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sexta-feira, 3 de julho de 2009

A FESTA DA MENINA MORTA


Influenciado pelo blog Insensatez, escolhi um filme nacional para ver no final da tarde. Como não conhecia as salas do Cine Reserva Cultural (Avenida Paulista, 901, Bela Vista) e lá estava em cartaz o filme de estreia na direção de Matheus Nachtergaele, A Festa da Menina Morta, co-produção Brasil-Portugal-Argentina de 2008 e que foi muito comentada quando foi exibida no Festival de Cannes do ano passado. Fora os vários prêmios recebidos em diversos festivais.
Uma porrada, esta foi a sensação ao final da exibição. O filme não é para qualquer público. Houve gente que saiu no meio do filme. A câmara é nervosa em certas cenas, lembrando o movimento Dogma, dos países nórdicos. A iluminação, de Lula Carvalho, me remeteu a quadros de Caravaggio, onde o jogo claro-escuro pende para o escuro, especialmente nas cenas nos interiores das casas de madeira e na noite da festa do título. Matheus mostra vigor na direção dos atores. Daniel de Oliveira está perfeito como Santinho, o líder espiritual afeminado da comunidade ribeirinha do Amazonas. O trabalho corporal de Daniel é muito interessante. Jackson Antunes faz o pai de Santinho, mais uma vez um amante da bebida. Matheus filma uma bela cena de sexo incestuoso entre Santinho e seu pai. Juliano Cazarré é uma grata surpresa. Já o vi em peças em Brasília, sempre muito bom. Neste filme, ele pode mostrar sua veia de ator em belas cenas. Matheus é mais feliz na direção do elenco masculino. O elenco feminino parece meio perdido. Dira Paes, Cássia Kiss (numa rápida participação como a mãe de Santinho) e uma ótima atriz que faz o papel de Das Graças (Conceição Camarotti), poderiam ser melhores aproveitadas em suas cenas.

Confesso que a iluminação me incomodou, o mesmo para a cena em que se ouve um guincho sem fim de um porco à beira da morte.

Paulo José tem uma participação afetiva, fazendo uma ligação com o cinema nacional da década de sessenta, quando cenas aparentemente desconexas com o roteiro eram inseridas no contexto.

Há duas cenas, no meu ponto de vista, desnecessárias: um baile com música ao vivo com uma travesti e uma dança de rua quando da festa do título (dança de rua é totalmente urbano, não combinando com uma cidade ribeirinha e numa festa religiosa).

Vi elementos de Almódovar (o show das trigêmeas marcianas) e me lembrei muito dos filmes Amarelo Manga e Baixio das Bestas, especialmente este último, ambos de Cláudio Assis, nos quais Matheus trabalhou. E isto ficou claro, quando li nos créditos finais o agradecimento de Matheus, entre vários nomes, o nome de Assis.

Bela homenagem também ao artista plástico Leonílson, já falecido, também creditado nos agradecimentos. O manto de Santinho é puro Leonílson.

Em resumo, gostei do que vi, mesmo com as ressalvas que apontei e espero que Matheus nos brinde com outros filmes tão impactantes como este.

2 comentários:

  1. Esse´filme é um petardo.
    Gosto muito do manto Leonilson.
    Mas ao contrário de você, adoro a participação da Cássia Kiss.
    È Camarotti ´sobrenome da grande atriz. Conceição Camarotti.
    Que bom que assistiu ao filme e que luxo a referência ao Insensatez.
    Bjs

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  2. Pek,

    Embora discordemos em alguns pontos, o essencial é que gostamos do filme. Obrigado pela informação. Já corrigi no post.

    Bjs.

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