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sábado, 28 de dezembro de 2013

UM ESTRANHO NO LAGO

Depois de muitos conhecidos comentarem comigo sobre o filme Um Estranho no Lago (L'Inconnu du Lac), aproveitei o sempre insosso final de dia 25 de dezembro para conferir a película no cinema Itaú CasaPark, sessão das 21:30 horas. Ingresso a R$ 11,50, meia entrada por possuir o cartão de crédito Itaú. O filme é uma produção francesa de 2013, dirigida por Alain Guiraudie, merecedor de indicações e prêmios em importantes festivais de cinema ao redor do mundo, como Cannes 2013, além de ter sido considerado pela prestigiada revista Cahiers du Cinema como o número 1 na França neste ano que está findando. Não há nenhuma mulher no elenco. Também não há trilha sonora e o cenário é único: uma praia de pedras de um lago em algum lugar no interior francês e o bosque que a circunda. Todas as cenas são externas. O roteiro foca na pegação gay, com cenas fortes, ousadas para um filme não pornográfico. Mostra a busca pelo amor, seja um instante, seja um desejo de ficar junto. É a solidão do ser humano, no caso de homossexuais, que procuram o outro de forma contundente, de forma perturbadora. Franck (Pierre Deladonchamps) frequenta diariamente a praia do lago durante o verão, onde vai em busca de sexo com outros homens. Acaba por conhecer Henri (Patrick D'Assumção), um homem solitário, que não tem o mesmo objetivo de caça, frequentando o lago para pensar na vida. Eles ficam amigos, mas Franck quer mais do que uma simples amizade. Portanto, ele continua na caça e se interessa por Michel (Christophe Paou), um homem bonito, bronzeado, com bigode a la Tom Selleck ou daqueles atores de filmes americanos de praia dos anos setenta. Franck é correspondido, sem saber o quão perigoso é Michel. Mesmo descobrindo a real índole do homem por quem se interessou, Franck se deixa levar pela paixão, pelo desejo carnal. O diretor constrói um belo filme, com ótimos diálogos, mostrando a psicologia dos personagens, revelando o quanto o ser homem pode se deixar levar pela emoção, pela paixão, mesmo tendo conhecimento de todos os perigos pelos quais poderá passar. Seguindo a tradição dos filmes europeus, o final surpreende, deixando para cada um dos que veem o filme concluir o que quiser. Final totalmente aberto, seguindo a linha da paixão além da razão. Eu já sabia que o final era como foi, pois muita gente que conheço comentou justamente a "falta de um final", motivo pelo qual não me surpreendi. No entanto, este não foi o sentimento dominante na sala de projeção. Muitas interjeições de insatisfação foram ouvidas na saída do cinema. Filme preciso, direto, perturbador. Eu gostei muito.

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