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quinta-feira, 22 de julho de 2010

FILMOTECA ESSENCIAL - BRASIL (07)


Carlos (Walmor Chagas), um jovem paulistano de classe média, vive em São Paulo na época do início do desenvolvimento industrial, em especial da indústria automobilística, no final dos anos cinquenta e início dos anos sessenta. Três mulheres fazem parte de sua vida: Hilda (Ana Esmeralda), a intelectual; Ana (Darlene Glória), a biscate; e Luciana (Eva Wilma), a moça de família, com quem ele se casa e tem um filho. É claro que ele trabalha na indústria emergente, primeiro na Volkswagen e depois em uma empresa de auto peças. Em meio a esta vida atribulada, Carlos se sente angustiado e seu sentimento é de fugir de tudo e de todos. Este é o enredo de São Paulo Sociedade Anônima, filme dirigido por Luiz Sérgio Person e lançado em 1965. Filme obrigatório, pois Person imprime um toque especial nas filmagens, com muito flash back, muita narração em off (não é chato, como na maioria dos filmes que utilizam este tipo de recurso), e enquadramentos repetidos, especialmente no rosto de Darlene Glória (há duas cenas ótimas: o tapa na cara que ela leva de Walmor Chagas em uma praia do litoral paulista, e o banho de mangueira que ela toma em um pequeno pier, no mesmo litoral). Estreia nas telonas de Walmor Chagas, com cabelo totalmente preto, e de Darlene Glória, num papel que já indicava que encarnaria em outros filmes a femme fatale. Person consegue mostrar na história de Carlos, um pouco da vida paulistana daquela época e das falcatruas que os empregadores já faziam para burlar a lei, especialmente a trabalhista. Destaco ainda a aula que Hilda dá a Carlos sobre a pintura de Lasar Segall durante uma exposição que percorrem no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera.

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