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sábado, 11 de fevereiro de 2012

FILHA, MÃE, AVÓ, PUTA - UMA ENTREVISTA


A primeira peça do ano foi sensacional. Assim que tive conhecimento, comprei entrada (R$ 3,00) para ver "Filha, Mãe, Avó, Puta - Uma Entrevista", que ficou em cartaz no Teatro II do CCBB Brasília de 12 de janeiro a 05 de fevereiro. É a versão para o teatro do livro autobiográfico de mesmo título de Gabriela Leite, que ficou conhecida por lutar pelos direitos das prostitutas, de fundar a ONG Davida e de lançar a grife Daspu. O livro foi lançado em 2009. A direção da versão teatral ficou a cargo de Guilherme Leme. No palco, Alexia Dechamps e Louri Santos. A capacidade do teatro é de apenas 100 pessoas. Fui logo no primeiro final de semana em que estava em cartaz, com casa cheia e fila de espera para eventuais desistências. Pelo que soube, todas as sessões foram muito concorridas ao longo da temporada brasiliense. O cenário é bem simples: apenas uma mesa retangular, onde na cabeceira fica sentado o jornalista que faz a entrevista do título, vivido por Louri Santos. Na ponta oposta, sem ser na cabeceira e de frente para o público, Dechamps encarna Gabriela Leite em uma interpretação bem próxima da realidade. A semelhança física da atriz com a autora do livro ficou impressionante, principalmente se considerarmos a imagem de que temos de Alexia, cabelos louros, porte de modelo, esguia. Ela se transformou, escurecendo as madeixas, colocando um óculos, entrando de cabeça na personagem. A história comove, emociona e, em algumas passagens, dá para esquecer que estamos vendo uma representação teatral, de tão natural é a encenação. Parece que estamos assistindo, ao vivo, Gabriela Leite concedendo uma entrevista sobre sua trajetória de vida. E que vida ela teve e tem. Oriunda de classe média, estudante universitária, decidiu largar família e estilo de vida para se prostituir, primeiro em São Paulo, depois Belo Horizonte e, em seguida, Rio de Janeiro. Em pouco mais de uma hora, temos contato com uma vida vibrante, sofrida, alegre, cheia de obstáculos e preconceitos, mas um exemplo de vida. Outro destaque da peça é a iluminação de Tomás Ribas, pois, embora simples, acompanha a profundidade dos depoimentos da personagem. Muito bom.



teatro

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