las. Na pressa de sair, esquecera de tomar um analgésico. Seguia pela Calle Paraguay em direção ao bairro Recoleta. Nem prestava atenção nos arredores, nas pessoas, nos prédios, coisa que sempre faz quando está caminhando, mesmo em ritmo acelerado. Seu coração bombeava mais forte na medida em que se aproximava da rua na qual teria que virar à direita. Checava os nomes das ruas no mapa de seu celular, pois algumas delas não tinham placas indicativas. Quando chegou a hora de virar à direita, um frio percorreu sua espinha. Caminhou um quarteirão, atravessou uma rua. O local marcado era na próxima esquina. Viu uma lanchonete, mas não viu ninguém. Consultou o endereço de novo. Era um pouco mais à frente. Não era um café, mas sim a entrada de um edifício residencial. Um gigante estava na porta, consultando o celular. Era o argentino. Ficou paralisado. Muito mais interessante do que nas fotos. Outro calafrio lhe percorreu o corpo. Aproximou-se e se apresentou. Como todos os argentinos, o gigante se abaixou como se fosse lhe dar um beijo no rosto. Ele, como todos os brasileiros, logo lhe estendeu a mão. Um gesto que poderia se analisado como frio e distante. Mas para ele não o era. Era apenas uma formalidade entre duas pessoas que estavam acabando de se conhecer.
O argentino lhe apertou a mão. Seus olhos se cruzaram. Olhares fixos, olhares profundos. O brasileiro viu além dos olhos. Achou que viu a alma do argentino. Foram segundos, mas pareceu-lhes uma eternidade. O silêncio foi quebrado com um convite para subir. O café seria no apartamento do argentino. Ele aceitou sem pensar. O toque de pele e o olhar do argentino lhe abateram ali, no porta do prédio. O apartamento ficava no segundo piso. Subiram de elevador. Ficaram frente a frente, conversando sobre trivialidades. Ele tinha o pensamento longe. Por um momento o filme de seus 51 anos de vida passou como um trem bala em sua cabeça. O elevador deu um solavanco quando parou no segundo andar. Ele voltou à realidade. Um pequeno corredor separava o elevador da entrada do apartamento. O argentino abriu a porta e lhe convidou para entrar. O brasileiro misturava ansiedade e nervosismo. Pediu um copo de água. Bebeu dois goles e começou a falar. Falava pelos cotovelos. O argentino estava sentado à sua frente. Ouvia tudo com muita atenção e aproveitava as pausas de respiração do brasileiro para também falar. Falaram de tudo um pouco. Da separação que ambos vivenciaram, do trabalho, da vida que levavam, de cachorros, de suas atividades de trabalho. A voz grave falando espanhol fascinou o brasileiro, que fixava seu olhar nas mãos do argentino. Queria segurar aquelas mãos e nunca mais largar. Seus corpos se aproximavam cada vez mais, mas não se tocavam. Até que uma mão segurou a outra. Um calor invadiu o espaço. Um cheiro bom vinha do argentino. O brasileiro estava dominado em quase todos os cinco sentidos: olfato, audição, toque, visão. Faltava o paladar. Queria beijar aquela boca que estava a poucos centímetros da sua. Segurou firme nas mãos portenhas, se aproximou e tascou um beijo. Era o que faltava para lhe conquistar de vez. Levantaram-se e se beijaram longamente. Um beijo efusivo, mágico. Olharam-se, um sorriso tomou ambos os lábios. Seguiu-se um forte e aconchegante abraço. O brasileiro quis morar naquele abraço argentino. Naquele momento, percebeu que uma magia acontecia ali. Algo que há muito não vivenciava. Olhou o relógio. Era hora de ir embora. Os dois tinham compromissos. Agendaram para se ver no dia seguinte. Um jantar a ser preparado pelo argentino. O que o brasileiro buscava no início de tudo não se consumou. Não houve sexo naquela noite. Ao despedir-se do argentino, já na rua, teve uma certeza. Queria aquele homem em sua vida. Tinha esquecido das dores nas costas. E, ainda sem dinheiro, voltou, leve e sorridente, para o hotel. Quando lá chegou, um aviso sonoro no celular indicava o recebimento de uma mensagem. Era o argentino lhe convidando para jantar. Compromisso cancelado. Em vinte minutos estavam juntos novamente, conversando em uma pizzaria. Já no início da madrugada, o argentino pagou a conta, pois o brasileiro continuava sem dinheiro, e caminharam juntos até o Hotel Pestana. Despediram-se com um forte abraço.

O brasileiro pegou seu celular e enviou uma mensagem para o argentino: ERES MI NÚMERO! 

sábado, 23 de maio de 2015

CONFRARIA VINUS VIVUS - 97ª REUNIÃO

A Confraria Vinus Vivus se reuniu na noite de 27 de abril de 2015 na casa de Vera pela 97ª vez. Cláudia e Leo S. não se fizeram presentes, sendo substituídos por Kadu e Paulo. O tema da reunião foi vinho branco produzido nas regiões francesas de Bordeaux e Bourgogne.

Vinho 1 – La Clarté de Haut-Brion


Safra: 2010.
Álcool: 14%.
Casta: 81% sémillon e 19% sauvignon blanc.
Produtor: Domaine Clarence Dillon.
Região: Graves, Bordeaux, França.
Cor: palha, com unha esverdeada.
Aromas: querosene, casca de cebola, amanteigado, levemente defumado, figo fresco, alcaçuz.
Boca: acidez longa, mineral, floral, seca a boca.
Estágio: 10 a 12 meses em barricas de carvalho, sendo 50% novas e 50% usadas.
Importador: Grand Cru.
Valor: R$ 780,00.
Observação: o campeão da noite, sendo o preferido por Vera, Abílio, Paulo, Bruno, Jarbas, Fernanda, Leo L., Keller e Marcos.

Vinho 2 – Mersault 1er Cru


Safra: 2009.
Álcool: 13,5%.
Casta: 100% chardonnay.
Produtor: Château de Cîtaux.
Região: Bourgogne, França.
Cor: amarelo claro.
Aromas: resina, fresco, baunilha, defumado, cítrico, damasco fresco, mineral, coco.
Boca: fresco, cítrico, muita acidez.
Estágio: 12 meses em barricas de carvalho.
Importador: Decanter.
Valor: R$ 580,00.
Observação: o preferido da noite de Kadu. Vinhedo Perrières – vinhedos com média de 30 anos.

Vinho 3 – Puligny-Montrachet 1er Cru


Safra: 2007.
Álcool: 13%.
Casta: 100% chardonnay.
Produtor: Dominique Laurent.
Região: Bourgogne, França.
Cor: dourado claro.
Aromas: pêssego, maçã verde, damasco, pera, todas estas frutas frescas, manteiga, açúcar queimado.
Boca: acidez, cítrico.
Estágio: sem informação.
Importador: World Wine.
Valor: R$ 750,00.
Observação: vinhedos Les Folatières com mais de 40 anos de idade.

Vinho 4 – Château Smith Haut Lafitte


Safra: 2010.
Álcool: 13,5%.
Casta: 90% sauvignon Blanc, 5% sauvignon gris e 5% sémillon.
Produtor: Château Smith.
Região: Graves, Bordeaux, França.
Cor: amarelo claro.
Aromas: manga, maracujá, pêssego.
Boca: maracujá, acidez, adocicado.
Estágio: 12 meses em barricas de carvalho.
Importador: Mistral.
Valor: R$ 1.100,00.
Observação: vinhedos com mais de trinta anos e alguns de sauvignon blanc com mais de sessenta anos de idade.

Após a degustação, a anfitriã brindou os presentes com mais um belo jantar: peixada cearense com pirão escaldado e arroz branco, seguida de pudim de sauterne.


O jantar foi harmonizado com dois vinhos:
1.  Amplus 2012, um branco feito com 100% chardonnay, produzido por Santa Ema na região de Leyda, Chile (R$ 76,00 na Art Du Vin).


2.  Eirados 10 Anos, da região do Douro, Portugal, um vinho do Porto Tawny, com 19,5% de álcool.


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