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segunda-feira, 12 de maio de 2014

CAMÉLIA


Na última vez em que estive no Rio de Janeiro, aproveitei a oportunidade para conferir a peça Camélia, que esteve em cartaz no início do ano em Brasília, mas não consegui ver. Trata-se de um texto vencedor da sexta edição do projeto do CCBB chamado Seleção Brasil em Cena. Este projeto premia textos novos para dramaturgos de Brasília e do Rio de Janeiro, havendo um vencedor para cada cidade. As peças escolhidas ficam em cartaz nos centros culturais que o Banco do Brasil mantém nestas duas cidades. Camélia se baseia em um relato de Freud sobre sua paciente homossexual. A peça narra a história de uma mulher que viveu 100 anos, praticamente o Século XX inteiro, quando viveu a experiência de duas guerras mundiais, era judia, fugiu da perseguição de Hitler, viajou o mundo, chegando até a morar no Brasil. Foi apaixonada por uma mulher casada e viveu intensamente este amor ao longo de sua vida. O texto é de Ronaldo Ventura e a direção de Luana Proença, que optou por utilizar somente atores novatos, gente pouco conhecida no meio teatral brasiliense. A vida da mulher não é contada de forma linear, o que exige do público uma atenção maior, sendo a protagonista a responsável por nos contar sua vida. A maior parte do tempo a atriz que interpreta a mulher centenária fica de costas para o público, trajando um vestido longo, com chapéu e um véu que cobre a parte de trás da cabeça. A roupa e acessórios indicam para nós que, embora de costas, é a frente da mulher que vemos e isto fica evidente com o gestual da atriz, que fica simulando que está fumando um cigarro enquanto narra sua vida. O trabalho de corpo da atriz é muito bom. Figurino, cenário e trilha sonora integram completamente ao enredo. Tais elementos ajudam a manter o clima, principalmente nas passagens de tempo. Ao final, um belo texto, com ótimas interpretações. Vida longa ao projeto que descobre novos talentos.

artes cênicas

domingo, 11 de maio de 2014

SE EU FOSSE VOCÊ, O MUSICAL

Demorou, mas um sucesso do cinema brasileiro chegou aos palcos. Os dois filmes Se Eu Fosse Você, ambos dirigidos por Daniel Filho, foram adaptados para o tablado na forma de um musical. Filho supervisionou a adaptação, cuja direção e coreografia coube a Alonso Barros, enquanto a direção musical é de Guto Graça Mello. Esta versão teatral tem como norte o roteiro do segundo filme, mas traz trechos do primeiro também. Nos papeis de Helena e Cláudio, vividos nos cinema por Glória Pires e Tony Ramos, estão os ótimos cantores/atores Cláudia Netto e Nelson Freitas. Para quem não se lembra, a história é uma comédia onde há uma troca de corpos entre o casal, Helena sendo Cláudio e vice-versa. Os produtores foram buscar no repertório de Rita Lee as canções que conduzem a história, em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, desde março. Fui no final de semana de estreia, com casa totalmente cheia. O elenco é bem afinado, tem presença, mesmo os que dão suporte às canções. Há participação especial de Fafy Siqueira, que interpreta a mãe de Helena. Ela é a que menos canta, mesmo porque seu dotes vocais não são lá estas coisas, mas sua presença é iluminada, garantindo bons momentos de risadas à plateia. Por falar em sorrisos, ri muito, talvez até mais do que nos cinemas, quando fui ver os dois filmes. O casal de protagonistas é sensacional e dá um show de interpretação, especialmente quando há a troca de papeis. As coreografias são ponto de destaque, especialmente quando a música Doce Vampiro domina a cena. O repertório de Rita Lee é vasto, com muitas opções para se aproveitar. Os produtores colocaram os maiores sucessos, o que ajudou a provocar na plateia uma sinergia desde o primeiro momento. São mais de trinta canções da eterna roqueira brasileira. Curioso é o fato deste musical estrear em data próxima a outro musical, em cartaz em São Paulo, que também tem as canções de Rita Lee no setlist. A maioria das músicas se encaixa perfeitamente na cena, parecendo que foram pensadas para elas, mas há algumas em que houve uma forçada de barra, embora isto não tenha prejudicado a compreensão da história. Enfim, o musical diverte, e muito.

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TODOS OS MUSICAIS DE CHICO BUARQUE EM 90 MINUTOS


Em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro, o musical Todos Os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos. Estava no Rio em final de semana anterior ao Carnaval, quando aproveitei a oportunidade para ir conferir mais um musical da atual profícua safra brasileira. Fui com Karina na sessão de domingo à noite. Teatro completamente lotado, especialmente por um público acima dos 60 anos, ou seja, uma geração que acompanha desde sempre a carreira de Chico Buarque. Não se trata de uma biografia, muito em voga nos palcos brasileiros, mas sim uma compilação das canções que Buarque escreveu para o teatro e para o cinema, devidamente utilizadas para contar a história de uma trupe teatral em viagem pelo interior do país com a montagem da peça A Dama das Camélias. A dupla Charles Moeller e Cláudio Botelho assinam este musical, o que já garante uma certa tranquilidade, pois eles são primorosos no que fazem. Os arranjos e acordes para canções eternas de Chico estão muito bons e o elenco é afinadíssimo. Soraya Ravenle dá um show de interpretação, tanto como atriz, quanto como cantora. Cláudio Botelho também está em cena, como o dono da companhia de teatro, conduzindo o espetáculo como um narrador. É o que menos canta, mas isto não prejudica o restante do grupo. As mulheres tem maior presença em cena, algo normal, em se tratando do cancioneiro de Chico, ainda mais quando se referem às suas músicas feitas para espetáculos teatrais, como O Grande Circo Místico, Roda Viva, Ópera do Malandro, Calabar, Gota D'Água e Os Saltimbancos. Gostei de vários momentos, especialmente das interpretações de Geni e O Zepelim, quando os atores utilizam placas com a letra do refrão grudento, o que deu mais ênfase a ele; e de Mar e Lua, uma ode ao amor de duas lésbicas. O senão ficou por conta de uma mulher da plateia que insistia em cantar todas as músicas junto com os atores/cantores. Ela estava na minha fila e incomodava muito a todos que estavam à sua volta, pois atrapalhava a quem queria prestar atenção no musical. Ela cantava em voz alta, sem dar muita bola para os pedidos de silêncio. Para piorar, cantava no mesmo ritmo das gravações originais, às vezes ficando mais à frente do que acontecia no palco. Totalmente sem noção. Voltando ao musical, gostei muito e recomendo, mesmo para aqueles que não são fãs de Chico Buarque. Fica em cartaz no Rio de Janeiro até junho, estreando em São Paulo no mês de agosto.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ANTIQUARIUS - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Rua Aristides Espínola, 19, Leblon, Rio de Janeiro, RJ. 

Contato: +55 21 2294 1049.

Especialidade: culinária portuguesa.

Quando fui: almoço de 17 de novembro de 2013, domingo. Éramos 09 pessoas, sem reserva. Mesmo chegando perto de 15 horas, ficamos por muito tempo na fila de espera. Primeiro em pé, perto do balcão do bar, depois em um apertado sofá no segundo piso. Sei que é difícil acomodar nove pessoas em uma mesa, ainda mais em um local concorrido e em tarde de muita chuva no Rio de Janeiro, mas ficamos em uma mesa muito apertada, o que dificultava, inclusive, o serviço dos garçons. Demoramos quase três horas no restaurante.

Serviço: deixamos o carro com o manobrista, cujo serviço não é cobrado. Quando chegamos, alguns amigos já nos esperavam no bar, onde comiam croquetes enquanto não havia mesa disponível. O vai-e-vem dos garçons era rápido e alguns chegavam a trombar uns nos outros. Quando fomos para o sofá no mezanino, serviram croquetes e bolinhos de bacalhau, além das bebidas que cada um pediu. Já na mesa para o almoço, o serviço desandou. Não anotaram todos os pedidos no mesmo tempo, sendo necessário reclamar para eu ser atendido. Depois, os pratos demoraram quase uma hora para chegar à mesa. E quando chegaram, não vieram todos de uma só vez. Alguns esperaram mais um pouco para começar a comer. No meu caso, que pedi um arroz de pato, este veio frio, sinal de que já estava pronto há muito lá na cozinha. Também não aprecio levarem o que restou do prato que é servido em panelas de cobre para a estufa, pois os garçons não ficam atentos se o cliente quer mais um pouco.

O que bebi: apenas Coca Cola e uma xícara de café espresso ao final da refeição. 

O que comi: compartilhamos o farto couvert da casa, que era reposto constantemente, mas sem um critério definido, pois alguns quitutes só vieram à mesa uma única vez, como o queijo serra da estrela quente e os croquetes de carne. O couvert é variado e muito bom: risoles de camarão, bolinhos de bacalhau, bolinhas de queijo, torradas, pão de alho, manteiga, patê de fígado de ave, berinjela com tomate, croquetes de carne e queijo serra da estrela levemente derretido (R$ 28,00). Como prato principal, escolhi o famoso e tradicional arroz de pato a Antiquarius (R$ 89,00). Demorou para chegar e veio frio, o que matou o sabor do prato. Uma pena, pois já tinha experimentado em outras ocasiões e sempre saí satisfeito com minha escolha.


Valor que me coube no total da conta: R$ 190,00.

Minha avaliação: * * *. Cada vez que tenho ido ao Antiquarius, vou ficando mais decepcionado. Desta vez, achei muito tumultuado o serviço e a comida apenas mediana. A decoração chama a atenção, reproduzindo o ambiente interno da Pousada Santa Luzia, em Portugal.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

RISO - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Rua Aníbal de Mendonça, 175, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ.

Contato: +55 21 2147 8259.

Especialidade: bistrô especializado em risotos, sob o comando do chef Daniel Kohler.

Quando fui: jantar de 16 de novembro de 2013, sábado. Éramos 08 pessoas, sem reserva. Chegamos após 22 horas e aguardamos no bar por cerca de meia hora, quando fomos acomodados no salão central do restaurante, localizado em um pátio coberto, com várias portas e janelas fechadas viradas para ele. No local também funciona uma galeria de arte. A decoração do bar é escura, com predominância da luz azul, enquanto o pátio de comidas tem o amarelo como o tom dominante. Ficamos mais de duas horas no local.

Serviço: quando chegamos, fomos recebidos por uma esguia e simpática recepcionista, que nos conduziu para o bar, onde os garçons eram muito atenciosos. As bebidas chegaram rapidamente à mesa. Quando passamos para o salão para jantar, o atendimento foi mais distanciado, mas continuou eficiente. Não gostei das cadeiras, baixas e desconfortáveis para quem fica muito tempo sentado.

O que bebi: comecei com uma caipirinha de frutas amarelas (R$ 21,00), adoçada com açúcar. Frutas bem maceradas, o que conferiu boa harmonia com a cachaça. Durante o jantar, preferi beber água mineral com gás Minalba (R$ 5,90).

O que comi: compartilhamos duas entradas. 1. ceviche de namorado picante (R$ 31,90), cuja apresentação nos surpreendeu, pois foi servido em uma louça rasa, com um molho mais próximo do pesto e o peixe fatiado em finas lâminas, mais parecendo um sashimi. Estava muito bom. 2. arancini de brie com tomate seco (R$ 29,00), ou seja, bolinhos de arroz arbóreo recheados com queijo brie e tomate seco. Este último ingrediente deixou o bolinho com sabor bem ácido. Não gostei. Como prato principal, não tive dúvidas em escolher a especialidade da casa, um risoto. São cerca de vinte opões, algumas delas bem inusitadas. Resolvi não ousar muito, ficando com o risoto de limão siciliano com filet de namorado grelhado (R$ 62,00). Não fui feliz. O risoto estava bom, mas o namorado grelhado, servido por cima do arroz, acabou com o sabor leve e perfumado do arroz.





Valor que me coube no total da conta: R$ 140,00.

Minha avaliação: * * *. Gostei de ficar no bar, local que considerei melhor do que o ambiente para as refeições. Acho que seria um bom local para ficar bebendo e beliscando umas entradinhas.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ALBAMAR - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)


Endereço: Praça Marechal Âncora, 184, Centro, Rio de Janeiro, RJ (www.albamar.com.br)

Contato: +55 21 2240 8428.

Especialidade: destaque para os peixes e frutos do mar, sob o comando do chef Luis Incao.

Quando fui: almoço de 16 de novembro de 2013, sábado. Éramos 14 pessoas, com reserva para 14:30 horas. Chegamos no horário, sendo imediatamente acomodados em uma grande mesa que já nos aguardava. A vista que se tem de qualquer local do salão do restaurante é para a Baía de Guanabara, com barquinhos de pescadores, grandes navios, a Ponte Rio-Niterói e o skyline da cidade de Niterói. Ficamos por mais de duas horas no restaurante.

Serviço: atendimento primoroso, desde a chegada, com uma simpática recepcionista nos conduzindo para o antigo elevador, que só cabem três pessoas por vez, até o ótimo atendimento dispensado à mesa pelos garçons e pelo maitre.

O que bebemos: compartilhei com algumas pessoas da mesa duas garrafas do vinho branco chileno Anakena Enco Reserve Chardonnay 2012 (R$ 78,00 cada garrafa), com 13% de álcool, produzido no Valle de Leyda. Vinho leve, refrescante, par ideal para o calor que fazia no Rio de Janeiro, harmonizando muito bem com as entradas de frutos do mar e com meu prato principal. Água com gás Minalba (R$ 5,50) foi o acompanhamento constante do vinho. Ao final, uma ótima xícara de café Nespresso (R$ 5,50). Durante a refeição, o barman nos brindou com alguns drinques e coquetéis diferentes.

O que comi: iniciamos com o couvert da casa, fartamente colocado à mesa, com reposição constante: pães, gressinos, pastéis fritos (carne e queijo), manteiga, guacamole e vinagrete de polvo (R$ 15,00). Em seguida, o chef nos brindou com alguns mimos, todos deliciosos: anéis de lula empanados, bolinho de bacalhau, camarões grelhados, molho de pimenta e molho tártaro, e o melhor de tudo, fígado de frango acebolado. O tempero do fígado era divino. Em seguida, o prato principal. No meu caso, escolhi um clássico do restaurante, sucesso absoluto nos 80 anos de sua existência, o arroz marú (R$ 56,00). Tal arroz é molhado, com muito frutos do mar e brócolis cortado de forma bem pequena, misturado com ervas. E ainda vem gratinado com queijo parmesão. Sabor inigualável. Como sobremesa, experimentei a sugestão do maitre, figos flambados com uísque e pimenta verde com sorvete de baunilha (R$ 23,00). O sorvete é dispensável, ou melhor, poderia ser de um sabor mais original, mas a composição dos figos com a pimenta estava sensacional. Bela sugestão.

fígado de frango acebolado


arroz marú


figos flambados com uísque e pimenta verde com sorvete de baunilha

Valor que me coube no total da conta: nada, pois os meus amigos César e Ewerton fizeram a gentileza de nos presentear com este belo almoço em um ótimo restaurante.

Minha avaliação: * * * *. O Albamar, além de ser um bom restaurante, está instalado, desde 1933, em um lugar histórico, pois ocupa a única torre de metal que sobrou do mercado municipal que ali funcionava nas primeiras décadas do século passado.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

LIMA RESTOBAR - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Rua Visconde de Caravelas, 113, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. (www.limarestobar.com.br)

Contato: +55 21 2527 2203 - contato@limarestobar.com.br

Especialidade: culinária peruana, sob o comando do chef Marco Espinoza.


Quando fui: jantar de 15 de novembro de 2013, sexta-feira. Éramos 07 pessoas, sem reserva. Chegamos bem tarde, após 22 horas e ainda assim ficamos em fila de espera. O restaurante estava bem cheio e a dificuldade de acomodar grupos maiores implicou em uma espera de mais de uma hora para sentarmos. Ficamos em uma mesa apertada no também apertado segundo piso. Preferiria ficar no agradável piso térreo, cuja decoração é mais bonita. Saímos do restaurante no início da madrugada, por volta de 01 hora da manhã.

Serviço: o atendimento enquanto esperávamos, acomodados na calçada, foi bom, quando bebemos um drinque. Já nas mesas, o atendimento deixou a desejar, com muita espera para um garçom nos auxiliar. Os pratos vieram em tempo razoável à mesa.

Minha experiência

Bebida: comecei com um pisco souer clássico (R$ 19,80), o drinque típico do Peru. Não estava muito gelado, o que deixou pronunciado o sabor da albumina da clara de ovo, fato que não me agradou muito. Quanto à apresentação, estava convidativo. Depois do drinque, bebi apenas água mineral sem gás Pouso Alto (R$ 3,90).

Entrada: compartilhamos algumas variações de clássicos da culinária peruana antes de jantarmos.

1. anticuchos (R$ 30,00): são quatro unidades de espetinhos de filé mignon temperado com pimentas peruanas, acompanhados por purê de batata com alhos assados, salada quente de milho, alcaparras e molho huancaína. Carne macia, com ótimo tempero. Alcaparras apenas para dar um leve sabor, nada exagerado. Purê de batatas bem leve, com o sabor do alho em evidência. O molho huancaína, feito à base de pimentas sem semente, gema de ovo, leite, queijo, torradas, azeite e sal, era mais para enfeitar, mas dava um sabor diferenciado quando misturado ao purê. Gostei.




2. cebiche chalana (R$ 34,50): peixe, camarões, polvo, lulas crocantes, leche de tigre, pimenta amarela e mandioca. Texturas diferentes em um mesmo prato. Muito bom.








3. causa la Oliva (R$ 32,00): polvo assado na brasa com pimenta biquinho, azeitona e pimentões doces ao forno. Muito bom, com o polvo no ponto certo e os pimentões amenizando o sabor ácido da massa de batata com limão.







4. causa de cangrejo (R$ 34,00): variação do prato anterior, com polpa de carne de caranguejo com alho e óleo, salada de rabanete, tomate e abacate. Achei mais interessante do que o recheado com polvo.





Prato principal: pescado - camarón - mandioca (R$ 59,00): peixe do dia (pescada amarela) grelhado com molho de camarão e pimenta ao açafrão, acompanhado de croquetes de mandioca recheados de queijo gruyère e saladinha criolla. Os croquetes foram o ponto alto deste prato. Sensacionais. Já o peixe, achei mais do mesmo.







Sobremesa: texturas de chocolate e lucuma (R$ 19,00): sou fã de lucuma, uma fruta muito comum no Peru e difícil de achar no Brasil, mas a variação do Lima Restobar não me agradou, pois o sabor do chocolate era muito forte, matando totalmente a lucuma.




Valor que me coube no total da conta: R$ 117,48.

Minha avaliação: * * * 1/2. Vale conhecer, especialmente pelas entradas.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

domingo, 1 de dezembro de 2013

MARGUTTA - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Avenida Henrique Dumont, 62, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. (www.margutta.com.br)

Contato: +55 21 2259 3718 - margutta@margutta.com.br.

Especialidade: culinária italiana, sob o comando do chef Paolo Neroni.

Quando fui: almoço de 15 de novembro de 2013, sexta-feira. Éramos 05 pessoas, sem reserva. Chegamos por volta de 14:30 horas. O restaurante tinha um bom público, mas não estava lotado. Ficamos em mesa no salão do térreo. Permanecemos por mais de uma hora e meia no local.







Serviço: garçons simpáticos, explicando o cardápio e sugerindo o melhor do dia. Pratos chegam em tempo razoável à mesa. Para os colecionadores, o restaurante integra a Associação da Boa Lembrança.

O que bebi: uma dose de caipirinha de lima da pérsia. Durante a refeição, preferi beber uma lata de Coca Cola. Caipirinha bem feita. Estava adoçada no ponto e com boa maceração das frutas.


O que comi: compartilhei o couvert (coperto) com todos da mesa (R$ 16,00). Era um cesto com pães variados e torradas, acompanhados por couscous marroquino com camarão, pasta de gorgonzola, caponata de berinjela, molho de tomate da casa e manteiga. Nada de surpreendente, mas digno. Caro para o que oferece. Como prato de fundo, escolhi um polpettone alla Terenzio (R$ 49,00). É um prato aparentemente simples, mas se a liga da carne não estiver correta, atrapalha tudo. No caso, a liga era boa, estava bem aromático e chegou quentinho à mesa, ainda saindo fumaça, mas o tempero não me agradou. Era um polpetone gratinado com molho de tomate, encimado por uma pequena quantidade de mussarela de búfala (o queijo poderia ser mais farto). Acompanhou a carne um fettuccine all'Alfredo bem sem graça, com pouco gosto de manteiga, o que o distanciou deste clássico italiano. Não gostei. Não quis experimentar nenhuma das sobremesas do cardápio.





Valor que me coube no total da conta: R$ 116,00.

Minha avaliação: * * 1/2. Esta foi a segunda vez que fui ao Margutta e em ambas as ocasiões tive a mesma impressão. Não deu vontade de voltar.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

sábado, 2 de novembro de 2013

DOMINGO ECLÉTICO NO RIO DE JANEIRO


O domingo também foi um dia lindo no Rio de Janeiro, com muito sol, brisa e céu azul. Desta vez saímos um pouco mais tarde do hotel, por volta de 11 horas. Nosso destino era a Praça São Salvador. Fomos a pé. Todos os domingos acontece uma feira de artesanato nesta praça, o que leva muita gente para lá. Além de comprar os produtos dos artesãos, as pessoas se encontram para bater papo em alguma das barracas de bebidas/comidas da feira. Além disto, a partir de 10:30 horas, até 14:00 horas, uma orquestra de chorinho chamada Arruma o Coreto se reúne em torno do coreto da praça para tocar, despretensiosamente, clássicos do cancioneiro brasileiro, especialmente chorinhos. O mais interessante é que eles começam a tocar independentemente de todos os músicos terem chegado. Na medida em que um músico chega, ele se acomoda entre os demais integrantes do grupo e começa a tocar também. É muito bom. Pessoas de todas as idades, velhinhos acompanhados de enfermeiros, casais jovens com bebês nos carrinhos, gente paquerando, adolescentes, crianças, jovens, todos passeando na praça, curtindo a música instrumental e experimentando as iguarias gastronômicas da feira. Todos sabem que sou muito resistente a comer qualquer coisa que é vendida na rua, em barracas, mas não resisti ao pastel de carne. Tatá elogiou muito e resolvi experimentar. Enorme e muito gostoso. Dentre aqueles que ouviam o chorinho, encontramos um mineiro de Divinópolis, torcedor do Galo. Logo já estávamos entrosados e assim que uma música acabava, ele gritava Galo! e nós levantávamos o braço direito, imitando o craque Reinaldo quando fazia mais um gol pelo Atlético Mineiro. Assim passamos o final da manhã e o início da tarde. Quando a fome começou a apertar, resolvemos ir para Ipanema. Fomos de ônibus (R$ 2,75). Como era domingo, esperamos um pouco na parada até aparecer um que passasse na Praça General Osório, nosso destino, onde também há uma feira de artesanato aos domingos, só que em dimensões bem maiores. O trânsito estava um pouco travado nas imediações da praça. Descemos, mas optamos por não passar pela feira, embora Fernando o quisesse, pois tínhamos fome e Tatá queria se sentar, já que tinha ficado muito tempo em pé ouvindo o chorinho. Como estamos comemorando os cem anos de Vinícius de Moraes, resolvemos almoçar no Vinícius ou no Garota de Ipanema, o que tivesse mesa disponível. No Garota de Ipanema, Vinícius e Tom Jobim compuseram a música homônima, cuja partitura estampa as paredes do restaurante. Andamos cerca de 500 metros até a esquina de Rua Prudente de Morais com a Rua Vinícius de Moraes, onde ficam os dois restaurantes. O Vinícius estava muito cheio, com uma fila de espera maior do que a que tinha na porta do Garota de Ipanema. Esperamos cinco minutos para sentarmos em uma mesa neste último. Fernando desistiu de ficar conosco e voltou para a feira da General Osório, reaparecendo bem mais tarde. Nós almoçamos, sendo que Tatá foi embora antes, pois queria ver o jogo Atlético X Flamengo no Bar Picote. Nós vimos o mesmo jogo na televisão do restaurante. Por volta de 17 horas, pagamos a conta, resolvendo ver o por do sol no Arpoador. Para tanto, caminhamos pelo calçadão de Ipanema, vendo todo o movimento de turistas e cariocas na orla. A praia ainda fervilhava de gente. Chegamos ao Arpoador e logo nos acomodamos em um quiosque, mas o atendimento era tão sofrível que mudamos para outro, localizado ao final do calçadão, onde a visão para o Morro do Vidigal era perfeita. Assim, tomando uma água de coco, vimos o belíssimo por do sol por trás do morro, fenômeno que merece, diariamente, aplausos de quem o assiste da Pedra do Arpoador. Era hora de voltar para o Flamengo. Um pequeno estresse ocorreu entre Rose e Fernando por causa desta volta. Íamos de metrô, mas a fila para pegar o ônibus que nos levaria até a estação Siqueira Campos em Copacabana era surreal. Preferimos pegar um táxi, com Rose reclamando o tempo todo do trânsito, do engarrafamento. A corrida ficou em R$ 25,00. Paramos no Bar Picote, onde ainda nos sentamos. Depois de algum tempo, eu e Karina resolvemos voltar para o hotel, onde tomei um banho e me aprontei para mais uma noite na Lapa. Novamente a dupla Leo e Karina pegou um táxi em direção à Lapa (R$ 15,00 a corrida). Como era domingo, o movimento era bem menor do que na sexta-feira. A indicação de Edu Kriger era para ir ao Bar Semente (Rua Joaquim Silva, 138). O local é pequeno, mas tem uma programação de música ao vivo de primeira, onde o samba e o chorinho são as estrelas da noite. Nós fomos os primeiros a entrar no bar, o que nos possibilitou ficar em uma mesa ótima, perto da saída, sem movimentação de gente e com visão do palco, onde Júlio Estrela e grupo comandou o show, desfilando clássicos do samba na primeira parte e outros clássicos do chorinho na segunda parte de sua apresentação. O couvert artístico, estampado na comanda individual recebida na entrada, era R$ 23,00. Com fome, resolvemos comer um sanduíche paulista (R$ 15,00), um dos itens escrito em uma lousa no bar. Demorou para chegar, é simples, com recheio de mortadela e queijo, ambos levemente fritos, o que potencializou seu sabor. Ficamos até 1 hora da manhã no bar. Cansados, resolvemos pegar um táxi e voltar para o hotel, antes fazendo poses para fotos em frente aos Arcos da Lapa. Logo um táxi passou. A corrida ficou novamente em R$ 15,00. Terminava nosso agradável final de semana no Rio de Janeiro. Com gostinho de quero mais.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ATERRO DO FLAMENGO


Quando estávamos almoçando no Bar Luiz, começamos a decidir o que faríamos em seguida. Decidimos voltar para o Flamengo, onde eu e Karina queríamos dar uma volta pelo Aterro, local que ainda não conhecia. Já passei inúmeras vezes por ele, mas sempre de carro. Terminado o almoço, caminhamos até o Largo da Carioca para pegar o metrô na estação de mesmo nome, descendo na estação Flamengo. A pé, nos dirigimos para a Praia do Flamengo. Uma passarela subterrânea nos levou até o Aterro, um local bem arborizado, cheio de pombos e gatos. Uma alameda de pau-brasil nos conduziu até a praia, que tinha um bom movimento. Afinal, a tarde de sábado convidava cariocas e turistas a ficarem nas ruas, praias e locais públicos, ao ar livre, aproveitando o dia. Obviamente que meu objetivo não era pisar na areia, tampouco colocar o pé no mar. Queria conhecer o local e tirar fotos. A vista da Praia do Flamengo e da região do Aterro onde fica a churrascaria Porcão é sensacional. Para todos os lados que eu olhava, um cartão postal do Rio de Janeiro surgia majestoso: Ponte Rio-Niterói, Marina da Glória, Cristo Redentor. A mais bela paisagem é, sem dúvida, o Pão de Açúcar e o bairro da Urca aos seus pés. Lindo! Ficamos cerca de uma hora no Aterro do Flamengo. Meus olhos já pesavam e meu corpo não queria obedecer meus comandos. Precisava urgentemente de uma cama. Resolvei voltar para o hotel para descansar, enquanto os demais ainda foram dar mais uma volta pelo bairro. Entrei no quarto pouco depois de 16 horas. Troquei algumas mensagens por whatsapp, fiz uma ligação para minha mãe, fechei todas as cortinas, deixando o quarto o mais escuro possível, deitei com o objetivo de dormir um pouco para sair mais tarde com o pessoal. Triste ilusão. Quando acordei, pensando ser 22 horas, já passavam das 3:30 horas da madrugada. O melhor era dormir novamente para aproveitar o domingo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BAR LUIZ - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ) (2)

Assim que chegamos na porta do Bar Luiz notamos um cartaz que informava aos clientes que o restaurante não estava aceitando nenhum tipo de cartão de crédito ou débito. O pagamento poderia ser feito com dinheiro ou cheque. Como eu tinha duas folhas de cheque em minha carteira, coisa que não uso há tempos, resolvemos entrar e almoçar. Eu já conhecia o local, uma vez que lá estive, também na hora do almoço, em 30 de maio de 2012.

Endereço: Rua da Carioca, 39, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

Fone: (21) 2262 6900.

Especialidade: culinária alemã em ambiente de bar. Clássico do Centro do Rio, fundado em 1887.

Ambiente: simples, com paredes brancas e algumas fotos antigas retratando o Rio. A porta de entrada é em madeira e vidro que se abre para um amplo salão claro e ruidoso, por que suas mesas estão sempre cheias. Um desenho de Ziraldo pende do teto. Na parede um selo azul informa que o Bar Luiz foi o primeiro a comercializar chope na capital fluminense.

Serviço: garçons atendem com muita cortesia e simpatia, bem ao estilo dos botecos cariocas. Nosso pedido chegou rapidamente à mesa.

Quando fui: almoço do dia 19 de outubro de 2013, sábado. Éramos cinco pessoas, mas havia a possibilidade de chegar mais duas, o que nos fez pedir uma mesa para sete. Fomos acomodados bem ao fundo, onde era possível juntar as mesas com mais facilidade. As duas pessoas acabaram por não aparecer. Ficamos mais de uma hora no restaurante.

O que bebi: uma lata de 350 ml de Coca Cola Zero (R$ 5,00). Quis um café ao final, mas o garçom nos disse que a casa nunca vendeu café de nenhum tipo em toda a sua longa existência e que os proprietários preferiam manter esta tradição.

O que comi: compartilhamos uma porção de bolinho de bacalhau, com 10 unidades (R$ 25,00) . Estavam sequinhos, dourados e bem saborosos. Para o prato principal, fui no tradicional e mais famoso item do cardápio, o prato alemão completo para duas pessoas (R$ 75,00), pois dividi com Karina: uma porção de chucrute, uma porção de salada de batata, duas unidades fritas de salsichão bock, duas também fritas de salsichão branco, um par de kassler (costela de porco defumada) e batata cozida. O prato é generoso, servido com todos os ingredientes na mesma vasilha, com exceção da salada de batatas, em prato separado. O garçom serviu meu prato, colocando um pouco de cada iguaria. Comecei por experimentar o kassler. Ele tem uma cor linda, rosada e estava muito macio, com sal no ponto, bem diferente da primeira vez que estive neste restaurante. O chucrute estava sensacional, não muito ácido, perfeito. Os dois salsichões vem partidos ao meio em corte longitudinal, levemente fritos. O bock, de cor avermelhada, tem sabor mais marcante, enquanto o branco, macio e leve, foi meu preferido. Prato clássico da culinária alemã muito bem feito.



Quanto me coube na conta: R$ 70,00.

Minha avaliação: * * *. Lugar movimentado, com bom atendimento e boa comida. Para quem gosta, o lugar tem fama de servir um bem tirado chope.

Gastronomia  Rio de Janeiro (RJ)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

PASSEANDO PELO CENTRO DO RIO DE JANEIRO


Arco do Telles

Ao contrário de sexta-feira, quando a chuva castigou o Rio de Janeiro boa parte da noite, o sábado amanheceu com céu azul, sol a pino e uma agradável brisa. Nada melhor do que fazer um passeio a pé, revendo ou conhecendo lugares do Centro da cidade. Em meu plano para o sábado estava incluída uma visita ao novo Museu de Arte do Rio (MAR), mas o alterei completamente assim que recebemos a companhia de Rose, Tatá e Fernando, guias privilegiados para caminhar por boa parte do Centro histórico do Rio, deixando a visita ao museu para uma outra oportunidade. Mesmo tendo chegado ao hotel às 4 horas da madrugada, eu e Karina já estávamos no café da manhã do Hotel Argentina às 08:40 horas, juntamente com Rose e Tatá. Combinamos de sair às 10 horas. No horário marcado, caminhamos até a estação do metrô Flamengo, situada a uns 300 metros do hotel, onde esperamos Fernando. Eu já tinha um cartão do metrô carregado com valor suficiente para a passagem (R$ 3,20). Dei um cartão para Karina, mas não tinha crédito o bastante, necessitando uma recarga na bilheteria. Pegamos o metrô e descemos na estação Cinelândia, onde paramos para tirar fotos em frente ao Teatro Municipal, fazendo fotos também dos prédios da área, como a Câmara Municipal e o Bar Amarelinho. Seguimos a pé em direção ao Largo da Carioca, onde fizemos outra parada para novas fotografias: o próprio largo, a Igreja de São Francisco, o prédio sede da Petrobrás, entre outros edifícios. Atravessamos a Rua da Carioca, entrando na Rua Uruguaiana, parando na esquina com Rua Sete de Setembro para entrar na antiga Casa Cavé, uma confeitaria/casa de chá famosa no Rio de Janeiro. Depois, mais uma parada, desta vez na Rua Gonçalves Dias, na famosa e agitada Confeitaria Colombo, onde uma fila inacreditável de turistas estrangeiros chegava à calçada. Tudo para um lanche, um café, um docinho (a vitrine de doces é um atentado para a prática do pecado da gula), ou mesmo uma foto. Depois de registrar nossa presença em fotografias, seguimos em frente, ainda na Rua Sete de Setembro, sem deixar de apreciar os prédios do local. Paramos para entrar na Igreja de Nossa Senhora da Conceição e da Boa Morte. Fernando, que não professa a religião católica, preferiu ficar do lado de fora. A igreja é simples, mas tem um belo altar. Aproveitamos para nos benzer com água benta que estava na sacristia, local por onde entramos. Caminhamos mais um pouco, passando pela Rua do Ouvidor, pelo Mercado das Flores, pela Rua do Carmo. Fiquei triste em ver vários prédios com tapumes, pois tinham sido alvo de vândalos durante os protestos que tem tomado conta da região central. Paramos para mais fotos em frente à Fundação Getúlio Vargas e chegamos na Praça da Candelária, onde entramos na igreja de igual nome. Interior escuro, mas bem conservado, com lindo piso cheio de mosaicos. Acontecia uma cerimônia coletiva de batizado onde um colega de trabalho do Rio de Janeiro me chamou pelo nome. Ele me conhecia, mas não me lembrei do nome dele. A próxima parada foi para ir ao banheiro, o que fizemos no Centro Cultural Banco do Brasil. Lá estava em cartaz uma exposição da artista plástica japonesa Yayoi Kusama. Decidimos não visitar o espaço expositivo porque esta mostra estará em cartaz em Brasília a partir de fevereiro de 2014. No entanto, as enormes bolas rosas com bolinhas pretas expostas no átrio do CCBB nos chamou a atenção, parando para mais fotos. Seguimos pela Rua 1º de Março até o Paço Imperial, parando antes para entrar na Igreja Nossa Senhora dos Militares, a mais simples em termos de decoração das que visitamos neste sábado. No Paço, conheci a Tabacaria Africana, endereço antigo na cidade, onde uma turma fumava cachimbo e proseava feliz. Passamos pelo Arco do Telles, adentrando em becos com simpáticos restaurantes com mesas na rua, já que por ali não trafegam veículos automotores. A cena me lembrou a França e seus charmosos bistrôs. Numa das casas, um sobrado antigo, a porta estava aberta, dando acesso a um videokê. O interesse do local é pelo fato de naquela casa ter morado Carmen Miranda. Entramos, subimos a íngreme escada e tiramos muitas fotos ao lado da foto de tamanho real da cantora/atriz que ficava em um pequeno palco montado no local. Após a sessão de fotos, com direito a várias poses, passeamos pelos becos, onde o movimento de pessoas começava a crescer, uma vez que já passava do meio dia. Era hora de almoçar. Nós ainda caminhamos um pedaço da Rua do Ouvidor, viramos à direita na Rua do Mercado, onde uma festa estava sendo preparada para o final da tarde, saindo novamente no Paço Imperial. Demos uma entradinha rápida neste prédio histórico, parando em sua livraria, onde Fernando comprou alguns cds. Em seguida, tiramos fotos em frente ao Palácio Tiradentes, sede do Poder Legislativo estadual, pegando a Rua da Assembleia em direção ao Largo da Carioca novamente, pois tínhamos decidido almoçar no centenário Bar Luiz, localizado na Rua da Carioca. Os orelhões do Centro nos chamaram a atenção, pois eles estão completamente lotados de adesivos com homens, mulheres e travestis oferecendo serviços sexuais. Manhã deliciosa no Rio de Janeiro.

Igreja da Candelária


Exposição de Yayoi Kusama no Átrio do CCBB


Casa onde morou Carmen Miranda, hoje um videokê


Paço Imperial

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

CARIOCA DA GEMA

Desde que decidi passar o final de semana no Rio de Janeiro, chamei a viagem de "Samba e Gastronomia". Assim, após passar por três distintos redutos da gastronomia carioca: Café Lamas, Bar Picote e Restaurante Roberta Sudbrack, todos na sexta-feira, dia 18 de outubro, era chegada a vez da outra vertente da viagem, o samba. O cantor e compositor Edu Krieger, sobrinho de Rose, nos indicou a noite da Lapa como o melhor para apreciarmos uma boa música, citando o Carioca da Gema como uma das atrações. Naquela noite, Teresa Cristina se apresentaria por lá. Com este atrativo excelente, o Carioca da Gema foi nossa escolha natural. Eu e Karina, após uma estada por quase três horas no Roberta Sudbrack, pegamos um táxi na porta do restaurante em direção à Lapa, parando na porta da casa indicada por Edu. Pelo trajeto, pagamos R$ 30,00. A Lapa estava lotada, com trânsito engarrafado, muita gente comendo e bebendo nas barracas montadas na região, especialmente perto dos Arcos da Lapa. Descemos do táxi e entramos direto no Carioca da Gema, nos identificando na portaria, pegando a comanda individual para a marcação de consumo, onde já estava estampado o preço do couvert artístico daquela noite: R$ 38,00. O bar funciona em uma casa antiga, com pé direito alto, um mezanino, e um segundo piso cujo acesso do público não é permitido. Além do ambiente interno, atrás da casa fica uma pequena varanda com algumas mesas e um bar, bem como os banheiros. Nas paredes há muitas fotos de sambistas, o que não deixa dúvida quanto à vocação da casa: o samba. Quando entramos, Teresa Cristina tinha acabado de começar sua apresentação. O relógio marcava meia noite. O local estava lotado, mas havia como dançar, mesmo que apertadinho. A galera era majoritariamente de trintões, quarentões e cinquentões. A maioria com garrafas de cerveja na mão e samba no pé. Teresa Cristina cantou músicas não só do seu repertório, como também clássicos do samba. Cito Cartola, Paulinho da Viola e Silas de Oliveira como exemplo dos grandes compositores da música brasileira que ela interpretou durante seu longo show. Quase ao final da primeira etapa do show, Edu Krieger chegou e nos fez companhia. No intervalo, ele apresentou Teresa Cristina para nós. Muito simpática, atendia a todos os pedidos dos presentes para tirar uma foto com ela. Um senhor me abordou, me entregando seu celular, solicitando-me que tirasse uma foto dele com a cantora. Ele custou a ficar em posição, enquanto eu ficava lá plantado com o celular alheio em minhas mãos. Acabei por tirar a foto para ele. Enquanto rolava o intervalo, sambas diversos saíam das caixas de som. Fomos para os fundos da casa, tomar um ar fresco. Karina aproveitou para beber o drinque Zé Carioca, que ela tinha provado e gostado da outra vez que lá estivera, mas não lembrava do que era feito. Só tinha a certeza de que tinha cachaça e era doce. Eu fiquei só na água, enquanto Edu e um amigo, neto de Silas de Oliveira, bebiam cerveja. O tal amigo me alugou por um bom tempo, mas como eu não dava muito bola para o que ele falava, desistiu e foi tentar outra freguesia: um dos garçons da casa. Quando começou a segunda parte do show, voltamos para a frente do pequeno palco, onde Teresa Cristina era acompanhada por ótimos músicos. Mais um delicioso set de sambas que não deixavam ninguém ficar parado. Terminada esta segunda parte, Edu se despediu da gente, pois iria para uma festa eletrônica ali mesmo na Lapa, mostrando que o bairro tem vocação musical, sem distinção de ritmo. Eu e Karina ficamos mais um pouco. Teresa voltou para o palco para mais uma rodada de sambas. O sono bateu forte. Eram mais de três horas da madrugada. Hora de pagar nossa conta e voltarmos para o hotel. Não havia fila no caixa. Acertamos, recebemos o tíquete de saída, pegamos um táxi credenciado pela casa na porta, retornando ao Hotel Argentina, no Flamengo. A corrida ficou em R$ 15,00. Entrei no quarto quase como um zumbi, cansado, mas sem vontade de dormir. Mas foi só deitar na cama e não me recordo de mais nada. Apenas que a sexta-feira, mesmo chuvosa, tinha sido bem aproveitada na Cidade Maravilhosa.

domingo, 27 de outubro de 2013

ROBERTA SUDBRACK - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO


Enfim conheci o aclamado Restaurante Roberta Sudbrack, único carioca a figurar na seleta lista dos 100 melhores restaurantes do mundo, segundo a conceituada revista inglesa The Restaurant. Na lista divulgada em abril de 2013, ele figura na classificação nº 80. Já na primeira lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina, organizada pela mesma revista, ele está no décimo lugar. Karina me acompanhou no jantar em uma noite de muita chuva no Rio de Janeiro.

Endereço: Rua Lineu de Paula Machado, 916, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ.

Contato:  (21) 3874 0139.

Especialidade: cozinha contemporânea, sob o comando da chef Roberta Sudbrack. O menu é fechado, não existindo uma carta específica. Ele é alterado de acordo com os ingredientes da estação e com as invenções e pesquisas da chef.

Quando fui: noite de 18 de outubro de 2013, sexta-feira. Éramos 02 pessoas, com reserva feita com dez dias de antecedência. O restaurante ocupa um sobrado, onde mesas estão colocadas na varanda externa, em um salão no primeiro andar, além de estarem dispostas em dois salões no andar superior, onde também fica a cozinha, cuja movimentação é possível ver para quem se senta no primeiro ambiente do piso superior, onde ficamos. Fomos acomodados em uma mesa ao centro do salão. O interessante é que a mesa é grande e cabe um grupo grande, mas foi disposta de uma maneira para abrigar duas pessoas de um lado e duas de outro, com uma bela montagem com orquídeas no centro da mesa, como se fosse uma divisória. Fica elegante e preserva a privacidade das conversas de cada lado. De onde sentamos era possível ver a chef e sua equipe em um frenético balé de preparação dos pratos da noite.

Serviço: ótimo serviço de reserva, com atendimento cordial e perfeito. Nossa reserva estava para 21 horas, mas ficamos presos no engarrafamento nas imediações da Lagoa Rodrigo de Freitas, o que me fez ligar para informar de um possível atraso, quando fui muito bem atendido, com a garantia de que minha mesa estava pronta à nossa espera. Assim que chegamos, um funcionário nos buscou no táxi, já que caía uma fina chuva. Na recepção, onde há um lindo bar, confirmaram a reserva, nos encaminhando, de imediato para o piso superior. Os garçons foram atenciosos, explicando o sistema de funcionamento da casa, assim como os itens do menu. Carta de vinhos excelente, com variadas opções de exemplares do novo e do velho mundo. Há três possibilidades de pedidos dentro do menu fechado, chamadas “experiências”. A de número 1 (R$ 195,00) inclui três pratos, sendo que o prato principal, denominado prato do dia, não está descrito no menu. A experiência 2 é composta por 5 pratos + queijo (R$ 295,00), sendo que um dos pratos deve ser escolhido dentre as opções de amuses. Já a experiência 3 é a mais completa, com 9 pratos + queijo (R$ 350,00), ou seja, todos os itens do menu. Houve uma falha no serviço, quando nosso primeiro prato quente chegou antes da amuse por nós escolhida. Assim que percebi o erro, chamei um garçom que perguntou se queríamos devolver o prato, sendo servida a amuse, ou se queríamos comer aquele prato quente e depois vir o prato frio. Achei estranha a segunda alternativa, o que desconstrói toda a lógica da refeição. Obviamente que preferimos seguir o curso normal do menu, iniciando pela amuse, o prato frio da noite. No restante, o serviço funcionou bem, inclusive na hora de ir embora, quando providenciaram um táxi para nós.

O que bebemos: três garrafas de água mineral com gás de 350 ml Prata (R$ 4,50), uma garrafa do vinho tinto português Luis Pato Bairrada 2010 (R$ 155,00), que estava bem elegante, com bons taninos que não agrediram o paladar e harmonizou bem com os pratos sem peixe, especialmente com o prato principal. Ao final, um bem tirado café espresso Nespresso (R$ 7,00), que foi acompanhado de uma sinfonia de docinhos maravilhosa.


docinhos que acompanharam o café espresso

O que comemos: tanto eu quanto Karina escolhemos a Experiência 2, com cinco pratos + queijo. Antes da sequência, alguns mimos da chef foram servidos. Primeiro uma porção de uma espécie de salame fresco vindo do Rio Grande do Sul, fatiado de forma muito fina, cuja orientação era para comer com as mãos, sem cortar os pedaços com a faca. Saboroso, mas nada de diferente. Um pão da casa, acompanhado de manteiga, excelente, diga-se de passagem, foi servido em seguida. Uma marmita de alumínio (farnel para os mais finos) foi colocada na mesa. Nela a surpresa da chef: duas unidades de castanha do Pará frescas cobertas por uma farinha de banana, decoradas com mini flores. Também para se comer com as mãos, colocando tudo de uma vez na boca. A farinha de banana é um pouco amarga, o que contrastou com o sabor da castanha e deu um toque inusitado no paladar. Gostei. Em seguida, o melhor dos mimos, gougères, espécies de pequenos pães de queijo que estavam quentinhos e no contato com a língua praticamente derretiam. Depois deste couvert que abriu nosso apetite e aguçou as expectativas, começou a ser servido o menu.

salame fresco fatiado


gougères


castanha do pará com farinha de banana

Prato 1: escolhemos a mesma amuse dentre quatro opções: atum cru, fruta pão cristalizada, cumaru. Uma mistura de sabores fantástica, com o prato sendo completado na nossa frente, quando uma sopa fria regou o atum que estava envolto em uma fina fatia de fruta pão cristalizada, apresentado em forma de um mini vulcão. Disparado foi o melhor prato da sequência.

Prato 2: linguado em vinagrete de ora-pro-nóbis. Achei o linguado cozido um pouco além do ponto, mas seu sabor era tenro e o tal vinagrete deu um toque interiorano, com sabor de casa de vó. Afinal, o ora-pro-nóbis não é verdura fácil de se encontrar por aí.

Prato 3: arroz envelhecido, açafrão e parmigiano. Não gostei do sabor. Realmente o gosto do arroz era de algo velho e o queijo não amenizou isto. A aparência do prato também não me agradou, pois era um amarelo esmaecido, sem muita vivacidade.

Prato 4: ojo de bife na brasa, bérnaise e farinha de banana. Prato com boa aparência, com a carne firme, vermelha. A harmonia do molho bérnaise com o tostado da farinha de banana ao se juntar com a carne me surpreendeu. Gostei bastante.

Queijo: um fatia de queijo (que não me recordo qual era), acompanhada de uma geleia de kinkan servida na própria casca e de uma fatia de broa de milho assada. Não aprecio broas, embora tenha experimentado a que veio neste prato, mas fixei minha atenção na adstringência do queijo misturada com a doçura da geleia. Aprovado.

Prato 5: a sobremesa, chamada de Divino, maravilhoso! Trata-se de uma composição de pele de rapadura, chocolate branco acidificado, framboesa e licuri (fruto de uma palmeira de mesmo nome, típica do cerrado). Muito doce por causa do chocolate branco e da pele de rapadura. Nem a acidez da framboesa, servida fresca, ajudou a amenizar a doçura do prato.

Valor total da conta: R$ 874,50 (só aceita cartões de crédito da bandeira Mastercard).

Minha avaliação: * * * *. Restaurante que deve ser conhecido por quem aprecia a culinária contemporânea, especialmente porque a chef Roberta Sudbrack valoriza os produtos e ingredientes do nosso país, elaborando pratos diferenciados e com combinações inusitadas. Minha nota poderia ser maior, mas a falha no serviço e não ter atingido minhas expectativas pesaram para a avaliação desta noite. Resumindo, os pratos estavam muito bem feitos, mas não me surpreenderam.


Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)