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segunda-feira, 13 de junho de 2011

LOS CAPRICHOS DE GOYA

Na última quarta-feira, pela terceira vez desde outubro do ano passado, coloquei o aparelho para medir minha pressão pelo período de 24 horas, para exame conhecido como MAPA. Como fui às 13 horas, tinha que retirar o tal aparelho e entregar a ficha com as anotações de todas as atividades que realizei durante o tempo em que estava submetido ao exame na quinta-feira, entre 11 e 13 horas. Cheguei à clínica um pouco antes do meio dia. Não havia ninguém. Demorei menos de quinze minutos entre chegar, retirar o aparelho e voltar para o carro. A clínica fica na Asa Sul, bem próximo do Instituto Cervantes, instituição que ajuda a difundir a cultura hispânica em Brasília, além de  ter cursos da língua espanhola, cada vez mais procurado pelos brasilienses. Desde o último dia 01º de junho, este instituto promove vários eventos culturais comemorativos em relação ao El Dia E (O Dia E), celebrado em 18 de junho como o dia da língua espanhola: la fiesta de todos los que hablamos español. Embora tendo 19 dias de duração, este evento recebeu o nome de Semana del Español. Dentre as várias atividades, que incluem gastronomia, teatro, dança, música, cinema, literatura, fotografia, está uma mostra de artes plásticas chamada Los Caprichos de Goya. É uma exposição que fica em cartaz no Espaço Cultural Instituto Cervantes (SEPS 707/907, Conjunto D, Asa Sul) até o próximo dia 18 de junho. São 80 (oitenta) gravuras do famoso pintor espanhol Francisco Goya, com quadros famosos no Museo del Prado e em outros grandes espaços museológicos do mundo, editadas em 1799. Nesta época, o pintor se recuperava de uma doença e muitos dizem que as gravuras sofreram influência deste processo de convalescênça. Quando cheguei, não tinha ninguém na exposição, apenas o segurança. Com paredes em vermelho forte, as gravuras são mostradas aos pares, com a de número ímpar sempre localizada na parte superior da moldura, todas do mesmo tamanho. Toda gravura tem um título e a maioria delas possui uma pequena explicação do que ela representa. Segundo informações escritas em uma das paredes da exposição, estas explicações foram feitas pelo próprio Goya quando as gravuras foram expostas no Museo del Prado, em Madri. Li tudo que estava escrito na parede antes de começar a observar cada uma das oitenta gravuras, também lendo atentamente o que o artista explicou sobre o que retratava. Se desconsiderarmos as datas e o pintor, verificamos que as  gravuras com suas respectivas explicações são atemporais, pois o retratado se encaixa  em situações que ainda vivemos hoje. Críticas são feitas à prostituição, aos casamentos de conveniência, à falsidade dos seres humanos, ao alcoolismo, ao poder manipulador da religião. Ao ver a primeira gravura, tive a certeza de que já tinha visto aquela exposição antes. Revirando os artigos publicados em jornais de Brasília  nos meses de maio e junho deste ano, além da internet, li que estas mesmas gravuras já estiveram expostas na cidade por duas ocasiões, sendo uma delas no Panteão da Pátria, localizado na Praça dos Três Poderes. Lembrei-me de que compareci a esta exposição, mas foi em um dia concorrido, cheio de gente, com filas, sendo impossível ficar o tempo necessário em frente a cada um dos quadros para observar o que Goya retratava, seus traços precisos, suas metáforas. Gostei mais de vê-las (ou revê-las) agora,  onde tive todo o tempo necessário para conferir cada uma delas, gastando mais tempo em frente àquelas de que mais gostava.  Pela ordem, são três grandes temas escolhidos pelo artista: o cotidiano, onde bebida, sexo e religião são constantes, uma série com figuras de burros como se fossem humanos ou até mesmo superiores a nós e uma série dedicada a bruxas e duendes. Esta última série é a mais surreal, bem ao estilo Apocalipse. Nem vi o tempo passar. Quando terminei, percebi que mais gente aproveitava a hora do almoço para ver as gravuras do artista espanhol. Fiquei ali por quase uma hora. Gostei muito da exposição. Aproveitei para pegar um folder da Semana del Español e me programar para conferir mais eventos culturais, a maioria delas gratuitas, como esta exposição Los Caprichos de Goya.

2 comentários:

  1. Léo,

    Parabés por ter ultrapassado 1000 postagens.
    Quero te convidar para assitir a leitura dramatica da peça TRINTA GATOS E UM CÃO ENVENENADO. Não fui eu quem dirigiu, mas li o texto e vale a pena.
    ANFI 9 - 19h

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  2. Ei amigo, obrigado. Estou fora de Brasília, em Fortaleza, a trabalho, não sei se consigo chegar a tempo de ir à leitura dramática. O horário é muito ingrato.

    Bjs.

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